Música para os meus ouvid(...)
publicado por mysuperworld às 2013-06-18 22:26:32
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Ritaa L.
Seguir Perfil »Nome
Rita
Apelido
L.
Data Nascimento
25-04-1995
Sexo
F
Música para os meus ouvid(...)
publicado por mysuperworld às 2013-06-18 22:26:32
publicado por alexis às 2013-06-18 17:19:51
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-18 14:11:36
Capítulo 20
As masmorras do palácio eram escuras e húmidas. As celas já estavam ferrugentas e velhas, mas mesmo assim era quase impossível escapar-se de lá. Eram grandes, no entanto, e eles tinham sido todos postos na mesma. William encontrava-se encostado às grades, ainda a reviver as últimas horas; Raj estava de pé, perto da minúscula janela que estava ao nível do chão do jardim, batia irrequietamente com o pé e esforçava-se por olhar apenas para a rua; Eresm e Quorq estavam ambos encostados a uma das paredes, enquanto Samantha, a única sentada, estava no outro extremo com a cabeça apoiada nas pernas encolhidas, sendo observada por eles. Tinha sido a noite mais longa da vida de todos.
- Então… - Eresm foi o primeiro a dizer a primeira palavra desde que tinham sido trancados naquele sítio, há horas – você é o Samuel?
Samantha levantou a cabeça e olhou para ele, formulando um sorriso triste.
- Sim, sou o Samuel – confirmou.
- Enganou-nos todo este tempo – murmurou Raj, como se pensasse para si.
- Peço desculpa, eu sei que… Queria apanhar o Marx, não sabia como… E acabei por fazer asneira.
- Sim… pois acabaste – pela primeira vez o príncipe abriu a boca e voltou-se para eles. Samantha mal reconheceu o seu olhar, mesmo debaixo daquela fraca luz. Estava negro, raivoso, nu de qualquer bom sentimento. Ela conhecia bem aquele olhar, tinha-o visto ao espelho por anos.
- Eu sei – disse, levantando-se – Mas se eu…
- O meu pai está morto, Samantha! – Gritou William, para espanto de todos, fazendo-a saltar de susto – Não há mas “se” nenhum, acabou tudo! Ele está morto, e nós somos a seguir. É tudo por tua causa!
Ela ficou estática a olhar para ele enquanto os outros trocavam olhares entre si.
- O quê? Foste tu que quis que me expusesse! Se não fosse por ti nem sequer tinha ido àquele maldito baile e nada disto tinha acontecido! Porque o Marx não tinha tido um pretexto para saber que estava viva! – Ela não se conteve, já levantada elevou também o tom de voz, fazendo com que os soldados se começassem a sentir um pouco a mais naquela discussão.
- Não para começares uma guerra! Não para isto. Só te queria mostrar como a tua vida podia ser. Só queria que viesses para casa. Mas tu não sabes o que “casa” significa, nem “família”. Nunca tiveste uma, como é que havias de saber?
A mão de Samantha voou de encontra à bochecha de William e embateu nela com tanta força que deixou a sua marca avermelhada. Não tinha pensado, tinha sido um acto involuntário, mas não se arrependia de o ter feito. Os três soldados ficaram estáticos perante aquela cena.
- Não sabes do que estás a falar – afirmou, com um tom já mais baixo mas claramente chateado – Como é que ousas dizer-me isso?
- Não? Então, por favor, explica. Chamas “família” àquele traidor que nos entregou, é isso? É ele a tua família? Porque chegaste aqui com uma grande conversa sobre um traidor na casa do rei, quando foste tu própria que o puseste cá dentro! Parabéns Samantha, a tua vingança está a deixar um rasto de morte, e sofrimento, que podes até vir a superar o Marx.
Os olhos da rapariga encheram-se de lágrimas que ela não autorizou que saíssem. Ele podia ter dito de tudo, mas nunca aquilo. Nunca compará-la ao homem que lhe tirara tudo.
- És mesmo um imbecil, William – murmurou, com um tom triste, enquanto abanava a cabeça – Sim, o teu pai morreu, e sim, esta vida não presta, e talvez isto seja culpa minha, mas um amigo nunca me diria o que tu acabaste de me dizer.
- Tu não queres amigos. Só queres a tua vingança.
Ela virou-lhe as costas e voltou para o seu canto, sentando-se de cabeça erguida a olhar para o tecto. O ambiente tornou-se ainda mais pesado, um cego podia ver a mistura de angústia e raiva que ia dentro daquela cela.
Eresm ainda pensou em dizer qualquer coisa para tentar aliviar o clima, mas achou por bem esperar mais um pouco, para que eles tivessem tempo de se acalmar um pouco sozinhos; Quorq pensava em como aquela rapariga tinha coragem, de se mascarar de homem, de falar como falou ao príncipe e de lhe bater; Raj não sabia o que pensar de toda a situação, não sabia se havia de admirar Samantha, de se sentir traído, ou de se limitar a pensar que daí a momentos todos podiam estar a caminho da forca.
- Acham que eles nos vão deixar aqui a apodrecer? – Perguntou Quorq, ao fim de longos minutos de silêncio de cortar à faca.
- Não – foi Samantha, para surpresa de todos, que lhe responder – Ele vai querer assistir à nossa desgraça. Já vi isto acontecer, em casa.
- Como é que sobreviveu àquela noite? À Noite Negra? – Perguntou Raj, intrigado.
- Por favor, quando era o Samuel tratavam-me normalmente, agora não quero formalidades. Sou a mesma pessoa, só que agora chamo-me Samantha. Consegui escapar, tive sorte.
Do outro lado do corredor uma velhota já fraca espreitou e, perante a vista daquela rapariga, abriu a boca de espanto.
- Psst – fez, captando a atenção da cela à frente da sua – Tu és a Samantha? De Walcaster? Sobreviveste?
Samantha franziu as sobrancelhas e levantou-se, aproximando-se das grades.
- Quem é você?
- Só uma velha sem valor – murmurou a mulher – Se estás viva, e o Marx já sabe de ti, é porque ele ainda não encontrou o que queria. Ele foi à Casa dos Kendric para procurar algo muito poderoso, algo que…
Nesse mesmo instante a porta abriu-se e poucos dos guardas de Marx entraram, mandando logo a mulher calar-se, deixando o resto da conversa no ar. Abriram a cela onde eles estavam e disseram-lhes para sair, escoltando-os para fora dos calabouços.
O que acham que o Marx procurava?
E o que vai acontecer agora?
Por favor comentem
Havia muito a dizer sobre(...)
publicado por mysuperworld às 2013-06-18 12:09:02
mas o Miguel Sousa Tavares já disse tudo. Subscrevo inteiramente tudo o que ele diz neste artigo. Palminhas para ele!
publicado por alexis às 2013-06-18 11:41:17
Às vezes sinto que necessito que mudar de ares, que demasiadas pessoas conhecem o meu cantinho e por causa disso não me sinto à vontade para escrever tudo aquilo que penso. Um dos meus objectivos após acabarem os meus exames é ganhar coragem para arranjar uma nova casa, decente e bonitinha, sem que meio mundo saiba que aquele é o meu blog.
publicado por cantinhodamafas às 2013-06-17 22:23:43
Olá meninas!!!!
Hoje trago-vos uma rubrica que já postava á muito tempo, A minha semana em fotos, onde vos mostro através de fotos como foi a minha semana. Esta semana fui muito cansativa pois já me encontro a trabalhar e no tempo que tenho disponível aproveito para concluir a minha tese. Mas também ainda tive tempo para descontrair um bocadinho e passear com o meu BF. Vamos lá ver então como foi a minha semana:
Na Segunda eu estive de folga e aproveitei para ir passear com o meu BF e fomos comer um geado ao Mac.
O gelado que comi foi este Mac Flury de Kit Kat.
Na Terça fui almoçar mais o meu BF e fomos ao Burger King.
Eu comi um hambúrguer de franco com batatas pequenas e uma coca cola zero também pequena.
LOL
Na Quarta quando vinha do meu Trabalho vejam o que encontrei em plena Praça dos Restauradores o patinho do programa Splash!
Muito engraçado mesmo.
Na Quinta o meu jantar foi este massa com milho, frango, molho de tomate e orégãos.
E ainda uma Salada de alface para acompanhar.
E de sobremesa dois kiwis.
Na Sexta depois do trabaho aproveitei para escrever mais um pouco na minha tese.
No Sábado o meu lanche foi este bolinho de chocolate com leite.
Por fim aqui fica o pormenor do meu look de Domingo.
Espero que tenham gostado da minha semana!!!!!
E como foi a vossa semana?
Beijinhos=)
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-17 19:45:35
Capítulo 5
Os Desejos * Parte 2
O rapaz olhou para Chelsea e depois dirigiu-se à secretária cheia de livros, começando a folhear o que estava por cima.
- Will, não aguento isto – Murmurou a rapariga, pousando a lâmpada com o génio em cima da cama e dando poucos passos até ao loiro – O tratamento do silêncio depois dos berros é ainda pior do que se tivesses continuado a berrar.
- O que queres que diga mais? Não importa o que diga, vais sempre fazer aquilo que queres – disse ele, sem retirar o olhar do livro ao qual não prestava a mais pequena atenção.
- Pensa o que seria se fosse contigo. Ias mesmo deixar aquela rapariga ser maltratada por tua causa? Por favor, tenta entender – implorou ela, tocando-lhe no braço – Will, põe-te na minha situação.
- Já pus – afirmou, voltando-se para ela e olhando-a nos olhos pela primeira vez desde que lhe tinha ralhado – E acho que não estás bem. Passei o Verão a tentar convencer-me de que estavas, mas nunca acreditei realmente nisso. E depois, quando me bateste à porta lavada em lágrimas obtive a confirmação do que já pensava.
- É verdade que não ando nos melhores dias, mas…
- E acho que isso te torna menos apta para o que tens que fazer. Acho que faz com que penses menos nas coisas que tens para fazer, que te torna demasiado vulnerável. E a pior parte é que não sei como te arranjar.
A rapariga ficou incrédula por poucos segundos.
- “Arranjar”?! – Perguntou, largando-lhe o braço e afastando-se lentamente dando poucos passos para trás. Will percebeu aquilo que tinha dito e fechou os olhos com força ao mesmo tempo que suspirou.
- Não foi isso que quis dizer – tentou explicar.
- Eu não sou um brinquedo que possas arranjar – disse Chelsea, com a voz firme mas as lágrimas à beira de caírem – Vim até ti porque achava que podia confiar em ti, e não para te passar a responsabilidade de me arranjares. Desculpa se ver o meu irmão morrer me deixou um bocadinho fora do normal – disse, sarcástica – Lamento imenso que o facto de ter perdido o Jensen e a Cassie, e de me sentir tão imprestável, seja um fardo para ti Will. Sabes que mais? Tens razão. Eu não sou apta para este trabalho – ela encolheu os ombros e Will abriu a boca para falar, mas ela não deixou – Talvez os Guardiães devessem tentar arranjar uma maneira de ressuscitarem a Faith, já que ela era tão perfeita e equilibrada.
- Não foi isso que quis dizer Chelsea – disse ele uma vez mais.
- Sabes que mais? Eu estou… - a ruiva suspirou e agarrou na lâmpada, saindo do quarto e dirigindo-se à porta de saída, da qual parou à frente – estou cansada Will, foi um longo dia e só quero ir para casa. Adeus.
- Chel… - ela não lhe deu tempo para falar, fechou a porta e começou a descer as escadas rapidamente.
Começou a caminhar apressadamente pelas ruas já com os candeeiros acesos e não quis pensar mais em Will, nem em Jensen, nem em qualquer outro assunto que a pudesse pôr à beira de um ataque de choro. Não queria chorar, queria ser forte, tinha que se aguentar.
Quando chegou a casa já estavam todos prontos para jantar, por isso foi pôr a sua mala e a lâmpada no quarto e depois juntou-se à família para comerem. Margaret foi a última a sentar-se, pois, como sempre, esqueceu-se dos guardanapos e teve que os ir buscar.
- Então meninos, como correu a escola? – Perguntou Norman, levando uma garfada de peixe à boca.
- Bem – respondeu Richard – Fiz um exame hoje, foi mais difícil do que estava à espera, mas acho que me safei bem.
- Ainda bem. Então e tu filha? Estás tão calada… - disse Margaret.
