Inocência da Maldade - 10(...)
publicado por iamcarmen às 2013-05-19 14:23:06
Para quem não tiver conta ou blog sapo e utilizar o "não tem blog sapo" para desejar comentar e o tal "Publicar Comentário" não surgir...não se preocupe. No canto superior direito da tua tela de pc deves ter algo que indique para "diminuir o zoom" da pagina (normalmente isto está a 100%) e basta reduzir para 90% ou menos (caso o desejes) para que a "linha" que te permite publicar apareça logo por debaixo da area de comentário.
Fica só a dica. =)
10º
Sentia-se nervosa, a segunda-feira havia passado e fora o momento em que havia acordado ao lado de Reita…Hoji Nami não soubera mais nada dele e já estava no final de expediente de trabalho de terça-feira.
Então a morena recordou a si mesma que nem tinha um numero para onde contactar com o homem. Agora restavam as questões: ocupado com a Yakuza? Entretido com outros assuntos mais divertidos? Sem vontade de saber e estar com ela?... aquilo fazia a tranquilidade da mulher entrar em total colapso.
Caminhava pelas ruas do bairro, em breve o pôr-do-sol daria lugar no céu tranquilo de Tókio; algures na sua pequena mala o seu telemóvel começou a tocar, Nami alcançou o aparelho e estranhou a indicação de “número desconhecido”. – Mochi, mochi? – respondeu à chamada – R..Reita. – corou de imediato, até por telefonema a morena se sentia nervosa e intimidada com aquele loiro/moreno – Acabo de sair do meu empre… - calou-se subitamente – Nani? – pestanejou – Mas, mas…eu não sei o que… - sorriu timidamente – Hai. – disse por fim e desligou a chamada.
Um segundo encontro (isto porque o aparecimento do homem no seu apartamento não havia contado como um encontro, exatamente). Correu para casa, tomou um mimado duche e debateu-se com o que deveria vestir. Desconhecia onde Reita a levaria para jantar e temeu não ir adequada para o local.
Talvez o melhor de tudo era manter-se fiel a si mesma portanto Nami escolheu uma saia de pregas, uma camisa e fez conjunto com um colete justo; o mais fiel ao seu estilo normal. Deixou o seu comprido cabelo solto e até de jeitos mais rebeldes, apenas um toque de blush nas faces; sapatos calçados, mala ajeitada e saiu do apartamento. Segundo as indicações de Reita por telemóvel um hammer negro e vidros fumados deveria esperá-la mesmo à entrada do edifício; tal e qual.
Nami reconheceu aquele homem que a aguardava junto do carro, havia sido o mesmo que interrompera o primeiro encontro do casal; sorriu-lhe timidamente e mesmo sem obter um sorriso de volta, o homem assentiu tranquilamente e indicou-lhe que entrasse no hammer.
*
Orichi olhava por mera curiosidade pelo espelho retrovisor do carro do seu chefe, conteve um sorriso divertido quando pode distinguir naqueles olhos cor de avelã de Hoji Nami, alegria, inocência e muito carinho. Ela não era nada o tipo de mulher que os homens de Suzuki-sama haviam imaginado…ideal para o seu chefe, afinal…Hoji-san lembrava uma criança no corpo de uma mulher.
Recordara o dia em que Suzuki-sama ordenada a Taru que se informa-se sobre tudo o que poderia encontrar sobre a vida daquela jovem mestiça; Reita estava destemido e quando notara que os seus homens não achavam aquela mulher nada de especial…o ambiente na casa onde se encontravam ficou pesado e todos temeram dar a entender a opinião errada ao líder dos Suzuki. Á muito Orichi ouvira o antigo membro ativo da Yakuza falar que: por mais condenada que a alma de um yakuza seja ou por mais frio que seja seu sangue…o gosto da tortura inocente é o mais intenso de toda uma vida. Talvez em Hoji Nami, Suzuki-sama visse alguém que o afastava daquela vida violenta e carregada de males, talvez com aquela mulher o chefe de Orichi se sentisse docemente feliz e isso não o fazia pensar na sua condenada alma. – Chegámos Hoji-san. – o homem falou enquanto parava o carro que conduzia; olhou pelo espelho retrovisor e indicou silenciosamente à jovem mulher que saísse do seu lugar.
Nami agradeceu aquele homem o facto de ter sido seu motorista privado e saiu do carro; mal fechou a porta do Hammer soltou um longo suspiro. Desconhecia o local onde se encontrava, tudo o que tinha perante si era um enorme prédio de luxo com incontáveis andares. Engoliu em seco e logo o seu telemóvel tocou – H..Hai? – falou para quem lhe ligava – Informa-me o que faço à porta de um prédio de luxo no centro de Tokio? – pediu a Reita, que era quem lhe ligava – Sério? – começou a caminhar na direção da entrada em arco do prédio, ainda olhou atrás de si e já não restava sinal de Hammer negro algum.
Empurrou a grande porta de vidro do edifício e logo vislumbrou um homem negro, notavelmente segurança dali a olhá-la – Konbawa! – falou ela e mantendo ainda o telefonema com Reita – Hoji desu. – anunciou ela. O homem assentiu e logo lhe indicou o caminho para um dos dois elevadores do edifício.
Nami pestanejou e logo digitou os números código que Reita lhe anunciava por telefonema. – Certo. – falou ela assim que o elevador indicou que fora “desbloqueado”, chamou o dito elevador e pouco demorou para as portas metalizadas deste. Entrou e marcou 10º andar – Ja ne. – falou timidamente e desligou a chamada.
