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publicado por i. às 2013-06-19 14:31:48
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-19 12:10:33
Este é maior porque não queria estar a dividir o capítulo em 3, sorry
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Capítulo 6
Desespero no Halloween * Parte 1
- Vai ser lindo! – Exclamou Helen, referindo-se à festa de Halloween que o bar a que costumam ir, Drink&Tell, está a preparar para sexta-feira à noite – E até já sei de que me vou mascarar… enfermeira sexy, que vos parece?
Chelsea riu-se. Helen adorava o Halloween, já ela nem por isso. Como nunca gostou de nada que tivesse a ver com monstros, ou terror, ou sustos, nunca foi fã deste dia. Mas claro que ia sempre às festas e se mascarava sempre.
- Parece-me bem – disse Tony, rindo-se – Eu acho que vou procurar o meu fato de cowboy.
- Outra vez? Usas sempre o mesmo – Reclamou Helen, suspirando – Então e tu Chels, que vais usar para a festa?
- Não sei ainda… - respondeu a ruiva, encolhendo os ombros.
Helen abriu a boca de espanto ao lembrar-se de uma coisa, e depois sorriu.
- Vi umas lojas com uns disfarces de Defensora do Oculto, não é giro? – Comentou ela – Já imaginaram? Uma noite em que há mil e uma heroínas?
Tony riu-se, mas Chelsea não achou muita piada. Uma noite com várias Defensoras… e se Jecek decidisse atacar cada uma delas por pensar que alguma se pode tratar da verdadeira? É claro que a verdadeira Defensora do Oculto nunca se mascararia dela própria no único dia do ano em que pode ser qualquer outra pessoa. Chelsea optaria mais facilmente por hospedeira, ou freira, ou então chinesa ou sevilhana.
- Helen, que achas de levar o meu disfarce de freira? – Perguntou Chelsea.
- Outra vez? Não… porque não usas assim uma coisa que deixe que se vejam os teus atributos, hã? Nunca vais arranjar namorado se estiveres toda tapada – Chelsea sentiu um aperto no coração. “Não preciso de arranjar… se tudo não tivesse acontecido, ainda teria um”, pensou ela.
- Vou pensar nas opções – murmurou, forçando um sorriso – Agora tenho que ir, o Will está à minha espera. Até amanhã.
- Adeus Chels – disseram os dois amigos ao mesmo tempo, enquanto Chelsea se levantava da cadeira da esplanada e se começava a afastar. Tinha combinado com Will que iriam treinar esta tarde e ainda tinha que ir a casa mudar de roupa.
Quando chegou a casa, esta ainda se encontrava vazia. Apressou-se a mudar de roupa para um fato de treino e a prender os caracóis num rabo-de-cavalo, para depois voltar a sair de casa e contorná-la em direcção ao bosque. Andou vários metros enquanto pensava no que faria quando chegasse ao pé de Will. Ainda estava um bocado chateada com ele, apesar de ter ignorado a sua ordem de se manter afastada de Jecek, o rapaz não tinha o direito de lhe dizer certas coisas que disse, coisas que a magoaram. Se ela já não se acreditava capaz de defender a humanidade, então como é que isso algum dia iria mudar se mais ninguém acreditasse nela? Mas Will apenas disse isso porque estava enervado, apenas isso, mas ela não o sabia com todas as certezas.
Quando o começou a avistar, no meio da clareira, suspirou. Não lhe apetecia treinar, estava preguiçosa.
- Olá – cumprimentou, pondo-se à frente dele.
- Tudo bem? – Perguntou o rapaz.
- Se estás a perguntar se estou apta para treinar, sim Will, tudo bem – respondeu ela, num tom aborrecido. O rapaz revirou os olhos e suspirou.
- Sabes que não quis dizer isso, estava chateado, e preocupado, e às vezes nessa combinação não digo exactamente o que devia – desculpou-se ele.
- Essa é a tua desculpa? – Chelsea riu sem qualquer vontade – Meu, num dia destes vou ter que te ensinar a pedir uma desculpa em condições.
- Então estou desculpado?
- Não – ele olhou para ela chocado, e ela encolheu os ombros – Mas vais estar se me deixares sair mais cedo do treino. A festa de Halloween é amanhã e ainda não tenho um disfarce, tenho que ir às compras.
Ele suspirou e levou a mão à cabeça.
- És sempre a mesma coisa – reclamou ele – Tudo bem, mas fica sabendo que…
- O “tudo bem” chega, não precisas de dizer mais nada – interrompeu-o, antes que se pusesse a impor qualquer coisa – Desculpas aceites. Vamos treinar.
E começaram. Chelsea já estava muito melhor do que quando começara. Agora já conseguia manter uma luta mais ou menos equilibrada sem recorrer aos seus poderes de Defensora do Oculto, mas ainda tinha um longo caminho a percorrer. E Will não era nada meiguinho, ele desculpava-se que atacava de uma maneira forte porque nenhum demónio iria ter piedade dela.
Acabaram o treino uma hora mais cedo, e a rapariga foi a casa tomar um duche e jantou rapidamente sozinha, avisando a mãe que ia sair e que não jantava com a família nem sabia as horas a que chegava.
Encaminhou-se então para o Centro Comercial de Diamond City, já com várias montras enfeitadas com autocolantes de figuras sinistras e teias de aranha falsas em todo o lado. O espírito do Halloween fazia-se mesmo sentir. Chelsea percorreu várias lojas e experimentou vários disfarces, mas nenhum lhe agradava por completo. Vestiu um fato de hospedeira, outro de empregada sexy e até um de princesa do Egipto, porém não achou que nenhum deles fosse “o tal”. “Talvez devesse mesmo usar a roupa da Defensora… mais realista seria impossível”, deu por si a pensar. Mas depressa descartou essa ideia, poria em risco tudo o que fazia para manter a sua identidade em segredo. E além disso, o Halloween dava-lhe a oportunidade de ser quem bem quisesse, podia ser uma princesa, ou um ser de outro planeta… ou o completo oposto daquilo que é. Chelsea sorriu, já sabia qual seria o seu disfarce. Foi até uma das lojas que mais roupas tinha, dentro daquele tipo de disfarces, e depois começou a ver as opções que tinha. Era perfeito, o seu perfeito oposto. Depois de escolher a roupa que gostava mais, foi até ao provador e verificou que lhe assentava que nem uma luva. Perfeita.
A rapariga ruiva pagou e depois saiu da loja com um sorriso nos lábios. Quando era mais pequena adorava mascarar-se à bruxa, mas entretanto novas ideias apareceram e foi deixando essa pequena mania para trás. Mas neste Halloween iria relembrar o passado.
Começou a caminhada de regresso a casa e, quando ia muito bem apenas com os seus pensamentos e o saco na mão, ouviu o seu nome e voltou-se para trás, vendo Jensen a caminhar até si.
- Então caracolinhos, por aqui a estas horas? – Chelsea viu as horas no telemóvel, realmente já estava a ficar tarde, não tinha dado pelo tempo passar.
- Então e tu? – Perguntou a Jensen – O que andas a fazer?
- Penso em maneiras de te assustar, claro – gozou ele. Jensen tinha esta brincadeira, ou melhor, mania, de todos os anos no Halloween pregar uma partida a Chelsea, e todos os anos ela se assustava bastante com as coisas que ele lhe fazia. Houve um ano em que pôs uma cobra autêntica no seu quarto, e a rapariga quase que ia tendo um ataque cardíaco.
- Hum… sabes que mais? – Perguntou ela, com um ar pensativo – Este ano vou-te fazer pagar por todos os outros. Vais apanhar o maior susto da tua vida, prometo.
Jensen deitou uma sonora gargalhada e Chelsea sorriu. Sim, ela ia arranjar uma maneira de o assustar, nem que fosse apenas um pouco.
- Quero ver isso – desafiou ele, ainda a rir-se – Mas mudando de conversa, vamos todos ao Drink&Tell, certo?
- Vamos. E agora tenho que ir para casa, está a ficar tarde.
- Está bem… dorme com um olho aberto, nunca se sabe que tipo de coisas te podem acontecer enquanto estás sozinha no escuro do teu quarto – avisou ele, com uma voz sinistra, soltando um riso maléfico em seguida. Chelsea revirou os olhos e começou a afastar-se dele, indo em direcção à rua da sua casa.
- Não! Não! – Ouviu. Voltou-se para trás sobressaltada e viu uma mulher encostada a um muro de uma casa, com um gato em frente dela, a lamber as patas. O gato estava bastante quieto e parecia fofinho, mas a mulher olhava para ele com um ar aterrorizado e estava a ficar cada vez mais branca.
Chelsea apressou-se a chegar até ela, e tocou-lhe no ombro para que ela lhe desse atenção.
- Você está bem? – Perguntou-lhe.
- É o diabo… o diabo! – Gritou a mulher, empurrando a mão de Chelsea e desatando a correr pela rua. A rapariga dos caracóis ruivos ficou incrédula a olhar para ela, parecia uma maluca a correr e a gritar. “Na volta está bêbeda…” pensou a rapariga. Mas estava errada. Halloween não era só um dia de festa e de máscaras… a parte do terror não é ficção, Halloween é o único dia do ano em que certos demónios têm a permissão de andar na Terra e espalharem o caos tornando todos os piores medos das pessoas virarem realidade, e agora já passava da meia-noite. O dia tinha chegado.
Quando chegou à porta, Chelsea abriu-a e cumprimentou os pais, subindo depois para o quarto. Estava estafada, nem acreditava que amanhã ainda se tinha que levantar cedo para ir para a escola. Pôs o saco com o vestido dentro do roupeiro e mudou de roupa para ir dormir.
- Chelsea… Chelsea… - ouvia a ruiva. Era um chamar vindo de longe, com uma voz já bastante familiar. Chelsea tentou ver alguma coisa por cima da neblina que se fazia ver no bosque, mas era escusado, era o mesmo que estar a olhar para uma parede branca.
- Faith? – Perguntou Chelsea – Faith és tu? Onde estás?
Houve uma racha no nevoeiro e este partiu-se em dois, deixando um espaço no meio isento, como se de um túnel se tratasse. E lá ao fundo lá se encontrava ela. Dona de um corpo esbelto e umas vestes roxas, Faith apresentava-se sem a sua máscara na cara e com o cabelo ruivo liso a abanar ao sabor do vento. A antiga Defensora sorriu a Chelsea, e esta correu até ela. Mas antes que a pudesse alcançar viu uma lâmina trespassar-lhe o coração vinda de trás e viu o seu modelo a seguir cair no chão, sem vida. A rapariga dos caracóis parou subitamente e por trás de Faith viu duas figuras que ainda a metiam a tremer. Duas Bruxas. Donas de corpos de fazer inveja e de belezas extremas. Uma loira, a outra com o cabelo castanho claro. Ambas extremamente maldosas. A loira, Lyux, segurava na espada que ceifara a vida da antiga Defensora do Oculto, e ria-se agora com a irmã, Blinke. Chelsea olhou-as com raiva, mas antes que pudesse fazer alguma coisa Blinke estalou os dedos e mais três pessoas apareceram naquele espaço livre de nevoeiro. Jensen, Cassie e Richard. E todos eles flutuavam inanimados no ar. Chelsea sentiu uma dor no coração e lágrimas a formarem-se nos seus olhos. Ela não precisava de nenhuma confirmação daquilo que já sabia ser. Estavam mortos.
Chelsea acordou em sobressalto e sentou-se encostada à cabeceira da cama, enquanto tentava regularizar a respiração. Já há algumas noites que não tinha pesadelos, mas aparentemente o seu subconsciente ainda não tinha esquecido tudo o que acontecera e ainda forçava Chelsea e lembrar-se de como foi sentir a morte daqueles que lhe são queridos. Apesar de na realidade as coisas não terem acontecido assim, a desolação que se lhe seguia era igual. A rapariga levantou-se e foi à casa de banho, onde passou a cara por água e se tentou acalmar por um bocado. Por muito mau que fosse que nenhum deles se lembrasse de nada, seria muito pior se tivessem permanecido mortos, Chelsea nunca podia esquecer isso.
A rapariga voltou ao quarto e olhou para o despertador, daí a duas horas seria hora de se levantar e enfrentar mais um dia de escola, e depois, a festa no bar.
❦
- É de loucos – comentava Norman, ao jantar – Nunca na minha carreira vi tantas pessoas suicidarem-se. E os bilhetes que deixaram não fazem qualquer sentido. Afirmaram ver coisas que não existem, deixaram escrito que se mataram porque tinham demasiado medo de viver. É bizarro.
- É verdade, também falaram disso na escola – disse Chelsea – Parece que uma velhinha que vivia com os três gatos se suicidou porque se convenceu que os gatos eram na realidade leões e teve medo que a atacassem. E depois houve vários ataques cardíacos, não foi pai?
- Também ouvi falar disso – afirmou Richard – Hoje na universidade não se falava de mais nada. Parece que toda a gente “escolheu” morrer hoje.
- Bem, vocês sabem o que se diz… no Halloween os demónios andam todos à solta – todos se riram com o comentário de Margaret, mas Chelsea ficou a pensar seriamente se não seria verdade. Ter encontrado aquela mulher naquele estado, no dia anterior, podia não ter sido uma coincidência… talvez ela estivesse sobre o efeito de algum poder demoníaco.
