como é que é suposto ser (...)
publicado por bia às 2013-05-18 16:56:10
perfil público
Cate J.
Seguir Perfil »Nome
Cátia
Apelido
Oliveira
Data Nascimento
04-05-1996
Sexo
F
como é que é suposto ser (...)
publicado por bia às 2013-05-18 16:56:10
se até o meu próprio namorado perde o interesse em mim? Sou uma pessoa assim tão aborrecida?
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-18 16:30:47
Capítulo 20
Último Dia de Escola * Parte 1
- O que é que estamos a fazer? – Perguntou Chelsea, a rir-se, quando Jensen a pousou em cima da cama depois de fechar a porta com o pé.
- Queres mesmo parar para pensar? – Inquiriu ele, inclinando-se na cama, apoiando-se nela com as mãos, e dando um beijo ao de leve nos lábios da rapariga.
- Bem pensado – admitiu a rapariga dos caracóis ruivos, dando-lhe outro beijo. Porém quando ele se ia deitar por cima dela, ela esgueirou-se para fora da cama e agarrou no computador portátil e em alguns filmes – O que queres ver?
Jensen suspirou e deixou cair a cabeça na cama.
- És uma mata prazeres – acusou. Chelsea apenas encolheu os ombros e ele riu-se – Escolhe tu… mas não o Titanic, por amor de Deus.
A rapariga ruiva riu-se. Era mesmo esse que ela ia escolher. Acabou por pôr uma comédia leve, e deitaram-se os dois lado a lado na cama, enquanto o computador se encontrava à frente deles, à ponta. Estavam os dois a olhar para o ecrã, mas a verdade é que nenhum deles estava a prestar qualquer atenção. Jensen divertia-se a brincar com as mãos de Chelsea, e a rapariga apenas pensava. Já se andavam a esgueirar para o quarto da rapariga em segredo, quando não estava mais ninguém em casa, há quase duas semanas. Viam filmes, riam, conversavam, trocavam um beijo ou outro. Mas Chelsea continuava sem saber o que lhe chamar. Tinham concordado em deixar que as coisas se resolvessem sozinhas, mas ela não estava segura de que por este andamento, elas se fossem mesmo resolver. Agora que Jensen andava mais carinhoso e preocupado, não tinha razões de queixa, e até gostava de estar com ele. “O suficiente para sentir saudades quando não estou”, pensou ela. Chelsea olhou para ele pela ponta do olho e viu que ainda olhava para o filme. A rapariga suspirou e ele riu-se.
- O que foi? – Perguntou-lhe.
- Nada… estava só a pensar – disse a rapariga, dirigindo agora a atenção para os seus dedos, que ainda não tinham sido largos pelo rapaz.
- Em quê?
- No final da escola – mentiu.
- Hum… sabes, também estava a pensar… - Chelsea olhou para ele e viu aquelas covinhas aparecerem-lhe nas bochechas ao mesmo tempo que um sorriso de gozo lhe invadiu os lábios. Não vinha dali coisa boa.
- O quê? – Arriscou a perguntar.
- Tu sabes, toda essa história da pureza do teu coração, pureza isto, pureza aquilo… significa mesmo o que eu penso que significa? – A boca de Chelsea abriu-se numa exclamação. Não sabia se havia de rir ou de se enfiar num buraco.
- És tão estúpido! – Gritou-lhe, dando-lhe um empurrão devagar.
- O que foi? É uma pergunta justa – defendeu-se ele.
- És tão perverso. E não tens nada a ver com isso.
- Tudo bem… e não sou perverso, estava apenas curioso.
- Só… vê o filme.
Ele riu-se e ela também não resistiu a expressar um pequeno sorriso enquanto voltavam a dirigir a atenção às pessoas no ecrã.
Sem terem intenção, acabaram por adormecer os dois, e assim ficaram por algumas horas pela tarde fora.
Richard levou a chave à porta e abriu-a, fechando-a logo em seguida. Estranhou o silêncio na casa, Chelsea, noutro dia qualquer, estaria com música alta ou então a ver televisão na sala.
- Chelsea? – Chamou ele, não obtendo resposta.
Começou a subir as escadas e entrou no seu quarto, onde deixou a sua mochila. Depois bateu à porta do quarto da irmã, mas de novo ninguém lhe respondeu. “Será que saiu?”, pensou ele. Ao abrir a porta viu o computador a passar um filme, e Chelsea adormecida de lado, abraçada a Jensen, também ele a dormir. “Mas que…?”. Richard chegou-se ao pé deles e chamou-os num tom normal, e depois um pouco mais alto, mas eles não acordavam.
- Acordem! – Gritou, fazendo com que Chelsea desse um salto enorme e Jensen quase caísse da cama – O que é que se passa?
- Credo Richard – queixou-se a irmã, esfregando um olho –, não sabes acordar as pessoas com calma?
- Porque é que ele está na tua cama? O que é que está a acontecer? – Insistiu Richard.
- Não é o que pensas – disse Jensen, com uma voz ensonada – Na verdade, eu não sei o que pensas…
- Tu estás… vocês estão… mas como? Vocês nem se podiam ver à frente – pensou Richard em voz alta – E porque é que não disseram nada? Há quanto tempo é que andas a sair com a minha irmã?
- Não é exactamente “sair” – intrometeu-se Chelsea, fazendo aspas com os dedos – Não sabemos como lhe chamar, por isso preferimos não dizer a ninguém.
- Se não é sair, é o quê? – Perguntou-lhe o irmão, voltando-se depois para Jensen – Meu, tu vê lá o que andas a fazer, esta é a minha irmã!
- Eu sei meu – disse Jensen, levantando-se da cama – Nós estamos numa fase de… de…
- Experimentações – ajudou Chelsea – E até descobrirmos o que isto é… não temos nenhum nome para lhe dar.
- Exacto – apoiou-a Jensen.
- Mas vocês… e… - Richard suspirou e abanou a cabeça – Não há quem vos perceba… nem quero saber.
Ele saiu do quarto e Chelsea e Jensen começaram a rir.
- Lá se foi o segredo – disse a rapariga.
- Podia ter sido pior… - Jensen viu as horas no despertador em cima da mesa-de-cabeceira e voltou a olhar para a rapariga – Tenho que ir, prometi à minha mãe que fazia umas coisas. Até amanhã.
- Está bem – Chelsea levantou-se da cama e puxou Jensen pela mão até ao andar de baixo. Abriu-lhe a porta e o rapaz não resistiu a despedir-se com um beijo.
- É verdade! – Disse, quando Chelsea já ia a fechar a porta – Amanhã à noite o pessoal da Universidade vai-se encontrar no Drink&Tell para festejar o fim do ano. Vem também.
- Não sei…
- Traz a Helen, e a Cassie, e quem quiseres – disse Jensen, agarrando-lhe nas mãos – Por favor, vem…
A rapariga revirou os olhos e suspirou.
- Está bem, vai-te lá embora – concordou, rindo-se. Ele sorriu e depois começou a afastar-se, a andar. Chelsea fechou a porta e depois subiu as escadas para voltar para o quarto.
❦
- Posso entrar? – Perguntou Chelsea, embaraçada, à porta da sala de aula. A sua professora de Inglês, Sra. Curtis, olhava-a e abanava a cabeça – Desculpe, adormeci…
- Nem no último dia chegas a horas Chelsea Burke – ralhou ela, suspirando alto – Entra, senta-te, vá.
Chelsea agradeceu-lhe e caminhou silenciosamente até ao seu lugar, onde se sentou e começou a tirar o caderno e o estojo de dentro da mala.
- Estás quase meia hora atrasada – observou Helen, inclinando-se para ela da mesa ao lado.
- Eu sei, adormeci mesmo – desculpou-se Chelsea. Tinha estado até tarde a ler umas notícias no computador sobre a Defensora do Oculto e quando o despertador tocou hoje de manhã, desligou-o e continuou a dormir.
- Pessoal, temos que combinar alguma coisa para festejarmos – meteu-se Tony, sussurrando também.
- Eu já tenho uma planeada. Vamos ao Drink&Tell, vai lá haver uma festa da universidade – disse Chelsea.
- Chelsea Burke! – A voz da Sra. Curtis fez-se ouvir e Chelsea assustou-se.
- Desculpe – pediu.
- Como eu estava a dizer – continuou a professora de Inglês –, foi uma honra ser vossa professora este ano, apesar de não vos ter apanhado o ano inteiro. Devo dizer que há aqui alunos com um grande potencial, e dos quais eu sei que um dia mais tarde me farão orgulhosa por ter sido uma das pessoas que os ensinou. Também sei que há pessoas – dirigiu um especial olhar a Chelsea – que devem mudar certas atitudes se esperam receber um diploma para o próximo ano. – Chelsea revirou os olhos e suspirou, ela já tinha ouvido esses discursos todos – Com sorte ainda cá estarei no próximo ano, e serei vossa professora na mesma. Se assim for, espero que as aulas corram tão bem, ou melhor, que este ano. Agora tenho umas fichas que preciso que preencham e depois podem sair.
Depois de despacharem tudo da aula, puderam sair, e as outras aulas foram também do mesmo género. Umas fichas de dados de última hora e as despedidas. Quando a campainha soou pela última vez abriu-se um sorriso nos lábios de Chelsea.
- Parabéns, sobreviveste a mais um ano lectivo – murmurou ela baixinho. Ia passar de ano, com sorte, mas ia. “Décimo segundo ano, cá vou eu”, pensou.
Foi comer um gelado com Helen e Tony e combinaram à noite encontrarem-se à porta do Drink&Tell às nove e meia, e Chelsea disse que ainda ia convidar Will e Cassie.
Quando chegou a casa, subiu para o quarto e deixou-se cair em cima da cama de costas, respirando bem devagar. Férias, finalmente. Estava livre dos trabalhos, já não tinha que se levantar cedo… tinha tudo para ser perfeito. Podia estar com Jensen… Mas mal ela sabia que não era tudo bem assim, e que as férias que a esperavam não eram de todo as que tinha planeado.
Foi preparar um lanche e quando voltou ao quarto tinha o telemóvel a tocar, e apressou-se a atender.
- A telefonar-me a esta hora? Estás doente? – Perguntou, num tom de brincadeira.
- “Que graça” – retorquiu Jensen – “Só telefonei para saber a que horas vens para o bar, não te posso ir buscar, desculpa”.
- Não faz mal, eu vou com o Richard. Combinei com o pessoal à porta às nove e meia, mas ainda tenho que falar com a Cassie e o Will.
- “Tens mesmo que convidar esse?”
- “Esse”? O Will é meu amigo.
- “Sim, o amigo que te treina e te esconde a verdade sobre quem foste”.
Chelsea riu-se.
- Estás só chateado por ele não me ter dito nada sobre ti, oh mascarado – disse ela.
- “Pois estou, e não é para estar?!” – Jensen suspirou – “Deixa lá. Vejo-te mais logo então.”
- Está bem, chato. Até logo.
- “Adeus caracolinhos” – Jensen desligou antes que Chelsea pudesse reclamar, mas na verdade a rapariga não o ia fazer. Já se estava a acostumar a ser chamada daquela maneira, ou doutras do género. E a cada dia que passava, detestava um pouco menos.
Chelsea pousou o telemóvel em cima da secretária e começou a ver biquínis nos sites das lojas a que costumava ir. Precisava de comprar uns novos para este Verão.
Quero mais do que três comentários neste capítulo, está bem? ;_;
Quando quer a minha mãe c(...)
publicado por N às 2013-05-18 15:37:43
Não é segredo nenhum que amo ler livros, principalmente no verão (é quando tenho tempo e disponibilidade para isso).
Em conversa perguntei-lhe se ela queria ver a minha nova lista de livros, com toda a calma do mundo (caracteristica da minha mãezinha) sentou-se ao meu lado a olhar para o pc, mostrei-lhe e ela perguntou-me os preços até que quando já não estava à espera, diz: "No final do semestre, depois de todos os teus exames ofereço-te um, juntamente com mais uma expansão do Sims2. Quando acabares o livro que tens no quarto e esse que te vou oferecer, penso na Triologia que me estás a pedir. Nos teus anos (em Outubro!!!) quando te perguntarem o que queres, pedes dinheiro e compras o bilhete para o concerto do Pablo Alborán e mais um livro. Assim já não me custa tanto!"
E não é que a ideia não me soou assim tão mal?! Até já estou a fazer contas à minha vidinha!
Enquanto faço isso, deixo-vos as imagens (retiradas do site da fnac) das capas dos livros que quero...








(já perceberam porque que a minha mãe acha que eu não bato bem, e aqui só estão 8! Fora aqueles que eu esbarro nas livrarias e tento nem ler as sinopses!)
O que uma pequena pulguin(...)
publicado por N às 2013-05-18 12:15:29
A minha irmã está com 6 meses e uma semana de gravidez. Já conheci muitas grávidas (apesar de não passar muito tempo com elas) e sempre ouvi dizer que as grávidas ficam mais bonitas durante a gravidez, mas nunca tinha comprovado esse facto.
A verdade é... A minha pulguinha está a fazer da minha irmã a grávida mais bonita de 2013! Tem a pele brilhante, os olhos cintilantes, continua com a forma que sempre teve (excepto a barriguinha grande) e sempre com um sorriso no rosto!
Hoje foram a um casamento e quando chegaram, ela enviou-me uma foto dela arranjada e não é que está um espanto?! Está linda de morrer, com ar de grávida e pelo que percebi, o meu menino já está cheio de atenções!
Se já é assim na barriga da mãe, nem quero pensar quando vier cá para fora :p
São os meus amores e eu sou a madrinha mais babada deste Mundo e... tenho dito!!!
publicado por N às 2013-05-18 11:56:54
Acordar com um mau humor desgraçado!
Há dias assim... O meu é hoje!
Passem um bom fim-de-semana :)
publicado por Annie às 2013-05-18 10:08:15
Como sabem, desde que a conheço que admiro esta mulher. Sim, mulher porque foi naquilo em que ela se tornou, e um verdadeiro exemplo a seguir. Já deu provas vivas que passou por maus momentos mas, no fim, saiu sempre vitoriosa e com um sorriso na cara. Entendo perfeitamente que exitam pessoas que não gostam da música dela mas acho que todos nós a consideramos uma óptima pessoa - apesar de não a conhecermos. Muitas das minhas histórias são escritas com a música dela a acompanhar, e acho sinceramente que tem uma voz fantástica. Como se costuma dizer, tem um vozeirão dentro dela. Canta com a alma, e isso chega-lhe para ser feliz e transmitir felicidade ou outro sentimento qualquer a quem a ouve.
O novo CD dela saiu à alguns dias, e eu não podia estar mais feliz com o resultado final. Tenho de admitir que me pareceu difícil superar o "Unbroken" mas a verdade é que estou muito satisfeita com o resultado deste quarto álbum.

publicado por Isabela às 2013-05-17 21:14:49
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 21:07:09
Como é que só tenho 2 comentários na DDO, hum? Como, leitores desnaturados? Ai...
Capítulo 10
- Tens a certeza que queres fazer isto? – Perguntou Jonah, que estava sentado na cama de Samantha, de costas para ela enquanto ela se arranjava para o grande baile.
- Tenho que o fazer, Jonah, senão o Will vai contar tudo – respondeu ela, suspirando de seguida – Já disse ao comandante que não me estava a sentir bem, e que ia ficar no quarto e não queria ser incomodada. O Samuel está na pausa, e a Samantha está… - nesse momento ela virou-se para o espelho e ficou espantada por alguns segundos. Pela primeira vez em muitos anos parecia-se com a verdadeira Samantha Kendric de Walcaster, uma verdadeira lady – A Samantha está pronta. E o Will tem o que quer, e o meu segredo continua a salvo. Já te podes voltar.
- Tratas o príncipe William por “Will”, é tão estranho de ouvir… - comentou Jonah, ao mesmo tempo que olhava para ela, ficando automaticamente boquiaberto com a beleza que tinha à frente – Uau… às vezes até me esqueço… que és uma rapariga. E uma bonita, para sermos sinceros.
Ela sorriu-lhe.
- Pareço a minha mãe – confidenciou, com uma certa nostalgia – Ela também prendia o cabelo assim…
Samantha tinha os caracóis loiros presos para trás, num carrapito, com um gancho com pedrinhas preciosas a condizer com as do vestido vermelho que William tinha mandado entregar naquele quarto, juntamente com uns sapatos pretos, de salto alto, e uma pulseira também com pedras preciosas. Agora sim, com aquela vestimenta, adornos e penteado, ela parecia alguém digno de ser da realeza.