- Correu bem – limitou-se a filha a responder-lhe para, em seguida, continuarem a comer. Margaret e Norman andavam preocupados com ela desde que aparecera em casa com todas aquelas feridas e hematomas, e não eram os únicos. Richard e os seus amigos também estavam. Mas Chelsea continuava a dizer-lhes para não se preocuparem.
Depois do jantar Richard convidou a irmã para irem dar uma volta, mas ela preferiu ficar em casa, sentia-se exausta. Subiu para o quarto e tomou um duche rápido, vestindo o pijama em seguida. Depois tirou a mala de cima da cama e pô-la dentro do roupeiro, mas depois ficou a olhar para a lâmpada sem saber bem onde a pôr. Na verdade já se tinha esquecido que a tinha.
- Para onde estás a olhar? – Assustou-se ao ouvir esta voz inesperada, e depois tirou a tampa da lâmpada para olhar lá para dentro e ver Otto, muito pequenino, a olhar para ela de braços cruzados – Estava a ver que nunca mais. Vá lá, deve haver alguma coisa que queiras… não há? Talvez devolver umas memórias a umas certas pessoas…
- Como…? – Chelsea sentou-se na cama com a lâmpada ao colo, e falou directamente para Otto.
- Ora, os demónios também gostam de fofocas, Defensora. E a palavra que corre é que apesar de teres destruído duas Bruxas, as coisas acabaram por não ficar muito bem para ti. Pensa, se me deres permissão para sair desta lâmpada, posso tornar os teus desejos realidade. Só precisas de duas palavrinhas: eu desejo. O que desejas? Basta dizeres, está feito.
Chelsea engoliu em seco. Se ao menos fosse assim tão simples. “Eu desejo que todos eles se lembrem de tudo e que as Bruxas sejam todas destruídas e que possa viver descansada”, ela sorriu com este pensamento, mas depressa o tirou da cabeça. Os desejos são para serem alcançados, e não dados de bandeja.
- Otto, cala-te – mandou ela, suspirando – Eu não vou fazer desejos nenhuns. E agora quero dormir, por isso não faças barulho.
Pôs a tampa na lâmpada e pousou-a em cima da mesa-de-cabeceira. Deitou-se bem aconchegada e desligou a luz, fechando os olhos em seguida. Estava prestes a adormecer quando Otto recomeçou a tagarelar, e ela, uma vez mais, mandou-o calar-se porque queria descansar. Mas estiveram nisto a noite toda. Génios não dormem, e Otto queria alguém com quem conversar antes de ficar fechado num sítio para todo o sempre. Claro que Chelsea só pensava no teste que teria amanhã e que não tinha estudado, e por isso, o máximo que podia fazer, era descansar ao máximo.
Quando o despertador tocou, a ruiva ainda não tinha dormido absolutamente nada. Desligou-o e arrastou-se para a casa de banho, a resmungar para si mesma, enquanto Otto cantarolava uma música dos anos oitenta pela sétima vez seguida.
Chelsea passou a cara por água e encarou-se ao espelho. Estava lastimosa, ainda tinha uma expressão pior do que quando tivera a luta com Jecek. Tinha umas olheiras do tamanho do mundo.
- Nem toda a maquilhagem do mundo me melhorava o aspecto… - murmurou ela.
Mas decidiu tentar na mesma. Depois de se vestir, colocou alguma maquilhagem para tentar disfarçar a noite mal dormida, e depois guardou as coisas dentro da mala e ficou a olhar para a lâmpada a perguntar-se se a deveria levar ou não. Bem, não o podia deixar no quarto o dia inteiro, e se alguém entrasse e ele começasse a falar? Ainda matava Margaret ou Norman de ataque cardíaco. Pô-la então também dentro da mala, e depois desceu as escadas enquanto mandava que Otto se calasse.
Cumprimentou os pais e tirou uma maçã da fruteira, para comer pelo caminho para a escola.
Saiu de casa e começou a caminhar lentamente, era uma das raras manhãs em que tinha tempo.
- Quais são os planos para hoje? – Perguntou Otto, de dentro da mala. Chelsea revirou os olhos.
- Agora já sei porque é que os Guardiães não quiseram ficar contigo, és tão chato – reclamou ela – Tenho escola, sou uma rapariga normal Otto.
- Não, és a Defensora do Oculto, devias estar numa escola especial, ou a fazer treinos mágicos, ou… sabes… eu posso-te arranjar isso tudo. Basta…
- Não vou fazer desejo nenhum – Chelsea ouviu Otto reclamar baixinho, e depois calou-se.
Chegou à escola ao mesmo tempo que deu o toque, e viu o professor de Filosofia a entrar para a sala. “Prepara-te para a tortura…”, pensou ela.
Assim que todos os alunos se sentaram, o professor começou a entregar os testes e quase que ia dando um ataque a Chelsea. A rapariga tirou apenas o estojo e deixou a mala em cima da mesa, a um canto, para em seguida tentar perceber alguma coisa do teste. Pôs o seu nome e a data, e depois perdeu-se por completo. Talvez ajudasse se não tivesse adormecido em quase metade das aulas de Filosofia, mas o mal já estava feito. Olhou em volta e viu todos a escrever calmamente, e suspirou.
- Sabes, podes desejar ser a pessoa mais sábia do mundo – disse Otto, de dentro da mochila.
- Otto, aqui não! – Repreendeu Chelsea, olhando para os lados em pânico, para verificar se ninguém o tinha ouvido. Estava tudo calmo – Estás louco? Faz pouco barulho!
- Chelsea Burke! – Chamou o professor, fazendo Chelsea olhar para ele – Importas-te de não falar? Os teus colegas estão a tentar concentrar-se.
- Claro, peço desculpa – disse a rapariga dos caracóis ruivos, suspirando uma vez mais. Iam ser uns longos noventa minutos.
❦
Chelsea estava sentada num dos bancos do parque. Já eram quase seis da tarde, mas não lhe apetecia ir para casa. Ao colo tinha apenas a lâmpada, de onde se ouvia o cantarolar da mesma música que a impediu de dormir durante a noite.
- Otto, posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou ela, para o Génio, destapando a lâmpada. Ele olhou para cima e sorriu-lhe.
- Não posso ressuscitar mortos nem obrigar ninguém a apaixonar-se, mas tirando isso, posso fazer qualquer coisa – afirmou.
- Não é isso… já te disse, não vou desejar nada – disse Chelsea, revirando os olhos – Porque é que os Génios são maus?
Otto riu-se.
- Não somos. Os humanos é que são. Nós apenas gostamos de brincar com as coisas idiotas que eles desejam. São egoístas, pedem apenas coisas fúteis e desnecessárias.
- Mas se detestas isso, então porque concretizas os desejos?
- Que mais poderia fazer? Sou um Génio, foi para isso que nasci, concretizar desejos. Sabes… em tempos acreditei que houvesse alguém que conseguisse dizer “não” à possibilidade de concretizar um desejo num estalar de dedos – murmurou ele, com um certo desgosto – Aquele teu amigo, Will, está errado. O que te disse, que não estás apta para seres a Defensora, não está certo. A antiga Defensora veio a mim, sabias?
Chelsea arregalou os olhos de espanto. Faith tinha feito um desejo a um Génio?
- Estás a falar a sério? – Quis saber.
- Estou – e estava – E sabes o que ela desejou? Ser poderosa. Encontrou-me num período em que andava dominada pelo desejo do poder, e foi isso que me pediu. Em troca, devolvi-lhe a arte de sentir. Fi-la sentir coisas que há muito tempo não sentia, inclusive apaixonar-se. Por isso sim, teve o poder que desejou, mas depois o amor falou-lhe mais alto, ou não foi?
- Não fazia ideia… - murmurou a ruiva.
- És diferente dela, mas isso não te faz menos capaz. E se te faz sentir melhor, agora acredito de novo que há alguém que não se deixe sucumbir aos desejos. Afinal, tenho a certeza, agora depois de te conhecer minimamente, que não desejarias por poder, estou certo? – Chelsea mostrou um pequeno sorriso.
- Estás – afirmou. “Desejaria que os meus amigos, a minha família, todos eles fossem felizes, fosse como fosse…”, pensou ela.
- Então desejas…
- Esquece essa ideia – Chelsea riu-se, e Otto imitou-a – Sabes que amanhã te vou ter que dar aos Guardiães, certo?
- Sabes que não te vou deixar dormir esta noite, certo?
A Defensora revirou os olhos e Otto riu-se uma vez mais. Ela não queria admitir, mas até ia ter saudades dele… não era tão mau como ela pensava.
publicado por mysuperworld às 2013-06-17 12:34:10
Então, fizeram o exame ou na vossa escola os professores fizeram greve? Na minha correu tudo dentro da normalidade e o que não faltavam por lá eram professores (arrisco mesmo a dizer que ninguém ou quase ninguém fez greve)! Quanto ao exame, Deus ouviu as minhas preces e não saiu a Mensagem. Acabou por vir Ricardo Reis e, no texto B, para falar do modo com a Natureza está representada na poesia de Alberto Caeiro. No geral, não posso dizer que me correu mal, mas também não vou dizer que me correu bem, porque estaria a mentir. É esperar pelos critérios de correção e, depois, pelos resultados, para ver realmente como correu. E, claro, para fazer contas à vida...
publicado por mysuperworld às 2013-06-16 13:34:09

Eu que durmo sempre como uma pedra, dormi super mal hoje. Estou com aquele nervoso miudinho na barriga que não me permite esquecer que amanhã é o exame de português e eu não sei quase nada. Fartei-me de estudar durante esta semana e aquilo que sinto hoje, véspera do dia do exame, é mesmo isso: que não sei quase nada. Cheguei a um ponto em que, ora me apetece chorar, ora me apetece rir com a desgraça que aí vem. E nem fome tenho! Não comi quase nada hoje e nem o gelado que a minha mãe comprou para me mimar me apeteceu devorar. Estão a ver a gravidade da situação?? É que eu nunca recuso gelado! É nos gelados e chocolates e todas essas coisas que eu afogo sempre as mágoas. Com a sorte que tenho sai mesmo a Mensagem e eu lixo-me completamente. É que eu não sei quase nada daquilo. O meu professor de português (esse estúpido, idiota, a quem só me apetece rogar pragas neste momento) deu aquilo tudo aldrabado e eu olho para aquilo e sinto-me tipo burro a olhar para um palácio. Vou passar o dia todo a deprimir, estou a ver. :(
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-16 12:48:59
Capítulo 5
Os Desejos * Parte 1
Fazia-se silêncio no salão grande da Casa dos Guardiães. Chelsea estava de pé, no centro daquela sala daquele palácio que aparenta ser feito com paredes de vidro espesso, ou cristal, sempre com muitas curvas e a parecer não fazer qualquer nexo. Apesar de se sentir enervada antes de Will a ter transportado até lá, agora começava a acalmar. Era esse o clima que este espaço transmitia. Calma, esperança, luz. Todos os sentimentos bons que uma pessoa possa imaginar.
Ela estava sozinha. Will tinha ido chamar os Guardiães Oyuan e Clayde, os dois com quem Chelsea já tinha conversado no passado. A rapariga dos cabelos ruivos imaginava a razão pela qual teria sido mandada chamar. A única coisa que podia ser, o único assunto suficientemente grave para os Guardiães a quererem ver frente a frente, só podia ser o seu encontro com Jecek. Já tinha passado uma semana, e Chelsea apenas queria pôr esse assunto para trás das costas. Teve que inventar uma versão alternativa para contar ao pai, para fazer o relatório na polícia; depois teve que manter a mesma mentira com toda a gente e ainda teve que lidar com os olhares de pena; e pior que tudo isso: ouviu o maior sermão da sua vida, vindo de Will. Pela segunda vez, Chelsea tinha ignorado por completo os conselhos e pedidos do rapaz e ido directamente em direcção ao perigo. E pela segunda vez, ele lhe ralhou por isso. E apesar de tudo isso, teve sorte de não ter sido fechada na Casa dos Guardiães. Teve sorte de também eles terem tido pena dela. Depois de uma semana ter passado, Chelsea só quer acabar com este assunto de uma vez por todas, e só quer voltar a pensar naquele rapaz de cabelos loiros e rabo-de-cavalo quando o voltar a encontrar e tiver que o enfrentar uma vez mais. Até lá, e até que todas as feridas e nódoas negras abandonem por completo o seu corpo, não lhe quer dirigir mais um único pensamento.
