publicado por Inês às 2013-06-19 18:04:46
perfil público
Petit Mimi
Seguir Perfil »publicado por Inês às 2013-06-19 18:04:46
Há de chegar a altura em que me aperceba que tenho de começar a fazer médias, procurar cursos e as suas provas de ingresso e tomar decisões.
publicado por Bolacha às 2013-06-19 13:46:49
O vento da madrugada de Abril, quase Maio, perdia a violência na claustrofobia das ruelas inclinadas do Bairro Alto. Numa dessas ruas, esquecida da mania de andar sempre de relógio a cingir o pulso esquerdo, eu encostava-me a uma porta escura, encolhida numa parede com pedaços de tinta arrancada. O estado levemente ébrio que me levava a não querer saber das horas era partilhado com um grupo de mais oito almas etilizadas que ocupavam a rua a toda a sua largura, mais uma à minha frente, segurando-me pela cintura sem que isso fosse necessário para me equilibrar. De tanta gente, recordo apenas o nome das três pessoas com as quais começara a noite na Avenida da Liberdade, agarrada um par de imperiais tão geladas quanto o metal das cadeiras da esplanada onde foram servidas, e o da Paula, o anjo do xixi.
No início de todas as cenas fundamentais e passíveis de ser contadas, embrenhei-me na confusão nocturna de mão dada a uma amiga, à procura do irmão de alguém que, por sua vez, trazia consigo um grupo de pessoas que eu conhecia ainda menos que aquelas que estavam comigo. Do ponto de encontro, que levou largos minutos a ser definido e outros quilómetros de queixume a ser encontrado, seguiram-se mais subidas e descidas pouco alegres pela calçada, àquela hora já bem regada de cerveja e de restos mal digeridos de alimentos vários, em busca da devida química que nos iluminasse a noite. Quando chegámos a um bar com álcool barato e espaço na rua para fumar com a intensidade das chaminés cinzentonas e obesas da termoeléctrica do Carregado, reparei que do grupo de dez jovens, do qual eu conseguia não ser nem a mais velha nem a mais nova, haviam apenas três gajas, eu incluída. Não duvido que foi por isso que não gastei um cêntimo naquelas horas de borga e decadência adolescente. Sentada num banco de madeira corrida, bem apertada entre a minha amiga velha e um amigo novo, os copos sucederam-se, uma mistura de shots com nomes sexuais e cervejas, até eu começar a sentir que tinha casacos a mais, mesmo estando perto da saída e a levar com o ar gelado da noite que avançava.
Encostada à tal porta, os sons das vozes e dos vómitos na rua soavam-me a música de elevador, perfeitamente irrelevantes, eu não queria dar-me ao trabalho de entender de onde vinham e de que eram feitos, apenas serviam para acompanhar o meu trajecto trôpego entre a realidade da minha prosaica existência e o torpor do álcool em doses alegres, com direito a uma ou duas lágrimas amorosas. Vou deixar alguns pormenores à imaginação do leitor mais perspicaz, mas distribuí muitos abraços e não tropecei uma única vez. Até que, na tal hora desconhecida, o belo cenário decadente foi perturbado pelo terceiro pior efeito secundário da cerveja: uma incontrolável vontade de fazer xixi, cada vez mais urgente a cada segundo que passava e que eu contava mentalmente, xixi, a palavra que por si só, repetida à exaustão para convencer a maioria de pilas da urgência de encontrar uma casa-de-banho nas ruas agora desertas e de portas fechadas, mima o som do alívio de modo tão perfeito que só aumentava a vontade de o fazer.
