Apercebi-me nos últimos anos que, apesar de me considerar uma pessoa sociável, sou na verdade uma criatura com alguns desajustamentos nesse campo.
Apesar de gostar muito de sair e de estar com amigos, gosto também (demasiado?) do meu canto. Gosto de estar em casa, gosto do meu livro, gosto do meu sofá, gosto das minhas séries, gosto do silêncio quando estou sozinha e gosto de sentir o gajo por ali quando ele também está em casa.
A isto alia-se aquela que tenho tentado combater desde sempre, a minha timidez! Tanto a combato que, quando digo a quem não me conhece bem que sou timida, estas pessoas riem-se e pensam que estou a gozar com elas. Mas não, a verdade é que sou mesmo timida. Fruto de alguma insegurança? Talvez...
E, apesar de lutar contra ela tenazmente, ela está lá e revela-se nas altura mais impróprias.
Desde que entrei para o ginásio tenho optado por fazer aulas de grupo, principalmente aulas de cycling. As aulas são dadas numa sala escura, mais parecida com uma discoteca, com musica alta. E a verdade é que ali estou incógnita e isso faz-me sentir confortável. Mesmo quando o professor fala comigo ou me corrige a postura fa-lo num ambiente barulhento em que ninguém está a ouvir ninguém.
Nas outras aulas há mais aproximação, fala-se e toda a gente ouve, toda a gente repara... e eu fico com vontade de sair dali e não voltar lá mais! Mas luto... luto para ficar, para não desistir, para voltar! E acho que tenho feito progressos.
Outra questão que também influência esta minha postura é o facto de ver mal. Eu uso óculos, mas sem eles não vejo um boi! Ora, no ginásio não consigo estar com os óculos (transpiração e tal, not funny). Resultado, não vejo nada! Ou melhor vejo, mas não o suficiente para perceber quando estão a falar comigo, por exemplo. Assim, somam-se situações em que os professores estão a falar comigo e eu estou na minha, nem aí para eles... Nem quero imaginar o eles devem pensar mas deve ser qualquer coisa na onda do "há cada maluquinha que nos aparece..."!!!
Há pessoas que são aquilo que eu chamo os "mártires"* desta vida.
Os "mártires" só sabem queixar-se de tudo e de todos.
Os "mártires" passam o tempo a lamentar as atitudes de terceiros.
Os "mártires" fazem passar a mensagem de que toda a gente lhes quer mal.
Os "mártires" dão a entender que são alvo de invejas constantes.
Os "mártires" têm grandes amigos que se revelam, invariavelmente, invejosos nojentos.
Os "mártires" nunca olham para si próprios.
Os "mártires" nunca se questionam.
Os "mártires" fazem tudo bem e as suas atitudes são sempre as correctas.
Os "mártires" vivem num mundo cheio de gente má onde eles são a excepção.
Os "mártires" são os únicos seres bons e livres da mácula do pecado.
Os "mártires" não concebem o conceito de amizade em que ele não estejam sempre no centro do mundo.
Os "mártires" incompabilizam-se sempre com todos aqueles que não lhes reconhecem uma superioridade moral.
Os "mártires" partilham estados no FB e fazem Likes a eles próprios.
Os "mártires" publicam coisas como "Mais vale só, do que mal acompanhado" (numa rede social?!WTF???)
Os "mártires" são uns chatos que só têm olhos para o seu próprio umbigo.
Os "mártires" acabam sempre sózinhos porque ninguém tem pachorra para os seus egos do tamanho do Alqueva.
*As aspas estão ali para distinguir daqueles para quem a vida é mesmo sacana e cujo destino parece ter sido traçado por alguém com o sentido de humor muito perverso