Depois de comerem, tanto Chelsea como Richard se foram despachar para os respectivos quartos. A ruiva tomou um duche rápido e depois vestiu um roupão para enquanto secava e esticava o cabelo e se maquilhava. Optou por uma sombra escura e um batom bordô. Depois voltou para o quarto e retirou o saco de dentro do roupeiro, tirando depois o vestido e o chapéu, que pousou em cima da cama. Vestiu aquele vestido preto, que na parte de cima era como se fosse um corpete e tinha um decote cai-cai em forma de coração, com uma pequena tira de pelo negro a acompanhá-lo. No centro do decote formava um laço da mesma cor, de cetim. Da cintura para baixo era como um saiote, com várias camadas de rendas pretas, e depois tinha pequenos laços de cetim cor-de-rosas em tira, afastados uns dos outros, mais ou menos a meio do comprimento. O vestido dava um pouco acima dos joelhos de Chelsea e assentava-lhe que nem uma luva. Depois disso foi a vez de calçar os sapatos, uns sapatos também pretos e com um salto alto, que faziam uma tira à volta do tornozelo. Ainda sentada na cama, onde se tinha sentado para se calçar, colocou meia dúzia de pulseiras pretas. A rapariga agarrou no chapéu e pôs-se em frente ao espelho, colocando o chapéu comprido e pontiagudo, a condizer com o vestido, na cabeça.
- Sou uma bruxa muito mais bonita que as Bruxas da Escuridão – Murmurou, sorrindo.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-18 14:11:36
Capítulo 20
As masmorras do palácio eram escuras e húmidas. As celas já estavam ferrugentas e velhas, mas mesmo assim era quase impossível escapar-se de lá. Eram grandes, no entanto, e eles tinham sido todos postos na mesma. William encontrava-se encostado às grades, ainda a reviver as últimas horas; Raj estava de pé, perto da minúscula janela que estava ao nível do chão do jardim, batia irrequietamente com o pé e esforçava-se por olhar apenas para a rua; Eresm e Quorq estavam ambos encostados a uma das paredes, enquanto Samantha, a única sentada, estava no outro extremo com a cabeça apoiada nas pernas encolhidas, sendo observada por eles. Tinha sido a noite mais longa da vida de todos.
- Então… - Eresm foi o primeiro a dizer a primeira palavra desde que tinham sido trancados naquele sítio, há horas – você é o Samuel?
Samantha levantou a cabeça e olhou para ele, formulando um sorriso triste.
- Sim, sou o Samuel – confirmou.
- Enganou-nos todo este tempo – murmurou Raj, como se pensasse para si.
- Peço desculpa, eu sei que… Queria apanhar o Marx, não sabia como… E acabei por fazer asneira.
- Sim… pois acabaste – pela primeira vez o príncipe abriu a boca e voltou-se para eles. Samantha mal reconheceu o seu olhar, mesmo debaixo daquela fraca luz. Estava negro, raivoso, nu de qualquer bom sentimento. Ela conhecia bem aquele olhar, tinha-o visto ao espelho por anos.
- Eu sei – disse, levantando-se – Mas se eu…
- O meu pai está morto, Samantha! – Gritou William, para espanto de todos, fazendo-a saltar de susto – Não há mas “se” nenhum, acabou tudo! Ele está morto, e nós somos a seguir. É tudo por tua causa!
Ela ficou estática a olhar para ele enquanto os outros trocavam olhares entre si.
- O quê? Foste tu que quis que me expusesse! Se não fosse por ti nem sequer tinha ido àquele maldito baile e nada disto tinha acontecido! Porque o Marx não tinha tido um pretexto para saber que estava viva! – Ela não se conteve, já levantada elevou também o tom de voz, fazendo com que os soldados se começassem a sentir um pouco a mais naquela discussão.
- Não para começares uma guerra! Não para isto. Só te queria mostrar como a tua vida podia ser. Só queria que viesses para casa. Mas tu não sabes o que “casa” significa, nem “família”. Nunca tiveste uma, como é que havias de saber?
A mão de Samantha voou de encontra à bochecha de William e embateu nela com tanta força que deixou a sua marca avermelhada. Não tinha pensado, tinha sido um acto involuntário, mas não se arrependia de o ter feito. Os três soldados ficaram estáticos perante aquela cena.
- Não sabes do que estás a falar – afirmou, com um tom já mais baixo mas claramente chateado – Como é que ousas dizer-me isso?
- Não? Então, por favor, explica. Chamas “família” àquele traidor que nos entregou, é isso? É ele a tua família? Porque chegaste aqui com uma grande conversa sobre um traidor na casa do rei, quando foste tu própria que o puseste cá dentro! Parabéns Samantha, a tua vingança está a deixar um rasto de morte, e sofrimento, que podes até vir a superar o Marx.
Os olhos da rapariga encheram-se de lágrimas que ela não autorizou que saíssem. Ele podia ter dito de tudo, mas nunca aquilo. Nunca compará-la ao homem que lhe tirara tudo.
- És mesmo um imbecil, William – murmurou, com um tom triste, enquanto abanava a cabeça – Sim, o teu pai morreu, e sim, esta vida não presta, e talvez isto seja culpa minha, mas um amigo nunca me diria o que tu acabaste de me dizer.
- Tu não queres amigos. Só queres a tua vingança.
Ela virou-lhe as costas e voltou para o seu canto, sentando-se de cabeça erguida a olhar para o tecto. O ambiente tornou-se ainda mais pesado, um cego podia ver a mistura de angústia e raiva que ia dentro daquela cela.
Eresm ainda pensou em dizer qualquer coisa para tentar aliviar o clima, mas achou por bem esperar mais um pouco, para que eles tivessem tempo de se acalmar um pouco sozinhos; Quorq pensava em como aquela rapariga tinha coragem, de se mascarar de homem, de falar como falou ao príncipe e de lhe bater; Raj não sabia o que pensar de toda a situação, não sabia se havia de admirar Samantha, de se sentir traído, ou de se limitar a pensar que daí a momentos todos podiam estar a caminho da forca.
- Acham que eles nos vão deixar aqui a apodrecer? – Perguntou Quorq, ao fim de longos minutos de silêncio de cortar à faca.
- Não – foi Samantha, para surpresa de todos, que lhe responder – Ele vai querer assistir à nossa desgraça. Já vi isto acontecer, em casa.
- Como é que sobreviveu àquela noite? À Noite Negra? – Perguntou Raj, intrigado.
- Por favor, quando era o Samuel tratavam-me normalmente, agora não quero formalidades. Sou a mesma pessoa, só que agora chamo-me Samantha. Consegui escapar, tive sorte.
Do outro lado do corredor uma velhota já fraca espreitou e, perante a vista daquela rapariga, abriu a boca de espanto.
- Psst – fez, captando a atenção da cela à frente da sua – Tu és a Samantha? De Walcaster? Sobreviveste?
Samantha franziu as sobrancelhas e levantou-se, aproximando-se das grades.
- Quem é você?
- Só uma velha sem valor – murmurou a mulher – Se estás viva, e o Marx já sabe de ti, é porque ele ainda não encontrou o que queria. Ele foi à Casa dos Kendric para procurar algo muito poderoso, algo que…
Nesse mesmo instante a porta abriu-se e poucos dos guardas de Marx entraram, mandando logo a mulher calar-se, deixando o resto da conversa no ar. Abriram a cela onde eles estavam e disseram-lhes para sair, escoltando-os para fora dos calabouços.
O que acham que o Marx procurava?
E o que vai acontecer agora?
Por favor comentem
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-17 19:45:35
Capítulo 5
Os Desejos * Parte 2
O rapaz olhou para Chelsea e depois dirigiu-se à secretária cheia de livros, começando a folhear o que estava por cima.
- Will, não aguento isto – Murmurou a rapariga, pousando a lâmpada com o génio em cima da cama e dando poucos passos até ao loiro – O tratamento do silêncio depois dos berros é ainda pior do que se tivesses continuado a berrar.
- O que queres que diga mais? Não importa o que diga, vais sempre fazer aquilo que queres – disse ele, sem retirar o olhar do livro ao qual não prestava a mais pequena atenção.
- Pensa o que seria se fosse contigo. Ias mesmo deixar aquela rapariga ser maltratada por tua causa? Por favor, tenta entender – implorou ela, tocando-lhe no braço – Will, põe-te na minha situação.
- Já pus – afirmou, voltando-se para ela e olhando-a nos olhos pela primeira vez desde que lhe tinha ralhado – E acho que não estás bem. Passei o Verão a tentar convencer-me de que estavas, mas nunca acreditei realmente nisso. E depois, quando me bateste à porta lavada em lágrimas obtive a confirmação do que já pensava.
- É verdade que não ando nos melhores dias, mas…
- E acho que isso te torna menos apta para o que tens que fazer. Acho que faz com que penses menos nas coisas que tens para fazer, que te torna demasiado vulnerável. E a pior parte é que não sei como te arranjar.
A rapariga ficou incrédula por poucos segundos.
- “Arranjar”?! – Perguntou, largando-lhe o braço e afastando-se lentamente dando poucos passos para trás. Will percebeu aquilo que tinha dito e fechou os olhos com força ao mesmo tempo que suspirou.
- Não foi isso que quis dizer – tentou explicar.
- Eu não sou um brinquedo que possas arranjar – disse Chelsea, com a voz firme mas as lágrimas à beira de caírem – Vim até ti porque achava que podia confiar em ti, e não para te passar a responsabilidade de me arranjares. Desculpa se ver o meu irmão morrer me deixou um bocadinho fora do normal – disse, sarcástica – Lamento imenso que o facto de ter perdido o Jensen e a Cassie, e de me sentir tão imprestável, seja um fardo para ti Will. Sabes que mais? Tens razão. Eu não sou apta para este trabalho – ela encolheu os ombros e Will abriu a boca para falar, mas ela não deixou – Talvez os Guardiães devessem tentar arranjar uma maneira de ressuscitarem a Faith, já que ela era tão perfeita e equilibrada.
- Não foi isso que quis dizer Chelsea – disse ele uma vez mais.
- Sabes que mais? Eu estou… - a ruiva suspirou e agarrou na lâmpada, saindo do quarto e dirigindo-se à porta de saída, da qual parou à frente – estou cansada Will, foi um longo dia e só quero ir para casa. Adeus.
- Chel… - ela não lhe deu tempo para falar, fechou a porta e começou a descer as escadas rapidamente.
Começou a caminhar apressadamente pelas ruas já com os candeeiros acesos e não quis pensar mais em Will, nem em Jensen, nem em qualquer outro assunto que a pudesse pôr à beira de um ataque de choro. Não queria chorar, queria ser forte, tinha que se aguentar.
Quando chegou a casa já estavam todos prontos para jantar, por isso foi pôr a sua mala e a lâmpada no quarto e depois juntou-se à família para comerem. Margaret foi a última a sentar-se, pois, como sempre, esqueceu-se dos guardanapos e teve que os ir buscar.
- Então meninos, como correu a escola? – Perguntou Norman, levando uma garfada de peixe à boca.
- Bem – respondeu Richard – Fiz um exame hoje, foi mais difícil do que estava à espera, mas acho que me safei bem.
- Ainda bem. Então e tu filha? Estás tão calada… - disse Margaret.
- Correu bem – limitou-se a filha a responder-lhe para, em seguida, continuarem a comer. Margaret e Norman andavam preocupados com ela desde que aparecera em casa com todas aquelas feridas e hematomas, e não eram os únicos. Richard e os seus amigos também estavam. Mas Chelsea continuava a dizer-lhes para não se preocuparem.
Depois do jantar Richard convidou a irmã para irem dar uma volta, mas ela preferiu ficar em casa, sentia-se exausta. Subiu para o quarto e tomou um duche rápido, vestindo o pijama em seguida. Depois tirou a mala de cima da cama e pô-la dentro do roupeiro, mas depois ficou a olhar para a lâmpada sem saber bem onde a pôr. Na verdade já se tinha esquecido que a tinha.
- Para onde estás a olhar? – Assustou-se ao ouvir esta voz inesperada, e depois tirou a tampa da lâmpada para olhar lá para dentro e ver Otto, muito pequenino, a olhar para ela de braços cruzados – Estava a ver que nunca mais. Vá lá, deve haver alguma coisa que queiras… não há? Talvez devolver umas memórias a umas certas pessoas…
- Como…? – Chelsea sentou-se na cama com a lâmpada ao colo, e falou directamente para Otto.
- Ora, os demónios também gostam de fofocas, Defensora. E a palavra que corre é que apesar de teres destruído duas Bruxas, as coisas acabaram por não ficar muito bem para ti. Pensa, se me deres permissão para sair desta lâmpada, posso tornar os teus desejos realidade. Só precisas de duas palavrinhas: eu desejo. O que desejas? Basta dizeres, está feito.
Chelsea engoliu em seco. Se ao menos fosse assim tão simples. “Eu desejo que todos eles se lembrem de tudo e que as Bruxas sejam todas destruídas e que possa viver descansada”, ela sorriu com este pensamento, mas depressa o tirou da cabeça. Os desejos são para serem alcançados, e não dados de bandeja.
- Otto, cala-te – mandou ela, suspirando – Eu não vou fazer desejos nenhuns. E agora quero dormir, por isso não faças barulho.
Pôs a tampa na lâmpada e pousou-a em cima da mesa-de-cabeceira. Deitou-se bem aconchegada e desligou a luz, fechando os olhos em seguida. Estava prestes a adormecer quando Otto recomeçou a tagarelar, e ela, uma vez mais, mandou-o calar-se porque queria descansar. Mas estiveram nisto a noite toda. Génios não dormem, e Otto queria alguém com quem conversar antes de ficar fechado num sítio para todo o sempre. Claro que Chelsea só pensava no teste que teria amanhã e que não tinha estudado, e por isso, o máximo que podia fazer, era descansar ao máximo.
