publicado por Francis Marie às 2013-05-24 14:35:35

Eles não sabem a razão dos cortes.
Sete anos se tinham passado desde que Miriam tinha sido violada pelo pai, sete anos que ela se cortava, sete anos que ela escondia um segredo da sua mãe, sete anos que ela não sabia como tinha sobrevivido, nestes últimos sete anos ela tinha-se afastado cada vez mais da sua mãe, ambas eram vítimas do mesmo homem, mas não queriam contar o que ele lhes fazia – ou tinha feito – pois pensam que se estão a proteger uma à outra.
Penteou o cabelo enquanto olhava a sua imagem no espelho, ao que ela tinha chegado, parecia uma drogada que não dormia há semanas, que por acaso era verdade, desde dos 9 anos que tinha umas noites muito mal dormidas, mas o seu pai tinha apanhado o hábito de comprar maquilhagem, para ela continuar a ser a filha perfeita e sem problemas nenhuns que era à 7 anos atrás. Desceu as escadas e saiu logo de casa, sem se dar ao trabalho de tomar o pequeno-almoço com os pais, ela já não conseguia ver o pai à frente e fingir que nada se passava, entrou na escola e seguiu logo para a sua sala, neste últimos anos ela preferia sempre estar sozinha, não quer dizer que não tinha amigos, ela tinha, mas mesmo assim ela gostava mais de ficar só no seu mundo. A campainha tocou e todos os alunos começaram a entrar, alguns diziam-lhe olá ou sorriam para ela, mas nada mais que isso. No meu na aula ela começou-se a sentir mal disposta mas não disse nada e continuou a tentar prestar atenção à aula, mas as dores de cabeça começaram a aumentar e ela não conseguiu aguentar muito e começou-se a queixar.
- Miriam? Está tudo bem? – Perguntou a sua colega do lado, Violet, pondo todas as suas atenções na rapariga.
- S-Sim – Ela ao tentar responder quase que caia para o lado, ai Violet ficou realmente preocupada, segurou na mão de Miriam e virou-se rapidamente para o seu professor.
- A Miriam não se está a sentir bem! – Disse fazendo com que todas as atenções da sala fossem para a morena, o professor aproximou-se na tentativa de ajudar, Miriam olhou para eles todos e, como não conseguia respirar com toda a gente coada nela, acabou por desmaiar.
Acordou numa cama de um hospital e teve um sobressalto ao ver o seu pai sentado na cadeira ao pé da sua cama, ele sorriu ao ver que ela tinha acordado.
- Eu avisei-te para teres cuidado com os cortes. – Miriam olhou para os seus braços e viu que já não tinha maquilhagem a tapar os cortes, assim como os das pernas, ela olhou para o pai e ele assentiu negativamente. – Eles não sabem a razão dos cortes.
- Mas deviam saber! – Retorquiu furiosa e o George riu-se da figura da sua própria filha.
- Sabes que se contares a alguém, quando voltares da clinica de reabilitação a tua mãe já estará a viver no cemitério, se me estiveres a compreender bem. – Ela ficou choque com que ele disse, ele seria capaz de matar a sua mulher? Mas o que ela não percebia mesmo era o que ele queria dizer com a clinica de reabilitação.
- Clinica de quê? – Perguntou com um ar bastante confuso.
- Reabilitação, pelo que parece esses cortes são mais graves do que nós pensávamos, por causa deles estas a entrar num stress profundo, na qual tens de passar algum tempo na clinica, é pena num é, ainda há pouco fizeste 16 e os vais poder aproveitar. – Ela ia falar mas um médico – com os seus 50 anos – entrou dentro do quarto fazendo que o sorriso do pai desaparecesse.
- Já contou sobre a clinica? – Perguntou dirigindo-se a George que simplesmente assentiu com a cabeça e mandou um olhar ameaçador à filha. – Então Miriam quero que saibas que mesmo que o progresso seja longo, eles vão fazer os possíveis para que tu voltes ao normal, mas diz-me, há quanto tempo te cortas – Ela engoliu um seco e respirou fundo.
- Há sete anos. – O médico arregalou a vista e dirigiu-se a George com uma cara de preocupado.
- Você e a sua mulher sabiam há quanto tempo? – Perguntou num tom de zangado.
