publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-25 00:20:10
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Joanina
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Joanina "avoa", "avoa"!!! :)) Os vôos de uma Joanina.
Nome
Paula
Apelido
B.
Data Nascimento
29-06-1965
Sexo
F
Localidade
California
Frase Favorita
Eu poderia suportar, embora nao sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enloqueceria se morressem todos os meus amigos. Vinicius de Moraes
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-25 00:20:10
"Lá em cima há planícies sem fim
Há estrelas que parecem correr
Há o Sol e o dia a nascer
E nós aqui sem parar numa Terra a girar
Fotografia de Col. Chris Hadfield.
publicado por magnolia às 2013-05-24 13:39:14
De um dos melhores filmes Sofia Coppola, Lost in Translation.
Vale a pena ouvir e já agora rever o filme.
Ou ver para quem ainda não viu.
publicado por magnolia às 2013-05-24 10:57:39
descobri que tenho o vicio de ti.
descobri que me estás tão entranhado na pele
como está a nicotina nos dedos dos fumadores.
e a minha boca sofre na tua ausência,
adoece
e perde o sorriso nas gavetas da saudade
depois, o sol pôe-se sem a promessa de voltar.
apenas fica a névoa que tudo cobre.
as ruas, os beirais das casas onde moram os pássaros
e até o sorriso das crianças
que de mão dada com a avó
passeiam o cão ao entardecer.
cláudia moreira
Há espaço para as emoções(...)
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-24 00:13:03
Já dizia o outro que la donna e mobile e só por essa graça de contradições, que nos faz tão intrigantes e sedutoras, pode no Torrada morar Ennio Morricone com Robin Thicke. Quem conhece já não estranha, é a mesma casa onde os Metallica bebem um copo com Débussy, os The Cure fazem cafuné ao Charles Aznavour ou o Jorge Palma conta anedotas cabeludas à Nina Simone ( e isto só para cuscar alguns, não vos falarei agora das rambóias que vão nos outros andares desta casa. Vá lá a gente fiar-se em artistas ).
(...)
OK now he was close, tried to domesticate you
But you're an animal, baby it's in your nature
Just let me liberate you
Hey, hey, hey
You don't need no papers
Hey, hey, hey
That man is not your maker
Hey, hey, hey
(...)
publicado por magnolia às 2013-05-23 18:28:01
Azoriana - Terceirense das rimas
publicado por Azoriana às 2013-05-23 13:38:26
publicado por Azoriana às 2013-05-23 08:11:20
Lembro que pela efeméride açoriana religiosa, o mesmo que dizer, os 150 anos da freguesia da Serreta (em 2012) fui autora de algumas quadras a pedido da comissão da festa. Uma delas com destino aos carros alegóricos do Bodo de Leite, da terça-feira, rezava assim:
A Relíquia do Queimado
E a Mata soberana
São nosso pulmão sagrado
Da paisagem Açoriana.
Atualmente, maio de 2013, passando na mesma paisagem que é a Mata soberana, um pouco antes de chegar ao coração daquela Mata, encontra-se uma verdadeira devastação feita por máquinas cuja condução é a mão humana e a orientação privada ou pública (nem sei bem). Quase que não reconheço, à passagem, aquela zona nua de arvoredo e cheia de restos mortais arbóreos. Tal como eu, muitas pessoas se interrogam sobre este efeito visual. Certamente que não o fizeram por mal mas fica muito mal a quem vê e sente tristeza por ver a devastação daquele pulmão sagrado, dito por mim mesma.
A minha esperança é que volte à terra o que da terra foi arrancado, i. é., volte a replantar-se a imensidão de verdes que coroam aquela zona da ilha - a noroeste. Levará algum tempo a ver-se o novo efeito. Dói muito olhar o atual efeito… Restos de paus por todo o lado num emaranhado que até assusta o transeunte mais sensível.
Quando uma árvore chora
No colo da humanidade
Aos céus nossa alma implora:
Quando virá a novidade?!
A novidade da terra
Floresce em cada canto,
Mas se lhe fazemos guerra
Perde todo o seu encanto.
Minha terra sem arvoredo,
É um manto sem valores,
Digo isto por ter medo
De o perderem nos Açores.
Junto à Mata da Serreta
O pulmão da nossa ilha
Surgiu nova valeta
Uma chaga na estampilha.
Cuidem bem do verde ilhéu,
Cuidem bem da natureza:
É ela que se ergue ao céu
E lhe sorri com beleza.
