publicado por ariana às 2013-06-20 01:49:10
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Lhuna
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F
publicado por ariana às 2013-06-20 01:49:10

Tapa os ouvidos que os pássaros cantarão, fecha-te em ti que o vento soprará, fecha os olhos que o mundo girará sem parar.
publicado por Miguel Alexandre Pereira às 2013-06-20 00:07:26
A vigésima primeira edição desta rubrica dá ênfase a um dos temas mais polémicos nesta viragem de século – o aborto (ou interrupção voluntária de gravidez). Em Portugal, esta prática foi legalizada através de referendo realizado em 2007. O resultado oficial foi 59,25% "sim" (2.231.529 votantes) e 40,75% "não" (1.534.669 votantes). Em 1998, esta questão já tinha ido a referendo, mas nessa altura o “não” venceu com 50,9% dos votos. A proximidade dos resultados demonstra a controvérsia desta temática na sociedade portuguesa…
Em 2009, o total de interrupções voluntárias da gravidez foi de 19 572, tendo 18 951 sido realizadas por opção da mulher nas primeiras dez semanas de gravidez. Mas afinal o que é esta prática? Pode dizer-se muito sumariamente que o aborto é a remoção de um embrião ou feto, que neste caso ocorre de uma forma artificial, provocando a morte do mesmo. Em Portugal, este método só é permitido até a décima semana de gravidez. O conceito de vida é uma das questões que leva a esta temática ser bastante complexa e que provoca uma grande dificuldade de se debater. Assim, este debate continua a ser digno de interesse de ser analisado com maior profundidade seja pelos membros do poder ou pela sociedade em geral.
No entanto, após o momento em que o “sim” ganhou, este foi um tema quase esquecido. Algo estranho quando era um dos temas mais controversos da sociedade. Assim, desafio os leitores a expressarem a vossa opinião sobre esta temática de forma a entender se na blogosfera este continua a ser um tema fracturante ou existe um apoio mais significativo a uma posição. Assim sendo, vou utilizar a mesma questão que foi utilizado quando a interrupção voluntária de gravidez foi a referendo.

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado? Porquê?
publicado por sacha hart às 2013-06-19 20:18:50

