publicado por LostDreams às 2013-05-24 19:37:43
perfil público
a-verdadeira-essencia-do-chocolate
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Ana
Data Nascimento
04-04-1994
Sexo
F
Programas TV Favoritos
The Vampire Diaries
Filmes Favoritos
The Young Victoria; Twilight; New Moon.
Livros Favoritos
Nómada;Saga Twilight.
Interesses
Passo grande parte do tempo a ler ou a escrever, é algo que me da prazer e que me ajuda. Sou uma pessoa normal com o sonho de poder ser alguém maior, concretizar os sonhos e ser feliz.
Frase Favorita
E hoje, por agora, limito-me a vê-la dormir nos meus braços, enquanto uma certeza se abate sobre mim ‘’Ela é a minha vida agora’’.
publicado por LostDreams às 2013-05-24 19:37:43
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 15:22:50
Capítulo 22
Apenas o Princípio * Parte 1
- Isto é tão aterrador – murmurou Chelsea, enquanto caminhava pelo corredor quase isento de luz no qual tinha ido parar após ter atravessado o portal para o Mundo da Escuridão.
- Olha-me para estas figuras… parecem pessoas – opinou Jensen, apontando para seres que estavam imóveis, feitos de cera, encostados à parede por uma grande parte do corredor. Chelsea aproximou-se de um e tocou-lhe.
- É porque são pessoas – murmurou, vendo o terror espelhado nas caras dos bonecos de cera todos curvados e com posições de quem pede misericórdia.
Chelsea aproximou-se de um cavaleiro da Idade Média, com uma espada nas mãos, e retirou-lhe a espada. Ele era apenas um boneco, mas a espada era bem real. Foi à parede paralela e retirou a espada ao outro boneco, dando-a a Jensen.
- Tu sabes sequer como manusear isto? – Perguntou ele.
- Vou aprender sob pressão – disse a rapariga.
- Talvez devesses ir… isto é perigoso e… eu podia tratar disto e ia ter contigo em menos de nada. Vai.
- Estás maluco? – Chelsea parou a meio do corredor e voltou-se para ele – Não.
- Mas… tu vais morrer aqui. Vá lá Chels, nós vamos todos morrer aqui. Salva-te.
- Achas que não sei disso? – Perguntou-lhe, chocada – Eu conheço as histórias, sei que não tenho o poder necessário… Mas não posso fugir Jensen. Acredita em mim, é o que mais quero agora. Mas não posso. Não te posso deixar aqui. Nem a ti, nem ao Will.
- Nem sabes se ele cá está. Só porque não sabes onde está, não quer dizer que esteja aqui.
- Ele está. Chama-lhe intuição.
Jensen suspirou e olhou em volta. Ele estava preocupado com a amada. Não queria que nada de mal lhe acontecesse, mas sabia que era demasiado teimosa para voltar para trás. Só esperava que não se magoasse. Sabia que não tinha as aptidões suficientes para lutar esta luta, que o confronto se estava a dar cedo demais. No fundo, sabia que as chances da bela rapariga de caracóis ruivos morrer eram elevadas.
- Devias confiar nela, as suas intuições da Defensora costumam estar certas – ouviu-se pelo corredor. Chelsea reconheceu a voz como a de Lyux.
- Onde estás? – Gritou a Defensora do Oculto, enquanto olhava para todos os lados.
- Apressa-te… ou o loirinho acaba por as pagar – avisou a voz.
Chelsea olhou alarmada para o rapaz da máscara e em seguida desataram os dois a correr pelo corredor que parecia interminável. Chegaram a uma porta dupla, de pedra escura, que se abriu sozinha, e lá dentro puderam ver uma sala redonda com cinco cadeiras grandes posicionadas mais acima da altura do chão. Numa dessas cadeiras estava Lyux, saudando-os com um sorriso. Já Will encontrava-se à sua frente, desmaiado no chão.
- Will – murmurou Chelsea, correndo até ao rapaz para verificar se estava bem. À medida que se aproximava, via outra silhueta aparecer-lhe ao lado – Cassie…
O som da gargalhada de uma das cinco Bruxas da Escuridão fez-se ecoar pelo palácio, e Chelsea olhou-a com raiva.
- Pensava que vocês eram cinco – disse Jensen, para dirigir a atenção de Lyux para si.
- Éramos… deixa-me perguntar uma coisa: o que sabem sobre aquela noite? Aquela em que a Defensora nos deixou miseráveis? – Lyux levantou-se e desceu as escadas, fazendo com que Chelsea retrocedesse e empunhasse a espada simultaneamente.
- O que achas que não sabemos? – Perguntou Jensen.
- A Defensora estava a planear algo contra nós, e tínhamos de agir. Tínhamos um plano, íamos juntar forças, seria tudo melhor. Mas depois a nossa gloriosa irmã, Xay, decidiu fazer tudo sozinha. Ela sempre foi sedenta de poder… uma verdadeira bruxa, se me permitem o trocadilho.
- Xay… - murmurou Chelsea.
- Se não fosse por ela, a Escuridão poderia ter vencido. Desde essa época que nos separámos. E as trevas começaram a erguer-se de novo. Recusámos trabalhar em conjunto, às vezes é mais produtivo fazer tudo sozinhos. Porque em poucos minutos, eu poderei afirmar que eu matei a Defensora. E então todos me temerão a mim. Não a um grupo de pessoas. Só a mim.
- Espera lá um bocadinho – ouviu-se, de novo em eco. Era uma voz mais fininha e algo irritante. Saída do nada, apareceu uma rapariga com um top a mostrar o umbigo, preto, e uma saia até aos pés, da mesma cor. Tinha um cabelo castanho clarinho, e uns olhos escuros.
- Blinke – disse Lyux entre dentes, forçando um sorriso – O que fazes aqui, irmã?
- Achei alguém perdido nos nossos corredores – Blinke, outra Bruxa da Escuridão, estalou os dedos e apareceu Richard, mesmo no centro da sala, desnorteado e a olhar para todos os lados.
- Richard – murmurou Chelsea, sentindo o seu coração a disparar. Como se não bastasse terem os seus amigos, tinham agora também o seu irmão.
- Desculpa, queria ajudar… ela apanhou-me e… - Richard ia andar em direcção à irmã, mas uma força invisível mandou-o de encontra à parede, fazendo com que Chelsea gritasse de pânico.
- Eu não disse que te podias mexer – disse Blinke, sorrindo e aproximando-se de Chelsea – Ora, ora, ora, ela não é uma gracinha? Tu arruinaste mesmo as coisas para os nossos lados…
- Não é como se isto fosse o meu passatempo preferido – respondeu a Guerreira Defensora.
- Queres ver qual é o meu? – Perguntou Lyux, aproximando-se também mais.
Chelsea engoliu em seco. Aquilo só podia indicar que algo pior estava a caminho. A Bruxa não esperou que alguém lhe dissesse nada, e levantou Cassie com o poder na mente, virando-lhe o pescoço a 180º num ápice, e deixando-a cair de novo.
- Não! – Gritou Chelsea, ao deixar as lágrimas escorrerem desalmadamente – Porque é que fizeste isso?! Ela não te fez nada, era inocente!
Jensen agarrou na namorada para que esta não fosse ter com o corpo sem vida da rapariga dos piercings. Para que não ficasse desprotegida. Richard, que se estava a levantar naquele momento, deixou-se cair de novo para o chão, horrorizado.
- Tens razão – disse Blinke, para a irmã – Isso é divertido. Posso fazê-lo agora?
- Tanto faz – respondeu Lyux, encolhendo os ombros. Blinke olhou para Richard e sorriu maliciosamente.
- Não… não, não, não, não, não – disse Chelsea, soltando-se do braço de Jensen para atacar Blinke com a espada. Mas assim que o fez, a lâmina quebrou antes sequer de atingir a Bruxa, e esta riu-se ao mesmo tempo que impulsionou a Defensora do Oculto para poucos metros adiante, fazendo-a cair brutalmente no chão.
Foi a vez de Jensen investir, mas Lyux agarrou-o pelo pescoço e mandou-o também para longe, com a maior das facilidades.
- Não o faças – pediu o rapaz, a Blinke.
Chelsea usou o seu poder de telicnese para mover também as Bruxas, mas estas poucos milímetros se moveram. Ela não era forte o suficiente.
Richard começou a sentir a pior sensação de todas quando se sentiu ser levantado apenas pelo ar. A sensação de saber que ia morrer e não havia nada que pudesse fazer para o impedir.
- Pára! Pára! – Gritava Chelsea, enquanto, ao levantar-se corria para as Bruxas. Mas Lyux fê-la ficar encostada à parede sem se poder movimentar, e a rapariga apenas tinha o desespero para se agarrar – Richard! Não! Pára! Não o magoes!
Jensen foi também preso à parede e fechou os olhos com força quando ouviu o estalar de um osso e um grito estridente dado pelo melhor amigo. O seu joelho tinha sido quebrado, e as Bruxas riam.
- Devíamos ter pensado nisto mais cedo – ria-se Blinke, enquanto Chelsea chorava e gritava ao mesmo tempo.
Jensen deixou escorrer uma pequena lágrima pela bochecha. Para ele, estava tudo acabado, nunca as conseguiriam vencer.
- Por favor pára… - foram as últimas palavras que a rapariga do cabelo ruivo disse antes de também a cabeça do seu irmão se voltada com brutidão e o seu corpo cair inanimado no chão. As lágrimas começaram a escorrer-lhe velozmente pelas bochechas rosadas enquanto gritava e sentia uma dor agonizante no coração – Não o meu irmão… Richard…
O que acontecia depois? Como iriam os seus pais reagir? Se fosse apenas ela a morrer, ainda se poderiam recompor, mas sendo os dois filhos Chelsea temia que nunca mais fossem sorrir. O seu pai iria certamente culpá-la. Iria amaldiçoá-la por ter levado o irmão para dentro dos assuntos paranormais e por o ter levado à morte.
E os pais de Cassie… como seria explicada a sua morte? Ser-lhes-ia apenas dito que ela estava desaparecida? Se as Bruxas nunca deixassem o corpo na Terra, não seriam todos eles apenas dados como desaparecidos? Ninguém nunca lhes conheceria o destino… o triste fim.
- Vês Defensora? – Perguntou Blinke, caminhando lentamente até ela – Sentes agora o que nós sentimos quando nos tiraste tudo?
Chelsea olhava para o chão e tinha as mãos cerradas em punho. Não se sentia com quaisqueres forças, a única coisa que a fazia permanecer em pé era a barreira invisível que a impelia contra a parede, e quando Blinke a retirou, a rapariga dos cabelos ruivos caiu para o chão e não se moveu. Era como se estivesse presa no seu próprio mundo.
- Agora sabes como nos sentimos – continuou Lyux, aproximando-se também – Mas não penses que acabámos por aqui… - a rapariga olhou para Jensen e sorriu – ainda não te tirámos a coisa que mais amas.
Acho que me devia proteger bem porque algumas de vocês vão-me querer matar :x
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 14:40:38
Capítulo 13
Samantha andava às voltas pelo quarto que lhe tinha sido designado para ficar. Sabia que em poucos minutos teria que se apresentar a Raj como Samuel, para o pequeno-almoço, mas também estava consciente de que o rei esperaria a presença da rapariga que julgara morta. Como é que ia fazer aquilo? Não se conseguia desdobrar, não conseguia ser duas pessoas ao mesmo tempo.
- Seja o que Deus quiser… - murmurou, arranjando coragem e saindo do quarto.
Caminhou pelos caminhos do palácio sob o olhar atento dos soldados por quem passava, e apenas rezava para que nenhum deles sentisse a falta de Samuel durante a refeição. Quando finalmente chegou ao salão onde as refeições e os banquetes eram feitos, viu que já todos lá estavam. Os soldados enfardavam toda a comida que conseguissem enfiar na boca, especialmente Eresm e Quorq, enquanto Irinoi e Raj conversavam sobre os eventos da noite anterior; William estava entretido a conversar com mais um grupos de soldados, e a rainha e as princesas estavam mais recolhidas, perto do trono.
- Oh, Samantha! – Exclamou Irinoi, ao vê-la chegar – Mas… estás com o vestido do baile de ontem?
Ela engoliu em seco.
- Pois é que… não tenho mais nenhum – disse, só depois apercebendo-se do que tinha dito – Quer dizer, aqui. Não tenho mais nenhum aqui. Porque tenho imensos vestidos.
- Então, já que cá vais ficar uns tempos, talvez o melhor fosse arranjarmos-te algo das minhas filhas, que pudesses usar, ou…
- Gostaria de ir à cidade, e comprar alguns. Se não fizer mal – interrompeu ela, sorrindo-lhe. O rei, porém, não pareceu gostar muito da ideia.
-Não sei se será boa ideia. Depois da visita do… nós bem sabemos quem, talvez o melhor fosse ficares dentro do palácio, em segurança – opinou ele.
- Vossa Majestade, com todo o respeito, mas eu sou uma convidada no seu palácio, não uma prisioneira. Além de que as roupas das princesas são demasiado para mim. Bem sei que nasci na nobreza, mas asseguro-lhe que sou bastante simples. É apenas por algumas horas.
- Se me é permitido, comprometo-me a acompanhar a lady nas compras – disse Raj – E levo os meus dois melhores homens connosco. Ela não correrá perigo, Majestade.
- Esta rapariga é como família para mim – disse Irinoi, agora para Raj –, e já pensei que estivesse morta uma vez. Se algo lhe acontecer, Deus me ajude, vou culpá-lo a si e aos seus homens. Diz-lhes para se prepararem. Quanto a ti, Samantha, compra o quiseres, e diz apenas para porem na conta da Casa Real.
O comandante fez uma vénia antes de se afastar e foi ter com os restantes soldados, que conversavam com o príncipe.
- Algum de vocês viu o Samuel? – Perguntou, despertando a atenção de William.
- O soldado que nunca tira o elmo? Esse? – Questionou ele.
- Esse mesmo, príncipe William. Viu-o?
- Sim, a sair do palácio, bem cedo. Disse que ia conhecer a cidade.
- Hum… - Raj deu meia volta e dirigiu-se a Eresm e a Quorq, que ainda devoravam a comida como se o amanhã não fosse existir – Preparem-se soldados. Vêem aquela dama ali? Vamos escoltá-la pela cidade enquanto procura roupas. Partimos em pouco tempo.
***
- Então e este? É bonito? – Opinou Quorq.
- Não… demasiado elaborado – descartou Samantha.
Estavam no meio da cidade, no mercado, a ver as bancas e a comparar os tecidos e os cortes e os folhos e as rendas. Passaram à próxima banca, e sempre que andavam Raj caminhava ao lado de Samantha e os outros dois seguiam mais atrás.
- Tem bom gosto – elogiou o comandante, referindo-se às roupas que ela já tinha comprado –, isto claro se me permite a ousadia.
- Por favor, não é ousadia nenhuma – para ela era estranho tê-lo a falar assim consigo quando estava habituada às ordens e aos incentivos e gritos de guerra.
- Esses são vestidos do género dos que a minha irmã gostava de usar – voltou ele a comentar.
- Não sabia que tinha uma irmã, comandante.
- Como haveria de saber? Conhecemo-nos ontem.
Ela riu.
- Tem razão.
Mais atrás, os dois soldados iam comentando o que viam. Os risos do comandante, a maneira como eles remexiam as bancas, tudo.
- Está a ficar apanhado por ela – disse Eresm – Nota-se logo pela baba que lhe escorre da boca.
- E podes culpá-lo? É bem bonita ela – dizia Quorq.
E assim continuaram a visita pelo mercado, que durou toda a manhã e parte da tarde.
Quando regressaram ao palácio Samantha pediu para ficar sozinha e foi deixar as coisas ao quarto, onde vestiu a armadura e colocou o elmo, respirando fundo. Saiu apressada, depois de verificar que ninguém a via, e quando ia a fazer a curva embateu em William, que seguia para o quarto da rapariga.
- Will – sussurrou ela, despertando-lhe a atenção.
- Ah, és tu – disse ele – O que é que estás a fazer com isso?
- Sou ambas as pessoas, lembras-te? E hoje o Samuel ainda não apareceu sequer. Tenho que ir jantar assim.
- Mas o pai mandou-me vir buscar a Samantha.
- A Samantha está cansada da caminhada e adormeceu, percebido? Se ele a quiser acordar, relembra-lhe que ela passou por muito, conta-lhe a história triste da vida dela, e pronto. Agora vamos jantar.
William revirou os olhos e seguiram os dois para junto dos outros. Já todos estavam sentados à mesa, e nela estava um grandioso banquete, como já era habitual.
- Ah, Samuel! – Exclamou Eresm.
- A Samantha adormeceu. Coitada, está exausta da visita à cidade – disse William, ao que o rei assentiu.
- Então, o que andaste a fazer o dia todo? – Perguntou Quorq a Samantha – Não me digas que foste ver as meninas?
- As meninas?
- Aos bordéis – esclareceu Quorq.
- Ah… sim, foi isso que aconteceu. Sabem como é, não me queixo mas… uma guerra estraga um homem… - murmurou Samantha, fazendo os outros rir – Peço desculpa, comandante, por não ter avisado a minha deslocação. Não voltará a acontecer.
- Não, não voltará – disse Raj, com um tom seguro – Mas agora junta-te a nós, come.
Comentem, e quem ainda não leu a DDO força (:
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-23 21:31:48
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 2
- Devíamos chamar a polícia – disse Richard.
Chelsea fingiu não o ouvir e percorreu todas as divisões do apartamento em menos de nada. O seu instinto dizia-lhe que Lyux o tinha apanhado, mas queria negá-lo a todo o custo. Porque se admitisse isso, se admitisse que Will tinha sido apanhado pelo inimigo, então estaria a admitir que o fim estava mesmo a chegar. E isso aterrorizava-a.
- Chelsea… - chamou o irmão, enquanto observava a casa parcialmente arrumada e parcialmente desarrumada. A acção tinha ocorrido na sala de estar, pois em mais nenhuma das outras divisões estavam itens partidos ou sinais de luta – Chelsea!
- Deixa-me pensar! – Gritou a rapariga, levando as mãos aos cabelos – Deixa-me pensar Richard…
- O que é que se está a passar?! – Richard já tinha perdido a paciência. Ele confiava na irmã a cem por cento, e queria ajudar, mas para isso precisava que lhe fossem explicadas todas as coisas que não sabia. O rapaz agarrou nos ombros de Chelsea e abanou-a em sinal de desespero, e ela apenas se soltou dele e suspirou. Ela queria contar tudo, mas temia que isso o pusesse a ele também em perigo.
- Rich… eu sou… - Chelsea parou subitamente ao ouvir um barulho vindo da porta, e num reflexo voltou-se e mandou a figura que lá estava parada contra a parede em frente, vendo apenas depois de quem se tratava. Um polícia com os sentidos atordoados levantava-se agora do chão, e ao pé dele outros apareceram.
A rapariga dos caracóis ruivos ficou em choque quando viu o seu pai junto aos outros homens, de arma apontada a ela. Viu-lhe no semblante que estava desgostoso, aliás, nunca o tinha visto com pior figura. Norman Burke abanou a cabeça e engoliu em seco.
- Não te mexas – ordenou-lhe.
- Pai, o que…
- Eu disse para não te mexeres – disse ele, já com a voz mais firme – Põe as mãos atrás da cabeça.
A filha engoliu em seco e obedeceu, perante o olhar incrédulo de Richard.
- O que é que se passa aqui? – Perguntou ele, olhando tanto para o xerife, como para Chelsea.
- A tua irmã é a Defensora do Oculto – disse o xerife Burke, enquanto algemava a filha que tinha os olhos fechados para tentar suprimir a vontade que tinha de se desmanchar em lágrimas – Lamento imenso… ninguém está acima da lei.
- Ela? Não – Richard riu-se um pouco mas, ao ver as caras de todos os presentes, caiu na realidade e ficou também pasmado – Pai, não a podes prender… é a Chelsea, por amor de Deus.
- Ele tem razão – murmurou Chelsea, com a voz baixa, voltando-se para Richard, já com as algemas postas – Posso pelo menos receber um abraço do meu irmão?
Norman assentiu e Richard envolveu a irmã nos seus braços, apertando-a com força. Ele não podia acreditar.
- Tira o meu colar – sussurrou-lhe ela ao ouvido – Leva-o ao Jensen… ele saberá o que fazer.