O grupo rendeu-se por fim à inevitabilidade do avanço do tempo e começou a descer da colina entre os queixumes de duas das suas gajas mascotes, eu, aflita e de útero inflamado a amplificar a vontade de expulsar os resíduos da cerveja, e a minha amiga, solidária e intrinsecamente histérica. A miúda que faltava seguia entre o sausage fest em que nos metêramos nessa noite, baixinha e caladinha, sem ter a necessidade de lembrar a toda a gente o seu nome, ao contrário de mim, a quem o álcool imputa problemas de identidade. Aliás, eu só soube que aquela rapariga tinha um nome quando parámos em frente à Igreja de São Roque e havia um portão verde entre mim e as escadas para as casas-de-banho públicas. O meu desespero apalpava-se com tanta facilidade quanto o volume da minha barriga, a quantidade quase sobre-humana de ureia diluída em água, a chocalhar impaciente sob a minha mão gelada e preocupada, ameaçava a fuga. Então, o anjo do xixi agarrou-me pelo braço, fez o mesmo com a minha amiga e arrastou-nos para uma travessa ali perto, façam aí que eu vejo se não vem ninguém.
O meu cubículo ficava entre uma carrinha branca e uma carrinha azul-escura a partir da qual a minha amiga se agachava em igual preparo. Eu nunca tinha conseguido fazer xixi sem o conforto de uma sanita, ou agachando-me sobre uma, toda enojada e sem querer tocar em nada nas casas de banho portáteis dos festivais, e nem nunca me tinha ocorrido que fosse capaz de mijar ao relento. Quando era miúda e ia apanhar daquelas maçãs muito verdinhas e ácidas para o pomar do meu avô materno, fazia birras monumentais por não querer agachar-me no meio das ervas de ninguém. Mas ali, atrás da carrinha, usei uma mão para me apoiar à parede que estava atrás de mim e marquei o meu território, primeiro a medo, com vestígios senhoris que não queriam aceitar o facto de serem quatro da manhã e eu estar bêbeda e ter vinte e um anos mal aproveitados por várias razões, todas tristes e inoportunas, depois com vontade. Foi naquela pose comprometedora que mandei um grito ao anjinho vigilante, uma figura magra de calças de ganga, cabelo liso e escorrido, nenhuma maquilhagem na cara ao contrário de mim, que levara meia hora a cobrir os cadáveres de borbulhas que os meus dedos têm dificuldade em deixar descansar em paz. Perguntei-lhe o nome, já todos percebemos que era Paula. Depois veio a vez de ser ela a usar o meu espacinho atrás da carrinha, claro, e eu guardei o topo da travessa enquanto, ainda levemente embriagada, começava um discurso apaixonado contra pessoas apaixonadas. Era a típica conversa de casa-de-banho mas tida no meio de uma ruela empedrada, a grande casa-de-banho de campanha que a escuridão e a necessidade tornavam suficientemente acolhedora e confortável.
Depois da experiência mictória, o grupo seguiu para Santos e daí separou-se por volta das seis da manhã, a minha consciência estava recuperada ao ponto de identificar a peça que envolvia o meu pulso esquerdo e pude ver as horas, essas e as que se seguiram enquanto o grupo original, o das cervejas na Avenida da Liberdade, acompanhava o nascer do sol caminhando ao lado do Tejo. Lembrei-me, entre duas frases ressacadas e um olhar de soslaio à fealdade da margem que se recortava do outro lado do rio, da Sylvia Plath a escrever, no seu livro danado, there is nothing like puking with somebody to make you into old friends. O xixi não é equivalente ao vómito e aquilo que partilhámos na travessa, com a bênção do São Roque e dos tipos que esperavam pacientemente pelas nossas bexiguinhas raquíticas de gaja, foi um ritual de sobrevivência que nos uniu apenas por alguns minutos. Nunca mais vi a Paula, como se percebe, mas fica aqui a devida homenagem, com quase dois meses de atraso.