Ao longe uma porta dupla em forma de arco, com uns enfeites, e branca como todo o resto do palácio, abriu-se e de lá deixou passar três pessoas. O primeiro era um senhor velhote e já sem cabelo, com umas quantas rugas na testa e até na nuca – Oyuan. Ao seu lado estava Clayde, com o seu cabelo loiro muito clarinho preso em dois carrapitos entrançados, um de cada lado da cabeça. Ambos envergavam umas túnicas num tom de pérola e com riscas e enfeites a dourado e roxo. Em todas as ocasiões que os vira, Chelsea sempre os viu com estas vestes, o que a fazia perguntar-se se possuiriam outras. Will vinha atrás deles, com o seu cabelo loiro todo despenteado e uma roupa casual, calças de ganga e uma t-shirt a conjugar com um par de ténis. Ele não tinha uma expressão feliz, e apesar de nenhum dos três vir a sorrir, Chelsea sabia que ele era o que menos contente se encontrava.
- Defensora do Oculto – cumprimentou Oyuan, baixando a cabeça como sinal de cumprimento, tal como Clayde fez.
- Olá – disse a rapariga dos caracóis, sorrindo-lhes – O Will disse que queriam falar comigo.
- É verdade – confirmou Clayde, retribuindo-lhe o sorriso – Mas primeiro, como tens estado? Não consigo compreender o quanto difícil toda esta situação deve ser para ti… mas de acordo com o Will tens-te portado bem.
- Eu estou… - Chelsea hesitou um pouco, mas depois encolheu os ombros e sorriu. De que serviria dizer a verdade e afirmar que não estava bem? Não mudaria nada – estou bem, estou mesmo.
- Não precisas de mentir, Defensora – afirmou a Guardiã.
- Por favor, chama-me Chelsea – pediu a rapariga, encolhendo os ombros – Defensora é tão… poderoso – A rapariga olhou-se e viu as suas calças de ganga, com vários rasgões ao longo delas como ditava a moda, e a blusa de alças, roxa. Estava simples, normal, nada heróica – Agora sou apenas a Chelsea.
Clayde assentiu com a cabeça e Oyuan tomou o seu lugar na conversa, enquanto Will se remetia ao silêncio.
- O que queremos discutir contigo é delicado, e presumo que já saibas o que é – disse o Guardião.
- Querem falar sobre o Jecek – adivinhou ela.
- Todos aqui sabemos o que aconteceu quando encontraste o primeiro Príncipe. E nenhum de nós quer que a história se repita, estou correcto?
- Sim… absolutamente, mas eu não conseguia deixar aquela rapariga ali, indefesa… a pagar por coisas que não fez – tentou Chelsea explicar, calando-se quando Oyuan levantou a mão a formular o pedido para que tal acontecesse.
- Eu não julgo, Defensora – disse ele, calmamente – És tu a Defensora do Oculto e és quem se responsabiliza pelos teus actos, sejam eles bons ou maus. Mas é nosso dever proteger-te e isso tens que compreender. Nós já perdemos uma Defensora… já te perdemos uma vez. E quase outra vez, no início do Verão. Por isso acho que consegues entender a nossa relutância quando descobrimos o que aconteceu e como sobreviveste por pouco. Tens tido a sorte do teu lado, mas não podes contar sempre com isso.
- És demasiado preciosa para morreres antes de cumprires o teu destino – intrometeu-se Clayde – O mundo inteiro depende de ti.
Chelsea arregalou os olhos e suspirou, surpreendendo os dois Guardiães, que ficaram espantados a olhar para ela. Já Will não foi surpreendido, ele já a conhecia o suficiente para saber o quanto aquela ideia a assustava.
- Vêem? – Perguntou Chelsea, para os dois Guardiães – Como é que podem esperar que fique calma quando dizem que o mundo depende todo de mim? Sem ofensa, mas eu sou só uma rapariga. Tenho dezassete anos… não sou alguém com grandes experiências de vida, não sou alguém com grandes conhecimentos… não podem esperar que seja uma heroína sem erros, porque isso é-me impossível. Mas apesar de fazer bastantes erros, não acho que ter impedido o Jecek de magoar mais aquela rapariga tenha sido um deles.
- Mas…
- Oyuan, por favor, deixa-me falar – pediu ela, ao que o velhote assentiu com a cabeça – Soube a partir do momento em que o vi que não era uma boa ideia ir ter com ele. Mas vocês falam sempre sobre a honra, e o dever que a Defensora tem em proteger as pessoas… e isso não são só palavras bonitas, eu sinto isso. Eu posso fazer bastantes asneiras, posso falhar os ataques nos demónios e derrubar árvores enquanto os tento apanhar… é muito provável que faça vários estragos na cidade para fazer um feito do mais simples que há… mas não me posso afastar só porque faço asneiras. Eu nunca quis ser a Defensora – os dois abriram a boca, de espanto, mas Chelsea não parou – e nunca fiz questão de fazer disso segredo. Disse ao Will desde o primeiro segundo que isto não era a vida que queria para mim. Acham mesmo que quero acordar a saber que tenho que combater demónios? Ou melhor ainda, acham que consigo dormir alguma coisa de jeito quando sei que há alguma coisa lá fora que quer destruir a minha cidade? O mundo? Eu não gosto nada disto. Mas quando vejo alguém inocente a ser maltratado e sei que posso pelo menos tentar fazer alguma coisa, não posso ficar quieta. Sim, sabia que ir contra o Jecek era como estar a mandar-me para a fogueira e a dar os fósforos ao inimigo. Mas todas aquelas tretas sobre o meu coração puro, e sobre como não quero que ninguém se magoe… isso é tudo verdade. E não digam que não pensei no que fazia, porque pensei. E meteu-me muito medo… e doeu, e ainda dói porque algumas das feridas ainda não sararam. Mas ia doer muito mais se o deixasse matá-la por minha causa.
- Nós entendemos a tua necessidade em ajudar os outros – afirmou Clayde – E como o Oyuan disse, não julgamos. Apenas queremos que tenhas cuidado, não subestimes os teus inimigos, porque eles são muito mais poderosos do que pensas.
- Eu sei – disse Chelsea – Eu sei.
- E com isso dito, chega o momento de falarmos no outro assunto pelo qual te pedimos que viesses, Defensora – disse Oyuan, após uma pausa de longos segundos na conversa, que, ao estalar os dedos, fez aparecer uma lâmpada na sua mão. Era bonita, feita de ouro e comprida. Parecia vinda das Arábias ou qualquer sítio dessas zonas, mas Chelsea não se deixou ficar muito fascinada. Ela não percebia o porquê dele ter aquela lâmpada na mão – Sabes o que isto é?
A rapariga sorriu, era um sorriso trocista.
- A Lâmpada do Aladdin? – Perguntou ela, a rir-se. Todos conhecem a história do Aladdin, o belo rapaz de rua que um dia, guiado pelo vilão da história, encontra uma lâmpada mágica e de lá de dentro sai um génio que lhe concede três desejos. Graças a isso ele consegue conquistar o coração da princesa, derrotar o mau, e salvar toda a cidade. Mas claro, o que mais conta é a coragem e o espírito dele, e não o facto de o génio lhe concretizar os desejos. Era um filme da sua infância, um dos que ela gostava bastante.
- É uma Lâmpada de Desejos, sim – disse Oyuan, abrindo-a e inclinando-a levemente para Chelsea, permitindo-lhe ver o que estava lá para dentro. Tudo muito pequeno, havia um sofá e uma televisão, com mais móveis como se de uma sala normal se tratasse. Deitado no sofá estava um homenzinho com um turbante e vestes árabes, que olhou para cima e disse adeus com a mão. Chelsea deixou a boca abrir de espanto, e ficou sem reacção por breves momentos.
- Isso é um… - a rapariga sorriu e voltou a olhar para os Guardiães.
- Sim Chelsea, é um génio – afirmou Will, que até àquele momento não tinha proferido uma única palavra.
- O nosso Guardião responsável por o armazenar e cuidar dele está fora por mais dois dias, e este génio foi descoberto por um mero acaso. Precisamos de alguém para tomar conta dele, mas tem cuidado… ele dirá qualquer coisa para que cedas e o deixes sair, em troca de três desejos. Não te deixes iludir, os génios são criaturas matreiras, dão sempre a volta à situação de maneira a que fiquem apenas eles a sair a ganhar – explicou Clayde – Ele dir-te-á qualquer coisa para te convencer.
- Vocês querem que… faça de babysitter para um génio? – Perguntou Chelsea.
- Ei! Eu não te trato por “humana”, trato? – Reclamou o génio, de dentro da lâmpada – O meu nome é Otto.
- Está bem, desculpa – murmurou a Defensora.
- Sim, queremos – disse Oyuan, passando a lâmpada para as mãos de Chelsea – Não te esqueças, nunca, em qualquer circunstância, o deixes sair daqui de dentro. Depois de amanhã o Will traz-te de novo para o devolveres, combinado?
- Se tem que ser… - sussurrou ela, não deixando ninguém ouvir.
- Vemo-nos nessa altura então – despediu-se o velhote, sorrindo-lhe.
- Está bem, adeus Oyuan, adeus Clayde – disse a ruiva, sorrindo-lhes também.
Will aproximou-se de Chelsea e a luz branca, quase cegante, começou a formar-se e obrigou-os a fechar os olhos para que, quando os abrissem em seguida, já se encontrassem no quarto de Will.
publicado por alexis às 2013-06-15 13:15:57

Ontem a noite para descansar um pouco destas últimas semanas aproveitei para ver um filme, o escolhido foi The host. Já tinha lido o livro à bastante tempo, ainda a saga twilight estava no seu auge, no inicio custou-me a ler,mas depois acabei por gostar muito do livro. Gostei de ver o filme e de ver que aquilo que eu imaginava na minha cabeça não era assim tão diferente das paisagens e locais que eu vi ontem a noite no filme. Foram duas horas bem passadas!
publicado por mysuperworld às 2013-06-14 14:06:20

o meu professor de Educação Física deu-me um 17 neste período. Não é que me sirva de alguma coisa (acabei à mesma com 16 à disciplina) mas fiquei surpreendida! Eu, a ter um 17 a educação física... o homem devia estar a delirar, só pode! Melhor que isto só mesmo a minha professora de Economia. É que eu faltei tantas vezes durante o ano (faltava sempre à aula de segunda feira quando tinha teste de história na terça- e os testes de história este ano eram sempre à terça) que supostamente já devia ter atingido o limite de faltas. Supostamente! Porque ela nunca, NUNCA, marcou-me falta. Espetáculo! Se sabia tinha faltado mais, de qualquer das formas não se aprendia grande coisa naquelas aulas...
publicado por alexis às 2013-06-13 21:25:28
Alguém me consegue explicar como se gosta de embriologia e histologia animal? é certo que até tem partes da matéria que são interessantes, mas é tão chato estudar aquilo, o estudo torna-se ainda pior quando quando está um linda lindo e se vêm o dia todo famílias a passear pela avenida e se ouve o barulho das festas.
Desejem-me sorte para o exame de amanha que eu vou precisar!
E bom estudo para quem vai ter exame!
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-06-13 12:00:19
Eu vou postar este... mas não quero a Armadura do Coração só com um comentário, está bem?
Capítulo 4
Jecek: O Segundo Príncipe * Parte 2
Cerrou os punhos com força e começou a aproximar-se do pequeno beco, ligeiramente afastado dela, à sua esquerda. Primeiro espreitou, escondida na esquina do prédio, o viu uma rapariga no chão e um rapaz de pé. Ela tinha os cabelos ruivos e ele… ele era simplesmente divinal. Tinha uns cabelos loiros ligeiramente encaracolados, mas não muito grandes, presos num rabo-de-cavalo, e uns olhos azuis cintilantes. Não era muito alto, mas um pouco mais que Chelsea, e tinha uns músculos bem definidos, tal como os abdominais que se notavam por baixo do colete azul petróleo que tinha vestido.
O rapaz, com um rosto implacável, deu um pontapé no estômago da rapariga que estava no chão e esta soltou mais um grito.
- Vá lá, transforma-te! – Gritou ele, para ela – Vá lá Defensora do Oculto!