Quando o despertador tocou, a ruiva ainda não tinha dormido absolutamente nada. Desligou-o e arrastou-se para a casa de banho, a resmungar para si mesma, enquanto Otto cantarolava uma música dos anos oitenta pela sétima vez seguida.
Chelsea passou a cara por água e encarou-se ao espelho. Estava lastimosa, ainda tinha uma expressão pior do que quando tivera a luta com Jecek. Tinha umas olheiras do tamanho do mundo.
- Nem toda a maquilhagem do mundo me melhorava o aspecto… - murmurou ela.
Mas decidiu tentar na mesma. Depois de se vestir, colocou alguma maquilhagem para tentar disfarçar a noite mal dormida, e depois guardou as coisas dentro da mala e ficou a olhar para a lâmpada a perguntar-se se a deveria levar ou não. Bem, não o podia deixar no quarto o dia inteiro, e se alguém entrasse e ele começasse a falar? Ainda matava Margaret ou Norman de ataque cardíaco. Pô-la então também dentro da mala, e depois desceu as escadas enquanto mandava que Otto se calasse.
Cumprimentou os pais e tirou uma maçã da fruteira, para comer pelo caminho para a escola.
Saiu de casa e começou a caminhar lentamente, era uma das raras manhãs em que tinha tempo.
- Quais são os planos para hoje? – Perguntou Otto, de dentro da mala. Chelsea revirou os olhos.
- Agora já sei porque é que os Guardiães não quiseram ficar contigo, és tão chato – reclamou ela – Tenho escola, sou uma rapariga normal Otto.
- Não, és a Defensora do Oculto, devias estar numa escola especial, ou a fazer treinos mágicos, ou… sabes… eu posso-te arranjar isso tudo. Basta…
- Não vou fazer desejo nenhum – Chelsea ouviu Otto reclamar baixinho, e depois calou-se.
Chegou à escola ao mesmo tempo que deu o toque, e viu o professor de Filosofia a entrar para a sala. “Prepara-te para a tortura…”, pensou ela.
Assim que todos os alunos se sentaram, o professor começou a entregar os testes e quase que ia dando um ataque a Chelsea. A rapariga tirou apenas o estojo e deixou a mala em cima da mesa, a um canto, para em seguida tentar perceber alguma coisa do teste. Pôs o seu nome e a data, e depois perdeu-se por completo. Talvez ajudasse se não tivesse adormecido em quase metade das aulas de Filosofia, mas o mal já estava feito. Olhou em volta e viu todos a escrever calmamente, e suspirou.
- Sabes, podes desejar ser a pessoa mais sábia do mundo – disse Otto, de dentro da mochila.
- Otto, aqui não! – Repreendeu Chelsea, olhando para os lados em pânico, para verificar se ninguém o tinha ouvido. Estava tudo calmo – Estás louco? Faz pouco barulho!
- Chelsea Burke! – Chamou o professor, fazendo Chelsea olhar para ele – Importas-te de não falar? Os teus colegas estão a tentar concentrar-se.
- Claro, peço desculpa – disse a rapariga dos caracóis ruivos, suspirando uma vez mais. Iam ser uns longos noventa minutos.
❦
Chelsea estava sentada num dos bancos do parque. Já eram quase seis da tarde, mas não lhe apetecia ir para casa. Ao colo tinha apenas a lâmpada, de onde se ouvia o cantarolar da mesma música que a impediu de dormir durante a noite.
- Otto, posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou ela, para o Génio, destapando a lâmpada. Ele olhou para cima e sorriu-lhe.
- Não posso ressuscitar mortos nem obrigar ninguém a apaixonar-se, mas tirando isso, posso fazer qualquer coisa – afirmou.
- Não é isso… já te disse, não vou desejar nada – disse Chelsea, revirando os olhos – Porque é que os Génios são maus?
Otto riu-se.
- Não somos. Os humanos é que são. Nós apenas gostamos de brincar com as coisas idiotas que eles desejam. São egoístas, pedem apenas coisas fúteis e desnecessárias.
- Mas se detestas isso, então porque concretizas os desejos?
- Que mais poderia fazer? Sou um Génio, foi para isso que nasci, concretizar desejos. Sabes… em tempos acreditei que houvesse alguém que conseguisse dizer “não” à possibilidade de concretizar um desejo num estalar de dedos – murmurou ele, com um certo desgosto – Aquele teu amigo, Will, está errado. O que te disse, que não estás apta para seres a Defensora, não está certo. A antiga Defensora veio a mim, sabias?
Chelsea arregalou os olhos de espanto. Faith tinha feito um desejo a um Génio?
- Estás a falar a sério? – Quis saber.
- Estou – e estava – E sabes o que ela desejou? Ser poderosa. Encontrou-me num período em que andava dominada pelo desejo do poder, e foi isso que me pediu. Em troca, devolvi-lhe a arte de sentir. Fi-la sentir coisas que há muito tempo não sentia, inclusive apaixonar-se. Por isso sim, teve o poder que desejou, mas depois o amor falou-lhe mais alto, ou não foi?
- Não fazia ideia… - murmurou a ruiva.
- És diferente dela, mas isso não te faz menos capaz. E se te faz sentir melhor, agora acredito de novo que há alguém que não se deixe sucumbir aos desejos. Afinal, tenho a certeza, agora depois de te conhecer minimamente, que não desejarias por poder, estou certo? – Chelsea mostrou um pequeno sorriso.
- Estás – afirmou. “Desejaria que os meus amigos, a minha família, todos eles fossem felizes, fosse como fosse…”, pensou ela.
- Então desejas…
- Esquece essa ideia – Chelsea riu-se, e Otto imitou-a – Sabes que amanhã te vou ter que dar aos Guardiães, certo?
- Sabes que não te vou deixar dormir esta noite, certo?
A Defensora revirou os olhos e Otto riu-se uma vez mais. Ela não queria admitir, mas até ia ter saudades dele… não era tão mau como ela pensava.
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publicado por i. às 2013-06-17 00:58:57
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-16 12:48:59
Capítulo 5
Os Desejos * Parte 1
Fazia-se silêncio no salão grande da Casa dos Guardiães. Chelsea estava de pé, no centro daquela sala daquele palácio que aparenta ser feito com paredes de vidro espesso, ou cristal, sempre com muitas curvas e a parecer não fazer qualquer nexo. Apesar de se sentir enervada antes de Will a ter transportado até lá, agora começava a acalmar. Era esse o clima que este espaço transmitia. Calma, esperança, luz. Todos os sentimentos bons que uma pessoa possa imaginar.
Ela estava sozinha. Will tinha ido chamar os Guardiães Oyuan e Clayde, os dois com quem Chelsea já tinha conversado no passado. A rapariga dos cabelos ruivos imaginava a razão pela qual teria sido mandada chamar. A única coisa que podia ser, o único assunto suficientemente grave para os Guardiães a quererem ver frente a frente, só podia ser o seu encontro com Jecek. Já tinha passado uma semana, e Chelsea apenas queria pôr esse assunto para trás das costas. Teve que inventar uma versão alternativa para contar ao pai, para fazer o relatório na polícia; depois teve que manter a mesma mentira com toda a gente e ainda teve que lidar com os olhares de pena; e pior que tudo isso: ouviu o maior sermão da sua vida, vindo de Will. Pela segunda vez, Chelsea tinha ignorado por completo os conselhos e pedidos do rapaz e ido directamente em direcção ao perigo. E pela segunda vez, ele lhe ralhou por isso. E apesar de tudo isso, teve sorte de não ter sido fechada na Casa dos Guardiães. Teve sorte de também eles terem tido pena dela. Depois de uma semana ter passado, Chelsea só quer acabar com este assunto de uma vez por todas, e só quer voltar a pensar naquele rapaz de cabelos loiros e rabo-de-cavalo quando o voltar a encontrar e tiver que o enfrentar uma vez mais. Até lá, e até que todas as feridas e nódoas negras abandonem por completo o seu corpo, não lhe quer dirigir mais um único pensamento.
Ao longe uma porta dupla em forma de arco, com uns enfeites, e branca como todo o resto do palácio, abriu-se e de lá deixou passar três pessoas. O primeiro era um senhor velhote e já sem cabelo, com umas quantas rugas na testa e até na nuca – Oyuan. Ao seu lado estava Clayde, com o seu cabelo loiro muito clarinho preso em dois carrapitos entrançados, um de cada lado da cabeça. Ambos envergavam umas túnicas num tom de pérola e com riscas e enfeites a dourado e roxo. Em todas as ocasiões que os vira, Chelsea sempre os viu com estas vestes, o que a fazia perguntar-se se possuiriam outras. Will vinha atrás deles, com o seu cabelo loiro todo despenteado e uma roupa casual, calças de ganga e uma t-shirt a conjugar com um par de ténis. Ele não tinha uma expressão feliz, e apesar de nenhum dos três vir a sorrir, Chelsea sabia que ele era o que menos contente se encontrava.
- Defensora do Oculto – cumprimentou Oyuan, baixando a cabeça como sinal de cumprimento, tal como Clayde fez.
- Olá – disse a rapariga dos caracóis, sorrindo-lhes – O Will disse que queriam falar comigo.
- É verdade – confirmou Clayde, retribuindo-lhe o sorriso – Mas primeiro, como tens estado? Não consigo compreender o quanto difícil toda esta situação deve ser para ti… mas de acordo com o Will tens-te portado bem.
- Eu estou… - Chelsea hesitou um pouco, mas depois encolheu os ombros e sorriu. De que serviria dizer a verdade e afirmar que não estava bem? Não mudaria nada – estou bem, estou mesmo.
- Não precisas de mentir, Defensora – afirmou a Guardiã.
- Por favor, chama-me Chelsea – pediu a rapariga, encolhendo os ombros – Defensora é tão… poderoso – A rapariga olhou-se e viu as suas calças de ganga, com vários rasgões ao longo delas como ditava a moda, e a blusa de alças, roxa. Estava simples, normal, nada heróica – Agora sou apenas a Chelsea.
Clayde assentiu com a cabeça e Oyuan tomou o seu lugar na conversa, enquanto Will se remetia ao silêncio.
- O que queremos discutir contigo é delicado, e presumo que já saibas o que é – disse o Guardião.
- Querem falar sobre o Jecek – adivinhou ela.
- Todos aqui sabemos o que aconteceu quando encontraste o primeiro Príncipe. E nenhum de nós quer que a história se repita, estou correcto?
- Sim… absolutamente, mas eu não conseguia deixar aquela rapariga ali, indefesa… a pagar por coisas que não fez – tentou Chelsea explicar, calando-se quando Oyuan levantou a mão a formular o pedido para que tal acontecesse.
- Eu não julgo, Defensora – disse ele, calmamente – És tu a Defensora do Oculto e és quem se responsabiliza pelos teus actos, sejam eles bons ou maus. Mas é nosso dever proteger-te e isso tens que compreender. Nós já perdemos uma Defensora… já te perdemos uma vez. E quase outra vez, no início do Verão. Por isso acho que consegues entender a nossa relutância quando descobrimos o que aconteceu e como sobreviveste por pouco. Tens tido a sorte do teu lado, mas não podes contar sempre com isso.
- És demasiado preciosa para morreres antes de cumprires o teu destino – intrometeu-se Clayde – O mundo inteiro depende de ti.
Chelsea arregalou os olhos e suspirou, surpreendendo os dois Guardiães, que ficaram espantados a olhar para ela. Já Will não foi surpreendido, ele já a conhecia o suficiente para saber o quanto aquela ideia a assustava.
- Vêem? – Perguntou Chelsea, para os dois Guardiães – Como é que podem esperar que fique calma quando dizem que o mundo depende todo de mim? Sem ofensa, mas eu sou só uma rapariga. Tenho dezassete anos… não sou alguém com grandes experiências de vida, não sou alguém com grandes conhecimentos… não podem esperar que seja uma heroína sem erros, porque isso é-me impossível. Mas apesar de fazer bastantes erros, não acho que ter impedido o Jecek de magoar mais aquela rapariga tenha sido um deles.
- Mas…
- Oyuan, por favor, deixa-me falar – pediu ela, ao que o velhote assentiu com a cabeça – Soube a partir do momento em que o vi que não era uma boa ideia ir ter com ele. Mas vocês falam sempre sobre a honra, e o dever que a Defensora tem em proteger as pessoas… e isso não são só palavras bonitas, eu sinto isso. Eu posso fazer bastantes asneiras, posso falhar os ataques nos demónios e derrubar árvores enquanto os tento apanhar… é muito provável que faça vários estragos na cidade para fazer um feito do mais simples que há… mas não me posso afastar só porque faço asneiras. Eu nunca quis ser a Defensora – os dois abriram a boca, de espanto, mas Chelsea não parou – e nunca fiz questão de fazer disso segredo. Disse ao Will desde o primeiro segundo que isto não era a vida que queria para mim. Acham mesmo que quero acordar a saber que tenho que combater demónios? Ou melhor ainda, acham que consigo dormir alguma coisa de jeito quando sei que há alguma coisa lá fora que quer destruir a minha cidade? O mundo? Eu não gosto nada disto. Mas quando vejo alguém inocente a ser maltratado e sei que posso pelo menos tentar fazer alguma coisa, não posso ficar quieta. Sim, sabia que ir contra o Jecek era como estar a mandar-me para a fogueira e a dar os fósforos ao inimigo. Mas todas aquelas tretas sobre o meu coração puro, e sobre como não quero que ninguém se magoe… isso é tudo verdade. E não digam que não pensei no que fazia, porque pensei. E meteu-me muito medo… e doeu, e ainda dói porque algumas das feridas ainda não sararam. Mas ia doer muito mais se o deixasse matá-la por minha causa.