- Sabemos desde que o hospital nos ligou para casa. – Mentiu em cada palavra o que fez com que Miriam sentisse uma raiva daquele ser nojento.
- Onde está a minha mãe? – Lembrou-se por causa da conversa do médico com o seu pai.
- Teve uma quebra de tensão assim que viu os teus braços e as tuas pernas todas cortadas. – Disse o médico sendo interrompido por George.
- Acho que foi de desgosto. – O médico mandou-lhe um olhar reprovador e voltou a olhar para a sua paciente.
- Mas não te preocupes, ela vai vir ver-te antes de tu ires para a clinica. – Ele fez um sorriso amigável, mas mesmo assim ela não se convencia.
- Quando vou para a tal clinica? – Ela receava a resposta, mas ela tinha de a fazer, certo?
- Em princípio hoje há noite. – Ela arregalou os olhos e começou a abanar a cabeça.
- Onde é que fica a clinica? – Ela estava completamente em choque, ela ia hoje? Para um tratamento que demorava muito tempo? Isso não podia estar acontecer.
- Não te preocupes, ela ainda fica no estado de Nova Iorque, mas um bocado longe da cidade, porque os pacientes precisam de paz e sossego, coisa que nesta cidade não há. – Respondeu dando um copo de água a Miriam.
- Mas eu vivo na cidade, quer dizer que vou ficar longe da minha mãe? – Ele assentiu enquanto ela bebia um gole de água.
- Receio bem que sim, - Ele sentou-se no fundo da cama para tentar acalmar a rapariga – Sabes Miriam, tu só vais poder receber visitas uma vez por semana, pelo menos nos primeiros meses, tu neste momento tens os níveis de stress que são demasiado altos para a tua idade, e os cortes no teu corpo não ajudam. – Ela começou a entrar em pânico e o médico chamou imediatamente umas enfermeiras para o ajudarem a acalmar Miriam. – Fiquei com a paciente, eu vou ver se a sua mãe já a pode ver. – O médico saiu do quarto sendo seguido por George.
- Vai ficar tudo bem. – Reconfortou uma enfermeira. – Eu trabalho na clinica para onde vais ser transferida e acredita que eu vou fazer de tudo para que tu te sintas bem. – Miriam olhou para a enfermeira que lhe tinha falado, ela tinha os olhos meios vermelhos, o que fez com que ela se arrepiasse. – Como vamos passar algum tempo juntas, fica a saber que o meu nome é Serena. – Ele sorriu e mais uma vez Miriam arrepiou-se, havia qualquer coisa de estranho com aquela rapariga, parecia demasiado nova para ser enfermeira.
A mãe de Miriam entrou no seu quarto com as lagrimas nos olhos, abraçou a filha fortemente e começou a chorar mais.
- Porque é que fizeste isto, filha? Sete anos? Porque é que não me contaste o que se passava contigo? – Ela deu por si a apertar os braços da filha e Serena teve de a afastar.
- Não podia, mãe. – A mãe da morena afastou-se bruscamente de Serena e agarrou na mão da filha.
- Alguém te estava a ameaçar? Diz-me! - A rapariga assentiu negativamente já com as lagrimas nos olhos – Então o que aconteceu? Miriam, tu não me mintas! – Ela começou aos berros e Serena teve de intervir.
- Desculpe, mas a sua filha está com um grave problema de stress e você grita-lhe na cara, desculpe mas eu vou ter de lhe pedir que saia, a Miriam tem de se preparar para ir para a clinica. – Ordenou Serena acompanhando Marie até à porta.
- Ela tem de me dizer o que é que se passa! – Gritou-lhe na cara fazendo George agarrar-lhe com força no braço.
- Despede-te da nossa filha, só a vamos poder ver daqui a uma semana! – Ela chegou-se ao pé de Miriam e abraço-a com força.
- Se ela continuar com essas atitudes daqui a uma semana, só o George é que entra. – Disse Serena fazendo com que Marie quase a ataca-se, mas George conseguiu-a tirar do quarto a tempo. – Daqui a dez minutos vimos busca-la, ok? – Miriam assentiu com a cabeça e limpou as lagrimas.
- Já que vamos passar algum tempo juntas, tratar-me por tu.
Para o próximo capitulo as coisas já vão "melhorar", e o subrenatural vai aparecer!
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