Angra do Heroísmo, 23 de maio de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Azoriana - Terceirense das rimas
mais uma quinta de maio ((...)
publicado por Azoriana às 2013-05-23 08:06:46
não sei se é estado geral mas os dias não estão para muita atividade. a passagem do estado de frio para uma véspera de calores ilhéus faz com que o corpo entre numa moleza que só levita com uma boa chávena de um café matinal. hoje nem me apetece erguer muitas teclas no início da frase em cada parágrafo. os trabalhos do quintal da casa da azoriana estão a quebrar toda a réstia de forças que ainda podem encontrar-se num corpo que aparenta a expressão “nem tudo o que se vê combina com o que se tem”. quando caio na horizontal mais cedo que o habitual entro num estado que pode cair a casa que nem noto, salvo seja. os rituais matinais e ao longo do dia tendem a cair na rotina, exceto quando há alguma novidade de última hora. aposto que a vizinhança já conhece todas as voltas e reviravoltas do trabalho doméstico exterior à morada permanente. aborrece-me sentir-me como que à mercê dos olhares alheios. aborrece-me ter de me comportar de forma a não arregalar nenhum olhar estranho. enfim, mais uma quinta de maio com um quintal à prova de visitas domiciliárias. raramente as tenho mas importa agradar, sobretudo, aos conviventes diários. nada como olhar à nossa volta e acertar em cheio no paraíso terreno, sem ervas daninhas, sem montes de desperdício, sem restos da última cavadela. a fogueira no recipiente próprio para tratamento dos desperdícios fez-se com calma e descontração. a mangueira fez verter o líquido que acalma o fogo relativamente manso. as narinas é que sabem. de resto, hoje é mais uma quinta de maio, a penúltima do mês. dou comigo a pensar que falta apenas um mês para o estado de repouso ferial. umas férias vinham mesmo em boa altura para apreciar o trabalho dos fins das tardes com cheirinho a calores ilhéus. lembro que o mar deve estar como azeite tal como o vi no passado domingo no regresso a casa. nem uma onda bulia. ah! quase me esquecia de anotar: o que semear nos dias vespertinos dos calores ilhéus?! as couves já estão maduras. os tomateiros já se acomodaram à nova terra. as malaguetas vão pelo mesmo critério. as ervilhas ainda não vislumbram o ar livre. as batatas começam a surgir à face da terra. os feijões mantém-se no subterrâneo. as minhas flores (uma experiência nova) ainda não deram sinal de florescimento. sinto-me enfadonha, calma e sem vontade para soltar um “ai”. só penso no que o SAPO irá pensar sobre um artigo neste estado de tédio. mas porquê, senhor?! só pode ser do calor ilhéu rodeado de uma imensidão anil líquida e salgada que convida a um bom banho (quer dizer, só uma molha de pés porque o meu corpo não sabe boiar)… e vem aí mais uma proximidade com a caridade da Trindade ilhoa. fico-me por aqui e perdoem se não vos atender nalgum chamado instantâneo. está tudo bem e não venha pior que os títulos de caixa alta das notícias de mais uma quinta de maio. tal pena não inventarem que as letras maiúsculas podem ser abolidas. dá menos trabalho e poupa-se a tecla do “shift”. bem-haja quem atura um parágrafo deste tamanho. boa noite!
Ennio Morricone por Yo-Yo(...)
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-23 00:07:16
publicado por magnolia às 2013-05-22 13:05:37
A propósito disto devo dizer que apesar do assunto ser delicado e apesar de eu estar absolutamente a favor da luta de todos os que ganham o nosso vergonhoso ordenado mínimo, não posso deixar de louvar a atitude empreendedora do Martim e de achar que a Raquel Varela, não deve saber o que é não ganhar NENHUM dinheiro. Quem tem bocas para sustentar tem que ser muito ponderado na sua luta. É injusto, mas é o que temos no momento. Lutar sim e sempre, mas com assertividade.
Além disso, que culpa tem o Martim do estado do país? Ela nasceu há 16 anos, não contribuiu em nada para o estado caótico em que nos encontramos, e, pelo que está a fazer, está a ajudar a fomentar a economia. Muito melhor atitude do que o resto dos miúdos (e graúdos) que mesmo desempregados e contas para pagar se sentam no café a tarde toda ou andam a pedinchar carimbos, nunca perguntando por trabalho.
Estou com o Martim.
publicado por magnolia às 2013-05-22 11:55:13
Começa hoje o Black & White - Festival Internaciona de Audiovisual, na UCP - Escola das Artes e eu vou lá estar! :)
Assim, deixo aqui a programação do dia 1.
Competição vídeo 1
(Hoje às 22:00)
“WARMTH” – Victor Asliuk - ESTREIA NACIONAL
(Bielorrússia, documentário – 20:00)
“THE FEAST” - Boris Seewald - ESTREIA NACIONAL
(Alemanha, experimental – 3:24)
“FOR THOSE WHO STAY” – Vasco Mendes
(Portugal, experimental – 3:26)
“NEST” - Tornike Bziava - ESTREIA NACIONAL
(Geórgia, ficção – 19:00)
“FROM DAD TO SON” - Nils Knoblich
(Alemanha, animação – 5:16)
“LOOKING FOR SOMETHING (PART ONE: A WINTER VISIT)” - Fjodor Donderer - ESTREIA NACIONAL
(Alemanha, experimental – 12:30)
(ENTRADA LIVRE)
Ver mais aqui.
