publicado por Celinne Marie às 2013-06-18 18:12:09
perfil público
Failariël
Seguir Perfil »Nome
Victor
Apelido
Gomes
Data Nascimento
19-05-1993
publicado por Celinne Marie às 2013-06-18 18:12:09
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-18 13:44:46
Comprei no Clube Fashion um voucher para uma consulta styling por 14 euros. A esta hora ainda podem aproveitar a campanha. É essencialmente para quem tem muita roupa e não sabe o que vestir. Tipo, para metade do mundo feminino. A sessão inclui um lookbook (com sugestões de looks para o dia a dia). Sempre tive curiosidade em relação ao funcionamento destas consultas. Espero trazer boas dicas para o meu dia-a-dia porque estou farta de abrir o armário e pensar “tanta roupa e nada para vestir”. Junto o útil ao agradável, matar a curiosidade e aprender alguma coisa.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-18 13:42:00
Eu e a Keep Calm And Write vamos ao lançamento do livro da Bárbara Guimarães. O livro reúne trinta entrevistas de artistas portugueses. Saramago, Valter Hugo Mãe, Pepetela, Gonçalo M. Tavares. Fiquei interessada neste livro assim que vi o anúncio do mesmo. Tem Saramago, eu quero. Adoro livros com entrevistas a escritores.
Dentro de dias haverá passatempo no blogue com oferta deste livro. Também vou fazer vídeo para falar um bocado das entrevistas e da edição.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-18 13:41:05
Metade dos alunos disse que o exame foi fácil. No meu tempo até suávamos. Hoje em dia não é igual, mas o alívio é maior. Valeu o esforço, valeu a pena estudar para um exame enfrentar. Os alunos estão indignados, acho muito bem que lutem pelo que têm direito, enfrentem o sistema com muito respeito. Saiu Fernando Pessoa para celebrar os 125 anos do poeta. Dá cabo da cabeça de quem estuda, estou certa. Parabéns pelo esforço, a todos os alunos que se aplicaram, o vosso futuro não está garantido, ficam avisados.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-18 10:32:27
As fashionistas estão a comprar as alpercatas todas do Pão de Açúcar/Jumbo. Custam cinco euros, existem em diversas cores e são super estilosas, como andam a divulgar por aí. Aliás, quem comprar três está no auge do estilo. E ainda poupa vários euros para beber café e fazer madeixas loiras. Ter estilo é saber juntar peças baratas com peças baratas. A Zara é barata. Não é? A Dolce e Gabbana é cara. Não é? A Cristina Ferreira usa, mas as fashionistas acham que ela não tem estilo. Estilo têm elas que usam Zara e compram alpercatas no Jumbo, misturam tudo e ficam um má-xi-mo queridas. Más-línguas não chegam a contas bancárias. Adiante, não quero ficar para trás no sistema da moda porque a moda é super mega importante na vida das pessoas. Aliás, no meu funeral o representante da Mango vai vestir-me da cabeça aos pés. Vou linda para o inferno. Cheia de pinta com alpercatas do Jumbo. As pessoas acreditam em tudo o que lhes dá jeito à carteira, não condeno. Posso ser sincera? Deixa estar. Daqui a uma semana vou ter um par nos pés, vou rir-me da minha figura. Um riso sem mexer os lábios por causa das rugas.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-17 19:09:53
Tenho links de alguns blogs na barra inferior da página. Também uso o The Old Reader para substituir o querido Reader do Google. Uma porcaria. A página nunca actualiza os blogues, marca como lidos os blogues que ainda não li. Sinto-me injustiçada. Parece que vou ter de voltar ao modo antigo, ter os links no blogue. O Reader era perfeito, com a sua partida destruiu o meu mundo organizado da blogoesfera. Estou extremamente desolada e com mais tempo para ler outras coisas.
Fotografa a comida, depoi(...)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-17 17:00:16
Estou para descobrir o fascínio português de tirarmos fotos a comida. Mais estranho ainda é a publicidade aos perfumes.