- Mas…
- Fá-lo – Richard tirou o colar e sem que alguém visse, quando se desviaram, enfiou-o no bolso das calças de ganga – Adoro-te Richard.
❦
- Como soubeste? – Perguntou Chelsea.
- Recebemos uma dica desconhecida a dizer onde a Defensora ia estar – “Uma dica? Lyux”, pensou ela – O que se está a passar com a cidade? – Perguntou o xerife Burke, enquanto estava de pé do lado de dentro da cela em que tinha fechado a filha, que se encontrava sentada na cama e suspirava.
- Vá lá pai, não me faças isto. Sabes quem eu sou, sabes que não sou má. Conheces-me pai – implorou Chelsea, pela milionésima vez.
- Aqui não posso ser o teu pai, Chelsea. Primeiro tenho que defender esta cidade. Não é o meu trabalho, é quem sou! – Gritou-lhe ele.
- Exacto – disse a rapariga dos caracóis ruivos, levando-se e levantando também levemente a voz – É quem tu és. Da mesma que a Defensora do Oculto é quem eu sou.
- Mas não é normal! Infringiste a lei, agiste sozinha, traçaste o teu destino. E agora tens que pagar por isso.
- Estás mesmo a prender a tua filha? – Perguntou ela, já com as lágrimas nos olhos – Pai, eu juro que não sou má. Estou a tentar ajudar. Tens que me deixar sair daqui, sou a única que pode ajudar Diamond City nesta altura. Sou a única que pode salvar esta cidade. Por favor, juro. Eu não sou má!
- Eu não acredito em ti.
Só uma simples frase. Poucas palavras. Um tom fraco. Uma significância enorme. Chelsea sentiu tudo dentro dela a estalar quando, ao olhar nos olhos do pai, percebeu que o que ele disse era mesmo verdade. Ele não acreditava nela. Nem um bocadinho. Chelsea nunca o tinha visto olhar para alguém como olhou para ela naquele instante. Não estava só zangado. Estava desiludido até ao ínfimo do seu ser. Zangado e desiludido, as duas únicas coisas que Chelsea nunca quis que ele sentisse.
A rapariga deixou que uma lágrima lhe escorresse pela bochecha e Norman desviou o olhar para o chão. Magoava-lhe ver a filha assim, trancada, frágil. Só a queria abraçar e dizer-lhe que a ia libertar. Mas não a conseguia perdoar pela mentira. E a justiça falava mais alto. Pelo menos a noção de justiça que ele tinha em mente.
Chelsea limpou a lágrima e olhou pela estreita janela com barras, para o exterior. As nuvens tinham coberto toda a cidade, e pouca luz havia. Lyux tinha mesmo pensado em tudo.
- Podes-me virar as costas neste momento – afirmou Chelsea, olhando de novo para ele – mas posso-te assegurar que não fazes ideia com o que estás a lidar. Não vais conseguir proteger a tua cidade, xerife Burke.
Norman pressionou os lábios um no outro e pediu ao outro guarda que destrancasse a porta, para ele sair. Depois voltou a trancá-la, e ordenou-lhe que a vigiasse, antes de sair. Chelsea sentou-se de lado, na cama, com as pernas encolhidas, a observar o exterior enquanto enrolava uma ponta do cabelo com os dedos.
“Eu não consigo fazer isto”, pensava ela, “Não consigo lidar com as Bruxas, nem com a Escuridão… não consigo lidar com o meu pai. Só espero que o Jensen não demore… Oh Will, onde é que tu estás no meio de toda esta confusão? Preciso da tua ajuda, preciso que me ralhes e digas que tenho que ser forte. Por favor não morras. Por favor não morras”. A rapariga apoiou a cabeça nos joelhos e fechou os olhos com força. Lyux tinha conseguido deitá-la a baixo, mas Chelsea não a ia deixar ganhar. Não podia. Esteve assim durante sabe-se lá quanto tempo.
Ouviu uma grande algazarra no lado de fora e levantou-se, pondo-se encostada à cela e apertando as barras com as mãos.
- Não te mexas – ordenou-lhe o guarda, que abriu a porta para a delegacia, para ver o que se passava. Assim que o vez, levou com um pontapé e depois um murro que o puseram inconsciente.
- Demoraste bastante tempo – queixou-se a rapariga, enquanto via o rapaz mascarado agarrar na chave da cela, que estava no cinto do guarda.
- Desculpa – não foi Jensen quem lhe falou, mas sim Richard, que entrou nesse preciso momento – Eu obriguei-o a explicar-me tudo antes de lhe dar o colar…
- Fez-nos perder tempo, foi o que foi – queixou-se Jensen, enquanto abria a cela e deixava Chelsea sair – Acredito que isto te pertença – agarrou no colar com o pingente e passou-o para as mãos dela – Porque o tiraste?
- Era o único objecto que me ligava à Defensora, não podia arriscar que mo tirassem como fizeram à minha mala – justificou-se, enquanto o punha de novo ao pescoço.
- Meu… ainda não consigo acreditar – murmurou Richard – E agora?
Chelsea suspirou e deixou a luz mágica do pingente trespassar-lhe o corpo, transformando-a na bela guerreira do povo. Richard ficou de boca aberta, e Chelsea sorriu-lhe.
- Agora lutamos – respondeu Jensen.
Os três saíram da delegacia, cheia de polícias desmaiados, e correram em direcção ao sítio em que as nuvens estavam mais concentradas. O Largo da Câmara. Quando lá chegaram, depararam-se com um género de buraco negro mesmo no centro da rua. Chelsea parou, e os outros dois pararam atrás dela. Ela sabia onde aquilo ia dar. E sabia que tinha que entrar. Mas não queria. Não queria ir sozinha. Não queria completar o seu destino. Não queria ser uma Faith. Queria viver como Chelsea, livre de preocupações.
- Eu vou contigo – afirmou Richard, dando a mão à irmã. Chelsea largou-a de repente e voltou-se para ele.
- Não – afirmou – Tu ficas.
- Então não vás. Chelsea, se tu fores… não vás, vira as costas desta luta… é só uma – implorou-lhe. Ele sabia o que lhe ia acontecer se fosse.
- Não posso… - murmurou ela, olhando de novo para aquele buraco negro, aquele vórtex, e suspirando – Não fazes ideia de quantas vezes desejei que alguém me dissesse isso e me tentasse impedir de ir lutar… só agora é que percebo que teria sido em vão.
- Eu vou com ela – disse Jensen, pondo a mão no ombro de Chelsea – Eu protejo-a, mano.
- Eu adoro-te – proferiu Chelsea, dando um abraço ao irmão, um abraço que podia muito bem ser o último entre os dois.
Jensen deu-lhe uma pancadinha no ombro, e depois correu com Chelsea para o buraco negro, mandando-se para dentro dele em seguida. A porta para o Mundo da Escuridão.
Richard ficou especado por poucos segundos, mas ele não podia deixar a irmã morrer assim. Ela já tinha feito tanto. E tinha tanta vida para viver. O filho mais velho dos Burke engoliu em seco e correu também para dentro do buraco negro, fechando os olhos com força.
Então eu dou um discurso "enorme" sobre a importância dos comentários e só recebo 4?
Andam-me a falhar... ai ai
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-22 20:14:41
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 1
Chelsea estava deitada de barriga para cima, apoiada nos antebraços, e a observar o céu. Não se via nem uma nuvem no horizonte, e o sol brilhava fortemente lá bem alto. Estava um lindo dia. Mais um lindo dia de férias. A primeira semana estava quase no fim. A rapariga respirou fundo e juntamente com o oxigénio veio o cheiro a maresia de que tanto gostava. Retirou os óculos de sol e pousou-os no cimo da cabeça, suspirando.
- Cuidado! – Ouviu, antes de levar com a bola de voleibol na barriga.
- Então pessoal?! – Reclamou, agarrando na bola e levantando-se, enquanto se ria. Revirou os olhos e começou a dirigir-se ao círculo formado por Tony, Helen, Richard, PJ e Jensen, que estavam a jogar voleibol.
- Eu avisei – desculpou-se Jensen, pondo-se à frente dela e rindo-se.
- Parvo – chamou ela, passando-lhe a bola para as mãos. Porém o sorriso desapareceu-lhe rapidamente dos lábios ao sentir um arrepio. Não era a simples sensação do frio a percorrer-lhe a espinha. Era mais que isso. Um mau pressentimento que já a acompanhava há poucos dias. Chelsea respirou fundo e olhou para a imensidade do mar – Eu vou dar um passeio à beira mar.
- Está tudo bem? – Preocupou-se ele. Ele notava que algo estava diferente, mas não queria que ela se sentisse obrigada a contar-lhe.
- Sim, claro – disfarçou ela, pondo o seu melhor sorriso – Eu não demoro.
A rapariga dos caracóis ruivos deu-lhe um beijo na bochecha e PJ, Tony e Helen estranharam. Eles já tinham percebido que havia qualquer coisa, mas ainda não lhes tinha sido dito exactamente o quê.
Chelsea dirigiu-se até à beira mar e deixou que a água salgada lhe molhasse os pés, sorrindo logo em seguida. Ela adorava a praia. Começou a caminhar sempre com os pés a levar com as ondas, e assim, devagar, deixou que os pensamentos tomassem conta de si.
A praia estava estranhamente vazia para a altura do ano, mas não tardaria estariam todos os turistas com as toalhas espalhadas, todos em cima uns dos outros.
Chelsea chegou às rochas, numa das extremidades da praia, e sentou-se em cima de uma, com as pernas encolhidas e os braços a abraçá-las. Voltou a olhar para o céu e viu algumas gaivotas a voar, até que uma pousou na areia.
- Gaivotas em terra… sinal de tempestade – Pensou ela em voz alta.
Estava a ouvir o barulho do rebentar das ondas e a levar com alguns salpicos que saltavam para ela por a onda bater na rocha, quando teve a súbita impressão que alguém a observava. Voltou-se para trás de repente mas não viu ninguém, por isso saiu de cima da rocha e ficou de pé na areia.
- Está aí alguém? – Perguntou, enquanto olhava fixamente para os arbustos que se encontravam um pouco mais à sua frente. De trás deles saiu uma rapariga bastante bonita. Envergava um vestido negro, de atar ao pescoço, e uma racha do lado direito. Nos pés tinha uns sapatos rasos, também escuros. Sorriu a Chelsea enquanto afastava o cabelo loiro platinado dos olhos. A Defensora do Oculto olhou para ela desconfiada, por trás de toda aquela beleza Chelsea sentia algo meio escuro – Posso-te ajudar?
- Sabes… ao princípio não encontrei as parecenças… mas agora… sim, pareces-te com ela – a voz tinha tanto de encantadora quanto de assustadora, e Chelsea sentiu o coração a disparar. Sentia que conhecia esta rapariga, mas não se conseguia lembrar de onde.
- Do que é que estás a falar? – Perguntou directamente.
- Os olhos são o que se nota mais… ela não tinha caracóis como tu… - a rapariga sorriu, e depois suspirou – Permite-me apresentar-me. Chamo-me Lyux – ao dizer estas palavras a rapariga do cabelo loiro deu mais um passo, e Chelsea retrocedeu impulsivamente – E tu és alguém de quem não gosto nada.
Todos os músculos do corpo de Chelsea lhe diziam para se transformar na Defensora. Que corria perigo. Que tudo estava errado. Mas ela estava de tal modo desprevenida que não conseguia fazer nada. Levou a mão ao pingente, a tremer, e apertou-o.
- Relaxa, não chegou a nossa hora… ainda – afirmou Lyux – Guarda as tuas forças para o fim.
- Tu és uma das Bruxas – murmurou Chelsea – Como é que me encontraste?
- Deste um bom espectáculo naquele bar de meia classe. Não achas mesmo que mandaria o Gorman sozinho, achas? Tinha olhos em todos os sítios. Foi fácil.
- O que queres?
- Por agora… nada. Para mais tarde, bem… vais descobrir – Lyux estalou os dedos e desapareceu, enquanto Chelsea continuava a respirar pesadamente e a tremer por todos os lados.
- Oh Deus… - murmurou, antes de começar a correr de regresso ao sítio onde tinha deixado os amigos.
Correu com os pés dentro de água enquanto sentia o terror a absorvê-la por completo. O que quereria aquela Bruxa dizer com “ainda não”? O que estaria a planear? O que poderia Chelsea fazer para a impedir de pôr em uso qualquer plano que tenha planeado?
Quando os começou a avistar ao longe, na brincadeira dentro de água, sentiu um pequeno alívio, pelo menos ainda lá estavam todos. A rapariga dos caracóis ruivos foi à sua mala buscar o telemóvel, do qual telefonou para Will, que não atendeu.
- Raios, raios, raios – queixou-se ela, voltando-se para os amigos. Jensen notou que algo de errado se passava e por isso saiu de dentro do mar e correu um pouco até chegar ao pé dela.
- O que se passa? – Perguntou-lhe. Chelsea apenas o abraçou, e ele agarrou-a também.
- Temos problemas – proferiu a rapariga, quando o largou.
- Estás toda a tremer Chelsea… o que aconteceu? – Insistiu ele.
- Encontrei uma Bruxa – a face de Jensen tornou-se assombrosa, ele já sabia o que isso significava.
- Não estás pronta para lutar com eles – declarou, ao que Chelsea abanou a cabeça. Ela sabia que não estava.
Chelsea suspirou e olhou para o céu, vendo uma grande quantidade de nuvens a aproximarem-se da cidade a uma velocidade fora do normal.
- O que é aquilo? – Perguntou Jensen.
- Não sei. Temos que ir, temos que sair daqui, temos que os levar para casa ou… não sei, mas temos que fazer qualquer coisa. E temos que encontrar o Will, ele é o único que me pode ajudar…
- Está bem – Jensen voltou-se para o grupo, que tinha também saído da água e se estava agora a dirigir a eles – Pessoal, vamos embora.
- Já? Mas ainda é cedo – disse Helen.
- Explicamos depois – disse Chelsea, enquanto se vestia. “Se não morrermos”.
Eles agarraram nas coisas e começaram a andar sempre em silêncio. Nem Helen nem nenhum dos outros percebiam o que se passava, mas não ousaram perguntar. Tony reparou no céu, agora já coberto de nuvens negras. Algo estava errado. Chegaram a um cruzamento e Chelsea parou.
- O que foi? – Perguntou-lhe PJ.
- O Will… - murmurou ela, a olhar para Jensen – Tenho que ir à casa dele.
- Não vais sozinha – disse-lhe ele, num tom mais baixo.
- Tu tens que ir com eles. Deixa-os num sítio a salvo, por favor… eu vou e volto e…
- Eu vou contigo – meteu-se Richard – Não sei o que se passa, mas vocês parecem mesmo preocupados. Eu vou contigo.
A Chelsea não lhe agradava a ideia de pôr o irmão na linha do fogo, mas sabia tão bem quanto ele que Richard era de ideias fixas.
- Está bem – disse a rapariga dos caracóis ruivos – Jensen depois vai ter à minha casa, combinado? Garante-te que está tudo bem antes de os deixares…
- Combinado – Jensen deu-lhe um beijo ao de leve e depois Chelsea puxou Richard pela mão, fazendo com que o irmão começasse a correr ao seu lado.
- Vais-me explicar o que se está a passar?! – Perguntou-lhe ele.
- Mais tarde – prometeu.
Chelsea correu sempre a puxar Richard pela mão. Ela não se importou com os olhares menos discretos, e continuaram a correr apressados, enquanto o seu vestido branco, de atar ao pescoço, fazia companhia ao seu cabelo e ambos esvoaçavam ao sabor do vento causado pela velocidade. Chegaram ao prédio onde Will morava, Chelsea tocou à campainha e esperou.
- Se calhar não está em casa – opinou o irmão.
- Aconteceu alguma coisa… sei que sim… tenho um mau pressentimento – pensou Chelsea em voz alta, voltando a tocar várias vezes seguidas – Raios Will, onde estás?!
- Ei, acalma-te, não é o fim do mundo – disse Richard, pondo-lhe as mãos nos ombros numa tentativa falhada que relaxasse.
- É sim! – Gritou ela, arrependendo-se no momento a seguir ao ver a cara de espanto do irmão – Esquece… não posso explicar. Só… fica por perto.
Chelsea empurrou a porta com a mente e esta abriu-se, fazendo com que Richard desse um pulo e olhasse para ela alarmado. Ele já não estava a gostar nada do rumo que a tarde estava a levar.
Chelsea entrou para dentro do prédio mas ele ficou quieto, e ela voltou-se novamente para ele.
- Confia em mim – pediu, estendendo-lhe a mão.
Richard olhou desconfiado, mas aceitou e subiram os dois pelas escadas. Quando chegaram à porta do Will, esta estava toda escancarada e Chelsea sentiu um aperto no coração.
Bem, queria dizer uma coisinha. Como já sabem, esta história tem 4 partes, e esta já está a terminar (só falta este capítulo mais o próximo, são 22), e já que estamos na recta final por amor de deus, pelo menos no último capítulo, deixem-me um comentário a dizer o que acharam, o que esperam da próxima parte, etc etc, está bem? Mesmo que não tenham blog, é super importante.
Kiss
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-21 20:46:21
Capítulo 12
Quando Samantha e William retornaram ao salão onde o baile decorria, Irinoi estava sozinho no seu trono. A rainha e as princesas já se tinham recolhido, era tardíssimo, faltavam poucas horas para o nascer do sol e a música tinha agora acalmado. Os convidados que ainda restavam estavam de volta das mesas, nos petiscos e nas bebidas, e um ocasional bêbedo dançava sozinho ao som das vozes das conversas paralelas que soavam. Metade dos soldados já estavam caídos a um canto, perdidos de bêbedos, e dos poucos que restavam apenas Raj, o comandante, se mantinha sóbrio.
- Samantha, William, venham cá – gritou o rei, assim que os avistou, fazendo-lhes gestos com as mãos – Comandante Raj, você também.
Aproximaram-se os três e entreolharam-se. Samantha baixou o olhar, sentindo-se ligeiramente incomodada. E se ele a reconhecesse? E se reconhecesse os seus olhos?
- Sim, pai? – Perguntou William.
- Comandante Raj, não acho que já tenha tido a oportunidade de lhe apresentar a Samantha – disse Irinoi, sorridente –, de Walcaster.
- De Walcaster? – Surpreendeu-se o comandante, olhando para ela – Não me leve a mal, mas pensei que…
- Mas não – disse ela, forçando um sorriso – Houve uma sobrevivente.
- Bem, certamente o seu brilho e beleza tornam aquela Noite Negra muito menos escura – disse-lhe, soltando-lhe um sorriso genuíno, para depois lhe fazer uma vénia e lhe beijar a mão.
- Obrigado – agradeceu ela.
- Comandante, onde está aquele soldado que nunca tira o capacete? – A pergunta do rei fez com que Samantha ficasse mais rija – Aquele que tão incrivelmente nos salvou?
- Está nos aposentos, Vossa Majestade – disse a voz de Jonah, vinda de trás deles – Disse que não se sentia muito bem, esteve no baile apenas por momentos – Samantha respirou de alívio e ele virou-se para ela então – Não acredito que tenhamos sido ainda apresentados. Sou o Jonah, um simples soldado – disse, fazendo uma vénia.
- Samantha, é um prazer – alinhou ela, dobrando-se também – E não há nada de simples em se ser um soldado, Jonah, se não fosse por todos vós não teríamos um reino. Um rei sem um exército… é apenas um homem. Não concorda comigo, meu rei?
- Parece que cresceste para te tornares numa rapariga excecionalmente perspicaz – comentou ele, rindo-se – Sim, não poderia concordar mais. Diz-me, tens onde ficar…?
- Bem, eu…
- Então ficas aqui. Pelo tempo que precisares.
- Agradeço, mas na verdade não vou ficar por muito tempo. Depois daquela noite, fui acolhida por um mulher que me deu casa e comida… vim porque achei por bem avisar-vos finalmente de que estava viva. Mas não posso ficar.
- Bem, de certo que eu e os rapazes não nos importaríamos de a escoltar até à sua casa – ofereceu-se Raj, fazendo com que William engolisse em seco.
- Isso não será necessário comandante – meteu-se logo ele –, eu escolto-a eu mesmo. Mas não esta noite. Esta noite ela fica cá, e quando amanhã acordarmos tratamos disso. Que achas Sam?
- Parece-me um bom acordo. Mas agradeço a sua disponibilidade, comandante.