Eu quero ser diferente, original. Estou farta de ser aquilo que sou. Porém a única mudança acontece somente na minha mente, em sonhos perdidos e ilusões fantasiosas. Não tenho coragem para mexer um dedo que seja para mudar. Por isso espero sentada, à espera que algum milagre aconteça e me tire do aborrecimento que é ser eu.
publicado por charlotte às 2013-06-19 11:41:17
Acabamos por não ir passear para Leiria, mas sim para Alcobaça. Como o exame de Português se meteu pelo meio, ainda não tinha tido oportunidade de falar sobre isto aqui, mas agora entre intervalos de estudo para História A, posso dispensar um pouco do meu tempo para actualizar o blog.
Saímos daqui perto das 7h30 e só regressamos às 21h30. Para (não) variar, foi um dia muito bem passado, cheio de amor e muitos mimos e que deu para tirar imensas fotografias (um grande amor meu, também). Visitámos o Convento, demos uma volta pela feira que estava lá a decorrer (pareceu-me ser uma feira de Antiguidades, se alguém for de lá e me souber esclarecer agradeço) e depois fomos para o espaço onde decorreu o almoço/lanche/jantar: o Solar dos Noivos, nas Pataias.
publicado por liz collingwood às 2013-06-19 02:18:05
ando sensivelmente revoltada com o facebook.
1º ninguém vos perguntou nada para vir com publicações da treta.
2º ninguém quer ver mamas e cu, para isso o pessoal vai ao google ou, para coisas mais "interessantes", vão ao redtube
3º pensava que os gifs já tinham passado de moda. aliás, nunca deviam ter entrado para o facebook
4º separem pessoas solteiras de pessoas comprometidas. existe uma linha, e essa linha chama-se namorado/a *grande frase, fui eeeeeeuu*
5º ninguém quer saber dos vossos pijamas fofinhos
6º não venham com tipo de chantangens, porque não funciona. like "se colocares LIKE digo-te olá no chat"
7º os LIKES nas publicações e nas fotos não vão comprar a comida de lá de casa. se vos trás felicidade, são muito tristes
8º parem com as cenas de, "quero sociolizar" ou "ninguém para falar?" ou "x pessoas on e ninguém me diz nada" comecem vocês uma conversa!
9º não me lembro de mais nada
10º era para fazer 10 cenas. quem não estiver de acordo, opa, sejam felizes ao menos, mas não estejam dependentes dele, sejam dos vossos pais pelo menos! adorava ter coragem para meter isto no facebook.
o meu blog tem alguns posts publicos. só passado algum tempo coloco-os em privado. quando quiser e tiver paciência respondo a comentários.
o título está super engraçado para este tipo de coisas. adeus
publicado por vera às 2013-06-19 01:23:53
aqueles que usavam os hashtags para achincalhar e agora aquilo é mesmo uma cena ! existe ! e as pessoas usam-nas !
publicado por vera às 2013-06-19 01:21:36
Já não sou assim tão “ant(...)
publicado por Só Sara às 2013-06-18 20:21:58
Não fui eu que me apelidei de tal adjectivo, se serve de alguma coisa. Será que se não seguirmos as modernices vamos ficar presos ao passado, um fantasma que perambula por aqui e por lá, sem rumo e sem qualquer destino obrigatório. Teremos que seguir as regras que nos estipulam? E se não forem simplesmente para nós? Somos obrigados? Não sei se ponho parágrafo ou não; ainda não tenho uma ideia daquilo que deva ou não escrever, como hei-de eu de estruturar uma coisa que apenas é pensada aquando o momento da escrita. Falta de parágrafos, argumentação, os textos mostram desorganização e, por vezes, até, confusão. Mas é meu, nunca disse que era perfeita, então como haveria de uma coisa que revela tanto de mim ser organizada, a seguir os padrões e regras estabelecidas. Impossível. Mais valia ser uma máquina a escrever sozinha. Sozinha, novamente impossível.
Assunto inicial. Não que me tenha rendido, mas confesso, por vezes e apenas em ocasiões pontuais o telemóvel faça jeito, entre outras coisas...
Continuo a Sara, só Sara, só Eu.
publicado por ariana às 2013-06-18 00:06:08
Ambiciono enroscar-me no casaco de lã e escrever tanto quanto os meus dedos tolerarem, não aceito desinspirações nem resistências fisiológicas e, muito menos, imposição de horários.

publicado por charlotte às 2013-06-17 22:36:15
Na minha escola os exames decorreram sem problemas. Às 9h da matina já estava à porta da sala onde ia ter o teste à espera de ser chamada e, apesar de toda a confusão de assinar papéis compromissivos em como não tinha comigo nenhum suporte digital e tecnológico e a questão do frio que se fazia sentir na minha sala por não se poderem fechar as portas, tudo correu na normalidade.
Nunca gostei de Ricardo Reis, mas estou grata por ter saído isso no lugar de Mensagem ou Lusíadas... Confesso que estudei e me foquei mais nas obras literárias, pelo que não fui muito bem preparada, mas vamos lá ver o que sai daqui.
publicado por Lídia às 2013-06-17 15:18:22
A escola onde eu ía realizar o exame aderiu à greve a 100% com muita pena minha obviamente porque me deitei ontem exausta, cheia de dores de cabeça para nada. Estudei horas a fio sempre na incerteza. Queria mesmo ter feito o exame. Soube que saíram dois dos meus autores favoritos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Estou desolada!
Sei que todos temos o direito à greve mas acima de tudo penso que os professores deveriam ter escolhido outra data porque toda a gente sabia que se houvesse greve os alunos seriam prejudicados e eu fui uma deles. Gostava de conseguir entender o porquê de dizerem que o fazem para defender os alunos...
Bom até dia 2 de julho esperam-me mais horas a fio à volta de História A e novamente, Português.
publicado por DolceScrittora às 2013-06-17 14:47:14
Depois de duas horas a discursar sobre Wagner, Mozart e Richard Strauss, dou-me por alguns poucos raros dias de férias porque maiores preocupações se avizinham na estrada, literalmente, dedicando-me por agora a ouvir aquilo que o meu professor da cadeira designa por barulho de fundo (tudo o que seja música não clássica) e a pensar no que poderia ser mais gratificante para a minha vida. Acabarei a ler Saramago e a ver um filme que me vai deprimir para o resto da semana. I don't care, I love it! Eu podia ter negativa por isto.
publicado por agnes às 2013-06-17 13:45:02
Daqui uma pessoa que não fez exame porque está no 10º. Mas está aqui também uma pessoa com opinião e que acha que este país só faz coisas que nos fazem pensar que é tudo cheio de tretas e palhaçadas. Ou fazem todos greves ou não faziam. Ponto. Mas uma coisa é certa, vai atrasar tudo o que é candidaturas e tudo o mais para quem pensa ir para a Universidade para o ano.
Mas quem sou eu...
publicado por Miguel Alexandre Pereira às 2013-06-17 11:04:33
Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.
Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.
Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…
[Ficção]

