publicado por Lazy Cat às 2013-06-18 15:12:24
perfil público
Há pequenos momentos, que não fazem de ti melhor ou pior, triste ou feliz. Há momentos da tua vida que te irritam, e que te alegram, num pequeníssimo espaço de tempo... E serão Inúteis?
http://ismilebecauseofyou.blogs.sapo.pt
Alguém apareceu de repente, e mudou a minha vida. Num percurso atribulado, onde descobri uma verdade quase impossível de aceitar... tu apareces-te... mas fizeste de mim... a mulher mais feliz do mundo...
Para pensar no meu mundo, pois todos temos algo para contar... para transmitir... para ensinar.
Nome
Catarina Portela (My Way)
Página Pessoal
http://www.hi5.com/friend/profile/displaySameProfile.do?userid=154937298
Data Nascimento
31-05-1908
Sexo
F
publicado por Lazy Cat às 2013-06-18 15:12:24
Amo
Sem nome
Amo
Sem medida
Amo como quem amar é tudo
quanto sabe e precisa na vida
Amo
Tem nome
Amo
A nossa vida
publicado por Lazy Cat às 2013-06-18 14:43:25
Há momentos em que é preciso fazer apenas isto: observar, respirar fundo e agradecer a simplicidade com que a vida nos troca as voltas, colocando no nosso caminho coisas e pessoas que farão com que a nossa vida mude para sempre no sopro de um segundo.
Já fora de horas fui “raptada” para um lanche. Entrei pela primeira vez numa casa na qual fui recebida como família, sem cerimónias e no entanto, com muito respeito. O dono da casa deixou as formigas andarem às voltas, põe mesa, tira mesa, fazendo um comentário ocasional, quase sempre em tom de brincadeira. E sentou-se à mesa connosco. Quando acalmou o rebuliço usual, do passa-me o leite, a manteiga, por favor, bebes café a esta hora? e afins, simplesmente, abriu um livro e leu, pausadamente um poema curto e belo que falava, claro, de amor.
Depois disso, queixou-se que quem tinha levado o pão se tinha atrasado muito! Tanto que o pão já estava frio! No meio da gargalhada geral (começámos a lanchar depois da meia-noite) não pude deixar de pensar o seguinte “ haverá forma maior de honrar um filho poeta, haverá melhor maneira de dizer o imenso orgulho que se tem nele, haverá maneira mais simples e grandiosa de dizer amor e partilhar esse sentimento do que esta?”
E soube que, da mesma maneira que a beleza do gesto me marcou para sempre queria guardar, fora de mim, o registo desta família, unida, feliz, amorosa para tudo e todos que me acolheu, assim, inesperadamente e partilhou comigo a mesa e, sobretudo, a sabedoria do amor imenso que faz crescer crianças e adultos, em sabedoria e felicidade.
homenagem
(provençal homenatge)
s. f.
1. [História] Juramento de fidelidade que prestava ao soberano o vassalo que recebia feudo.
2. Demonstração de veneração e respeito. = PREITO
(in Priberam)
publicado por Lazy Cat às 2013-06-17 15:37:46
Há verdades Universais? Há perspectivas da mesma verdade? A verdade que eu observo, aquela que vivo, aquela que sinto, está sujeita a subjectividade? Ou é, apenas, una, única, igual para todos que a observam? É apenas verdade para mim? Será verdade apenas se muitos concluírem como eu? Quantos indivíduos deverão ver, sentir e observar como eu para que a minha verdade seja uma verdade Universal? E até que ponto interessa saber se a minha verdade é Universal ou não? Afinal, se a vejo, a vivo e a sinto, para mim é verdade. Carece a minha verdade de validação externa, alheia a mim para se tornar verdade?