Nesse momento as portas do salão, já fechadas por se encontrarem já relativamente menos pessoas e já ninguém supostamente chegar àquela hora, abriram-se de repente e fizeram um estrondo ao baterem na parede. O rei era o único que estava de frente para ela, e os outros voltaram-se todos para averiguarem o que se passava. Estava um sujeito acompanhado por cinco guardas com armaduras personalizadas em cores de vermelho e preto no cimo das escadas. Irinoi levantou-se do trono, demonstrando uma postura territorial, e Raj levou a mão à espada que tinha no cinto. O impulso de Samantha foi exactamente o mesmo, porém naquele belíssimo vestido de baile não havia lugar para armas. Enquanto o via a descer degrau a degrau, Samantha sentiu-se incapaz, impotente. Via-o aproximar-se, com aquela barba escura e os olhos cheios de malícia, mas nada podia fazer para o travar. Odiou-o com todas as suas forças. Todo o ódio acumulado por dez anos estava agora a surgir. William, de um modo protector, colocou-se parcialmente à sua frente. Esta não tinha sido, de todo, a maneira como ela tinha idealizado vê-lo pela primeira vez após tantos anos.
- Deste um baile e não me convidaste – pronunciou o homem, quando chegou ao fim das escadas – Que rude.
- Não és bem-vindo nesta casa, Marx – apressou-se Irinoi a responder – Guardas!
Num momento os guardas que estavam de serviço puseram-se do seu lado, prontos a dar a vida pelo seu rei se tal fosse preciso, e Jonah desembainhou também a sua espada.
- Tem calma, não vim cá para isso – disse Marx, que avançou mais na direcção de todos e olhou directamente para Samantha – Os meus espiões disseram-me acerca de ti. A morte favoreceu-te, rapariga.
- Então talvez se devesse juntar a mim – disse ela, prontamente, com a voz segura mas os joelhos a tremer. Falar para ele, olhar para ele, e não o poder matar ali queimava cada fibra do seu ser.
- Cuidado com as tuas palavras, estás a falar com um rei – ralhou ele, fazendo William engolir em seco.
- Não há um rei. Há o rei. E o único que há está atrás de mim – respondeu ela, para surpresa de todos – Você é apenas um lorde rude e ganancioso, com castelos roubados.
Marx soltou um sorrisinho cínico e empurrou William, chegando-se o suficiente ao ouvido da rapariga que permaneceu impávida.
- Não sei como sobreviveste, e não sei como chegaste aqui, mas há uma coisa que sei: esse rei que dizes existir, não vai estar vivo por muito mais tempo, e nem tu. Quando te metes com uma cobra, tens que estar atenta ao veneno – sussurrou-lhe, ao ouvido.
Começou então a afastar-se, mas ao subir o terceiro degrau voltou-se novamente para eles ao ouvir de novo a voz da rapariga:
- Tanto veneno é tóxico, sabe? Talvez se envenene a si próprio – disse ela – Se não tiver cuidado, pode ser que morra do seu próprio veneno.
- Estás-me a ameaçar, rapariga? – Perguntou ele, a cuspir as palavras – Talvez devesses controlar as tuas raparigas, Irinoi, quem sabe o que eu poderia fazer desta vez.
Samantha ia dizer algo mais, mas William voltou-se a colocar à frente dela.
- O meu pai já disse não era bem-vindo aqui, lorde Marx. Por favor, saia – disse, com uma voz dura.
Marx assentiu com a cabeça.
- Vemo-nos em breve.
Ele saiu do salão e um dos guardas seguiu-o, retornando apenas quando ele saiu definitivamente das muralhas do palácio. Só então Irinoi se voltou a sentar no trono, com um ar perturbado, e Raj guardou a espada tal como Jonah. William olhou para Samantha com um ar preocupado e, ao ver o seu ar abatido, abraçou-a. Em vez de discutir, ela agradeceu-lhe mentalmente por o ter feito, já não sabia quanto mais tempo se ia aguentar em pé depois de tudo aquilo.
- Ficas aqui, não há mais discussão – disse Irinoi, com o tom severo que apenas utilizava quando grandes problemas estavam para chegar.
- Não vou discutir – acabou por dizer, quando se despegou de William – Agradeço.
- Agora que o Marx descobriu que estás viva, ficas em melhor segurança no palácio – pensou o rei, em voz alta.
- Concordo – disse ela – William, se não te importares, gostava que me guiasses ao meu quarto agora.
- Claro. Pai, falamos melhor amanhã?
O rei assentiu com a cabeça, Samantha fez-lhe uma vénia, despediu-se com um sorriso dos outros, e saiu com William ao seu lado. Juntos subiram as escadas e caminharam pelos corredores, sempre em silêncio. Ele levou-a até um quarto num andar acima daquele destinado a “Samuel”, um quarto muito maior, muito mais luxuoso, digno de alguém da realeza. Só após fecharem a porta, e de a rapariga dar voltas e voltas ao quarto, é que William arranjou a coragem de falar.
- Sam, ouve, o que aconteceu…
- Algo não está bem – interrompeu ela, de rompante.
- Sim, é claro. O Marx encontrou-te, não deves estar nada bem – disse ele, sem compreender.
- Não… quer dizer, sim, não estou bem mas… Como é que ele sabia que eu cá estava? Ele disse que os espiões lhe tinham contado… e isso significa que alguém neste palácio sabia que eu cá estava – continuou ela a pensar em voz alta, intrigando-o – Não percebes? Há um espião no palácio. Talvez me tenha visto a falar contigo há semanas e tenha sabido que eu estava viva… se calhar investigou-me e descobriu que sou o Samuel ou… mas então porque não me entregaria?
- Sam…
- Não, faz sentido. E ele falou de cobras. E foi essa a ordem que tentou matar o teu pai, não foi? As Cobras. Ele está por trás daquilo. Talvez me estivesse a testar, para ver se conseguia proteger o rei, talvez…
- Ei, Samantha! – Disse ele, num tom mais elevado, pousando-lhe as mãos nos ombros – Respira fundo. Eu sei que isto foi um choque, vê-lo após todos estes anos, não consigo imaginar como te fez sentir… mas se o que estás a pensar for verdade, então tens que ter cuidado.
- E tenho que descobrir quem é o espião. O teu pai nunca estará a salvo com ele aqui.
- Não querias ficar cá, nem querias aparecer no baile… porque é que aceitaste o convite do meu pai para permaneceres no palácio, Samantha? – Perguntou ele, já convencido de que sabia a resposta.
- O teu pai pensa que me está a proteger, mas a verdade é que eu o vou estar a proteger a ele.
Vêem? Eu disse que ia ficar mais interessante a partir daqui.
Vamos lá ver como é que a Sam se sai nesta busca ao espião.
Comentem, sim?
E leiam a DDO
publicado por LostDreams às 2013-05-21 18:00:47
publicado por Anabella às 2013-05-21 09:29:16
Estou na minha última semana de aulas! *-*
E para a semana entro em estágio e o melhor é que já tenho os meus trabalhos despachados e como tenho uma hora de descnaço na minha hora de almoço o que significa que posso passar por aqui mais vezes para ver os blogs que me seguem e ver novos blogs :p
Está quase acabar! :D
Vou pagar hoje a minha gala eheh ^^ e depois posso ficar mais descansadinha com as coisas da escola, as coisas estão mesmo a ficar melhores e depois vou fazer voluntariado nas minhas férias no local de estágio o ano passado, o que pode ocupar as minhas férias mas é algo onde eu não preciso de ficar deitada o dia todo e pelo menos fazer algo de que gosto e quem sabe talvez para o ano me aceitem como monitora remunerada ~_~ (o que era ótimo pois ajudava-me a pagar a faculdade :x)
ps: capítulo novo aqui!

publicado por danz às 2013-05-20 23:21:48
Espero por um diferente amanhã,
Estou cansado dos “talvez” que me traz cada manhã.
Tento fugir da lentidão dos dias maus,
E ouso pedir ordem, quando em mim habita o caos.
Junto pedras e paus que surgem no caminho,
E faço deles histórias, amigos, para não me sentir sozinho.
Talvez seja “homem-nada”, talvez nem homem seja,
Sem nada receber, tudo aos outros dou em refinada bandeja.
Gosto do “resto”, invento-me de pedaços,
Iludo-me, a espaços, quando empurrado pelo vento dou passos.
Refém dos vícios a que presto tributo,
Sinto que a sorte de mim fez luto.
Mas não a refuto, nem a ressinto nem a protesto.
De que vale falar ao mundo se não tens voz para o manifesto?
Nada há para dizer mas tudo quero ouvir,
Sou herói de passatempos que não vão existir.
A caneta vai roubando o que fica por dizer,
E tu foste matando o que eu tinha para ser.
O espaço é pouco para mudanças,
Mas das minhas certezas a vida faz tranças.
Talvez sejas porta-voz de uma jornada ingrata,
Mas não mais precisarei de viver do que me mata.
Daniel Rodrigues
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-20 19:29:51
Capítulo 20
Último Dia de Escola * Parte 2
- Como é que é possível ainda não estares pronta?! – Reclamou Richard, encostado à ombreira da porta que dava para a casa de banho do quarto de Chelsea, enquanto esta estava em frente ao espelho a aplicar um pouco de rímel.
- Ai Richard, que chato, ainda é cedo – disse ela – Além disso, quero estar bonita.
- Para alguém especial? – Chelsea olhou para Richard e deu com ele a observá-la com cuidado. Ela sabia que aquela pergunta não tinha vido do nada, sabia que mais cedo ou mais tarde Richard ia querer falar sobre o que aconteceu com Jensen. A rapariga suspirou e guardou o rímel. Passou pelo irmão e pegou nos brincos que tinha em cima da mesa-de-cabeceira, pondo-os de seguida, e depois sentou-se na cama e fez sinal ao irmão para que se sentasse também.
- Seria muito mau se te dissesse que não consigo explicar? – Perguntou ela, a olhá-lo directamente – Eu sei que queres saber o que se passa entre mim e o Jensen, mas eu não te posso explicar porque nem eu sei. Não sei o que somos, e por isso é que estávamos a manter tudo em segredo.
- Mas gostas dele? – Perguntou Richard – E ele gosta de ti?
- Sim, quer dizer, acho que sim… Rich, adorava poder responder a tudo, mas não posso. Dá-me tempo, quando descobrirmos o que se passa asseguro-me de que também saibas, está bem?
- Eu não te quero ver magoada – afirmou o rapaz, com a voz segura.
- Eu sei o que faço – Chelsea pareceu ter todas as certezas, mas na verdade tinha um mau pressentimento sobre toda aquela história. Mas a vontade de estar com Jensen era maior e por isso ignorava o que o seu interior lhe estava a tentar dizer – Agora vamos lá, estamos atrasados.
Richard riu-se e abanou a cabeça.
- E de quem é a culpa? – Perguntou. Chelsea revirou os olhos e puxou-o para fora do quarto.
Foram os dois a pé até ao bar, e já ao início da rua viram o grupo que os esperava à porta. Já lá estavam todos. Entraram para o Drink&Tell e Chelsea viu que o espaço estava diferente. Tinha uma grande faixa preta reluzente, com letras douradas, a dizer “Sobrevivemos a Mais Um” e havia um palco grande ao lado do DJ, onde estava uma banda – que Chelsea não conhecia –, a tocar. Pareciam bons. A rapariga dos caracóis ruivos viu PJ ao pé de Jensen, estavam os dois a dar umas indicações ao vocalista, que tinha feito um pequeno intervalo deixando os outros membros da banda apenas a tocar. Quando acabaram, viram os amigos e foram ter com eles. PJ sorriu a todos e deu um beijo na bochecha de Chelsea e ela sorriu-lhe, dirigindo depois o olhar a Jensen.
- Olá caracolinhos – disse ele. Não parecia feliz, e Chelsea não percebeu o porquê.
- Oi – disse ela.
- Queres vir dançar? – Perguntou PJ, não lhe dando tempo para responder – Eu acho que queres.
O amigo puxou-a para a pista de dança e agarrou-lhe nas mãos, fazendo com que se começassem a mexer ao som da música. Chelsea ora ria ora dançava descoordenadamente por PJ a estar sempre a puxar para lados contrários na brincadeira. O resto do grupo juntou-se a eles, e durante vários minutos estiveram todos animados menos Jensen.
- Vou parar por um bocadinho – disse Chelsea, começando a desviar-se.
Passou ao lado de Jensen e ambos trocaram um olhar que apenas foi captado por Richard. Chelsea dirigiu-se ao bar e pediu uma bebida.
- Posso-te pagar um copo? – Ouviu, do seu lado direito. Dirigiu para lá o olhar e viu um rapaz mais ou menos da altura dela, com um aspecto bastante atraente e um sorriso de cair para o lado.
- Eu já pedi, mas obrigada na mesma – dispensou ela.
O rapaz riu-se.
- Vá lá…
- Meu, pira-te – ouviram, por trás deles. Viraram-se os dois ao mesmo tempo e viram Jensen, de frente para o rapaz – Vá lá, não tenho a noite toda, deixa-a em paz.
- Então e dançar? Não queres dançar? – Perguntou o rapaz, ignorando completamente Jensen, o que o deixou a ferver.
- Não, obrigado – disse Chelsea.
- Mas tu és surdo? – Reclamou Jensen, chegando-se mais para ao pé de Chelsea – Ainda não percebeste que ela não está sozinha? Desanda, vá.
O rapaz deitou-lhe um olhar chateado e foi-se embora, enquanto Chelsea assistia à cena embasbacada. O empregado deu-lhe a sua bebida e ela agradeceu, voltando-se depois para Jensen.
- Isso foi uma cena de ciúmes? – Perguntou-lhe, com um ar admirado.
O rapaz revirou os olhos e suspirou, e tal reacção fez com que ela risse.
- Vem comigo – Jensen puxou-a pelo braço e só lhe deu tempo para voltar a pousar o copo no balcão antes de ter de o seguir.
Passaram o corredor fininho que ia dar às casas de banho e saíram pela porta de emergência, que dava ao beco sem saída. Chelsea sorriu involuntariamente, tinha sido naquele lugar onde tinha visto o rapaz mascarado pela primeira vez, ainda antes de saber de quem se tratava.
Chelsea ia-lhe perguntar o que estavam ali a fazer, mas antes que tivesse tempo foi atacada pelo beijo do rapaz, que a encostou à parede.
- Estive morto para fazer isto a noite toda – disse ele, desencostando os lábios dos dela por poucos segundos. A ruiva sorriu-lhe.
- Boa maneira de pedires desculpa pela cena com o rapaz – disse ela.
- Desculpa? A culpa foi dele, não tem nada que se meter com a namorada dos outros – a frase saiu-lhe tão depressa que por pouco que passava despercebida. Mas não passou.
- Namorada? É isso o que te sou? – Perguntou Chelsea, sentindo-se a corar levemente. Os olhos do rapaz elevaram-se aos dela e pôde vê-los brilhar.
- Acho… acho que sim – murmurou ele, baixinho. Chelsea sorriu e após sentir o seu coração disparar à velocidade máxima beijou-o também.
- Então também acho – disse ela, ao ouvido do rapaz, depois de se abraçar a ele.
- Devíamos voltar lá para dentro – suspirou Jensen – Vão notar a nossa falta.
- Sim… vamos lá – Chelsea puxou-o pela mão e entraram, mas ainda no corredor notou a falta da música e parou instintivamente. Não se ouvia barulho nenhum, estava tudo demasiado calado, tudo demasiado quieto. Jensen também notou e olharam os dois desconfiados um para o outro. Andaram devagar e sem fazer barulho até chegarem à porta e abriram-na devagar, só o suficiente para espreitarem. As pessoas estavam todas quietas, e olhavam para o palco, onde estava agora um homem com umas roupas velhas e magro, todo curvado. Tinha uma barba maior do que Chelsea se lembrava, e tinha a pala preta a tapar-lhe o olho. Chelsea já sabia de quem se tratava, mas a cicatriz na bochecha deu-lhe o resto das certezas.
- Será um espectáculo? – Perguntou Jensen – Mas eu ajudei a organizar, não sei de nada…
- Não é um espectáculo – garantiu a rapariga, apertando o pingente – Eu conheço-o. Gorman. É um demónio.
- O que estará aqui a fazer?
- Não sei, mas não vou esperar para descobrir.
Chelsea respirou fundo, concentrou-se e no segundo a seguir todo o seu corpo já tinha sido percorrido pela magia da Defensora e se encontrava agora com os seus trajes de batalha. Quando olhou para Jensen, viu-o também já pronto, com o seu fato e a capa, sem esquecer a máscara. Chelsea abriu a porta com força, e esta, ao bater na parede fez um pequeno estrondo que fez com que se virassem todos para lá.
- Tu… - murmurou Gorman.
- Como é que te atreves a aparecer outra vez? – Perguntou Chelsea, dando meia dúzia de passos para dentro da sala – Já fugiste duas vezes, para quê apareceres agora para estragares a festa aos estudantes?
- A Defensora do Oculto… - Murmuravam algumas vozes entre a multidão.
- É mesmo ela – diziam outras.
Chelsea seguiu até ao palco e subiu as escadas que lhe davam acesso, sempre com Jensen atrás, para ficar mais perto de Gorman.
- O que queres daqui? – Perguntou o rapaz mascarado.
- O fim está perto… vim oferecer salvação – disse Gorman, rindo-se.
- Não, vieste recrutar pessoas – afirmou a Guerreira Defensora.
- Não vai tudo dar ao mesmo? – Perguntou o demónio – Mas já que estás aqui… - Gorman esticou o braço e da sua mão saiu um raio directo a Chelsea, mas ela saltou e ele embateu na parede antes de ela voltar a aterrar.
- Vamos mesmo começar isto de novo? – Perguntou ela, com uma voz enfadada.
O demónio sorriu-lhe e investiu num soco, mas foi travado por Jensen que além de lhe bloquear o ataque, ainda começou a lutar com ele. Chelsea aproveitou a distracção do oponente e fez-lhe uma rasteira, fazendo-o cair no meio do palco. “O pior pesadelo de qualquer actor… ai Chelsea, concentra-te”, pensou ela. Ele ia-se levantar mas Jensen agarrou nas mãos de Chelsea e rodou com ela, permitindo-lhe dar um pontapé em Gorman, mais forte do que daria sem o impulso, fazendo-o ficar quase sem sentidos no chão. A rapariga do cabelo ruivo aproximou-se para o ir agarrar mas não reparou que na sua mão se formava mais um raio. Jensen reparou, e correu até ela, dando-lhe um encontrão e levando ele com o raio. Por momentos Chelsea ficou paralisada ao vê-lo voar até à outra ponta do palco, mas depois voltou a concentrar-se em Gorman, que já estava de pé. Com um gesto mandou-o para fora do palco e depois saltou ela para o chão, dando-lhe um pontapé com ele ainda no chão. Ele fez-lhe uma rasteira e ela caiu à sua frente, e ele pôs-se por cima a tentar esganá-la. Mas Chelsea arranhou-o e empurrou-o, e às tantas conseguiu afastá-lo e levantaram-se os dois.
- Aquele tipo que mandaste ao chão, é o meu namorado – afirmou ela, de maneira a que apenas ele ouvisse – Por isso fizeste um grande erro.
Gorman mandou-lhe mais um raio mas ela, com a mente, mudou o rumo e este embateu nele próprio, com o terço da força com que tinha sido primeiramente mandado, fazendo-o desaparecer instantaneamente. A rapariga levou a mão ao pescoço, que lhe doía por causa da força com que tinha sido agarrado, e depois sentiu uma mão no seu ombro. Olhou e viu o rapaz mascarado, que lhe sorria. No meio do silêncio começou a ouvir-se um aplauso, que ao princípio era pequeno e quase inaudível, e depois começou a aumentar de proporções.
- Hora de ir – murmurou Chelsea, sorrindo. Os adolescentes preparavam-se para os atingir com mil e uma perguntas quando os heróis abriram caminho entre a multidão e saíram com pressa pela porta da frente.
Correram os dois até às traseiras e saltaram o muro e, para o espanto dos dois, no beco encontrava-se Cassie, de braços cruzados, como se estivesse à espera eternamente.
- Apanhados – disse ela, rindo-se.
Chelsea revirou os olhos e deixou que a luz arroxeada lhe devolvesse a roupa normal e os seus caracóis, enquanto Jensen fez o mesmo.
- Lindo espectáculo – elogiou a rapariga dos piercings, fazendo Chelsea rir.
- Anda lá, vamos lá para dentro – disse Jensen, rindo também.