Azoriana - Terceirense das rimas
publicado por Azoriana às 2013-05-22 08:25:03
Ainda sou do tempo que havia uma espécie de solidariedade campestre. Hoje meu, amanhã teu ou vice-versa. Havia uma entre ajuda simpática e altruísta. Tanta vez que nos emprestavam uma vaca para que se fizessem sementeiras perante um sol que penetrava um corpo tolhido por um inverno húmido e enregelado. Antes de sairmos para as terras, forrávamos o estômago com o alimento encorajador e seguíamos canada abaixo rumo ao cerrado com todos os apetrechos necessários para lavrar (o arado), alisar (a grade), fazer rego e semear (ver imagem). O Calçado também ia todo feliz para ficar a guardar as alfaias agrícolas do seu dono. O Calçado foi o cão que ficou residente na minha memória de uma infância que hoje compreendo que foi feliz, pese embora alguns solavancos naturais.
Voltando à vaca… Cabia a mim a tarefa de ir à frente da vaca para que o trabalho ficasse perfeito e alinhado, não fosse o animal (que era deveras pacato) enveredar por algum atalho desfavorável a uma sementeira de milho e feijão para sustento anual. Confesso que esta tarefa nem sempre me causava bons resultados: uma vermelhidão acompanhada de alguma coceira era o habitual. Os mosquitos gostavam da minha pele alva e ferravam a sua mordidela. De volta a casa, subindo a ingreme canada com um cansaço notório, chegava ao final da mesma via a custo mas era uma alegria quando os pés cheios de terra fresca tocavam o caminho de asfalto, sinal de que a moradia estava mesmo ali pertinho.
Comparando com as tarefas da atualidade não há comparação. Tudo se faz recorrendo a maquinaria de salve-se o esqueleto a favor do mecanizado. Claro que esta evolução é muito favorável ao homem num sentindo mas por outro deixa morrer uma aventura agrícola e uma ginástica laboral diferente.
Uma coisa que me dá bastante pena é que na altura daqueles trabalhos campestres não foram captadas quaisquer imagens para recordação futura. Gostava de rever-me nesses assados que hoje não passam de miragens de um tempo que não volta atrás.
O que eu queria, no fundo, trazer a texto era o facto de haver entre ajuda familiar e da vizinhança ou de um punhado de amigos que se prestavam a colaborar nas tarefas campestres. Sinto saudades e falta desse movimento pessoal cujo resultado era apenas e somente o saber que se podia contar com um amigo. Hoje se quisermos fazer algo há que ter verba para surtir o sucesso final do que quer que seja. É pena.
Angra do Heroísmo, 22.maio.2013.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S.: Rima da minha alma...
Quando a prosa toma conta
Do meu vasto escrever
Algum tédio em mim desponta
Galopando todo o meu ser.
Quando a rima se esconde
Na margem da minha escrita
Sabe-se lá porquê e onde
Anda a musa favorita.
Prezo tanto minha raiz
Na escrita que vem pura:
De rima sou mais feliz
No verso que dá cultura.
A cultura da Terceira
Faz-se em qualquer freguesia
Voa livre na Bandeira
Com asas de poesia.
Azoriana - Terceirense das rimas
publicado por Azoriana às 2013-05-22 08:05:56
Com a falta de assunto que impera volto-me para o estado corrente. Quem viu o meu quintal há cinco anos e o vê nesta data (2013-05-22), dia de um aniversário que me deu a oportunidade de ter a primeira afilhada, fica como que a pensar: - Nem parece o mesmo!
É verdade. Antes mal tinha lugar para se pôr um pé e agora pode até andar-se descalça na relva aparada e com um estendal de roupa regalada com a proximidade dos dias quentes.
Moral do artigo: Nada se faz sem trabalho e é o trabalho que faz sentirmo-nos úteis e realizados. Quem o viu e quem o vê seria um bom título para um filme de uma vida cujas personagens podem ser igualadas a tantas outras que sabem que para ter é preciso fazer.
Cavar, alisar e plantar a terra é uma boa terapia anti insónia com efeitos secundários nos sonhos temperados pelo cheiro de terra cavada.
Conclusão: Enquanto o esqueleto permitir e os ossos não fraquejarem façamos algo que alegre o olhar de quem vê o nosso produto final de um pedaço de quintal.
A natureza também agradece mesmo que por vezes venham forças destruidoras inesperadas.