Chelsea engoliu em seco. Mais uma vez não deu ouvidos a Will, mais uma vez foi ao encontro de um dos Príncipes da Escuridão. E mais uma vez tinha um mau pressentimento quanto a isso. Mas isso não a impediu. “Tu lutas contra a Escuridão… ele é apenas mais um”, tentou mentalizar-se, enquanto deixava que a luz roxa e brilhante do pingente lhe passasse por cada milímetro do corpo, dando-lhe aquela túnica roxa da mesma cor dos calções curtos, e as botas pretas. Teve-a em mente enquanto sentia os seus cabelos a ficarem completamente lisos, e enquanto sentia a pequena máscara a formar-se em redor dos seus olhos. Em menos de dois segundos, lá estava ela. A Guerreira Defensora contra o Oculto.
- Pára! – Gritou Chelsea, de dedo a apontar para Jecek, que lhe dirigiu a sua imediata atenção – Como te atreves a fazer uma caça a raparigas que não têm nada a ver com a Luz ou a Escuridão? Tudo isto só para me encontrares a mim? Bem, aqui estou eu.
- Então tu é que és…
- A Guerreira Defensora contra o Oculto – Chelsea interrompeu-o, e ele sorriu-lhe cinicamente.
- Estás mais nova do que me lembrava – admirou, dando poucos passos em direcção a ela, permitindo que a outra rapariga se encostasse à parede, toda encolhida e cheia de medo.
- E eu nem me lembrava de ti… parece que afinal não és muito importante – Chelsea arrependeu-se daquilo que disse logo no momento em que o disse, mas já não se conseguiu parar. Jecek soltou uma gargalhada rouca, e Chelsea engoliu em seco.
- O meu irmão foi fraco demais… - pronunciou ele, antes de desaparecer.
Chelsea olhou em volta várias vezes e depois parou quieta, suspirando. “Que raio? Foi-se embora?”, pensou ela, enquanto se ia encaminhar para ir ajudar a rapariga. Mas algo a impediu. Levou uma pancada na barriga que identificou um pontapé, e caiu para o chão de costas. Mas ela não conseguia ver absolutamente nada. Mas isso não queria dizer nada. “Não pode ser…”, pensou, sem acreditar. Mas podia ser, sim. E era. Jecek não tinha os mesmos poderes que o irmão. Este Príncipe tinha o dom de se tornar invisível, facilitando-lhe assim várias batalhas.
Ainda no chão, Chelsea sentiu outra pancada, esta agora de lado, que a fez voltar-se. Ela levantou-se, mas foi-lhe feita uma rasteira e depois sentiu um peso por cima dela, sentiu Jecek por cima dela. O rapaz começou a apertar-lhe o pescoço com as suas mãos, e Chelsea tentava agarrá-lo, mas além das mãos, não lhe conseguia alcançar mais nada. Tentava a cara, que supunha estar algo acima da dela, mas mesmo de braços esticados não era capaz de lhe tocar. Estava a começar a ficar sem ar quando agarrou nas mãos do rapaz e o impulsionou para longe, com o poder de telicnese, mover as coisas com a mente. Viu uma pequena nuvem de poeira formar-se na parede, ele tinha batido lá.
Ainda mal se tinha de novo posto de pé quando foi agarrada e mandada contra outra das três paredes do beco, e depois contra um caixote do lixo. Já quase sem forças, e encostada à parede, começou a sentir vários murros, mas nunca no mesmo sítio. Jecek era esperto o suficiente para variar, para que ela não o agarrasse. E na rua, Chelsea nunca teria silêncio suficiente para tentar ouvir os movimentos que ele fazia. Basicamente, a rapariga estava condenada. Até que, no caixote do lixo viu umas latas de tintas de spray, e, com a mente, as fez disparar a tinta para a zona à sua frente, apanhando partes do corpo de Jecek, tornando-o assim fácil de identificar. O rapaz desviou-se e a Defensora mandou-o com a mente até à outra ponta do beco, mas este levantou-se calmamente e encarou-a.
- Numa próxima vez, Defensora – despediu-se, antes de desaparecer definitivamente. Chelsea engoliu em seco, até na despedida era parecido ao irmão.
Voltou-se depois para a rapariga, e esta olhava-a directamente.
- Tens telemóvel? – Perguntou Chelsea, ao que a rapariga assentiu com a cabeça – Chama uma ambulância… vais ficar bem.
Chelsea usou a levitação para subir para o telheiro de uma casa e depois para passar para outro beco, onde, sozinha, regressou às suas vestes e ao aspecto normal. Normal… com uns hematomas e arranhões acrescentados. Ela sentia-se como se tivesse sido atropelada por três camiões.
Começou a fazer o caminho de regresso a casa toda curvada por causa das dores e, a maior parte dele, encostada às paredes das casas ou aos muros dos jardins devido à falta de força que sentia ter. Até que já não aguentou mais e deixou-se cair no chão. Custava-lhe a respirar, mas ela queria ir para casa. Não queria ficar perdida no meio da rua, não queria ficar à deriva e desprotegida. Precisava de se sentir num sítio seguro, familiar… bom. Tentou levantar-se, mas em vez disso todos os seus músculos falharam e caiu no chão de novo, estremecendo. As feridas contra o alcatrão quente do sol ardiam bastante, e nem ela sabia como estava a controlar as lágrimas e não as tinha deixado sair ainda. De pensar que estava tão perto de casa… apenas mais uns poucos metros e estaria dentro das quatros paredes mais seguras que conhecia… mas nem um centímetro ela se conseguia mexer. Quando pensava que ia ter que ficar ali, estendida no chão da rua como se dum cadáver sem vida e abandonado se tratasse, começou a ouvir passos e levantou a cabeça a custo, para ver uma silhueta aproximar-se lentamente.
Quando o rapaz viu de quem se tratava, correu até Chelsea e ajoelhou-se no chão, horrorizado.
- Oh meu Deus! – Exclamou ele – Eu preciso de te levar para o hospital…
- Não – Chelsea foi rápida na sua resposta, mas a sua voz saiu algo fraca – Brad, por favor… leva-me apenas para casa. Eu fico bem…
Brad não gostou da ideia, mas viu no olhar da rapariga que se ele não a levasse até onde ela queria, então ela preferia que ele a deixasse quieta estendida no chão. Ela não queria ir ao hospital.
- Mas e se tens alguma coisa partida…
- Não tenho – garantiu Chelsea – Estou só aleijada…
Brad suspirou e agarrou em Chelsea ao colo, cuidadosamente, para os encaminhar até à porta da casa da rapariga. Ele bateu com o pé, e poucos segundos depois esta foi aberta pelo belo rapaz de olhos azuis e cabelos negros, que perdeu a gargalhada que dava enquanto abria a porta assim que os seus olhos bateram na rapariga dos caracóis ruivos, aninhada no colo de Brad.
- O que é que lhe aconteceu? – Perguntou ele, alarmado – Dá-ma cá…
E como se de um bebé se tratasse, Brad passou Chelsea para os braços de Jensen, e a rapariga sentiu-se bem. Sentiu um calor do qual já tinha saudades, mas não conseguiu aproveitá-lo bem por causa da situação que a tinha feito ir parar àqueles braços musculosos e corpo quente. Mas ela sentia… pouco e relativamente, mas sentia. “Como pode ele não sentir nada?”, perguntou-se a rapariga, enquanto sentia o calor vindo do peito de Jensen chegar até ela, “Não é possível… não pode ser”.
Jensen andou com Chelsea ao colo até ao sofá, onde a pousou com cuidado. Quando ela foi poisada no sofá, fez uma careta por lhe doer o corpo, e Jensen desviou-lhe um dos muitos caracóis dos olhos.
- Oh caracolinhos… o que é que te aconteceu? – Perguntou ele, voltando-se depois para Brad – Vai chamar o Richard e o PJ, estão no quarto do Richard.
Brad assentiu com a cabeça e assim fez, e Chelsea arquejou quando se tentou endireitar.
- Parece que tinhas razão… ter cabelo vermelho não é lá muito bom – ela tentou brincar, mas ele estava genuinamente preocupado. Nunca tinha visto a amiga em tão mau estado, e apesar de o esconder bastante bem, ele preocupava-se bastante com ela.
Richard e PJ chegaram à sala bastante alarmados, e o irmão ajudou-a a subir para o quarto e depois a desinfectar as feridas. Chelsea deitou-se na cama, toda encolhida, mesmo por cima da colcha e ainda com o vestido roxo no corpo.
- Chels…
- Só quero ficar sozinha Rich – pediu ela, engolindo em seco, olhando para ele.
- Mas não tens que ficar sozinha – Richard aproximou-se mais dela e sorriu-lhe, mas viu na face dela que era mesmo disso que precisava. Tempo e, sobre tudo, espaço – Mas eu vou.
O rapaz saiu do quarto da irmã e juntou-se aos outros três rapazes que comentavam o sucedido, na sala.
Chelsea apertou a almofada com a mão e aí sim, deixou que as lágrimas lhe lavassem a cara. Ia chorar tudo enquanto ninguém a visse. Para depois, mais tarde, inventar uma versão falsa sobre como foi atacada pelo “caçador de ruivas” e garantir que ia ficar bem.
❦
“Querido rapaz com a máscara…
Encontrei o Jecek hoje. O que lhe havia a mais em beleza, faltava em bondade. Não, não fiques com ciúmes, só tenho olhos para uma pessoa e és tu. Mas… tenho medo. Já sei, sou uma medricas, sempre disseste isso, sim. Mas não sei o que é pior: saber que já não te tenho lá para me protegeres, ou saber que podem ir atrás de ti e que talvez não te consiga eu proteger. Estou a ter dúvidas. O Will diz que tenho que acreditar mais em mim, que sou o ser mais poderoso na Terra. Ele diz isso com uma facilidade… Mas se sou assim tão poderosa, porque é que não te consigo fazer lembrar? Exacto. E se o teu irmão te for buscar e eu não o conseguir impedir? E se… e se não for forte o suficiente e algo mau te acontecer? Acho que nunca saberemos até ao momento, mas prometo-te isto: vou lutar até ao meu último fôlego se da tua vida se tratar. Vou dar o meu melhor. Por ti… por ti nem que estivesse a lutar contra extraterrestres mutantes filhos de vampiros arraçados de lobisomens. Por ti, vou resistir.
Sempre tua, Chelsea.”
Chelsea fechou o caderno e colocou-o no sítio, para depois voltar a repousar. Tinha sido um longo dia, precisava de descanso.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-12 21:16:56
Capítulo 19
Enquanto corria pelo corredor de vestido comprido, cabelo penteado, e espada na mão, pensava na loucura que estava a fazer. Lutar daquela maneira seria o seu fim, seria descoberta, executada, tudo acabaria e nunca teria a sua vingança. Mas, pela primeira vez em algum tempo, não foi isso que a levou para a luta. Não foi a vingança, foi a responsabilidade. Se não se tivesse intrometido tanto, se não quisesse derrubar Marx a todo o custo, então nada disto tinha acontecido. Tinham-na manipulado, e ela tinha caído que nem uma patinha. Agora tinha que arcar com as consequências e por isso, quando viu um dos soldados de Marx pronto a cortar a garganta a uma simples empregada, não hesitou em lutar com ele e cravar-lhe a espada no coração.
Os gritos, as lutas, as pessoas a fugir, tudo isso a levava de volta ao seu pequeno castelo, à sua Casa, àquela noite. “E é o mesmo causador”, pensou enquanto corria o mais que podia até chegar à sala do trono onde sabia que ia encontrar Irinoi com os seus guardas pessoais. Estava quase a chegar quando dois homens de cara tapada se puseram à sua frente e sorriram interiormente. Tudo o que viam era uma rapariga com uma espada, nunca sonhariam que seria mesmo ela a pôr-lhes termo à vida, como aconteceu momentos depois.
A sala do trono estava um caos. William lutava lado a lado com o comandante e os guardas; Irinoi também manejava a sua espada, embora mais resguardado; havia Cobras por todo o lado, em conjunto com os soldados de Marx. Samantha não conseguiu evitar parar por um momento e observar especada a tudo aquilo. Já mais de metade dos homens do rei enfeitavam o chão.
- Saia daqui! – Gritou Quorq, o primeiro a vê-la, despertando a atenção dos outros.
- Fuja! – Gritou-lhe Eresm.
William olhou-a apenas por um momento, estava em pleno combate, e Irinoi só desejou que ela não presenciasse aquele momento de terror uma vez mais. Um dos pertencentes à Ordem das Cobras reparou nela e dirigiu-se a si, fazendo-a engolir em seco e apertar o punho da espada com mais força. Mas logo quando ele ia investir num ataque, uma espada travou a dele: Raj metera-se à frente de Samantha no último momento e empurrou o homem para trás.