Então, que tal?
publicado por LostDreams às 2013-05-19 21:55:45
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-19 12:32:26
Isto tem sido fraco em acção, mas isso muda a partir do próximo capítulo, prometo (:
Comentem sff (:
Capítulo 11
- Então foi para aqui que fugiste! – Exclamou William, ao rir-se.
Samantha estava sentada no banco de pedra em frente à fonte no centro do labirinto, no jardim do palácio. A noite já ia avançada, mas nem por isso o ambiente festivo acalmava. Ela, porém, já estava a precisar de alguma paz para meter as ideias em ordem. Já não estava habituada a ter tanta gente em seu redor, a fazer-lhe perguntas, a querer saber mais, a lamentar-se pelo que ocorreu há dez anos.
- Precisava de uma pausa – justificou – E este sítio pareceu-me bom para me abstrair de tudo.
Ele assentiu.
- Vês? Não foi assim tão mau – disse, referindo-se a ela ter ido ao baile.
- Foi mais difícil do que desarmar quinze homens. A maneira como as pessoas me olharam quando o rei me abraçou, os olhares que me mandaram enquanto dançávamos… conseguia sentir o ódio naquela sala.
William olhou para ela incrédulo e não conseguiu evitar soltar uma gargalhada.
- Não era ódio. Inveja. Porque todas querem a aprovação do meu pai… e todas querem dançar comigo – disse, com um tom presunçoso, fazendo-a rir.
- Não achei que conseguisse voltar a soltar uma gargalhada como esta. Senti saudades de rir – confidenciou.
- Lamento.
- Pelo quê?
- Por ter desistido da busca.
Samantha desviou o olhar para a fonte e a sua respiração tornou-se mais pesada.
- Éramos miúdos, o que é que querias ter feito? As tuas mãos estavam atadas.
- Mesmo assim, sonhei com o dia em que te encontrava de novo tantas vezes… - ele colocou-se de joelhos à frente dela, obrigando-a a olhar para si e agarrando-lhe nas mãos – Pensei que ia ser por acaso, que ia a passar perto de um rio e ouvia o riso e ia-me aproximar e via os teus belos cachos loiros a abanar ao sabor do vento. Tu sorrias-me e perguntavas-me se me lembrava de ti. E eu dizia que nunca me poderia esquecer. E era assim, no bosque, porque sempre foste um espírito livre.
- E em vez disso encontraste uma rapariga vestida de homem.
Ambos se riram, e William passou do chão para cima do banco, onde se sentou ao lado dela. Sem ter noção dos seus movimentos, deu uma festa suave na bochecha da rapariga e começou a aproximar o rosto do dela lentamente.
- Não. Encontrei exactamente o que estava à procura – proferiu, antes de juntar os lábios dos dois por breves momentos, até ela se desviar – Desculpa.
- Não… não tens que pedir desculpa – ela sorriu, algo atrapalhada – É só que…
- Vais voltar de novo para a batalha, não vais?
- Vou.
- Vou-te voltar a ver?
- Claro. Vou voltar. E talvez quando tudo terminar…
- Quando tudo terminar ficas para sempre?
- As coisas vão ficar normais de novo. Vou ter a minha casa, o meu povo… apenas aí vou poder voltar a ser a Samantha Kendric de Walcaster.
- Estás errada. Percebi agora que… nunca deixaste de ser ela. Ela está presente em todos os movimentos do Samuel. E ainda bem, porque… acho que a amo – William tomou coragem e disse finalmente aquilo que há muito não se deixava admitir nem a si mesmo – Acho que sempre amei. Ela costumava dar comigo em doido quando éramos miúdos… Eu amo-te.
- Will… não sei o que dizer… - murmurou Samantha, atrapalhada. O que é que havia de dizer? Que ele lhe era tudo menos indiferente? Que também queria ficar com ele? De que lhe serviria isso, além de para sofrer, se ia voltar para os combates numa questão de dias?
- Então não digas nada, só que… só que vais sobreviver a uma outra batalha, e voltar para mim – implorou William, ao que ela prontamente assentiu com a cabeça – Então vamos voltar lá para dentro, já devem ter dado pela nossa falta.
O que nenhum deles tinha notado é que a vigiá-los, escondido pela curva do labirinto, estava outra pessoa. Jonah, ao presenciar toda aquela cena, não pôde deixar de se sentir traído. Toda a sua vida tinha apoiado aquela rapariga, tinha cuidado de si como se fosse sua irmã, e ela preferia o príncipe. “Preferem sempre os príncipes, os castelos, títulos e dinheiro e poder”, pensou, visivelmente enervado. Talvez se tivesse nascido num berço de ouro, com todos os poderes e riquezas associados a ele, tivesse mais sorte na vida. Não seria apenas mais um soldado, uma vida entre milhares que pode ser sacrificada a qualquer momento. Seria um senhor, um lorde, alguém influente. Talvez então alguma rapariga se interessasse por si. “Mas eu vou conseguir chegar a isso”, prometeu-se. A oportunidade para tal já tinha, mesmo que significasse pôr em causa tudo em que acreditava, e agora já não se podia sentir culpado por, há dias, a ter aceitado.
publicado por LostDreams às 2013-05-18 19:39:53
Sabes quais são os dias mais felizes da minha vida? perguntou-lhe ela um dia. Não. respondeu simplesmente aquela voz. Aqueles em que estou contigo... e se estiver todos os dias contigo então sou sempre feliz. respondeu ela.
Andava a ver alguns posts que tinha feito no ano passado e encontrei este que escrevi em Agosto, adoro-o o: e pronto, decidi postá-lo de novo
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-18 16:30:47
Capítulo 20
Último Dia de Escola * Parte 1
- O que é que estamos a fazer? – Perguntou Chelsea, a rir-se, quando Jensen a pousou em cima da cama depois de fechar a porta com o pé.
- Queres mesmo parar para pensar? – Inquiriu ele, inclinando-se na cama, apoiando-se nela com as mãos, e dando um beijo ao de leve nos lábios da rapariga.
- Bem pensado – admitiu a rapariga dos caracóis ruivos, dando-lhe outro beijo. Porém quando ele se ia deitar por cima dela, ela esgueirou-se para fora da cama e agarrou no computador portátil e em alguns filmes – O que queres ver?
Jensen suspirou e deixou cair a cabeça na cama.
- És uma mata prazeres – acusou. Chelsea apenas encolheu os ombros e ele riu-se – Escolhe tu… mas não o Titanic, por amor de Deus.
A rapariga ruiva riu-se. Era mesmo esse que ela ia escolher. Acabou por pôr uma comédia leve, e deitaram-se os dois lado a lado na cama, enquanto o computador se encontrava à frente deles, à ponta. Estavam os dois a olhar para o ecrã, mas a verdade é que nenhum deles estava a prestar qualquer atenção. Jensen divertia-se a brincar com as mãos de Chelsea, e a rapariga apenas pensava. Já se andavam a esgueirar para o quarto da rapariga em segredo, quando não estava mais ninguém em casa, há quase duas semanas. Viam filmes, riam, conversavam, trocavam um beijo ou outro. Mas Chelsea continuava sem saber o que lhe chamar. Tinham concordado em deixar que as coisas se resolvessem sozinhas, mas ela não estava segura de que por este andamento, elas se fossem mesmo resolver. Agora que Jensen andava mais carinhoso e preocupado, não tinha razões de queixa, e até gostava de estar com ele. “O suficiente para sentir saudades quando não estou”, pensou ela. Chelsea olhou para ele pela ponta do olho e viu que ainda olhava para o filme. A rapariga suspirou e ele riu-se.
- O que foi? – Perguntou-lhe.
- Nada… estava só a pensar – disse a rapariga, dirigindo agora a atenção para os seus dedos, que ainda não tinham sido largos pelo rapaz.
- Em quê?
- No final da escola – mentiu.
- Hum… sabes, também estava a pensar… - Chelsea olhou para ele e viu aquelas covinhas aparecerem-lhe nas bochechas ao mesmo tempo que um sorriso de gozo lhe invadiu os lábios. Não vinha dali coisa boa.
- O quê? – Arriscou a perguntar.
- Tu sabes, toda essa história da pureza do teu coração, pureza isto, pureza aquilo… significa mesmo o que eu penso que significa? – A boca de Chelsea abriu-se numa exclamação. Não sabia se havia de rir ou de se enfiar num buraco.
- És tão estúpido! – Gritou-lhe, dando-lhe um empurrão devagar.
- O que foi? É uma pergunta justa – defendeu-se ele.
- És tão perverso. E não tens nada a ver com isso.
- Tudo bem… e não sou perverso, estava apenas curioso.
- Só… vê o filme.
Ele riu-se e ela também não resistiu a expressar um pequeno sorriso enquanto voltavam a dirigir a atenção às pessoas no ecrã.
Sem terem intenção, acabaram por adormecer os dois, e assim ficaram por algumas horas pela tarde fora.
Richard levou a chave à porta e abriu-a, fechando-a logo em seguida. Estranhou o silêncio na casa, Chelsea, noutro dia qualquer, estaria com música alta ou então a ver televisão na sala.
- Chelsea? – Chamou ele, não obtendo resposta.
Começou a subir as escadas e entrou no seu quarto, onde deixou a sua mochila. Depois bateu à porta do quarto da irmã, mas de novo ninguém lhe respondeu. “Será que saiu?”, pensou ele. Ao abrir a porta viu o computador a passar um filme, e Chelsea adormecida de lado, abraçada a Jensen, também ele a dormir. “Mas que…?”. Richard chegou-se ao pé deles e chamou-os num tom normal, e depois um pouco mais alto, mas eles não acordavam.
- Acordem! – Gritou, fazendo com que Chelsea desse um salto enorme e Jensen quase caísse da cama – O que é que se passa?
- Credo Richard – queixou-se a irmã, esfregando um olho –, não sabes acordar as pessoas com calma?
- Porque é que ele está na tua cama? O que é que está a acontecer? – Insistiu Richard.
- Não é o que pensas – disse Jensen, com uma voz ensonada – Na verdade, eu não sei o que pensas…
- Tu estás… vocês estão… mas como? Vocês nem se podiam ver à frente – pensou Richard em voz alta – E porque é que não disseram nada? Há quanto tempo é que andas a sair com a minha irmã?
- Não é exactamente “sair” – intrometeu-se Chelsea, fazendo aspas com os dedos – Não sabemos como lhe chamar, por isso preferimos não dizer a ninguém.
- Se não é sair, é o quê? – Perguntou-lhe o irmão, voltando-se depois para Jensen – Meu, tu vê lá o que andas a fazer, esta é a minha irmã!
- Eu sei meu – disse Jensen, levantando-se da cama – Nós estamos numa fase de… de…
- Experimentações – ajudou Chelsea – E até descobrirmos o que isto é… não temos nenhum nome para lhe dar.
- Exacto – apoiou-a Jensen.
- Mas vocês… e… - Richard suspirou e abanou a cabeça – Não há quem vos perceba… nem quero saber.
Ele saiu do quarto e Chelsea e Jensen começaram a rir.
- Lá se foi o segredo – disse a rapariga.
- Podia ter sido pior… - Jensen viu as horas no despertador em cima da mesa-de-cabeceira e voltou a olhar para a rapariga – Tenho que ir, prometi à minha mãe que fazia umas coisas. Até amanhã.
- Está bem – Chelsea levantou-se da cama e puxou Jensen pela mão até ao andar de baixo. Abriu-lhe a porta e o rapaz não resistiu a despedir-se com um beijo.
- É verdade! – Disse, quando Chelsea já ia a fechar a porta – Amanhã à noite o pessoal da Universidade vai-se encontrar no Drink&Tell para festejar o fim do ano. Vem também.
- Não sei…
- Traz a Helen, e a Cassie, e quem quiseres – disse Jensen, agarrando-lhe nas mãos – Por favor, vem…
A rapariga revirou os olhos e suspirou.
- Está bem, vai-te lá embora – concordou, rindo-se. Ele sorriu e depois começou a afastar-se, a andar. Chelsea fechou a porta e depois subiu as escadas para voltar para o quarto.
❦
- Posso entrar? – Perguntou Chelsea, embaraçada, à porta da sala de aula. A sua professora de Inglês, Sra. Curtis, olhava-a e abanava a cabeça – Desculpe, adormeci…
- Nem no último dia chegas a horas Chelsea Burke – ralhou ela, suspirando alto – Entra, senta-te, vá.
Chelsea agradeceu-lhe e caminhou silenciosamente até ao seu lugar, onde se sentou e começou a tirar o caderno e o estojo de dentro da mala.
- Estás quase meia hora atrasada – observou Helen, inclinando-se para ela da mesa ao lado.
- Eu sei, adormeci mesmo – desculpou-se Chelsea. Tinha estado até tarde a ler umas notícias no computador sobre a Defensora do Oculto e quando o despertador tocou hoje de manhã, desligou-o e continuou a dormir.
- Pessoal, temos que combinar alguma coisa para festejarmos – meteu-se Tony, sussurrando também.
- Eu já tenho uma planeada. Vamos ao Drink&Tell, vai lá haver uma festa da universidade – disse Chelsea.
- Chelsea Burke! – A voz da Sra. Curtis fez-se ouvir e Chelsea assustou-se.
- Desculpe – pediu.
- Como eu estava a dizer – continuou a professora de Inglês –, foi uma honra ser vossa professora este ano, apesar de não vos ter apanhado o ano inteiro. Devo dizer que há aqui alunos com um grande potencial, e dos quais eu sei que um dia mais tarde me farão orgulhosa por ter sido uma das pessoas que os ensinou. Também sei que há pessoas – dirigiu um especial olhar a Chelsea – que devem mudar certas atitudes se esperam receber um diploma para o próximo ano. – Chelsea revirou os olhos e suspirou, ela já tinha ouvido esses discursos todos – Com sorte ainda cá estarei no próximo ano, e serei vossa professora na mesma. Se assim for, espero que as aulas corram tão bem, ou melhor, que este ano. Agora tenho umas fichas que preciso que preencham e depois podem sair.
Depois de despacharem tudo da aula, puderam sair, e as outras aulas foram também do mesmo género. Umas fichas de dados de última hora e as despedidas. Quando a campainha soou pela última vez abriu-se um sorriso nos lábios de Chelsea.
- Parabéns, sobreviveste a mais um ano lectivo – murmurou ela baixinho. Ia passar de ano, com sorte, mas ia. “Décimo segundo ano, cá vou eu”, pensou.
Foi comer um gelado com Helen e Tony e combinaram à noite encontrarem-se à porta do Drink&Tell às nove e meia, e Chelsea disse que ainda ia convidar Will e Cassie.
Quando chegou a casa, subiu para o quarto e deixou-se cair em cima da cama de costas, respirando bem devagar. Férias, finalmente. Estava livre dos trabalhos, já não tinha que se levantar cedo… tinha tudo para ser perfeito. Podia estar com Jensen… Mas mal ela sabia que não era tudo bem assim, e que as férias que a esperavam não eram de todo as que tinha planeado.
Foi preparar um lanche e quando voltou ao quarto tinha o telemóvel a tocar, e apressou-se a atender.
- A telefonar-me a esta hora? Estás doente? – Perguntou, num tom de brincadeira.
- “Que graça” – retorquiu Jensen – “Só telefonei para saber a que horas vens para o bar, não te posso ir buscar, desculpa”.
- Não faz mal, eu vou com o Richard. Combinei com o pessoal à porta às nove e meia, mas ainda tenho que falar com a Cassie e o Will.
- “Tens mesmo que convidar esse?”
- “Esse”? O Will é meu amigo.
- “Sim, o amigo que te treina e te esconde a verdade sobre quem foste”.
Chelsea riu-se.
- Estás só chateado por ele não me ter dito nada sobre ti, oh mascarado – disse ela.
- “Pois estou, e não é para estar?!” – Jensen suspirou – “Deixa lá. Vejo-te mais logo então.”
- Está bem, chato. Até logo.
- “Adeus caracolinhos” – Jensen desligou antes que Chelsea pudesse reclamar, mas na verdade a rapariga não o ia fazer. Já se estava a acostumar a ser chamada daquela maneira, ou doutras do género. E a cada dia que passava, detestava um pouco menos.
Chelsea pousou o telemóvel em cima da secretária e começou a ver biquínis nos sites das lojas a que costumava ir. Precisava de comprar uns novos para este Verão.
Quero mais do que três comentários neste capítulo, está bem? ;_;
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 21:07:09
Como é que só tenho 2 comentários na DDO, hum? Como, leitores desnaturados? Ai...
Capítulo 10
- Tens a certeza que queres fazer isto? – Perguntou Jonah, que estava sentado na cama de Samantha, de costas para ela enquanto ela se arranjava para o grande baile.
- Tenho que o fazer, Jonah, senão o Will vai contar tudo – respondeu ela, suspirando de seguida – Já disse ao comandante que não me estava a sentir bem, e que ia ficar no quarto e não queria ser incomodada. O Samuel está na pausa, e a Samantha está… - nesse momento ela virou-se para o espelho e ficou espantada por alguns segundos. Pela primeira vez em muitos anos parecia-se com a verdadeira Samantha Kendric de Walcaster, uma verdadeira lady – A Samantha está pronta. E o Will tem o que quer, e o meu segredo continua a salvo. Já te podes voltar.
- Tratas o príncipe William por “Will”, é tão estranho de ouvir… - comentou Jonah, ao mesmo tempo que olhava para ela, ficando automaticamente boquiaberto com a beleza que tinha à frente – Uau… às vezes até me esqueço… que és uma rapariga. E uma bonita, para sermos sinceros.
Ela sorriu-lhe.
- Pareço a minha mãe – confidenciou, com uma certa nostalgia – Ela também prendia o cabelo assim…
Samantha tinha os caracóis loiros presos para trás, num carrapito, com um gancho com pedrinhas preciosas a condizer com as do vestido vermelho que William tinha mandado entregar naquele quarto, juntamente com uns sapatos pretos, de salto alto, e uma pulseira também com pedras preciosas. Agora sim, com aquela vestimenta, adornos e penteado, ela parecia alguém digno de ser da realeza.
- Bem… o baile já começou – disse Jonah – Pronta?
- Vai espreitar, para ver se vem alguém.
Assim fizeram. Jonah foi à frente e, quando o corredor ficou livre, Samantha saiu e caminharam rapidamente até à entrada para o salão de bailes, que consistia numa porta bem alta e larga, que dava directamente a umas escadas que tinham que ser descidas. Ao fim delas, o salão estendia-se, com o rei sentado num trono ao fundo da sala, juntamente com a rainha e William, e já várias pessoas a dançar. As mulheres envergavam lindos vestidos, os homens belos fatos e os soldados que não podiam pagar uma melhor vestimenta limitavam-se a usar a armadura.
Samantha estagnou à entrada, perto do lacaio que apresentava as pessoas que entravam em voz alta, e Jonah parou com ela.
- Passa-te alguma coisa?
- Vai entrando… eu vou já atrás de ti – assegurou ela, esforçando-se por sorrir. Mas, assim que ele foi apresentado como “soldado Jonah Godwyn” e desceu as escadas, voltou para trás e encostou-se à parede, vendo as pessoas a passar por si e a entrar no baile. De súbito o vestido tinha-se tornado demasiado apertado, não conseguia respirar, estava a ter um ataque de pânico – Vá lá Samantha, tu consegues, é só um baile… vá lá – repetia-se vezes e vezes sem conta.
Ao fim de alguns minutos tomou coragem e aproximou-se do lacaio e, chegando-se ao seu ouvido, apenas disse “Lady Samantha Kendric de Walcaster”. O lacaio bateu com o bastão no chão e, com a sua voz alta e grave, que persistia perante a música ambiente dos violinos, repetiu:
- Lady Samantha Kendric de Walcaster – ao dizer aquele nome, que no reino era como se fosse um tabu devido ao horror ligado a ele, todo o salão ficou em silêncio. Os homens pararam de tocar violino e o rei, anteriormente enfadado, levou os olhos até ao cimo das escadas, como todos os outros. Samantha engoliu em seco e sentiu a pressão dos olhares sobre si, porém continuou o seu caminho e andou directamente até ao rei, perante a surpresa e o choque de todos os presentes.
William saiu do seu lugar e andou até ela, parando-lhe a marcha.
- Estás linda – elogiou, dando-lhe um beijo na mão e brindando-a com um sorriso.
