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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 15:22:50
Capítulo 22
Apenas o Princípio * Parte 1
- Isto é tão aterrador – murmurou Chelsea, enquanto caminhava pelo corredor quase isento de luz no qual tinha ido parar após ter atravessado o portal para o Mundo da Escuridão.
- Olha-me para estas figuras… parecem pessoas – opinou Jensen, apontando para seres que estavam imóveis, feitos de cera, encostados à parede por uma grande parte do corredor. Chelsea aproximou-se de um e tocou-lhe.
- É porque são pessoas – murmurou, vendo o terror espelhado nas caras dos bonecos de cera todos curvados e com posições de quem pede misericórdia.
Chelsea aproximou-se de um cavaleiro da Idade Média, com uma espada nas mãos, e retirou-lhe a espada. Ele era apenas um boneco, mas a espada era bem real. Foi à parede paralela e retirou a espada ao outro boneco, dando-a a Jensen.
- Tu sabes sequer como manusear isto? – Perguntou ele.
- Vou aprender sob pressão – disse a rapariga.
- Talvez devesses ir… isto é perigoso e… eu podia tratar disto e ia ter contigo em menos de nada. Vai.
- Estás maluco? – Chelsea parou a meio do corredor e voltou-se para ele – Não.
- Mas… tu vais morrer aqui. Vá lá Chels, nós vamos todos morrer aqui. Salva-te.
- Achas que não sei disso? – Perguntou-lhe, chocada – Eu conheço as histórias, sei que não tenho o poder necessário… Mas não posso fugir Jensen. Acredita em mim, é o que mais quero agora. Mas não posso. Não te posso deixar aqui. Nem a ti, nem ao Will.
- Nem sabes se ele cá está. Só porque não sabes onde está, não quer dizer que esteja aqui.
- Ele está. Chama-lhe intuição.
Jensen suspirou e olhou em volta. Ele estava preocupado com a amada. Não queria que nada de mal lhe acontecesse, mas sabia que era demasiado teimosa para voltar para trás. Só esperava que não se magoasse. Sabia que não tinha as aptidões suficientes para lutar esta luta, que o confronto se estava a dar cedo demais. No fundo, sabia que as chances da bela rapariga de caracóis ruivos morrer eram elevadas.
- Devias confiar nela, as suas intuições da Defensora costumam estar certas – ouviu-se pelo corredor. Chelsea reconheceu a voz como a de Lyux.
- Onde estás? – Gritou a Defensora do Oculto, enquanto olhava para todos os lados.
- Apressa-te… ou o loirinho acaba por as pagar – avisou a voz.
Chelsea olhou alarmada para o rapaz da máscara e em seguida desataram os dois a correr pelo corredor que parecia interminável. Chegaram a uma porta dupla, de pedra escura, que se abriu sozinha, e lá dentro puderam ver uma sala redonda com cinco cadeiras grandes posicionadas mais acima da altura do chão. Numa dessas cadeiras estava Lyux, saudando-os com um sorriso. Já Will encontrava-se à sua frente, desmaiado no chão.
- Will – murmurou Chelsea, correndo até ao rapaz para verificar se estava bem. À medida que se aproximava, via outra silhueta aparecer-lhe ao lado – Cassie…
O som da gargalhada de uma das cinco Bruxas da Escuridão fez-se ecoar pelo palácio, e Chelsea olhou-a com raiva.
- Pensava que vocês eram cinco – disse Jensen, para dirigir a atenção de Lyux para si.
- Éramos… deixa-me perguntar uma coisa: o que sabem sobre aquela noite? Aquela em que a Defensora nos deixou miseráveis? – Lyux levantou-se e desceu as escadas, fazendo com que Chelsea retrocedesse e empunhasse a espada simultaneamente.
- O que achas que não sabemos? – Perguntou Jensen.
- A Defensora estava a planear algo contra nós, e tínhamos de agir. Tínhamos um plano, íamos juntar forças, seria tudo melhor. Mas depois a nossa gloriosa irmã, Xay, decidiu fazer tudo sozinha. Ela sempre foi sedenta de poder… uma verdadeira bruxa, se me permitem o trocadilho.
- Xay… - murmurou Chelsea.
- Se não fosse por ela, a Escuridão poderia ter vencido. Desde essa época que nos separámos. E as trevas começaram a erguer-se de novo. Recusámos trabalhar em conjunto, às vezes é mais produtivo fazer tudo sozinhos. Porque em poucos minutos, eu poderei afirmar que eu matei a Defensora. E então todos me temerão a mim. Não a um grupo de pessoas. Só a mim.
- Espera lá um bocadinho – ouviu-se, de novo em eco. Era uma voz mais fininha e algo irritante. Saída do nada, apareceu uma rapariga com um top a mostrar o umbigo, preto, e uma saia até aos pés, da mesma cor. Tinha um cabelo castanho clarinho, e uns olhos escuros.
- Blinke – disse Lyux entre dentes, forçando um sorriso – O que fazes aqui, irmã?
- Achei alguém perdido nos nossos corredores – Blinke, outra Bruxa da Escuridão, estalou os dedos e apareceu Richard, mesmo no centro da sala, desnorteado e a olhar para todos os lados.