- Bem… o baile já começou – disse Jonah – Pronta?
- Vai espreitar, para ver se vem alguém.
Assim fizeram. Jonah foi à frente e, quando o corredor ficou livre, Samantha saiu e caminharam rapidamente até à entrada para o salão de bailes, que consistia numa porta bem alta e larga, que dava directamente a umas escadas que tinham que ser descidas. Ao fim delas, o salão estendia-se, com o rei sentado num trono ao fundo da sala, juntamente com a rainha e William, e já várias pessoas a dançar. As mulheres envergavam lindos vestidos, os homens belos fatos e os soldados que não podiam pagar uma melhor vestimenta limitavam-se a usar a armadura.
Samantha estagnou à entrada, perto do lacaio que apresentava as pessoas que entravam em voz alta, e Jonah parou com ela.
- Passa-te alguma coisa?
- Vai entrando… eu vou já atrás de ti – assegurou ela, esforçando-se por sorrir. Mas, assim que ele foi apresentado como “soldado Jonah Godwyn” e desceu as escadas, voltou para trás e encostou-se à parede, vendo as pessoas a passar por si e a entrar no baile. De súbito o vestido tinha-se tornado demasiado apertado, não conseguia respirar, estava a ter um ataque de pânico – Vá lá Samantha, tu consegues, é só um baile… vá lá – repetia-se vezes e vezes sem conta.
Ao fim de alguns minutos tomou coragem e aproximou-se do lacaio e, chegando-se ao seu ouvido, apenas disse “Lady Samantha Kendric de Walcaster”. O lacaio bateu com o bastão no chão e, com a sua voz alta e grave, que persistia perante a música ambiente dos violinos, repetiu:
- Lady Samantha Kendric de Walcaster – ao dizer aquele nome, que no reino era como se fosse um tabu devido ao horror ligado a ele, todo o salão ficou em silêncio. Os homens pararam de tocar violino e o rei, anteriormente enfadado, levou os olhos até ao cimo das escadas, como todos os outros. Samantha engoliu em seco e sentiu a pressão dos olhares sobre si, porém continuou o seu caminho e andou directamente até ao rei, perante a surpresa e o choque de todos os presentes.
William saiu do seu lugar e andou até ela, parando-lhe a marcha.
- Estás linda – elogiou, dando-lhe um beijo na mão e brindando-a com um sorriso.
- Obrigado, e tu pareces-te mesmo com um príncipe – ela sorriu, e ele riu. Após trocarem um olhar, Samantha contornou-o e parou em frente ao rei, fazendo uma vénia – Vossa Alteza – cumprimentou.
Ele franziu as sobrancelhas e levantou-se, desceu os três degraus e ficou de frente a ela.
- Que brincadeira é esta, rapariga? – Perguntou, claramente perturbado – Gozar com os espíritos já perdidos não é admissível!
- Perdoe-me, rei Irinoi – disse ela, levantando-se. Foi então que ele arregalou os olhos. Ela parecia-se mesmo com a mãe –, mas não estou a brincar. Sou mesmo eu. Sobrevivi. Perdoe-me por nunca antes vos ter dito isto.
Até a maneira como ela falava, como sorria, como olhava, fazia lembrar Catherine Kendric. O seu cabelo, as suas bochechas rosadas. Irinoi perdeu a noção do decoro e, com os olhos enlagrimados, lançou-se à rapariga e agarrou-a num abraço bem apertado, apanhando todos de surpresa. William riu-se, enquanto a madrasta fez “cara feia” e as irmãs não compreendiam o que se passava.
- Como…? – Perguntou Irinoi.
- Noutra altura, hoje é uma festa. Ouvi dizer que queria uma mulher para casar com o Will – brincou ela.
- Estás-te a disponibilizar? – Ela riu-se e corou, ao mesmo tempo que William também o fez.
- Não, ainda sou nova.
- Parece destino, ele diz o mesmo – e então, ao perceber que toda a gente permanecia quieta, Irinoi voltou-se para os convidados e sorriu – Hoje aconteceu um milagre! A família voltou para casa! Temos mais um motivo pelo qual celebrar! Toca a tocar a música, toca a dançar e a comer e a beber. Hoje não há lugar para tristezas!
Tal como ordenado, a música voltou a soar pelo salão, e as danças prosseguiram de onde tinham parado. Samantha fez uma vénia e preparava-se para se afastar e se misturar na multidão, quando William lhe agarrou pela mão.
- Então e a minha dança? – Perguntou-lhe, com um sorriso encantador.
Ela respirou fundo. “O mais difícil já passou”, tentou convencer-se, sem saber ainda do que estava para vir.
- Vamos, vamos ver quão bem sabes dançar Will.
Ele sorriu em jeito de desafio e levou-a até à zona destinada à dança. Colocou-lhe uma mão na cintura e começaram a dançar ao som da melodia. Aos poucos os outros pares foram-se desviando, deixando-os apenas aos dois a dançar. Uns iam comentando o facto daquela rapariga tão misteriosa ter aparecido e parecer tão familiar com o rei e o príncipe, ignorando a sua identidade; outros admiravam-lhe a beleza; outros, conhecedores de quem era, davam graças por estar viva ou lamentavam esse mesmo facto, sendo crentes numa certa “maldição dos Kendric” e incapazes de acreditar que ela poderia ser feliz algum dia.
- Está toda a gente a olhar para nós – comentou Samantha, um pouco embaraçada.
- Deixa que olhem. Tu mereces. Estás deslumbrante.
Bem até agora parece que tudo correu bem...
publicado por Cristiana . às 2013-05-17 19:30:37
publicado por Annie às 2013-05-17 19:29:45
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 14:27:54
Logo posso postar Armadura do Coração ^^
Comentem.
Capítulo 19
Seguir o Destino * Parte 2
As quatro horas da tarde estavam-se a aproximar e Chelsea não conseguia esconder o nervosismo. Tinha trocado de roupa três vezes e ainda não tinha a certeza sobre se eram mesmo aquelas calças pretas e a blusa lilás que queria levar ao encontro. Encontro… ela nem sabia se era um encontro. Uma parte dela dizia-lhe que sim, mas a outra gritava-lhe que não. E ela não sabia qual delas ouvir.
- Está atrasado – proferiu, quando viu no despertador a hora mudar para as quatro e um. A campainha tocou nesse instante –, mas não muito.
Saiu do quarto e deu de caras com Richard, que ia abrir a porta.
- Eu vou – disse ela – Volta ao que estavas a fazer, é para mim. E vou sair, e não sei quando volto. Adeus.
O irmão nem teve tempo de lhe dizer nada, pois ela desceu as escadas e saiu de casa a uma velocidade considerável. Andou apressadamente até à mota de Jensen, onde o próprio já se encontrava sentado, e sentou-se atrás dele, agarrando-se nele.
- Estás a gostar disto, não estás? – Perguntou ela, ao que ele se riu. E então viu o enorme cabaz que o rapaz tinha no braço – O que é isso?
- Não é óbvio? – Perguntou ele, enquanto punha a mota a funcionar.
- Já me estou a arrepender – murmurou a rapariga entre dentes.
Jensen conduziu por alguns minutos, e estacionou perto do parque de merendas de Diamond City. Os dois começaram a caminhar até lá em silêncio, e quando encontraram um sítio com relva e à sombra de uma árvore, Jensen estendeu uma toalha grande no chão e lá colocou uma garrafa de Coca-Cola, uma torta, e uma caixa de plástico com morangos.
- O que estás a tentar fazer? – Perguntou a rapariga, sentando-se numa ponta da toalha, de frente para ele.
- É o que mais gostas, certo? Torta de chocolate, morangos… Coca-Cola – disse ele.
- Nem sabia que sabias isso…
- Porque é que saíste tão à pressa de casa? Parecia que estavas desejosa para sair de lá – reparou ele.
- O Richard ia abrir a porta… se ele te visse, ou melhor, se me visse a sair contigo… ele ia começar a pensar coisas, e… tu sabes.
- Não contaste ao teu irmão
- O que é que era suposto dizer? – Lamentou Chelsea – Que vou a um encontro com um tipo que odiava na semana passada? Quer dizer… isto é um encontro? Porque sinceramente não sei…
- Faz sentido.
Começaram a comer e passado um bocado de tempo começaram a rir com as lembranças de várias batalhas que já lutaram juntos. Houve coisas bem ridículas, não o podiam negar. Chelsea já estava a ficar com dores de barriga de tanto rir quando comeu o último morango e respirou fundo. Contrariamente a todas as expectativas, estava-se a divertir.
- Isto está tudo fabuloso – elogiou Chelsea, enquanto respirava fundo e observava cada traço da face de Jensen, sem que ele reparasse. Quando ele a olhou, ela desviou o olhar.
- Obrigado – disse o rapaz.
- Não pensava que a tinhas em ti – Jensen franziu as sobrancelhas, não vinha dali coisa boa, mas mesmo assim decidiu arriscar.
- O quê? – Perguntou.
- Simpatia – Chelsea riu-se e deitou-lhe a língua de fora, e Jensen abanou a cabeça e suspirou.
- Tinhas que estragar tudo, não tinhas Cabeça de Fósforo? – Perguntou, agora quem se ria era ele.
- Não me chames isso – disse Chelsea, já séria. Ela odiava aqueles nomes, ele sabia-o bem.
- Porquê? É um nome carinhoso – afirmou Jensen.
- Jensen, a sério – pediu ela, fazendo beicinho.
Jensen riu-se.
- Obrigado por teres vindo comigo hoje – disse ele, um bocado sem jeito.
- Que mais teria eu para fazer num domingo à tarde? – Chelsea revirou os olhos, e Jensen pressionou os lábios.
- Sair com o PJ? – Chelsea olhou para ele em choque.
- Como é que tu… estavas a espiar? – Perguntou ela, incrédula.
- Não, ia buscar um copo de água à cozinha e acabei por ouvir a pergunta. E depois quis saber a resposta… não devia ter ouvido atrás da porta, desculpa…
Mais uma vez, Chelsea soltou uma gargalhada sonora.
- Até ficas engraçadinho quando coras – disse ela, fazendo com que Jensen corasse um pouco mais.
- Nunca ninguém se queixou do meu nível de graça – brincou.
Chelsea parou de rir. Sim, para ter tantas namoradas como tinha, tinha que ter alguma graça. Esse sempre fora um dos motivos pelos quais ela não lhe dava muita confiança. Nunca estava com a mesma rapariga mais do que uma semana.
- Sim, tenho a certeza que as peruas com que andas te acham imensa – murmurou.
- Senti ciúmes? – Perguntou ele, sentindo-se importante.
- Não…
- É engraçado, conhecemo-nos há séculos e nunca falámos de namoros…
- Isso não é bem verdade. Lembras-te de quando começaste a insultar o John enquanto eu estava a sair com ele? Estávamos na cozinha, e eu estava a fazer um bolo, e enervei-me tanto contigo que…
- Despejaste a farinha toda para o chão – riram-se.
- Continuei a encontrar farinha por todo o lado nas três semanas seguintes.
- Foi hilariante.
- Foi horrível! – Chelsea parou para pensar e viu as horas no ecrã do telemóvel. Seis horas, daí a pouco o sol começaria a desaparecer.
- Posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou o rapaz, abanando a cabeça para que os cabelos negros lhe saíssem dos olhos.
- Diz.
- Se não tivesses descoberto que eu sou o rapaz mascarado… o que é que tinhas feito?
- Não sei… eu queria descobrir quem ele… tu, eras. Acho que me deixei afeiçoar demais…
- Eu acho que é como a Guardiã disse… já vem de outra vida. É o destino.
- E tu acreditas nisso? – Chelsea sentiu um aperto no peito. Ela continuava apaixonada pelo rapaz da máscara, e agora que sabia que ele era Jensen, os sintomas também já se deixavam aparecer quando ele chegava ao pé dela, mas ela tentava lutar pelo simples facto de se tratar dele.
- No destino? Acho que já vi demasiadas coisas inacreditáveis para não acreditar nisso – disse ele, observando-a com cuidado para ver a sua reacção.
Ela suspirou e olhou para o céu, fazendo um certo trejeito com o lábio.
- Onde é que queres chegar? – Perguntou, ainda a observar as poucas nuvens que se faziam notar.
- O que quero dizer é… eu também gosto da Defensora do Oculto. E se ela és tu então… acho que quer dizer que gosto de ti.
- Acho que tens razão… mas ainda não me disseste onde queres chegar.
- Eu gostava de tentar… se tu quisesses.
Chelsea olhou para ele e respirou fundo. O seu coração gritava-lhe para dizer que sim, a razão implorava-lhe que não aceitasse. Tinha o pressentimento que ainda ia sofrer muito com toda esta história. Afinal, se a antiga Defensora e o antigo Byron não ficaram juntos, é porque não estavam mesmo destinados, certo?
- Está a ficar tarde… - murmurou a rapariga, vendo a desilusão instalar-se na face do rapaz. Mas mesmo assim ele disfarçou e sorriu.
- Pois está… vamos lá, eu levo-te a casa.
Levantaram-se e começaram a arrumar as coisas, para em seguida seguirem caminho. Jensen deixou a mota estacionada à entrada e acompanhou Chelsea até à porta, onde ela parou e se virou para ele.
- É um bocado difícil seguir o destino – murmurou a rapariga, enquanto pontapeava uma pequena pedra que se encontrava solta na calçada, ainda a pensar sobre a proposta do rapaz enquanto estavam no parque de merendas.
- Mas é ainda mais difícil lutar contra ele – pensou o rapaz em voz alta, o que fez com que rapariga olhasse para ele e corasse levemente. Ela já não sabia o que pensar, já não sabia o que sentir nem o que se passava com ela. Mas Jensen já o tinha aceitado. Agora via claramente que armar tantas brigas com ela era apenas uma maneira de tentar chegar a ela. Jensen já tinha percebido que, realmente, o sentimento sempre esteve com eles.
- Então devíamos deixar as coisas andar à medida que têm que andar – propôs a rapariga, sorrindo levemente.
- Concordo – afirmou o rapaz.
- Vês? – Perguntou ela, num tom espantado – Acabámos de concordar nalguma coisa.
O rapaz riu-se e abanou a cabeça.
- Até amanhã, caracolinhos. – Despediu-se, dando-lhe um beijo na pontinha do lábio e seguindo depois para a sua mota, na qual se foi afastando. Chelsea respirou fundo para tentar acalmar o ritmo cardíaco. “Isso não foi levar as coisas devagar”, pensou, “Caracolinhos… ah, que se lixe, ele nunca vai parar, por isso para quê reclamar? É um nome carinhoso…”.
publicado por Isabella às 2013-05-16 19:13:34
Bem já devem ter percebido que o blog mudou de visual e que foi uma mudança bem grande, inspirei-me num layout que andava a namorar há já algum tempo e pus mãos à obra, desta vez não só com o intuito de mudar o ar do blog, mas mudar também o seu rumo, não se preocupem continurarei a postar os meus posts privados, mas darei lugar também a alguns públicos, especialmente sobre a escrita e alguns de moda, vou mudar um pouco o conveito deste meu espaço resumindo assim; Espero que gostem desta minha mudança e que me continuem a apoiar porque são muito importantes para mim, até lá vou ver se acabo de escrever a minha mais recente one shot para a publicar aqui.
Vou deixar-me de coisas,
Fiquem bem
Isabella
p.s: a foto foi tirada e editada por mim
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-16 19:10:25
Capítulo 19
Seguir o Destino * Parte 1
- E depois o que se passou? – Perguntou Cassie, excitada.
Chelsea suspirou e chegou-se à amiga, descansando da tarefa que estava a fazer. Levou as mãos à cintura depois de ter atado melhor o seu rabo-de-cavalo e deu um pontapé numa pedra solta que se encontrava perto delas.
- Chelsea, estamos a treinar – queixou-se Will.
- Tu cala-te, que ainda estamos chateadas contigo – disse Cassie, com cara de má – Não acredito que não lhe disseste isso. O amor da sua outra, e possivelmente desta, vida está mesmo ao lado dela, e tu ficas calado. Que tipo de amigo é esse?!