- Isto não é um sítio para uma lady – murmurou-lhe, com um sorriso presunçoso na cara, enquanto se preparava para atacar o adversário sem reparar que outro lhes chegava por trás. Samantha levantou a sua espada e lutou com o outro, dando voltas e voltas e rodopios e rodopios, acabando por o deixar inconsciente ainda antes de Raj o fazer ao outro, sendo ela também a acabar com ele deixando o comandante boquiaberto.
- Tem razão, comandante – disse-lhe.
Nesse mesmo momento Quorq perguntara em voz alta ao colega ao seu lado onde raios estaria Samuel, que seria tão precioso numa hora daquelas, ao que Eresm, ainda surpreendido, respondeu a apontar para Samantha:
- Acho que está aqui.
Todos juntos formaram uma roda à volta do rei. Já eram poucos. Samantha, William, Raj, Eresm, Quorq, Ezequiel e mais dois guardas.
- Estás bem? – Perguntou o príncipe para ela, enquanto esperavam que mais oponentes chegassem à sala – Como é que isto aconteceu? Pensava que chegavam à noite.
- Fui enganada – murmurou ela, apenas.
- O que é que se está a passar aqui? Ela acabou de…? Ela luta? – Balbuciou Quorq.
- Oh, está calado Quorq – mandou Samantha – Temos tempo para explicações depois disto.
- Se sobrevivermos – murmurou Ezequiel.
Mais Cobras chegaram à entrada da sala e os guardas do rei voltaram a tomar uma atitude mais séria. Samantha foi a primeira a investir, e a maneira como se movia, como atacava, como lutava como se não houvesse amanhã, surpreendia tudo e todos. Raj conhecia aquele estilo, apenas tinha conhecido uma outra pessoa que lutasse daquele modo. Apenas o soldado que nunca retirava o elmo.
Todos os soldados se juntaram a ela menos Ezequiel, pronto a defender o rei até à morte. Os dois aliados caíram, e ele caiu pouco depois, deixando o rei desprotegido.
- Não! – Gritou Samantha, quando viu Irinoi rodeado por três Cobras. Correu com todas as suas forças, esquivou-se do máximo de ataques que conseguiu, mas o destino estava traçado, e como um bom rei nunca se rende Irinoi caiu com toda a sua dignidade, embatendo contra o soalho gelado, fazendo com que o seu filho também corresse para ele o mais que podia. Samantha matou os três homens e ajoelhou-se junto ao rei, com as lágrimas nos olhos – Irinoi não… - murmurou, chamando-o pelo primeiro nome, como sempre fazia quando era pequena – Não pode morrer…
- Samantha… desde que te vi… que percebi… que estavas destinada a grandes coisas – disse ele, a custo. William chegou também e baixou-se junto do pai, com um nó na garganta – William… Samantha… tomem conta do meu reino. Desde que eram crianças… sabia que os vossos destinos se iam cruzar… que Deus esteja sempre convosco e vivam para lutar noutro dia.
E simplesmente assim, com um último suspiro, o céu ganhou uma nova estrela. Pela porta entrou Marx, acompanhado da rainha e de Jonah, a quem Samantha mandou um olhar mortífero.
- Está acabado – disse Marx, abanando um papelinho na mão – O rei morreu numa trágica batalha feita por uma ordem secreta… o reino não tem nenhum herdeiro e a rainha…
- Escolheu um bom amigo para governar com ela – completou a rainha, sorrindo ligeiramente – Baixem as vossas espadas.
Atrás deles mais um pelotão de guardas aguardava por ordens. Eram talvez cem homens. Cem, contra cinco.
William deixou que duas lágrimas lhe escorressem e com toda a sua raiva voltou a agarrar na espada e a andar furiosamente para Marx, sendo travado por Samantha, que se pôs à frente dele.
- Pára – pediu-lhe, com os olhos brilhantes – Lembra-te do que ele disse. Vive para lutar noutro dia, Will. Está acabado… mas ainda não chegámos ao fim. Pousa a espada. Por favor.
Ele engoliu em seco e olhou em volta. Seria suicídio investir num ataque, e causaria também a morte daqueles que tão heroicamente tinham tentado defender o seu palácio. A espada escorregou-lhe da mão e embateu no chão, causando-lhe um nó ainda maior na garganta. As espadas de Raj, Quorq e Eresm caíram de seguida. Samantha engoliu em seco e voltou-se para Marx, começando a caminhar calmamente para ele. Os seus guardas puseram-se em posição de ataque, mas ele fez-lhes sinal para que se acalmassem. Ela parou a poucos centímetros dele, olhando-o de um modo sério e implacável.
- Ainda não acabámos – disse-lhe, antes de mandar também a sua espada para o chão – E não importa o que faça, lorde Marx, aquele trono nunca será verdadeiramente seu.
Ele sorriu-lhe de um modo de gozo.
- Queres tanto apanhar-me, que te tornas patética. Guardas! Levem-nos para os calabouços. Lidarei com eles mais tarde.
Comentem (:
publicado por mysuperworld às 2013-06-12 15:18:53
Quando estamos a estudar, de repente tudo se torna mais interessante do que o que estamos a fazer. Acho que toda a gente concorda com isto, porque é mesmo daquelas verdades incontestáveis. Ora eu que ando aqui a estudar Saramago e, portanto a apanhar uma valente seca (que me perdoe o Saramago! Eu adoro-o, mas uma coisa é ler os seus livros, outra completamente diferente é estudar uma das suas obras), fiz um pequeno intervalo. Como entretanto ainda não abasteci o stock de chocolates e afins, em vez de ir assaltar os armários da cozinha, fui dar uma olhadela ao site da Zara. Mais valia não tê-lo feito! Apaixonei-me por estes ténis, que são uns fofinhos mas que estão um bocado acima do meu poder de compra. É que só a ideia de dar 70€ por uns sapatos já dói e os meus pais nunca na vida mos compravam!

Agora é rezar todos os dias para que os consiga encontrar nos saldos a um bom preço!! E já agora rezar também para que não saia a Mensagem no exame de Português (eu já disse que detesto a Mensagem? Os Lusíadas são uma maravilha comparado com aquilo! )
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-06-11 23:43:00
Capítulo 4
Jecek: O Segundo Príncipe * Parte 1
Chelsea olhava para as paredes brancas e deprimentes e suspirava. Já estava no hospital há quase cinco horas, já tinha escurecido.
Depois de a ambulância chegar, Chelsea pediu para seguir com a rapariga ruiva que tinha sido alvo da caça à Defensora do Oculto para o hospital, e é lá que está desde essa altura. Sentada numa cadeira preta e desconfortável, com pouco mais de cinco pessoas no mesmo espaço, e duas atendedoras ao balcão. O seu pai chegou pouco depois e deu um abraço a Chelsea, agradecendo a Deus por não ter sido ela a vítima. Depois esperaram os dois até que a rapariga saísse da cirurgia e recuperasse os sentidos, e então os médicos deram ordem para que o xerife entrasse. Os pais dela chegaram nessa altura, e foram também para dentro do quarto. Chelsea conseguia ver por uma parede de vidro que a mãe chorava rios de água, e que o pai também acabou por deitar uma ou duas lágrimas, enquanto o xerife fazia um breve interrogatório.
A Defensora suspirou, estava farta de ali estar. Detestava hospitais, de alguma maneira conseguiam pô-la ainda mais deprimida. Mas queria falar com a rapariga, precisava de saber também a sua versão dos acontecimentos. Queria ajudar, e para isso precisava de estar preparada. Olhou para o relógio uma vez mais, já tinha telefonado à mãe para que não se preocupasse, mas a verdade era que estava desejosa para chegar a casa e se enfiar dentro da sua banheira para relaxar. Não estava a ser um dia bom. Primeiro o mal entendido com a “rainha” da escola por causa de Jensen, e depois ter encontrado uma rapariga completamente inocente a ser atacada por sua causa. Só queria poder enfiar-se por baixo dos lençóis da sua cama e adormecer durante um tempo indefinido.
Os pais da rapariga e o pai de Chelsea saíram do pequeno quarto e dirigiram-se à rapariga dos caracóis ruivos, que se levantou ao vê-los chegar.
- Muito obrigado – agradeceu a mulher, dando um abraço a Chelsea – Obrigado por a teres encontrado.
- Lamento… - murmurou a rapariga – O que é que os médicos disseram?
- Que as lesões não são permanentes, graças a Deus – disse o pai da rapariga – Deve ter alta daqui a três dias.
- Ela pediu para falar com a rapariga que a encontrou – disse o xerife Burke, para a filha – Vai lá que eu espero aqui para te ir deixar a casa. Ainda quero voltar à esquadra para dar mais uma vista de olhos por estes casos.
Chelsea sorriu-lhes e dirigiu-se até ao quarto. Bateu à porta e depois abriu-a, vendo a rapariga esboçar-lhe um pequeno sorriso.
- Então foste tu que me encontraste – pronunciou ela, com custo – Obrigado.
- Lamento muito… - afirmou Chelsea, sentando-se na cadeira ao lado da cama e sorrindo à rapariga – Podes… podes-me dizer o que se passou?
- É como eu disse ao xerife… não faz muito sentido… mas é o que me lembro. Vi um rapaz com um rabo-de-cavalo aparecer mesmo à minha frente, vindo do nada… é estupidez, esquece…
- Não – afirmou Chelsea, dando-lhe a mão – Diz-me exactamente do que te lembras.
- Mas é impossível… Como te chamas?
- Chelsea.
- Eu sou a Amelia – Amelia sorriu, e Chelsea imitou-a – É como o xerife Burke disse, tal como os médicos disseram… esta versão pode ser apenas o meu cérebro a camuflar os verdadeiros factos para se proteger de algum trauma…
- Amelia – Chelsea pousou a sua mão por cima da de Amelia e esta olhou para ela fixamente. A rapariga dos caracóis ruivos sorriu-lhe carinhosamente, e Amelia pôde ver nos olhos de Chelsea que havia algo de diferente. Ela podia confiar nela, era essa a sensação que tirava daqueles lindos olhos verdes – Independentemente do que disseres, eu vou acreditar em ti, está bem? Acontece que eu acredito em muitas coisas que outras pessoas não acreditam. Confia em mim.
- Há uma coisa que não disse ao xerife – murmurou a rapariga, poucos segundos depois de ter estado a pensar calmamente sobre se deveria, ou não, dizer isto – O rapaz que me atacou… ele disse uma coisa.
- O quê? O que é que ele disse? – Insistiu Chelsea.
- Ele disse… “e se a Defensora te aparecer, faz-lhe saber que todo o sangue derramado está nas suas mãos”… ele está atrás da Defensora do Oculto, mas não consigo perceber porquê. Ela é boa… então isso só quer dizer que ele é mau, e por isso tenho sorte em estar viva.
Chelsea desviou o olhar do da rapariga e suspirou. Ele estava a culpá-la. Estava a magoar as raparigas e ainda por cima culpava a Defensora do Oculto.
- Lamento imenso o que te aconteceu – disse Chelsea, quando voltou a olhar para Amelia – Os médicos disseram que sais daqui a poucos dias.
- Sim, tive sorte – sorriu a rapariga – E tu devias ir para casa… disseram-me que já cá estás há bastantes horas Chelsea. Vai descansar, também mereces.
- Eu vou… toma conta de ti, sim? – Chelsea dirigiu um último sorriso a Amelia antes de se levantar e sair, e então os pais da rapariga voltaram a entrar para o quarto.
Chelsea dirigiu-se ao seu pai, que se encontrava sentado na cadeira em que ela anteriormente estava, e este levantou-se e abraçou-a com apenas um braço.
- O que é que ela te disse? – Perguntou Norman, enquanto se dirigiam à saída do hospital. Chelsea encolheu os ombros.
- Só me agradeceu, basicamente – disse ela, num tom mais que convincente.
- Tens que ter cuidado Chelsea… este patife parece ter uma queda por…
- Ruivas, sim, já reparei – murmurou a rapariga – Eu tenho, não te preocupes.
Norman Burke deu uma gargalhada sonora, e Chelsea olhou para ele surpreendida.
- Estás mesmo a dizer a um pai para não se preocupar com a filha? – Perguntou ele, irónico. A rapariga revirou os olhos e entrou para dentro do carro da polícia, no qual o pai a deixou em casa.