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-22 00:17:43
Nos primórdios da minha peregrinação como leitora, quando não ia em demanda de algo pré-definido, a capa era o primeiro factor de atracção na hora de escolher o livro. Contudo, reconhecia-lhe a mera qualidade de isco porque logo passava ao título, o elemento mais decisivo. Achava eu que o título seria a mini-amostra do que estava no interior e dele aventurava-me a aferir o género e até o enredo principal quando era mais composto. Se continuasse em dúvida, atentava no nome do autor que carregava então o ónus de desempatar a mente baralhada. De nomes nada sabia, acreditava sim que as palavras e os nomes encerravam a verdade, o que estava à vista era o que era, sem jogos ou subterfúgios. Na minha crença, um bom escritor tinha por força que ter um nome bem soante e inteligente. Deveria parecer importante se a sua reputação também o fosse, às vezes seria familiar, ah parece que já ouvi falar deste, tinha sido pronunciado ou escrito algures e isso garantia que era mesmo bom. Nomes estrangeiros ou com pronúncia estrangeira ganhavam pontos logo à partida e nem me vou demorar aqui porque ainda hoje não tenho argumentos que validem esta arcaica preferência, resolvida entretanto ao longo da caminhada. As afinidades ainda não estavam estabelecidas mas também não procurava iluminar um pouquinho as salas escuras da minha ignorância perguntando a alguém mais experiente nas leituras o que achava deste ou daquele autor. Longínquas eram ainda as terras "googlianas".
Raras vezes o desempate precisou de prolongamento mas este vinha nas badanas ou na contracapa . O único factor que não entrava nas apreciações era o volume do livro. Muitas ou poucas páginas não tinham significado particular para mim.
A esta distância, condescendo. Passo a mão pela minha cabecinha de antanho e sorrio, "trenga, isso passa". E aqui apercebo-me da minha arrogância. O que é que legitima este ar de superioridade?
Posso munir-me de revistas literárias e recensões críticas tantas vezes injustas e outras tantas pessoais, politizadas ou belicosas, posso estar atenta ao que se diz na televisão e na rádio, frequentar feiras ou festivais literários, aceitar sugestões dos amigos, posso agora "googlar" e navegar mas, na verdade, é impossível que algo ou alguém esteja a par de todos os talentos e de todas as obras meritórias que andam por cá longe de holofotes e pareceres públicos. E ainda bem. Seria castrador limitarmo-nos ao que se conhece.
Portanto, ponho-me num contexto onde não tenho acesso a outra informação que não a que eu própria posso sentir e intuir, não há livreiro informado nem acesso à net, não vim com a amiga sabichona e não procuro nada em concreto, escolherei livros e autores de que nunca ouvi falar, aqueles sobre os quais nunca e nada se escreveu, os que não foram traduzidos, estreias literárias que passaram invisíveis, os géneros que ainda não conheço, enfim, eis-me num confronto acanhado de escalas, a da minha pequenez com a da infinitude da arte escrita. E pergunto-me: como escolho? Até agora já concluí que no momento de comprar não é o título que revela a qualidade do que vai escrito nas folhas, que o nome do escritor não tem que ter luzes e foguetes e que o que vem na contracapa e nas badanas só me serve se se tratar da breve biografia do autor ou excertos do livro que tenho na mão. Qualquer outra informação pode ser ornamental, é relativa e pode manipular-nos. Parecem conclusões tontinhas mas só o são porque reconheço a longa peregrinação que me falta ainda cumprir.
Como escolho, então? No primeiro coup d'oeil pelo título e pela informação útil que possam generosamente ter escrito na capa mas, logo em seguida e sobretudo, pela leitura de alguns parágrafos ou versos em folhas sorteadas. É a bagagem que entretanto vou acumulando como leitora de textos e da vida que me dá armas para escolher com mais critério e reduzir um pouquinho a percentagem de falhanços.
Se a bagagem é importante nisto de escolher livros é-o para podermos reconhecer uma escrita promissora para os gostos de cada um em dado momento, que parece ir de encontro às nossas peculiaridades como leitores. E isto não se pode saber antes de ler, muito e errar, muito mais, porque é nestes erros que cabe também a surpresa, a curiosidade, o virar caminho, a experimentação, a remissão, a paciência, a procura e o encontro.
A esta distância, passo de novo a mão pela minha cabecinha de antanho e sorrio, "não deixes nunca de errar, trenguinha, é tão chato termos tantas certezas".
Um bolo que faz qualquer (...)
publicado por Moira às 2013-05-22 00:10:58
Desta vez e na sequência da minha colaboração com o substituto de sal Bonsalt trago-vos um bolo que faz qualquer um feliz, desde que goste de chocolate, é claro. E porque um dia não são dias, um aniversário é sempre um bom pretexto para se fazer um bolo especial.
A receita foi ligeiramente adaptada de um livro já bastante antigo de uma conhecida marca de adoçantes e realizada, a pedido, para o aniversário de duas grandes amigas minhas, mãe e filha que fazem anos no mesmo dia.