- Oh… o Will é um querido… - disse Chelsea, sarcástica – Depois o outro Guardião, Oyuan, apareceu. E começou a dizer à Clayde que não nos devia ter contado nada, porque agora a história podia-se repetir, e blá, blá, blá, e depois o Jensen gritou com ele e eu disse que ele não tinha o direito de nos esconder este tipo de coisas – Chelsea contava tudo, tintim por tintim, a Cassie, do que se tinha passado no dia anterior, enquanto tentava ao máximo não deixar escapar nenhum pormenor – E depois ela continuou a dizer-nos que estamos destinados a estar juntos, e a contar como o nosso amor salvou o mundo, e… E depois, quando fomos levados de novo para o parque, sabes o que ele me perguntou?
- O quê? – Perguntou Cassie.
- Sim, por favor, falem como se não estivéssemos ocupados nem nada – as duas ignoraram o comentário do rapaz loiro.
- Se devíamos falar sobre o assunto. Eu perguntei-lhe sobre o quê, e ele disse sobre o facto de estarmos destinados… achas normal? – Chelsea disse isto tão depressa e tão indignada que por momentos a rapariga dos piercings achou que não ia conseguir continuar a conversa sem se rir. Mas enganou-se, conseguiu aguentar-se.
- E tu?
- Eu não sei, eu disse-lhe que não conseguia pensar nisso agora. A sério… já não era estranho o suficiente ser uma rapariga que combate demónios? Agora o meu príncipe encantado… o meu salvador… é o Jensen?! Ele, entre todos os outros? Não soube o que pensar, claro que não podia dizer que sim, que devíamos falar sobre o assunto.
- Mas gostas dele?
- Quem se importa?! – Disparou Will, dando um murro numa árvore e bufando. Ele só queria treinar a Defensora, só a queria preparar para a Escuridão, nada mais – Tu tiveste sorte ao matares o Kayor, sabes disso? Sorte! Se não treinares, vais morrer. Inevitável. Parem de fofocar!
De novo, foi ignorado, e as raparigas continuaram como se ele fosse invisível e mudo.
- Não… - Chelsea foi rápida na resposta, e Cassie deitou-lhe um daqueles olhares que apenas as melhores amigas podem fazer umas às outras, por já se conhecerem bem demais. Chelsea revirou os olhos – Quer dizer, eu gosto do rapaz mascarado, mas agora que sei que é o Jensen, que dizer… é o Jensen, e eu nunca gostei dele… nunca, nunca. Estou confusa, esta situação está toda de pernas para ao ar e… estou confusa.
- Eu acho que tu gostas dele…
- Eu não gosto dele. Ele é o Jensen, por amor de Deus. Se soubesses metade das coisas que ele já me fez… é tão irritante. Oh Deus, e já o beijei uma vez…
- E não queres repetir? Sabes Chels, ele é um tipo bastante atraente…
- Sim, e chato, e convencido, e mais chato – ela não negava que ele era o tipo de rapaz com que muitas suspiravam, era um facto, não havia negação a fazer, por isso preferiu sobressaltar-lhe os defeitos.
- Já te ocorreu que ele pode ser assim para captar a tua atenção? – Cassie parecia completamente convencida da situação.
- Essa deve ser a pior suposição de sempre – disse Jensen, que apareceu por detrás de uns arbustos com uma cara de espanto.
- Mas o que é que estás aqui a fazer?! – Perguntou-lhe Chelsea, rapidamente.
- Oh perfeito, já estou a ver que o treino foi à vida – reclamou Will, ao agarrar na sua mochila – Quando o circo acabar, liga-me.
E começou a afastar-se, perante o olhar dos outros três. “Isto não é normal”, pensou Chelsea.
- Como é que vieste aqui parar? – Insistiu a rapariga dos caracóis ruivos com Jensen.
- Segui-te – disse ele, descontraindo.
- Então estás aqui deste… que chegámos? – Meteu-se Cassie.
- Sim. Vocês raparigas falam demais, sabiam? – Ele aproximou-se de Chelsea e cruzou os braços – Então é aqui que a Defensora do Oculto treina… sabes, tens estado a evitar-me.
- Não tenho nada – defendeu-se ela, fingindo-se chocada – Nós descobrimos as coisas ontem, e hoje tive aulas… como é que te estou a evitar?
- Viste-me a caminho da escola e correste. Tipo… mesmo rápido – disse o rapaz.
- Está bem… claramente que não faço nada aqui. Divirtam-se, treinem, façam… qualquer coisa. Adeus Chels – disse Cassie, que se levantou da pedra e desapareceu também entre o arvoredo.
- Perfeito! – Exclamou Chelsea, irónica – É incrível como consegues sempre estragar tudo. Como é que vou treinar agora? Afugentaste toda a gente!
Jensen riu-se e pôs-se à frente dela, de mãos abertas na sua direcção.
- Usa toda a tua força – disse-lhe, em tom de desafio.
Chelsea respirou fundo e depois deu um murro numa das mãos de Jensen, o que fez o rapaz rir-se.
- A sério? Como é que ainda estás viva? – Brincou ele.
Chelsea concentrou-se e uma força invisível mandou o rapaz contra uma árvore, deixando-o cair para o chão em seguida. Ele levantou a cabeça do chão e olhou para a rapariga, enquanto a abanava.
- Isso é batota – declarou, acerca de ela ter usado os poderes.
- Se salvar a minha vida… não me podia importar menos – disse ela, que, após agarrar no seu casaco, começou a caminhar para fora do bosque em direcção a casa.
O rapaz ainda ficou sem reacção algum tempo enquanto a observava a afastar-se, e passado poucos segundos esboçou um pequeno sorriso. Agora que sabia a identidade da Defensora, e que sabia quem foi no passado e o que tem que fazer, tudo fazia mais sentido. Bem, quase tudo. A parte de estar destinado à rapariga dos caracóis ruivos ainda não lhe tinha sido completamente entendida. Mas já estava a começar a ver. Agora ele conseguia ver claramente a rapariga por quem se começou a apaixonar, espelhada na que irritou e brincou durante tantos anos.
❦
Sábado tinha chegado, e Chelsea tinha decidido passar o dia em casa. A manhã passou-a a estudar, para ver se não tirava tantas negativas. E à tarde, enquanto os amigos de Richard e ele estudavam no quarto para os exames da universidade, ela tinha o computador portátil em cima da cama e via um filme deitada de barriga para baixo. Estava a meio de uma das muitas gargalhadas que o filme cómico lhe estava a causar, quando lhe bateram à porta. Ela parou o filme e disse para entrarem, ao mesmo tempo que se sentava na cama à chinês.
- Que andas a fazer? – Perguntou PJ, sorrindo-lhe e deixando a porta apenas encostada.
- Estava a ver um filme… como vai o estudo?
- Difícil… é difícil concentrarmo-nos quando só ouvidos gargalhadas – Chelsea corou, mas no fim acabou por se rir.
- Desculpa – pediu.
Houve um momento de silêncio. PJ não estava certo do que ia dizer, não sabia bem se fazia sentido ou não, sentia-se confuso apenas.
- Tu… - PJ sacudiu o cabelo com a mão, um pouco embaraçado, o que era raro acontecer – Queres ir sair comigo, um dia destes?
- Nós saímos o tempo todo – noutros tempos, Chelsea teria logo pensado noutra maneira de ver a pergunta, mas desde os últimos acontecimentos que tem estado meio distraída perante tudo.
- Não, eu quis dizer… só nós, como… um encontro? – Chelsea arregalou os olhos e ficou de boca aberta algum tempo, formulando depois um sorriso algo tímido, ignorando por completo que por detrás da porta do quarto, a ver através da parte que estava aberta, Jensen os observava com o coração nas mãos.
- PJ eu… devo estar a perder o juízo – murmurou ela, deixando PJ confuso – Na verdade, desde que te conheço que queria que me perguntasses isso, sabes? Mas acho que não tinha razões para isso. Nós conhecemo-nos todos desde sempre, crescemos todos juntos. Do nosso grupinho, tu foste sempre o qual de quem gostei mais – Jensen, do outro lado da porta, sentia-se a perder o controlo, e cerrou os punhos com bastante força, enquanto PJ se preparava para interromper a amiga. Não percebia o porquê daquilo o incomodar tanto, mas a verdade é que era quase insuportável.
- Era um pouco estranho gostares do Jensen, considerando tudo – disse ele, o que fez aparecer um sorriso irónico nos lábios de Chelsea. Pois, ela também pensava isso.
- Mas o que acontece é que nós… Eu gosto muito de ti. Adoro-te, mas… não estou apaixonada por ti. E tu não estás apaixonado por mim – continuou a rapariga, apanhando ambos os rapazes de surpresa – Nós somos familiares, temos aquele carinho especial. E só recentemente é que percebi que o que sinto por ti se aproxima muito do que sinto pelo meu irmão, percebes? Somos amigos há tanto tempo que acho que o devíamos a nós próprios tentarmos algo mais, entendes? Mas não devemos. És como meu irmão.
PJ sorriu, sim, ele percebia. Ele sentia-se também dessa maneira. Chelsea sempre fora importante para ele, mas nunca além de uma grande, grande, amiga.
- Sim, percebo – disse ele, sorrindo. Jensen, de fora do quarto, deu por si a respirar fundo e a parar de fazer força de punhos cerrados, e a perceber a quantidade enorme de ciúmes que o tinha atingido – Desde quando é que ficaste tão sábia, pequena?
Chelsea riu-se.
- Sempre fui, mas é segredo – disse ela, pondo o dedo ao lado do nariz em seguida e fazendo um pequeno: - Shh.
PJ riu-se, e Jensen decidiu ir fazer o que tinha saído do quarto de Richard para ir fazer: ir à cozinha.
Depois do amigo voltar ao estudo Chelsea suspirou e levantou-se, caminhando lentamente até à janela. Saiu e sentou-se com as pernas encolhidas no telhado, a pensar. “Recusar o PJ… se me contassem que isto ia acontecer ia dizer que era uma anedota”, pensou ela. Mas até para sua surpresa, não lamentava de o ter feito.
Quando deu por si já começava a escurecer e já se sentia um certo frio na rua. Tinha acabado de retornar ao quarto quando a porta se abriu e de lá viu aparecer Jensen.
- Eu bati – defendeu-se logo ele, pondo as mãos no ar como se estivesse a render-se.
- Não ouvi – disse a rapariga, calmamente – Precisas de alguma coisa?
- Sim – ele confirmou, mas depois calou-se, o que fez Chelsea ficar um pouco confusa.
- Estás à espera que pergunte? – Perguntou ela.
- Amanhã, quatro horas, venho-te buscar. Não há maneira de não aceitares – disse ele muito depressa.
- E vais-me levar…
- Amanhã vês. Tenho que ir, o PJ está à espera lá em baixo. Até amanhã caracolinhos.
- Até… - Jensen fechou a porta e Chelsea suspirou – amanhã. Mas o que será que aquele está agora a planear?
Ela não gostava da ideia. Não gostava mesmo nada.
Desculpem não ter postado ontem.
Vamos ver o que sai daqui... comentem!
publicado por Isabella às 2013-05-16 19:09:06
Aqui estão os links para todos os meus textos publicados aqui no blog, se lerem não deixem de dar a vossa opinião, porque ela conta, e muito.
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-15 21:36:52
Ainda pensei em postar o capítulo, mas como só pouca gente é que leu o anterior, vou deixar um sneak peek e amanhã logo se vê.
Também têm Armadura do Coração postada ;)
- Chelsea, estamos a treinar – queixou-se Will.
- Tu cala-te, que ainda estamos chateadas contigo – disse Cassie, com cara de má – Não acredito que não lhe disseste isso. O amor da sua outra, e possivelmente desta, vida está mesmo ao lado dela, e tu ficas calado. Que tipo de amigo é esse?!
- Oh… o Will é um querido… - disse Chelsea, sarcástica – Depois o outro Guardião, Oyuan, apareceu. E começou a dizer à Clayde que não nos devia ter contado nada, porque agora a história podia-se repetir, e blá, blá, blá, e depois o Jensen gritou com ele e eu disse que ele não tinha o direito de nos esconder este tipo de coisas – Chelsea contava tudo, tintim por tintim, a Cassie, do que se tinha passado no dia anterior, enquanto tentava ao máximo não deixar escapar nenhum pormenor
(...)
- Como é que vieste aqui parar? – Insistiu a rapariga dos caracóis ruivos com Jensen.
- Segui-te – disse ele, descontraindo.
- Então estás aqui deste… que chegámos? – Meteu-se Cassie.
(...)
– Queres ir sair comigo, um dia destes?
- Nós saímos o tempo todo – noutros tempos, Chelsea teria logo pensado noutra maneira de ver a pergunta, mas desde os últimos acontecimentos que tem estado meio distraída perante tudo.
- Não, eu quis dizer… só nós, como… um encontro? – Chelsea arregalou os olhos e ficou de boca aberta algum tempo, formulando depois um sorriso algo tímido
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-15 16:22:31
Desculpem lá o atraso deste capítulo é que não tenho tempo para nada...
Querem que poste DDO mais à noitinha?
Capítulo 9
Quando Samantha e os restantes soldados chegaram ao palácio real, o caos estava instalado. Membros do exército pessoal do rei estavam deitados, mortos, pelo chão.
- Vão, procurem sobreviventes! – Ordenou Raj.
Separaram-se todos. E o tempo passou a voar. Samantha deu por si parada numa das amplas salas, sozinha, com uma grande dificuldade em respirar. Os gritos, as correrias, as pessoas mortas no chão. Tudo isso a levava de volta àquela noite. Era como se estivesse em transe, num ataque de ansiedade do qual não conseguia sair. Até que ouviu um grito mais alto que os outros que a fez voltar a acordar.
Saiu daquela sala a correr e no corredor juntou-se a Quorq e a Eresm, e correram os três até chegar à sala do trono. Era uma sala oval, com o trono em cima de um pequeno alpendre, com um mais pequeno de cada lado.
A rainha estava a um canto, assustadíssima, e Irinoi estava a lutar com a sua espada contra sete homens, sendo auxiliado por um soldado e por William. Samantha engoliu em seco e foi a primeira a juntar-se a eles, seguindo-lhe logo os outros dois. Em menos de nada os sete homens estavam mortos, e todos podiam voltar a respirar. Raj e os restantes soldados entraram no grande salão, fazendo-se acompanhar de mais pertencentes à guarda do rei, e sentiram também um grande alívio perante o que viram.
Samantha aproximou-se de um dos homens agora mortos, e baixou-lhe a gola da blusa, deixando à mostra um símbolo semelhante a uma cobra.
- As Cobras – Murmurou – Assassinos.
- Ezequiel, leva estes homens daqui – ordenou Irinoi, ao chefe do seu exército. Ezequiel, junto de outros soldados, obedeceu e começou a remover os corpos. O rei voltou-se então para os homens de Raj – Quanto a vós, devo-lhes a minha vida. Por favor, retirem os elmos para que possa ver a face daqueles que me salvaram.
Samantha engoliu em seco. Os três pousaram um joelho no chão, fazendo uma vénia em sinal de respeito e, enquanto os outros dois retiraram os capacetes – como a maior parte dos outros membros do grupo –, Samantha permaneceu quieta e com um nó na garganta.
- Então e tu? – Perguntou Irinoi, olhando-a directamente. Ela também ousou olhá-lo. Estava mais velho, mais abatido, já não era o rei de quem se recordava – Como é o teu nome?
- Samuel, Vossa Excelência.
Ao ouvir aquilo William olhou para ela pela primeira vez e abriu a boca de espanto.
- Tira o teu capacete, Samuel – pediu de novo o rei.
- Peço-lhe perdão, meu rei, mas não o posso fazer.
- É uma ordem do teu rei! – Gritou-lhe Raj.
- Não posso…
- Pessoas já foram enforcadas por menos. Não sejas idiota – murmurou Eresm entre dentes. “Se o tirar, aí é que sou enforcada”, pensou.
- Não faz mal, pai, eu conheço esse soldado – disse William, para surpresa de todos, o que fez com que Samantha respirasse de alívio – Ele tem um problema com a cara, é… uma história horrenda. Não pode retirar o capacete, mas asseguro-te que é de confiança. Não nos vamos esquecer de que acabou de salvar as nossas vidas.
- Hum… - fez o rei, engolindo em seco – Por isso, e por isso apenas, vou permitir que o mantenhas posto – disse, para Samantha, que assentiu com a cabeça.
A rainha correu para os braços do marido, ainda assustada, e ele abraçou-a.
- Agradeço, meu rei.
- Quem eram estes homens? – Perguntou William, para sair daquele tópico de conversa, ao comandante Raj.
- Eu…
- Assassinos pertencentes à Ordem da Cobra – Interrompeu Samantha, sendo olhada por todos –, Vossa Alteza.
