publicado por Noticias do Ribatejo às 2013-05-19 07:49:24
Por: Antonieta Dias (*)
Um número muito significativo de mulheres vive preocupada com o seu estado de saúde nomeadamente com algumas doenças crónicas graves que por terem um carácter invasivo podem alterar a sua fisionomia, funcionando assim como um impacto demasiado negativo que se reflete tanto na sua imagem corporal como no seu perfil psicológico.
Este facto obriga-nos a refletir sobre a influência e responsabilidade profissional e na necessidade de implementar e dinamizar medidas de carácter preventivo destinadas a intervir e a melhorar a saúde da mulher.
A metodologia destas intervenções tem de ser baseada na evidência clinica sendo orientada no sentido de permitir uma intervenção medica assertiva de forma a minimizar as consequências resultantes dos malefícios gerados pelas patologias mais graves que perturbam a vida da mulher.
Se pensarmos que a neoplasia da mama é a doença mais temida no sexo feminino, porque é a que mais mata e faz parte do grupo das seis neoplasias responsáveis pela maior taxa de mortalidade, logo seguida do cancro do cólon e do colo do útero.
Estima-se que 30% destas neoplasias podem ser diagnosticadas precocemente, permitindo assim uma intervenção terapêutica atempada, reduzindo de forma significativa os efeitos nocivos resultantes do ciclo normal da evolução das mesmas.
Existem algumas mudanças comportamentais que podem inverter este ciclo, obrigando-nos a intervir ativamente com o objetivo de influenciar e aconselhar a mulher para deixar de fumar, sendo esta uma das atitudes mais relevantes para diminuir o risco que o efeito deletério do tabaco acarreta.
Tendo como referência os dados estatísticos apurados, estima-se que 49.400 mulheres foram vítimas desta doença em 2008.
A ciência demonstra que existem fatores de risco que não podem ser esquecidos pela importância e repercussão que podem ter no agravamento da doença, dos quais salientamos o fator genético, a menarca precoce, a menopausa tardia, o uso de álcool e a utilização de contraceptivos orais por períodos muito prolongados (durante vários anos).
Um importante sinal de alerta para o diagnostico precoce desta doença é a descoberta de um “nódulo”, que surge na mama, sendo que na maior parte dos casos é detetado, pela própria mulher quando pratica por rotina a palpação mamária.
Compete ao médico ensinar e propor à mulher uma parte da responsabilidade na deteção precoce da doença, demonstrando-lhe o impacto inquestionável que este intervenção ativa tem, incutindo - lhe a vantagem do autoexame da mama, que é recomendado a todas as mulheres e que deverá ser efetuado mensalmente, de preferência na primeira semana a seguir ao período menstrual.
Um número muito significativo dos diagnósticos resultam da realização dos exames de rotina protocolados e preconizados de acordo com a faixa etária da mulher.
Estas são as principais metas a atingir para o diagnóstico precoce desta neoplasia.
Se investirmos na educação da mulher alertando-a para a pesquisa de alterações na mama, designadamente para a deteção de abaulamentos, retrações, acompanhados ou não de mastodinia (dor na mama), estamos a contribuir uma intervenção terapêutica atempada.
Quando diagnosticada tardiamente o tratamento do cancro da mama pode provocar na mulher alterações demasiado mutilantes, que pela natureza e característica das sequelas gera inaceitabilidade e consequentemente revolta, seguida de depressão, que vêm dificultar ainda mais a resolução desta doença.
Acresce ainda a necessidade de muitas vezes complementar o tratamento desta patologia com quimioterapia e/ou radioterapia que também tem um efeito muito negativo na vida da mulher em termos de imagem corporal.
No caso em apreço é uma situação temporária, pois a alopecia (queda de cabelo), que este tratamento acarreta, regride no fim da terapêutica.
Outra patologia que preocupa a mulher, sendo esta de causa infeciosa, e que não podemos deixar de mencionar é a infeção pelo papilomavírus humano (HPV).
Esta infeção é provocada por um ou mais tipos de vírus responsáveis pela doença (HPV).
Segundo os dados publicados recentemente 500 mil mulheres no mundo em cada ano, descobrem que tem esta patologia.
A sua incidência é maior na faixa etária dos 20 aos 29 anos de idade e a gravidade aumenta quando surge por volta dos 45 ou 49 anos.
Esta doença representa um enorme fator de risco para o cancro do colo do útero.
Pode ser prevenida com a vacinação que é feita em três doses e que até há bem pouco tempo, fazia parte do calendário vacinal obrigatório.
Outra das medidas preventivas na deteção precoce da doença é a realização da colpocitologia (Papanicolau), que é feita por rotina nas mulheres facilitando o diagnóstico e tratamento imediato reduzindo assim o risco de complicações.
Esta infeção pode surgir no colo do útero, na vulva ou no períneo. É uma doença de alto risco para a mulher.
Apesar da infeção por HPV se caracterizar por ser provocada por um vírus percursor de cancro uterino, não traduz obrigatoriamente que a mulher infetada venha a sofrer de neoplasia.
Toda a mulher deve agendar pelo menos 1 vez por ano uma consulta de rotina destinada à deteção precoce das doenças que mais a afligem e que pela sua gravidade podem ser fatais.
Outra doença temida pela mulher é a obesidade que se define como o excesso de gordura corporal usando para o efeito o cálculo do Índice da Massa Corporal, que é determinado pelo peso, dividido pela altura ao quadrado, IMC=Kg/A2. Este índice permite fazer a estratificação em quatro grupos.
Entre 18.5-25 Kg/m2, é considerado peso normal, se tem um IMC entre 25-30 Kg/m2 tem excesso de peso, de 30-40Kg/m2, é classificado como obeso. Por fim um IMC acima de 40Mg/m2 já representa uma obesidade mórbida.
Em suma, a prevenção destas doenças representa uma meta imprescindível na melhoria da prestação dos cuidados de saúde.”
(*) Doutorada em medicina