Diariamente vejo fotos de comida. Eu própria tiro fotos à comida. Por vezes, esqueço-me. Quando me lembro só restam as migalhas. Não sei qual é o objectivo. Talvez colocar água em bocas alheias. “Toma toma, estou a comer isto enquanto tu estás a comer sopa ou peixe cozido com batatas”. Não sei muito bem qual é a ideia. Talvez seja só para mostrar que somos pessoas de bom alimento, por sua vez, pessoas dadas ao trabalho. Quem come bem, é bom para trabalhar. É o que diz a minha mãe. Não! Já sei! É para verem que somos mulheres prendadas e tratamos bem o marido. Também já ouvi dizer que um homem seduz-se pela boca. É assim, não é? É para provar às outras mulheres, as mulheres sempre elas, “sou uma dona de casa excelente, o meu marido é mais feliz que o teu”. Não sei, sou eu a divagar. Talvez nos achem pessoas dadas à vida boa. “Aqueles é que sabem viver”.
Adoro divagar. Adoro comer. Adoro fotografar coisas. Os pratos elaborados são os meus preferidos porque dão uma foto mais bonita. Dispenso ver fotos de pão com manteiga ou cereais chocapic. Juro que as há. Gosto de saber o que os outros comem, mas evito fotos dessas quando estou em crises de ansiedade. Há que ter cuidado, né? Ver fotos de vernizes não me dá vontade de pintar as unhas como se não houvesse amanhã. Ver fotos de comida dá vontade de comer. Dá vontade de ir a um restaurante. Dá vontade de abrir o frigorifico e comer tudo. Falo por mim. Quando vejo fotos de comida só penso “ando eu a comer atum com batata”. A comida é um dos melhores prazeres da vida. Os olhos também comem, a barriga começa a resmungar. “O que faço para o jantar?
publicado por C. às 2013-06-17 15:46:05

A três exames fui, na época normal, a três exames chumbei. Venham os recursos e mais duas semanas de comer e dormir mal.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-17 13:47:20
Gosto de comprar congelados. Pela facilidade de cozinhar, pelo pouco tempo que gasto à hora de almoço. Sobretudo por isso. Obviamente, que não troco um prato cozinhado na hora por um congelado mas às vezes a minha hora de almoço pede um congelado. Compro imensas lasanhas, rissóis, filetes de pescada e douradinhos. Tento evitar as refeições pré-congeladas. Não sou compradora de bacalhau com natas congelado, mas já comi frango com caril e arroz. Existe cada vez mais produtos à nossa escolha. Ótimo. A confusão com a lasanha e a carne de cavalo mexeu comigo naquele tempo mas passou. Aliás, já nem me lembrava.
Recentemente, descobriram que o bacalhau com natas do Jumbo não tem bacalhau, tem peixe-caracol, é proibida a sua venda em Portugal. Acho hilariante este tipo de coisas só serem descobertas agora. Os produtos alimentares não passam por certificados de qualidade? Aqueles carimbos na caixa que nos transmitem segurança em relação ao que estamos a comprar são falsos? Onde está o erro? Nas fábricas ou na fiscalização das mesmas? Os supermercados não sabem aquilo que vendem? Onde começa o perigo? Inúmeras questões podem ser levantadas.
Preferia ter uma horta e gado mas na minha varanda não tenho espaço. A minha hora de almoço também não me deixa ser original na hora de cozinhar. O meu bolso não me deixa ir comer a um restaurante todos os dias. A vida é a correr. Tentamos confiar, como dizem as músicas da publicidade, mas cada vez é mais difícil sabe o que andamos a comer. Está complicado. A mentira devia ser condenada, não basta retirar os produtos e fazer notícia. Alguém devia responder por isto.
publicado por Bolacha às 2013-06-17 12:37:07
Para responder às questões das duas pessoas e meia que se interessam no que eu estou a fazer para tornar a minha vida num pedaço de existência menos rudimentar do que aquilo que tem sido nas últimas duas décadas, eu podia continuar a contar a história de como a necessidade de concluir a minha licenciatura eterna de três anos que já vão em quatro se transformou no meu primeiro trabalho remunerado. A minha intenção, como boa filha que sou, era chular os meus progenitores durante os meses de Julho e Agosto – tal como chulei o Estado Português nos últimos dezasseis anos para obter a formação que me vai permitir descontar para a segurança social alemã. Nesses dois meses, tentaria passar despercebida num canto de um gabinete ou onde quer que ocupasse menos espaço, eu não sou desdobrável, como aquelas bicicletas engraçadas que alguns professores transportam pelos corredores da faculdade, mas contava que o meu potencial para a invisibilidade aumentasse com a redução de volume que dois meses sem ninguém que cozinhasse para mim iria provocar (e vai, esta merda é um axioma). Agarrada ao meu computador, ia absorvendo informação e olhando para máquinas novas e muito brilhantes para depois escrever sobre isso, usando palavras compridas, estrangeirismos coquetes e fórmulas obscenas, combinação que se quereria perfeita para mais de uma dúzia de créditos com nota generosa.