A mãe e o irmão já tinham jantado, por isso Chelsea comeu apenas uma tigela de cereais, ela não tinha fome nenhuma, nem qualquer disposição para fazer absolutamente nada. Antes que começasse a fazer a digestão, foi tomar um duche, e depois meteu-se dentro dos seus calções azuis-escuros com naves espaciais e da camisola de alças, amarela clara com um pequeno laço da mesma cor dos calções, do lado direito.
Pôs-se então em cima da cama, de pernas cruzadas, e abriu o seu pequeno caderno de capa preta. Queria “contar” as novidades ao seu príncipe encantado.
“Querido rapaz com a máscara…
Hoje não estou minimamente feliz. Eu sei o que vais dizer… “nunca estás, ultimamente só te queixas”. Mas bem… há dias em que se aguenta, mas hoje não é um deles. Estou um pouco chateada contigo, sabes? Quer dizer, como é que conseguiste convidar a Dana Altman para um encontro? A Dana Altman?! Sempre soubeste o quanto eu odeio essa rapariga desde aquele dia no jardim-de-infância em que despejei o pudim de chocolate que a mãe me tinha feito, em cima de mim, e ela gozou comigo. Era o meu primeiro dia de jardim-de-infância e tu também lá estavas, era o teu último ano lá antes de ires para a escola primária. Lembro-me de me esconder a chorar e de tu depois vires ter comigo para me consolares… engraçado, acho que foi a última vez que foste meu “amigo”… pelo menos a última de que me lembre. Depois tornaste-te… bem, tornaste-te no Jensen parvo e estúpido com o qual mal consigo falar sem me enervar. Sim, sei o que estás a pensar: “mas tu apaixonaste-te por esse Jensen parvo e estúpido”. Bem, não gozes, não há razões para isso.
Mas não te preocupes, não és a única razão da minha miséria. Descobri que um dos teus irmãos está na cidade. Jecek. Sabes alguma coisa sobre ele? Pois… nem eu. Ele tem atacado raparigas de cabelos ruivos, por ser a cor dos cabelos da Defensora, e o Will só me diz para ficar quieta e não fazer nada… ele diz que o Jecek é um dos irmãos mais poderosos, mas ele diz isso de todos. Mas o pior são as raparigas. Encontrei hoje uma. Estava deitada no chão, toda maltratada. Chama-se Amelia, e eu levei-a para o hospital e fiquei lá até ela acordar. Ela surpreendeu-me… parecia estar a lidar bem com a situação… bem, eu não estou. Não posso permitir que ele faça estas coisas, mas posso-te contar um segredo? Apesar de fazer o papel de que sim, na verdade não o quero enfrentar. Não, não estou a ser medricas… bem, talvez um pouco. Mas eu nunca pedi para ter monstros atrás de mim, é perfeitamente natural que tenha medo.
Apenas desejava ouvir algum conselho vindo dos teus lábios… ouvir algum pedaço de sabedoria dita com a tua voz… infelizmente acho que isso é impossível.
Sempre tua, Chelsea.”
Chelsea pôs o caderno de novo por baixo do colchão e deixou-se deitar na cama, mirando o tecto pintado de branco ao mesmo tempo que suspirava. Era em alturas como esta que ela mais sentia a falta dele. Sentia falta dele simplesmente a abraçar, mesmo que não dissesse nada, pois isso era o suficiente para lhe dar força para sobreviver a mais um dia.
❦
Chelsea abriu os olhos e bocejou. Fazia uma linda manhã de sábado fora das paredes daquela casa, mas ela não se importava. Não queria sair da cama, isso implicava enfrentar o mundo real e ela não estava pronta para isso. Nesta noite, numa das poucas vezes desde a batalha com as duas Bruxas, Chelsea não teve pesadelos. E era assim que queria ficar. Aconchegada num mundo de sonhos e esperanças. Num mundo cheio de luz, em vez de nas trevas que cada vez mais habitam a Terra.
A rapariga voltou-se de lado e tapou a cabeça com o lençol, apertando mais a almofada para que ficasse mais volumosa. Mais uma vez, bocejou. Olhou para o despertador e verificou que já eram onze horas, estava na hora de sair da cama e começar a enfrentar tudo aquilo que estar acordada implicava.
Caminhou tipo zombie até à cozinha, onde bebeu uma caneca de leite, e depois voltou para o quarto para mudar de roupa. Vestiu um vestido, para variar um pouco. Depois do almoço ia-se encontrar com Helen, Tony e Brad, por isso assim ficava já despachada. O vestido era cai-cai, apertado na parte da cintura mas folgado daí para baixo, até quase aos joelhos. Era roxo clarinho.
Depois do almoço, a mãe mandou-a ir às compras, por isso mandou uma mensagem aos amigos a dizer que já não podia ir ter com eles, mas Helen disse que não fazia mal pois na verdade todos tinham outras coisas para fazer. Helen, claro, ia estudar. Ao contrário da amiga, Helen era uma rapariga bastante estudiosa e interessada pela escola.
Margaret foi para a Loja de Noivas, e Norman para a esquadra da polícia. Ele prometeu-se não repousar enquanto não encontrasse o “caçador de ruivas”. Richard estava à espera que PJ e Jensen chegassem, pois iriam os três estudar para exames na universidade. “É claro que eu é que tenho que ir às compras...”, reclamou Chelsea interiormente.
Foi calçar umas sandálias pretas e dar uma penteadela ao cabelo, agarrou no dinheiro que a mãe tinha deixado em cima da mesa, e depois saiu de casa. A mãe já lhe tinha estragado os planos para uma tarde de relaxamento e diversão.
Chelsea ia a passar numa rua pouco movimentada quando parou subitamente ao ouvir um grito e sentiu uma dor no coração que apenas durou por dois segundos. Olhou instintivamente para o lado de onde o grito tinha vindo, e engoliu em seco. Ela sabia do que se tratava. Sabia o que era e o que queria. Mas não tinha a certeza sobre o que deveria fazer agora. Chelsea queria ajudar a pobre rapariga que certamente estaria em apuros, mas não conseguiu mover um músculo por vários segundos. “Não quero… tenho medo”, pensava ela. Mas como alguém inteligente uma vez lhe disse: um herói não é aquele que não tem medo, é simplesmente alguém que o tem, mas não o deixa reinar e segue em frente. Chelsea era esse tipo de alguém. Não era à toa que o nome “heroína” lhe era atribuído.
publicado por mysuperworld às 2013-06-11 19:49:15

1. Fernando Pessoa (ortónimo e heterónimos) e parte d' Os Lusíadas já estão estudados, já voltei a ler Felizmente Há Luar e comecei a ler novamente o Memorial do Convento. Amanhã é dia de estudar o que falta da obra de Camões, a Mensagem (odeiooooooooooooo a Mensagem, vamos todos rezar para que não saia no exame) e Felizmente Há Luar.
2. Tenho ido dormir cedo para acordar também bastante cedo e fazer render o dia (sacríficios!).
3. Não faço a mínima ideia como é que vou conseguir estudar tanta coisa para História, ainda para mais quando, com isto da greve no dia do exame de português, o mais provável é ele ser adiado e os dois exames ficarem mais próximos;
4. Já esgotei o stock de porcarias (leia-se: bolachas, gomas, batatas-fritas, chocolates) que tinha cá em casa por isso preciso de abastecer urgentemente.
4. Assim que os exames acabarem vou logo a correr para o shopping fazer compras. Preciso urgentemente de roupas novas para subir o astral.
Acho que por enquanto é só isto.
publicado por cantinhodamafas às 2013-06-09 21:36:06
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-09 12:40:28
Capítulo 3
A Caça * Parte 2
- Então Chelsea, despacha-te lá – queixou-se Helen, enquanto esperava que Chelsea se despachasse. A turma de ambas ia ter Educação Física dentro do ginásio, e Chelsea, como sempre, estava a atrasar-se um bocado.
Helen suspirou e começou a dobrar a roupa que a amiga despia, para vestir uns calções curtos de fato de treino e um top de alças. Enquanto Chelsea se calçou, Helen guardou-lhe as coisas todas no cacifo, e depois seguiram as duas para dentro do ginásio. O professor tinha dito que a aula de hoje seria diferente.
Assim que entraram, viram uma fila de colchões no chão, e estranharam. Que iriam fazer?
Juntaram-se ao resto da turma, em torno do professor, para ouvirem a explicação, e uma das suas colegas, Dana Altman, começou a fazer troça de Chelsea por esta chegar sempre atrasada e por de manhã ter entornado um copo de água por cima de Brad, sem querer. “Bah, odeio aquela rapariga”, pensou a ruiva.
- É que eu sei que está calor, mas…
- Cala-te – mandou Chelsea, a Dana.
- E vocês as duas podem ficar juntas. Não gosto de discussões na minha aula – disse o professor, para desagrado das duas. Helen olhou para a melhor amiga com ar de pena, e Chelsea apenas suspirou – Como eu estava a dizer, devido aos recentes ataques na cidade, o xerife achou por bem que fossem ensinados alguns modos de defesa aos alunos. E eu não podia concordar mais. Vocês têm que aprender a defender-se.
O professor mandou então que se pusessem de frente para os colchões, aos pares, com um aluno à frente – que faria de vítima – e outro atrás, o atacante. Chelsea ficou à frente, pois Dana recusou-se a fazer-se de vítima, e então, seguindo as instruções do professor, Dana colocou o braço a apertar o pescoço de Chelsea para que quando o apito apitasse, ela se soltasse como lhe tinha sido acabado de demonstrar.
- Sabes aquele rapaz que anda muito com o teu irmão? – Perguntou Dana – O Jensen Mills?
Chelsea apertou o pulso da colega com um pouco mais de força. Claro que ela sabia quem ele era, mas a pergunta é: o que tem Dana a ver com isso?
- Porquê? – Perguntou a ruiva.
- Bem… saímos ontem à tarde… ele disse que me ia telefonar, mas ainda não telefonou… quer dizer, de certeza que perdeu o número, que outra explicação é que pode haver? Sou eu, logicamente que me quer telefonar… - disse a rapariga, presunçosa, fazendo com que Chelsea tivesse cada vez mais dificuldade em controlar-se.
“Ele convidou-a para sair?!”, pensava a rapariga dos caracóis ruivos, “Mas como pode ele gostar dela quando me amou a mim? Somos completamente diferentes!”. Amou… mas Chelsea não acreditava que ele a tivesse amado naquele tempo e que agora tudo tivesse acabado. Não pode ser. Não pode ser tudo passado, não pode ser definitivo. Ela apenas tinha que arranjar uma maneira para o fazer lembrar-se de tudo.
- Olá? Estás a ouvir? – Chamou Dana à atenção, com aquela voz esganiçada – E sabes o que me surpreendeu… ele até beija bem…
Ela tentou. Tentou mesmo. Mas foi mais forte que ela. Chelsea agarrou no braço que lhe envolvia o pescoço, com mais força, e impulsionou o corpo de Dana por cima das suas costas, para a frente, fazendo-a cair no colchão. Tal como o professor tinha ensinado. Tal como Will já a tinha ensinado a fazer há meses atrás. Tal como ninguém achava que ela conseguiria fazer por ser tão desastrada.
Ficaram todos a olhar para elas as duas, pois Dana gritou um berro bem grave enquanto ia caindo no colchão e, enquanto Will olhava para Chelsea como se a repreendesse por dar nas vistas, o professor dirigia-se a elas.
- O apito ainda não tinha tocado – repreendeu ele. Chelsea sabia disso perfeitamente, mas não aguentou mais. Não aguentou ouvi-la a falar de Jensen como se ele fosse um brinquedo de usar e deitar fora.
- Desculpe, eu… - murmurou a ruiva, para ser logo interrompida.
- Porém a técnica foi impressionante. Parece que ser filha do xerife tem as suas vantagens, não é? – O professor não podia estar mais errado. Nunca Norman Burke ensinou a filha a mover um único músculo para se defender.
- Claro – disse a rapariga, sorrindo.
- Desculpem?! – Resmungou Dana, ainda estendida no colchão – Ela é doida! Eu podia ter-me magoado a sério!
- Controla o drama – disse Helen, chegando-se ao pé da amiga – Os colchões estão aí para alguma coisa.
- Professor… - chamou Chelsea, sendo-lhe de novo dirigida a atenção – Desculpe, não me estou a sentir bem… posso ir para casa?
Ele ficou um pouco pensativo antes de responder, mas depois assentiu com a cabeça.