Se ali naquele edifício ficava a cobertura de Reita, então…sem duvida que Yakuza trabalha com muito dinheiro mesmo. Nami recordava as poucas histórias que lera sobre a máfia japonesa e então relembrou que nem todas as famílias “oficiais” da Yakuza eram conhecidas, obviamente…haviam vários nomes escondidos por nomes de grupo de máfia. Então Nami recordou tudo o que aprendera sobre a Yakuza…seria então que Reita, com meros 31 anos era o oyabun da sua família (era impensável isso).
O elevador anunciou chegada ao 10º andar. Nami saiu timidamente e logo se deparou com uma porta em madeira maciça e notou que esta estava entreaberta; Reita havia-lhe dito «vai entrando, koi», por isso…ela entrou sem se anunciar.
Seu corpo pareceu gelar quando passou o largo hall de entrada e se deparou com uma ampla sala, onde uma das paredes era uma comprida janela e dali se tinha uma paisagem estonteante; Nami continuava congelada à entrada, quatro homens estavam de costas para ela e o quinto, era Reita que se encontrava sentado num cadeirão de aparência muito confortável.
Os quatro homens mantinham-se de pé e olhavam o seu “chefe”, o silencio era tudo o que provinha deles e o próprio Reita se havia calado quando seu olhar encontrou Nami à entrada da sala. – Podem ir. – Reita falou confiante, sua voz parecia mais grave do que o habitual.
- Suzuki-sama. – os quatro homens falaram enquanto fizeram uma rápida reverência. Pareciam mecanizados aqueles homens, giraram em seus calcanhares e passaram por Nami sem se atreverem a admitir que seus olhares se encontrassem com os da mulher. A porta da cobertura ouviu-se fechar.
Reita elevou-se do cadeirão e chamou Nami para junto de si com um gesto, ela atendeu seu pedido e não tardou em se ver envolvida pelos braços daquele homem. O beijo entre o casal aconteceu o mais tranquilo e de total entrega, possível. – Reita…posso pedir-te que me esclareças umas coisas? – perguntou-lhe ela com receio, até seu corpo tremelicou de medo entre os braços dele.
- Se poder esclarecer… - ele falou tranquilo mas interiormente imaginou o que queria a morena saber.
- Tu és mesmo o…chefe…chefe…do teu grupo? Ano…és o oyabun? – seus lábios tremeram-lhe de receio. Não estava minimamente interessada em se meter no assunto do “trabalho” daquele homem mas…era curiosa por natureza.
- Hai. Eu sou o oyabun. – ele respondeu baixinho. Nami encarou-o
- Mas…mas…Suzuki não é o nome associado a nenhuma família reconhecida da Yakuza. – ela concluiu mais para si do que para ele.
- Quem disse que somos…reconhecidos, Nami? – ele provocou com um sorriso
- Na..ni…? – esbugalhou seus olhos – Mas..é um clã, ne? – ele afirmou com um gesto de cabeça – Então…
- Nós atuamos fora da lei ou longe do conhecimento público, koi. Por acaso têm acontecido muitas conversas protestantes pelo facto de tu me conheceres e saberes o que eu faço e tudo o resto. – franziu o sobrolho.
- Normal. No lugar de um… wakashu ou kyodai, também não ia gosta nada de uma estranha pelo meio…não fiz cerimonia alguma e tudo isso que se aplica ao conhecimento de um clã. Não tenho oyabun e isso… - baixava gradualmente o tom da sua voz. – Acho perfeitamente compreensível que desaprovem o facto de eu aqui…surgir, ne. Temem que eu…fale. – Reita começou a rir e a morena corou imenso.
- Andas-te a estudar o que é conhecido da Yakuza, Nami? – quis ele saber
- Não. Bom…estudei algumas coisas mas só desde que vivo no meu bairro, porque desde inicio que me informaram que é um bairro onde atua Yakuza e aparentemente sabia-se que lá…vocês atuam muito. Até existem estabelecimentos que proíbem membros de clã no seu interior. O que acho escusado mas pronto. – encolheu os ombros – Só estou a tocar no assunto…Reita porque não quero que os teus kobun, wakashu ou kyodai… - encolheu os ombros em sinal de indiferença para si – protestem.
- Nami…diz-me…quando estive junto de ti pela primeira vez, mesmo sem saberes que sou oyabun…imaginas-te desde logo que discretamente confirmei o que faço na vida..que…
- Jamais poderia fugir ou escapar da Yakuza. Sim. É isso que me assusta, sabes. Eu sei lá o que pensam de mim.
- Portanto…eu senti que podia confiar em ti e foi impossível afastar-me de ti. Simplesmente… - sorriu – apaixonei-me sem lógica por ti…civil. – suspirou – Claro que isso condenou-te a ficares em silencio sobre tudo o que tens vindo a conhecer de mim.
- Sério…podes condenar-me a isso as vezes que desejares…Suzuki-sama. – ela falou timidamente – Simplesmente…quero estar a teu lado. – o homem inclinou-se ligeiramente para ela e acabou por lhe exigir um novo beijo.
- Koi…vou contar-te o que posso sobre a minha vida. Suzuki não está associado à Yakuza…o meu clã é…secreto para a maioria dos clãs poderosos. Somos 190 membros, 990 homens e entre os quais existem 100 recrutados para “dominação de área”. Faz de conta que és uma delas…para já.














+-+Foto.jpg)