- Nós entendemos a tua necessidade em ajudar os outros – afirmou Clayde – E como o Oyuan disse, não julgamos. Apenas queremos que tenhas cuidado, não subestimes os teus inimigos, porque eles são muito mais poderosos do que pensas.
- Eu sei – disse Chelsea – Eu sei.
- E com isso dito, chega o momento de falarmos no outro assunto pelo qual te pedimos que viesses, Defensora – disse Oyuan, após uma pausa de longos segundos na conversa, que, ao estalar os dedos, fez aparecer uma lâmpada na sua mão. Era bonita, feita de ouro e comprida. Parecia vinda das Arábias ou qualquer sítio dessas zonas, mas Chelsea não se deixou ficar muito fascinada. Ela não percebia o porquê dele ter aquela lâmpada na mão – Sabes o que isto é?
A rapariga sorriu, era um sorriso trocista.
- A Lâmpada do Aladdin? – Perguntou ela, a rir-se. Todos conhecem a história do Aladdin, o belo rapaz de rua que um dia, guiado pelo vilão da história, encontra uma lâmpada mágica e de lá de dentro sai um génio que lhe concede três desejos. Graças a isso ele consegue conquistar o coração da princesa, derrotar o mau, e salvar toda a cidade. Mas claro, o que mais conta é a coragem e o espírito dele, e não o facto de o génio lhe concretizar os desejos. Era um filme da sua infância, um dos que ela gostava bastante.
- É uma Lâmpada de Desejos, sim – disse Oyuan, abrindo-a e inclinando-a levemente para Chelsea, permitindo-lhe ver o que estava lá para dentro. Tudo muito pequeno, havia um sofá e uma televisão, com mais móveis como se de uma sala normal se tratasse. Deitado no sofá estava um homenzinho com um turbante e vestes árabes, que olhou para cima e disse adeus com a mão. Chelsea deixou a boca abrir de espanto, e ficou sem reacção por breves momentos.
- Isso é um… - a rapariga sorriu e voltou a olhar para os Guardiães.
- Sim Chelsea, é um génio – afirmou Will, que até àquele momento não tinha proferido uma única palavra.
- O nosso Guardião responsável por o armazenar e cuidar dele está fora por mais dois dias, e este génio foi descoberto por um mero acaso. Precisamos de alguém para tomar conta dele, mas tem cuidado… ele dirá qualquer coisa para que cedas e o deixes sair, em troca de três desejos. Não te deixes iludir, os génios são criaturas matreiras, dão sempre a volta à situação de maneira a que fiquem apenas eles a sair a ganhar – explicou Clayde – Ele dir-te-á qualquer coisa para te convencer.
- Vocês querem que… faça de babysitter para um génio? – Perguntou Chelsea.
- Ei! Eu não te trato por “humana”, trato? – Reclamou o génio, de dentro da lâmpada – O meu nome é Otto.
- Está bem, desculpa – murmurou a Defensora.
- Sim, queremos – disse Oyuan, passando a lâmpada para as mãos de Chelsea – Não te esqueças, nunca, em qualquer circunstância, o deixes sair daqui de dentro. Depois de amanhã o Will traz-te de novo para o devolveres, combinado?
- Se tem que ser… - sussurrou ela, não deixando ninguém ouvir.
- Vemo-nos nessa altura então – despediu-se o velhote, sorrindo-lhe.
- Está bem, adeus Oyuan, adeus Clayde – disse a ruiva, sorrindo-lhes também.
Will aproximou-se de Chelsea e a luz branca, quase cegante, começou a formar-se e obrigou-os a fechar os olhos para que, quando os abrissem em seguida, já se encontrassem no quarto de Will.
publicado por Filippa às 2013-06-13 12:08:22
Eu juro que tento não ouvir as conversas de autocarro mas é simplesmente impossivel! Neste caso foi na paragem que eu fiquei a saber que a cunhada da mulher que estava ao telefone não servia para mãe, estava sempre a gritar com a filha e a dizer que está farta dela, aprendi que isso não são coisas que se devam dizer a uma criança e que para ser mãe não basta querer. Fiquei também a saber que a dita cuja não se vai meter mais, vai falar com o irmão porque ela é que é mulher dele e ele é que tem de se entender com ela mas vocês estão a ver bem a peça não é? Segundo a dita cuja nem a familia fala com ela! Deve ser mesmo uma mulher do piorio... Entendi também que o filho da dita cuja faz anos na próxima semana e que como ele já tem 9 anos não vai fazer festa nenhuma em casa, vai pegar no puto e dar uma voltinha com ele. O menino deve ser muito educado e ligado à mãe porque disse que já não queria festa em casa e que por isso não fazia mal, eu cá acho que é uma mentira pegada porque miúdos de 9 anos, 99% sempre querem festa! Sei também quem vive em casa dela, é a mãe, ela e o filho e que ela nunca precisou de ninguém para criar o filho porque o pai nunca se chegou à frente e ela nunca lhe foi lá pedir nada! Super mulher caramba!
Enfim... eu quando é assim vou para uma zona mais afastada da paragem e falo à vontade e dentro do autocarro tento falar o mais baixo possivel mas infelizmente há pessoas que devem achar este método muito parvo e fazem questão de falar da vida toda num espaço público, não tem mal, nós até vamos sabendo e tendo uns conselhos grátis.........só que não, ninguém tem de levar com tanta desgraça e bocas sujas alheias.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-13 12:00:19
Eu vou postar este... mas não quero a Armadura do Coração só com um comentário, está bem?
Capítulo 4
Jecek: O Segundo Príncipe * Parte 2
Cerrou os punhos com força e começou a aproximar-se do pequeno beco, ligeiramente afastado dela, à sua esquerda. Primeiro espreitou, escondida na esquina do prédio, o viu uma rapariga no chão e um rapaz de pé. Ela tinha os cabelos ruivos e ele… ele era simplesmente divinal. Tinha uns cabelos loiros ligeiramente encaracolados, mas não muito grandes, presos num rabo-de-cavalo, e uns olhos azuis cintilantes. Não era muito alto, mas um pouco mais que Chelsea, e tinha uns músculos bem definidos, tal como os abdominais que se notavam por baixo do colete azul petróleo que tinha vestido.
O rapaz, com um rosto implacável, deu um pontapé no estômago da rapariga que estava no chão e esta soltou mais um grito.
- Vá lá, transforma-te! – Gritou ele, para ela – Vá lá Defensora do Oculto!
Chelsea engoliu em seco. Mais uma vez não deu ouvidos a Will, mais uma vez foi ao encontro de um dos Príncipes da Escuridão. E mais uma vez tinha um mau pressentimento quanto a isso. Mas isso não a impediu. “Tu lutas contra a Escuridão… ele é apenas mais um”, tentou mentalizar-se, enquanto deixava que a luz roxa e brilhante do pingente lhe passasse por cada milímetro do corpo, dando-lhe aquela túnica roxa da mesma cor dos calções curtos, e as botas pretas. Teve-a em mente enquanto sentia os seus cabelos a ficarem completamente lisos, e enquanto sentia a pequena máscara a formar-se em redor dos seus olhos. Em menos de dois segundos, lá estava ela. A Guerreira Defensora contra o Oculto.
- Pára! – Gritou Chelsea, de dedo a apontar para Jecek, que lhe dirigiu a sua imediata atenção – Como te atreves a fazer uma caça a raparigas que não têm nada a ver com a Luz ou a Escuridão? Tudo isto só para me encontrares a mim? Bem, aqui estou eu.
- Então tu é que és…
- A Guerreira Defensora contra o Oculto – Chelsea interrompeu-o, e ele sorriu-lhe cinicamente.
- Estás mais nova do que me lembrava – admirou, dando poucos passos em direcção a ela, permitindo que a outra rapariga se encostasse à parede, toda encolhida e cheia de medo.
- E eu nem me lembrava de ti… parece que afinal não és muito importante – Chelsea arrependeu-se daquilo que disse logo no momento em que o disse, mas já não se conseguiu parar. Jecek soltou uma gargalhada rouca, e Chelsea engoliu em seco.
- O meu irmão foi fraco demais… - pronunciou ele, antes de desaparecer.
Chelsea olhou em volta várias vezes e depois parou quieta, suspirando. “Que raio? Foi-se embora?”, pensou ela, enquanto se ia encaminhar para ir ajudar a rapariga. Mas algo a impediu. Levou uma pancada na barriga que identificou um pontapé, e caiu para o chão de costas. Mas ela não conseguia ver absolutamente nada. Mas isso não queria dizer nada. “Não pode ser…”, pensou, sem acreditar. Mas podia ser, sim. E era. Jecek não tinha os mesmos poderes que o irmão. Este Príncipe tinha o dom de se tornar invisível, facilitando-lhe assim várias batalhas.
Ainda no chão, Chelsea sentiu outra pancada, esta agora de lado, que a fez voltar-se. Ela levantou-se, mas foi-lhe feita uma rasteira e depois sentiu um peso por cima dela, sentiu Jecek por cima dela. O rapaz começou a apertar-lhe o pescoço com as suas mãos, e Chelsea tentava agarrá-lo, mas além das mãos, não lhe conseguia alcançar mais nada. Tentava a cara, que supunha estar algo acima da dela, mas mesmo de braços esticados não era capaz de lhe tocar. Estava a começar a ficar sem ar quando agarrou nas mãos do rapaz e o impulsionou para longe, com o poder de telicnese, mover as coisas com a mente. Viu uma pequena nuvem de poeira formar-se na parede, ele tinha batido lá.
Ainda mal se tinha de novo posto de pé quando foi agarrada e mandada contra outra das três paredes do beco, e depois contra um caixote do lixo. Já quase sem forças, e encostada à parede, começou a sentir vários murros, mas nunca no mesmo sítio. Jecek era esperto o suficiente para variar, para que ela não o agarrasse. E na rua, Chelsea nunca teria silêncio suficiente para tentar ouvir os movimentos que ele fazia. Basicamente, a rapariga estava condenada. Até que, no caixote do lixo viu umas latas de tintas de spray, e, com a mente, as fez disparar a tinta para a zona à sua frente, apanhando partes do corpo de Jecek, tornando-o assim fácil de identificar. O rapaz desviou-se e a Defensora mandou-o com a mente até à outra ponta do beco, mas este levantou-se calmamente e encarou-a.
- Numa próxima vez, Defensora – despediu-se, antes de desaparecer definitivamente. Chelsea engoliu em seco, até na despedida era parecido ao irmão.
Voltou-se depois para a rapariga, e esta olhava-a directamente.
- Tens telemóvel? – Perguntou Chelsea, ao que a rapariga assentiu com a cabeça – Chama uma ambulância… vais ficar bem.
Chelsea usou a levitação para subir para o telheiro de uma casa e depois para passar para outro beco, onde, sozinha, regressou às suas vestes e ao aspecto normal. Normal… com uns hematomas e arranhões acrescentados. Ela sentia-se como se tivesse sido atropelada por três camiões.
Começou a fazer o caminho de regresso a casa toda curvada por causa das dores e, a maior parte dele, encostada às paredes das casas ou aos muros dos jardins devido à falta de força que sentia ter. Até que já não aguentou mais e deixou-se cair no chão. Custava-lhe a respirar, mas ela queria ir para casa. Não queria ficar perdida no meio da rua, não queria ficar à deriva e desprotegida. Precisava de se sentir num sítio seguro, familiar… bom. Tentou levantar-se, mas em vez disso todos os seus músculos falharam e caiu no chão de novo, estremecendo. As feridas contra o alcatrão quente do sol ardiam bastante, e nem ela sabia como estava a controlar as lágrimas e não as tinha deixado sair ainda. De pensar que estava tão perto de casa… apenas mais uns poucos metros e estaria dentro das quatros paredes mais seguras que conhecia… mas nem um centímetro ela se conseguia mexer. Quando pensava que ia ter que ficar ali, estendida no chão da rua como se dum cadáver sem vida e abandonado se tratasse, começou a ouvir passos e levantou a cabeça a custo, para ver uma silhueta aproximar-se lentamente.
Quando o rapaz viu de quem se tratava, correu até Chelsea e ajoelhou-se no chão, horrorizado.
- Oh meu Deus! – Exclamou ele – Eu preciso de te levar para o hospital…
- Não – Chelsea foi rápida na sua resposta, mas a sua voz saiu algo fraca – Brad, por favor… leva-me apenas para casa. Eu fico bem…
Brad não gostou da ideia, mas viu no olhar da rapariga que se ele não a levasse até onde ela queria, então ela preferia que ele a deixasse quieta estendida no chão. Ela não queria ir ao hospital.
- Mas e se tens alguma coisa partida…
- Não tenho – garantiu Chelsea – Estou só aleijada…
Brad suspirou e agarrou em Chelsea ao colo, cuidadosamente, para os encaminhar até à porta da casa da rapariga. Ele bateu com o pé, e poucos segundos depois esta foi aberta pelo belo rapaz de olhos azuis e cabelos negros, que perdeu a gargalhada que dava enquanto abria a porta assim que os seus olhos bateram na rapariga dos caracóis ruivos, aninhada no colo de Brad.