publicado por Bolacha às 2013-06-17 12:37:07
Para responder às questões das duas pessoas e meia que se interessam no que eu estou a fazer para tornar a minha vida num pedaço de existência menos rudimentar do que aquilo que tem sido nas últimas duas décadas, eu podia continuar a contar a história de como a necessidade de concluir a minha licenciatura eterna de três anos que já vão em quatro se transformou no meu primeiro trabalho remunerado. A minha intenção, como boa filha que sou, era chular os meus progenitores durante os meses de Julho e Agosto – tal como chulei o Estado Português nos últimos dezasseis anos para obter a formação que me vai permitir descontar para a segurança social alemã. Nesses dois meses, tentaria passar despercebida num canto de um gabinete ou onde quer que ocupasse menos espaço, eu não sou desdobrável, como aquelas bicicletas engraçadas que alguns professores transportam pelos corredores da faculdade, mas contava que o meu potencial para a invisibilidade aumentasse com a redução de volume que dois meses sem ninguém que cozinhasse para mim iria provocar (e vai, esta merda é um axioma). Agarrada ao meu computador, ia absorvendo informação e olhando para máquinas novas e muito brilhantes para depois escrever sobre isso, usando palavras compridas, estrangeirismos coquetes e fórmulas obscenas, combinação que se quereria perfeita para mais de uma dúzia de créditos com nota generosa.
O grande corta-tesão da história é que eu não sei como é que isto aconteceu, devo ter adormecido com os pés para a cabeceira da cama, entrado numa espécie de twilight zone e no dia a seguir tinha um mail todo pimpão e em inglês cuidado com uma lista de documentos para colecionar, tipo pókemons. Já tenho uns quantos, apanhados entre a lezíria e os pastéis de nata e guardados na minha super pokébola, que é uma mica de plástico velha que eu encontrei no necrotério de disquetes cá de casa. Os mais difíceis esperam-me na hostilidade de uma terra estranha e pressupõem reuniões com pessoal dos recursos humanos, que consta não saberem falar inglês tão bem quanto o meu total desconhecimento da língua alemã desejaria. Tenho a certeza que vai ser um (dos muitos) episódio giro para contar; é verdade aquilo de que os meus dois leitores e meio desconfiam: este blogue vai transformar-se num diário de bordo para bem da minha sanidade.
publicado por Bolacha às 2013-06-16 19:07:49
Soube que ia passar o Verão a estagiar num instituto alemão na véspera do dia do pai. Era uma manhã pouco oportuna em que a minha cabeça tentava decorar pormenores irrelevantes para a minha busca pelo sentido da vida, mas de suma importância na obtenção de uma nota catita na frequência que ia fazer no dia seguinte. A manhã transformou-se rapidamente numa tarde ansiosa, com a minha figurinha nervosa a esperar a chegada da alma santa que me ia orientar no estágio. Quando cheguei a casa nessa segunda-feira, tardiamente e depois de quatro telefonemas e outras tantas mensagens excitadas, com o estudo de véspera de frequência condenado ao esquecimento, pus o meu avô a chorar.
Até há duas semanas, o momento em que vi as faces curtidas do meu velhote a contorcerem-se sob um par de lágrimas grossas tinha sido o único em que me apercebera do peso do meu currículo aceite. Nem quando, num sábado de manhã, fui acordada por uma mala de viagem nova, arremessada pelo meu pai da porta do quarto, senti que o momento da conversa com a minha coordenadora de estágio e as semanas que se estenderam após o encontro eram definitivamente meus, e não parte de uma história que eu gostaria de poder contar como minha. Na verdade, contar a notícia às pessoas alheava-me ainda mais da realidade, como se a informação posta em palavras tivesse cada vez menos significado à medida que era repetida.
Foi há duas semanas que fiz uma skype call com o meu futuro companheiro de casa, um alemão com muito ar disso, estudante de design de produto e que, contra os preconceitos com que vários velhos do restelo encheram a minha cabeça, foi muito simpático e achou que seria boa ideia passar o Verão a dividir a casa com uma estudante de engenharia portuguesa. Tinha comprado as viagens de avião poucos dias antes, a seguir a um treino no ginásio, aproveitando a altura em que estava demasiado cansada para processar a informação. Mas a conversa com o meu flatmate, acompanhada de uma tour da casa (pequena e central) foi de manhã, e quando terminou eu estava presa dentro de mim própria, num casulo de caracóis bem arrumados e maquilhagem cuidada: preparava-me para ir almoçar com uns amigos e não podia dar-me ao luxo de gastar tempo e máscara de pestanas a chorar encostada à parede do escritório.
