Resumo de um campeonato: (...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-19 22:16:58
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Resumo de um campeonato: (...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-19 22:16:58
O primeiro golo do Porto foi perfeito para lançar a frase resumo deste campeonato: quem com ferros mata, com ferros morre (lembram-se do xor capela, vermelhuscos?). Foi ainda muitíssimo interessante perceber o balão de esperança de 6 milhões de crentes no Paços de Ferreira. De facto, a ingenuidade não para de me surpreender - parece que não aprenderam nada com o Paços de Massamá. Resumindo e baralhando, a arrogância dos vencedores pré-anunciados terminou como merecia – derrotada e humilhada.
publicado por bolaseletras às 2013-05-18 23:02:06
Há fotografias que inexplicavelmente nos fascinam. A de cima, desenquadrada, aparentemente vazia de conceitos/objectos/imagens que permitam classificá-la como bela, perturba-me. Olhei, olhei e não percebi porque me deixei tocar pela estranha combinação de elementos que nela habitam. Que força é esta que a decadente combinação de cores e motivos exerce sobre mim? Voltei à imagem alguns dias depois e compreendi. Os olhos, os dois olhares, o de papel e o real. Os olhares, não sendo iguais, transmitem a mesma sensação. Como se por trás daqueles dois pares de esferas vítreas residisse uma qualquer certeza inabalável que se traduz numa indiferença olímpica, num vislumbre de desconcertante desprezo. Pausa.
Paro e olho melhor, mais fundo, mais dentro dos olhos. Vendo melhor, há naqueles olhares algum receio, uma certa dose de perplexidade, um conjunto de dúvidas que estão por colocar mas que suspeitamos nunca verão a luz do dia. Amanhã volto, parece-me que ainda não vi a luz que me faça desvendar este inexplicável fascínio.
Fotografia de Albert Jodar
O ilimitado imaginário fe(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-17 18:33:09
Miles Aldridge fotografou entre 2005 e 2012 o universo feminino, desde modelos a donas de casa convencionais. As mães perfeitas, as domésticas irrepreensíveis, as divas dos nossos sonhos, mulheres afundadas nas suas fragilidades ou olhando para nós lá de cima, da torre de cristal do seu mortífero glamour.
A maldição de não querer (...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-16 10:43:05
Sim, um belo jogo do Benfica onde foi quase sempre superior ao Chelsea. Faltou-lhe superiorizar-se na eficácia e no sangue frio, mas isto de sermos latinos (latino-americanos, no caso da equipa da Luz) não é só vantagens, também tem outras consequências. Isto é, em termos de espectáculo o Benfica deu um show fantástico ao nível de um Cirque de Soleil, mas esqueceu-se de verificar se tanta cor e magia seriam suficientes para pagar a despesa, e neste caso não foram. Não querendo entrar em análises aprofundadas sobre o jogo, deixo apenas uma reflexão – descontando Garay, será que Luisão e o resto da defesa garantem consistência suficiente para jogos europeus? Será que a facilidade com que Torres desfeiteou Luisão no primeiro golo, ou a forma como Jardel não conseguiu voar sobre os centrais, deixando ao invés que Ivanovic o sobrevoasse calmamente para o segundo golo não são explicações plausíveis para o desfecho final da contenda europeia? Ou preferem continuar a culpar a maldição do malogrado bella Gutman?
publicado por bolaseletras às 2013-05-15 17:14:19
Já fui jovem e inocente, de coração puro e generoso. Já fui ao aeroporto de madrugada, acompanhando vermelhuscos amigos, para celebrar o empate do Benfica em Leverkusen (o famoso 4-4 da patada atómica do Abel Xavier). Com os anos, a inocência vai-se perdendo, percebe-se que isto de ser um tipo porreiro e solidário com os restantes clubes portugueses nas competições europeias raramente é acompanhado pelas contrapartes. Não deixo de preferir que Porto e Benfica façam boa figura internacionalmente, mas não deixo também de usar as suas derrotas para “partir a cabeça” a amigos de outras cores que não deixam de o fazer comigo. Porque tenho bons amigos benfiquistas que sei serão mais felizes hoje ao final da noite se o Benfica ganhar, desejo boa sorte a essa boa gente (os amigos, não os representantes e jogadores dessa agremiação). Dificilmente conseguirei ver o jogo, mas como realmente me preocupo, deixo aqui um estudo científico que um amigo plantou por terras do Facebook, que expressa uma sincera preocupação com a saúde física e mental desses meus bons amigos.