- O que é que lhe aconteceu? – Perguntou ele, alarmado – Dá-ma cá…
E como se de um bebé se tratasse, Brad passou Chelsea para os braços de Jensen, e a rapariga sentiu-se bem. Sentiu um calor do qual já tinha saudades, mas não conseguiu aproveitá-lo bem por causa da situação que a tinha feito ir parar àqueles braços musculosos e corpo quente. Mas ela sentia… pouco e relativamente, mas sentia. “Como pode ele não sentir nada?”, perguntou-se a rapariga, enquanto sentia o calor vindo do peito de Jensen chegar até ela, “Não é possível… não pode ser”.
Jensen andou com Chelsea ao colo até ao sofá, onde a pousou com cuidado. Quando ela foi poisada no sofá, fez uma careta por lhe doer o corpo, e Jensen desviou-lhe um dos muitos caracóis dos olhos.
- Oh caracolinhos… o que é que te aconteceu? – Perguntou ele, voltando-se depois para Brad – Vai chamar o Richard e o PJ, estão no quarto do Richard.
Brad assentiu com a cabeça e assim fez, e Chelsea arquejou quando se tentou endireitar.
- Parece que tinhas razão… ter cabelo vermelho não é lá muito bom – ela tentou brincar, mas ele estava genuinamente preocupado. Nunca tinha visto a amiga em tão mau estado, e apesar de o esconder bastante bem, ele preocupava-se bastante com ela.
Richard e PJ chegaram à sala bastante alarmados, e o irmão ajudou-a a subir para o quarto e depois a desinfectar as feridas. Chelsea deitou-se na cama, toda encolhida, mesmo por cima da colcha e ainda com o vestido roxo no corpo.
- Chels…
- Só quero ficar sozinha Rich – pediu ela, engolindo em seco, olhando para ele.
- Mas não tens que ficar sozinha – Richard aproximou-se mais dela e sorriu-lhe, mas viu na face dela que era mesmo disso que precisava. Tempo e, sobre tudo, espaço – Mas eu vou.
O rapaz saiu do quarto da irmã e juntou-se aos outros três rapazes que comentavam o sucedido, na sala.
Chelsea apertou a almofada com a mão e aí sim, deixou que as lágrimas lhe lavassem a cara. Ia chorar tudo enquanto ninguém a visse. Para depois, mais tarde, inventar uma versão falsa sobre como foi atacada pelo “caçador de ruivas” e garantir que ia ficar bem.
❦
“Querido rapaz com a máscara…
Encontrei o Jecek hoje. O que lhe havia a mais em beleza, faltava em bondade. Não, não fiques com ciúmes, só tenho olhos para uma pessoa e és tu. Mas… tenho medo. Já sei, sou uma medricas, sempre disseste isso, sim. Mas não sei o que é pior: saber que já não te tenho lá para me protegeres, ou saber que podem ir atrás de ti e que talvez não te consiga eu proteger. Estou a ter dúvidas. O Will diz que tenho que acreditar mais em mim, que sou o ser mais poderoso na Terra. Ele diz isso com uma facilidade… Mas se sou assim tão poderosa, porque é que não te consigo fazer lembrar? Exacto. E se o teu irmão te for buscar e eu não o conseguir impedir? E se… e se não for forte o suficiente e algo mau te acontecer? Acho que nunca saberemos até ao momento, mas prometo-te isto: vou lutar até ao meu último fôlego se da tua vida se tratar. Vou dar o meu melhor. Por ti… por ti nem que estivesse a lutar contra extraterrestres mutantes filhos de vampiros arraçados de lobisomens. Por ti, vou resistir.
Sempre tua, Chelsea.”
Chelsea fechou o caderno e colocou-o no sítio, para depois voltar a repousar. Tinha sido um longo dia, precisava de descanso.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-12 21:16:56
Capítulo 19
Enquanto corria pelo corredor de vestido comprido, cabelo penteado, e espada na mão, pensava na loucura que estava a fazer. Lutar daquela maneira seria o seu fim, seria descoberta, executada, tudo acabaria e nunca teria a sua vingança. Mas, pela primeira vez em algum tempo, não foi isso que a levou para a luta. Não foi a vingança, foi a responsabilidade. Se não se tivesse intrometido tanto, se não quisesse derrubar Marx a todo o custo, então nada disto tinha acontecido. Tinham-na manipulado, e ela tinha caído que nem uma patinha. Agora tinha que arcar com as consequências e por isso, quando viu um dos soldados de Marx pronto a cortar a garganta a uma simples empregada, não hesitou em lutar com ele e cravar-lhe a espada no coração.
Os gritos, as lutas, as pessoas a fugir, tudo isso a levava de volta ao seu pequeno castelo, à sua Casa, àquela noite. “E é o mesmo causador”, pensou enquanto corria o mais que podia até chegar à sala do trono onde sabia que ia encontrar Irinoi com os seus guardas pessoais. Estava quase a chegar quando dois homens de cara tapada se puseram à sua frente e sorriram interiormente. Tudo o que viam era uma rapariga com uma espada, nunca sonhariam que seria mesmo ela a pôr-lhes termo à vida, como aconteceu momentos depois.
A sala do trono estava um caos. William lutava lado a lado com o comandante e os guardas; Irinoi também manejava a sua espada, embora mais resguardado; havia Cobras por todo o lado, em conjunto com os soldados de Marx. Samantha não conseguiu evitar parar por um momento e observar especada a tudo aquilo. Já mais de metade dos homens do rei enfeitavam o chão.
- Saia daqui! – Gritou Quorq, o primeiro a vê-la, despertando a atenção dos outros.
- Fuja! – Gritou-lhe Eresm.
William olhou-a apenas por um momento, estava em pleno combate, e Irinoi só desejou que ela não presenciasse aquele momento de terror uma vez mais. Um dos pertencentes à Ordem das Cobras reparou nela e dirigiu-se a si, fazendo-a engolir em seco e apertar o punho da espada com mais força. Mas logo quando ele ia investir num ataque, uma espada travou a dele: Raj metera-se à frente de Samantha no último momento e empurrou o homem para trás.
- Isto não é um sítio para uma lady – murmurou-lhe, com um sorriso presunçoso na cara, enquanto se preparava para atacar o adversário sem reparar que outro lhes chegava por trás. Samantha levantou a sua espada e lutou com o outro, dando voltas e voltas e rodopios e rodopios, acabando por o deixar inconsciente ainda antes de Raj o fazer ao outro, sendo ela também a acabar com ele deixando o comandante boquiaberto.
- Tem razão, comandante – disse-lhe.
Nesse mesmo momento Quorq perguntara em voz alta ao colega ao seu lado onde raios estaria Samuel, que seria tão precioso numa hora daquelas, ao que Eresm, ainda surpreendido, respondeu a apontar para Samantha:
- Acho que está aqui.
Todos juntos formaram uma roda à volta do rei. Já eram poucos. Samantha, William, Raj, Eresm, Quorq, Ezequiel e mais dois guardas.
- Estás bem? – Perguntou o príncipe para ela, enquanto esperavam que mais oponentes chegassem à sala – Como é que isto aconteceu? Pensava que chegavam à noite.
- Fui enganada – murmurou ela, apenas.
- O que é que se está a passar aqui? Ela acabou de…? Ela luta? – Balbuciou Quorq.
- Oh, está calado Quorq – mandou Samantha – Temos tempo para explicações depois disto.
- Se sobrevivermos – murmurou Ezequiel.
Mais Cobras chegaram à entrada da sala e os guardas do rei voltaram a tomar uma atitude mais séria. Samantha foi a primeira a investir, e a maneira como se movia, como atacava, como lutava como se não houvesse amanhã, surpreendia tudo e todos. Raj conhecia aquele estilo, apenas tinha conhecido uma outra pessoa que lutasse daquele modo. Apenas o soldado que nunca retirava o elmo.
Todos os soldados se juntaram a ela menos Ezequiel, pronto a defender o rei até à morte. Os dois aliados caíram, e ele caiu pouco depois, deixando o rei desprotegido.
- Não! – Gritou Samantha, quando viu Irinoi rodeado por três Cobras. Correu com todas as suas forças, esquivou-se do máximo de ataques que conseguiu, mas o destino estava traçado, e como um bom rei nunca se rende Irinoi caiu com toda a sua dignidade, embatendo contra o soalho gelado, fazendo com que o seu filho também corresse para ele o mais que podia. Samantha matou os três homens e ajoelhou-se junto ao rei, com as lágrimas nos olhos – Irinoi não… - murmurou, chamando-o pelo primeiro nome, como sempre fazia quando era pequena – Não pode morrer…
- Samantha… desde que te vi… que percebi… que estavas destinada a grandes coisas – disse ele, a custo. William chegou também e baixou-se junto do pai, com um nó na garganta – William… Samantha… tomem conta do meu reino. Desde que eram crianças… sabia que os vossos destinos se iam cruzar… que Deus esteja sempre convosco e vivam para lutar noutro dia.
E simplesmente assim, com um último suspiro, o céu ganhou uma nova estrela. Pela porta entrou Marx, acompanhado da rainha e de Jonah, a quem Samantha mandou um olhar mortífero.
- Está acabado – disse Marx, abanando um papelinho na mão – O rei morreu numa trágica batalha feita por uma ordem secreta… o reino não tem nenhum herdeiro e a rainha…
- Escolheu um bom amigo para governar com ela – completou a rainha, sorrindo ligeiramente – Baixem as vossas espadas.
Atrás deles mais um pelotão de guardas aguardava por ordens. Eram talvez cem homens. Cem, contra cinco.
William deixou que duas lágrimas lhe escorressem e com toda a sua raiva voltou a agarrar na espada e a andar furiosamente para Marx, sendo travado por Samantha, que se pôs à frente dele.
- Pára – pediu-lhe, com os olhos brilhantes – Lembra-te do que ele disse. Vive para lutar noutro dia, Will. Está acabado… mas ainda não chegámos ao fim. Pousa a espada. Por favor.
Ele engoliu em seco e olhou em volta. Seria suicídio investir num ataque, e causaria também a morte daqueles que tão heroicamente tinham tentado defender o seu palácio. A espada escorregou-lhe da mão e embateu no chão, causando-lhe um nó ainda maior na garganta. As espadas de Raj, Quorq e Eresm caíram de seguida. Samantha engoliu em seco e voltou-se para Marx, começando a caminhar calmamente para ele. Os seus guardas puseram-se em posição de ataque, mas ele fez-lhes sinal para que se acalmassem. Ela parou a poucos centímetros dele, olhando-o de um modo sério e implacável.
- Ainda não acabámos – disse-lhe, antes de mandar também a sua espada para o chão – E não importa o que faça, lorde Marx, aquele trono nunca será verdadeiramente seu.
Ele sorriu-lhe de um modo de gozo.
- Queres tanto apanhar-me, que te tornas patética. Guardas! Levem-nos para os calabouços. Lidarei com eles mais tarde.
Comentem (:
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-11 23:43:00
Capítulo 4
Jecek: O Segundo Príncipe * Parte 1
Chelsea olhava para as paredes brancas e deprimentes e suspirava. Já estava no hospital há quase cinco horas, já tinha escurecido.
Depois de a ambulância chegar, Chelsea pediu para seguir com a rapariga ruiva que tinha sido alvo da caça à Defensora do Oculto para o hospital, e é lá que está desde essa altura. Sentada numa cadeira preta e desconfortável, com pouco mais de cinco pessoas no mesmo espaço, e duas atendedoras ao balcão. O seu pai chegou pouco depois e deu um abraço a Chelsea, agradecendo a Deus por não ter sido ela a vítima. Depois esperaram os dois até que a rapariga saísse da cirurgia e recuperasse os sentidos, e então os médicos deram ordem para que o xerife entrasse. Os pais dela chegaram nessa altura, e foram também para dentro do quarto. Chelsea conseguia ver por uma parede de vidro que a mãe chorava rios de água, e que o pai também acabou por deitar uma ou duas lágrimas, enquanto o xerife fazia um breve interrogatório.
A Defensora suspirou, estava farta de ali estar. Detestava hospitais, de alguma maneira conseguiam pô-la ainda mais deprimida. Mas queria falar com a rapariga, precisava de saber também a sua versão dos acontecimentos. Queria ajudar, e para isso precisava de estar preparada. Olhou para o relógio uma vez mais, já tinha telefonado à mãe para que não se preocupasse, mas a verdade era que estava desejosa para chegar a casa e se enfiar dentro da sua banheira para relaxar. Não estava a ser um dia bom. Primeiro o mal entendido com a “rainha” da escola por causa de Jensen, e depois ter encontrado uma rapariga completamente inocente a ser atacada por sua causa. Só queria poder enfiar-se por baixo dos lençóis da sua cama e adormecer durante um tempo indefinido.
Os pais da rapariga e o pai de Chelsea saíram do pequeno quarto e dirigiram-se à rapariga dos caracóis ruivos, que se levantou ao vê-los chegar.
- Muito obrigado – agradeceu a mulher, dando um abraço a Chelsea – Obrigado por a teres encontrado.
- Lamento… - murmurou a rapariga – O que é que os médicos disseram?
- Que as lesões não são permanentes, graças a Deus – disse o pai da rapariga – Deve ter alta daqui a três dias.