- Tem cuidado – advertiu, ao que a rapariga assentiu também com a cabeça. Passou por Helen e dirigiu-lhe um pequeno sorriso. A verdade é que não era preciso esforçar-se para se fingir de doente ou maldisposta, a sua cara transmitia mesmo isso. Claro que era mais de tristeza e saudade, mas ninguém mais sabia isso.
Chelsea entrou no balneário e retirou as suas coisas de dentro do cacifo, para mudar de roupa. Trocou as roupas de Educação Física por uns calções de ganga rasgados e uma blusa cinzenta clara, com uma camisa de manga curta, aos quadrados roxos, por cima, com um nó dado nas pontas. A rapariga calçou os All-Star pretos e depois dirigiu-se aos espelhos para ajeitar o cabelo e colocar um pequeno brinco em cada orelha, e também ajeitar o pingente que tinha ao pescoço. Chelsea suspirou. Ela tinha a noção de que tinha exagerado um pouco há minutos atrás. Talvez não devesse ter mandado Dana assim para ao chão… mas não conseguia deixar de pensar que lhe tinha sabido bem. Aliás, um pequeno sorriso brotou nos seus lábios devido a isso. Há anos, desde que conhece a irritante “diva” do liceu, que Chelsea lhe queria dar uma lição. Talvez isto não se enquadrasse nesse campo, mas era muito melhor que nada.
A Defensora do Oculto guardou as suas coisas e depois colocou a mala preta ao ombro, saindo em seguida do balneário. Educação Física seria a sua última aula, por isso estava livre para ir para casa.
Saiu pelos portões do Liceu de Diamond City e deu graças a Deus por amanhã ser sábado e não ter que se levantar cedo. As primeiras duas semanas de aulas já tinham passado, daqui a nada o Verão acabava… e depois vinha o Outono, e então as férias de Natal. Mas até lá ainda muito aconteceria…
A rapariga começou a caminhar lentamente de volta a casa. Não se sentia com vontade de se fechar naquelas quatro paredes do seu quarto, pois sabia que no segundo em que entrasse nelas se ia desmanchar num pranto inacabável devido ao vazio que sentia. E sentia-se determinada a fazer de tudo para não ter tempo para se sentir dessa maneira… não queria ter tempo para pensar nele, nem em Cassie e na falta que ela lhe fazia… não queria ter tempo para ficar sozinha com as más recordações que lhe estragam as noites ao invadirem a sua mente na forma de pesadelos.
Ia a passar ao lado de uma rua sem saída quando, por acaso, olhou para ao lado e lá viu uma rapariga deitada no chão. Sentiu um aperto no coração, poderia ser?
Chelsea correu até ela e engoliu em seco. Sim, era. Mais uma rapariga ruiva. Mais uma inocente gravemente ferida pelo maldito Príncipe da Escuridão. Chelsea pôs-se de joelhos no chão e telefonou para as emergências para pedir uma ambulância, e depois para o seu pai para reportar o acontecimento. A Defensora do Oculto olhou em volta várias vezes; Jecek já não estava por perto, mas ela temia que ele voltasse.
- Oh Deus… - murmurou ela, enquanto observava o rosto da rapariga, onde hematomas negros se formavam – lamento tanto…
Will tinha razão. Ela sentia-se culpada por estes ataques. Porque haveria pessoas inocentes de sofrer numa caça desenfreada à Defensora do Oculto? Não é culpa delas. “É minha”, pensou a rapariga com os caracóis ruivos a abanarem graciosamente ao sabor da pequena brisa que se fazia sentir, enquanto ouvia a sirene da ambulância, anunciando que a ajuda se aproximava rapidamente.
Dicas e Truques: 4 erros (...)
publicado por cantinhodamafas às 2013-06-08 19:16:20
Uma boa maquilhagem pode fazer milagres por si mas uma má aplicação ou uma má seleção de cores pode deitar tudo a perder. Não deixe, por isso, que os erros de utilização, muito mais comuns do que o que possa julgar, a façam parecer mais velha. Renove a sua rotina de beleza com as dicas que a Ultimate Beauty reuniu a pensar em si.

Quando as primeiras rugas começam a surgir, muitas mulheres tentam cobri-las com camadas espessas de base. Infelizmente, em vez de cobrirem imperfeições, fazem-nas sobressair, uma vez que o produto se instala nessas pequenas fendas, dando um aspeto de máscara ao rosto. Para uma pele impecável, opte por uma base líquida, com uma fórmula de fácil absorção. Deite uma pequena noz na palma da mão e aplique-a, como se fosse um creme hidratante, com a ponta dos dedos.
Apesar dos rímeis à prova de água terem menos propensão para manchar, as suas fórmulas mais fortes podem secar as pestanas, tornando-as mais frágeis à medida que envelhecemos. Para umas pestanas longas e um olhar preenchido, faça uma linha com lápis castanho ao longo da raiz das pestanas e opte por uma máscara de pestanas suave, sem ser à prova de água.
Como dizia Coco Chanel, «a moda é feita para passar de moda». E uma das mais difíceis de esquecer parece ser a das sombras com efeito metalizado. Com a idade, por volta dos 40 anos, as pálpebras tornam-se menos firmes. Está na altura de abandonar os brilhos, uma vez que estes se instalam nas pregas dos olhos, fazendo-as parecer maiores. Opte por sombras mate, como pêssego ou cinza, que ficam bem em qualquer tom de pele. Para um resultado mais glamoroso, use eyeliner mas em tons suaves, como ameixa. Para levantar o olhar, aplique-o na pálpebra superior e nos cantos externos dos olhos.
As cores escuras parecem diminuir as áreas onde são aplicadas. É um facto constatado! Como os lábios perdem volume ao longo do tempo, a última coisa que quer fazer é diminuí-los ainda mais. Para criar lábios apetitosos, use batons e glosses com cores vibrantes, como o coral ou o rosa.
Fonte: http://mulher.sapo.pt/beleza-e-bem-estar/c
A verdadeira essência do Chocolate
publicado por A verdadeira essência do chocolate às 2013-06-07 23:04:38
Subo as escadas da velha casa, que em outros tempos fora minha. - Tudo está na mesma. - Abro a porta do meu antigo quarto, - as dobradiças ainda fazem o mesmo rangido, embora agora seja mais audível o ranger do que à dez anos atrás. - fecho os olhos e atravesso a porta. - Tudo permanece como deixei naquela noite, nem uma agulha está fora do lugar.
Sento-me na minha velha cama e pego na minha antiga boneca. – Limpo o pó do seu rosto de porcelana com a ponta dos dedos com todo o cuidado. - Os olhos da minha boneca continuam tristonhos. Os seus cabelos negros agora cobertos de pó já não são brilhantes, mas por debaixo de uma fina camada de sujidade ainda consigo ver a sua pele cor de marfim, quase tão branca quanto a minha.
Abraço a boneca e relembro o dia em que perguntei a minha mãe o porque da minha boneca não sorrir como as outras.
“Porque não lhe dás atenção” – tinha respondido a minha mãe com um sorriso.
Depois desse dia passei a levar a boneca comigo para todo o lado, com a esperança de que um dia pudesse vê-la sorrir, mas isso nunca aconteceu, continuou sempre a olhar para mim com um olhar melancólico e sem o sorriso que tanto desejava ver.
Sento-me no meu antigo toucador e limpo o espelho com a ponta dos dedos.
Imagino o meu antigo rosto, menos pálido e com imperfeições, mas ao mesmo tempo belo. Comparo o meu reflexo antigo com o presente. O espelho que outrora reflectira uma jovem menina de cabelos ruivos com a pele dourada pelo sol, agora mostrava a imagem de uma bela mulher adulta, com o rosto livre de imperfeições. E o volumoso cabelo ruivo que em criança estava sempre solto, agora estava entrelaçado numa trança grossa.
Abro a velha caixinha de música e observo pequena bailarina dançar em círculos.
“Oh, como adorava vê-la dançar esta triste melodia.”
- Tens saudades das tuas bonecas? – Benjamin pousa os lábios no meu pescoço suavemente.
- Não meu querido.
Levanto-me e beijo-o nos lábios.
- Relembro o passado. Há dez anos que não entro neste quarto.
- Continuas a contar os anos? Eu parei de os contar, pensar que já tenho trinta e dois deixa-me deprimido.
Dou uma pequena gargalhada.
- Não digas tolices.
Benjamin envolve-me a cintura e beija-me no rosto.
- Podes ter envelhecido dez anos, mas estás mais bela do que nunca.
- Oh Benjamin, podes ter envelhecido dez anos, mas ainda continuas com as mesmas frases de engate.
- Não me vou desfazer delas, foram umas quantas destas que te fizeram apaixonar por mim.
Reviro os olhos e solto-me do seu abraço.
Deito-me na velha cama e fecho os olhos. - Tantas lembranças surgem ao mesmo tempo. - E quase consigo ouvir a voz da minha mamã. “Aimee minha querida, queres ajudar-me a por a mesa? O papá está quase a chegar.”
Por momentos consigo cheirar o seu perfume, é quase tão doce quanto ela.
“Que saudades tenho da mamã, morreu tão jovem, tão bela…”
Com o tempo aprendi que não devo guardar recordações do passado, mas esta casa, este quarto, estas paredes que me viram crescer e as quais contei os meus mais íntimos segredos, fazem-me agora recordar a infância…
- Minha querida, está na hora de irmos, o avião não espera por nós.
- Podes deitar-te ao meu lado? Por favor…
Ainda a meio de um profundo suspiro Benjamin deita-se a meu lado e pega-me na mão.
- Arrependeste de ter ido embora?
- Não…Viver com o meu pai tornou-se… insuportável depois da morte da minha mãe. Esta casa tornou um inferno… – murmuro de olhos fechados.
Benjamin acaricia-me a face.
- Lembras-te da noite em que fugimos? Esperei pela meia-noite e vim buscar-te.
- Sai pela janela, apenas com uma mochila as costas. – completo.
- Quem diria que nos íamos safar tão bem, não temos uma vida nada má.
- É perfeita, somos só tu e eu.
- Em breve seremos três.
Benjamin beija-me na barriga.
- Nunca mostraste vontade de regressar a esta casa, porque?
Levanto-me e tiro o pó da camisa e da saia.
- Quando sai daqui a dez anos atrás, prometi que só voltaria para o funeral do meu pai, fugi sem intenções de regressar.
- Cumpriste mesmo a tua promessa.
Benjamin esboça um leve sorriso e aperta um dos botões da minha camisa preta.
- Estás pronta para dizer adeus?
Aceno afirmativamente.
Benjamin beija-me novamente nos lábios e deixa-me sozinha.
Olho para o meu antigo quarto pela última vez e suspiro. Não viro as costas a pequena habitação em vez disso dou uns quantos passos para trás até sair do quarto. Fecho a porta com um pequeno sorriso nos lábios, sabendo que nunca mais voltarei a ver aquele quarto nem a minha boneca de olhos triste.
Benjamin espera-me no andar de baixo com um sorriso.
- Não vais levar nada?
- Não, tudo isto pertence ao passado. Só levo uma coisa… - acrescento.
- O quê? – quer Benjamin saber.
- No último segundo, antes de fechar a porta, olhei para a minha boneca… Ela sorriu para mim, sempre esperei por isso. Levo essa memória comigo.
- Querida, isso é impossível.
- Talvez.
FIM
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-06-07 14:01:35
Hoje não ia postar nada, mas como tive um tempinho...
Capítulo 18
Samantha não pregou olho toda a noite. Ainda se tentou convencer de que estava em segurança, pelo menos durante mais algumas horas, mas era escusado. Não conseguia descansar. Não enquanto William não regressasse. Não enquanto não soubesse que todos no palácio estavam a salvo.
Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela, levantou-se e vestiu um vestido branco com um cinto castanho, e fez uma trança com o cabelo. Ouviu cavalos a chegar na rua e saiu do quarto a correr, dirigindo-se aos portões. Ele tinha finalmente chegado.
- Finalmente! – Exclamou ela, abraçando-o nos estábulos, quando ambos estavam a sós.
- Isso era tudo saudades? – Perguntou-lhe William, presunçoso, rindo-se e dando-lhe um beijo na bochecha.
- Temos que conversar. É sério – a expressão de felicidade fugiu do rosto do príncipe apenas com aquelas palavras – Mas aqui não. Vem.
Foram até ao quarto da rapariga e ela sentou-o na cama, sentando-se ao seu lado, e enquanto lhe agarrava nas mãos ia contando as suas descobertas com toda a calma e compreensão quanto podia. No fim apenas via o rapaz com os olhos enlagrimados enquanto tentava assimilar tudo o que tinha ouvido.