- Obrigado, e tu pareces-te mesmo com um príncipe – ela sorriu, e ele riu. Após trocarem um olhar, Samantha contornou-o e parou em frente ao rei, fazendo uma vénia – Vossa Alteza – cumprimentou.
Ele franziu as sobrancelhas e levantou-se, desceu os três degraus e ficou de frente a ela.
- Que brincadeira é esta, rapariga? – Perguntou, claramente perturbado – Gozar com os espíritos já perdidos não é admissível!
- Perdoe-me, rei Irinoi – disse ela, levantando-se. Foi então que ele arregalou os olhos. Ela parecia-se mesmo com a mãe –, mas não estou a brincar. Sou mesmo eu. Sobrevivi. Perdoe-me por nunca antes vos ter dito isto.
Até a maneira como ela falava, como sorria, como olhava, fazia lembrar Catherine Kendric. O seu cabelo, as suas bochechas rosadas. Irinoi perdeu a noção do decoro e, com os olhos enlagrimados, lançou-se à rapariga e agarrou-a num abraço bem apertado, apanhando todos de surpresa. William riu-se, enquanto a madrasta fez “cara feia” e as irmãs não compreendiam o que se passava.
- Como…? – Perguntou Irinoi.
- Noutra altura, hoje é uma festa. Ouvi dizer que queria uma mulher para casar com o Will – brincou ela.
- Estás-te a disponibilizar? – Ela riu-se e corou, ao mesmo tempo que William também o fez.
- Não, ainda sou nova.
- Parece destino, ele diz o mesmo – e então, ao perceber que toda a gente permanecia quieta, Irinoi voltou-se para os convidados e sorriu – Hoje aconteceu um milagre! A família voltou para casa! Temos mais um motivo pelo qual celebrar! Toca a tocar a música, toca a dançar e a comer e a beber. Hoje não há lugar para tristezas!
Tal como ordenado, a música voltou a soar pelo salão, e as danças prosseguiram de onde tinham parado. Samantha fez uma vénia e preparava-se para se afastar e se misturar na multidão, quando William lhe agarrou pela mão.
- Então e a minha dança? – Perguntou-lhe, com um sorriso encantador.
Ela respirou fundo. “O mais difícil já passou”, tentou convencer-se, sem saber ainda do que estava para vir.
- Vamos, vamos ver quão bem sabes dançar Will.
Ele sorriu em jeito de desafio e levou-a até à zona destinada à dança. Colocou-lhe uma mão na cintura e começaram a dançar ao som da melodia. Aos poucos os outros pares foram-se desviando, deixando-os apenas aos dois a dançar. Uns iam comentando o facto daquela rapariga tão misteriosa ter aparecido e parecer tão familiar com o rei e o príncipe, ignorando a sua identidade; outros admiravam-lhe a beleza; outros, conhecedores de quem era, davam graças por estar viva ou lamentavam esse mesmo facto, sendo crentes numa certa “maldição dos Kendric” e incapazes de acreditar que ela poderia ser feliz algum dia.
- Está toda a gente a olhar para nós – comentou Samantha, um pouco embaraçada.
- Deixa que olhem. Tu mereces. Estás deslumbrante.
Bem até agora parece que tudo correu bem...
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 14:27:54
Logo posso postar Armadura do Coração ^^
Comentem.
Capítulo 19
Seguir o Destino * Parte 2
As quatro horas da tarde estavam-se a aproximar e Chelsea não conseguia esconder o nervosismo. Tinha trocado de roupa três vezes e ainda não tinha a certeza sobre se eram mesmo aquelas calças pretas e a blusa lilás que queria levar ao encontro. Encontro… ela nem sabia se era um encontro. Uma parte dela dizia-lhe que sim, mas a outra gritava-lhe que não. E ela não sabia qual delas ouvir.
- Está atrasado – proferiu, quando viu no despertador a hora mudar para as quatro e um. A campainha tocou nesse instante –, mas não muito.
Saiu do quarto e deu de caras com Richard, que ia abrir a porta.
- Eu vou – disse ela – Volta ao que estavas a fazer, é para mim. E vou sair, e não sei quando volto. Adeus.
O irmão nem teve tempo de lhe dizer nada, pois ela desceu as escadas e saiu de casa a uma velocidade considerável. Andou apressadamente até à mota de Jensen, onde o próprio já se encontrava sentado, e sentou-se atrás dele, agarrando-se nele.
- Estás a gostar disto, não estás? – Perguntou ela, ao que ele se riu. E então viu o enorme cabaz que o rapaz tinha no braço – O que é isso?
- Não é óbvio? – Perguntou ele, enquanto punha a mota a funcionar.
- Já me estou a arrepender – murmurou a rapariga entre dentes.
Jensen conduziu por alguns minutos, e estacionou perto do parque de merendas de Diamond City. Os dois começaram a caminhar até lá em silêncio, e quando encontraram um sítio com relva e à sombra de uma árvore, Jensen estendeu uma toalha grande no chão e lá colocou uma garrafa de Coca-Cola, uma torta, e uma caixa de plástico com morangos.
- O que estás a tentar fazer? – Perguntou a rapariga, sentando-se numa ponta da toalha, de frente para ele.
- É o que mais gostas, certo? Torta de chocolate, morangos… Coca-Cola – disse ele.
- Nem sabia que sabias isso…
- Porque é que saíste tão à pressa de casa? Parecia que estavas desejosa para sair de lá – reparou ele.
- O Richard ia abrir a porta… se ele te visse, ou melhor, se me visse a sair contigo… ele ia começar a pensar coisas, e… tu sabes.
- Não contaste ao teu irmão
- O que é que era suposto dizer? – Lamentou Chelsea – Que vou a um encontro com um tipo que odiava na semana passada? Quer dizer… isto é um encontro? Porque sinceramente não sei…
- Faz sentido.
Começaram a comer e passado um bocado de tempo começaram a rir com as lembranças de várias batalhas que já lutaram juntos. Houve coisas bem ridículas, não o podiam negar. Chelsea já estava a ficar com dores de barriga de tanto rir quando comeu o último morango e respirou fundo. Contrariamente a todas as expectativas, estava-se a divertir.
- Isto está tudo fabuloso – elogiou Chelsea, enquanto respirava fundo e observava cada traço da face de Jensen, sem que ele reparasse. Quando ele a olhou, ela desviou o olhar.
- Obrigado – disse o rapaz.
- Não pensava que a tinhas em ti – Jensen franziu as sobrancelhas, não vinha dali coisa boa, mas mesmo assim decidiu arriscar.
- O quê? – Perguntou.
- Simpatia – Chelsea riu-se e deitou-lhe a língua de fora, e Jensen abanou a cabeça e suspirou.
- Tinhas que estragar tudo, não tinhas Cabeça de Fósforo? – Perguntou, agora quem se ria era ele.
- Não me chames isso – disse Chelsea, já séria. Ela odiava aqueles nomes, ele sabia-o bem.
- Porquê? É um nome carinhoso – afirmou Jensen.
- Jensen, a sério – pediu ela, fazendo beicinho.
Jensen riu-se.
- Obrigado por teres vindo comigo hoje – disse ele, um bocado sem jeito.
- Que mais teria eu para fazer num domingo à tarde? – Chelsea revirou os olhos, e Jensen pressionou os lábios.
- Sair com o PJ? – Chelsea olhou para ele em choque.
- Como é que tu… estavas a espiar? – Perguntou ela, incrédula.
- Não, ia buscar um copo de água à cozinha e acabei por ouvir a pergunta. E depois quis saber a resposta… não devia ter ouvido atrás da porta, desculpa…
Mais uma vez, Chelsea soltou uma gargalhada sonora.
- Até ficas engraçadinho quando coras – disse ela, fazendo com que Jensen corasse um pouco mais.
- Nunca ninguém se queixou do meu nível de graça – brincou.
Chelsea parou de rir. Sim, para ter tantas namoradas como tinha, tinha que ter alguma graça. Esse sempre fora um dos motivos pelos quais ela não lhe dava muita confiança. Nunca estava com a mesma rapariga mais do que uma semana.
- Sim, tenho a certeza que as peruas com que andas te acham imensa – murmurou.
- Senti ciúmes? – Perguntou ele, sentindo-se importante.
- Não…
- É engraçado, conhecemo-nos há séculos e nunca falámos de namoros…
- Isso não é bem verdade. Lembras-te de quando começaste a insultar o John enquanto eu estava a sair com ele? Estávamos na cozinha, e eu estava a fazer um bolo, e enervei-me tanto contigo que…
- Despejaste a farinha toda para o chão – riram-se.
- Continuei a encontrar farinha por todo o lado nas três semanas seguintes.
- Foi hilariante.
- Foi horrível! – Chelsea parou para pensar e viu as horas no ecrã do telemóvel. Seis horas, daí a pouco o sol começaria a desaparecer.
- Posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou o rapaz, abanando a cabeça para que os cabelos negros lhe saíssem dos olhos.
- Diz.
- Se não tivesses descoberto que eu sou o rapaz mascarado… o que é que tinhas feito?
- Não sei… eu queria descobrir quem ele… tu, eras. Acho que me deixei afeiçoar demais…
- Eu acho que é como a Guardiã disse… já vem de outra vida. É o destino.
- E tu acreditas nisso? – Chelsea sentiu um aperto no peito. Ela continuava apaixonada pelo rapaz da máscara, e agora que sabia que ele era Jensen, os sintomas também já se deixavam aparecer quando ele chegava ao pé dela, mas ela tentava lutar pelo simples facto de se tratar dele.
- No destino? Acho que já vi demasiadas coisas inacreditáveis para não acreditar nisso – disse ele, observando-a com cuidado para ver a sua reacção.
Ela suspirou e olhou para o céu, fazendo um certo trejeito com o lábio.
- Onde é que queres chegar? – Perguntou, ainda a observar as poucas nuvens que se faziam notar.
- O que quero dizer é… eu também gosto da Defensora do Oculto. E se ela és tu então… acho que quer dizer que gosto de ti.
- Acho que tens razão… mas ainda não me disseste onde queres chegar.
- Eu gostava de tentar… se tu quisesses.
Chelsea olhou para ele e respirou fundo. O seu coração gritava-lhe para dizer que sim, a razão implorava-lhe que não aceitasse. Tinha o pressentimento que ainda ia sofrer muito com toda esta história. Afinal, se a antiga Defensora e o antigo Byron não ficaram juntos, é porque não estavam mesmo destinados, certo?
- Está a ficar tarde… - murmurou a rapariga, vendo a desilusão instalar-se na face do rapaz. Mas mesmo assim ele disfarçou e sorriu.
- Pois está… vamos lá, eu levo-te a casa.
Levantaram-se e começaram a arrumar as coisas, para em seguida seguirem caminho. Jensen deixou a mota estacionada à entrada e acompanhou Chelsea até à porta, onde ela parou e se virou para ele.
- É um bocado difícil seguir o destino – murmurou a rapariga, enquanto pontapeava uma pequena pedra que se encontrava solta na calçada, ainda a pensar sobre a proposta do rapaz enquanto estavam no parque de merendas.
- Mas é ainda mais difícil lutar contra ele – pensou o rapaz em voz alta, o que fez com que rapariga olhasse para ele e corasse levemente. Ela já não sabia o que pensar, já não sabia o que sentir nem o que se passava com ela. Mas Jensen já o tinha aceitado. Agora via claramente que armar tantas brigas com ela era apenas uma maneira de tentar chegar a ela. Jensen já tinha percebido que, realmente, o sentimento sempre esteve com eles.
- Então devíamos deixar as coisas andar à medida que têm que andar – propôs a rapariga, sorrindo levemente.
- Concordo – afirmou o rapaz.
- Vês? – Perguntou ela, num tom espantado – Acabámos de concordar nalguma coisa.
O rapaz riu-se e abanou a cabeça.
- Até amanhã, caracolinhos. – Despediu-se, dando-lhe um beijo na pontinha do lábio e seguindo depois para a sua mota, na qual se foi afastando. Chelsea respirou fundo para tentar acalmar o ritmo cardíaco. “Isso não foi levar as coisas devagar”, pensou, “Caracolinhos… ah, que se lixe, ele nunca vai parar, por isso para quê reclamar? É um nome carinhoso…”.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-16 19:10:25
Capítulo 19
Seguir o Destino * Parte 1
- E depois o que se passou? – Perguntou Cassie, excitada.
Chelsea suspirou e chegou-se à amiga, descansando da tarefa que estava a fazer. Levou as mãos à cintura depois de ter atado melhor o seu rabo-de-cavalo e deu um pontapé numa pedra solta que se encontrava perto delas.
- Chelsea, estamos a treinar – queixou-se Will.
- Tu cala-te, que ainda estamos chateadas contigo – disse Cassie, com cara de má – Não acredito que não lhe disseste isso. O amor da sua outra, e possivelmente desta, vida está mesmo ao lado dela, e tu ficas calado. Que tipo de amigo é esse?!
- Oh… o Will é um querido… - disse Chelsea, sarcástica – Depois o outro Guardião, Oyuan, apareceu. E começou a dizer à Clayde que não nos devia ter contado nada, porque agora a história podia-se repetir, e blá, blá, blá, e depois o Jensen gritou com ele e eu disse que ele não tinha o direito de nos esconder este tipo de coisas – Chelsea contava tudo, tintim por tintim, a Cassie, do que se tinha passado no dia anterior, enquanto tentava ao máximo não deixar escapar nenhum pormenor – E depois ela continuou a dizer-nos que estamos destinados a estar juntos, e a contar como o nosso amor salvou o mundo, e… E depois, quando fomos levados de novo para o parque, sabes o que ele me perguntou?
- O quê? – Perguntou Cassie.
- Sim, por favor, falem como se não estivéssemos ocupados nem nada – as duas ignoraram o comentário do rapaz loiro.
- Se devíamos falar sobre o assunto. Eu perguntei-lhe sobre o quê, e ele disse sobre o facto de estarmos destinados… achas normal? – Chelsea disse isto tão depressa e tão indignada que por momentos a rapariga dos piercings achou que não ia conseguir continuar a conversa sem se rir. Mas enganou-se, conseguiu aguentar-se.
- E tu?
- Eu não sei, eu disse-lhe que não conseguia pensar nisso agora. A sério… já não era estranho o suficiente ser uma rapariga que combate demónios? Agora o meu príncipe encantado… o meu salvador… é o Jensen?! Ele, entre todos os outros? Não soube o que pensar, claro que não podia dizer que sim, que devíamos falar sobre o assunto.
- Mas gostas dele?
- Quem se importa?! – Disparou Will, dando um murro numa árvore e bufando. Ele só queria treinar a Defensora, só a queria preparar para a Escuridão, nada mais – Tu tiveste sorte ao matares o Kayor, sabes disso? Sorte! Se não treinares, vais morrer. Inevitável. Parem de fofocar!
De novo, foi ignorado, e as raparigas continuaram como se ele fosse invisível e mudo.
- Não… - Chelsea foi rápida na resposta, e Cassie deitou-lhe um daqueles olhares que apenas as melhores amigas podem fazer umas às outras, por já se conhecerem bem demais. Chelsea revirou os olhos – Quer dizer, eu gosto do rapaz mascarado, mas agora que sei que é o Jensen, que dizer… é o Jensen, e eu nunca gostei dele… nunca, nunca. Estou confusa, esta situação está toda de pernas para ao ar e… estou confusa.
- Eu acho que tu gostas dele…
- Eu não gosto dele. Ele é o Jensen, por amor de Deus. Se soubesses metade das coisas que ele já me fez… é tão irritante. Oh Deus, e já o beijei uma vez…
- E não queres repetir? Sabes Chels, ele é um tipo bastante atraente…
- Sim, e chato, e convencido, e mais chato – ela não negava que ele era o tipo de rapaz com que muitas suspiravam, era um facto, não havia negação a fazer, por isso preferiu sobressaltar-lhe os defeitos.
- Já te ocorreu que ele pode ser assim para captar a tua atenção? – Cassie parecia completamente convencida da situação.
- Essa deve ser a pior suposição de sempre – disse Jensen, que apareceu por detrás de uns arbustos com uma cara de espanto.
- Mas o que é que estás aqui a fazer?! – Perguntou-lhe Chelsea, rapidamente.
- Oh perfeito, já estou a ver que o treino foi à vida – reclamou Will, ao agarrar na sua mochila – Quando o circo acabar, liga-me.
E começou a afastar-se, perante o olhar dos outros três. “Isto não é normal”, pensou Chelsea.
- Como é que vieste aqui parar? – Insistiu a rapariga dos caracóis ruivos com Jensen.
- Segui-te – disse ele, descontraindo.
- Então estás aqui deste… que chegámos? – Meteu-se Cassie.
- Sim. Vocês raparigas falam demais, sabiam? – Ele aproximou-se de Chelsea e cruzou os braços – Então é aqui que a Defensora do Oculto treina… sabes, tens estado a evitar-me.
- Não tenho nada – defendeu-se ela, fingindo-se chocada – Nós descobrimos as coisas ontem, e hoje tive aulas… como é que te estou a evitar?
- Viste-me a caminho da escola e correste. Tipo… mesmo rápido – disse o rapaz.
- Está bem… claramente que não faço nada aqui. Divirtam-se, treinem, façam… qualquer coisa. Adeus Chels – disse Cassie, que se levantou da pedra e desapareceu também entre o arvoredo.
- Perfeito! – Exclamou Chelsea, irónica – É incrível como consegues sempre estragar tudo. Como é que vou treinar agora? Afugentaste toda a gente!
Jensen riu-se e pôs-se à frente dela, de mãos abertas na sua direcção.
- Usa toda a tua força – disse-lhe, em tom de desafio.
Chelsea respirou fundo e depois deu um murro numa das mãos de Jensen, o que fez o rapaz rir-se.
- A sério? Como é que ainda estás viva? – Brincou ele.
Chelsea concentrou-se e uma força invisível mandou o rapaz contra uma árvore, deixando-o cair para o chão em seguida. Ele levantou a cabeça do chão e olhou para a rapariga, enquanto a abanava.
- Isso é batota – declarou, acerca de ela ter usado os poderes.
- Se salvar a minha vida… não me podia importar menos – disse ela, que, após agarrar no seu casaco, começou a caminhar para fora do bosque em direcção a casa.
O rapaz ainda ficou sem reacção algum tempo enquanto a observava a afastar-se, e passado poucos segundos esboçou um pequeno sorriso. Agora que sabia a identidade da Defensora, e que sabia quem foi no passado e o que tem que fazer, tudo fazia mais sentido. Bem, quase tudo. A parte de estar destinado à rapariga dos caracóis ruivos ainda não lhe tinha sido completamente entendida. Mas já estava a começar a ver. Agora ele conseguia ver claramente a rapariga por quem se começou a apaixonar, espelhada na que irritou e brincou durante tantos anos.
❦
Sábado tinha chegado, e Chelsea tinha decidido passar o dia em casa. A manhã passou-a a estudar, para ver se não tirava tantas negativas. E à tarde, enquanto os amigos de Richard e ele estudavam no quarto para os exames da universidade, ela tinha o computador portátil em cima da cama e via um filme deitada de barriga para baixo. Estava a meio de uma das muitas gargalhadas que o filme cómico lhe estava a causar, quando lhe bateram à porta. Ela parou o filme e disse para entrarem, ao mesmo tempo que se sentava na cama à chinês.
- Que andas a fazer? – Perguntou PJ, sorrindo-lhe e deixando a porta apenas encostada.
- Estava a ver um filme… como vai o estudo?
- Difícil… é difícil concentrarmo-nos quando só ouvidos gargalhadas – Chelsea corou, mas no fim acabou por se rir.
- Desculpa – pediu.
Houve um momento de silêncio. PJ não estava certo do que ia dizer, não sabia bem se fazia sentido ou não, sentia-se confuso apenas.
- Tu… - PJ sacudiu o cabelo com a mão, um pouco embaraçado, o que era raro acontecer – Queres ir sair comigo, um dia destes?
- Nós saímos o tempo todo – noutros tempos, Chelsea teria logo pensado noutra maneira de ver a pergunta, mas desde os últimos acontecimentos que tem estado meio distraída perante tudo.
- Não, eu quis dizer… só nós, como… um encontro? – Chelsea arregalou os olhos e ficou de boca aberta algum tempo, formulando depois um sorriso algo tímido, ignorando por completo que por detrás da porta do quarto, a ver através da parte que estava aberta, Jensen os observava com o coração nas mãos.