- Richard – murmurou Chelsea, sentindo o seu coração a disparar. Como se não bastasse terem os seus amigos, tinham agora também o seu irmão.
- Desculpa, queria ajudar… ela apanhou-me e… - Richard ia andar em direcção à irmã, mas uma força invisível mandou-o de encontra à parede, fazendo com que Chelsea gritasse de pânico.
- Eu não disse que te podias mexer – disse Blinke, sorrindo e aproximando-se de Chelsea – Ora, ora, ora, ela não é uma gracinha? Tu arruinaste mesmo as coisas para os nossos lados…
- Não é como se isto fosse o meu passatempo preferido – respondeu a Guerreira Defensora.
- Queres ver qual é o meu? – Perguntou Lyux, aproximando-se também mais.
Chelsea engoliu em seco. Aquilo só podia indicar que algo pior estava a caminho. A Bruxa não esperou que alguém lhe dissesse nada, e levantou Cassie com o poder na mente, virando-lhe o pescoço a 180º num ápice, e deixando-a cair de novo.
- Não! – Gritou Chelsea, ao deixar as lágrimas escorrerem desalmadamente – Porque é que fizeste isso?! Ela não te fez nada, era inocente!
Jensen agarrou na namorada para que esta não fosse ter com o corpo sem vida da rapariga dos piercings. Para que não ficasse desprotegida. Richard, que se estava a levantar naquele momento, deixou-se cair de novo para o chão, horrorizado.
- Tens razão – disse Blinke, para a irmã – Isso é divertido. Posso fazê-lo agora?
- Tanto faz – respondeu Lyux, encolhendo os ombros. Blinke olhou para Richard e sorriu maliciosamente.
- Não… não, não, não, não, não – disse Chelsea, soltando-se do braço de Jensen para atacar Blinke com a espada. Mas assim que o fez, a lâmina quebrou antes sequer de atingir a Bruxa, e esta riu-se ao mesmo tempo que impulsionou a Defensora do Oculto para poucos metros adiante, fazendo-a cair brutalmente no chão.
Foi a vez de Jensen investir, mas Lyux agarrou-o pelo pescoço e mandou-o também para longe, com a maior das facilidades.
- Não o faças – pediu o rapaz, a Blinke.
Chelsea usou o seu poder de telicnese para mover também as Bruxas, mas estas poucos milímetros se moveram. Ela não era forte o suficiente.
Richard começou a sentir a pior sensação de todas quando se sentiu ser levantado apenas pelo ar. A sensação de saber que ia morrer e não havia nada que pudesse fazer para o impedir.
- Pára! Pára! – Gritava Chelsea, enquanto, ao levantar-se corria para as Bruxas. Mas Lyux fê-la ficar encostada à parede sem se poder movimentar, e a rapariga apenas tinha o desespero para se agarrar – Richard! Não! Pára! Não o magoes!
Jensen foi também preso à parede e fechou os olhos com força quando ouviu o estalar de um osso e um grito estridente dado pelo melhor amigo. O seu joelho tinha sido quebrado, e as Bruxas riam.
- Devíamos ter pensado nisto mais cedo – ria-se Blinke, enquanto Chelsea chorava e gritava ao mesmo tempo.
Jensen deixou escorrer uma pequena lágrima pela bochecha. Para ele, estava tudo acabado, nunca as conseguiriam vencer.
- Por favor pára… - foram as últimas palavras que a rapariga do cabelo ruivo disse antes de também a cabeça do seu irmão se voltada com brutidão e o seu corpo cair inanimado no chão. As lágrimas começaram a escorrer-lhe velozmente pelas bochechas rosadas enquanto gritava e sentia uma dor agonizante no coração – Não o meu irmão… Richard…
O que acontecia depois? Como iriam os seus pais reagir? Se fosse apenas ela a morrer, ainda se poderiam recompor, mas sendo os dois filhos Chelsea temia que nunca mais fossem sorrir. O seu pai iria certamente culpá-la. Iria amaldiçoá-la por ter levado o irmão para dentro dos assuntos paranormais e por o ter levado à morte.
E os pais de Cassie… como seria explicada a sua morte? Ser-lhes-ia apenas dito que ela estava desaparecida? Se as Bruxas nunca deixassem o corpo na Terra, não seriam todos eles apenas dados como desaparecidos? Ninguém nunca lhes conheceria o destino… o triste fim.
- Vês Defensora? – Perguntou Blinke, caminhando lentamente até ela – Sentes agora o que nós sentimos quando nos tiraste tudo?
Chelsea olhava para o chão e tinha as mãos cerradas em punho. Não se sentia com quaisqueres forças, a única coisa que a fazia permanecer em pé era a barreira invisível que a impelia contra a parede, e quando Blinke a retirou, a rapariga dos cabelos ruivos caiu para o chão e não se moveu. Era como se estivesse presa no seu próprio mundo.
- Agora sabes como nos sentimos – continuou Lyux, aproximando-se também – Mas não penses que acabámos por aqui… - a rapariga olhou para Jensen e sorriu – ainda não te tirámos a coisa que mais amas.
Acho que me devia proteger bem porque algumas de vocês vão-me querer matar :x



