Será tudo uma questão de perspectiva, sendo que o que está à frente de quem está ao meu lado oculta uma parte do que eu vejo e lhe mostra uma realidade diferente e impede, assim, que vejamos a mesma realidade? E se sucessivamente se escondem e mostram diferentes facetas da mesma realidade consoante o ponto de vista do observador, isso invalida que a minha opinião seja real? Invalida a minha verdade? Invalida que tenha sobre determinada pessoa uma opinião, para mim, verdadeira, o facto de outra pessoa ter uma opinião diferente? Quem julga e determina o que é verdade para mim senão eu através da minha perspectiva? E se eu tenho de determinada pessoa uma opinião, formada através da observação das facetas que me foram dadas a conhecer, quem pode dizer que estou errada e como poderei eu dizer que quem discorda de mim não vê a verdade? Se afinal, “ Todo o conhecimento o é sob um determinado ponto de vista”, o meu conhecimento (ou seja a minha verdade ou a minha realidade) não deixa de ser verdadeiro, apenas porque tenho um ponto de vista único, mas passa sim a ser real, ou existir como realidade, (para mim) exactamente pelo facto de provir do meu ponto de vista único!
O erro inveterado consistia em supor que a realidade teria em si mesma, e independentemente do ponto de vista que se tiver sobre ela, uma fisionomia própria. Claro que, pensando assim, toda a visão a partir de um ponto determinado não coincidiria com ela e portanto seria falsa. Mas o caso é que a realidade, tal como a paisagem, tem infinitas perspectivas, todas elas igualmente verídicas e autênticas. A única perspectiva falsa é a que pretende ser única.
Logo, a opinião que tenho de determinada pessoa, será tão verdadeira e válida como a de qualquer outra pessoa, concorde ela comigo ou não. O que já não é verdade é que um perfeito idiota o deixe de ser apenas porque uma perfeita idiota se recusar a aceitar esse facto como verdade! Da mesma maneira, uma opinião sobre mim será tão verdadeira quanto a perspectiva e o (real) conhecimento que a pessoa tenha de mim, para fundamentar a opinião que tem, tornando a sua verdade única para si através da perspectiva (posição, tempo e filtros) com que me observa.
E com isto, tenho dito e concluo.
Parcialmente baseado em “El tema de nuestro tiempo” - Ortega y Gasset
imagem daqui
publicado por Lazy Cat às 2013-06-14 20:27:03
e sem cor e sem postura.
é assim de cada vez que te revejo.
que saudades, amor
desses olhos vivos de rir e desejo
e dessa infinta loucura!
publicado por Lazy Cat às 2013-06-14 19:19:49
Passa-se muito tempo sem que compre uma revista. Pelas mais variadas razões. As revistas têm pouco que ler, eu gosto de ler. A maior parte delas não tem conteúdo à altura do preço e as ofertas (se é que trazem alguma) já não são o que foram. Em tempos idos, comprava religiosamente várias revistas. Uma delas, cujas edições guardei durante anos chamava-se “20 ans”. Adorava a revista vá-se lá saber porquê! Se calhar porque tinha vinte anos. Se calhar porque as idiotices me pareciam menos idiotas, se calhar, porque, se, porque, se….tudo isto a propósito de quê? A propósito de uma revista que vi ontem nas bancas e trazia uma oferta que me faria pensar duas vezes em levar a revista, mesmo que a comprasse habitualmente. E fique triste! Tenho postais, miniaturas de eau-de-cologne, algumas canetas e até bolsinhas que vinham com revistas. Aliás, creio que a minha panca pelas miniaturas de perfume começou assim. Apaixonei-me pelos frascos! Perfume, há mais de 20 anos que uso o mesmo e, quando tento mudar, ele volta a apaixonar-se por mim (sim, ele também, mas essa é outra história!) e voltamos à nossa dança. Mas lembro-me, sobretudo, de andar pelo quiosque da melhor amiga da minha mãe à espera que chegasse o dia das devoluções pois era nesse dia que levava para casa os meus tesouros! Amostras de cremes, bases, make-up e, até, por vezes, amostras de perfumes. Clarins, Lancôme, Chanel. Yves Saint Laurent, Thierry Mugler, Paco Rabane, Lacoste e tenho a certeza que me estou a esquecer de muitas outras marcas! Essas sim eram ofertas! Daí a ganhar o gosto por algumas coisas foi um salto de pulga!