- PJ eu… devo estar a perder o juízo – murmurou ela, deixando PJ confuso – Na verdade, desde que te conheço que queria que me perguntasses isso, sabes? Mas acho que não tinha razões para isso. Nós conhecemo-nos todos desde sempre, crescemos todos juntos. Do nosso grupinho, tu foste sempre o qual de quem gostei mais – Jensen, do outro lado da porta, sentia-se a perder o controlo, e cerrou os punhos com bastante força, enquanto PJ se preparava para interromper a amiga. Não percebia o porquê daquilo o incomodar tanto, mas a verdade é que era quase insuportável.
- Era um pouco estranho gostares do Jensen, considerando tudo – disse ele, o que fez aparecer um sorriso irónico nos lábios de Chelsea. Pois, ela também pensava isso.
- Mas o que acontece é que nós… Eu gosto muito de ti. Adoro-te, mas… não estou apaixonada por ti. E tu não estás apaixonado por mim – continuou a rapariga, apanhando ambos os rapazes de surpresa – Nós somos familiares, temos aquele carinho especial. E só recentemente é que percebi que o que sinto por ti se aproxima muito do que sinto pelo meu irmão, percebes? Somos amigos há tanto tempo que acho que o devíamos a nós próprios tentarmos algo mais, entendes? Mas não devemos. És como meu irmão.
PJ sorriu, sim, ele percebia. Ele sentia-se também dessa maneira. Chelsea sempre fora importante para ele, mas nunca além de uma grande, grande, amiga.
- Sim, percebo – disse ele, sorrindo. Jensen, de fora do quarto, deu por si a respirar fundo e a parar de fazer força de punhos cerrados, e a perceber a quantidade enorme de ciúmes que o tinha atingido – Desde quando é que ficaste tão sábia, pequena?
Chelsea riu-se.
- Sempre fui, mas é segredo – disse ela, pondo o dedo ao lado do nariz em seguida e fazendo um pequeno: - Shh.
PJ riu-se, e Jensen decidiu ir fazer o que tinha saído do quarto de Richard para ir fazer: ir à cozinha.
Depois do amigo voltar ao estudo Chelsea suspirou e levantou-se, caminhando lentamente até à janela. Saiu e sentou-se com as pernas encolhidas no telhado, a pensar. “Recusar o PJ… se me contassem que isto ia acontecer ia dizer que era uma anedota”, pensou ela. Mas até para sua surpresa, não lamentava de o ter feito.
Quando deu por si já começava a escurecer e já se sentia um certo frio na rua. Tinha acabado de retornar ao quarto quando a porta se abriu e de lá viu aparecer Jensen.
- Eu bati – defendeu-se logo ele, pondo as mãos no ar como se estivesse a render-se.
- Não ouvi – disse a rapariga, calmamente – Precisas de alguma coisa?
- Sim – ele confirmou, mas depois calou-se, o que fez Chelsea ficar um pouco confusa.
- Estás à espera que pergunte? – Perguntou ela.
- Amanhã, quatro horas, venho-te buscar. Não há maneira de não aceitares – disse ele muito depressa.
- E vais-me levar…
- Amanhã vês. Tenho que ir, o PJ está à espera lá em baixo. Até amanhã caracolinhos.
- Até… - Jensen fechou a porta e Chelsea suspirou – amanhã. Mas o que será que aquele está agora a planear?
Ela não gostava da ideia. Não gostava mesmo nada.
Desculpem não ter postado ontem.
Vamos ver o que sai daqui... comentem!
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-15 21:36:52
Ainda pensei em postar o capítulo, mas como só pouca gente é que leu o anterior, vou deixar um sneak peek e amanhã logo se vê.
Também têm Armadura do Coração postada ;)
- Chelsea, estamos a treinar – queixou-se Will.
- Tu cala-te, que ainda estamos chateadas contigo – disse Cassie, com cara de má – Não acredito que não lhe disseste isso. O amor da sua outra, e possivelmente desta, vida está mesmo ao lado dela, e tu ficas calado. Que tipo de amigo é esse?!
- Oh… o Will é um querido… - disse Chelsea, sarcástica – Depois o outro Guardião, Oyuan, apareceu. E começou a dizer à Clayde que não nos devia ter contado nada, porque agora a história podia-se repetir, e blá, blá, blá, e depois o Jensen gritou com ele e eu disse que ele não tinha o direito de nos esconder este tipo de coisas – Chelsea contava tudo, tintim por tintim, a Cassie, do que se tinha passado no dia anterior, enquanto tentava ao máximo não deixar escapar nenhum pormenor
(...)
- Como é que vieste aqui parar? – Insistiu a rapariga dos caracóis ruivos com Jensen.
- Segui-te – disse ele, descontraindo.
- Então estás aqui deste… que chegámos? – Meteu-se Cassie.
(...)
– Queres ir sair comigo, um dia destes?
- Nós saímos o tempo todo – noutros tempos, Chelsea teria logo pensado noutra maneira de ver a pergunta, mas desde os últimos acontecimentos que tem estado meio distraída perante tudo.
- Não, eu quis dizer… só nós, como… um encontro? – Chelsea arregalou os olhos e ficou de boca aberta algum tempo, formulando depois um sorriso algo tímido
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-15 16:22:31
Desculpem lá o atraso deste capítulo é que não tenho tempo para nada...
Querem que poste DDO mais à noitinha?
Capítulo 9
Quando Samantha e os restantes soldados chegaram ao palácio real, o caos estava instalado. Membros do exército pessoal do rei estavam deitados, mortos, pelo chão.
- Vão, procurem sobreviventes! – Ordenou Raj.
Separaram-se todos. E o tempo passou a voar. Samantha deu por si parada numa das amplas salas, sozinha, com uma grande dificuldade em respirar. Os gritos, as correrias, as pessoas mortas no chão. Tudo isso a levava de volta àquela noite. Era como se estivesse em transe, num ataque de ansiedade do qual não conseguia sair. Até que ouviu um grito mais alto que os outros que a fez voltar a acordar.
Saiu daquela sala a correr e no corredor juntou-se a Quorq e a Eresm, e correram os três até chegar à sala do trono. Era uma sala oval, com o trono em cima de um pequeno alpendre, com um mais pequeno de cada lado.
A rainha estava a um canto, assustadíssima, e Irinoi estava a lutar com a sua espada contra sete homens, sendo auxiliado por um soldado e por William. Samantha engoliu em seco e foi a primeira a juntar-se a eles, seguindo-lhe logo os outros dois. Em menos de nada os sete homens estavam mortos, e todos podiam voltar a respirar. Raj e os restantes soldados entraram no grande salão, fazendo-se acompanhar de mais pertencentes à guarda do rei, e sentiram também um grande alívio perante o que viram.
Samantha aproximou-se de um dos homens agora mortos, e baixou-lhe a gola da blusa, deixando à mostra um símbolo semelhante a uma cobra.
- As Cobras – Murmurou – Assassinos.
- Ezequiel, leva estes homens daqui – ordenou Irinoi, ao chefe do seu exército. Ezequiel, junto de outros soldados, obedeceu e começou a remover os corpos. O rei voltou-se então para os homens de Raj – Quanto a vós, devo-lhes a minha vida. Por favor, retirem os elmos para que possa ver a face daqueles que me salvaram.
Samantha engoliu em seco. Os três pousaram um joelho no chão, fazendo uma vénia em sinal de respeito e, enquanto os outros dois retiraram os capacetes – como a maior parte dos outros membros do grupo –, Samantha permaneceu quieta e com um nó na garganta.
- Então e tu? – Perguntou Irinoi, olhando-a directamente. Ela também ousou olhá-lo. Estava mais velho, mais abatido, já não era o rei de quem se recordava – Como é o teu nome?
- Samuel, Vossa Excelência.
Ao ouvir aquilo William olhou para ela pela primeira vez e abriu a boca de espanto.
- Tira o teu capacete, Samuel – pediu de novo o rei.
- Peço-lhe perdão, meu rei, mas não o posso fazer.
- É uma ordem do teu rei! – Gritou-lhe Raj.
- Não posso…
- Pessoas já foram enforcadas por menos. Não sejas idiota – murmurou Eresm entre dentes. “Se o tirar, aí é que sou enforcada”, pensou.
- Não faz mal, pai, eu conheço esse soldado – disse William, para surpresa de todos, o que fez com que Samantha respirasse de alívio – Ele tem um problema com a cara, é… uma história horrenda. Não pode retirar o capacete, mas asseguro-te que é de confiança. Não nos vamos esquecer de que acabou de salvar as nossas vidas.
- Hum… - fez o rei, engolindo em seco – Por isso, e por isso apenas, vou permitir que o mantenhas posto – disse, para Samantha, que assentiu com a cabeça.
A rainha correu para os braços do marido, ainda assustada, e ele abraçou-a.
- Agradeço, meu rei.
- Quem eram estes homens? – Perguntou William, para sair daquele tópico de conversa, ao comandante Raj.
- Eu…
- Assassinos pertencentes à Ordem da Cobra – Interrompeu Samantha, sendo olhada por todos –, Vossa Alteza.
- Vou mandar organizar um banquete – declarou Irinoi –, e vocês ficarão no palácio até que encontre outros membros para a minha segurança pessoal. Concorda, comandante Raj?
- O que Vossa Excelência desejar, está bem para mim – concordou Raj – Os meus soldados estão ao seu dispor.
- Óptimo. Falaremos desses… assassinos, durante o jantar. Tal como da sua obsessão de manter o elmo posto, Samuel.
- Claro, Vossa Excelência – concordou Samantha –, tudo o que quiser.
Em menos de nada tudo tinha voltado ao normal no palácio. Os guardas tinham-se livrado dos corpos, as empregadas tinham limpado o sangue do chão e das paredes, e as cozinheiras preparavam o enorme banquete.
Samantha não se conseguiu ver livre dos outros companheiros, pelo que William não foi capaz de a apanhar sozinha para que pudessem conversar.
Quando a hora do banquete chegou, foram todos para o maior salão do palácio, onde estavam várias mesas corridas já recheadas de comida e vinho. Sentaram-se onde calhou, tendo apenas o rei, o príncipe e as princesas, e a rainha lugares fixos.
- Então diz-me, Samuel, o que sabes sobre as Cobras? – Irinoi tinha pedido que Samantha, ou Samuel, se sentasse perto de si para que pudessem conversar. Esta levou o copo de vinho à boca, levantando ligeiramente o elmo, e deu um trago.
- Há pouco que se saiba, Vossa Excelência, apenas que são uma organização de assassinos que respondem a quem mais paga. Por anos estiveram na folha de pagamentos do… Lorde Marx, Majestade. Mas farão de qualquer coisa por um bom preço – explicou ela.
- Já os tinhas visto actuar?
- Sim, há muitos anos, quando era criança – disse, engolindo em seco – Vi-os dizimar uma casa inteira…
- Bem… não falaremos mais disto – Irinoi levantou-se e levantou também o seu cálice cheio de vinho – Amanhã à noite vai-se realizar um baile em honra do meu filho. As raparigas mais bonitas do reino vão cá estar, e com sorte talvez ele possa escolher alguém para casar – deitou um breve olhar a William, que revirou os olhos – Comandante Raj, você e os seus soldados são mais do que bem-vindos a este baile, e a comer tudo o que conseguirem e a terem todas as mulheres que quiserem. Estou em dívida para convosco.
Após o banquete, e longas horas de conversa, os soldados foram distribuídos pelos muitos quartos da zona este do palácio, sendo que cada um teve direito ao seu quarto para que, como o próprio rei disse, pudesse aproveitá-lo como entendesse, com, ou sem, companhia.
Samantha respirou de alívio quando finalmente entrou no seu. Não era nada de especial, nada como o dos reis ou príncipes, tinha apenas uma cama e um roupeiro, um pequeno espelho e uma mesa-de-cabeceira, mas servia-lhe bem. Os seus poucos pertences também já lá estavam. Tirou o capacete da cabeça e suspirou.
- Finalmente – murmurou, pensando que já podia respirar de alívio e descansar até que o próximo dia chegasse. Mas foi então que lhe bateram à porta – Quem é?
- O William. Venho sozinho.
Ela torceu o nariz e destrancou-a, para que ele entrasse. Assim que o fez, voltou a fechá-la.
- O que é que queres? – Ele sorriu-lhe e abraçou-a, para seu espanto, deixando-a sem saber o que dizer após a soltar – Obrigado por me ajudares, há bocado.
- O que estás aqui a fazer? Pensava que nunca mais te ia ver… pensei…
- Fomos avisados por espiões que o rei estava sob ameaça. Viemos para impedir o pior. E impedimos.
- Podias ter morrido, Sam… Aqueles tipos lutavam tão bem.
- Posso morrer a qualquer momento. Os meus pais estavam deitados na cama quando foram atacados e morreram. Nós podemos sempre morrer, Will. A não ser que escolhamos sobreviver.
- Bem… já que cá estás, o meu baile é amanhã à noite…
De novo, ela torceu o nariz. Já previa o que ele queria.
- Sabes que não posso ir. Sou um homem, um soldado.
- Não. Quero que vás como tu própria. Samantha Kendric de Walcaster.
- Perdeste o juízo? Após todos estes anos…?
- Sabes o quanto o meu pai amava a tua família. Quando descobriu do ataque ficou devastado. Quando descobriu que tu não estavas entre as vítimas deitadas no chão teve esperança, mas essa esperança foi passando com os anos até que se conformou com a tua eventual morte. Tens que lhe dizer que estás viva. Tens que lutar pelo teu título, pelo título da tua família.
- Eu estou a lutar pelo meu título! Como um guerreiro, como…
- Uma mentira – interrompeu ele – Sozinha. Mas se te revelares, se disseres que estás viva, podes lutar com um exército, o exército do rei. Não terias que lutar sozinha.
- Foi assim que escolhi viver, Will. Já não sou a Samantha Kendric de Walcaster, já não sei como ser ela. Sou o Samuel, o guerreiro.
- Vem ao baile.
- Não posso…
- Então vou ter que dizer a toda a gente quem o Samuel, o guerreiro, realmente é.
Ela olhou para ele completamente especada. Como é que lhe podia estar a fazer aquele ultimato?
- Estás-me a chantagear?
- Quero que venhas. Não quero que voltes a ir embora. Não te quero perder de novo, não percebes? Não te posso voltar a perder.
- Mesmo se considerasse isso… não tinha nada para vestir. Não trago roupas de rapariga para os combates, sabes?
- Eu arranjo-te o vestido – William agarrou-lhe na mão e olhou-lhe nos olhos, como se implorasse – Por favor. Por mim. Ninguém precisa de saber que és o Samuel, vem apenas, diz ao meu pai que estás viva, concede-me uma dança, e então vai embora com o teu segredo.
547:: mais vale ficar em (...)
publicado por LostDreams às 2013-05-14 21:21:05
Quando nada há a dizer apenas nos remetemos ao silêncio, este é sempre o melhor e nunca nos trai. As palavras acabam sempre por magoar mesmo quando por vezes essa não é a intenção, são traiçoeiras e quando damos por nós estamos a dizer exatamente o oposto daquilo que queriamos. Mais vale ficar em silêncio...
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-14 15:13:59
Parabéns a quem acertou na identidade do rapaz.
Prontas para descobrir mais sobre a Faith? E de onde vem o "mascarado"? Isto vai ser meio cliché, mas força.
Capítulo 18
A História de Duas Vidas * Parte 2
O coração de Chelsea falhou uma batida. “Caracolinhos de fogo… oh meu Deus”, pensou ela, enquanto via os dois rapazes levantarem-se, “Não pode ser… ele?”. Por momentos Chelsea não viu nada à frente. “Caracolinhos…”, pensava ela. Só há uma pessoa no planeta que a chama daquela maneira. Era a única porque ela detestava, e por isso ninguém mais o fazia. Mas claro que ele gostava de a irritar.
- Byron, és um idiota! – Gritou Kayor, para o irmão, ou para Jensen, como é conhecido. Deu-lhe um empurrão que o mandou para bastante longe, e Chelsea gritou:
- Pára!
Levantou-se desajeitadamente e olhou para Jensen, estendido no chão, de barriga para cima. Kayor sorriu maldosamente para Chelsea, e depois criou uma Bola de Energia e mandou-a rapidamente a Jensen. Até que contra todas as expectativas, parou. Chelsea nunca tinha sentido aquele tipo de poder antes. Sentia-se quente, relaxada, em paz e feliz. Só sabia que acontecesse o que acontecesse, não podia deixar Kayor magoar Jensen. Kayor olhou surpreendido para a rapariga, nunca antes ninguém tinha paralisado um ataque seu. Chelsea apenas o olhou com uma cara séria, e mudou o trajecto da Bola de Energia contra ele, fazendo uma pequena explosão cheia de curtos circuitos. Chelsea deixou-se cair de joelhos no chão, esgotada. Sentia que ia perder as forças a qualquer momento, a sensação de força e paz tinham-na agora abandonado. De lá viu o corpo de Kayor ser electrocutado e explodir, desaparecendo em poucos segundos. Ninguém nunca desconfiaria do tipo de batalha que lá se passara, porque além das árvores partidas que podem ser explicadas como um ataque mais forte vindo do vento, não sobraram absolutamente provas nenhumas.
Chelsea queria fechar os olhos, queria repousar, não aguentava mais. Mas então viu Jensen imóvel no chão, e gatinhou até ele.
- Jensen – chamou, abanando-o para que acordasse. O rapaz não tardou a abrir os olhos, e logo depois gemeu – Estás bem? O que é que te dói?
- Estás em cima da minha mão – Chelsea sentiu-se tão envergonhada que era capaz de se enfiar dentro de um buraco e nunca mais de lá sair. Levantou os joelhos e Jensen tirou a mão, pousando-a depois em cima do peito – És mesmo desastrada.
Chelsea sorriu.
- Como é que isto aconteceu? – Perguntou, deixando-se deitar ao lado dele a respirar fundo.
- Eu disse-te para fugires, minha parva.
- Pois sim, e depois como é que ia explicar ao meu irmão e ao PJ a tua morte? Que o meu plano finalmente deu certo só que em vez de seres atropelado por um carro tinhas sido assassinado por um Príncipe da Escuridão? Isso faria sentido – disse ela irónica.
- Não acredito que és tu. Quer dizer, tu és… sem ofensa mas… - Jensen não sabia o que dizer, e Chelsea compreendia-o na perfeição.
- É melhor nem dizeres mais nada – ela já sabia que ele, mais cedo ou mais tarde, ia começar com as histórias de que ela tem medo de tudo e logo não faz sentido ser a defensora da humanidade.
- Pois, provavelmente.
- Gostava… gostava que alguém nos explicasse o que raio se passa. Afinal, quem és tu? O Kayor chamou-te Byron, Jensen.
- Eu nunca tinha ouvido esse nome antes. Já te disse, eu apenas… eu sinto quando a Defensora está em perigo, transformo-me, e venho.
Chelsea suspirou e sentou-se. Estava frustrada, queria saber quem era o rapaz mascarado mas nunca tinha ponderado a hipótese de ser Jensen, apesar de agora, falando-se em parecenças, fosse bastante óbvio. A rapariga viu a sua máscara no chão, e com o poder de telicnese trouxe-a até às suas mãos. Ao mesmo tempo estava orgulhosa de si mesma. Tinha destruído Kayor. “Tive sorte, foi o que foi”, admitiu.
- Chelsea Burke, a medricas da cidade… a Defensora – pensou Jensen em voz alta. Chelsea preferiu ignorá-lo.
Ao longe começou a ver uma luz brilhante a intensificar-se, e chamou a atenção de Jensen, que também se sentou. Conforme viam a luz aproximar-se, os dois levantaram-se e protegeram os olhos com o antebraço. Nenhum deles sabia o que se passava. Quando a luz se esgotou e sentiram que era seguro descobrirem os olhos, os dois observaram o sítio em que estavam.
- Onde é que estamos? – Perguntou Jensen, enquanto olhava em volta a contemplar o belo palácio da cor da pureza.
- Acho… acho que estamos na Casa dos Guardiães – murmurou Chelsea, dando poucos passos, fazendo com o barulho ecoasse, enquanto agarrava na máscara com força – Já cá estive antes…
- Os Guardiães? Ajudava-me saber o que isso é – murmurou o rapaz.