Bolo Mousse de Chocolate
Ingredientes:
Para a Massa
Para a decoração
Preparação do Bolo:
Bater as gemas com o açúcar até dobrar o volume e adicionar a farinha, mexendo apenas para envolver.
Derreter o chocolate partido em pedacinhos com a manteiga, 1 minuto no micro-ondas na potência máxima, mexer com uma vara de arames e se necessário colocar mais 10 segundos, mexer até o chocolate estar todo derretido.
Adicionar o chocolate derretido às gemas.
Bater as claras em castelo com uma pitada de Bonsalt e envolvê-las com uma espátula no preparado anterior.
Levar ao forno quente em forma untada e polvilhada com cacau.
Deixar arrefecer um pouco e desenformar.
Deixar arrefecer completamente antes de decorar.
Preparação da cobertura e decoração:
Derreter o chocolate, 1 minuto no microondas, juntar o café, mexer para envolver e verter apenas no centro do bolo, espalhando ligeiramente com as costas de uma colher.
Pôr framboesas a toda a volta do bolo, colocar as restantes espalhadas por cima do bolo e decorar com as folhinhas de hortelã.
Nas manhãs submersas pela(...)
publicado por magnolia às 2013-05-21 14:18:22
Para relembrar os dias maravilhosos que passei a caminho de Santiago...
Nas manhãs submersas pela neblina, sou feliz
Ouço os meus passos, um depois do outro, cadenciados
Olho as paisagens que se descobrem aos poucos
As árvores acordam com os meus passos
Sinto o cheiro a terra húmida a impregnar o ar
Também o cheiro da resina perfuma a Terra
Percebo o silêncio a ser quebrado pelo chilrear dos pássaros
Ouço o som da água a cair por entre pedras e terra
Sinto a frescura da manhã azul na pele e na alma
Os meus passos levam-me para a frente, sempre para a frente
Depois o sol, tímido, a aparecer devagar lá ao alto
Sinto-o derramar a sua luz nas montanhas e nas pedras
E o seu calor em mim e em todos os homens da Terra
Caminho sem esforço mesmo carregando o peso da vida.
Sou feliz numa simbiose perfeita com a natureza pulsante
Sinto-me muito viva e o sangue a corre-me nas veias, célere
Impossível travar o sorriso que se me desenha nos lábios
Dentro de mim um lago sereno de sentimentos apaziguados
Mais um passo e outro e outro e depois outro.
Tantos passos e não sei quando chegarei ao destino.
Mas que importa o tempo? Nada. Não importa nada.
No Caminho o tempo não existe, nem precisa.
Não há pressa de chegar.
Dentro de mim vive a certeza de que chegarei. E basta-me.
Enquanto isso, em cada passo, sou feliz por pertencer à Terra.
cláudia moreira - escrevi estas letras quando cheguei do Caminho Central de Santiago em 2010
Para ouvir com atenção e (...)
publicado por magnolia às 2013-05-21 14:03:26
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-21 13:06:11
"Cósimo, arúspice decrépito e manhoso, levantou a cabeça enrugada e fez-me um meneio, desconsolado, indicando que aquelas entranhas nada prenunciavam de bom. Não era a primeira vez. Nunca me recordo de o velho Cósimo ter extraído das vísceras dum animal prognósticos de tempos felizes. Que será isto nos homens que se prezam tanto de ser portadores de más notícias? Por que é que o anúncio da desgraça lhes vai mais natural e lhes confere maior gáudio? Talvez porque as infelicidades sejam mais facilmente confirmáveis pela vida e perduráveis na memória... No entnto, pensando bem, tudo isto, em si, não tinha grande importância. Tratava-se apenas dum rito, dum simulacro, de gestos consagrados."
Mário de Carvalho, Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde - Edit. Caminho, 12ª ed. (Fev. 2008).

publicado por magnolia às 2013-05-21 11:07:57
De 22 a 25 de Maio na Universidade Católica do Porto, decorre o Festival Internacional de Audiovisual Black & White.
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-20 20:57:55
Indesculpável é o facto de eu ainda não ter torrado algo sobre este senhor, Chris Hadfield e o seu blogue que só agora conheci.
Dá um apertozinho no peito ver estas imagens e ouvir estas palavras tão bem cantadas.
Como em tudo que é bom, mais vale tarde que nunca.
E há sempre boas razões para voltar também a David Bowie.