Tenho andado neste estranho balanço desde aí. Não tenho tempo para pensar na forma como todo o entusiasmo de há três meses deu lugar a um estado de pânico mal disfarçado pelos trabalhos e exames que foram sendo feitos, todos com pouca vontade. Não me sinto minimamente preparada para apanhar o avião no dia 30 de Junho, mas diga-se que é um avião no qual eu nunca me vou sentir preparada para entrar a menos que me force a fazê-lo. A partir daí, somando duas horas com um lanchinho e múltiplos tempos de espera agarrada à fiel mochila castanha que transporta a minha vida em formato digital, a primeira tarefa será apanhar um comboio na bahnhof, que, aliás, é a única palavra em alemão que sei dizer.
publicado por Bolacha às 2013-06-15 23:35:02
A conservatória é um quadrado de procrastinação no rés-do-chão do tribunal, edifício muito cúbico, enterrado num relvado verdejante onde as cadelinhas de focinho atrofiado das velhotas cagam sem pudor. Entrando pelas portas envidraçadas e contornando as escadas vermelhas que levam ao gabinete do Ministério Público, peça central daquele átrio cheio da luz que entra por duas janelas de dois pisos, é possível antecipar o ambiente no serviço e calcular tempos de espera através da parede de vidro que limita a divisão. Atrás de um balcão de madeira escura e granito, três mulheres segurando papéis contra o peito controlam os movimentos de entrada e saída do edifício com os sentidos que não discutem o último episódio da telenovela. Há uma fila de cadeiras estofadas a tecido bordô que assiste à cena de frente, voltadas de costas para o meu percurso amedrontado até à porta escancarada da conservatória.
Pelo meu relógio digital dourado, que conta sempre três minutos a mais que o relógio do terminal dos autocarros, passam poucos minutos das dez da manhã. À minha esquerda, a fila de cadeiras está ocupada por três homens e um livro de colorir, que deduzo pertencer à pequena mancha cor-de-rosa que corre entre o espaço que separa o balcão das cadeiras. À minha direita estão mais duas pessoas, de pé, ambas de braços cruzados, a fitar ameaçadoramente a funcionária que está a tratar dos cartões do cidadão do outro lado da sala, escondida pela máquina onde se medem alturas, fazem assinaturas e tiram fotografias para o cartão. Passando pelas poses reprovadoras, chego à máquina das senhas para ver um ecrã desligado, coberto por um papel que me manda tirar a senha de um rolo azul em cima do balcão.
Fico de pé perto do local onde rolo das senhas dá as boas vindas a toda a nova cara de frete que passa para o outro lado do vidro até vagarem duas cadeiras, pai e filho adolescente que vieram tratar de um cartão do cidadão. Enquanto ocupo alarvemente um dos lugares, usando a prevenção de varizes como desculpa mental, pergunto-me se não serei a única que não está ali para levar um ralhete por não saber o meu código postal, intervalado com a descrição pormenorizada do percurso académico da filha da senhora que vai apontando os meus dados num teclado preto muito barulhento, seguido de uma medida pouco precisa da minha altura e uma fotografia em que me faço passar por uma refugiada que conseguiu fugir do país com eyeliner no bolso. Levo a minha mão à mala onde o meu cartão está guardado e relembro a morosidade do processo, nesta triste província onde as novidades se podem resumir num jornal quinzenal de dez páginas. A minha senha azul tem desenhado um quarenta e cinco, a minha manhã tem um ponto de interrogação.
Os segundos são contados pelo meu relógio digital com uma irritação que o conforto da cadeira não consegue disfarçar. As minhas pernas começam a baloiçar-se como dois pêndulos de movimentos simétricos e, por serem grandes demais para a altura da cadeira, os meus ténis roçam o chão em guinchos provocadores. Por fim, uma das senhoras atrás do balcão aproxima-se da superfície de granito polido, olha, sobre os óculos que apoia casualmente na ponta do nariz, para a impaciência que domina a espera e pergunta se está ali alguém para processos ou certidões.
-Eu.