- Ela pediu para falar com a rapariga que a encontrou – disse o xerife Burke, para a filha – Vai lá que eu espero aqui para te ir deixar a casa. Ainda quero voltar à esquadra para dar mais uma vista de olhos por estes casos.
Chelsea sorriu-lhes e dirigiu-se até ao quarto. Bateu à porta e depois abriu-a, vendo a rapariga esboçar-lhe um pequeno sorriso.
- Então foste tu que me encontraste – pronunciou ela, com custo – Obrigado.
- Lamento muito… - afirmou Chelsea, sentando-se na cadeira ao lado da cama e sorrindo à rapariga – Podes… podes-me dizer o que se passou?
- É como eu disse ao xerife… não faz muito sentido… mas é o que me lembro. Vi um rapaz com um rabo-de-cavalo aparecer mesmo à minha frente, vindo do nada… é estupidez, esquece…
- Não – afirmou Chelsea, dando-lhe a mão – Diz-me exactamente do que te lembras.
- Mas é impossível… Como te chamas?
- Chelsea.
- Eu sou a Amelia – Amelia sorriu, e Chelsea imitou-a – É como o xerife Burke disse, tal como os médicos disseram… esta versão pode ser apenas o meu cérebro a camuflar os verdadeiros factos para se proteger de algum trauma…
- Amelia – Chelsea pousou a sua mão por cima da de Amelia e esta olhou para ela fixamente. A rapariga dos caracóis ruivos sorriu-lhe carinhosamente, e Amelia pôde ver nos olhos de Chelsea que havia algo de diferente. Ela podia confiar nela, era essa a sensação que tirava daqueles lindos olhos verdes – Independentemente do que disseres, eu vou acreditar em ti, está bem? Acontece que eu acredito em muitas coisas que outras pessoas não acreditam. Confia em mim.
- Há uma coisa que não disse ao xerife – murmurou a rapariga, poucos segundos depois de ter estado a pensar calmamente sobre se deveria, ou não, dizer isto – O rapaz que me atacou… ele disse uma coisa.
- O quê? O que é que ele disse? – Insistiu Chelsea.
- Ele disse… “e se a Defensora te aparecer, faz-lhe saber que todo o sangue derramado está nas suas mãos”… ele está atrás da Defensora do Oculto, mas não consigo perceber porquê. Ela é boa… então isso só quer dizer que ele é mau, e por isso tenho sorte em estar viva.
Chelsea desviou o olhar do da rapariga e suspirou. Ele estava a culpá-la. Estava a magoar as raparigas e ainda por cima culpava a Defensora do Oculto.
- Lamento imenso o que te aconteceu – disse Chelsea, quando voltou a olhar para Amelia – Os médicos disseram que sais daqui a poucos dias.
- Sim, tive sorte – sorriu a rapariga – E tu devias ir para casa… disseram-me que já cá estás há bastantes horas Chelsea. Vai descansar, também mereces.
- Eu vou… toma conta de ti, sim? – Chelsea dirigiu um último sorriso a Amelia antes de se levantar e sair, e então os pais da rapariga voltaram a entrar para o quarto.
Chelsea dirigiu-se ao seu pai, que se encontrava sentado na cadeira em que ela anteriormente estava, e este levantou-se e abraçou-a com apenas um braço.
- O que é que ela te disse? – Perguntou Norman, enquanto se dirigiam à saída do hospital. Chelsea encolheu os ombros.
- Só me agradeceu, basicamente – disse ela, num tom mais que convincente.
- Tens que ter cuidado Chelsea… este patife parece ter uma queda por…
- Ruivas, sim, já reparei – murmurou a rapariga – Eu tenho, não te preocupes.
Norman Burke deu uma gargalhada sonora, e Chelsea olhou para ele surpreendida.
- Estás mesmo a dizer a um pai para não se preocupar com a filha? – Perguntou ele, irónico. A rapariga revirou os olhos e entrou para dentro do carro da polícia, no qual o pai a deixou em casa.
A mãe e o irmão já tinham jantado, por isso Chelsea comeu apenas uma tigela de cereais, ela não tinha fome nenhuma, nem qualquer disposição para fazer absolutamente nada. Antes que começasse a fazer a digestão, foi tomar um duche, e depois meteu-se dentro dos seus calções azuis-escuros com naves espaciais e da camisola de alças, amarela clara com um pequeno laço da mesma cor dos calções, do lado direito.
Pôs-se então em cima da cama, de pernas cruzadas, e abriu o seu pequeno caderno de capa preta. Queria “contar” as novidades ao seu príncipe encantado.
“Querido rapaz com a máscara…
Hoje não estou minimamente feliz. Eu sei o que vais dizer… “nunca estás, ultimamente só te queixas”. Mas bem… há dias em que se aguenta, mas hoje não é um deles. Estou um pouco chateada contigo, sabes? Quer dizer, como é que conseguiste convidar a Dana Altman para um encontro? A Dana Altman?! Sempre soubeste o quanto eu odeio essa rapariga desde aquele dia no jardim-de-infância em que despejei o pudim de chocolate que a mãe me tinha feito, em cima de mim, e ela gozou comigo. Era o meu primeiro dia de jardim-de-infância e tu também lá estavas, era o teu último ano lá antes de ires para a escola primária. Lembro-me de me esconder a chorar e de tu depois vires ter comigo para me consolares… engraçado, acho que foi a última vez que foste meu “amigo”… pelo menos a última de que me lembre. Depois tornaste-te… bem, tornaste-te no Jensen parvo e estúpido com o qual mal consigo falar sem me enervar. Sim, sei o que estás a pensar: “mas tu apaixonaste-te por esse Jensen parvo e estúpido”. Bem, não gozes, não há razões para isso.
Mas não te preocupes, não és a única razão da minha miséria. Descobri que um dos teus irmãos está na cidade. Jecek. Sabes alguma coisa sobre ele? Pois… nem eu. Ele tem atacado raparigas de cabelos ruivos, por ser a cor dos cabelos da Defensora, e o Will só me diz para ficar quieta e não fazer nada… ele diz que o Jecek é um dos irmãos mais poderosos, mas ele diz isso de todos. Mas o pior são as raparigas. Encontrei hoje uma. Estava deitada no chão, toda maltratada. Chama-se Amelia, e eu levei-a para o hospital e fiquei lá até ela acordar. Ela surpreendeu-me… parecia estar a lidar bem com a situação… bem, eu não estou. Não posso permitir que ele faça estas coisas, mas posso-te contar um segredo? Apesar de fazer o papel de que sim, na verdade não o quero enfrentar. Não, não estou a ser medricas… bem, talvez um pouco. Mas eu nunca pedi para ter monstros atrás de mim, é perfeitamente natural que tenha medo.
Apenas desejava ouvir algum conselho vindo dos teus lábios… ouvir algum pedaço de sabedoria dita com a tua voz… infelizmente acho que isso é impossível.
Sempre tua, Chelsea.”
Chelsea pôs o caderno de novo por baixo do colchão e deixou-se deitar na cama, mirando o tecto pintado de branco ao mesmo tempo que suspirava. Era em alturas como esta que ela mais sentia a falta dele. Sentia falta dele simplesmente a abraçar, mesmo que não dissesse nada, pois isso era o suficiente para lhe dar força para sobreviver a mais um dia.
❦
Chelsea abriu os olhos e bocejou. Fazia uma linda manhã de sábado fora das paredes daquela casa, mas ela não se importava. Não queria sair da cama, isso implicava enfrentar o mundo real e ela não estava pronta para isso. Nesta noite, numa das poucas vezes desde a batalha com as duas Bruxas, Chelsea não teve pesadelos. E era assim que queria ficar. Aconchegada num mundo de sonhos e esperanças. Num mundo cheio de luz, em vez de nas trevas que cada vez mais habitam a Terra.
A rapariga voltou-se de lado e tapou a cabeça com o lençol, apertando mais a almofada para que ficasse mais volumosa. Mais uma vez, bocejou. Olhou para o despertador e verificou que já eram onze horas, estava na hora de sair da cama e começar a enfrentar tudo aquilo que estar acordada implicava.
Caminhou tipo zombie até à cozinha, onde bebeu uma caneca de leite, e depois voltou para o quarto para mudar de roupa. Vestiu um vestido, para variar um pouco. Depois do almoço ia-se encontrar com Helen, Tony e Brad, por isso assim ficava já despachada. O vestido era cai-cai, apertado na parte da cintura mas folgado daí para baixo, até quase aos joelhos. Era roxo clarinho.
Depois do almoço, a mãe mandou-a ir às compras, por isso mandou uma mensagem aos amigos a dizer que já não podia ir ter com eles, mas Helen disse que não fazia mal pois na verdade todos tinham outras coisas para fazer. Helen, claro, ia estudar. Ao contrário da amiga, Helen era uma rapariga bastante estudiosa e interessada pela escola.
Margaret foi para a Loja de Noivas, e Norman para a esquadra da polícia. Ele prometeu-se não repousar enquanto não encontrasse o “caçador de ruivas”. Richard estava à espera que PJ e Jensen chegassem, pois iriam os três estudar para exames na universidade. “É claro que eu é que tenho que ir às compras...”, reclamou Chelsea interiormente.
Foi calçar umas sandálias pretas e dar uma penteadela ao cabelo, agarrou no dinheiro que a mãe tinha deixado em cima da mesa, e depois saiu de casa. A mãe já lhe tinha estragado os planos para uma tarde de relaxamento e diversão.
Chelsea ia a passar numa rua pouco movimentada quando parou subitamente ao ouvir um grito e sentiu uma dor no coração que apenas durou por dois segundos. Olhou instintivamente para o lado de onde o grito tinha vindo, e engoliu em seco. Ela sabia do que se tratava. Sabia o que era e o que queria. Mas não tinha a certeza sobre o que deveria fazer agora. Chelsea queria ajudar a pobre rapariga que certamente estaria em apuros, mas não conseguiu mover um músculo por vários segundos. “Não quero… tenho medo”, pensava ela. Mas como alguém inteligente uma vez lhe disse: um herói não é aquele que não tem medo, é simplesmente alguém que o tem, mas não o deixa reinar e segue em frente. Chelsea era esse tipo de alguém. Não era à toa que o nome “heroína” lhe era atribuído.
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publicado por i. às 2013-06-11 20:07:23
Aquele momento em que estás tão vidrada em alguém impossível que quando tentas seguir em frente, dás por ti a compará-lo com os outros e sabes o que é engraçado? É que os outros nunca são iguais a ele, como já seria de esperar. Queres ser feliz e sabes que precisas de o tirar da tua cabeça e coração, mas ele não sai e nunca ninguém é tão bom como ele. Nunca ninguém te chama a atenção como ele chamou. Nunca ninguém é suficientemente igual a ele.

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publicado por i. às 2013-06-09 19:43:25
Eu não tinha a certeza se havia de fazer este post, mas é o melhor..os comentários nos capítulos têm descido e até acho que várias pessoas deixaram de ler. O que eu queria saber era o porquê. É por demorar muito a postar, é por não ser interessante, é por já estarem fartas? Caso seja alguma coisa destas, eu gostava que me dissessem porque assim ou acabo a fic mais rápido, não escrevendo um pequeno dramazinho que ia acontecer ou continuo com as ideias que tinha, mas preciso que me digam alguma coisa.
Ainda tenho leitoras? Ainda há interesse na fic? Ainda andam por aí?

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publicado por i. às 2013-06-09 17:54:45

e agora sim, vou ter tempo para postar e escrever.
Visto que os meus testes acabaram, vou postar um capítulo muito em breve, por isso, se ainda tiver leitoras, fiquem atentas.
Ando com uma ideia para uma nova história, mas se a chegar a escrever só falarei dela depois de terminar a Inconditional Love
Bem, espero que as férias sejam boas e que disfrutem do vosso verão, apesar deste tempo de caca.
Gosto muito de vocês, beijinhoos.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-09 12:40:28
Capítulo 3
A Caça * Parte 2
- Então Chelsea, despacha-te lá – queixou-se Helen, enquanto esperava que Chelsea se despachasse. A turma de ambas ia ter Educação Física dentro do ginásio, e Chelsea, como sempre, estava a atrasar-se um bocado.
Helen suspirou e começou a dobrar a roupa que a amiga despia, para vestir uns calções curtos de fato de treino e um top de alças. Enquanto Chelsea se calçou, Helen guardou-lhe as coisas todas no cacifo, e depois seguiram as duas para dentro do ginásio. O professor tinha dito que a aula de hoje seria diferente.
Assim que entraram, viram uma fila de colchões no chão, e estranharam. Que iriam fazer?
Juntaram-se ao resto da turma, em torno do professor, para ouvirem a explicação, e uma das suas colegas, Dana Altman, começou a fazer troça de Chelsea por esta chegar sempre atrasada e por de manhã ter entornado um copo de água por cima de Brad, sem querer. “Bah, odeio aquela rapariga”, pensou a ruiva.
- É que eu sei que está calor, mas…
- Cala-te – mandou Chelsea, a Dana.
- E vocês as duas podem ficar juntas. Não gosto de discussões na minha aula – disse o professor, para desagrado das duas. Helen olhou para a melhor amiga com ar de pena, e Chelsea apenas suspirou – Como eu estava a dizer, devido aos recentes ataques na cidade, o xerife achou por bem que fossem ensinados alguns modos de defesa aos alunos. E eu não podia concordar mais. Vocês têm que aprender a defender-se.