- Isso não pode ser verdade – disse ele.
- Eu sei, mas é. E quero-te mostrar o papel, e as cartas. Vamos lá agora e podes ver tudo com os teus próprios olhos. Will, lamento.
- Não… mas… ele é o meu pai, Samantha.
- Eu sei – murmurou ela, sorrindo-lhe – E vai sempre ser. Vamos?
Andaram os dois até aquela escadaria e subiram os degraus quando ninguém os via. Entraram na sala e fecharam a porta, via-se bem com a luz vinda do exterior. Ela dirigiu-se logo à caixa de jóias, depois de lhe ter indicado qual era a jarra, porém encontrou a caixa vazia.
- Algo está errado – murmurou – Will!
Quando retornou à sala viu-o a agarrar o jarro de cabeça para baixo, mas também este se encontrava vazio.
- Não está aqui nada, Sam.
- Oh não… Will, alguém descobriu isto. O que significa… tens que avisar o teu pai e os guardas agora mesmo! Eles têm que se preparar, o palácio vai ser atacado à noite! Tens que acreditar em mim, estou-te a contar a verdade.
- Claro que acredito em ti – ele pousou a jarra e abraçou-a, deu-lhe um beijo na testa e saiu.
Samantha ainda lá ficou mais uns segundos, mas então seguiu enfurecida para o quarto onde Samuel ficava. Entrou lá e tirou a armadura do roupeiro, pondo-a em cima da cama, deixando a espada ainda encostada a um canto. Porém não se vestiu logo. Não percebia como isto podia ter acontecido. Tinha tudo, podia ter parado Marx, mas perdera o documento que lhe podia dar a vitória. Sem pensar muito, deu um murro na parede e soltou um grito, ficando com os nós dos dedos em ferida. A porta abriu-se e de lá espreitou um Jonah preocupado, que se apressou a fechá-la após entrar.
- Está tudo bem, Sam? – Perguntou ele, franzindo as sobrancelhas.
- Não, não está nada bem! – Exclamou ela, furiosa – Fui com o Will procurar as cartas, queria levá-las ao rei mas… elas já não estavam lá. Nem a declaração do rei acerca do Will!
Jonah olhou para ela e cerrou os olhos, como se estivesse a pensar.
- Como assim? – Insistiu – Simplesmente desapareceram? Isso é impossível.
- Alguém deve ter descoberto e tirou-as. Só pode ter sido isso. Mas quem…? – Ela deixou-se cair sentada na cama, sentindo-se completamente derrubada.
- Mas tu disseste que não tinhas sido vista por ninguém, que não tinhas sido seguida.
- E não fui… e não contei a ninguém também, só a ti e ao Will.
- Achas… talvez esta conspiração toda possa ser para que o William fique com o trono… talvez ele esteja a trabalhar com o Marx – opinou o rapaz, ao que ela abanou a cabeça.
- Não, ele nunca faria isso, além disso esteve fora do palácio desde ontem. E também nunca lhe falei de onde tinha escondido a declaração, a única pessoa a quem falei disso… - Samantha olhou para Jonah assombrada e levantou-se da cama de um modo repentino – foi a ti, Jonah.
Jonah soltou um sorrisinho nervoso, enquanto ela estava cada vez mais desconfiada. As peças encaixavam, os factos faziam sentido, e se havia coisa que tinha aprendido como soldado fora a confiar nos factos e na sua intuição.
- Sam, vá lá, não podes mesmo estar a pensar que…
- Como é que o Marx saberia que eu estaria aqui se o rei fosse atacado? Após todos estes anos, porque viria eu? Alguém que sabia que eu estava no exército… alguém que soubesse em que patente estava, o que fazia, que era o Samuel… Foste tu todo este tempo – afirmou, com um tom acusatório e desiludido ao mesmo tempo. Não podia acreditar, mas tudo apontava para ele. Para aquele rapaz que considerava um irmão.
Jonah engoliu em seco e empunhou a sua espada com um movimento rápido, fazendo-a recuar um passo.
- Desculpa, não é nada pessoal. Mas tu nunca desistirias da vingança, e eu não podia ser pobre para sempre – disse, não se livrando do olhar de puro desapontamento da rapariga.
- Isto não vai resultar, sabes? A esta altura já o William avisou todos os soldados, quando a noite chegar…
- Eles não vão chegar com a noite – interrompeu ele – Quando tu descobriste acerca da paternidade do príncipe, quando eu finalmente pus as mãos naqueles papéis, apressámos os planos. Afinal, já não é preciso vasculhar o palácio. As Cobras assassinam o rei num ataque surpresa, afinal, já o tinham tentado fazer antes, e o lorde Marx chega com a prova de que o príncipe William não é sucessor ao trono e alia-se à rainha, como sempre esteve para acontecer. Então tenho que te agradecer, sabias? Se não fosse por ti, nunca teríamos conseguido chegar tão longe. Queres tanto obter a tua vingança, que nem percebes quando estás a ajudar o inimigo.
- Tu és um verdadeiro cretino, sabias?
- Não nasci num berço de ouro como tu… - nesse momento ouviu-se um estrondo vindo do lado de fora do quarto, e Samantha aproveitou a distracção do antigo companheiro para agarrar num jarro que estava em cima da mesa-de-cabeceira e lhe dar com ele na cabeça, desmaiando-o. Olhou para a armadura, já não havia tempo para isso, o combate tinha começado. Agarrou na sua espada e saiu, não sem antes dar outra olhadela a Jonah, estendido no chão.
- Não te mato agora por respeito à tua mãe – murmurou, antes de começar a correr pelo corredor.
Apesar de tudo, fui muito(...)
publicado por mysuperworld às 2013-06-07 13:09:29

E destes três anos ficou muita coisa. Ficam as memórias espalhadas pelas fotografias, pelos vídeos, pelos cadernos, livros e até aqui no blog. Ficam as aulas secantes. Ficam as aulas mais divertidas. Ficam as horas de estudo e o stress pré-teste de História. Ficam as mudanças de opinião em relação a algumas pessoas. Fica a certeza de que todos têm algo para nos ensinar. Ficam as palhaçadas durante as aulas e os esquemas de copianço durante os testes. Ficam as piadas (que na verdade não tinham piada nenhuma) do professor de MACS. Ficam as pessoas especiais. Fica o saber perdoar. Fica o sair da zona de conforto. Ficam os bons momentos passados com os amigos e os intervalos no café. Ficam as partidas, as maluquices, os dias em que nos baldamos às aulas só porque sim. Fica o ódio às aulas de História. Ficam as aulas de Geografia (as melhores do secundário, diga-se de passagem). Ficam os professores detestáveis. Ficam os professores para lá de espetaculares. Ficam as lágrimas, as histórias partilhadas, os sorrisos e gargalhadas que marcaram os meus dias. Ficam os elogios. E as críticas também. Fica a certeza que não devemos ter medo de errar e que é impossível ser perfeita. Ficam os bons resultados e os maus também. Ficam as novas experiências e o quanto aprendi com elas. Ficam os segredos. Ficam as cantorias nas aulas de educação física. Ficam as festas de aniversário, as surpresas, os conselhos. Ficam as alturas em que falhei mas ergui a cabeça e continuei com a minha vida. Fica a descoberta de que existe pessoas mesmo muito cruéis. Ficam as músicas especiais. O saber o que é ser trocada e rejeitada mas, felizmente, também o contrário. Ficam os dias em que me apetecia ficar na cama a dormir e não ir às aulas. Fica a timidez. Ficam os trabalhos de grupo (que de grupo só tinham o nome). Ficam as vezes em que me cruzava com o M. no corredor. Ficam os dias em que nos juntávamos para estudar mas acabávamos por não estudar nada. Ficam as conversas e as discussões. Fica a criação deste blog. Ficam as festas. Fica a união. Ficam as visitas de estudo em que nos fartamos de rir. Ficam as mentiras. Ficam as incertezas e o medo de não ter feito as melhores escolhas. Fica a saudade de quem se afastou e se vai afastando. Ficam as reflexões, as noites em que chorei por nada parecer ter sentido. Os dias em que fingi estar tudo bem, quando não estava. Fica o desespero. O pensar que não ia conseguir. Fica a confiança. O aprender de que nem todos merecem segundas oportunidades mas, infelizmente, não há maneira de o sabermos. Ficam as vitórias. Ficam as dúvidas e as perguntas sem resposta. Fica o lutar pelos meus objetivos. Ficam os velhos sonhos, que já não fazem sentido. Ficam os novos sonhos. E os desafios superados. Ficam as trocas de olhares, que bastavam para percebermos o que estávamos a pensar. Fica o crescimento pessoal. O saber valorizar-me mais. Ficam as mudanças que sofri. Para trás fica uma R. insegura, menos madura e menos feliz. Agora existe uma R. feliz, confiante, determinada, mais solta. E se mudei tanto nestes três anos, foi graças às pessoas fantásticas que conheci. E no fundo, essa é uma das melhores coisas que alguém nos pode dar: a oportunidade de sermos melhores pessoas. Para trás, fica tanto que é impossível apagar. Tanto que eu vou sempre recordar com muito carinho e que levo tatuado na alma. Porque apesar de tudo, aquilo que interessa são os momentos incríveis que passei junto de pessoas muito especiais.
Esta devia ser a altura do "finalmente acabei o secundário, estava tão farta daquilo e daquela escola. Finalmente vou para a faculdade!". E em parte é. Mas a verdade é que estou tão cansada, tão nostálgica e com tanto medo do que aí vem, que não consigo me sentir totalmente feliz. Estou triste. Fico ainda mais triste ao pensar que nunca mais vou ver "aquelas" pessoas numa sala de aula e nunca mais vamos conviver diariamente. Tenho a certeza que isto a seguir passa mas opá, custa. Custa muito.
A verdadeira essência do Chocolate
The Lying Game - Que Deus(...)
publicado por A verdadeira essência do chocolate às 2013-06-06 22:25:10
Depois de um profundo suspiro Margaret pousou os lábios sobre a fina porcelana inglesa e bebeu um curto gole do chá amargo.
Aborrecida olhou discretamente pelo canto do olho. Que irónico pensou Margaret. Enquanto o morto esfriava no caixão, os seus amigos, que a pouco quase afogados em lágrimas lamentavam a sua morte entre soluções, agora, com os olhos secos e com as gargalhadas a darem lugar aos soluços, amontoavam-se junto da grande mesa de centro, empanturrando-se de bolos e salgadinhos em miniatura.
Margaret quase sentiu pela no morto. Quase…
A verdadeira essência do Chocolate
The Lying Game - Máscaras(...)
publicado por A verdadeira essência do chocolate às 2013-06-06 22:13:20

Margaret ajoelha-se diante da lapide e enxuga as secas lágrimas com a ponta dos dedos.
- Permita-me. - Alexander estende o seu lenço branco e faz uma curta vénia.
- Obrigada. – murmura Margaret ao pegar no lenço.
E assim se completa o quadro familiar.
publicado por allison às 2013-06-06 22:09:29
Acho que nunca vi um sorriso tão fofinho em toda a minha vida damn, está tudo a voltar. Porque raio é que o facebook nos põe à frente aquilo que não queremos mesmo ver?
publicado por cantinhodamafas às 2013-06-06 21:36:08
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publicado por mysuperworld às 2013-06-06 21:03:11
Eu sou mesmo um desastre a andar de transportes públicos. Geralmente só ando de autocarro de casa-escola e escola-casa. Se precisar de ir a outros sítios é um pavor! É que geralmente vou sempre de carro e quando preciso de ir de autocarro (que foi o que aconteceu hoje) não faço a mínima ideia a que horas ele passa, em que paragem é que saio e por aí adiante. O que me valeu é que estava com uma amiga, caso contrário o mais provável era, neste momento, estar algures perdida na outra ponta da ilha. Nada de muito grave, portanto.
A verdadeira essência do Chocolate
The Lying Game - Pecados (...)
publicado por A verdadeira essência do chocolate às 2013-06-06 18:47:44
Ao ajoelhar-se no pequeno banco de madeira Margaret levou a ponta dos dedos a tocar na testa, e em seguida num movimento vertical tocou na pele macia, entre os seus dois perfeitos seios. Já ajoelhada tocou em cada um dos ombros, terminando aquele gesto cristão beijando a ponta dos dedos.
- Pequei senhor padre. – murmurou Margaret.