Fnac sim, Fnac não, Fnac (...)
publicado por magnolia às 2013-05-20 13:43:21
...e depois de auscultar o meu publico no Facebook parece que será Fnac sim! :)) Regulamento aqui. Participa tu também:)
http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt
O MEU ABRAÇO! - Em treze (...)
publicado por poetaporkedeusker às 2013-05-20 13:17:20
Poemas, em clandestino,
Irão ter um bom destino
Que não a velha gaveta
E eu vou tendo bons motivos
Para os conservar bem vivos
Pois não são coisa obsoleta…
Sei que os devo partilhar
Por isso não vão ficar
A enfeitar-me a mesinha
Ou a servir de suporte
Pr`a caneta ou pr`ó desnorte
Que de nós já se avizinha,
Mas, assuntos pessoais
Ou questões menos banais
Ficam pr`ó espaço concreto
Da conversa pessoal,
Olhos nos olhos, falando,
Esclarecendo e questionando
Como faz qualquer mortal…
Se a ligação se mantém
E caso eu me sinta bem
Porque a saúde melhora,
Decerto vos deixarei
Uns poemas que criei
Como o que publico agora
Mas, de momento, o que faço
É deixar um grande abraço
E o meu agradecimento
Neste Horizontes da paz
Que tanta falta me faz
E que aind`hoje sustento
Meu sorriso, persistente,
Mostra bem que estou consciente
Da decisão que tomei,
Mas a minha gratidão
Não se esgota nesta acção
De dizer o que pensei
E friso; só a presença
Pode fazer a diferença
E garantir que isto mude
Pois mantenho, com firmeza,
Que tenho toda a certeza
Das razões desta atitude
Mas não estando bem segura
De que a “coisa” tenha cura
Sem nenhuma explicação,
Dir-vos-ei que, inversamente,
Só me darei por contente
Se descoberta a razão
“Do outro lado da estória”!
Tenho paciência e memória
E aguardo, muito serena,
Sem guardar qualquer rancor
As presenças que melhor
Mostrem que valeu a pena
Invadir privacidades,
Sugerir prioridades,
Impedir publicações
Sem perguntar-me, sequer;
- Amiga, pretende, ou quer,
ouvir as minhas razões?
Não conheço, à “estória”, a fonte
Mas tendo um largo horizonte
De suspeitos desta “acção”,
Decidi que, desta forma,
Tendo o silêncio por norma,
Não entro em contradição
E mantenho o meu juízo
Porque dele muito preciso!
Faz-me falta, dá me jeito
E produz, naturalmente,
Sonetos e sono justo
Que outros tantos só a custo
Alcançam, mesmo à tangente…
Doente - mas bem-disposta! –
Sei bem que ninguém desgosta
De conhecer a razão
Que levou esta poeta
A tornar-se tão… “secreta”
Por auto preservação!
Maria João Brito de Sousa – 18.05.2013 – 21.26h
publicado por magnolia às 2013-05-20 11:50:19
imagem retirada da net
como sei que é amor?
simples.
o que sinto por ti
já não me cabe no peito.
transborda,
galga estradas,
leva tudo à frente até ser rio,
depois, um gigantesco oceano azul.
isso e a tremura indisfarçável nos meus lábios
no segundo exacto que antecede o nosso beijo.
cláudia moreira
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-20 08:34:30
publicado por Moira às 2013-05-19 23:07:13
O convite que recebi da Vaqueiro para participar no World Baking Day, evento que eu desconhecia, foi o pretexto para fazer um bolo que ainda não tinha experimentado, mas que já tinha provado faz tempo, e se a memória não me falha, feito pela Margarida.
"O World Baking Day, que se assinala a 19 de Maio, é uma iniciativa mundial que tem como objectivo incentivar a agarrar nas varetas e na batedeira e encorajar as pessoas a fazer um bolo."
Quanto à receita ela foi improvisada a partir da leitura de várias receitas de Crumble Cakes mas que não seguiu nenhuma delas à risca, sendo a fusão de várias delas. O resultado é bastante interessante, fica uma base fofa e um topo crocante.
Bolo Crumble de Mirtilos
Ingredientes:
Para o Bolo
Para o Crumble
Preparação:
Comece por preparar o crumble misturando todos os ingredientes do crumble que devem ser trabalhados com a ponta dos dedos até ficarem com aspecto de pequenas migalhas. (Na Bimby/Thermomix, coloque todos os ingredientes no copo e programe 10 segundos)
Coloque numa caixa e reserve no frigorifico enquanto prepara o bolo.
Entretanto bata a margarina com o açúcar e a raspa de limão até obter um creme esbranquiçado, adicione os ovos, um a um batendo bem a massa entra cada adição.
Por fim adicione a farinha misturada com o fermento em pó, alternando com o iogurte.
Numa forma com aro amovível, forrada com papel vegetal, untada e enfarinhada, deite metade da massa, espalhe por cima os mirtilos e deite por cima a restante massa. Polvilhe com o crumble e leve ao forno quente durante 30 a 40 minutos, verique se está cozido com um palito, se sair seco o bolo está cozido.
Retire e deixe arrefecer antes de desenformar.
Coloque num prato e decores com alguns mirtilos e folhinhas de hortelã.
Notas: A vaqueiro líquida pode ser substituída por manteiga ou por outra margarina.