O professor mandou então que se pusessem de frente para os colchões, aos pares, com um aluno à frente – que faria de vítima – e outro atrás, o atacante. Chelsea ficou à frente, pois Dana recusou-se a fazer-se de vítima, e então, seguindo as instruções do professor, Dana colocou o braço a apertar o pescoço de Chelsea para que quando o apito apitasse, ela se soltasse como lhe tinha sido acabado de demonstrar.
- Sabes aquele rapaz que anda muito com o teu irmão? – Perguntou Dana – O Jensen Mills?
Chelsea apertou o pulso da colega com um pouco mais de força. Claro que ela sabia quem ele era, mas a pergunta é: o que tem Dana a ver com isso?
- Porquê? – Perguntou a ruiva.
- Bem… saímos ontem à tarde… ele disse que me ia telefonar, mas ainda não telefonou… quer dizer, de certeza que perdeu o número, que outra explicação é que pode haver? Sou eu, logicamente que me quer telefonar… - disse a rapariga, presunçosa, fazendo com que Chelsea tivesse cada vez mais dificuldade em controlar-se.
“Ele convidou-a para sair?!”, pensava a rapariga dos caracóis ruivos, “Mas como pode ele gostar dela quando me amou a mim? Somos completamente diferentes!”. Amou… mas Chelsea não acreditava que ele a tivesse amado naquele tempo e que agora tudo tivesse acabado. Não pode ser. Não pode ser tudo passado, não pode ser definitivo. Ela apenas tinha que arranjar uma maneira para o fazer lembrar-se de tudo.
- Olá? Estás a ouvir? – Chamou Dana à atenção, com aquela voz esganiçada – E sabes o que me surpreendeu… ele até beija bem…
Ela tentou. Tentou mesmo. Mas foi mais forte que ela. Chelsea agarrou no braço que lhe envolvia o pescoço, com mais força, e impulsionou o corpo de Dana por cima das suas costas, para a frente, fazendo-a cair no colchão. Tal como o professor tinha ensinado. Tal como Will já a tinha ensinado a fazer há meses atrás. Tal como ninguém achava que ela conseguiria fazer por ser tão desastrada.
Ficaram todos a olhar para elas as duas, pois Dana gritou um berro bem grave enquanto ia caindo no colchão e, enquanto Will olhava para Chelsea como se a repreendesse por dar nas vistas, o professor dirigia-se a elas.
- O apito ainda não tinha tocado – repreendeu ele. Chelsea sabia disso perfeitamente, mas não aguentou mais. Não aguentou ouvi-la a falar de Jensen como se ele fosse um brinquedo de usar e deitar fora.
- Desculpe, eu… - murmurou a ruiva, para ser logo interrompida.
- Porém a técnica foi impressionante. Parece que ser filha do xerife tem as suas vantagens, não é? – O professor não podia estar mais errado. Nunca Norman Burke ensinou a filha a mover um único músculo para se defender.
- Claro – disse a rapariga, sorrindo.
- Desculpem?! – Resmungou Dana, ainda estendida no colchão – Ela é doida! Eu podia ter-me magoado a sério!
- Controla o drama – disse Helen, chegando-se ao pé da amiga – Os colchões estão aí para alguma coisa.
- Professor… - chamou Chelsea, sendo-lhe de novo dirigida a atenção – Desculpe, não me estou a sentir bem… posso ir para casa?
Ele ficou um pouco pensativo antes de responder, mas depois assentiu com a cabeça.
- Tem cuidado – advertiu, ao que a rapariga assentiu também com a cabeça. Passou por Helen e dirigiu-lhe um pequeno sorriso. A verdade é que não era preciso esforçar-se para se fingir de doente ou maldisposta, a sua cara transmitia mesmo isso. Claro que era mais de tristeza e saudade, mas ninguém mais sabia isso.
Chelsea entrou no balneário e retirou as suas coisas de dentro do cacifo, para mudar de roupa. Trocou as roupas de Educação Física por uns calções de ganga rasgados e uma blusa cinzenta clara, com uma camisa de manga curta, aos quadrados roxos, por cima, com um nó dado nas pontas. A rapariga calçou os All-Star pretos e depois dirigiu-se aos espelhos para ajeitar o cabelo e colocar um pequeno brinco em cada orelha, e também ajeitar o pingente que tinha ao pescoço. Chelsea suspirou. Ela tinha a noção de que tinha exagerado um pouco há minutos atrás. Talvez não devesse ter mandado Dana assim para ao chão… mas não conseguia deixar de pensar que lhe tinha sabido bem. Aliás, um pequeno sorriso brotou nos seus lábios devido a isso. Há anos, desde que conhece a irritante “diva” do liceu, que Chelsea lhe queria dar uma lição. Talvez isto não se enquadrasse nesse campo, mas era muito melhor que nada.
A Defensora do Oculto guardou as suas coisas e depois colocou a mala preta ao ombro, saindo em seguida do balneário. Educação Física seria a sua última aula, por isso estava livre para ir para casa.
Saiu pelos portões do Liceu de Diamond City e deu graças a Deus por amanhã ser sábado e não ter que se levantar cedo. As primeiras duas semanas de aulas já tinham passado, daqui a nada o Verão acabava… e depois vinha o Outono, e então as férias de Natal. Mas até lá ainda muito aconteceria…
A rapariga começou a caminhar lentamente de volta a casa. Não se sentia com vontade de se fechar naquelas quatro paredes do seu quarto, pois sabia que no segundo em que entrasse nelas se ia desmanchar num pranto inacabável devido ao vazio que sentia. E sentia-se determinada a fazer de tudo para não ter tempo para se sentir dessa maneira… não queria ter tempo para pensar nele, nem em Cassie e na falta que ela lhe fazia… não queria ter tempo para ficar sozinha com as más recordações que lhe estragam as noites ao invadirem a sua mente na forma de pesadelos.
Ia a passar ao lado de uma rua sem saída quando, por acaso, olhou para ao lado e lá viu uma rapariga deitada no chão. Sentiu um aperto no coração, poderia ser?
Chelsea correu até ela e engoliu em seco. Sim, era. Mais uma rapariga ruiva. Mais uma inocente gravemente ferida pelo maldito Príncipe da Escuridão. Chelsea pôs-se de joelhos no chão e telefonou para as emergências para pedir uma ambulância, e depois para o seu pai para reportar o acontecimento. A Defensora do Oculto olhou em volta várias vezes; Jecek já não estava por perto, mas ela temia que ele voltasse.
- Oh Deus… - murmurou ela, enquanto observava o rosto da rapariga, onde hematomas negros se formavam – lamento tanto…
Will tinha razão. Ela sentia-se culpada por estes ataques. Porque haveria pessoas inocentes de sofrer numa caça desenfreada à Defensora do Oculto? Não é culpa delas. “É minha”, pensou a rapariga com os caracóis ruivos a abanarem graciosamente ao sabor da pequena brisa que se fazia sentir, enquanto ouvia a sirene da ambulância, anunciando que a ajuda se aproximava rapidamente.
publicado por Filippa às 2013-06-08 14:41:47
Quando começam a falar de quanto vão sentir a falta das pessoas que andaram com vocês no secundário eu reviro os olhos e é logo 'Pára já aí!', não façam do fim do secundário a causa de certas amizades acabarem, se elas acabam depois disso é porque não eram fortes o suficiente, é porque a amizade não era assim tão grande, porque verdade seja dita, nunca vamos sentir falta das pessoas que não gostamos, daqueles colegas com que trocámos cinco palavras ao longo do secundário. Agora se aquelas amizades que vocês consideravam o supremo das relações acaba, então é porque uma das partes não está assim tão interessa em que ela se mantenha, não argumentem com a distância porque há telemóveis, skype e todas essas modernices. As amizades têm de ser cuidadas e quando passas a ver esse tal amigo muito menos vezes de quando andavas na escola então tens de começar a cuidar dela, ter o cuidado de mandar uma mensagem, fazer uma chamada, combinar um cafézinho, e assim garanto-vos que as pessoas não se afastam, aliás os afastamentos só ocorrem porque as pessoas deixam.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-07 14:01:35
Hoje não ia postar nada, mas como tive um tempinho...
Capítulo 18
Samantha não pregou olho toda a noite. Ainda se tentou convencer de que estava em segurança, pelo menos durante mais algumas horas, mas era escusado. Não conseguia descansar. Não enquanto William não regressasse. Não enquanto não soubesse que todos no palácio estavam a salvo.
Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela, levantou-se e vestiu um vestido branco com um cinto castanho, e fez uma trança com o cabelo. Ouviu cavalos a chegar na rua e saiu do quarto a correr, dirigindo-se aos portões. Ele tinha finalmente chegado.
- Finalmente! – Exclamou ela, abraçando-o nos estábulos, quando ambos estavam a sós.
- Isso era tudo saudades? – Perguntou-lhe William, presunçoso, rindo-se e dando-lhe um beijo na bochecha.
- Temos que conversar. É sério – a expressão de felicidade fugiu do rosto do príncipe apenas com aquelas palavras – Mas aqui não. Vem.
Foram até ao quarto da rapariga e ela sentou-o na cama, sentando-se ao seu lado, e enquanto lhe agarrava nas mãos ia contando as suas descobertas com toda a calma e compreensão quanto podia. No fim apenas via o rapaz com os olhos enlagrimados enquanto tentava assimilar tudo o que tinha ouvido.
- Isso não pode ser verdade – disse ele.
- Eu sei, mas é. E quero-te mostrar o papel, e as cartas. Vamos lá agora e podes ver tudo com os teus próprios olhos. Will, lamento.
- Não… mas… ele é o meu pai, Samantha.
- Eu sei – murmurou ela, sorrindo-lhe – E vai sempre ser. Vamos?
Andaram os dois até aquela escadaria e subiram os degraus quando ninguém os via. Entraram na sala e fecharam a porta, via-se bem com a luz vinda do exterior. Ela dirigiu-se logo à caixa de jóias, depois de lhe ter indicado qual era a jarra, porém encontrou a caixa vazia.
- Algo está errado – murmurou – Will!
Quando retornou à sala viu-o a agarrar o jarro de cabeça para baixo, mas também este se encontrava vazio.
- Não está aqui nada, Sam.
- Oh não… Will, alguém descobriu isto. O que significa… tens que avisar o teu pai e os guardas agora mesmo! Eles têm que se preparar, o palácio vai ser atacado à noite! Tens que acreditar em mim, estou-te a contar a verdade.
- Claro que acredito em ti – ele pousou a jarra e abraçou-a, deu-lhe um beijo na testa e saiu.
Samantha ainda lá ficou mais uns segundos, mas então seguiu enfurecida para o quarto onde Samuel ficava. Entrou lá e tirou a armadura do roupeiro, pondo-a em cima da cama, deixando a espada ainda encostada a um canto. Porém não se vestiu logo. Não percebia como isto podia ter acontecido. Tinha tudo, podia ter parado Marx, mas perdera o documento que lhe podia dar a vitória. Sem pensar muito, deu um murro na parede e soltou um grito, ficando com os nós dos dedos em ferida. A porta abriu-se e de lá espreitou um Jonah preocupado, que se apressou a fechá-la após entrar.
- Está tudo bem, Sam? – Perguntou ele, franzindo as sobrancelhas.
- Não, não está nada bem! – Exclamou ela, furiosa – Fui com o Will procurar as cartas, queria levá-las ao rei mas… elas já não estavam lá. Nem a declaração do rei acerca do Will!
Jonah olhou para ela e cerrou os olhos, como se estivesse a pensar.
- Como assim? – Insistiu – Simplesmente desapareceram? Isso é impossível.
- Alguém deve ter descoberto e tirou-as. Só pode ter sido isso. Mas quem…? – Ela deixou-se cair sentada na cama, sentindo-se completamente derrubada.
- Mas tu disseste que não tinhas sido vista por ninguém, que não tinhas sido seguida.
- E não fui… e não contei a ninguém também, só a ti e ao Will.
- Achas… talvez esta conspiração toda possa ser para que o William fique com o trono… talvez ele esteja a trabalhar com o Marx – opinou o rapaz, ao que ela abanou a cabeça.
- Não, ele nunca faria isso, além disso esteve fora do palácio desde ontem. E também nunca lhe falei de onde tinha escondido a declaração, a única pessoa a quem falei disso… - Samantha olhou para Jonah assombrada e levantou-se da cama de um modo repentino – foi a ti, Jonah.
Jonah soltou um sorrisinho nervoso, enquanto ela estava cada vez mais desconfiada. As peças encaixavam, os factos faziam sentido, e se havia coisa que tinha aprendido como soldado fora a confiar nos factos e na sua intuição.
- Sam, vá lá, não podes mesmo estar a pensar que…
- Como é que o Marx saberia que eu estaria aqui se o rei fosse atacado? Após todos estes anos, porque viria eu? Alguém que sabia que eu estava no exército… alguém que soubesse em que patente estava, o que fazia, que era o Samuel… Foste tu todo este tempo – afirmou, com um tom acusatório e desiludido ao mesmo tempo. Não podia acreditar, mas tudo apontava para ele. Para aquele rapaz que considerava um irmão.
Jonah engoliu em seco e empunhou a sua espada com um movimento rápido, fazendo-a recuar um passo.
- Desculpa, não é nada pessoal. Mas tu nunca desistirias da vingança, e eu não podia ser pobre para sempre – disse, não se livrando do olhar de puro desapontamento da rapariga.