Muitos anos depois, percebi que além de valor sentimental, as muitas revistas que acumulava há quase uma década, serviam sobretudo para juntar pó. Trivialidades, culinária, viagens, literatura e artes. E, sobretudo DECORAÇÃO. Adoro revistas de decoração e não tenho a menor paciência para casas complicadas! Adoro ler artigos sobre make-up e sou alérgica aos parabenos, o que equivale a dizer que sou alérgica a quase noventa por cento dos produtos de maquilhagem. Enfim, com a chegada da internet, da qual me tornei fã rapidamente e uma utilizadora regular, percebi que me podia desfazer das revistas e, salvo alguns recortes e algumas capas, foi isso que fiz. Por vezes acho que me apetece comprar alguma, mas depois sei que a vou deitar fora…já as deixei em bancos de jardim, bibliotecas, consultórios, depois de lidas, só para não deitar dinheiro fora. Adoro o conceito revista. Do objecto, gosto cada vez menos! Coisas da vida. Agora, com a nova filosofia de vida e tendo finalmente a possibilidade de encarrilar pelo minimalismo, e por mais que me digam que o livro e o jornal e a revista se adaptam ao corpo humano como nenhum meio digital o fará jamais, confesso que só penso em comprar um kindle. Não quero um tablet. Quero um kindle! E esta?! Quero milharesde livros e revistas no mesmo espaço e praticamente sem peso! Reconheço que a Raquel tinha razão, perder um kindle e perder um livro não é a mesma coisa. Pois não. Por isso o meu filho, continua a ler livros. Em papel, que cheiram bem! Se os perder ou esquecer em algum lado, paciência! Agora eu, ao longo da vida, perdi apenas os livros que emprestei…todos os outros que deixaram de ser meus foi porque os dei a alguém, os dei sem saber a quem, em trocas de livros ou em quermesses ou em trocas de presentes (sim, dei livros usados!) ou os deixei numa estação de metro, num banco de jardim ou numa esplanada de café. E não me estou a ver emprestar o kindle…. :)
Entretanto, continuo à procura “da” casa! Já perdi a conta aos apartamentos que visitei, ao número de casas que recusei ver, aos quilómetros de terreno que palmilhei à procura dos famigerados papelinhos nas portas e janelas e, ainda não encontrei. Mas, desta vez, acho que estou quase lá! Só não fico com esta casa se não chegarmos a acordo! E, a conversa das revistas tem muito a ver com isto: esta casa é “ a minha cara”! É exactamente o tipo de casa que se encontra nas revistas, tem cachet! E é uma daquelas casas em que se podem colocar na parede revistas (ou capas) emolduradas e sabe deus que eu tenho capas de revista guardadas!!!!!
Life is such a Great place to be at!
publicado por Lazy Cat às 2013-06-13 09:09:28
Todos nós temos defeitos
digo isto sem ar de riso
alguns são tortos do corpo
outros aleijados do juízo
publicado por Lazy Cat às 2013-06-10 13:53:29
Às vezes tenho saudades.
Saudades do teu sorriso
Saudades do teu olhar,
daquel'instante impreciso
em que me sabias amar
Hoje tenho saudades. Tuas.
publicado por Lazy Cat às 2013-06-09 22:14:49
tenho ideia de ter começado este blog com a nobre intenção de escrever por aqui de tudo um pouco, incluindo nisso relatar-vos um pouco pretendia destralhar a minha vida. Não sendo uma coisa tão complicada assim, a vida tem por vezes para nós prioridades diferentes das nossas! Costuma até dizer-se "coisas da vida" o que se pensarmos bem, ilustra claramente o quão pouco temos, por vezes, mão na dita. no útlimo ano passei por tanta coisa estranha que juro: houve mais do que um dia em qua pensei mesmo que não ia aguentar. MAS nesses dias fatídicos, ou nos imediatamente seguintes, tive que reconhecer que desistir é das poucas coisas que não sei fazer. não sei fazer mesmo, nem bem, nem mal. nem sei sequer por onde se começa! se soubessem a quantidade de vezes que pensei "agora vou ficar aqui na cama e pronto"!!!! meia hora depois, o mais tardar, estava a pé, pronta par mais um dia. pronta....pronta neste caso é mesmo só maneira de dizer...mas cá estou! curiosamente, apesar de não me sentir tão diferente assim, sei que estou diferente. noto que estou diferente numa quantidade de pequenas coisas e isso agrada-me muito. agrada-me mesmo! porque vai ao encontro daquilo em que acredito e que vejo nos outros: as pessoas não mudam na essência, mas podem aprender a fazer as coisas de outra maneira. e é isso que está a contecer. aprendi a fazer as coisas de maneira mais vantajosa para mim. escusam de estar já a pensar mal! a maneira mais vantajosa é apenas aquela que me traz menos desconforto, se é que tem que haver algum. confesso que ainda fico com um pouco de sentimento de culpa ali por detrás da orelha equerda, às vezes, mas estou a aprender! estou mesmo! e a vida está contente com isso e como tal, um dia destes passo a ter menos tempo (ainda) para escrever por aqui. com base nas boas notícias e na filosofia do "destralhanço" creio que vou abdicar de outros blogs e sites e manter-me apenas por aqui. sou absolutamente incapaz de fechar o LazyCat, aquele telhado é mais de metade de mim, é amor em quase cada palavra, amor sem dono e sem destino, amor apenas como imagino que o amor deve ser.
