Levanta a cabeça princesa(...)
publicado por sonhosdeumarapariga às 2013-05-24 22:35:36
Quando o meu patrão não abre a boca para me corrigir ou criticar fortemente, até é um fofinho e diz muitas coisas que fazem todo o sentido (pronto e quando me corrige também sei que é porque me quer ver evoluir e quer a empresa a funcionar pelo melhor).
Numa das últimas conversas que tivemos ele procurou explicar a teoria de que nos devemos rodear de pessoas positivas. Começou por preferir que uma palavra dita jamais volta atrás, quis com isto dizer, que aquelas pessoas que têm sempre uma palavra negativa para nos dar, são capaz de destruir toda a luta que travamos diariamente para estarmos bem. Acrescentou, ainda, que nos devemos afastar de pessoas assim, uma vez que começamos a entrar numa onda de negativismo que termina numa bola de neve que apenas atrai outras tantas coisas negativas.
Eu concordei com tudo o que ele disse. E quase me saiu algo como: "E se essa pessoa for a nossa mãe?"
Se não fosse a necessidade de demonstrar que eu sou uma boa pessoa, dedicada, interessada e que tenho todo um conjunto de qualidade que interessa a qualquer empregador, gostaria mesmo de ter lançado esta questão. Gostava de saber o que aquelas palavras tão acertadas, que ele sempre tem, me iram responder. O que diria ele que defende a relação com os pais acima de tudo. Que aprecia a mulher na sua plenitude e a coloca no trono pela capacidade que esta tem de conceber.
É que são tantos os dias (quase todos) em que eu saio, em que me rodeio de pessoas com as quais me sinto bem, em que tenho um dia de sucesso no trabalho, que fazem com que chegue a casa leve, para logo após, se abater sobre mim um peso. Sempre por sua causa. Ora mais um queixume, ora mais uma comparação com a colega XPTO, ora mais uma lamentação, ora uma reclamação, ora... BOLAS! Não me lembro de receber dali uma palavra de incentivo, ou de encorajamento. É sempre a deitar abaixo, sempre a rebaixar, como se todos os outros fossem melhores que eu (e pena que ela faz o mesmo com o meu pai, mas esse assunto dava panos para muitas outras mangas...).
Olho à volta e vejo tudo tão diferente. Pais que apreciam os filhos, pais orgulhosos com as suas pequenas conquistas, pais que lhes dão as mãos e os puxam para cima.
Hoje fui ajudar uma amiga numa atividade de estágio curricular que ela organizou e quase me emocionei ao olhar à volta. Para além de mim ela pode contar com a ajuda dos pais, do irmão e da prima. Percebi que apesar de todo o trabalho que teve, a atividade tinha sido criada com a ajuda de todos e que no próprio dia, lá estavam eles novamente para a ajudar. Apesar de expetante em relação a este novo desafio a que se propôs, estava também calma, porque sabia que alguns das tarefas que eram necessárias executar, estavam a ser realizadas por aqueles que lhe querem melhor.
São estes gestos que tornam tudo diferente. Dão-nos confiança! Ajudam-nos a triunfar! E parece que deste modo o caminho é criado mesmo em frente dos nossos pés e que basta avançarmos passo por passo até começarmos a alcançar os nossos objetivos.
Eu apenas pude contar com cobranças e palavras proferidas de que a vida não é fácil e que tenho que me aguentar. E aguentei-me! E continuo a aguentar-me! E ando de cabeça erguida e demonstro a qualquer empregador que sou uma boa aposta, mesmo depois de me ter deixado ir abaixo durante o curso e de ainda não ter recuperado de tal... e mesmo assim cá em casa serei sempre a ovelha negra que em vez de ajudar os pais e desatar a comprar tudo e mais alguma coisa, anda a juntar dinheiro e já tem mais dinheiro junto que eles (coisa muito fácil de se atingir). Vai-se lá saber para que é que ando a juntar dinheiro... é que o meu trabalho (leia-se prestação de serviço paga à hora consoante as necessidades da empresa) termina em junho e vai-se lá saber quando encontro algo que me permita ganhar mais uns trocos, já para não falar do meu carro que de novo já nada tem e que cada vez mais se torna um requisito na busca de emprego, e mesmo que assim não seja, eu preciso de me deslocar, que os transportes daqui, para além de caríssimos são escassos e cobram pouquíssimas zonas.
É... eu apesar de me sujeitar a fazer qualquer coisa (mesmo que odeie de morte o trabalho e só me apeteça chorar durante as deslocações até ao mesmo - refiro-me essencialmente às promoções), na esperança vã, de juntar algum dinheiro, que me possa ajudar a construir algo ou a colmatar uma necessidade futura, continuarei sempre a ser uma ranhosa egoísta que para aqui ando! E voltaram a aparecer novamente, aqueles dias, em que eu não entendo mesmo porque raio fui nascer...
Às vezes sinto uma vontade tão grande de baixar braços, de parar de lutar, para passar a entrar em processo de destruição.