<<Um estudo revela que o uso excessivo e injustificado das palavras "carrega" e "reservado" provocam estados de grande ansiedade seguidos de profunda depressão, sendo responsável por um aumento significativo no consumo de medicamentos anti-depressivos e de casos de violência doméstica. No seguimento destes estados depressivos e de ansiedade é também notório um incremento repentino na dimensão encéfala, o que provoca dor e enxaqueca, podendo eventualmente resultar em torcicolos graves. São também muito frequentes as alucinações coletivas, podendo ser imaginadas festas que ninguém conhece, passando as pessoas a viver em função disso (ex: "Amanhã não posso sair com vocês porque vou para a festa no Marquês").>>
Fonte: Jornal do Sistema
Apesar do sol, nem tudo brilha
publicado por bolaseletras às 2013-05-13 17:53:58
Com um fantástico dia como o que hoje tivemos, em termos de intensidade do sol, do azul do céu e da escassa roupagem com que as mulheres, sim, sobretudo as bonitas, se passeiam pelas ruas, apetecia-me tudo menos vir falar de trabalho. Mas tenho que deixar aqui escrito para memória futura duas das principais e marcantes características negativas que tanto contribuem para não sairmos da cepa torta: Ei-las, para mal dos meus pecados:
- A lata, a latosa, a falta de vergonha de tanta irritante figura que se senta numa cadeira, rodeada de outras pessoas e perora sem parar sobre assuntos que não percebe, opina sobre matérias que domina tanto como o Peseiro domina a arte de de não morrer à beira da praia, gente que desconhece o enorme valor do silêncio, sobretudo quando nada de jeito tem para dizer.
- A persistente e insistente habilidade para cometer sempre os mesmos erros. Por mais que batam com a cabeça na parede, sempre na mesma parede, hão-de voltar lá, a marrar com os cornos na mesma esquina, no mesmo doloroso cimento. A vontade de aprender com os erros terá ficado danificada com tanta cabeçada???
Do melhor que o futebol j(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-12 21:40:38
Porto 2 - Benfica 1; Spor(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-11 23:07:22
Quando entrou Rodderick disse que Jorge Jesus, como tantas outras vezes, optava por defender o resultado cedo demais quando tinha o resultado a seu favor. Depois disso, tinha à sua frente 25 minutos que podiam ditar como ficaria conhecido na história do futebol: o génio da táctica, ou o tacticista amedrontado. Vitor Pereira meteu Liedson, JJ apostou em Rodderick. O povo, na sua eterna sabedoria, diz que quem não arrisca não petisca. Sentiu-se um Porto relativamente dominador na primeira parte, mas muito receoso dos contragolpes do Benfica. Se Jesus tivesse arriscado mais um pouco teria aproveitado essas dúvidas da equipa portista, mas como em tudo, é preciso ambição, determinação e crença. Faltou isso e uma mãozinha do Capela que hoje ficou por casa.
Não comecei pelo meu Sporting porque sei reconhecer que não merecemos lugar de destaque. E sabem que mais? Já há umas semanas que alimento a ideia que seria preferível para o clube que a equipa não vá à Europa. Porque temos que começar do zero, temos que estabilizar e recuperar o clube financeiramente, esquecendo durante 2 ou 3 anos a pressão dos resultados. É preciso que Bruno Carvalho tenha a inteligência e a coragem de dizer claramente aos sócios que é esse o objectivo principal, que esqueçam os resultados por um triénio. Sobretudo, é preciso que saibamos uma vez gostar do clube também com a cabeça e não só com o coração. Ah, e para finalizar, seria muito importante que Carvalho percebesse o que lhe disseram os sócios hoje quando aplaudiram fortemente o Professor Jesualdo Ferreira: este sabemos que é competente, sabe trabalhar com miúdos e é 100% sério. Não saber negociar e ceder, levando à saída de Jesualdo, poderá ser um passo demasiado arriscado para um presidente que precisa ainda de provar tudo.
O terrível dilema de Irin(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-10 18:03:17
A felicidade numa caixa d(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-09 18:13:12
No bairro dos Olivais, onde eu e muitos mais crescemos e aprendemos a ser homens, tipos decentes e preparados para as alegrias e as agruras da vida, na rua, na calçada e na relva em frente a nossas casas, deixou de se ouvir o riso descontrolado de crianças rebeldes, silenciou-se a bola a bater nas vidraças e na chapa dos carros, trocaram-se os joelhos esfolados pelo silêncio órfão de alegria. Para combater isto ou, mais provavelmente, para fins eleitoralistas, constrói-se agora no espaço selvagem onde fomos felizes um daqueles modernos e assépticos campos de basquetebol. A coisa mexe comigo e com os amigos de hoje e de então, resumindo-se na seguinte conversa, bem reveladora das capacidades inatas e inimitáveis dos olivalenses, capazes de debater as profundezas da condição humana sem perderem contacto com o cheiro da relva molhada:
- Epá, mas o que é que se passa com o nosso bairro, que história é esta do basket estar a ganhar terreno ao futebol? Mas estes gajos acham que esta merda é o Bronx?
- Não é por aí. Nós também tínhamos campo de basquete (uns cestos manhosos e ferrugentos) à porta de casa, só que transformámos os postes em balizas (o saudoso jogo do poste - valia um golo quem acertava com a bola no poste, 2 pontos no aro, 3 o cesto com o pé) e não deixávamos de jogar à bola. Devia haver filmes desses tempos, porra.