mas vai ficar ali, aberto, mas actualizado ao sabor do vento. aqui, tentarei fazer duas ou três entradas semanais, não mais do que isso, mas que sejam actuais e não agendadas com muita antecedência.
tratarei de falar da casa nova e de como na mudança já estará em vigor a "lei do destralhanço", de como pretendo dar/doar muitas das minhas coisas, roupas livros e acessórios sobretudo, sendo que tenciono vender outras coisas a preços entre os dois e os cinco euros. brinquedos do filhote já estão encaixotados, embrulhados e prontos para alegrar outras crianças neste Natal. logo que a mudança esteja concluída e os meus horários estabelecidos tentarei manter um ritmo "folgado" mas certo por aqui, partilhando as novidades de uma vida que parece ser um verdadeiro recomeço.
houve momentos em que duvidei da vida. a vida pagou-me com aprendizagens dolorosas e sobretudo fez-me perceber, mas perceber cá de dentro de uma vez por todas que viver não é dificil. basta acreditar e sorrir, e nunca deixar de andar em direcção ao que se quer ter, mesmo quando a vida nos dá aquilo que nos faz falta da pior maneira, não perder o rumo é uma boa garantia de sucesso lá à frente. e de mudanças perenes, não apenas aparentes!
haut les coeurs!
publicado por Lazy Cat às 2013-06-09 20:28:53
mais ou menos chegados, de passagem pela nossa vida ou permanente, gosto de homenagear pessoas que passaram pela minha vida deixando-me mais rica do que era antes da entrada delas. não, não tenho amigos milionários! pelo menos em currency. falo de gente que partilhou comigo pelo menos uma coisa que me tem acompanhado de maneira mais ou menos intermitente desde essa altura. É o caso do António e deste texto maravilhoso que hoje partilho convosco. porque os tesouros, na minha maneira de sentir a vida, crescem quando se partilham! Bem-hajas António!
autora : Fazia Hayat
publicado por Lazy Cat às 2013-06-08 15:16:39
publicado por Lazy Cat às 2013-06-07 16:06:58
Was it love.
Is it love?
Has it ever been love?
Não sei se o amor tem fim. Nem se o amor começa.
O Amor talvez se consuma por se viver à pressa.
Não sei se o amor acaba. Nem sei de onde vem.
Sei que o Amor fica. Por muito que aconteça.
Tudo muda à nossa volta. O Amor não, de certeza.
Sei que o Amor se desdobra e multiplica.
Amor não é paixão que tudo esquece e tudo pede,
Nem é corpo que tudo quer e tudo impede
Amor é apenas amar sem saber porque se ama.
PS: Já escrevi Amor com todas as letras, todas as cores, de todos os tamanhos.
E enquanto acreditar, encontrarei ainda novas formas de escrever, dizer e fazer AMOR.
publicado por Lazy Cat às 2013-06-07 15:42:47
publicado por angelbarros às 2013-06-06 22:15:43
Devia odiar-te,
pelo passado que recordo com saudade,
o passado que o tempo não traz de volta e que um dia se apagará.
Foste o que eu não fui e foste onde eu nunca pensei ir, sem mim,
e odeio-te por não me teres levado contigo.
Odeio-te pela doçura dos teus beijos,
pela suavidade do teu toque na minha pele,
odeio-te por toda a tua delicadeza que me iludiu.
Eras aquilo que eu nunca pensaria encontrar
e agora sei que jamais serás tu.
O tempo passa e faz me odiar-te mais e mais,
por me teres dado tudo,
por me teres roubado tudo...
deio-te porque do nosso sonhos fizeste um pesadelo.