- Vou mandar organizar um banquete – declarou Irinoi –, e vocês ficarão no palácio até que encontre outros membros para a minha segurança pessoal. Concorda, comandante Raj?
- O que Vossa Excelência desejar, está bem para mim – concordou Raj – Os meus soldados estão ao seu dispor.
- Óptimo. Falaremos desses… assassinos, durante o jantar. Tal como da sua obsessão de manter o elmo posto, Samuel.
- Claro, Vossa Excelência – concordou Samantha –, tudo o que quiser.
Em menos de nada tudo tinha voltado ao normal no palácio. Os guardas tinham-se livrado dos corpos, as empregadas tinham limpado o sangue do chão e das paredes, e as cozinheiras preparavam o enorme banquete.
Samantha não se conseguiu ver livre dos outros companheiros, pelo que William não foi capaz de a apanhar sozinha para que pudessem conversar.
Quando a hora do banquete chegou, foram todos para o maior salão do palácio, onde estavam várias mesas corridas já recheadas de comida e vinho. Sentaram-se onde calhou, tendo apenas o rei, o príncipe e as princesas, e a rainha lugares fixos.
- Então diz-me, Samuel, o que sabes sobre as Cobras? – Irinoi tinha pedido que Samantha, ou Samuel, se sentasse perto de si para que pudessem conversar. Esta levou o copo de vinho à boca, levantando ligeiramente o elmo, e deu um trago.
- Há pouco que se saiba, Vossa Excelência, apenas que são uma organização de assassinos que respondem a quem mais paga. Por anos estiveram na folha de pagamentos do… Lorde Marx, Majestade. Mas farão de qualquer coisa por um bom preço – explicou ela.
- Já os tinhas visto actuar?
- Sim, há muitos anos, quando era criança – disse, engolindo em seco – Vi-os dizimar uma casa inteira…
- Bem… não falaremos mais disto – Irinoi levantou-se e levantou também o seu cálice cheio de vinho – Amanhã à noite vai-se realizar um baile em honra do meu filho. As raparigas mais bonitas do reino vão cá estar, e com sorte talvez ele possa escolher alguém para casar – deitou um breve olhar a William, que revirou os olhos – Comandante Raj, você e os seus soldados são mais do que bem-vindos a este baile, e a comer tudo o que conseguirem e a terem todas as mulheres que quiserem. Estou em dívida para convosco.
Após o banquete, e longas horas de conversa, os soldados foram distribuídos pelos muitos quartos da zona este do palácio, sendo que cada um teve direito ao seu quarto para que, como o próprio rei disse, pudesse aproveitá-lo como entendesse, com, ou sem, companhia.
Samantha respirou de alívio quando finalmente entrou no seu. Não era nada de especial, nada como o dos reis ou príncipes, tinha apenas uma cama e um roupeiro, um pequeno espelho e uma mesa-de-cabeceira, mas servia-lhe bem. Os seus poucos pertences também já lá estavam. Tirou o capacete da cabeça e suspirou.
- Finalmente – murmurou, pensando que já podia respirar de alívio e descansar até que o próximo dia chegasse. Mas foi então que lhe bateram à porta – Quem é?
- O William. Venho sozinho.
Ela torceu o nariz e destrancou-a, para que ele entrasse. Assim que o fez, voltou a fechá-la.
- O que é que queres? – Ele sorriu-lhe e abraçou-a, para seu espanto, deixando-a sem saber o que dizer após a soltar – Obrigado por me ajudares, há bocado.
- O que estás aqui a fazer? Pensava que nunca mais te ia ver… pensei…
- Fomos avisados por espiões que o rei estava sob ameaça. Viemos para impedir o pior. E impedimos.
- Podias ter morrido, Sam… Aqueles tipos lutavam tão bem.
- Posso morrer a qualquer momento. Os meus pais estavam deitados na cama quando foram atacados e morreram. Nós podemos sempre morrer, Will. A não ser que escolhamos sobreviver.
- Bem… já que cá estás, o meu baile é amanhã à noite…
De novo, ela torceu o nariz. Já previa o que ele queria.
- Sabes que não posso ir. Sou um homem, um soldado.
- Não. Quero que vás como tu própria. Samantha Kendric de Walcaster.
- Perdeste o juízo? Após todos estes anos…?
- Sabes o quanto o meu pai amava a tua família. Quando descobriu do ataque ficou devastado. Quando descobriu que tu não estavas entre as vítimas deitadas no chão teve esperança, mas essa esperança foi passando com os anos até que se conformou com a tua eventual morte. Tens que lhe dizer que estás viva. Tens que lutar pelo teu título, pelo título da tua família.
- Eu estou a lutar pelo meu título! Como um guerreiro, como…
- Uma mentira – interrompeu ele – Sozinha. Mas se te revelares, se disseres que estás viva, podes lutar com um exército, o exército do rei. Não terias que lutar sozinha.
- Foi assim que escolhi viver, Will. Já não sou a Samantha Kendric de Walcaster, já não sei como ser ela. Sou o Samuel, o guerreiro.
- Vem ao baile.
- Não posso…
- Então vou ter que dizer a toda a gente quem o Samuel, o guerreiro, realmente é.
Ela olhou para ele completamente especada. Como é que lhe podia estar a fazer aquele ultimato?
- Estás-me a chantagear?
- Quero que venhas. Não quero que voltes a ir embora. Não te quero perder de novo, não percebes? Não te posso voltar a perder.
- Mesmo se considerasse isso… não tinha nada para vestir. Não trago roupas de rapariga para os combates, sabes?
- Eu arranjo-te o vestido – William agarrou-lhe na mão e olhou-lhe nos olhos, como se implorasse – Por favor. Por mim. Ninguém precisa de saber que és o Samuel, vem apenas, diz ao meu pai que estás viva, concede-me uma dança, e então vai embora com o teu segredo.
publicado por Isabela às 2013-05-15 11:48:32
Believe in love. Hope for love. Pray for love.
But don't put your life on hold waiting for love.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-14 15:13:59
Parabéns a quem acertou na identidade do rapaz.
Prontas para descobrir mais sobre a Faith? E de onde vem o "mascarado"? Isto vai ser meio cliché, mas força.
Capítulo 18
A História de Duas Vidas * Parte 2
O coração de Chelsea falhou uma batida. “Caracolinhos de fogo… oh meu Deus”, pensou ela, enquanto via os dois rapazes levantarem-se, “Não pode ser… ele?”. Por momentos Chelsea não viu nada à frente. “Caracolinhos…”, pensava ela. Só há uma pessoa no planeta que a chama daquela maneira. Era a única porque ela detestava, e por isso ninguém mais o fazia. Mas claro que ele gostava de a irritar.
- Byron, és um idiota! – Gritou Kayor, para o irmão, ou para Jensen, como é conhecido. Deu-lhe um empurrão que o mandou para bastante longe, e Chelsea gritou:
- Pára!
Levantou-se desajeitadamente e olhou para Jensen, estendido no chão, de barriga para cima. Kayor sorriu maldosamente para Chelsea, e depois criou uma Bola de Energia e mandou-a rapidamente a Jensen. Até que contra todas as expectativas, parou. Chelsea nunca tinha sentido aquele tipo de poder antes. Sentia-se quente, relaxada, em paz e feliz. Só sabia que acontecesse o que acontecesse, não podia deixar Kayor magoar Jensen. Kayor olhou surpreendido para a rapariga, nunca antes ninguém tinha paralisado um ataque seu. Chelsea apenas o olhou com uma cara séria, e mudou o trajecto da Bola de Energia contra ele, fazendo uma pequena explosão cheia de curtos circuitos. Chelsea deixou-se cair de joelhos no chão, esgotada. Sentia que ia perder as forças a qualquer momento, a sensação de força e paz tinham-na agora abandonado. De lá viu o corpo de Kayor ser electrocutado e explodir, desaparecendo em poucos segundos. Ninguém nunca desconfiaria do tipo de batalha que lá se passara, porque além das árvores partidas que podem ser explicadas como um ataque mais forte vindo do vento, não sobraram absolutamente provas nenhumas.
Chelsea queria fechar os olhos, queria repousar, não aguentava mais. Mas então viu Jensen imóvel no chão, e gatinhou até ele.
- Jensen – chamou, abanando-o para que acordasse. O rapaz não tardou a abrir os olhos, e logo depois gemeu – Estás bem? O que é que te dói?
- Estás em cima da minha mão – Chelsea sentiu-se tão envergonhada que era capaz de se enfiar dentro de um buraco e nunca mais de lá sair. Levantou os joelhos e Jensen tirou a mão, pousando-a depois em cima do peito – És mesmo desastrada.
Chelsea sorriu.
- Como é que isto aconteceu? – Perguntou, deixando-se deitar ao lado dele a respirar fundo.
- Eu disse-te para fugires, minha parva.
- Pois sim, e depois como é que ia explicar ao meu irmão e ao PJ a tua morte? Que o meu plano finalmente deu certo só que em vez de seres atropelado por um carro tinhas sido assassinado por um Príncipe da Escuridão? Isso faria sentido – disse ela irónica.
- Não acredito que és tu. Quer dizer, tu és… sem ofensa mas… - Jensen não sabia o que dizer, e Chelsea compreendia-o na perfeição.
- É melhor nem dizeres mais nada – ela já sabia que ele, mais cedo ou mais tarde, ia começar com as histórias de que ela tem medo de tudo e logo não faz sentido ser a defensora da humanidade.
- Pois, provavelmente.
- Gostava… gostava que alguém nos explicasse o que raio se passa. Afinal, quem és tu? O Kayor chamou-te Byron, Jensen.
- Eu nunca tinha ouvido esse nome antes. Já te disse, eu apenas… eu sinto quando a Defensora está em perigo, transformo-me, e venho.
Chelsea suspirou e sentou-se. Estava frustrada, queria saber quem era o rapaz mascarado mas nunca tinha ponderado a hipótese de ser Jensen, apesar de agora, falando-se em parecenças, fosse bastante óbvio. A rapariga viu a sua máscara no chão, e com o poder de telicnese trouxe-a até às suas mãos. Ao mesmo tempo estava orgulhosa de si mesma. Tinha destruído Kayor. “Tive sorte, foi o que foi”, admitiu.
- Chelsea Burke, a medricas da cidade… a Defensora – pensou Jensen em voz alta. Chelsea preferiu ignorá-lo.
Ao longe começou a ver uma luz brilhante a intensificar-se, e chamou a atenção de Jensen, que também se sentou. Conforme viam a luz aproximar-se, os dois levantaram-se e protegeram os olhos com o antebraço. Nenhum deles sabia o que se passava. Quando a luz se esgotou e sentiram que era seguro descobrirem os olhos, os dois observaram o sítio em que estavam.
- Onde é que estamos? – Perguntou Jensen, enquanto olhava em volta a contemplar o belo palácio da cor da pureza.
- Acho… acho que estamos na Casa dos Guardiães – murmurou Chelsea, dando poucos passos, fazendo com o barulho ecoasse, enquanto agarrava na máscara com força – Já cá estive antes…
- Os Guardiães? Ajudava-me saber o que isso é – murmurou o rapaz.
- O nome diz tudo – ouviu-se, por trás dele. Era uma voz madura, feminina. Os dois voltaram-se ao mesmo tempo para se verem em frente a uma mulher já com alguma idade, e um pouco curvada para a frente. Vestia um manto como o de Oyuan, as vestes características dos Guardiães com os adornos a roxo, a cor da Defensora, e tinha um cabelo loiro, muito claro, preso em dois carrapitos entrançados, atrás – Defensora do Oculto, é uma honra finalmente conhecê-la.
- Hum… sim, obrigado… a si também – murmurou Chelsea, sem saber bem o que dizer – Desculpe mas… é uma Guardiã?
- E uma das mais antigas, também – disse a senhora, mostrando um pequeno sorriso na face já engelhada da idade – Clayde é o meu nome.
- O que é que estamos aqui a fazer? – Perguntou Jensen, sem rodeios, sendo alvo de um olhar reprovador de Chelsea.
- Suponho que queiram saber mais sobre vocês, estou certa? – Perguntou a antiga Guardiã. Ela sabia que tinha razão. – Especialmente tu, jovem rapaz… não sabes porque fazes o que fazes, não sabes a tua ligação à Defensora do Oculto nem ao Reino da Escuridão. Ou estou errada?
- Não, não está – admitiu o rapaz – Ao princípio não sabia o que fazia, era como se não tivesse o controlo do meu corpo. Mas depois comecei a perceber que tinha que ajudar a Defensora do Oculto, apesar de nunca ter chegado perto de uma explicação para tal. É como… faço coisas que nunca imaginei… aquelas lutas, tudo aquilo é… nunca aprendi a lutar daquela maneira, vem tudo naturalmente, não consigo perceber.
“Algumas pessoas têm cá uma sorte”, lamentou-se Chelsea, “já eu tive que trabalhar no duro para conseguir aprender a dar um simples murro de jeito”.
- Porque está no teu sangue – disse a mulher, fazendo um gesto com a mão, que criou uma pequena bola entre eles. Uma ilusão, um globo transparente com neblina a criar-se lá dentro. E depois, o mundo.
- Vão-nos finalmente contar a história toda? – Perguntou Chelsea, reticente.
- Não queríamos que vocês se encontrassem. Da última vez… da última vez foi catastrófico. Mas acho que algumas coisas realmente falam mais alto, e cá estão vocês. Sim, Defensora, vou contar-vos a vossa história.
- Toda? Sem omissões? – Chelsea queria apenas conferir. Ela sabia que havia algo que o outro Guardião, Oyuan, não lhe tinha contado, e não queria que esse algo voltasse a não ser relevado desta vez.
A velhota apenas lhe sorriu e, com outro gesto de mão, imagens começaram a aparecer dentro do globo. À medida que ela ia contando a história as figuras de Chelsea, e de Jensen, e de tudo o resto iam aparecendo e fazendo exactamente o que ela relatava.
- Há cerca de uma centena de anos, havia uma linda guerreira que lutava para proteger o Planeta Terra de todo o Mal. Era a heroína da população, a esperança do mundo. Sempre fez o seu trabalho e lutou para defender o bem sem pensar duas vezes, até que foi tocada pelo verdadeiro amor. A guerreira apaixonou-se pelo inimigo, um dos Príncipes da Escuridão, um dos encarregados de a matar. Por vários tempos andaram a evitar-se em confrontos, mas chegou a uma altura em que não podiam adiar mais. Seria um confronto que apenas acabaria com a morte de um. E quando se encontraram, frente a frente, após vários ataques a evitarem usar a força máxima, nenhum conseguiu acabar com a vida do outro. O poder do seu amor libertou o belo Príncipe da Escuridão, e ele passou a lutar ao lado da sua amada contra as forças negras. Mas a felicidade de ambos não durou muito. Uma das Bruxas do Mundo da Escuridão, apaixonada pelo príncipe desde sempre, roeu-se de ciúmes e jurou que se não o pudesse ter, ninguém mais o teria, especialmente aquela que mais odeia. A Bruxa reuniu uma grande energia, e atacou o planeta quando ainda ninguém esperava. E lutaram. Uma luta dura em que não se previa qualquer futuro para o lado do Bem. A Bruxa estava preparada, eles não. Tinha conjurado todos os tipos de demónios, e os restantes quatro Príncipes lutavam para defenderem a Escuridão. Para proteger a sua amada, o Príncipe atravessou-se no meio de um ataque mandado pela Bruxa, morrendo assim nos braços da Guerreira Defensora. Levada pelo luto, jurou vingança a todo o Mundo da Escuridão, jurou que o Bem triunfaria sempre. Ela ainda tinha um último recurso. Sabia que se libertasse todo o seu poder, tudo o que lhe ia no seu coração puro, poderia salvar o mundo do caos que se aproximava. E também sabia que se isso acontecesse, morreria. Mas não se importou. A partir do momento em que viu o seu Príncipe morrer nada mais importou. A Guerreira Defensora arranjou umas últimas forças e, pondo-se de pé, transportou toda a energia do seu amor para fora de si, criando uma luz clara que aos poucos foi afastando toda a escuridão da Terra. O amor dos dois venceu tudo e todos e, por algum milagre, os Deuses tiveram piedade e permitiram-lhes renascer com outras vidas. Umas vidas normais, pacíficas.
Chelsea e Jensen ouviam atentamente enquanto viam os bonecos transmitidos no globo a lutarem, ou a Defensora a chorar com o Príncipe sobre o seu colo, ou até a intensa luz livrar o mundo da escuridão das trevas. Chelsea achava estranho ver-se a si mesma naquelas situações, e Jensen estava apenas absorvido em toda a história.