Os mirtilos podem ser substituídos por outra fruta a gosto, de preferência fresca, pois a congelada larga muito líquido.
Se não gostar pode omitir a canela, e se preferir pode substituir a amêndoa moída por coco ralado.
O iogurte também pode ser substituido por leite.
A Vaqueiro líquida usada na receita foi gentilmente oferecida pela marca, especialmente para participar no World Baking Day.
publicado por magnolia às 2013-05-18 10:48:29
Azoriana - Terceirense das rimas
publicado por Azoriana às 2013-05-17 13:24:39
Muito antes de a crise-fobia começar já a sentia no meu lar. Fomos todos passando pelos anos fora e, inevitavelmente acabaram por sentir todos a mesma crise-fobia no estado concreto e absoluto. Ao invés de sobrar uma réstia de esperança para o mês seguinte falta um tanto ainda antes de virar a folha do calendário. Fazem-se contas, continhas ao mínimo e às “pretinhas” que possam ter ficado “entaladas” na carteira e, no fim, o resultado é nulo. Estica-se o sabão, o rolo do papel higiénico, o leite, o pão… a roupa vai até ganhar algum buraquito (com remendo), o calçado anda até gastar a sola, não se desce à baixa citadina para não se ver montras desmaiadas pelos nossos olhares que vão de passagem e nem lhe atiram piropos, nem tão pouco saem do lugar e ficam até desbotar no desânimo total.
Afinal a culpa nem está solteira. Junta-se às modernices de um tempo sem tempo para nada. É a máquina de lavar em vez da pia, é o carro em vez das pernas, é o sofá em vez do ar livre, é as prateleiras do hipermercado em vez das prateleiras domésticas com o fruto da terra, é a caixa de leite em vez da teta da vaca, é a caixa dos ovos em vez da capoeira e da galinha poedeira, é a máquina da terra em vez da enxada de olho… Já não se querem envolver de terra, monda e do cheiro da terra cavada…
Afinal estamos todos a ver o resultado duma evolução sem boa orientação porque não quiseram seguir os conselhos dos que hoje sofrem muito mais a sua própria derrota.
Vejam-se, nas horas de ponta, os engarrafamentos de viaturas congestionando as rotundas na fúria de chegarem antes que o “badalo” do portão lhes impeça a entrada ao serviço diário. Vejam-se os rostos de poucos amigos, os tiques, os dramas que aglutinam nas depressões psicológicas de um punhado de transeuntes esbaforidos sem saber como contornarem mais um dia de vida e sustentarem as bocas racionais e irracionais de moradias permanentes e decadentes...
E mais não escrevo para não ter de ouvir a retórica de que é preciso lutar contra o mal e alto falar o que de bem se tem ou faz, sempre com cara de anjo num ninho de abnegados servidores do vil metal que foi a nossa verdadeira ruína.
Tivessem feito bem a conversão e o equilíbrio do ter e o dever.
Posto isto, tenham bom fim-de-semana prolongado graças ao Divino Espírito Santo, ao domingo de Pentecostes e à segunda-feira da pombinha que são o exemplo da devoção, fé, partilha do pão, carne (nalgumas localidades) e vinho, o apregoar de alfenim e rosquilhas de massa sovada, o salivar de salgadinhos e outros doces que enfeitam as mesas do nosso 1º Bodo, o sétimo domingo depois da Páscoa. Deus será sempre o nosso melhor amigo!
Angra do Heroísmo, 17 de maio de 2013. Rosa Silva ("Azoriana")
publicado por Moira às 2013-05-17 00:10:22
Já todos devem saber que eu não sou fã de dias disto e dias daquilo, no entanto compreendo que cada vez mais é necessário criar um dia específico, para em conjunto chamar à atenção da população em geral, para um determinado assunto. Neste caso eu diria que é um problema e afecta um enorme número de portugueses.
Hoje é o Dia Mundial da Hipertensão, e segundo dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, mais de 40% dos portugueses sofre deste mal. Só na minha família tenho 5, por isso há que ter cuidados redobrados, nomeadamente: reduzir o sal, controlar os valores da tensão arterial, praticar algum exercício físico, comer mais fruta e legumes, e nunca stressar, em resumo adoptar um estilo de vida mais saudável para assim contornar algumas maleitas.
Apesar de nem todos os casos de hipertensão serem derivados da alimentação, há no entanto uma clara relação entre o consumo de sal e o aparecimento da doença.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo de sal recomendado por adulto deveria ser de 5 g diários ao invés dos 10,7 g que consumimos e no que toca às crianças, os números então são assustadores, pois consomem 4 vezes mais que a dose diária (3 g) recomendada, há por isso que reflectir sobre o assunto e começar por alterar hábitos.
Bonsalt é um bom aliado dos hipertensos, por isso, neste dia da Hipertensão, nada como um receita sem sal, onde o sal convencional é substituído por Bonsalt. Escolhemos uma receita mais saudável, não deixando no entanto de ser apelativa à vista e ao palato.