O grande corta-tesão da história é que eu não sei como é que isto aconteceu, devo ter adormecido com os pés para a cabeceira da cama, entrado numa espécie de twilight zone e no dia a seguir tinha um mail todo pimpão e em inglês cuidado com uma lista de documentos para colecionar, tipo pókemons. Já tenho uns quantos, apanhados entre a lezíria e os pastéis de nata e guardados na minha super pokébola, que é uma mica de plástico velha que eu encontrei no necrotério de disquetes cá de casa. Os mais difíceis esperam-me na hostilidade de uma terra estranha e pressupõem reuniões com pessoal dos recursos humanos, que consta não saberem falar inglês tão bem quanto o meu total desconhecimento da língua alemã desejaria. Tenho a certeza que vai ser um (dos muitos) episódio giro para contar; é verdade aquilo de que os meus dois leitores e meio desconfiam: este blogue vai transformar-se num diário de bordo para bem da minha sanidade.
If everything was this simple.
publicado por C. às 2013-06-17 10:46:21
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-16 21:07:54
O Miguel já tinha sugerido a ideia num jantar em minha casa mas ninguém fez caso. Depois da leitura do livro "O Clube dos Poetas Mortos" fiquei com vontade de criar o meu próprio Clube de Leitura. Hoje, quando estávamos a beber chá decidi perguntar ao O Informador e ao Miguel o que achavam da ideia de termos um Clube de Leitura. Eles aceitaram! A ideia é escolher um livro por mês de acordo com um tema sugerido para o mês em causa. Vamos começar em Julho, o tema é Literatura Angolana. O livro escolhido foi "A Vida no Céu", o seu último lançamento. A ideia é lermos o livro durante o mês de Julho e juntarmos-nos para debatermos a leitura. Mais que isso, é criar um ambiente confortável, com boa bebida e comida e falarmos em livros. Lermos poesia, quem sabe. Ler textos escritos por nós. E claro, em conjunto descobrirmos novos autores. O encontro será filmado (em principio) e colocado no canal A Mulher Que Ama Livros. Quem quiser participar também o pode fazer, basta ler o livro escolhido e participar no debate com comentários, vídeos, textos. Estou feliz! Vou ter o meu Clube de Leitura.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-16 21:05:08
publicado por Bolacha às 2013-06-16 19:07:49
Soube que ia passar o Verão a estagiar num instituto alemão na véspera do dia do pai. Era uma manhã pouco oportuna em que a minha cabeça tentava decorar pormenores irrelevantes para a minha busca pelo sentido da vida, mas de suma importância na obtenção de uma nota catita na frequência que ia fazer no dia seguinte. A manhã transformou-se rapidamente numa tarde ansiosa, com a minha figurinha nervosa a esperar a chegada da alma santa que me ia orientar no estágio. Quando cheguei a casa nessa segunda-feira, tardiamente e depois de quatro telefonemas e outras tantas mensagens excitadas, com o estudo de véspera de frequência condenado ao esquecimento, pus o meu avô a chorar.
Até há duas semanas, o momento em que vi as faces curtidas do meu velhote a contorcerem-se sob um par de lágrimas grossas tinha sido o único em que me apercebera do peso do meu currículo aceite. Nem quando, num sábado de manhã, fui acordada por uma mala de viagem nova, arremessada pelo meu pai da porta do quarto, senti que o momento da conversa com a minha coordenadora de estágio e as semanas que se estenderam após o encontro eram definitivamente meus, e não parte de uma história que eu gostaria de poder contar como minha. Na verdade, contar a notícia às pessoas alheava-me ainda mais da realidade, como se a informação posta em palavras tivesse cada vez menos significado à medida que era repetida.
Foi há duas semanas que fiz uma skype call com o meu futuro companheiro de casa, um alemão com muito ar disso, estudante de design de produto e que, contra os preconceitos com que vários velhos do restelo encheram a minha cabeça, foi muito simpático e achou que seria boa ideia passar o Verão a dividir a casa com uma estudante de engenharia portuguesa. Tinha comprado as viagens de avião poucos dias antes, a seguir a um treino no ginásio, aproveitando a altura em que estava demasiado cansada para processar a informação. Mas a conversa com o meu flatmate, acompanhada de uma tour da casa (pequena e central) foi de manhã, e quando terminou eu estava presa dentro de mim própria, num casulo de caracóis bem arrumados e maquilhagem cuidada: preparava-me para ir almoçar com uns amigos e não podia dar-me ao luxo de gastar tempo e máscara de pestanas a chorar encostada à parede do escritório.
Tenho andado neste estranho balanço desde aí. Não tenho tempo para pensar na forma como todo o entusiasmo de há três meses deu lugar a um estado de pânico mal disfarçado pelos trabalhos e exames que foram sendo feitos, todos com pouca vontade. Não me sinto minimamente preparada para apanhar o avião no dia 30 de Junho, mas diga-se que é um avião no qual eu nunca me vou sentir preparada para entrar a menos que me force a fazê-lo. A partir daí, somando duas horas com um lanchinho e múltiplos tempos de espera agarrada à fiel mochila castanha que transporta a minha vida em formato digital, a primeira tarefa será apanhar um comboio na bahnhof, que, aliás, é a única palavra em alemão que sei dizer.
publicado por Celinne Marie às 2013-06-16 15:22:22
publicado por C. às 2013-06-16 15:03:01
O azar ama-me. O azar segue-me para todo o lado onde vou. Não precisa de ser direccionado a mim, só a coisas e pessoas à minha volta. Como a minha casa está em obras, vim com o meu irmão e a minha cunhada para a casa deles em Beja, para conseguir estudar. Ora, no primeiro dia, aparece pela primeira vez cá em casa uma barata. A casa da minha cunhada fica numa rua baixa, então o quintal dela tem uma parede até à rua de cima. Parede essa que pertence à câmara munincipal. Parede com pedrinhas soltas que caem sem aviso, mas que nunca tinham acertado em ninguém. Ontem, estavam a fazer um almoço no quintal. Pimbas, pedrinha, que de pedrinha não tinha nada, em cima da cabeça da minha cunhada. Venha de lá um traumatismo craniano. Teve alta do hospital, mas já lá está outra vez, porque não conseguia pensar como deve ser e estava mal disposta. Se fosse uma criança, a pedra tinha-a matado. Se fosse uma pedra maior, tinha-a matado. Se fosse uma das amigas da minha cunhada que está a tomar anti-coagulantes, vá sangue por todo o lado. Isto para dizer que a câmara munincipal tem que tratar daquilo antes que uma pedra na cabeça mate alguém.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-16 12:02:30

publicado por Bolacha às 2013-06-15 23:35:02
A conservatória é um quadrado de procrastinação no rés-do-chão do tribunal, edifício muito cúbico, enterrado num relvado verdejante onde as cadelinhas de focinho atrofiado das velhotas cagam sem pudor. Entrando pelas portas envidraçadas e contornando as escadas vermelhas que levam ao gabinete do Ministério Público, peça central daquele átrio cheio da luz que entra por duas janelas de dois pisos, é possível antecipar o ambiente no serviço e calcular tempos de espera através da parede de vidro que limita a divisão. Atrás de um balcão de madeira escura e granito, três mulheres segurando papéis contra o peito controlam os movimentos de entrada e saída do edifício com os sentidos que não discutem o último episódio da telenovela. Há uma fila de cadeiras estofadas a tecido bordô que assiste à cena de frente, voltadas de costas para o meu percurso amedrontado até à porta escancarada da conservatória.
Pelo meu relógio digital dourado, que conta sempre três minutos a mais que o relógio do terminal dos autocarros, passam poucos minutos das dez da manhã. À minha esquerda, a fila de cadeiras está ocupada por três homens e um livro de colorir, que deduzo pertencer à pequena mancha cor-de-rosa que corre entre o espaço que separa o balcão das cadeiras. À minha direita estão mais duas pessoas, de pé, ambas de braços cruzados, a fitar ameaçadoramente a funcionária que está a tratar dos cartões do cidadão do outro lado da sala, escondida pela máquina onde se medem alturas, fazem assinaturas e tiram fotografias para o cartão. Passando pelas poses reprovadoras, chego à máquina das senhas para ver um ecrã desligado, coberto por um papel que me manda tirar a senha de um rolo azul em cima do balcão.
Fico de pé perto do local onde rolo das senhas dá as boas vindas a toda a nova cara de frete que passa para o outro lado do vidro até vagarem duas cadeiras, pai e filho adolescente que vieram tratar de um cartão do cidadão. Enquanto ocupo alarvemente um dos lugares, usando a prevenção de varizes como desculpa mental, pergunto-me se não serei a única que não está ali para levar um ralhete por não saber o meu código postal, intervalado com a descrição pormenorizada do percurso académico da filha da senhora que vai apontando os meus dados num teclado preto muito barulhento, seguido de uma medida pouco precisa da minha altura e uma fotografia em que me faço passar por uma refugiada que conseguiu fugir do país com eyeliner no bolso. Levo a minha mão à mala onde o meu cartão está guardado e relembro a morosidade do processo, nesta triste província onde as novidades se podem resumir num jornal quinzenal de dez páginas. A minha senha azul tem desenhado um quarenta e cinco, a minha manhã tem um ponto de interrogação.
Os segundos são contados pelo meu relógio digital com uma irritação que o conforto da cadeira não consegue disfarçar. As minhas pernas começam a baloiçar-se como dois pêndulos de movimentos simétricos e, por serem grandes demais para a altura da cadeira, os meus ténis roçam o chão em guinchos provocadores. Por fim, uma das senhoras atrás do balcão aproxima-se da superfície de granito polido, olha, sobre os óculos que apoia casualmente na ponta do nariz, para a impaciência que domina a espera e pergunta se está ali alguém para processos ou certidões.
-Eu.
Olho em volta e recebo silêncio. Até a pequena mancha cor-de-rosa que não tinha deixado de correr pela sala, ora segurando o seu livro de colorir, ora deixando-o ao cuidado do colo do pai que dormitava encostado ao vidro, parou para olhar para mim. A senhora faz-me sinal para me aproximar e eu levanto-me ao seu encontro. Apoio os cotovelos na bancada gelada com força, como se tivesse dificuldade em segurar-me nas pernas pelo excesso de exercício que dez minutos de movimentos autistas provocaram. O diálogo seguinte desenrola-se de forma pouco fluída, como se a minha boca tivesse sido forrada por esponjas:
- Bom-dia. Queria uma certidão de nascimento.
- Sua?
- Sim.
- Diga-me o seu nome completo e data de nascimento.
A combinação dos meus dois primeiros nomes é francamente infeliz: esta é uma realidade que me assalta sempre que sou obrigada a dizê-la em voz alta. Felizmente não preciso de a repetir, nem à minha data de nascimento, ambas as informações são prontamente memorizadas pela senhora que me acena como resposta e regressa à sua secretária. Ao vê-la sentada contra o fundo da sala forrado por painéis de madeira, a digitar com calma os meus dados e fazer múltiplos cliques, lembro-me de um pormenor importante que vai ter que ser gritado através da extensão de mesas, cadeiras e papeis em pilhas precárias que me separa da funcionária.
- Desculpe, não tem certidões em inglês?
Em poucos segundos tenho de novo à minha frente a minha nova amiga, tão solícita e de sorriso torcido. Pergunta-me se sou filha das pessoas que o programa informático diz serem meus pais e eu aceno afirmativamente. Os olhinhos por detrás dos óculos, que descaíram de novo para a ponta do nariz, têm o brilho da coscuvilhice que conheço bem desde os primeiros passos que dei na casa de uma das amigas da minha avó, onde se organizavam tertúlias de bordados e má língua.
- É para quê, a certidão?
Boa questão, cara senhora, mas não tem nada a ver com isso.
- Contrato de trabalho.
- Mas é para o estrangeiro?
- Sim.
Não existem certidões em inglês, mas há certidões em formato internacional. Em poucos minutos a funcionária regressa do seu posto com um papel feio preenchido com uma tabela confusa que explica que eu nasci. As legendas dos campos da tabela estão em português e em francês, mas no verso há uma lista de símbolos com traduções para outras línguas. O papel custa-me vinte euros que pago prontamente para sair daquele espaço o mais depressa possível. A dona do livro de colorir que se sentava ao meu lado já está muito quietinha a fazer o seu cartão, com um pai acordado ao seu lado. No átrio, a luz que entra pelas janelas de dois pisos da entrada torna difusos os contornos da escada do centro e o vermelho do corrimão quase parece cor-de-rosa. Não consigo evitar uma última pergunta, que me chega aos ouvidos quando já estou de costas voltadas para o balcão.
- A certidão é para onde?
- Alemanha.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-15 21:15:22

Estou cada vez mais interessada em ler livros thrillers. Por isso comprei "O Suspeito" do Michael Robotham na versão livro de bolso por 7.50€. Li no blogue da Lénia a sugestão, sendo ela admiradora do género, não hesitei. Comprei na Feira do Livro. Hoje levei-o para a praia e li cem páginas de enfiada. A escrita é muito boa, a história é envolvente, tem personagens muito bem construídos. O trama começou a aquecer, o corpo de uma mulher foi encontrado esquartejado ( reparem na capa do livro). O nosso herói/personagem principal é um psicólogo, com clientes bem carismáticos. Para já, estou a gostar muito.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-14 11:02:09
Quando era mais nova tinha uma amiga que adorava a Princesa Diana. Ele recortava tudo sobre a Princesa Diana e os dois príncipes. Na altura, ela sonhava com o Harry e um cavalo branco. Chegou a confidenciar ao grupo feminino que estava apaixonada. Onze anos, gente. Uma vez fui lanchar à casa dela e ela mostrou-me, entre bolos e bolinhos, a sua caixa de bolachas com imensos recortes da família real. Lembro-me de ter ficado a pensar nisso durante bastante tempo. Aliás, marcou-me porque ainda me lembro. Não lia revistas Jet Set, conhecia pouco ou nada. Ela falava na Princesa Diana como se a conhecesse. Uma menina que adorava Barbies. Uma colecção gigante. Nunca tive uma Barbie, lembro-me de nunca achar piada. Nem aos póneis. A minha amiga era muito mais sonhadora que eu. E eu era sonhadora. Sou eu a falar, olhando para trás. Só comecei a achar piada aos homens quando o Bon Jovi, aquele homem com ar bad boy apareceu na minha vida. Apareceu via papel na Super Pop e/ou Super Jovem. Nessas revistas o Príncipe Harry não aparecia muito. Não me recordo. A infância é influenciada pelas revistas que lemos? Talvez. (Um amigo meu tinha sempre a revista Caras em casa quando era mais novo e hoje só lê livros de Rainhas e Reis). Agora imaginem o desgosto desta minha amiga quando soube da morte da Princesa Diana. Ficou logo a perceber que a vida não é cor-de-rosa, as princesas, ao contrário dos filmes da Disney, também morrem. Nunca conheci nenhum famoso “intimamente”, excepto a Kardashian por causa do seu programa e redes sociais. Sou curiosa mas não tenho paciência para biografias. Sou mega admiradora do Saramago mas não colecciono tudo sobre ele. Talvez tenha feito isso com algumas fotos do Bon Jovi e do Leonardo DiCaprio mas nem sequer queria saber o aniversário deles. Não guardava nada numa caixa. Não suspirava. Beijava o caderno com beijos minúsculos e não é nada que me orgulhe. A maior desilusão famosa que tive foi do Robbie Williams. Eu era doida por ele até ao momento que li algo relacionado com drogas e prostitutas. Foi nesse preciso momento que os famosos, as estrelas, as luas e os girassois deixaram de ser príncipes e passaram a ser pessoas com a puta da sorte que eu não tive.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-13 22:37:17
Quantos somos com inspiração para dar e vender? Muitos, um conjunto de pessoas cheias de vontade de dar a sentir o que está a sentir. Empolgadas com a vida, com o azul do céu, com o brilho do mar.
Deslumbradas com o que ouvimos, queremos contar. Mostrar, mostrar-nos. Quantos de nós tem um blog e quer leitores? Todos, excepto os blogues privados. Mesmo os blogues secretos, querem ser lidos por pessoas secretas. E receber um olá, pequeno olá que nos liga. Quantos de nós andamos agarrados ao mesmo assunto, com a mesma ideia ou uma opinião ligeiramente diferente? Temos tanto para falar, contar, dizer. Existe algo que se infiltra e nos faz escrever. Comigo acontece. Só penso em contar, dizer, amanhã, hoje, amanhã. Sem um propósito, excepto aquele olá que ficou por dizer. E calar? Quantas vezes nos calamos com vontade de gritar. Escrevemos ,apagamos, escrevemos, publicamos. Apagamos, tudo outra vez. Existem coisas que não podem ser ditas. As palavras ferem, o olhar colocado às palavras encontra feridas. Neste momento, alguém quer ler algo. Na esperança de ser mais um, de ser mais dois. De ser. De encontrar algo em contrário para ter com quem debater. Quantos de nós escrevemos e não pensamos no que estamos a fazer? Quero parar com isso. Quero encontrar os meus motivos. Definir o que quero escrever. Quero ter algo para dizer, quero o meu pequeno olá. Só assim vale a pena.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-13 20:47:10
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-13 13:54:06

Quando duas pessoas se deixam de falar durante semanas e semanas um buraco gigante é cavado entre elas. Separam-se, os braços esticam, os dedos não se conseguem tocar. Conversas paralelas, sem a verdade aguentar. Já tentei juntar as vozes mas fingem não ver. Preferem o orgulho, ao voltar a ter o que não souberam manter. Palavras duras foram ouvidas, muito sentidas. O ambiente está de cortar à faca, não sei o que faça. Nem bom-dia dizem, nem precisam. O dia não é bom, com duas pessoas a cavar cada vez mais fundo a sua própria justiça injusta. Lamento, lamento imenso. Felizmente não sou assim, mesmo com o coração tenso. Prefiro uma palavra pequena e curta, que um adeus todos os dias. A vida merece mais que um castigo imposto por nós. Ainda acabamos sós. Sós, sem eles. Os outros.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-13 13:47:11
Não vos passa pela cabeça quem vai editar um livro. Eu sei e quero contar. É a Barbara Guimarães, é ela quem vai publicar. O livro chama-se “Páginas do Páginas Soltas”, um livro de paixões. Entrevistas a 30 figuras da nossa cultura portuguesa, cheio de emoções. Fiquei muito curiosa em relação a este livro, quero adquirir. O lançamento é dia 18 de Junho na Bertrand Amoreiras, alguém quer ir?
Páginas do Páginas Soltas
Bárbara Guimarães
150x230
264 páginas
14,99 €
Nas livrarias a 12 de Junho
Guerra e Paz|Clube do Livro SIC
É mais do que um livro, é uma aventura. Bárbara Guimarães desafiou e entrevistou alguns dos melhores espíritos do nosso tempo. Conversou com grandes escritores, pintores, músicos, os nossos melhores artistas. Cada um trouxe os livros que mais os apaixonaram.
Sinopse
Das conversas nasce um extraordinário alimento para o espírito. Por exemplo, José Saramago, Bernardo Sassetti, Graça Morais falam e oferecem-nos armas para sermos mais humanos, para sermos mais livres, para sabermos e podermos sonhar. Páginas do Páginas Soltas reúne as entrevistas de 30 grandes personalidades.
É um livro indispensável para os leitores de Gonçalo M. Tavares ou Valter Hugo Mãe. Um livro indispensável para quem ouve Sassetti, para os espectadores dos filmes de Fernando Lopes.
«Que livro é este?», perguntou-se Bárbara Guimarães, a sua autora. Ela mesmo nos esclarece: «Gosto de pensar que este livro é uma biblioteca ambulante.» É uma caverna de Ali Babá: estão aqui guardados, como se fosse uma memória riquíssima, os livros que os grandes escritores e artistas roubam ou dão uns aos outros. Este é um livro onde se pode viver.
Biografia da autora
Bárbara Guimarães é, há vinte anos, um dos símbolos mais prestigiados e queridos da televisão portuguesa. Começou na Informação e foi pivot do telejornal da TVI. Depois, entregou a carteira de jornalista e, na SIC, abraçou a apresentação de programas de entretenimento, como Chuva de Estrelas, Furor e os Globos de Ouro.
Bárbara Guimarães sempre quis que os seus programas na televisão não se resumissem a um mero passatempo. Deu cabo da cabeça de directores de programas, forçando-os a sair do simples entretenimento. Fez os Duetos Imprevistos, com António Vitorino de Almeida, e apresentou magazines culturais como Sociedade de Belas Artes e programas de entrevistas como Oriente. Foi na SIC Notícias que desenvolveu o conceito, a escrita e a autoria de Páginas Soltas, o programa que está na origem desta obra. Este seu livro é um acto de justiça: fixa no papel impresso a paixão de Bárbara Guimarães pelos grandes romances e pela aventura intelectual que a verdadeira leitura representa.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-13 13:44:48

Vou começar a escrever a rimar. Sabem lá, vou inventar. Como a Cristina Ferreira, vou experimentar, para ver se aprendo alguma coisa e para me inspirar. Este ano não fui aos Santos, também não tenho pedalada. Se dormir pouco, fico cansada. O ano passado estive lá, e comi uma bela sardinha. Foi cara como tudo, e não me encheu a barriguinha. Demorei duas horas para comer e beber, vi muita gente passar, gente bonita e feia, como em todo o lugar. O cheiro na rua é maravilhoso, o ambiente de festa. Santos Populares em Lisboa, hoje é dia de dormir a sesta. Feriado, tudo parado. Yeah.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-12 20:53:34

"...havia imensa gente crédula a comprar primeiras edições de poemas de Byron a preços de saldo que vinha depois queixar-se amargamente quando descobria que eram falsas."
Este é um pequeno exemplo do que pode acontecer num livro de Jasper Fforde. Um pequeno detalhe, ele escreveu o guião da "Máscara de Zorro". Comprei o livro pela capa e pelo título, não posso negar. Adoro livros coloridos e a personagem Jane Eyre. Li um pouco da sinopse, fiquei curiosa com o facto do autor recriar um mundo onde detectives privados investigam crimes de plágio, falsificação e roubo de primeiras edições. Não dá para ficar indiferente, principalmente para quem gosta de livros sobre livros.
A escrita é simples e directa. A acção começa logo nas primeira páginas. A personagem principal é a Detective Literária Quinta-Feira Seguinte. O livro já fez referencia a Dickens, a Poe, à batalha de Waterloo (brincou com o assunto). No inicio de cada capitulo, temos pequenos excertos com informações sobre a Rede de Operações Especiais, tornando credível e consistente o trauma.
Acho que será uma leitura divertida e agitada. É com isso que estou a contar.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-12 20:50:01
Bem, vais a ver e a tua pequena mana cresceu e vai para o quinto ano. O medo, o drama, o horror. Aquele frio na barriga. Tantas perguntas, tantos desejos. Hoje recebi um telefonema que me deixou muito feliz, "passei de ano!". Este mês também é o seu aniversário. Dela e do meu amor. Meus dois amores. A mana está a ficar grandinha. Sinto-me muito feliz por ver que se está a tornar numa menina linda por dentro e por fora. Oh orgulho...
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-12 13:33:24
Dica: queres mudar de tel(...)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-06-12 13:29:20

Há dois meses comprei um Huawei para substituir o meu Samsung. Serve este texto para falar-vos da minha experiência com este telemóvel.
Na altura, estava indecisa entre o Samsung Ace e o Huawei. O meu namorado tem um Ace e está bastante satisfeito. Mas assim que meti os olhos no Huawei fiquei indecisa. O que me fez comprar o telemóvel foi o facto de o processador ser mais rápido. Assim que o ligue, coloquei o Instagram, o Twitter, o Gestor de Páginas do Facebook, aplicação Goodreads e um auxiliar para montagens fotográficas. Sem problemas. Adoro o telemóvel. Quanto à relação qualidade-preço, este telemóvel é óptimo. Superou as minhas expectativas, e o meu problema com a marca pouco conhecida. Para já, dura as cinco horas de bateria que promete. Boa captação de rede. Boas fotos. Tenho um amigo que só gosta de tirar fotos com o meu telemóvel.
Fica a dica para quem está a pensar mudar de telemóvel antigo e comprar um novo sem gastar muito dinheiro.