- Até agora – interrompeu Chelsea – Clayde, quando falei com o outro Guardião, Oyuan… ele mencionou Byron como o quinto príncipe, mas não me quis contar o que aconteceu com ele - murmurou, hesitante – Ele é…
- O rapaz ao teu lado? Sim, esta é a vossa história. Uma história de como o amor vence sobre o mal. Tu, Guerreira Defensora, conseguiste salvar todo o mundo e aquele que amas apenas com o poder do teu coração puro. Mas infelizmente a Escuridão está a recuperar todo o poder aos poucos, e por isso foi preciso serem despertados novamente, e levados a lutar uma vez mais.
- Mas eu não… - Chelsea parou a meio da frase, e olhou hesitante para Jensen, que estava estático um pouco mais atrás. Estava a ser um choque mais forte para ele do que para ela. Até este dia ele nunca tinha arranjado explicação para nada, e ela já sabia algumas peças do puzzle. Chelsea arrependeu-se do que ia dizer, mas quando olhou para o rapaz este olhava para ela de uma maneira estranha. Ela apertou a máscara que tinha na mão direita com força.
- Nem eu. – Mas Jensen, como se soubesse o que a Guerreira Defensora pensa, decidiu também dizer-lhe o que pensava. Que ele também não a amava.
A velhota fez com que o globo desaparecesse com o mesmo gesto com que o fez aparecer e deu poucos passos na direcção deles, e pegou na mão de Chelsea, para em seguida colocar a de Jensen por cima da dela.
- Não acredito – proferiu ela, calmamente – O vosso amor sobreviveu a um grande acontecimento. E ainda hoje lutaram juntos. Defensora… de onde pensas que veio todo aquele poder que sentiste? Veio de dentro de ti… veio do teu coração, da tua vontade de protegeres quem amas. Não interessa o que pensavam saber um sobre o outro, porque no fundo acredito que apesar de todas as diferenças, o amor sempre aí esteve.
Chelsea retirou a mão de junto da de Jensen e desviou-se poucos passos, respirando pesadamente. Ela não sabia o que pensar, e muito menos o que dizer.
publicado por Annie às 2013-05-13 22:08:31
Deixo-vos aqui um cover de uma música que adoro, e o original. Ando totalmente viciada nela. Digam-me o que acham... Preferem o original ou o cover? Boa semana e não se esqueçam de comentar o blog bem como a última one-shot.
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-13 16:24:41
Capítulo 18
A História de Duas Vidas * Parte 1
- E depois beijámo-nos… - disse Chelsea, enquanto andava eléctrica de um lado para o outro e Cassie a seguia com os olhos, sentada num banco de madeira no parque – E eu senti-me tão… oh Cassie eu senti-me tão… tão bem. Sabes? Foi estranho, porque ele é praticamente um estranho mas… mas ele não é bem um estranho, pois não? Não pode ser… porque acho… Cassie, acho que sinto alguma coisa, acho… acho que apaixonada por aquele rapaz. Não consigo explicar, é como… é mais forte que eu. Como se não soubesse até ao momento em que o beijei, mas que o meu futuro é ao seu lado, percebes?
- Não… nada de nada – disse a rapariga dos piercings, abrindo mais os olhos. Chelsea suspirou e deixou-se cair ao seu lado. Ela não tinha palavras para explicar.
- Imagina a melhor coisa que alguma vez sentiste… e depois multiplica por mil. Foi assim que me senti. Tenho que descobrir quem ele é Cassie. Agora mais que nunca, não posso não saber.
- Posso ser sincera contigo? – A animação de Chelsea ficou reduzida depois do tom com que ouviu a amiga falar. Cassie estava feliz por ela, verdade que estava, mas a preocupação falava mais alto. Ela não gostava de ver a amiga tão concentrada num rapaz que não conhecia minimamente bem.
- O que foi? – Perguntou a rapariga dos caracóis ruivos.
- Acho que não te devias deixar levar tanto… percebo que ele seja a novidade, e que estejas curiosa mas… O que é que sabes mesmo sobre este tipo? Por tudo o que sabemos, ele pode ser um inimigo, não sabes. É óbvio que o Will não gosta dele, cada vez que falas ele contorce-se todo para não gritar… acho que devias ir com calma, não deites tudo a perder por um tipo numa máscara.
- Estás preocupada – afirmou Chelsea, suspirando e olhando o céu – Eu também. Não sei o que fazer… não consigo parar de sentir que o conheço. Mais, que ele e eu estamos ligados de qualquer maneira. E depois daquele beijo apenas… ficou mais forte. E assusta-me mais que tudo. Saber a maneira que me sinto por um tipo do qual nem o nome sei. Ele não me diz nada, Cassie. Nem nome, idade, onde vive. Só que sente que me tem que proteger. E eu sinto isso também.
- Gostava de te conseguir ajudar a descobrir alguma coisa sobre ele…
- Eu sei. Não te preocupes, eu fico bem.
- Está a ficar tarde… devíamos ir.
- Vai tu, eu quero ficar aqui mais um bocado. Não quero ir já para casa.
- Ficas bem? – Chelsea riu.
- Por favor, eu sou a Defensora do Oculto – gabou-se, fazendo a outra rir.
- Claro, quase que me esqueci… e no entanto ainda não sei como ainda não estás morta… com esse jeito todo…
- Ei! – Exclamou a ruiva – Estou a melhorar.
A rapariga dos piercings riu-se e levantou-se, acenando à amiga em seguida e depois seguindo o seu caminho. Chelsea riu-se em silêncio e depois pôs os pés para cima do banco, deitando-se de barriga para cima e pernas flectidas, a olhar o céu. Ela sabia o porquê de ainda estar viva. As aparições daquele rapaz.
Chelsea viu as nuvens a moverem-se lentamente no céu. A esta hora o parque estava praticamente deserto, há excepção de um ou dois sem-abrigos e algumas pessoas que passavam para cortar caminho até chegarem ao destino. A rapariga fechou os olhos e respirou fundo. De novo a imagem do rapaz misterioso invadiu-lhe a mente. Desde o dia anterior, desde aquele beijo, que não pensava em mais nada. Estava no meio de umas tréguas com as preocupações e a aproveitar um momento de paz quando lhe deu uma pontada no coração, que a obrigou a contorcer-se e, consecutivamente, cair do banco para o chão. Ela gritou, e quando se sentiu a aliviar apoiou-se no banco e levantou-se, sentindo outra dor em seguida que a fez cair de joelhos. Levou as mãos ao peito e fechou os olhos com força. Não percebia o que se passava, nunca tinha tido tal dor. Era um misto de preocupação com medo e necessidade. Imagens começaram a aparecer-lhe na mente, ainda de olhos fechados. Viu o rapaz misterioso ser mandado contra uma árvore e esta ficar com poucos ramos a menos. E viu o seu atacante. O Príncipe da Escuridão que já teve o azar de encontrar. Kayor. A dor parou de súbito e quando abriu os olhos é que reparou que estava com as vestes da Defensora do Oculto. O pingente tinha pensado por ela e feito tudo sem que se apercebesse. Este tipo de coisa nunca lhe tinha acontecido, mas era como o rapaz misterioso sabia quando ela estava em perigo. Era como se transformava antes de saber como o fazer. Automaticamente.
- Kayor – murmurou Chelsea, levantando-se com a ajuda do banco.
A rapariga correu com todas as suas forças, apesar de sentir que podia quebrar a qualquer momento. Esta aterrorizada, mas por aquele rapaz, por aquele mascarado que a fazia sentir-se como nunca antes, enfrentaria o mundo se precisasse. Ela reconheceu o sítio que vira como sendo uma das partes mais sombrias do parque, e como tal, encontrava-se ligeiramente afastada.
Um dos sem-abrigos que estava sentado no chão, encostado a uma árvore, abriu a boca de espanto quando viu aquela rapariga esbelta e veloz de cabelos de fogo a correr como se a sua vida dependesse disso.
Após a última curva e o último arbusto afastado, Chelsea viu-os. O rapaz da máscara no chão, e Kayor à sua frente. Tinha na sua mão o que lhe parecia ser um chicote, e no exacto momento em que o levantou e se preparava para chicotear o rapaz já sem forças no chão, Chelsea pôs-se à frente e levou ela com ele. Porém permaneceu de pé.
- Ora, ora, ora – disse Kayor, sorrindo – quem temos aqui? A Defensora do Oculto. Devia saber que não estarias longe.
O Príncipe da Escuridão mandou o chicote para longe e cerrou os punhos, pondo-se em posição de ataque.
- Agora queres uma luta justa? Pensava que não jogavas pelas regras – disse Chelsea. Cada palavra lhe saía destemida pelos lábios, mas por dentro o coração da rapariga estava a mil. “Nunca o vou conseguir vencer”, pensava ela.
- Foge… - murmurou o rapaz, que se levantou e se posicionou ao lado de Chelsea – Sai daqui.
- Não – disse ela.
- Devias ouvi-lo… - Kayor investiu em Chelsea e esta defendeu-se com um novo movimento que Will lhe ensinara na semana anterior, dando-lhe um murro na cara e um pontapé na barriga logo de seguida. Kayor recuou e sorriu maliciosamente – Tens razão… eu nunca jogo pelas regras.
O rapaz com olhos de maldade criou uma Bola de Energia nas mãos e mandou-a à árvore que se encontrava ao lado da Guerreira e do mascarado, fazendo com que alguns ramos caíssem.
- Não! – O rapaz gritou e mandou-se a Chelsea, empurrando-a para longe, ficando ele por baixo de um dos troncos. Chelsea levantou-se do chão e com o poder da mente retirou o tronco de cima do rapaz dos cabelos negros, porém ele continuou imóvel. Estava a fazer um esforço de outro mundo para se manter com todos os sentidos. Ela queria gritar o nome dele como sinal de aflição, mas não sabia como lhe chamar.
Chelsea dirigiu-se a Kayor com a raiva ao rubro e cerrou o punho, dirigindo-o à cara do inimigo. Mas sem saber porquê, o seu corpo parou por completo e Kayor sorriu. Ele tinha mais poderes que ela pensava. Mandou-a contra uma árvore e fez com que alguns ramos pequenos lhe caíssem em cima. Não se dando por satisfeito, ainda a fez levitar e ir de encontra a uma pedra, fazendo-a arquejar de dor. Quando viu que a Defensora não ia aguentar muito mais, diminuiu o ritmo. Deu-lhe um pontapé que a fez cair de joelhos. Chelsea encolheu-se, agarrada à barriga, com dores. Ela olhou para o rapaz que se apresentava à sua frente com o medo espelhado nos olhos, e ele gostou a sensação. Nunca fora olhado dessa maneira pela guerreira que tanto odeia.
- Vamos lá ver que rosto se esconde atrás desta linda máscara… - murmurou o Príncipe da Escuridão, fazendo Chelsea flutuar à sua frente.
A rapariga já estava praticamente acabada. Tinha a roupa toda rota e suja. Os joelhos sangravam e os cotovelos estavam todos esfolados. Tinha um arranhão na cara, perto do olho esquerdo. E além disso já não se sentia com forças. Kayor aproximou a mão do rosto dela e arrancou-lhe a máscara com toda a força, mandando-a para o chão. Chelsea como reflexo fechou os olhos com força, como se pensasse que se não os abrisse, o seu disfarce não seria arruinado. Mas abriu-os pouco depois, com um aperto no coração. Agora tinha as roupas, o pingente, os poderes… mas com a face descoberta sentia-se impotente. Era apenas a rapariga dos cabelos ruivos. Kayor sorriu ao observar os traços daquela feição.
- Bem, é uma pena desperdiçar uma carinha tão linda.
A rapariga engoliu em seco.
- Por favor…
- Vais suplicar? Mas nunca suplicaste – interrompeu-a Kayor, dando uma alta gargalhada.
O rapaz misterioso começou a levantar-se aos poucos, vendo a Defensora do Oculto à frente de Kayor, que estava de costas para ele. Ficou boquiaberto por poucos segundos. “Não pode ser”, pensou. Ele reconheceu-a. Não de uma outra vida, não como sendo a antiga Defensora. Conheceu-a como já conhecia desde bebé.
- Por favor, isso é algo que quero ouvir – insistiu Kayor, para Chelsea – Melhor ainda, tenta manipular-me… tenta… tenta fazer-me acreditar que te queres juntar a mim, por favor. – Chelsea sentiu as lágrimas chegarem-lhe aos olhos. Ela queria chorar mas não podia. Não devia – Qual é o teu nome?
- Vai pr’ó Inferno – retorquiu ela. Kayor riu-se e mandou-a para poucos metros adiante, fazendo-a cair com força no chão. Ela gritou, tinha-se aleijado bastante num dos ombros, mas não o tinha chegado a deslocar. Chelsea rodou sobre o corpo e ficou a observá-lo de lado, antes de se sentar toda torta agarrada ao ombro. Ao olhar naqueles olhos cheios de raiva e impiedade, viu que não tinha escapatória possível. “É mesmo o fim”, pensou para si.
- Chega de perder tempo – Kayor estava a formar uma das suas mortais Bolas de Energia para lhe mandar, mas algo o impediu.
- Não! – Gritou o rapaz misterioso mandando-se contra Kayor, atirando-os a ambos ao chão – Foge daqui caracolinhos de fogo!
E então, já sabem quem é?
Quero saber quem é que acertou :b
publicado por N às 2013-05-13 13:39:17
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-12 19:21:34
Hmm, visto que vocês já leram o anterior e eu não tenho Armadura do Coração...
Mas quero que comentem este!
Capítulo 17
Reacender a Antiga Chama * Parte 2
- Bune – disse Chelsea.
- Defensora do Oculto, encontramo-nos de novo. Assumo que não vais fugir desta vez – disse ele, presunçoso.
- Espero que não tenhas mais truques – murmurou a rapariga dos cabelos ruivos.
- Apenas um… - Chelsea não gostou da conversa. No livro não havia mais nada referente a Bune que ele ainda não lhe tenha mostrado. O círculo de esqueletos começou a recuar e Bune abriu a boca, de onde cuspiu fogo. Chelsea baixou-se rapidamente e o seu coração disparou.
- Claro! – Exclamou – Afinal dizem que és um dragão.
- Prepara-te para conheceres o teu fim, Defensora… - Bune cuspiu fogo uma vez mais e Chelsea, com apenas um movimento simples, puxou um dos esqueletos para a sua frente servindo-lhe de escudo – Como te atreves?!
- Ele já está morto – defendeu-se, encolhendo os ombros.
O homem investiu um murro e ela parou o ataque, dando-lhe um pontapé na zona da barriga. Estava a ficar melhor, os treinos de Will estavam a dar os seus frutos e disso não havia dúvida. Não estava nem perto da perfeição nem da táctica de Faith, mas ao menos sabia os básicos. Continuaram na dança de ataques e defesas durante um tempo até que Chelsea foi mandada a baixo. Bune ia mandar-se para cima dela, mas ela despegou as partes do corpo e um dos esqueletos e trouxe até ela o braço, que ficou espetado em Bune quando este se deixou cair no pensamento de que ia acabar com a rapariga. Ficou trespassado mesmo na zona do coração, e Chelsea rodou-o para ao lado, tirando-o de cima dela para que se pudesse levantar. Já de pé viu a pele abandonar o corpo de Bune e este ficar apenas como todos os outros esqueletos, desvanecendo-se em seguida em pó.
- Eu disse que desta vez estava pronta – disse Chelsea, enquanto via os outros esqueletos, um a um, caírem inanimados para o chão.
- Foi por isso que não intervim desta vez – ouviu, por trás dela. Voltou-se e viu o rapaz da máscara, de cócoras, em cima de um dos ramos mais baixos de uma árvore. Ele saltou para o chão e sorriu – Portaste-te bem, Defensora.
Ela ia-lhe responder, mas algo lhe despertou a atenção. Por trás dele encontrava-se uma roseira já murcha, mas não foi isso que ela viu. Viu-a cheia de rosas vermelhas. Viva, bonita, elegante. A mesma roseira pela qual viu Faith traçar o seu caminho até à cabana no seu sonho. E se ela tivesse razão e não fosse apenas um sonho?
Chelsea caminhou até ao rapaz e passou-lhe ao lado, em direcção à roseira desnuda de flores. Olhou em frente. Era como se soubesse onde se dirigir, como se o caminho estivesse desenhado na sua mente e não fosse sair.