- Estes gajos agora fazem estas merdas para, com alguma razão, chamar os putos a brincar na rua, para ver se largam as consolas, as wi e as playstation. Podiam era construir este mono noutro sítio.
- Isso não é desculpa. Com tanta relva que ali há…nós nunca precisámos de balizas e cestos para ir para a rua. Nós éramos 10 numa caixa de sapatos.
“Nós éramos 10 numa caixa de sapatos”, provavelmente a frase resumo de toda uma feliz geração. Tantas palavras para chegar aqui, ao “nós éramos 10 numa caixa de sapatos”.
p.s. - Um obrigado ao amigo FL pela reveladora fotografia.
As guerrinhas do alecrim (...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-08 18:27:56
As guerras, físicas ou ideológicas, terão nascido, em tempos imemoriais, para alcançar um ou outro objectivo, mais ou menos louvável. Depois há aquelas guerras absurdas, que nascem da estupidez humana e que encontram terreno fértil na malícia ou no desconhecimento, por quem as cria, de para onde se deve caminhar. Este maldito anátema que lançaram sobre os funcionários públicos portugueses, essas árvores daninhas que lançaram as raízes para a dívida, para os milhares de quilómetros de alcatrão improdutivo, aqueles malandros que acharam que isso de utilizar o dinheiro europeu para reestruturar a economia, para apoiar e investir em empresas que produzissem bens transacionáveis eram meras balelas, esses sacanas que gizaram como estratégia de um país erigir novas e luxuriantes habitações para os seus concidadãos adquirirem com o dinheiro que os bancos pediam lá fora, esses salafrários que torraram o dinheiro que deveria ter servido para nos qualificar em acções de formação de fantochada, esta excomunhão que lançaram sobre os meus ombros e dos meus colegas servidores públicos é a marca de imagem de um país, de um governo, que não sabe para onde ir e que, por essa mesma razão só procura bodes expiatórios para queimar na fogueira da ignorância. Espero sinceramente que os filhos destes que nos odeiam nunca precisem de um educador de infância e de um professor do sector público, que um enfermeiro e um médico do SNS nunca lhes faça falta, que tenham sempre acesso a empresas privadas que lhes garantam a segurança sua e dos seus. Não quero com isto desprezar a importância de se reformar e racionalizar o estado e de lhe eliminar as já famosas gorduras (sou um acérrimo defensor disso), nunca defendi a manutenção de desigualdades ou privilégios injustificáveis face ao sector privado, quero apenas informar a nação que não é com ódio que se ganha a razão, não é com vinagre que se apanham moscas. Pronto, saiu-me de sopetão, já aliviei um pouco.
publicado por bolaseletras às 2013-05-07 20:27:19
O sonho de muitos, o Santo Graal de artistas e filósofos ambiciosos – ir para além das portas da percepção, eliminar os limites com que algo ou alguém decidiu domar o homem, fechar-lhe os horizontes, condicioná-lo nos seus sonhos mais loucos. Sair de nós e do que sabemos, esquecer toda a aprendizagem e procurar caminhos nunca antes explorados. Tudo isto, não concretizado, facilmente se confunde com generalidades oníricas embrulhadas em belas palavras. O segredo para a nova estrada não o terei eu e duvido que alguém detenha essa ansiada sabedoria. Sei apenas que a busca não poderá omitir o que hoje somos, que uma nova forma de viver terá de passar por mais humanidade, laços mais reforçados e alargados, talvez a expansão dos tradicionais núcleos familiares para tribos renovadas por mais saudáveis expressões do amar. Um novo molde no barro de como viver será um potencial caminho para o descerrar das portas. Tudo isto são palavras, pistas, reflexões incompletas e que pecam pela ausência de um fio condutor. Pensar sobre isto é já espreitar pela frincha da porta entreaberta.
Benfica 1 - Estoril 1 (li(...)
publicado por bolaseletras às 2013-05-06 22:31:14
Teme-se que um país já perto da falência possa entrar brevemente em depressão profunda. Quando o Marquês estava já reservado após as artes circenses do Senhor Capela e apesar do espírito desse mesmo artista ter andado hoje, mais uma vez, pelo relvado da catedral (um penalty a favor do Estoril metido no bolso do Senhor Baptista, um fora de jogo que daria golo certo para os canarinhos sacado da cartola do mesmo apitador), eis que um brilhante Estoril, com um inteligentíssimo treinador, deu uma lição de bem jogar a um incrédulo Jorge Jesus. Aliás, no final do jogo Jorge Jesus escondia o quão transtornado estava, atrás de afirmações pouco convictas de que iria às Antas ganhar o campeonato. Para a semana, no estádio do Dragão, desejo sinceramente que ganhe quem conseguir ser melhor. Só tenho pena que este meu desejo dificilmente se vá concretizar pois suspeito que será novamente o árbitro a decidir o jogo. Resta saber para que lado.