Odeio-te porque um dia te amei demais.....
publicado por Lazy Cat às 2013-06-06 09:21:50
a facilidade com que se mente, omite e adultera deliberadamente a verdade para ficar melhor na fotografia. imagino que nunca tenham ouvido dizer que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo ou que não lhe passe pela cabeça que um dia lhes farão o que agora andam de ânimo leve a fazer. O que é seu a seu dono, já o disse várias vezes e acontece sempre!
a necessidade de vigiar os passos do outro. da outra. o viver num sobressalto constante sem certezas. mas ainda assim ir lá, querer ver, perceber, analisar. o escolher viver assim e passar pelo tormento diário de abrir uma página seja de Facebook ou de outra rede social qualquer ou até de um blog e ver, assim, logo de manhã, tudo aquilo que jamais teriam desejado saber.
porque perco tempo com estas coisas. talvez deixem completamente de ser importantes se as disser. escrever é entregar ao papel... :)
don't I ?
publicado por Lazy Cat às 2013-06-05 17:13:35
é desta! é desta que me entrego, por inteiro e fico por aqui
no calor do teu sorriso, no sentimento que tens por mim
é desta que acaba a guerra e me deixo descansar em paz
na casa sonhada dentro do pinhal e com o mar lá atras
é desta que me esqueço de me lembrar de outros dias
e faço de ti a verdade das minhas loucas fantasias
é desta que perco o tino e nem por sombras me arrependo
te entrego tudo quanto sou e me descobres os segredos
é desta, já te disse, é desta que (des)atino, e sossego
no fundo dos teus olhos escuros, que são tudo quanto quero!
publicado por Lazy Cat às 2013-06-05 17:02:27
Ambos sabíamos que havia de ser assim. Por mais que a vida nos separe, há sempre algo que nos prende, algo que nos atrai e algo que faz com que hoje, amanhã ou qualquer outro dia seja um dia difícil de gerir porque falta o outro. Durante muito tempo ficava muito zangada quando me diziam que eu sentia falta era da presença, mais do que da pessoa e que em breve isso passaria. Hoje sei que tinham parcialmente razão. (Mas ainda sei que me fazes falta) Falta a presença, a certeza de que há ali alguém que nos quer bem, mesmo quando as coisas correm mal. Falta a presença física, falta o calor, faltam os mimos e até as coisas menos boas parecem, por um tempo, melhores do que a falta. Depois, apesar de nunca estarmos muito tempo afastados, apesar de fisicamente distantes, até uma guerra qualquer era melhor que nada. E chegou o dia em que a guerra cansou e passámos a não ter saudades da guerra, a não ter mais espaço para o outro, para aquele outro que nos ataca e agride e que, mesmo sabendo que não é aquilo que pretende dizer abre a boca e diz as farpas, as facas, as espadas que se enterram profundamente na carne e no coração do outro. E depois, vem a calma. E dura o tempo que é possível durar. Nem mais, nem menos. Dura o tempo certo em que o afastamento é melhor e mais calmo que tudo o resto, e dura até ao dia em que, apesar de se terem dito e feito os maiores disparates, apesar de se ter jurado que nunca mais, as saudades do sorriso, da mão, as saudades daquele olhar tomam conta da nossa vida por inteiro e até a guerra, os disparares e até as faltas de respeito são melhores do que este nada, esta calma em que se não adormece a pensar no outro, já não é aquele sorriso que se procura de manhã na cama mas, de alguma maneira, ao longo de cada um dos nossos dias, aquela pessoa vem ter connosco e há um aperto no coração que custa mais do que respirar e negá-lo e negar as saudades custa mais do que se pode admitir e então…procura-se em que está quem se foi e não volta e, como não podia deixar de ser, nunca, por mais que se queira, é ali que se encontra. Multiplicam-se os olhares, as mãos, os corpos. Multiplicam-se as seduções, os jogos, e não se encontra em mais ninguém o que aquele sorriso, aquelas mãos e aquele braço nos dão, sempre nos deram, e sabemos que nos darão quando nos voltarmos a encontrar. E porque a guerra são intervalos entre tempos de paz, dá-se tempo ao tempo sabendo que o dia está para chegar em que só haverá espaço para quem nos ama e tudo o resto será, apenas Amor. E isso é quanto basta.