- Vem comigo – pediu. O rapaz ia recusar, mas quando reparou no sítio em que a rapariga estava, quando viu aquela roseira e aquele caminho com que também tanto sonhava, a curiosidade falou mais alto.
O rapaz da máscara seguiu atrás da Defensora do Oculto, mas não precisava. Também ele sabia para onde se dirigiam.
Chelsea fez várias curvas e afastou alguns arbustos até chegar à clareira onde Faith, no sonho, tinha parado a observar o céu. E lá ela viu a pequena cabana de madeira. O alpendre com as três escadinhas e a cerca já partida, a porta meio aberta, toda escancarada, tudo com um ar bastante mais velho. Chelsea não conseguia acreditar no que via, era real, estava mesmo à sua frente.
- Como sabias onde isto era?
Chelsea não respondeu à pergunta do rapaz, tal como ele nunca respondia a nenhuma das dela. Em vez disso dirigiu-se à casa, subiu os três degraus, e entrou. Os vidros das janelas já se encontravam partidos, e a luz que entrava na casa do pôr-do-sol era suficiente para se ver bem tudo o que lá estava. O velho sofá, a mesa redonda, uma vela já pequena e gasta… Chelsea passou por uma porta e foi ter ao quarto. A pequena cama continuava ao centro, apenas com uma colcha fina e branca a cobri-la. A rapariga deixou que a sua mão passasse pelo veludo enquanto se dirigia à mesa-de-cabeceira, e quando lá chegou abriu a gaveta. Vazia. Voltou-se então para o rapaz, que olhava para ela embasbacado.
- É real – murmurou ele.
Chelsea voltou a passar por ele e parou a meio da pequena sala, em cima de um tapete de arraiolos nuns tons de bordô e dourado, já velho e bastante sujo. Ela aproximou-se de uma das janelas e pousou as mãos em cima de uma cómoda, ficando com elas cheias de pó. Havia teias de aranha em todos os sítios.
- Acho que ninguém vem aqui há bastante tempo – disse o rapaz da máscara.
- Acho que ninguém aqui vem há cem anos – murmurou a rapariga, voltando-se para ele – Sei que não me vais dizer quem és, e eu não vou voltar a perguntar. Mas tenho que perguntar outra coisa.
- O quê?
- Acreditas em vidas passadas? – O rapaz ficou boquiaberto por poucos segundos. Não é que ele nunca tenha pensado nessa possibilidade, afinal, com tudo estranho o que lhe aconteceu desde que começou a lutar ao lado da Defensora, vidas passadas e reencarnações não seriam as partes mais estranhas.
- Porque perguntas?
- Porque é que respondes sempre com uma pergunta? – Chelsea foi rápida com a resposta. Estava a ficar farta de jogos. Sentia que ele sabia de qualquer coisa, tal como Will. Mas ninguém lhe contava nada. Queria saber a verdade.
- Não sei se acredito. Mas estaria a mentir se dissesse que não acho isto tudo… esquece, não quero falar disso. Vou embora.
O rapaz saiu pela porta e ia preparar-se para correr quando Chelsea o apanhou desprevenido ao agarrar-lhe no pulso.
- Espera – pediu-lhe calmamente, enquanto o agarrou no pulso, e assim que o rapaz se voltou para ela sentiu-se como se o seu coração lhe fosse sair do peito. Aliás, ambos se sentiam assim. – Eu preciso de saber… desculpa, eu sei que disse que não ia perguntar mas… preciso de saber, eu sinto que… é estranho, eu… Quem és tu?
- Não vou dizer – afirmou o rapaz, voltando-se completamente para ela, após ela lhe largar o pulso.
- Porquê? Eu tenho que saber o teu nome, eu… Porque é que me vens sempre salvar? Sabes quem sou?
- Não – disse ele, respirando fundo em seguida – Não sei quem és, mas sinto… sinto que tenho que te proteger. É como que se por acaso alguma coisa te acontecesse, eu também ficaria mal. Não consigo explicar.
- Como se me conhecesses – ele não precisava de explicar. Chelsea percebia, também ela se sentia assim em relação a ele.
- Sinto que conheço – admitiu o rapaz, levando, hesitante, a mão à bochecha de Chelsea para lhe fazer uma festa – As lutas, tu… esta cabana… é tudo tão…
- Familiar – completou ela, engolindo em seco – Como se o tivéssemos feito antes.
Ela já sabia ser a reencarnação da Defensora, logo já tinha passado pela parte das lutas anteriormente. Mas além disso não tinha conhecimento de mais nada da sua antiga vida.
Mas o toque daquele rapaz, aquela mão na sua bochecha, fazia-a sentir-se como se o mundo pudesse acabar se ele simplesmente desaparecesse de um momento para o outro. E ele também se sentia desse modo. Era como se a tivesse de proteger a qualquer custo. Se tivesse que dar a sua vida para salvar a dela, daria sem pensar duas vezes.
Alguns chamam a isso amor. Outros estupidez. Mas estes dois não sabiam o que lhe chamar, pois não tinham todas as cartas na mesa. Não sabiam metade da história de quem tinham sido no passado.
Num movimento involuntário Chelsea levou a mão à do rapaz mascarado, que ainda lhe acariciava a bochecha, e pela primeira vez olhou para os seus olhos e se deixou absorver por completo. Eram tão profundos. Azuis acinzentados, lindos. Calmos e no entanto agitados enquanto também observavam o seu olhar. Num segundo estavam assim, e no outro a seguir, sem saber bem o que fazia, deixando-se levar pelo calor do momento ou pelos sentimentos de outra vida, o rapaz chegou os seus lábios aos da Defensora do Oculto e deitou uma última olhadela aos seus olhos. Chelsea deu o último passo e juntou os seus lábios aos dele, dando-lhe a certeza de que precisava. Apesar de não saberem quem são, aquilo parecia completamente normal, quase rotineiro. As mãos do rapaz pousaram sobre a cintura de Chelsea e as desta foram até ao pescoço dele, para o puxar mais para si. Era como se aquele momento valesse por tudo. Como se tivessem estado adormecidos até àquele momento e apenas tivessem acordado por meio de uma magia qualquer proveniente do que sentiam.
Aos poucos o rapaz começou a afastar-se até ficarem apenas separados por poucos centímetros, e observou Chelsea minuciosamente. Ela apenas sorria. Como nunca antes. O rapaz voltou a juntar os lábios de ambos para um outro beijo, este muito mais curto, e depois começou a correr, saltando para cima do ramo de uma árvore e voltando-se depois para Chelsea.
- Adeus, Defensora do Oculto – proferiu, com os olhos a brilhar.
Chelsea apenas lhe acenou com a mão, enquanto ainda continuava com aquele sorriso nos lábios.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-12 13:16:51
Eu amo a pt2 deste capítulo, e sei que as mais românticas daí também vão amar, por isso go go go
Capítulo 17
Reacender a Antiga Chama * Parte 1
Chelsea bocejou e o irmão olhou para ela, desviando por poucos segundos a atenção do computador.
- Devias ir dormir – aconselhou ele.
Ela suspirou e afundou-se mais nas almofadas da cama de Richard. Devia, mas não queria.
- Não quero – afirmou. Há três dias que andava atrás do mesmo demónio, e tristemente, ele dava bastante luta.
- Amanhã tens que te levantar cedo Chelsea – insistiu ele.
A rapariga revirou os olhos e desviou os caracóis da cara, à medida que se levantava.
- Pronto chato, está bem. Até amanhã.
- Dorme bem.
Chelsea saiu do quarto do irmão e entrou na porta em frente, o seu quarto. Foi até à casa de banho lavar os dentes e depois correu os estores para que a claridade da rua não lhe invadisse o quarto quando o amanhecer chegasse. Deixou apenas a luz da mesa-de-cabeceira acesa, e sentou-se de pernas cruzadas, com o livro “Demonologia: Demónios de A a Z” no colo. Abriu na letra “b”, e em seguida procurou pelo nome “Bune”, para começar a reler as páginas relativas ao demónio, páginas essas que já lera vezes e vezes sem conta.
A figura do demónio não se parecia com o homem que Chelsea vira já por duas vezes. Era um dragão com três cabeças, uma de homem, outra de cão, e a terceira de grifo. A verdade é que Chelsea vira um homem bastante bem parecido, alto e musculado o suficiente para se conseguir defender. Com uma barba comprida e escura e uns olhos profundos. Na sua roupa sim, identificou a imagem do livro. Bune tinha um manto vestido até aos pés, no qual se desenhava um dragão com uma cabeça de homem no centro, e duas outras nas pontas, uma de grifo e a outra de cão. Todas as três cuspiam fogo.
Ela esteve perto de o apanhar, mas quando pensou que ia vencer, Bune levantou uma mão e todos os mortos do cemitério saíram das suas campas e começaram a andar na sua direcção, deixando a rapariga sem outra opção a não ser fugir. Bune tem o poder de retirar os mortos das suas sepulturas e fazê-los seus servos, tendo obrigatoriamente que cumprir tudo o que ele mandar. Chelsea tem tido pesadelos desde então. Sempre teve, aliás, sempre não, desde que soube ser a Defensora do Oculto. Mas é pior quando sabe que não aniquilou o monstro e ele continua lá fora.
Chelsea bocejou uma vez mais e olhou para o relógio despertador. Uma e meia da manhã.
- O Rich tem razão – murmurou –, está na hora de dormir.
A rapariga foi colocar o livro dentro da caixa de sapatos no cimo do seu armário e depois enfiou-se entre os lençóis, abraçando a sua almofada. Fechou os olhos e não tardou a adormecer, entrando num mundo de sonhos. Porém, não no pesadelo que já temia.
A Defensora do Oculto andava calmamente pelo bosque. Calma, mas decidida. Nada na sua postura mostrava medo ou qualquer índice de indecisão. Não, ela sabia onde ia e o que queria. Desviou uns ramos que se encontravam no seu caminho e olhou o céu. Não havia sinal da lua, apenas as estrelas se deixavam ver. Brilhantes e pequeninas pareciam insignificantes devido ao seu aparente tamanho. Mas Faith sabia que nada era insignificante. Ela podia ser muitas coisas, mas ignorante não era uma delas. Sabia perfeitamente que tudo tinha a sua função, e que quando a cumpria… bem, essa era a parte sobre a qual ninguém nunca falava. Quando uma coisa já não tem mais utilidade morre, acaba, desvanece-se. Esse era o seu maior medo. Que um dia a humanidade já não precisasse dela para os proteger. Mas mesmo assim dava o seu melhor para que esse dia chegasse, porque isso significaria um futuro melhor para todos.
Ela parou e observou a velha barraca de madeira que se encontrava a poucos metros dela. Sabia que no segundo em que lá entrasse deixaria de ser levada pelas suas obrigações de guerreira contra o mal. Sabia que no momento em que passasse pela porta esqueceria todos os seus deveres e apenas se deixaria levar pelos sentimentos aos quais não conseguia resistir.
- O que é que estou a fazer? – Perguntou-se, respirando fundo.
Nunca antes Faith tinha desobedecido a uma ordem. Ela era a lutadora perfeita. Não questionava as ordens, não tinha medo da batalha, não ligava à morte. E depois de um primeiro olhar, apenas depois de uma primeira aparição, mudou completamente. Antes tudo o que importava era a missão e a destruição da Escuridão. Antes Faith não se importava com amizades e achava o amor uma fragilidade. Até que finalmente o encontrou. E no entanto, não conseguia ficar chateada consigo própria, porque o que estava a fazer, fazia-a sentir-se feliz.
A rapariga abanou a cabeça e continuou a andar até chegar à pequena cabana. Empurrou a frágil porta de madeira e esta rangeu à medida que lhe permitia ver o que se encontrava lá para dentro. Estava escuro, não dava para se ver muita coisa. Havia apenas uma fonte de luz: uma vela acendida no centro de uma mesa pequena e redonda ao lado de um sofá velho. A Defensora do Oculto sorriu e fechou a porta, voltando-se de novo para a parte de dentro da cabana.
- Estás atrasada – ouviu. De dentro de outra divisão da casa viu uma figura aparecer, figura essa que se encostou à ombreira da porta – Já pensava que não vinhas.
- Tive que me certificar que não estava a ser seguida – Faith agarrou na vela e caminhou até ao rapaz, iluminando o caminho até lá. Quando chegou à sua frente viu o seu sorriso, e os olhos brilhavam-lhe por trás da máscara. O sentimento estava lá, mas nunca arriscariam expor-se. Podiam ser seguidos, podiam ser apanhados, tanto pelo lado do bem como o do mal.
Num movimento rápido o rapaz com a máscara e a capa negra aproximou o seu rosto do da Defensora e plantou-lhe um beijo nos lábios, beijo esse que ela esperava desde a última vez que se separaram. Andaram às apalpadelas pela parede até a vela iluminar uma pequena cama ao centro do quarto, e Faith pousou-a na mesa-de-cabeceira redonda.
- Devíamos pensar no nosso próximo passo – disse o rapaz, entre beijos, enquanto lentamente se deitava na cama fazendo com que esta rangesse.
- Depois – proferiu a Defensora do Oculto, imitando-lhe o gesto – Neste momento… - ela calou-se e beijou-o. Naquele momento ela apenas o queria a ele.
Chelsea acordou sobressaltada e toda transpirada. Tinha o coração aos pulos e podia jurar que ainda sentia o sabor do beijo do rapaz do sonho. Parecia-lhe tudo tão real. Real demais para ser um simples sonho. A rapariga sentou-se na cama e olhou para a mesa-de-cabeceira, onde viu as horas.
- Outra vez?! – Gritou, levantando-se num instando e correndo para a casa de banho. Estava atrasada… de novo.
Tomou o duche mais rápido da sua vida e vestiu-se num segundo, tinha agarrado nas primeiras coisas que lhe apareceram à frente. Quando desceu as escadas agarrou numa maçã e, despedindo-se da mãe à pressa, começou a correr pelas ruas enquanto a comia. Parou a meio do caminho, estava a ficar cansada.
- Que treta – reclamou, enquanto se preparava para continuar a corrida.
Passou pelo portão da escola e atravessou os corredores velozmente até verificar que a professora ainda não tinha chegado. “Oh graças a Deus”, pensou, enquanto recuperava o fôlego.
❦
- Já sei, já percebi – reclamou ela, encostada ao tronco da árvore mais velha do pátio daquele liceu.
- Acho que não percebeste. Ele não anda a levantar os mortos à toa Chelsea. A Escuridão anda a recolher tropas, não percebes? O Bune é uma prioridade. É a prioridade das prioridades! – Continuou Will com o seu discurso.
- Ela não tem culpa – disse Cassie – Ela não sabia que o demónio levantava os mortos, não é?
- Pois não… e porquê? Porque não liga a nada daquilo que eu digo. Isso estava no livro que lhe dei, se não sabia é porque nem se deu ao trabalho de ler! – Discutiu o rapaz dos cabelos loiros.
- Ainda aqui estou pessoal – meteu-se a ruiva – Não te preocupes, eu vou procurá-lo quando as aulas acabarem, prometo. E desta vez vou conseguir, está bem? Juro.
- Só… isto é importante Chelsea – disse o rapaz.
- Eu sei. Ouve, queria fazer-te uma pergunta… Will… tu achas… - Chelsea parou, a ideia parecia completamente ridícula.
- O que foi? – Insistiu Will.
- Já sonhei com a antiga Defensora… sabes disso, mas…
- Mas… - incentivou Cassie, enquanto mexia os seus piercings com a língua.
- Mas agora já não é só ela a falar comigo. É como… acho… como é que digo isto? Achas possível que esteja a sonhar com a minha antiga vida?
- Com o que sonhaste exactamente? – Quis Will saber.
- Com um rapaz… o mesmo que me vem ajudar às vezes, aquele com a máscara. Sonhei que ele e a Faith, ou… eu, estavam numa cabana no meio do bosque e que estavam envolvidos e…
- Soa-me mais a fantasia do que a memórias – Will sabia ser exactamente o contrário daquilo que dissera, mas não queria Chelsea a pesquisar sobre um assunto que não lhe interessava. Temia que se a rapariga descobrisse mais sobre a antiga Defensora e aquele rapaz perdesse a concentração na missão. Sabia que Chelsea era muito mais ligada aos sentimentos do que Faith, e se Faith se tinha deixado levar por aquele rapaz, então Chelsea seria uma presa ainda mais fácil.
- Não sei Will, foi tão realista… quando acordei parecia que…
- Chelsea, o importante agora é o demónio, não os sonhos, estamos esclarecidos? – O tom saiu-lhe arrogante, o que surpreendeu tanto Chelsea como Cassie, que engoliu em seco.