Peito de Frango Grelhado com Couscous e Molho de Citrinos
Ingredientes:
Para o molho
Preparação:
Misturar todos os ingredientes do molho e reservar.
Temperar os peitos de frango com Bonsalt, os dentes de alho laminados, um terço do molho de citrinos e deixar marinar pelo menos 30 minutos.
Grelhar o frango numa chapa quente.
Entretanto preparar colocar o couscous numa taça, deitar por cima a água quente com uma colher de café de Bonsalt e duas colheres de sopa do molho de citrinos, mexer e reservar tapado por 5 a 10 minutos. Soltar os grãos do couscous com um garfo, rectificar temperos se necessário e colocar uma porção no centro dum prato, colocar o peito de frango grelhado por cima e decorar com salada a toda a volta e algumas folhas de manjericão. Regar o frango e a salada com o restante molho e servir de imediato.
Notas:
O molho de citrinos foi baseado no molho elaborado no workshop que o substituto de sal Bonsalt ofereceu no Kiss the Cook há alguns meses atrás.
Pode substituir o couscous por outro acompanhamento mais a gosto, mas não prescinda da salada.
O substituto de sal Bonsalt usa-se da mesma forma que o sal marinho, no entanto por ser um sal à base de potássio não deve ser consumido por pessoas com problemas renais ou doentes cardíacos de longa data, pelo que deve consultar sempre o seu médico antes de usar, este ou qualquer outro produto.
http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt
publicado por poetaporkedeusker às 2013-05-16 16:42:02
(Soneto em decassílabo heróico)
Naquilo em que acredito, eu acredito!
Na minha pequenez de entendimento,
Sei muito bem que quase nunca hesito
Porque aquilo que sei tem bom sustento
No pouco que já li, de quanto é escrito!
Se contraria alguém, muito o lamento,
Mas não retiro um “nada” ao que foi dito
Pois, crescente de força e de argumento,
A palavra abre em flor, se tem razão,
Florescente de cor, não se abre em vão,
Se afirma o necessário àquele instante
E procura, entre vós, terreno são
Se lança umas sementes pelo chão
E cala a voz deixando eco constante!
Maria João Brito de Sousa – 16.05.2013 – 15.56h
Desenho da série "Desenhos da Prisão" de Álvaro Cunhal. Imagem retirada da net via Google
publicado por magnolia às 2013-05-16 15:32:05

imagem retirada da net
Sem ideias para escrever alguma coisa de jeito, desato a escrever coisas sem nexo, ao sabor do pensamento e que vou apagando de seguida com medo que alguém as veja e me julgue louca. Pensando melhor, talvez seja interessante o exercício de não apagar. A partir deste momento desisto de carregar no delete e vou deixar que a mente vagueie e passe aos dedos o que surgir. Coisa parva, estão já a pensar. Eu também acho mas até ter uma ideia decente fico-me pelas coisas parvas. Este exercio começa agora:
Tenho frio aqui sentada e não me apetece estar aqui onde estou. A janela que não abre aprisiona-me, sufoca-me, impede-me de viver. Pelo intervalo da persiana vejo o céu cinzento recortado por casas velhas. Acabou de passar um guarda-chuva. Não vejo a chuva cair mas sinto-a pelo frio que passa por debaixo da porta, pela cor escura que entra pela janela que não abre. Está um bom dia para ficar em casa no sofá. Gostava de voltar a ter tempo para ler. Como antes. Horas e horas a ler, por vezes até acabar o livro, mesmo que não jantasse ou jantasse de livro ao lado, mesmo que entrasse pela noite dentro, mesmo que só terminasse pela manhã. Lembro-me que quando era mais nova, antes de ser adulta, naquela fase em que se devora o mundo, eu devorava os livros. E era tão bom poder perder-me nas histórias que não eram a minha. Sempre tive essa capacidade de me embrenhar nas histórias, de quase as viver como as personagens. Era uma forma diferente de viajar pelo mundo e pelo tempo. Já fui ao passado assim. Já fui ao futuro. Já fui velha e já vivi no Cairo e já viajei no Expresso Siberiano.
Aqui só vejo gente que passa e cara triste. Já ninguém sorri para ninguém, nem sequer para si próprios.
Daqui a pouco vou lá fora. Preciso de respirar. Aproveito e tomo um café. Que seria de mim sem a cafeína? Também hei-de ir ver os livros expostos no supermercado. Já sei que não vou comprar. O mais certo é que nem tenha nenhum do meu agrado. Já raramente compro livros. Estão tão caros…
A janela continua ali.
Suspiro.
Que ideia esta de nos fecharem num escritório o dia todo…
Não sei quem a teve, mas mais valia que nesse dia tivesse estado como eu estou hoje, sem ideias!
tema da semana: sem ideias