- O nome diz tudo – ouviu-se, por trás dele. Era uma voz madura, feminina. Os dois voltaram-se ao mesmo tempo para se verem em frente a uma mulher já com alguma idade, e um pouco curvada para a frente. Vestia um manto como o de Oyuan, as vestes características dos Guardiães com os adornos a roxo, a cor da Defensora, e tinha um cabelo loiro, muito claro, preso em dois carrapitos entrançados, atrás – Defensora do Oculto, é uma honra finalmente conhecê-la.
- Hum… sim, obrigado… a si também – murmurou Chelsea, sem saber bem o que dizer – Desculpe mas… é uma Guardiã?
- E uma das mais antigas, também – disse a senhora, mostrando um pequeno sorriso na face já engelhada da idade – Clayde é o meu nome.
- O que é que estamos aqui a fazer? – Perguntou Jensen, sem rodeios, sendo alvo de um olhar reprovador de Chelsea.
- Suponho que queiram saber mais sobre vocês, estou certa? – Perguntou a antiga Guardiã. Ela sabia que tinha razão. – Especialmente tu, jovem rapaz… não sabes porque fazes o que fazes, não sabes a tua ligação à Defensora do Oculto nem ao Reino da Escuridão. Ou estou errada?
- Não, não está – admitiu o rapaz – Ao princípio não sabia o que fazia, era como se não tivesse o controlo do meu corpo. Mas depois comecei a perceber que tinha que ajudar a Defensora do Oculto, apesar de nunca ter chegado perto de uma explicação para tal. É como… faço coisas que nunca imaginei… aquelas lutas, tudo aquilo é… nunca aprendi a lutar daquela maneira, vem tudo naturalmente, não consigo perceber.
“Algumas pessoas têm cá uma sorte”, lamentou-se Chelsea, “já eu tive que trabalhar no duro para conseguir aprender a dar um simples murro de jeito”.
- Porque está no teu sangue – disse a mulher, fazendo um gesto com a mão, que criou uma pequena bola entre eles. Uma ilusão, um globo transparente com neblina a criar-se lá dentro. E depois, o mundo.
- Vão-nos finalmente contar a história toda? – Perguntou Chelsea, reticente.
- Não queríamos que vocês se encontrassem. Da última vez… da última vez foi catastrófico. Mas acho que algumas coisas realmente falam mais alto, e cá estão vocês. Sim, Defensora, vou contar-vos a vossa história.
- Toda? Sem omissões? – Chelsea queria apenas conferir. Ela sabia que havia algo que o outro Guardião, Oyuan, não lhe tinha contado, e não queria que esse algo voltasse a não ser relevado desta vez.
A velhota apenas lhe sorriu e, com outro gesto de mão, imagens começaram a aparecer dentro do globo. À medida que ela ia contando a história as figuras de Chelsea, e de Jensen, e de tudo o resto iam aparecendo e fazendo exactamente o que ela relatava.
- Há cerca de uma centena de anos, havia uma linda guerreira que lutava para proteger o Planeta Terra de todo o Mal. Era a heroína da população, a esperança do mundo. Sempre fez o seu trabalho e lutou para defender o bem sem pensar duas vezes, até que foi tocada pelo verdadeiro amor. A guerreira apaixonou-se pelo inimigo, um dos Príncipes da Escuridão, um dos encarregados de a matar. Por vários tempos andaram a evitar-se em confrontos, mas chegou a uma altura em que não podiam adiar mais. Seria um confronto que apenas acabaria com a morte de um. E quando se encontraram, frente a frente, após vários ataques a evitarem usar a força máxima, nenhum conseguiu acabar com a vida do outro. O poder do seu amor libertou o belo Príncipe da Escuridão, e ele passou a lutar ao lado da sua amada contra as forças negras. Mas a felicidade de ambos não durou muito. Uma das Bruxas do Mundo da Escuridão, apaixonada pelo príncipe desde sempre, roeu-se de ciúmes e jurou que se não o pudesse ter, ninguém mais o teria, especialmente aquela que mais odeia. A Bruxa reuniu uma grande energia, e atacou o planeta quando ainda ninguém esperava. E lutaram. Uma luta dura em que não se previa qualquer futuro para o lado do Bem. A Bruxa estava preparada, eles não. Tinha conjurado todos os tipos de demónios, e os restantes quatro Príncipes lutavam para defenderem a Escuridão. Para proteger a sua amada, o Príncipe atravessou-se no meio de um ataque mandado pela Bruxa, morrendo assim nos braços da Guerreira Defensora. Levada pelo luto, jurou vingança a todo o Mundo da Escuridão, jurou que o Bem triunfaria sempre. Ela ainda tinha um último recurso. Sabia que se libertasse todo o seu poder, tudo o que lhe ia no seu coração puro, poderia salvar o mundo do caos que se aproximava. E também sabia que se isso acontecesse, morreria. Mas não se importou. A partir do momento em que viu o seu Príncipe morrer nada mais importou. A Guerreira Defensora arranjou umas últimas forças e, pondo-se de pé, transportou toda a energia do seu amor para fora de si, criando uma luz clara que aos poucos foi afastando toda a escuridão da Terra. O amor dos dois venceu tudo e todos e, por algum milagre, os Deuses tiveram piedade e permitiram-lhes renascer com outras vidas. Umas vidas normais, pacíficas.
Chelsea e Jensen ouviam atentamente enquanto viam os bonecos transmitidos no globo a lutarem, ou a Defensora a chorar com o Príncipe sobre o seu colo, ou até a intensa luz livrar o mundo da escuridão das trevas. Chelsea achava estranho ver-se a si mesma naquelas situações, e Jensen estava apenas absorvido em toda a história.
- Até agora – interrompeu Chelsea – Clayde, quando falei com o outro Guardião, Oyuan… ele mencionou Byron como o quinto príncipe, mas não me quis contar o que aconteceu com ele - murmurou, hesitante – Ele é…
- O rapaz ao teu lado? Sim, esta é a vossa história. Uma história de como o amor vence sobre o mal. Tu, Guerreira Defensora, conseguiste salvar todo o mundo e aquele que amas apenas com o poder do teu coração puro. Mas infelizmente a Escuridão está a recuperar todo o poder aos poucos, e por isso foi preciso serem despertados novamente, e levados a lutar uma vez mais.
- Mas eu não… - Chelsea parou a meio da frase, e olhou hesitante para Jensen, que estava estático um pouco mais atrás. Estava a ser um choque mais forte para ele do que para ela. Até este dia ele nunca tinha arranjado explicação para nada, e ela já sabia algumas peças do puzzle. Chelsea arrependeu-se do que ia dizer, mas quando olhou para o rapaz este olhava para ela de uma maneira estranha. Ela apertou a máscara que tinha na mão direita com força.
- Nem eu. – Mas Jensen, como se soubesse o que a Guerreira Defensora pensa, decidiu também dizer-lhe o que pensava. Que ele também não a amava.
A velhota fez com que o globo desaparecesse com o mesmo gesto com que o fez aparecer e deu poucos passos na direcção deles, e pegou na mão de Chelsea, para em seguida colocar a de Jensen por cima da dela.
- Não acredito – proferiu ela, calmamente – O vosso amor sobreviveu a um grande acontecimento. E ainda hoje lutaram juntos. Defensora… de onde pensas que veio todo aquele poder que sentiste? Veio de dentro de ti… veio do teu coração, da tua vontade de protegeres quem amas. Não interessa o que pensavam saber um sobre o outro, porque no fundo acredito que apesar de todas as diferenças, o amor sempre aí esteve.
Chelsea retirou a mão de junto da de Jensen e desviou-se poucos passos, respirando pesadamente. Ela não sabia o que pensar, e muito menos o que dizer.
publicado por Anabella às 2013-05-14 09:38:11
Como estou num Curso Profissional, obrigatóriamente tenho que fazer as horas das disciplinas e agora encontro-me numa sala de aula (Técnicas de Acolhimento Turístico) e estiou a fazer um trabalho de Geografia para aumentar a minha nota para 20 em vez de ficar com o 18 xD.
Não que mes esteja a queixar que isto me está a ajudar nas outras disciplinas mas que é um pouco chato o meu horário agpra ter buracos e ver esta stora (que não chega a ser - nem de perto!- uma das minhas favoritas) de Terça a Sexta-feira, mas acho que isto é preferivel a vir durante as minhas horas de estágio... basicamente estou no purgatório...

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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-13 16:24:41
Capítulo 18
A História de Duas Vidas * Parte 1
- E depois beijámo-nos… - disse Chelsea, enquanto andava eléctrica de um lado para o outro e Cassie a seguia com os olhos, sentada num banco de madeira no parque – E eu senti-me tão… oh Cassie eu senti-me tão… tão bem. Sabes? Foi estranho, porque ele é praticamente um estranho mas… mas ele não é bem um estranho, pois não? Não pode ser… porque acho… Cassie, acho que sinto alguma coisa, acho… acho que apaixonada por aquele rapaz. Não consigo explicar, é como… é mais forte que eu. Como se não soubesse até ao momento em que o beijei, mas que o meu futuro é ao seu lado, percebes?
- Não… nada de nada – disse a rapariga dos piercings, abrindo mais os olhos. Chelsea suspirou e deixou-se cair ao seu lado. Ela não tinha palavras para explicar.
- Imagina a melhor coisa que alguma vez sentiste… e depois multiplica por mil. Foi assim que me senti. Tenho que descobrir quem ele é Cassie. Agora mais que nunca, não posso não saber.
- Posso ser sincera contigo? – A animação de Chelsea ficou reduzida depois do tom com que ouviu a amiga falar. Cassie estava feliz por ela, verdade que estava, mas a preocupação falava mais alto. Ela não gostava de ver a amiga tão concentrada num rapaz que não conhecia minimamente bem.
- O que foi? – Perguntou a rapariga dos caracóis ruivos.
- Acho que não te devias deixar levar tanto… percebo que ele seja a novidade, e que estejas curiosa mas… O que é que sabes mesmo sobre este tipo? Por tudo o que sabemos, ele pode ser um inimigo, não sabes. É óbvio que o Will não gosta dele, cada vez que falas ele contorce-se todo para não gritar… acho que devias ir com calma, não deites tudo a perder por um tipo numa máscara.
- Estás preocupada – afirmou Chelsea, suspirando e olhando o céu – Eu também. Não sei o que fazer… não consigo parar de sentir que o conheço. Mais, que ele e eu estamos ligados de qualquer maneira. E depois daquele beijo apenas… ficou mais forte. E assusta-me mais que tudo. Saber a maneira que me sinto por um tipo do qual nem o nome sei. Ele não me diz nada, Cassie. Nem nome, idade, onde vive. Só que sente que me tem que proteger. E eu sinto isso também.
- Gostava de te conseguir ajudar a descobrir alguma coisa sobre ele…
- Eu sei. Não te preocupes, eu fico bem.
- Está a ficar tarde… devíamos ir.
- Vai tu, eu quero ficar aqui mais um bocado. Não quero ir já para casa.
- Ficas bem? – Chelsea riu.
- Por favor, eu sou a Defensora do Oculto – gabou-se, fazendo a outra rir.
- Claro, quase que me esqueci… e no entanto ainda não sei como ainda não estás morta… com esse jeito todo…
- Ei! – Exclamou a ruiva – Estou a melhorar.
A rapariga dos piercings riu-se e levantou-se, acenando à amiga em seguida e depois seguindo o seu caminho. Chelsea riu-se em silêncio e depois pôs os pés para cima do banco, deitando-se de barriga para cima e pernas flectidas, a olhar o céu. Ela sabia o porquê de ainda estar viva. As aparições daquele rapaz.
Chelsea viu as nuvens a moverem-se lentamente no céu. A esta hora o parque estava praticamente deserto, há excepção de um ou dois sem-abrigos e algumas pessoas que passavam para cortar caminho até chegarem ao destino. A rapariga fechou os olhos e respirou fundo. De novo a imagem do rapaz misterioso invadiu-lhe a mente. Desde o dia anterior, desde aquele beijo, que não pensava em mais nada. Estava no meio de umas tréguas com as preocupações e a aproveitar um momento de paz quando lhe deu uma pontada no coração, que a obrigou a contorcer-se e, consecutivamente, cair do banco para o chão. Ela gritou, e quando se sentiu a aliviar apoiou-se no banco e levantou-se, sentindo outra dor em seguida que a fez cair de joelhos. Levou as mãos ao peito e fechou os olhos com força. Não percebia o que se passava, nunca tinha tido tal dor. Era um misto de preocupação com medo e necessidade. Imagens começaram a aparecer-lhe na mente, ainda de olhos fechados. Viu o rapaz misterioso ser mandado contra uma árvore e esta ficar com poucos ramos a menos. E viu o seu atacante. O Príncipe da Escuridão que já teve o azar de encontrar. Kayor. A dor parou de súbito e quando abriu os olhos é que reparou que estava com as vestes da Defensora do Oculto. O pingente tinha pensado por ela e feito tudo sem que se apercebesse. Este tipo de coisa nunca lhe tinha acontecido, mas era como o rapaz misterioso sabia quando ela estava em perigo. Era como se transformava antes de saber como o fazer. Automaticamente.
- Kayor – murmurou Chelsea, levantando-se com a ajuda do banco.
A rapariga correu com todas as suas forças, apesar de sentir que podia quebrar a qualquer momento. Esta aterrorizada, mas por aquele rapaz, por aquele mascarado que a fazia sentir-se como nunca antes, enfrentaria o mundo se precisasse. Ela reconheceu o sítio que vira como sendo uma das partes mais sombrias do parque, e como tal, encontrava-se ligeiramente afastada.
Um dos sem-abrigos que estava sentado no chão, encostado a uma árvore, abriu a boca de espanto quando viu aquela rapariga esbelta e veloz de cabelos de fogo a correr como se a sua vida dependesse disso.
Após a última curva e o último arbusto afastado, Chelsea viu-os. O rapaz da máscara no chão, e Kayor à sua frente. Tinha na sua mão o que lhe parecia ser um chicote, e no exacto momento em que o levantou e se preparava para chicotear o rapaz já sem forças no chão, Chelsea pôs-se à frente e levou ela com ele. Porém permaneceu de pé.
- Ora, ora, ora – disse Kayor, sorrindo – quem temos aqui? A Defensora do Oculto. Devia saber que não estarias longe.
O Príncipe da Escuridão mandou o chicote para longe e cerrou os punhos, pondo-se em posição de ataque.
- Agora queres uma luta justa? Pensava que não jogavas pelas regras – disse Chelsea. Cada palavra lhe saía destemida pelos lábios, mas por dentro o coração da rapariga estava a mil. “Nunca o vou conseguir vencer”, pensava ela.
- Foge… - murmurou o rapaz, que se levantou e se posicionou ao lado de Chelsea – Sai daqui.
- Não – disse ela.
- Devias ouvi-lo… - Kayor investiu em Chelsea e esta defendeu-se com um novo movimento que Will lhe ensinara na semana anterior, dando-lhe um murro na cara e um pontapé na barriga logo de seguida. Kayor recuou e sorriu maliciosamente – Tens razão… eu nunca jogo pelas regras.
O rapaz com olhos de maldade criou uma Bola de Energia nas mãos e mandou-a à árvore que se encontrava ao lado da Guerreira e do mascarado, fazendo com que alguns ramos caíssem.
- Não! – O rapaz gritou e mandou-se a Chelsea, empurrando-a para longe, ficando ele por baixo de um dos troncos. Chelsea levantou-se do chão e com o poder da mente retirou o tronco de cima do rapaz dos cabelos negros, porém ele continuou imóvel. Estava a fazer um esforço de outro mundo para se manter com todos os sentidos. Ela queria gritar o nome dele como sinal de aflição, mas não sabia como lhe chamar.
Chelsea dirigiu-se a Kayor com a raiva ao rubro e cerrou o punho, dirigindo-o à cara do inimigo. Mas sem saber porquê, o seu corpo parou por completo e Kayor sorriu. Ele tinha mais poderes que ela pensava. Mandou-a contra uma árvore e fez com que alguns ramos pequenos lhe caíssem em cima. Não se dando por satisfeito, ainda a fez levitar e ir de encontra a uma pedra, fazendo-a arquejar de dor. Quando viu que a Defensora não ia aguentar muito mais, diminuiu o ritmo. Deu-lhe um pontapé que a fez cair de joelhos. Chelsea encolheu-se, agarrada à barriga, com dores. Ela olhou para o rapaz que se apresentava à sua frente com o medo espelhado nos olhos, e ele gostou a sensação. Nunca fora olhado dessa maneira pela guerreira que tanto odeia.
- Vamos lá ver que rosto se esconde atrás desta linda máscara… - murmurou o Príncipe da Escuridão, fazendo Chelsea flutuar à sua frente.
A rapariga já estava praticamente acabada. Tinha a roupa toda rota e suja. Os joelhos sangravam e os cotovelos estavam todos esfolados. Tinha um arranhão na cara, perto do olho esquerdo. E além disso já não se sentia com forças. Kayor aproximou a mão do rosto dela e arrancou-lhe a máscara com toda a força, mandando-a para o chão. Chelsea como reflexo fechou os olhos com força, como se pensasse que se não os abrisse, o seu disfarce não seria arruinado. Mas abriu-os pouco depois, com um aperto no coração. Agora tinha as roupas, o pingente, os poderes… mas com a face descoberta sentia-se impotente. Era apenas a rapariga dos cabelos ruivos. Kayor sorriu ao observar os traços daquela feição.
- Bem, é uma pena desperdiçar uma carinha tão linda.
A rapariga engoliu em seco.
- Por favor…
- Vais suplicar? Mas nunca suplicaste – interrompeu-a Kayor, dando uma alta gargalhada.
O rapaz misterioso começou a levantar-se aos poucos, vendo a Defensora do Oculto à frente de Kayor, que estava de costas para ele. Ficou boquiaberto por poucos segundos. “Não pode ser”, pensou. Ele reconheceu-a. Não de uma outra vida, não como sendo a antiga Defensora. Conheceu-a como já conhecia desde bebé.
- Por favor, isso é algo que quero ouvir – insistiu Kayor, para Chelsea – Melhor ainda, tenta manipular-me… tenta… tenta fazer-me acreditar que te queres juntar a mim, por favor. – Chelsea sentiu as lágrimas chegarem-lhe aos olhos. Ela queria chorar mas não podia. Não devia – Qual é o teu nome?
- Vai pr’ó Inferno – retorquiu ela. Kayor riu-se e mandou-a para poucos metros adiante, fazendo-a cair com força no chão. Ela gritou, tinha-se aleijado bastante num dos ombros, mas não o tinha chegado a deslocar. Chelsea rodou sobre o corpo e ficou a observá-lo de lado, antes de se sentar toda torta agarrada ao ombro. Ao olhar naqueles olhos cheios de raiva e impiedade, viu que não tinha escapatória possível. “É mesmo o fim”, pensou para si.
- Chega de perder tempo – Kayor estava a formar uma das suas mortais Bolas de Energia para lhe mandar, mas algo o impediu.
- Não! – Gritou o rapaz misterioso mandando-se contra Kayor, atirando-os a ambos ao chão – Foge daqui caracolinhos de fogo!
E então, já sabem quem é?
Quero saber quem é que acertou :b
publicado por LostDreams às 2013-05-12 21:29:13
Fartei-me do visual que tinha (como sempre) e pronto, tive de o mudar. Este é diferente e não sei, mas gosto bastante e espero que se mantenha por algum tempo. O que acham?
Ando sem ideias nenhumas para post's por isso é que ultimamente só posto quotes e assim, o que não me agrada muito porque gostava de postar aqueles textos escritos por mim, mas pronto...
Tenham uma boa semana!
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-12 19:21:34
Hmm, visto que vocês já leram o anterior e eu não tenho Armadura do Coração...
Mas quero que comentem este!
Capítulo 17
Reacender a Antiga Chama * Parte 2
- Bune – disse Chelsea.
- Defensora do Oculto, encontramo-nos de novo. Assumo que não vais fugir desta vez – disse ele, presunçoso.
- Espero que não tenhas mais truques – murmurou a rapariga dos cabelos ruivos.
- Apenas um… - Chelsea não gostou da conversa. No livro não havia mais nada referente a Bune que ele ainda não lhe tenha mostrado. O círculo de esqueletos começou a recuar e Bune abriu a boca, de onde cuspiu fogo. Chelsea baixou-se rapidamente e o seu coração disparou.
- Claro! – Exclamou – Afinal dizem que és um dragão.
- Prepara-te para conheceres o teu fim, Defensora… - Bune cuspiu fogo uma vez mais e Chelsea, com apenas um movimento simples, puxou um dos esqueletos para a sua frente servindo-lhe de escudo – Como te atreves?!