- Sim, claro – respondeu a ruiva. Ela não acreditava nele, tal como na conversa que tivera com o Guardião Oyuan, sabia que lhe estava a esconder qualquer coisa. E não gostava. Se Will, o único capacitado para a ajudar, lhe escondia coisas, o que lhe restava?
Quando o tempo de aulas terminou Chelsea foi deixar a mala a casa e depois rumou ao antigo cemitério, agora abandonado por todos, apenas com a cerca já curvada e as campas com o aspecto sombrio e frio que ela sempre achou que tinham. Já nem um zelador havia por perto, a maior parte das famílias dos falecidos já tinham também morrido, deixando este pequeno espaço de terra destinado ao esquecimento.
- Este sítio arrepia-me – reclamou a rapariga. Transformou-se na heroína centenária e depois olhou em volta. O sol estava a começar a pôr-se, a hora era aproximadamente igual à dos outros dias – Bune, sei que estás aqui – disse ela – Desta vez estou pronta.
“Ai não, não estou”, pensou, com medo, “não seria perfeito se ele não aparecesse? Completamente, era o melhor dia de sempre…”. Chelsea ouviu um ruído por trás de si e voltou-se depressa apenas para ver uma mão sair de debaixo do chão, seguindo-se o corpo. Os ossos já praticamente nenhuma carne traziam agarrada, e haviam vários bichos a percorrer o crânio e as outras partes do corpo que outrora tinha vivido.
- Isto parece um mau filme de terror – murmurou a rapariga, cerrando os punhos e preparando-se para lutar.
Antes de dar por isso, estava completamente encurralada. Esqueletos altos, esqueletos baixos, uns com só um braço e outros com todos os membros estavam à sua roda, deixando-a cada vez apertada. Estava pronta para os mandar a todos para longe quando eles pararam de se aproximar e abriram uma passagem, por onde um homem passou para dentro da roda.
publicado por Vitor às 2013-05-11 19:00:27

Livro: À Luz da Meia-Noite
Edição: 2013
Páginas: 176
Idioma: Português
Sinopse: Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele.
Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos.
Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender…
Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…
Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos - ou destruí-los - a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?
Análise:
Pode-se dizer que já sou fã dos livros da Sherrilyn Kenyon há coisa de 2 anos (se não estou em erro) e como tal, este livro não foge à regra. Já foi sendo hábito ter cada volume da saga Predadores da Noite com um dado tamanho em termos de páginas, chegando a alcançar aproximadamente as 300. Contudo, este novo livro foi como que uma desilusão não só nesse aspecto mas a nível do decorrer da acção. Passo a explicar:
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-10 23:11:29
Ora, daqui a 46 minutos é o meu dia de anos. Visto que postei este capítulo só com 3 comentários no anterior e 1 na Armadura do Coração, os meus leitores fofos (sim, tu mesmo que estás a ler isso) bem que me podiam dar uma prenda e comentarem comentarem comentarem! Kiss*
Capítulo 16
- Vai… - o rapaz contorceu-se e soltou um grito de dor, que deu um aperto no coração de Chelsea – Vai embora! Afasta-te! Afasta-te de mim!
- Está tudo bem, nós podemos ajudar, nós… - no preciso momento em que Chelsea ia pousar a sua mão sobre o braço do rapaz, este mudou de posição rapidamente e ela, assustando-se, impulsionou-se para trás e caiu. A luz da lua começou lentamente a percorrer toda a serra, e os olhos do rapaz tornaram-se amarelos, para o espanto de todos.
- Fujam – disse ele, num suspiro, antes de soltar outro berro de sofridão. O osso da sua omoplata deslocou-se sozinho, e ele impulsionou-se para trás. O mesmo aconteceu ao outro, e quando Chelsea reparou, depois de ouvir vários ossos a estalar e vários gritos sofridos, o rapaz já não era mais um rapaz. Transformara-se numa criatura com o dobro do tamanho, muito magro e peludo, que se apoiava apenas nas – agora – patas traseiras. Abriu a boca e de lá saiu um rugido medonho e ensurdecedor. Chelsea levantou-se enquanto todos os outros recuavam, e lentamente, sempre de olhos posto no monstro que lhes estava em frente, recuou até aos amigos. O monstro soltou outro rugido e todos eles estremeceram antes de o verem avançar.
- Corram! – Gritou Chelsea. Começaram a correr para o meio do bosque, todos atrás uns dos outros, e com o monstro atrás dele.
- Mas o que é que se passa?! – Gritava Richard, que liderava o caminho.
- É um monstro! – Gritou Helen, completamente histérica – Vamos morrer!
Chelsea era quem vinha em último lugar. Ia olhando para trás e cada vez mais via o monstro aproximar-se. Numa dessas vezes em que se distraiu, quando olhou para a frente, já não viu os amigos e limitou-se a continuar a correr, enquanto seguia um caminho diferente. O monstro seguiu em frente, ele preferia um número maior para caçar. Chelsea parou apenas vários metros depois de constatar que não estava a ser seguida, e dobrou-se apoiando as mãos nos joelhos enquanto recuperava o fôlego. “Que raios?!”, perguntou-se, “aquela coisa era humana”.
Chelsea olhou para o céu e sem querer deixou que a sua boca se abrisse numa exclamação.
- Lua cheia… não é possível – mesmo depois de tudo o que já tinha visto, isto parecia surreal – Lobisomem. Will… tenho que telefonar ao Will… - a rapariga levou a mão à algibeira das calças de ganga e de lá tirou o telemóvel – Não tenho rede?! A Helen tem razão… vamos morrer…
O pânico da rapariga ruiva foi interrompido por um grito vindo de poucos metros adiante, grito que ela reconheceu como sendo da melhor amiga. O seu coração apertou-se e ela engoliu em seco antes de desatar a correr na direcção de onde o som tinha vindo. Parou atrás de uns arbustos ao ver os amigos encurralados pelo lobisomem. Tinham chegado a um penhasco, e Helen estava neste preciso momento pendurada, apenas agarrada por Jensen e PJ, que a tentavam puxar, enquanto Richard se encontrava frente a frente com o amaldiçoado da lua cheia.
“Isto é um problema sobrenatural…”, pensou Chelsea, “o que quer dizer…”, ela respirou fundo e levou a mão ao colar, apertando-o com força. Sentiu um calor percorrer-lhe o corpo da ponta dos pés até à ponta dos cabelos e quando abriu os olhos já não era apenas a Chelsea Burke. Era uma heroína.
- Pára! – Gritou, correndo para ao lado do irmão – Não sei se entendes a linguagem dos humanos, mas se entendes, tens que parar com isto!
Richard olhou para ela estupefacto, enquanto os outros dois puxavam Helen para a beira do penhasco, onde se sentou a tentar acalmar-se.
- Tu és… - murmurou PJ, maravilhado a olhar para a bela guerreira que se lhe estendia à frente.
- A Defensora do Oculto – completou Richard.
Mas ela não lhes prestou atenção. Estava mais concentrada no monstro que lhe rugia e estava preparado para a atacar. Num movimento rápido jogou-se a ela, e ela, com o poder de telicnese, mandou-o contra uma árvore. Ele caiu no chão e ganiu, correndo de novo de volta ao interior do bosque. Chelsea olhou em volta, dando com todos os olhares postos nela.
- Estão todos bem? – Perguntou, na esperança de se poder ir embora quanto antes.
- Sim, nós… esperem lá, onde está a Chelsea? – A Guerreira Defensora engoliu em seco perante o que Jensen dissera, e todos começaram a olhar em volta.
- Não acham…
- Tem calma Richard – interrompeu PJ – Vamos procurá-la. Tu ajudas-nos, certo? – Perguntou, voltando-se para a bela guerreira de cabelos de fogo.
- Eu… - Chelsea não sabia o que responder. Se dissesse que sim, ficariam eternamente nessa busca, porém não os podia deixar ir para o meio do bosque desprotegidos enquanto havia um lobisomem a meio de uma caça, lobisomem esse que ela não sabia, nem queria, destruir pelo simples facto de se tratar de um humano – Eu fico convosco até acharmos o lobisomem. Depois estão por vossa conta.
- Temos que encontrar a minha irmã – afirmou Richard, dirigindo-se de novo para o bosque, com todos atrás.
- Espera. Eu vou à frente – Chelsea estava a morrer de medo, mas nunca deixaria o irmão correr o risco de ser uma presa fácil. Ninguém ripostou, por isso ela começou a guiar o caminho. Por momentos foi constrangedor, ninguém sabia bem o que dizer. Helen ainda estava aparvalhada, já não era a primeira vez que era salva pela Guerreira Defensora, mas acreditava piamente que esta já não se lembrava dela. PJ estava maravilhado pela presença da jovem, nunca a pensara conhecer, e secretamente, uma heroína é a rapariga que todos os rapazes sonham ter. Também Richard estava constrangido. Achava aquela rapariga familiar, mas não conseguia perceber porquê. Já Jensen fora o único a não cair nos encantos da salvadora. Ficara desconfiado pelas poucas palavras por ela proferidas e pelo simples motivo de evitar um contacto visual directo.
- Se perguntasse quem és, respondias? – Perguntou PJ, ao fim de poucos minutos de caminhada.
- Não – respondeu Chelsea, tentando que a voz não lhe parecesse muito normal.
- Bem imaginei – lamentou o rapaz, encolhendo os ombros.
- Disseste que aquilo era um lobisomem… vais matá-lo? Lobisomens são humanos, certo? – Perguntou Jensen.
- Disse, e não, não o vou matar – garantiu a rapariga da máscara.
- Então o que vais fazer? – Perguntou Helen – Achas… achas que a Chelsea pode estar viva? Achas… ela é muito desastrada, se ele a encontrar…
Chelsea parou e voltou-se para os amigos, respirando fundo. Conseguia ver a preocupação nos seus olhares, mas não podia deixar que isso a fizesse baixar a guarda. Não se podia expor.
- Tenho a certeza que ela está bem – afirmou – O lobisomem agora está assustado, não à procura de caça.
- E…
- Shh! – Chelsea fez apenas o som, e Richard calou-se. A rapariga voltou-se para a direita e deu poucos passos, antes de ser mandada ao chão por um monstro alto e peludo. Ele ficou por cima, e com as mãos prendeu as mãos de Chelsea no chão, enquanto se preparava para a morder.
- Não! – Jensen gritou e com um pau começou a bater no monstro, que, largando um braço de Chelsea, lhe deu um empurrão e o mandou contra uma árvore. Helen gritou.
Chelsea deu um murro no focinho do animal e empurrou-o para longe com o seu poder da mente, para lhe dar tempo para se levantar.
- Voltem para o acampamento, a vossa amiga deve ir lá ter – disse ela, em tom de ordem. O grupo assentiu e começou a correr. O mais reticente foi Jensen, que não achava boa ideia deixá-la sozinha com o monstro, mas mesmo assim não ficou – Agora somos nós dois… sê um bom cãozinho, está bem?
Como resposta Chelsea obteve um rugido, e tremeu dos pés à cabeça. O lobisomem ia de novo mandar-se a ela, mas mesmo no meio do salto parou por completo. Ficou imóvel no ar. Chelsea parou de ouvir as folhas das árvores e dos arbustos a abanarem devido ao vento, os pássaros, ou qualquer outro som.
- O que…
- Olá, Defensora – esta voz era-lhe familiar. Voltou-se para trás apenas para ver um homem já idoso e curvado, careca e com algumas rugas da idade. Tinha vestido o seu manto pérola, e os símbolos desconhecidos estavam gravados a dourado e roxo. Na face tinha um sorriso – não nos víamos há algum tempo.
- Oyuan – murmurou ela – Fizeste isto? Paraste o tempo?
- Sim, parei. Obrigado por teres encontrado o lobisomem, mas nós Guardiães podemos tratar do resto. Iremos cuidar dele.
- Não queres dizer… matá-lo, pois não?
O velho Guardião riu.
- Não, quero dizer curar. Lobisomens podem ser curados, e nós temos o poder para isso, o mais difícil e serem encontrados. Não te preocupes, ele vai acordar sem qualquer memória da maldição da lua cheia.
- Isso é fantástico… obrigado.
- Não me agradeças. Vai, acredito que tenhas várias pessoas muito preocupadas contigo.
Chelsea sorriu e voltou às suas normais vestes e cabelo encaracolado, antes de começar a correr. Claro que só algum tempo depois é que se apercebeu que não fazia ideia por onde estava a ir. Demorou bastante tempo até chegar ao acampamento, e quando desviou os últimos arbustos viu Richard sentado com a cabeça entre as pernas, e os outros três na mesma posição.
- Pessoal… estão bem? – Perguntou ela. Ao ouvir a voz da irmã, Richard levantou-se muito depressa e foi abraçá-la como nunca antes.
- Estás viva – constatou, com alívio.
- O que é que aconteceu? O que era aquela coisa? – Perguntou a rapariga, como se não soubesse de nada, enquanto era abraçada por todos os amigos.
- Uma história de terror – murmurou Helen, suspirando.
publicado por Annie às 2013-05-10 20:19:23
one-shot no post anterior.
publicado por bia às 2013-05-10 19:02:22
Sinto-me sozinha, sinto-me confusa, sinto que não tenho ninguém com quem falar e que ninguém está realmente interessado.
Talvez tenha, mas apenas não sei como hei de abordar assuntos como sexo, amor ou até o meu futuro... falar sobre mim.
Eu penso "quero sair daqui e ir para um sitio completamente diferente e conhecer pessoas novas", mas depois... "mas eu aqui não sou capaz de me dar com ninguém, como é que sei que noutro lugar não iria acabar na mesma?".
Acho que já nem sei comunicar com as pessoas.
Não entendo.
Será muito estranho? Ou s(...)
publicado por N às 2013-05-10 11:24:07
De uns tempos para cá, ando a ver vestidos de noiva, até já escolhi um que adorava para mim (a ranhosa da Filippa foi a única que não gostou), já tenho uma música que digo que vai ser para quando entrar na igreja, que olho para bolos de casamento no Ace of Cakes e penso como queria que fosse o meu. Tu isto seria super normal se:
1- Tivesse namorado;
2- Se não tivesse quase 20 anos;
Serei só eu ou é geral nas raparigas idealizarem este dia?
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-09 22:18:14
Não se esqueçam de ler a DDO...
Capítulo 8
Perto do Lago Roods esperavam-nos o exército do sul, que há anos tentava ultrapassar o lago e instalar-se no norte. As tropas lá colocadas precisavam de reforços para os fazer recuar, e assim que Samantha e os seus companheiros chegaram o confronto intensificou-se. Houve baixas dos dois lados, como sempre havia num combate, mas os oponentes tinham-se retirado antes que tomassem proporções preocupantes.
Cinco meses tinham passado. Cinco meses num acampamento de soldados onde apenas a primeira semana tinha sido de confrontos. Cinco meses em que Samantha apenas ia tomar banho ao rio quando tinha sorte, a meio da noite, quando sabia que todos estavam a dormir. Cinco meses com piadas de homens sobre o quanto sentem falta do calor feminino. Cinco meses, para não dizer mais, aborrecidos.
- Não - Nao mais, aborrecidos.
s sobre o quanto sentem falta do calor feminino. abia que todos estavam a dormir. sse bastante. dormes mal assim? Deve dar um mau jeito – comentou Quorq.
- Vais ficar com uma dor de pescoço – riu Eresm.
Eles passavam todo o tempo a gozar com a insistência de Samantha em não tirar o elmo. Ao princípio era porque lhes fazia mesmo impressão, mas então, depois de habituarem à bizarrice daquilo, era apenas para a chatear.
Ela encontrava-se sentada no chão, encostada a uma árvore junto à fogueira, com a cabeça encostada ao tronco e os olhos cerrados.
- Preocupem-se com o vosso pescoço – mandou. Eles riram.
- Não tens fome? – Perguntou Eresm.
Estavam os três de vigia enquanto o resto do acampamento dormia, e Samantha já não tinha mais paciência para aturar aqueles dois. Eram boas pessoas, sim, bons soldados também, mas eram chatos como tudo.
Para os calar, pegou num pedaço de carne e levantou o elmo só o suficiente para o conseguir trincar e comer.
- Nem sei porque continuamos aqui. Vencemos o exército do sul. Se fossem regressar, tinham-no feito há quatro meses e três semanas – Pensou em voz alta – Deviam-nos designar para outro lado. Não estou aqui a fazer nada. É uma perda de tempo.
