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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 14:40:38
Capítulo 13
Samantha andava às voltas pelo quarto que lhe tinha sido designado para ficar. Sabia que em poucos minutos teria que se apresentar a Raj como Samuel, para o pequeno-almoço, mas também estava consciente de que o rei esperaria a presença da rapariga que julgara morta. Como é que ia fazer aquilo? Não se conseguia desdobrar, não conseguia ser duas pessoas ao mesmo tempo.
- Seja o que Deus quiser… - murmurou, arranjando coragem e saindo do quarto.
Caminhou pelos caminhos do palácio sob o olhar atento dos soldados por quem passava, e apenas rezava para que nenhum deles sentisse a falta de Samuel durante a refeição. Quando finalmente chegou ao salão onde as refeições e os banquetes eram feitos, viu que já todos lá estavam. Os soldados enfardavam toda a comida que conseguissem enfiar na boca, especialmente Eresm e Quorq, enquanto Irinoi e Raj conversavam sobre os eventos da noite anterior; William estava entretido a conversar com mais um grupos de soldados, e a rainha e as princesas estavam mais recolhidas, perto do trono.
- Oh, Samantha! – Exclamou Irinoi, ao vê-la chegar – Mas… estás com o vestido do baile de ontem?
Ela engoliu em seco.
- Pois é que… não tenho mais nenhum – disse, só depois apercebendo-se do que tinha dito – Quer dizer, aqui. Não tenho mais nenhum aqui. Porque tenho imensos vestidos.
- Então, já que cá vais ficar uns tempos, talvez o melhor fosse arranjarmos-te algo das minhas filhas, que pudesses usar, ou…
- Gostaria de ir à cidade, e comprar alguns. Se não fizer mal – interrompeu ela, sorrindo-lhe. O rei, porém, não pareceu gostar muito da ideia.
-Não sei se será boa ideia. Depois da visita do… nós bem sabemos quem, talvez o melhor fosse ficares dentro do palácio, em segurança – opinou ele.
- Vossa Majestade, com todo o respeito, mas eu sou uma convidada no seu palácio, não uma prisioneira. Além de que as roupas das princesas são demasiado para mim. Bem sei que nasci na nobreza, mas asseguro-lhe que sou bastante simples. É apenas por algumas horas.
- Se me é permitido, comprometo-me a acompanhar a lady nas compras – disse Raj – E levo os meus dois melhores homens connosco. Ela não correrá perigo, Majestade.
- Esta rapariga é como família para mim – disse Irinoi, agora para Raj –, e já pensei que estivesse morta uma vez. Se algo lhe acontecer, Deus me ajude, vou culpá-lo a si e aos seus homens. Diz-lhes para se prepararem. Quanto a ti, Samantha, compra o quiseres, e diz apenas para porem na conta da Casa Real.
O comandante fez uma vénia antes de se afastar e foi ter com os restantes soldados, que conversavam com o príncipe.
- Algum de vocês viu o Samuel? – Perguntou, despertando a atenção de William.
- O soldado que nunca tira o elmo? Esse? – Questionou ele.
- Esse mesmo, príncipe William. Viu-o?
- Sim, a sair do palácio, bem cedo. Disse que ia conhecer a cidade.
- Hum… - Raj deu meia volta e dirigiu-se a Eresm e a Quorq, que ainda devoravam a comida como se o amanhã não fosse existir – Preparem-se soldados. Vêem aquela dama ali? Vamos escoltá-la pela cidade enquanto procura roupas. Partimos em pouco tempo.
***
- Então e este? É bonito? – Opinou Quorq.
- Não… demasiado elaborado – descartou Samantha.
Estavam no meio da cidade, no mercado, a ver as bancas e a comparar os tecidos e os cortes e os folhos e as rendas. Passaram à próxima banca, e sempre que andavam Raj caminhava ao lado de Samantha e os outros dois seguiam mais atrás.
- Tem bom gosto – elogiou o comandante, referindo-se às roupas que ela já tinha comprado –, isto claro se me permite a ousadia.
- Por favor, não é ousadia nenhuma – para ela era estranho tê-lo a falar assim consigo quando estava habituada às ordens e aos incentivos e gritos de guerra.
- Esses são vestidos do género dos que a minha irmã gostava de usar – voltou ele a comentar.
- Não sabia que tinha uma irmã, comandante.
- Como haveria de saber? Conhecemo-nos ontem.
Ela riu.
- Tem razão.
Mais atrás, os dois soldados iam comentando o que viam. Os risos do comandante, a maneira como eles remexiam as bancas, tudo.
- Está a ficar apanhado por ela – disse Eresm – Nota-se logo pela baba que lhe escorre da boca.
- E podes culpá-lo? É bem bonita ela – dizia Quorq.
E assim continuaram a visita pelo mercado, que durou toda a manhã e parte da tarde.
Quando regressaram ao palácio Samantha pediu para ficar sozinha e foi deixar as coisas ao quarto, onde vestiu a armadura e colocou o elmo, respirando fundo. Saiu apressada, depois de verificar que ninguém a via, e quando ia a fazer a curva embateu em William, que seguia para o quarto da rapariga.
- Will – sussurrou ela, despertando-lhe a atenção.
- Ah, és tu – disse ele – O que é que estás a fazer com isso?
- Sou ambas as pessoas, lembras-te? E hoje o Samuel ainda não apareceu sequer. Tenho que ir jantar assim.
- Mas o pai mandou-me vir buscar a Samantha.
- A Samantha está cansada da caminhada e adormeceu, percebido? Se ele a quiser acordar, relembra-lhe que ela passou por muito, conta-lhe a história triste da vida dela, e pronto. Agora vamos jantar.
William revirou os olhos e seguiram os dois para junto dos outros. Já todos estavam sentados à mesa, e nela estava um grandioso banquete, como já era habitual.
- Ah, Samuel! – Exclamou Eresm.
- A Samantha adormeceu. Coitada, está exausta da visita à cidade – disse William, ao que o rei assentiu.
- Então, o que andaste a fazer o dia todo? – Perguntou Quorq a Samantha – Não me digas que foste ver as meninas?
- As meninas?
- Aos bordéis – esclareceu Quorq.
- Ah… sim, foi isso que aconteceu. Sabem como é, não me queixo mas… uma guerra estraga um homem… - murmurou Samantha, fazendo os outros rir – Peço desculpa, comandante, por não ter avisado a minha deslocação. Não voltará a acontecer.
- Não, não voltará – disse Raj, com um tom seguro – Mas agora junta-te a nós, come.
Comentem, e quem ainda não leu a DDO força (:







