Sobre a co-adoção permiti(...)
publicado por Sara às 2013-05-19 09:39:07

Li, na página do facebook de uma das figuras nacionais que mais deu "cara" por esta luta o seguinte:
Hoje não posso estar mais feliz, porque acabo de receber um email de alguém que conheço e muito importante na Assembleia da Republica (...) que a nossa história, (minha e do Luis), com o nosso filho (Bernardo), mudou muitas cabeças em relação á questão da adopção por casais do mesmo sexo em Portugal e que isso pesou muito no que ficou decidido na passada quinta feira em relação á co-adopção em Portugal. Que o mediatismo á volta da nossa vida tem sido muito útil para mudar a visão negativa que existe na sociedade portuguesa em relação aos Homossexuais. Nada fizemos para que isso acontecesse, simplesmente vivemos a nossa vida, dia a dia, sem preconceitos e com muito Amor e Respeito no seio da família que construímos e da sociedade em que vivemos, mas se isso influenciou, é porque o nosso povo está atento á nossa FELICIDADE.
Aqui deixo mais uma vez uma foto que testemunha a grande alegria de viver do Bernardo.
Muito obrigado pelo vosso carinho e é por ele que gostamos de partilhar convosco alguns destes momentos.(Facebook de Eduardo Beauté)
Depois de ler esta noticia e ver algumas reações deparei-me com uma em particular de uma página de Facebook de nome Ask a Jesuit que me fez alguma espécie. A reação é noticia foi esta:
Não sei como tal coisa é possível, mas compreendo que possa ser pelas minhas circunstâncias, pois é sabido que estou longe do meu País e não leio tudo o que nele se passa. Mesmo assim, estou surpreendido com uma das notícias do dia, aquela em que se diz o seguinte: «Pela diferença de apenas cinco votos, o Parlamento aprovou hoje o projeto lei oriundo da PS que permitirá a coadoção de crianças por casais do mesmo sexo.»
Estou surpreendido, pois acho inacreditável que um Parlamento possa legislar em tal sentido e a sociedade civil estar completamente à margem; surpreende-me que num aparente silêncio, numa marcha sem rumor, um Parlamento como o de Portugal chegue a tal ponto: com uma margem de cinco votos aprova-se um projecto de lei que não só regula, mas retoca um dos aspectos mais essenciais da nossa condição humana. Refiro-me, naturalmente, ao princípio da diferença sexual, por um lado e, por outro, ou sobretudo, ao direito, que julgo deveria ser inalienável, de as crianças crescerem como e onde devem, ou seja, tendo por diante a realidade de um pai e de uma mãe, direito inalienável a quem venha ao mundo como parte integrante da nossa comum humanidade. Presumo que um projecto de lei só será lei uma vez provada a sua constitucionalidade e, ao mesmo tempo, a Presidência da República a venha a promulgar. Espero, assim, Portugal ainda esteja a salvo de mais uma ofensa ao que julgo ser o melhor Direito, ao Direito mais completo, mais íntegro e, como tal, mais solidário também. É que no centro da questão tem de estar não o interesse dos adultos, mas o da criança, entendida esta, como se tem dito em França nos últimos tempos, como sujeito de direito e não como mero objecto do mesmo, ou seja de artificial legislação.
Não conheço os trâmites do que se passou no Parlamento de Portugal, mas temo que a votação que acaba de ser anunciada diga apenas o seguinte: os interesses superiores da criança estão agora a ponto de serem sacrificados aos interesses dos adultos. E o cerne da questão passa em meu entender sobretudo pelo que me parece ser um dos mais graves esquecimentos nas arenas políticas e nas agendas sociais de um número crescente de países: reduzir a condição da criança, que para além de ser humano é também pessoa, ao estatuto de objecto, ou, quando muito, de «projecto».
A condição humana é inseparável da diferença sexual; legislar num sentido contrário, portanto, só pode constituir o pior que pode acontecer a uma qualquer lei: ser desumana, falhar o seu objectivo mais elementar, ou seja, promover ... o melhor da condição humana.
A sexualidade é expressão completa da condição de sermos uns-para-os-outros; a alegação de que as crianças podem ser bem educadas por casais homossexuais é, pela natureza óbvia das coisas, uma séria violação do bom-senso antropológico e, pior do que tudo, uma violação grave do direito inalienável que todas as crianças deveriam ter de se formarem para a vida a adulta vendo-se espelhadas na inalienável diferença de um pai e de uma mãe que, em cada caso, o sejam de verdade.
A minha opinião é muito simples, escrevi o que penso no FB do Luis Borges e igualmente na outra página e repito aqui:
Existe ainda quem defenda que com esta decisão foram colocados em riscos os direitos das crianças, adiantam ainda que um desses direitos é a estrutura familiar equilibrada, que para muitos só é possível com uma mãe e um pai. Ora parece-me que, ao olhar para o filho do Luis Borges e do Eduardo, por exemplo, não lhe vejo nenhum direito retirado, vejo somente alegria naquele rosto lindo e uma expressão corporal que infelizmente nem todas as crianças têm, apesar de viverem nesse tal "ambiente ideal".
Esta decisão serve acima de tudo como uma chamada de atenção para a fraca e precária qualidade educacional e escassez de amor e carinho. São milhares os casos de crianças que sofrem violência, negligência não só física como emocional e que ainda assim continuam a viver nesse suposto ideal familiar. Considero que na vida impera (ou deveria) os sentimentos verdadeiros, genuínos e que fazem com que uma criança sorria como aquela criança sorri!
Os casais homossexuais não são egoístas como muitos apontam, muito pelo contrário, estão dispostos a dar de si MUITO mais do que deram os pais verdadeiros (não esquecer que estamos a falar de crianças em estatuto de adopção, ou seja, ou foram abandonadas, ou retiradas à família etc...) por isso mesmo à que agradecer o bom senso e agradecer que se tenha finalmente percebido que mais vale dois homens ou duas mulheres a fazer uma criança feliz que não ter nem um nem outro dispostos a isso!
Parabéns!!!