- Nisso concordo contigo. Sabes… continuo a tentar imaginar como é o teu rosto – disse Quorq, fazendo Eresm rir e Samantha revirar os olhos – Vá lá Samuel, só uma espreitadela.
Samantha ia resmungar, mas estava-se a sentir tão entediada que decidiu divertir-se um pouco.
- Tudo bem – pegou na sua espada e levantou-se – Tu vences-me, eu mostro-te a minha cara. Tu venço… nunca mais falamos disto. De acordo?
Quorq sorriu presunçoso. Já tinha visto o “colega” lutar em combate, mas era parte do seu feitio achar que era melhor que todos. Além disso, estava tão aborrecido quanto Samantha.
- De acordo.
- Tudo bem – concordou Eresm.
Ambos se puseram frente-a-frente e empunharam as espadas com segurança. Após algumas ameaças, Samantha foi a primeira a investir num ataque, começando assim uma longa dança de ataques e defesas e ataques e defesas. Eles baixavam-se, pulavam, rolavam pelo chão. Nenhum queria perder. Mas um tinha que o fazer. O momento decisivo foi quando a rapariga, com um golpe sortudo, roubou a espada ao adversário e as empunhou às duas em direcção a ele.
- Parece que venci – disse, sentindo-se vaidosa, passando-lhe a espada para as mãos – Espero que mantenham a vossa palavra.
Enquanto Samantha voltava costas para se afastar e se voltar a sentar onde anteriormente estava, Eresm e Quorq trocaram um olhar enquanto o segundo se remoía por dentro. Como é que ele, homem feito e alto e musculado, se tinha deixado vencer por aquele “trinca-espinhas”?
Ia avançar para Samantha quando uma mão o parou, agarrando-o por trás pelo ombro.
- Um soldado mantém a palavra – disse uma voz bastante forte –, e aceita a derrota.
Samantha voltou-se e viu Raj, o comandante do esquadrão, e sorriu por dentro do elmo. Aquele homem pele tom de caramelo e cabelos negros era completamente divino.
- Mas sente a vergonha de ser derrotado – contrapõe Eresm, em defesa do amigo –, e pede a desforra.
Samantha revirou os olhos. Porque é que lhes custava tanto admitir que não eram os melhores em tudo? “E não sabem eles que sou rapariga”, deu por si a pensar.
- Mas sente o respeito pelo oponente, respeito esse suficiente para reconhecer que é melhor que ele – insistiu Raj – E, nesta luta, o Samuel lutou melhor.
- Obrigado, comandante – agradeceu Samantha.
- Mostra um grande empenho da tua parte, soldado – elogiou o comandante –, e uma grande ambição também. O teu trabalho vai ser recompensado.
- Se não morrer numa batalha – balbuciou Quorq entre dentes.
- Se eu morrer será depois de ti – retorquiu Samantha.
- Pensando dessa maneira, é mais que certo que nenhum de nós dure por mais de quatro dias – perante aquela afirmação do comandante, os três soldados pararam de se insultar mutuamente e olharam para ele na expectativa – Acabei de receber um telegrama de espiões de várias localidades. Há rumores de que uma cilada está a ser armada ao rei.
- Ao rei? O que quer dizer? – Perguntou a rapariga, completamente apanhada de surpresa.
- Eles acreditam que alguém esteja a planear assassiná-lo em três dias. Têm havido várias baixas no seu exército privado, e se o rei não protege ou segura o que tem agora… temo que em breve não tenha quem o proteja a ele – pensou Raj em voz alta – De qualquer maneira, foi-nos dada a missão de ir imediatamente para a Cidade Real e protegê-lo.
- Quatro dias… conseguimos chegar lá a tempo? – Perguntou Eresm.
- Vamos despertar todos. A Cidade Real aguarda-nos, soldados.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-09 14:38:46
Capítulo 16
O Lobo Mau * Parte 1
- Estão a falar a sério? – Perguntou Chelsea, com uma voz de quem já não estava a gostar da conversa.
A rapariga e o irmão estavam ambos sentados no sofá, enquanto os pais estavam de pé em frente a eles. Margaret e Norman olhavam para os filhos expectantes, tinham uma boa intenção.
- Claro, porque não? – Respondeu Margaret em tom de pergunta.
Arnold e Dakota tinham-se ido embora no domingo, depois do evento em que Chelsea participou, e a semana e escola e trabalho continuou como normalmente.
- E porque sim? – Retorquiu Richard – Mãe, vai ser tão aborrecido…
- Não vai nada – insistiu Norman – Nós costumávamos ir acampar quase todos os fins-de-semana quando vocês eram mais pequenos, e vocês adoravam.
- Quando éramos mais pequenos – fez Chelsea questão de mencionar – Não quero ficar presa no meio do mato por dois dias.
- E eu já tenho coisas combinadas com o pessoal – Richard referia-se a Jensen e PJ, e tanto Chelsea, como os pais, perceberam. Aqueles três não estavam um dia sem se verem.
- Então trás o pessoal! – Disse Norman, cheio de entusiasmo.
- Hum…
- Ai não! – Chelsea não deixou o irmão acabar – Se o parvalhão do Jensen vai então é que eu não vou mesmo. Nem sonhem nisso.
- Não compliques filha, vá lá – Margaret quase que implorou, e Chelsea bufou. Ela detestava que a mãe lhe suplicasse. Preferia que gritasse, ralhasse ou mandasse. Mas nunca suplicar. Porque Chelsea sabia que não conseguia dizer não quando os olhos de Margaret se punham a brilhar e ela fazia beicinho como as crianças.
- Eu aceito se a Chelsy aceitar – disse Richard.
- Está bem – disse a rapariga dos caracóis ruivos, com uma voz contrariada – Mas também vou levar gente. A Helen e o Tony. Sem discussões.
- É justo. Tu e a Helen podem ficar numa tenda e os rapazes ficam noutra, nós temos uma grande que dá para eles todos. Eu e o pai ficamos na outra e pronto, que tal? – Programou Margaret.
- Tudo bem, já podemos ir? – Despachou Richard.
- Podem… mas não se esqueçam de avisar os vossos amigos e de arranjar as coisas para levarem – disse Norman, de dedo espetado.
- Sim pai – Responderam os dois ao mesmo tempo, levantando-se. Richard subiu em direcção ao quarto, e Chelsea saiu pela porta da rua e contornou a casa. Estava-lhe a apetecer ficar sozinha, sem barulho, no meio do nada. Ela gostava da natureza, mas não gostava de ficar afastada de tudo, e por isso é que não gostava da ideia de ir acampar. É que a Serra de Diamond City é conhecida pela sua magnífica paisagem, e por ficar completamente aparte do resto do mundo.
A rapariga desviou uns quantos ramos e começou a andar por entre as ervas, calmamente. Respirou fundo, ela gostava deste cheirinho a natureza que se deixava passear pelo ar. Gostava de ouvir o alegre chilrear dos pássaros por cima da sua cabeça, desde que não fosse acordada assim. O que não lhe agradava eram os bichos. E na serra ia ver bastantes. Num ano até saiu no jornal a fotografia de dois campistas que encontraram uma cobra de dois metros e a mataram pois foram atacados. “Eles devem ser malucos”, pensou ela, acerca dos pais, por os quererem levar para lá.
A rapariga levou a mão ao bolso das calças e de lá tirou o seu telemóvel, para em seguida telefonar a Helen.
- “Estava mesmo a pensar em ti” – atendeu-lhe a amiga.
- Óptimo. Ouve… que me dizes a vires acampar na serra comigo e com a minha família amanhã? Eu sei, é em cima da hora, não tenho culpa. Vamos de manhã e voltamos domingo à noite. Por favor diz que sim – disse Chelsea tudo de seguida. Do outro lado, por vários segundos, apenas se ouviu silêncio, e depois Helen suspirou.
- “Porque não? Vais convidar mais alguém?” – Perguntou ela. Chelsea sorriu vitoriosa, ao menos já não ia ter que aturar Jensen sozinha.
- O Tony. E o meu irmão vai levar o PJ e o estúpido do Jensen…
- “Uh, o PJ” – disse a rapariga, rindo-se do outro lado – “Não seria fantástico se no meio de toda a natureza, à luz das estrelas, o PJ te pedisse para falarem a sós, levar-te para um sítio especial e finalmente…”
- Pára – parou-a Chelsea –, já percebi onde isso vai parar. Não sei… sinceramente não sei, acho… acho que ele não é tão mágico como eu pensava.
- “O que aconteceu?” – Helen soava surpresa – “Oh meu Deus, conheceste alguém? Eu sabia! Andas diferente desde a angariação de fundos!”.
Chelsea corou involuntariamente e sorriu, deixando a mão com que segurava o telemóvel descair e suspirando fundo. Helen tinha razão, ela andava diferente. Depois de ter tido aquela dança com o rapaz mascarado algo mudou nela. Como uma chama que acendeu de um momento para o outro. Mas isso não era bem assim, porque Chelsea sentia que apesar de único, aquele sentimento não era novo. Era uma estranha sensação de déjà vu com aquele rapaz misterioso que lhe acelera o coração. Aquele toque suave na sua mão, o sorriso com as covinhas nas bochechas, aqueles olhos azuis.
- “Chelsea? Olá? Estás aí?” – Só quando Helen gritou é que Chelsea parou com os pensamentos e regressou à realidade, levando o telemóvel de volta ao ouvido, depressa.
- Sim, estou – respondeu – Então amanhã vem cá ter às nove horas, está bem? Agora tenho que telefonar ao Tony. Beijinhos, adoro-te.
- “Aposto que não ouviste nada do que disse” – resmungou Helen – “Está bem, está. Até amanhã, beijos”.
❦
- Eu só estou feliz por ele ir lá fora, como os cães – disse Chelsea, referindo-se a Jensen, que ia na sua mota em vez de na carrinha da família Burke.
- Chelsea – repreendeu-lhe a mãe, abanado a cabeça – Vocês nunca se deram bem, mas por amor de Deus, não me arranjes confusões neste fim-de-semana.
- Eu? Ele é que começa sempre – defendeu-se a rapariga.
A viagem ainda demorou umas quatro horas, e quando chegaram começaram a subir a serra de carro até um estacionamento. A partir daí tiveram que carregar as coisas à mão, mas não tiveram que caminhar muito até chegarem a uma boa clareira. Mas foi o suficiente para Chelsea já não saber por onde era o caminho.
- Toca a montar as tendas – disse Norman.
Chelsea começou a tirar a dela de dentro do saco e com a ajuda de Helen começaram a montá-la. Já os pais dela e os rapazes tinham acabado de montar as tendas, e elas ainda estavam no princípio.
- Ai caracolinhos, não sabes fazer nada de jeito – reclamou Jensen, indo ajudá-la em seguida. Ela revirou os olhos, mas não respondeu.
Era hora de almoçar, e Norman foi assar carne que tinha trazido de casa, enquanto Margaret foi procurar o pacote das batatas fritas e as bebidas.
Comeram todos sentados no chão, entre conversas e risotas. Jensen gozou com Chelsea quando esta se levantou alarmada por uma aranha lhe ter parado na perna, e ela amuou a partir daí. Havia uns balneários a poucos metros, e foi lá que Margaret e Norman foram lavar a loiça, deixando que o grupo de amigos fosse explorar a área, mas que não se afastassem.
- Não acredito que me arrastaste para aqui – disse Helen para Chelsea, enquanto caminhavam atrás de Jensen, PJ e Richard – A esta altura está o Tony descansadinho da vida e eu aqui no meio do mato…
- Não sejas má, ele já tinha coisas combinadas – disse-lhe a amiga – Além disso isto é… diferente.
- Isso nem sempre é bom – meteu-se Jensen.
- E nem sempre é mau – retorquiu Chelsea, com a voz azeda.
Os rapazes pararam de súbito e elas embateram neles, para logo em seguida resmungarem.
- Olhem ali – apontou Richard, para poucos metros para a esquerda.
Ninguém viu nada, mas ele começou a dirigir-se lá e todos o seguiram.
Após afastarem vários arbustos e de se baixarem para passar por alguns ramos das árvores mais baixas, puderam ver um pequeno lago cheio de água brilhante e limpa, que provinha de um buraco entre duas pedras altas. Chelsea abriu a boca de espanto, nunca pensou que uma beleza natural se pudesse encontrar naquele sítio, porque apesar de já ter acampado na serra, não se lembrava de nada.
- É lindo! – Exclamou ela, dando uns quantos passos em frente até à água.
- Parece tirado de um filme… - opinou PJ, aproximando-se da amiga.
- Concordo – afirmou Jensen, também espantado.
- Que dizem a ficarmos aqui por um bocadinho? – Perguntou Helen – Já andámos tanto, e este sítio é tão bonito… vamos relaxar, vá lá.
- Por mim tudo bem – disse Richard, sentando-se em cima de uma pedra alta, perto das duas por onde saía a água. Os amigos imitaram-no, e ficaram em silêncio por pouco tempo. Tudo às suas voltas lhes transmitia paz.
Chelsea fechou os olhos e inspirou o aroma do carvalho juntamente com erva e até a água que se estendia à sua frente. Ela suspirou, ainda de olhos fechados, e começou a imaginar como seria se tivesse o “seu” rapaz da máscara estivesse com ela neste preciso momento. Imaginou-os à beira da lagoa, ambos com os seus fatos de batalha, ambos com sorrisos nos lábios. Imaginou-os de mãos dadas e olhos colados, e só de pensar no toque da pele daquele rapaz na dela até lhe deu um calafrio. “Seria perfeito”, pensou ela, sorrindo uma vez mais.
- O que é que tu tens? – Perguntou Richard, fazendo Chelsea abrir os olhos e olhar para ele.
- Nada, estava só a pensar – justificou-se a ruiva, encolhendo os ombros.
- Parecias mais estar a sonhar – opinou Jensen, com um sorriso de gozo.
- É, aposto que estavas a pensar no teu novo amor, estou certa? – Helen fez com que Chelsea corasse, e esta engoliu em seco.
- O quê? Novo amor? Que conversa é essa? – Perguntou logo PJ.
- É que a nossa ruivinha tem andado muito sonhadora ultimamente… só não me diz quem é o felizardo… - disse Helen.
- Nunca te ocorreu que posso estar feliz só por estar? – Chelsea tentou desviar a conversa, mas como resposta todos a ficaram a encarar – Muito bem, nesse caso, eu digo: não conheço ninguém especial.
E ela não mentiu. Ela de facto não sabia quem ele era.
O grupo ficou durante mais um tempo ao pé do lago, até Jensen ter tido a brilhante ideia de mandar Chelsea lá para dentro e desta se ter enfurecido e dirigido de volta às tendas sozinha. Claro que os outros a seguiram logo, não soubessem eles o terrível sentido de orientação da rapariga.
Já estava o sol a pôr-se quando chegaram ao acampamento, e o xerife Burke já estava a grelhar mais carne. Aparentemente iam passar os dois dias a comer a mesma coisa.
Depois de comerem, Norman e Margaret decidiram ir até ao café ao pé do sítio onde estacionaram o carro, e deixaram o grupo de amigos ao pé das tendas. Depois de Chelsea e Helen lavarem a loiça, sentaram-se todos no chão, em círculo.
- Sabem o que podíamos fazer? – Perguntou Jensen, a rir-se.
- O quê? – Perguntou Helen.
- História de terror. E eu sei uma perfeita… Houve uma vez em que um grupo de amigos veio acampar para esta mesma serra - e então Jensen começou o seu relato. Ao meio já Chelsea tremia da cabeça aos pés, ela odiava histórias de terror com todas as suas forças – e depois ouviram um barulho… aproximaram-se mais, e mais, até que… buh! – Jensen gritou esta última parte, e Chelsea deu um berro e saltou.
- És mesmo estúpido! – Gritou a rapariga dos caracóis ruivos com o coração aos pulos.
Todos se riram.
- Tu é que és demasiado medricas – disse Richard, fazendo com que ela lhe desse um murro no braço devagar.
Estavam ainda todos a rir da figura de Chelsea quando esta ouviu um barulho proveniente dos arbustos por trás dela e se virou. Observou-os por um tempo, mas não notou qualquer movimento. Porém tinha um mau pressentimento. Muito mau.
- O que foi? – Perguntou PJ, quando reparou que a amiga estava voltada para trás.
Chelsea abanou a cabeça e levantou-se lentamente.
- Não sei, acho que ouvi alguma coisa… - ela desviou os arbustos e viu um rapaz no chão, deitado, todo encolhido.