publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-24 19:25:36
Imagina só, somos aliens. Mas mais giros do que aqueles dos filmes. Vá, temos dois olhos. Podem ser pretos. Imagina que vivemos noutro planeta, onde as pessoas não falam, cantam sem desafinar. Não apontam o dedo a ninguém porque não têm a ponta dos dedos. As pessoas vivem todas umas ao pé das outras mas não fazem barulho. E dão espaço aos outros para escolherem. Acreditam no amor, na amizade. Imagina só que podemos andar de mãos dadas. Posso segurar-me às tuas cavalitas. Seria giro. Não termos de fugir da dor, porque não há. A dor seria apenas causa de tanto para dar e não saber como. Não há rancor sobre memórias. Lá, temos o que vivemos. Somos o que queremos. No outro planeta também vamos morrer porque a imortalidade tira o melhor que temos. A pouca certeza de termos mais tempo. É aproveitar, é aproveitar enquanto dá. Imagina só podermos sentar no meio da estrada, com um caminho em comum. Éramos aliens bem giros. Com roupas baratas mas com estilo. Lá ter estilo não interessava para nada. Contava apenas a alma. Não existia segredos para contar. Traições para perdoar. Nada. Depois vínhamos aos fins-de-semana ao planeta Terra para ver a sorte que tínhamos em ser aliens. Tínhamos coragem de contar todas as verdades. Podíamos dizer, “oh humanos, não conseguem ver o tempo que perdem com medo de fazer diferente?”. E seguiamos viagem numa nave laranja ou vermelha, porque o senhor destino assim que nos viu juntos, disse: “não vale a pena contrariar este caminho da mortalidade, estão condenados um ao outro”. No planeta terra ninguém diz nada, temos de tentar acreditar que sim, que é assim. E descobrir muitas vezes só depois, depois e depois. Quando já se perdeu tempo demais. E nisso os aliens têm razão. Se têm.

