- Isto não vai resultar, sabes? A esta altura já o William avisou todos os soldados, quando a noite chegar…
- Eles não vão chegar com a noite – interrompeu ele – Quando tu descobriste acerca da paternidade do príncipe, quando eu finalmente pus as mãos naqueles papéis, apressámos os planos. Afinal, já não é preciso vasculhar o palácio. As Cobras assassinam o rei num ataque surpresa, afinal, já o tinham tentado fazer antes, e o lorde Marx chega com a prova de que o príncipe William não é sucessor ao trono e alia-se à rainha, como sempre esteve para acontecer. Então tenho que te agradecer, sabias? Se não fosse por ti, nunca teríamos conseguido chegar tão longe. Queres tanto obter a tua vingança, que nem percebes quando estás a ajudar o inimigo.
- Tu és um verdadeiro cretino, sabias?
- Não nasci num berço de ouro como tu… - nesse momento ouviu-se um estrondo vindo do lado de fora do quarto, e Samantha aproveitou a distracção do antigo companheiro para agarrar num jarro que estava em cima da mesa-de-cabeceira e lhe dar com ele na cabeça, desmaiando-o. Olhou para a armadura, já não havia tempo para isso, o combate tinha começado. Agarrou na sua espada e saiu, não sem antes dar outra olhadela a Jonah, estendido no chão.
- Não te mato agora por respeito à tua mãe – murmurou, antes de começar a correr pelo corredor.
publicado por Filippa às 2013-06-05 23:10:10
Hoje fui buscar o meu irmão à escola, viemos de autocarro para casa e quando estava a sair reparei que uma menina mais nova que ele, tinha uns 6/7 anos, vinha sozinha no autocarro, estava a falar com a condutora. Fiquei super preocupada, uma menina daquela idade não devia andar sozinha em transportes públicos, com as mentes perversas que existem neste mundo, qualquer um chegava ao pé dela e facilmente a levava. O meu primeiro pensamento foi censurar os pais daquela criança, quem é que no seu perfeito juizo deixaria uma criança daquela idade andar sozinha nos transportes públicos? Depois pensei que secalhar os pais daquela criança possam andar a trabalhar tanto para pôr um pouco de comida todos os dias na mesa que andam sempre com o coração nas mãos enquanto ela anda no autocarro sozinha. Será que não têm ninguém que a possa ir buscar? Sei lá, fiquei preocupada com a criança.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-05 21:22:03
Capítulo 3
A Caça * Parte 1
- “Notícia de última hora: mais uma estudante foi encontrada gravemente agredida num dos becos de Diamond City” – Chelsea dirigiu a sua atenção para a televisão, preocupada, onde via a repórter continuar com a sua história, em frente à entrada do Hospital de Diamond City, com várias pessoas ao seu redor – “Tal como tem vindo a ocorrer nos últimos dias, Amy Keller, de dezoito anos, foi encontrada com vários hematomas e foi de imediato dirigida para o hospital mais próximo, onde se encontra agora internada. Conseguimos saber que houve vários danos internos devido a ter sido brutalmente espancada, e que os danos são também psicológicos, como era de se esperar. Assim como as outras raparigas já encontradas nas mesmas condições, Amy também possui um cabelo comprido, ruivo, e olhos claros. Também a idade é aproximada da das outras vítimas. Pelo que se sabe, o atacante prefere estudantes, mas também já atacou uma dona de casa. A única coisa que todas estas pessoas têm em comum é, de facto, a cor do cabelo, e parece ser exactamente isso que faz delas, alvos. A polícia alerta os cidadãos para terem cuidado até que este, que já foi diagnosticado como meticuloso e sociopata, criminoso seja apanhado”.
- O espancador de ruivas – Chelsea assustou-se quando o irmão entrou na sala, e olhou para ele séria – Há pessoas que não têm perdão. Pobres raparigas.
- Sim… pobres raparigas… O pai já sabe alguma coisa sobre isto? – Perguntou a bela rapariga de cabelos ruivos, enquanto o irmão se sentava ao seu lado no sofá.
- Quem lhe dera. O que conseguiu das vítimas também não é muito específico… todas elas afirmam que ele tinha poderes mágicos – Chelsea olhou para ele alarmada. Se tinha poderes então já não fazia parte do departamento da polícia. Magias e coisas demoníacas eram trabalhos para a Defensora do Oculto.
- Que mais? – Tentou ela saber.
- Que aparece do nada, e que continua a bater nelas como se esperasse alguma reacção específica, ou algo assim. É claro que o pai não acredita nisso… já sabes como ele é.
- E tu acreditas? – Chelsea perguntou a pergunta com cuidado, ela não sabia bem o que o irmão ia responder, e tinha um certo receio do que quer que fosse.
- Acredito que a Defensora é especial. E que também luta com coisas especiais. Não posso dizer que não acredito, ainda na semana passada ela me salvou de um monstro, ou fosse o que fosse. E o Brad estava lá, ele também viu que aquela coisa não era normal. E as coisas que ela faz… os saltos, a coisas a moverem-se quando lhe dá jeito… nada disso é normal. É tudo menos normal.
- Richard… eu sei que o pai teima que ela é má e está a danificar a cidade mas… tu acreditas nela? Acreditas que é boa? – Para ela era importante saber. Depois de no passado ter sido descoberta e presa pelo próprio pai, era importante saber se o irmão apoiava a causa da Guerreira Defensora. Felizmente Norman Burke não se recordava de nada, mas Chelsea nunca esquecerá o olhar de desilusão que o pai lhe lançou quando descobriu a verdade sobre ela.
- Acho que ela não teria tanto trabalho se não fosse boa. Ela ajuda as pessoas, e isso é importante – Richard encolheu os ombros e sorriu a Chelsea – Então e tu? Nunca te pronuncias sobre esse assunto… dá a sensação de que não gostas dela.
- Não… eu gosto – disse a rapariga, rapidamente – É só que… - “Não consigo ser imparcial em relação ao assunto”, pensou para si mesma – acho que as pessoas não a devem julgar sem a conhecerem.
- Falas como se a conhecesses – riu-se Richard.
- Não conheço… é por isso que não falo muito nela. No geral, sim, acho que é boa. E esforça-se mesmo muito, acredita – afirmou ela, encolhendo também os ombros.
- Oh, olha… é o pai – disse Richard, dirigindo de novo a atenção para a televisão, como também Chelsea fez.
- “Diga-nos xerife Burke” – pediu a repórter, para Norman – “Há alguma nova pista que possa levar a polícia a este criminoso?”
- “É como já foi dito… este tipo parece um fantasma. Aparece, maltrata as vítimas, desaparece. Mas todos sabemos que as coisas não funcionam assim, ele tem que estar em algum sítio. E havemos de o encontrar” – afirmou ele.
- “Há alguma recomendação que gostasse de deixar às pessoas de Diamond City?”
- “Sim. Se sentirem que estão em alguma situação de perigo, não hesitem. Chamem a polícia. Pois é ela que resolve os problemas desta cidade”.
- “Xerife, há já quem diga que isso não é bem verdade. Muitos habitantes clamam que a Defensora do Oculto deveria ser chamada para ajudar neste caso, o senhor concorda?” – Chelsea e Richard viram o pai cerrar o maxilar. A Defensora… ele detestava-a mais que tudo.
- “Essa rapariga não é a resposta para os problemas da nossa cidade. É apenas uma rapariga com demasiado tempo livre entre mãos. Uma rapariga que se está a meter com assuntos bastantes sérios e há-de sair magoada de toda esta situação”.
- “É por isso, contra a chamada da Defensora?”
- “Sou contra, pois claro que sou contra. Diamond City sempre cuidou de si sem uma super heroína, não precisa de uma agora”.
- “Obrigada pelo seu tempo xerife Burke, vou deixá-lo regressar ao seu trabalho” – a repórter voltou-se de frente para a câmara e sorriu – “Daqui fala a Kate O’Hara a reportar sobre uma verdadeira caça às ruivas”.
- Odeia-a mesmo – murmurou Richard, referindo-se ao sentimento do progenitor em relação à Defensora.
- Não tens ideia… - pensou Chelsea em voz alta – Olha Richard, vou dar uma volta. Estou farta de estar em casa sem fazer nada, e o dia está lindo. Daqui a nada entra o Outono, temos de aproveitar o calor enquanto o temos.
- Diverte-te.
Chelsea agarrou apenas no telemóvel e nas chaves de casa e enfiou-os no bolso, para depois sair de casa e começar a caminhar tranquilamente pelas ruas. Estava calor, mal havia uma brisa a fazer-se sentir e, a que havia, era também abafada. Chelsea parou para comprar um gelado, e depois seguiu caminho. Ela estava assustada com toda a história da “caça às ruivas”, sobretudo porque sabia não se tratar apenas disso.
Ainda tentou esperar até amanhã, mas não conseguiu. Tinha que falar com Will hoje, descobrir se o rapaz sabia de alguma coisa, tentarem juntos perceber o que se passa com todos estes ataques. E por isso rumou ao prédio onde o rapaz dos cabelos loiros mora.
Quando chegou, tocou à campainha e logo a seguir a porta abriu-se, permitindo-lhe entrar. Subiu pelas escadas, sempre que ia de elevador Will reclamava e dizia que subir e descer escadas ajudava a desenvolver resistência, e que ela não devia ser preguiçosa, pois como Defensora do Oculto, com o dever de proteger a Terra, tem que estar em forma. Após poucos lanços de escadas, viu o rapaz à porta, e este sorriu-lhe.
- Pelas escadas… assim sim – elogiou, sorrindo-lhe.
Chelsea revirou os olhos e entrou para casa do aspirante a Guardião, que fechou a porta. Ela sentou-se no sofá em cerimónias, e Will ficou a observá-la cuidadosamente.
- Estás demasiado pensativa – reparou ele – O que se passa?
- Estava a pensar nos ataques às ruivas… - disse ela, olhando com atenção para tentar perceber se ele sabia alguma coisa – Eu sou ruiva Will… a Defensora é ruiva…
- Estás-te a culpar pelos ataques àquelas raparigas – percebeu ele, sentando-se na pequena mesa em frente ao sofá, de frente para a rapariga – Não o faças.
- Mas estou errada? O Richard disse que todas as vítimas disseram que o atacante aparecia do nada, e depois desaparecia. Disseram que ele lhes batia à espera que elas ripostassem. Estava à espera que alguma delas se transformasse, à espera que alguma fosse a Defensora do Oculto.
Will suspirou. Ele já tinha pensado nessa teoria, e por isso mesmo, hoje, depois das aulas que só ocorreram no período da manhã, foi falar com os Guardiães para esclarecer as dúvidas. E Chelsea, de facto, não estava errada. Era uma caça à Defensora. Mas não era uma simples caça de um simples demónio.
- Não, não estás errada – disse ele, calmamente – Mas não te podes culpar cada vez que alguém é atacado pela Escuridão, Chelsea. És a Defensora do Oculto, não Deus. Não podes controlar, nem evitar, tudo. E neste momento, não podes nem tentar meter-te no meio desta batalha.
A rapariga dos caracóis ruivos ficou chocada com o que ouviu. Não se podia pôr no meio da batalha? Estaria Will a dizer-lhe para ficar de braços cruzados enquanto raparigas indefesas iam parar ao hospital?
- O quê? – Perguntou, incrédula.
- Não é apenas um simples demónio que está por trás disto – Chelsea notou pela voz de Will que o assunto era sério, e por isso engoliu em seco. Já sabia que ter tido um Verão a combater apenas pequenos demónios era demasiada sorte.
- Então quem? – Perguntou ela.
- Jecek – respondeu o rapaz, ao que Chelsea franziu as sobrancelhas. O nome não lhe era estranho.
- Eu conheço esse nome – afirmou ela.
- E devias. É um dos Príncipes da Escuridão – aí sim, Chelsea sentiu medo. Outro Príncipe da Escuridão. O primeiro que tinha enfrentado, o mais velho, Kayor, tinha conseguido vencer por pura sorte, e ele apenas não a aniquilou no primeiro encontro de ambos pois o belo rapaz mascarado, Jensen, interveio. Mas claro que Chelsea agora já não podia contar com a sua ajuda. Agora estava só.
- É ele que está a magoar estas raparigas? Jecek? – Perguntou ela.
- Sim. E sim, ele está à tua procura. É por isso que tens que te manter discreta. Só o facto de teres a mesma cor de cabelo da Defensora já te mete no radar dele, não entendes? Não podes arriscar. Ele é tão mau, ou pior ainda, que o Kayor. E tu lembras-te do Kayor – e como se lembrava.
- Mas não o posso deixar a fazer isto àquelas raparigas inocentes… - disse ela – Temos que fazer alguma coisa.
- Os Guardiães pediram para teres calma enquanto eles pensam nalguma coisa. Dá-lhes tempo. E Chelsea, se não cumprires a tua parte, se te envolveres neste assunto, as minhas ordens são que te leve para a Casa dos Guardiães até esta ameaça passar. Por isso não me obrigues a isso.
A rapariga assentiu. Sentia-se entre a espada e a parede. Se não fizesse nada, mais inocentes seriam magoadas; mas se tentasse ajudar, acabaria presa na Casa dos Guardiães por tempo indefinido. Nenhuma das escolhas lhe agradava particularmente, mas o seu coração puro de Guerreira Defensora não precisa de gostar das opções para saber o que está certo e o que está errado.
Comentem, sim?