Olho em volta e recebo silêncio. Até a pequena mancha cor-de-rosa que não tinha deixado de correr pela sala, ora segurando o seu livro de colorir, ora deixando-o ao cuidado do colo do pai que dormitava encostado ao vidro, parou para olhar para mim. A senhora faz-me sinal para me aproximar e eu levanto-me ao seu encontro. Apoio os cotovelos na bancada gelada com força, como se tivesse dificuldade em segurar-me nas pernas pelo excesso de exercício que dez minutos de movimentos autistas provocaram. O diálogo seguinte desenrola-se de forma pouco fluída, como se a minha boca tivesse sido forrada por esponjas:
- Bom-dia. Queria uma certidão de nascimento.
- Sua?
- Sim.
- Diga-me o seu nome completo e data de nascimento.
A combinação dos meus dois primeiros nomes é francamente infeliz: esta é uma realidade que me assalta sempre que sou obrigada a dizê-la em voz alta. Felizmente não preciso de a repetir, nem à minha data de nascimento, ambas as informações são prontamente memorizadas pela senhora que me acena como resposta e regressa à sua secretária. Ao vê-la sentada contra o fundo da sala forrado por painéis de madeira, a digitar com calma os meus dados e fazer múltiplos cliques, lembro-me de um pormenor importante que vai ter que ser gritado através da extensão de mesas, cadeiras e papeis em pilhas precárias que me separa da funcionária.
- Desculpe, não tem certidões em inglês?
Em poucos segundos tenho de novo à minha frente a minha nova amiga, tão solícita e de sorriso torcido. Pergunta-me se sou filha das pessoas que o programa informático diz serem meus pais e eu aceno afirmativamente. Os olhinhos por detrás dos óculos, que descaíram de novo para a ponta do nariz, têm o brilho da coscuvilhice que conheço bem desde os primeiros passos que dei na casa de uma das amigas da minha avó, onde se organizavam tertúlias de bordados e má língua.
- É para quê, a certidão?
Boa questão, cara senhora, mas não tem nada a ver com isso.
- Contrato de trabalho.
- Mas é para o estrangeiro?
- Sim.
Não existem certidões em inglês, mas há certidões em formato internacional. Em poucos minutos a funcionária regressa do seu posto com um papel feio preenchido com uma tabela confusa que explica que eu nasci. As legendas dos campos da tabela estão em português e em francês, mas no verso há uma lista de símbolos com traduções para outras línguas. O papel custa-me vinte euros que pago prontamente para sair daquele espaço o mais depressa possível. A dona do livro de colorir que se sentava ao meu lado já está muito quietinha a fazer o seu cartão, com um pai acordado ao seu lado. No átrio, a luz que entra pelas janelas de dois pisos da entrada torna difusos os contornos da escada do centro e o vermelho do corrimão quase parece cor-de-rosa. Não consigo evitar uma última pergunta, que me chega aos ouvidos quando já estou de costas voltadas para o balcão.
- A certidão é para onde?
- Alemanha.
publicado por Amarelinha às 2013-06-09 12:15:42
ai tempo que passas tão rápido e não sei bem a quantas ando. tempo, das-me tempo para pensar, dás????
publicado por Inês às 2013-06-08 15:26:57
Apesar de ontem ter sido o último dia de aulas, o último dia do 12ºano e o último dia do secundário, não soube nada a isso. Porque o ciclo ainda não acabou, ainda há muito trabalho pela frente com os exames...E talvez por isso ainda não tenha a plena consciência que ontem foi o final de uma fase da minha vida.
Ontem foi também o meu baile de finalistas. Depois de muita pressão das minhas amigas, decidi arriscar e ir. Não posso dizer que me arrependo de ter mudado a minha decisão de não ir, porque ontem, no meio de toda a aquela gente, que de certo modo marcou a minha vida, quer positiva ou negativamente, senti-me incluída em algo, embora não saiba bem o quê. Não houve despedidas melosas, aliás nem me despedi de ninguém, porque penso que as pessoas que realmente importam não vão simplesmente sair da minha vida.
Agora há que me dedicar inteiramente ao estudo para os exames!