- Ele já está morto – defendeu-se, encolhendo os ombros.
O homem investiu um murro e ela parou o ataque, dando-lhe um pontapé na zona da barriga. Estava a ficar melhor, os treinos de Will estavam a dar os seus frutos e disso não havia dúvida. Não estava nem perto da perfeição nem da táctica de Faith, mas ao menos sabia os básicos. Continuaram na dança de ataques e defesas durante um tempo até que Chelsea foi mandada a baixo. Bune ia mandar-se para cima dela, mas ela despegou as partes do corpo e um dos esqueletos e trouxe até ela o braço, que ficou espetado em Bune quando este se deixou cair no pensamento de que ia acabar com a rapariga. Ficou trespassado mesmo na zona do coração, e Chelsea rodou-o para ao lado, tirando-o de cima dela para que se pudesse levantar. Já de pé viu a pele abandonar o corpo de Bune e este ficar apenas como todos os outros esqueletos, desvanecendo-se em seguida em pó.
- Eu disse que desta vez estava pronta – disse Chelsea, enquanto via os outros esqueletos, um a um, caírem inanimados para o chão.
- Foi por isso que não intervim desta vez – ouviu, por trás dela. Voltou-se e viu o rapaz da máscara, de cócoras, em cima de um dos ramos mais baixos de uma árvore. Ele saltou para o chão e sorriu – Portaste-te bem, Defensora.
Ela ia-lhe responder, mas algo lhe despertou a atenção. Por trás dele encontrava-se uma roseira já murcha, mas não foi isso que ela viu. Viu-a cheia de rosas vermelhas. Viva, bonita, elegante. A mesma roseira pela qual viu Faith traçar o seu caminho até à cabana no seu sonho. E se ela tivesse razão e não fosse apenas um sonho?
Chelsea caminhou até ao rapaz e passou-lhe ao lado, em direcção à roseira desnuda de flores. Olhou em frente. Era como se soubesse onde se dirigir, como se o caminho estivesse desenhado na sua mente e não fosse sair.
- Vem comigo – pediu. O rapaz ia recusar, mas quando reparou no sítio em que a rapariga estava, quando viu aquela roseira e aquele caminho com que também tanto sonhava, a curiosidade falou mais alto.
O rapaz da máscara seguiu atrás da Defensora do Oculto, mas não precisava. Também ele sabia para onde se dirigiam.
Chelsea fez várias curvas e afastou alguns arbustos até chegar à clareira onde Faith, no sonho, tinha parado a observar o céu. E lá ela viu a pequena cabana de madeira. O alpendre com as três escadinhas e a cerca já partida, a porta meio aberta, toda escancarada, tudo com um ar bastante mais velho. Chelsea não conseguia acreditar no que via, era real, estava mesmo à sua frente.
- Como sabias onde isto era?
Chelsea não respondeu à pergunta do rapaz, tal como ele nunca respondia a nenhuma das dela. Em vez disso dirigiu-se à casa, subiu os três degraus, e entrou. Os vidros das janelas já se encontravam partidos, e a luz que entrava na casa do pôr-do-sol era suficiente para se ver bem tudo o que lá estava. O velho sofá, a mesa redonda, uma vela já pequena e gasta… Chelsea passou por uma porta e foi ter ao quarto. A pequena cama continuava ao centro, apenas com uma colcha fina e branca a cobri-la. A rapariga deixou que a sua mão passasse pelo veludo enquanto se dirigia à mesa-de-cabeceira, e quando lá chegou abriu a gaveta. Vazia. Voltou-se então para o rapaz, que olhava para ela embasbacado.
- É real – murmurou ele.
Chelsea voltou a passar por ele e parou a meio da pequena sala, em cima de um tapete de arraiolos nuns tons de bordô e dourado, já velho e bastante sujo. Ela aproximou-se de uma das janelas e pousou as mãos em cima de uma cómoda, ficando com elas cheias de pó. Havia teias de aranha em todos os sítios.
- Acho que ninguém vem aqui há bastante tempo – disse o rapaz da máscara.
- Acho que ninguém aqui vem há cem anos – murmurou a rapariga, voltando-se para ele – Sei que não me vais dizer quem és, e eu não vou voltar a perguntar. Mas tenho que perguntar outra coisa.
- O quê?
- Acreditas em vidas passadas? – O rapaz ficou boquiaberto por poucos segundos. Não é que ele nunca tenha pensado nessa possibilidade, afinal, com tudo estranho o que lhe aconteceu desde que começou a lutar ao lado da Defensora, vidas passadas e reencarnações não seriam as partes mais estranhas.
- Porque perguntas?
- Porque é que respondes sempre com uma pergunta? – Chelsea foi rápida com a resposta. Estava a ficar farta de jogos. Sentia que ele sabia de qualquer coisa, tal como Will. Mas ninguém lhe contava nada. Queria saber a verdade.
- Não sei se acredito. Mas estaria a mentir se dissesse que não acho isto tudo… esquece, não quero falar disso. Vou embora.
O rapaz saiu pela porta e ia preparar-se para correr quando Chelsea o apanhou desprevenido ao agarrar-lhe no pulso.
- Espera – pediu-lhe calmamente, enquanto o agarrou no pulso, e assim que o rapaz se voltou para ela sentiu-se como se o seu coração lhe fosse sair do peito. Aliás, ambos se sentiam assim. – Eu preciso de saber… desculpa, eu sei que disse que não ia perguntar mas… preciso de saber, eu sinto que… é estranho, eu… Quem és tu?
- Não vou dizer – afirmou o rapaz, voltando-se completamente para ela, após ela lhe largar o pulso.
- Porquê? Eu tenho que saber o teu nome, eu… Porque é que me vens sempre salvar? Sabes quem sou?
- Não – disse ele, respirando fundo em seguida – Não sei quem és, mas sinto… sinto que tenho que te proteger. É como que se por acaso alguma coisa te acontecesse, eu também ficaria mal. Não consigo explicar.
- Como se me conhecesses – ele não precisava de explicar. Chelsea percebia, também ela se sentia assim em relação a ele.
- Sinto que conheço – admitiu o rapaz, levando, hesitante, a mão à bochecha de Chelsea para lhe fazer uma festa – As lutas, tu… esta cabana… é tudo tão…
- Familiar – completou ela, engolindo em seco – Como se o tivéssemos feito antes.
Ela já sabia ser a reencarnação da Defensora, logo já tinha passado pela parte das lutas anteriormente. Mas além disso não tinha conhecimento de mais nada da sua antiga vida.
Mas o toque daquele rapaz, aquela mão na sua bochecha, fazia-a sentir-se como se o mundo pudesse acabar se ele simplesmente desaparecesse de um momento para o outro. E ele também se sentia desse modo. Era como se a tivesse de proteger a qualquer custo. Se tivesse que dar a sua vida para salvar a dela, daria sem pensar duas vezes.
Alguns chamam a isso amor. Outros estupidez. Mas estes dois não sabiam o que lhe chamar, pois não tinham todas as cartas na mesa. Não sabiam metade da história de quem tinham sido no passado.
Num movimento involuntário Chelsea levou a mão à do rapaz mascarado, que ainda lhe acariciava a bochecha, e pela primeira vez olhou para os seus olhos e se deixou absorver por completo. Eram tão profundos. Azuis acinzentados, lindos. Calmos e no entanto agitados enquanto também observavam o seu olhar. Num segundo estavam assim, e no outro a seguir, sem saber bem o que fazia, deixando-se levar pelo calor do momento ou pelos sentimentos de outra vida, o rapaz chegou os seus lábios aos da Defensora do Oculto e deitou uma última olhadela aos seus olhos. Chelsea deu o último passo e juntou os seus lábios aos dele, dando-lhe a certeza de que precisava. Apesar de não saberem quem são, aquilo parecia completamente normal, quase rotineiro. As mãos do rapaz pousaram sobre a cintura de Chelsea e as desta foram até ao pescoço dele, para o puxar mais para si. Era como se aquele momento valesse por tudo. Como se tivessem estado adormecidos até àquele momento e apenas tivessem acordado por meio de uma magia qualquer proveniente do que sentiam.
Aos poucos o rapaz começou a afastar-se até ficarem apenas separados por poucos centímetros, e observou Chelsea minuciosamente. Ela apenas sorria. Como nunca antes. O rapaz voltou a juntar os lábios de ambos para um outro beijo, este muito mais curto, e depois começou a correr, saltando para cima do ramo de uma árvore e voltando-se depois para Chelsea.
- Adeus, Defensora do Oculto – proferiu, com os olhos a brilhar.
Chelsea apenas lhe acenou com a mão, enquanto ainda continuava com aquele sorriso nos lábios.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-12 13:16:51
Eu amo a pt2 deste capítulo, e sei que as mais românticas daí também vão amar, por isso go go go
Capítulo 17
Reacender a Antiga Chama * Parte 1
Chelsea bocejou e o irmão olhou para ela, desviando por poucos segundos a atenção do computador.
- Devias ir dormir – aconselhou ele.
Ela suspirou e afundou-se mais nas almofadas da cama de Richard. Devia, mas não queria.
- Não quero – afirmou. Há três dias que andava atrás do mesmo demónio, e tristemente, ele dava bastante luta.
- Amanhã tens que te levantar cedo Chelsea – insistiu ele.
A rapariga revirou os olhos e desviou os caracóis da cara, à medida que se levantava.
- Pronto chato, está bem. Até amanhã.
- Dorme bem.
Chelsea saiu do quarto do irmão e entrou na porta em frente, o seu quarto. Foi até à casa de banho lavar os dentes e depois correu os estores para que a claridade da rua não lhe invadisse o quarto quando o amanhecer chegasse. Deixou apenas a luz da mesa-de-cabeceira acesa, e sentou-se de pernas cruzadas, com o livro “Demonologia: Demónios de A a Z” no colo. Abriu na letra “b”, e em seguida procurou pelo nome “Bune”, para começar a reler as páginas relativas ao demónio, páginas essas que já lera vezes e vezes sem conta.
A figura do demónio não se parecia com o homem que Chelsea vira já por duas vezes. Era um dragão com três cabeças, uma de homem, outra de cão, e a terceira de grifo. A verdade é que Chelsea vira um homem bastante bem parecido, alto e musculado o suficiente para se conseguir defender. Com uma barba comprida e escura e uns olhos profundos. Na sua roupa sim, identificou a imagem do livro. Bune tinha um manto vestido até aos pés, no qual se desenhava um dragão com uma cabeça de homem no centro, e duas outras nas pontas, uma de grifo e a outra de cão. Todas as três cuspiam fogo.
Ela esteve perto de o apanhar, mas quando pensou que ia vencer, Bune levantou uma mão e todos os mortos do cemitério saíram das suas campas e começaram a andar na sua direcção, deixando a rapariga sem outra opção a não ser fugir. Bune tem o poder de retirar os mortos das suas sepulturas e fazê-los seus servos, tendo obrigatoriamente que cumprir tudo o que ele mandar. Chelsea tem tido pesadelos desde então. Sempre teve, aliás, sempre não, desde que soube ser a Defensora do Oculto. Mas é pior quando sabe que não aniquilou o monstro e ele continua lá fora.
Chelsea bocejou uma vez mais e olhou para o relógio despertador. Uma e meia da manhã.
- O Rich tem razão – murmurou –, está na hora de dormir.
A rapariga foi colocar o livro dentro da caixa de sapatos no cimo do seu armário e depois enfiou-se entre os lençóis, abraçando a sua almofada. Fechou os olhos e não tardou a adormecer, entrando num mundo de sonhos. Porém, não no pesadelo que já temia.
A Defensora do Oculto andava calmamente pelo bosque. Calma, mas decidida. Nada na sua postura mostrava medo ou qualquer índice de indecisão. Não, ela sabia onde ia e o que queria. Desviou uns ramos que se encontravam no seu caminho e olhou o céu. Não havia sinal da lua, apenas as estrelas se deixavam ver. Brilhantes e pequeninas pareciam insignificantes devido ao seu aparente tamanho. Mas Faith sabia que nada era insignificante. Ela podia ser muitas coisas, mas ignorante não era uma delas. Sabia perfeitamente que tudo tinha a sua função, e que quando a cumpria… bem, essa era a parte sobre a qual ninguém nunca falava. Quando uma coisa já não tem mais utilidade morre, acaba, desvanece-se. Esse era o seu maior medo. Que um dia a humanidade já não precisasse dela para os proteger. Mas mesmo assim dava o seu melhor para que esse dia chegasse, porque isso significaria um futuro melhor para todos.
Ela parou e observou a velha barraca de madeira que se encontrava a poucos metros dela. Sabia que no segundo em que lá entrasse deixaria de ser levada pelas suas obrigações de guerreira contra o mal. Sabia que no momento em que passasse pela porta esqueceria todos os seus deveres e apenas se deixaria levar pelos sentimentos aos quais não conseguia resistir.
- O que é que estou a fazer? – Perguntou-se, respirando fundo.
Nunca antes Faith tinha desobedecido a uma ordem. Ela era a lutadora perfeita. Não questionava as ordens, não tinha medo da batalha, não ligava à morte. E depois de um primeiro olhar, apenas depois de uma primeira aparição, mudou completamente. Antes tudo o que importava era a missão e a destruição da Escuridão. Antes Faith não se importava com amizades e achava o amor uma fragilidade. Até que finalmente o encontrou. E no entanto, não conseguia ficar chateada consigo própria, porque o que estava a fazer, fazia-a sentir-se feliz.
A rapariga abanou a cabeça e continuou a andar até chegar à pequena cabana. Empurrou a frágil porta de madeira e esta rangeu à medida que lhe permitia ver o que se encontrava lá para dentro. Estava escuro, não dava para se ver muita coisa. Havia apenas uma fonte de luz: uma vela acendida no centro de uma mesa pequena e redonda ao lado de um sofá velho. A Defensora do Oculto sorriu e fechou a porta, voltando-se de novo para a parte de dentro da cabana.
- Estás atrasada – ouviu. De dentro de outra divisão da casa viu uma figura aparecer, figura essa que se encostou à ombreira da porta – Já pensava que não vinhas.
- Tive que me certificar que não estava a ser seguida – Faith agarrou na vela e caminhou até ao rapaz, iluminando o caminho até lá. Quando chegou à sua frente viu o seu sorriso, e os olhos brilhavam-lhe por trás da máscara. O sentimento estava lá, mas nunca arriscariam expor-se. Podiam ser seguidos, podiam ser apanhados, tanto pelo lado do bem como o do mal.
Num movimento rápido o rapaz com a máscara e a capa negra aproximou o seu rosto do da Defensora e plantou-lhe um beijo nos lábios, beijo esse que ela esperava desde a última vez que se separaram. Andaram às apalpadelas pela parede até a vela iluminar uma pequena cama ao centro do quarto, e Faith pousou-a na mesa-de-cabeceira redonda.
- Devíamos pensar no nosso próximo passo – disse o rapaz, entre beijos, enquanto lentamente se deitava na cama fazendo com que esta rangesse.
- Depois – proferiu a Defensora do Oculto, imitando-lhe o gesto – Neste momento… - ela calou-se e beijou-o. Naquele momento ela apenas o queria a ele.
Chelsea acordou sobressaltada e toda transpirada. Tinha o coração aos pulos e podia jurar que ainda sentia o sabor do beijo do rapaz do sonho. Parecia-lhe tudo tão real. Real demais para ser um simples sonho. A rapariga sentou-se na cama e olhou para a mesa-de-cabeceira, onde viu as horas.
- Outra vez?! – Gritou, levantando-se num instando e correndo para a casa de banho. Estava atrasada… de novo.
Tomou o duche mais rápido da sua vida e vestiu-se num segundo, tinha agarrado nas primeiras coisas que lhe apareceram à frente. Quando desceu as escadas agarrou numa maçã e, despedindo-se da mãe à pressa, começou a correr pelas ruas enquanto a comia. Parou a meio do caminho, estava a ficar cansada.
- Que treta – reclamou, enquanto se preparava para continuar a corrida.
Passou pelo portão da escola e atravessou os corredores velozmente até verificar que a professora ainda não tinha chegado. “Oh graças a Deus”, pensou, enquanto recuperava o fôlego.
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- Já sei, já percebi – reclamou ela, encostada ao tronco da árvore mais velha do pátio daquele liceu.
- Acho que não percebeste. Ele não anda a levantar os mortos à toa Chelsea. A Escuridão anda a recolher tropas, não percebes? O Bune é uma prioridade. É a prioridade das prioridades! – Continuou Will com o seu discurso.
- Ela não tem culpa – disse Cassie – Ela não sabia que o demónio levantava os mortos, não é?
- Pois não… e porquê? Porque não liga a nada daquilo que eu digo. Isso estava no livro que lhe dei, se não sabia é porque nem se deu ao trabalho de ler! – Discutiu o rapaz dos cabelos loiros.
- Ainda aqui estou pessoal – meteu-se a ruiva – Não te preocupes, eu vou procurá-lo quando as aulas acabarem, prometo. E desta vez vou conseguir, está bem? Juro.
- Só… isto é importante Chelsea – disse o rapaz.
- Eu sei. Ouve, queria fazer-te uma pergunta… Will… tu achas… - Chelsea parou, a ideia parecia completamente ridícula.
- O que foi? – Insistiu Will.
- Já sonhei com a antiga Defensora… sabes disso, mas…
- Mas… - incentivou Cassie, enquanto mexia os seus piercings com a língua.
- Mas agora já não é só ela a falar comigo. É como… acho… como é que digo isto? Achas possível que esteja a sonhar com a minha antiga vida?
- Com o que sonhaste exactamente? – Quis Will saber.
- Com um rapaz… o mesmo que me vem ajudar às vezes, aquele com a máscara. Sonhei que ele e a Faith, ou… eu, estavam numa cabana no meio do bosque e que estavam envolvidos e…
- Soa-me mais a fantasia do que a memórias – Will sabia ser exactamente o contrário daquilo que dissera, mas não queria Chelsea a pesquisar sobre um assunto que não lhe interessava. Temia que se a rapariga descobrisse mais sobre a antiga Defensora e aquele rapaz perdesse a concentração na missão. Sabia que Chelsea era muito mais ligada aos sentimentos do que Faith, e se Faith se tinha deixado levar por aquele rapaz, então Chelsea seria uma presa ainda mais fácil.
- Não sei Will, foi tão realista… quando acordei parecia que…
- Chelsea, o importante agora é o demónio, não os sonhos, estamos esclarecidos? – O tom saiu-lhe arrogante, o que surpreendeu tanto Chelsea como Cassie, que engoliu em seco.
- Sim, claro – respondeu a ruiva. Ela não acreditava nele, tal como na conversa que tivera com o Guardião Oyuan, sabia que lhe estava a esconder qualquer coisa. E não gostava. Se Will, o único capacitado para a ajudar, lhe escondia coisas, o que lhe restava?
Quando o tempo de aulas terminou Chelsea foi deixar a mala a casa e depois rumou ao antigo cemitério, agora abandonado por todos, apenas com a cerca já curvada e as campas com o aspecto sombrio e frio que ela sempre achou que tinham. Já nem um zelador havia por perto, a maior parte das famílias dos falecidos já tinham também morrido, deixando este pequeno espaço de terra destinado ao esquecimento.
- Este sítio arrepia-me – reclamou a rapariga. Transformou-se na heroína centenária e depois olhou em volta. O sol estava a começar a pôr-se, a hora era aproximadamente igual à dos outros dias – Bune, sei que estás aqui – disse ela – Desta vez estou pronta.
“Ai não, não estou”, pensou, com medo, “não seria perfeito se ele não aparecesse? Completamente, era o melhor dia de sempre…”. Chelsea ouviu um ruído por trás de si e voltou-se depressa apenas para ver uma mão sair de debaixo do chão, seguindo-se o corpo. Os ossos já praticamente nenhuma carne traziam agarrada, e haviam vários bichos a percorrer o crânio e as outras partes do corpo que outrora tinha vivido.
- Isto parece um mau filme de terror – murmurou a rapariga, cerrando os punhos e preparando-se para lutar.
Antes de dar por isso, estava completamente encurralada. Esqueletos altos, esqueletos baixos, uns com só um braço e outros com todos os membros estavam à sua roda, deixando-a cada vez apertada. Estava pronta para os mandar a todos para longe quando eles pararam de se aproximar e abriram uma passagem, por onde um homem passou para dentro da roda.