publicado por autumn sioux às 2013-06-16 03:42:15
Ao olhar para fotos recentes de mim mesma, não me reconheço. A minha cara está mais longa, os meus olhos têm sombras estranhas e a minha figura parece a de outra pessoa.
Não sei se é típico do ser o humano não se reconhecer naquilo que é, mas pelo menos, sei que em mim, sempre foi assim.
publicado por vera às 2013-06-16 01:58:59
volta e agarra a minha mão como fizeste, foi aí que decidi que não eras um palerma de todo.
suposições e planos para (...)
publicado por Só Sara às 2013-06-15 18:31:42
Mais do que simples coisas uma nova atitude.
1- Ler mais.
2- Aprender a cozinhar.
3- Ter uma alimentação mais saudável e fazer exercício físico.

parece que chegou ao fim,(...)
publicado por sacha hart às 2013-06-15 17:02:59
Não foi uma despedida de lágrimas nem de palavras sentidas nem nada do que seria de esperar. Foi simplesmente uma despedida. Após um longo e cansativo décimo ano, acho que fiquei apática de mais para sequer pensar nisso. Sem darmos por isso, o tempo acabou e antes da escola reamente acabar, já estavamos dispersos e atrasados para as despedidas.
Não me despedi de toda a gente. Colegas, professores, amigos que conheci no liceu. Passou-me tudo ao lado. É estar mentalizada que estou de férias e ao mesmo tempo não o estar.
Contudo ontem foi o mais perto que tive da despedida de final de ano. Eu e a maior parte dos meus colegas (aqueles que realmente importam) fomos todos sair e festejar os Santos. Foi a primeira vez que saí "a sério" pela noite fora e divertir-me bastante no convivio entre todos. Porém a noite pareceu pequena, apesar das horas que andámos a deambular pelas ruas da Graça, de Alfama e Santa Apolónia. No fim, fui das últimas a ir embora. Os abraços e beijos ao longo da noite foram, de alguma forma, estranhos.
Resta-me esperar que as promessas de encontros durante o verão sejam cumpridas e que, em Setembro, estejamos todos de volta - mesmo que sejam uns de novo no décimo e outros no décimo primeiro.
E assim foi o fim de mais uma etapa, o fim de um caminho percorrido desde Setembro.
publicado por Miguel Alexandre Pereira às 2013-06-15 16:15:41
Belém é, provavelmente, um dos locais mais bonitos em Portugal e que está intimamente ligada com a história do país. Hoje, esta freguesia é um espaço que contém vários pontos de interesse como museus, jardins, além de possuir um atraente ambiente ribeirinho. Uma das áreas que pessoalmente me desperta mais curiosidade e interesse é o Padrão dos Descobrimentos.
Este monumento foi inaugurado em 1960, em celebração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique. O Padrão dos Descobrimentos, desenhado em forma de caravela, evoca à expansão marítima. Liderados pelo Infante D. Henrique, que segura uma pequena caravela numa mão, estão outros heróis da história portuguesa dessa época como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão Magalhães ou Camões. Um local imponente que tem uma vista particularmente impressionante ao pôr-do-sol.
A norte deste monumento uma rosa-dos-ventos de 50 metros de diâmetro, desenhada no chão, foi uma oferta da África do Sul em 1960. O mapa central, pontilhado de galeões e sereias, mostra as rotas dos descobridores nos séculos XV e XVI. A imagem vê-se melhor a partir do cimo do Padrão dos Descobrimentos, cujo acesso é feito pelo elevador situado dentro do edifício. O bilhete de entrada custa três euros por pessoa.
"Nenhuma grande descoberta foi feita jamais sem um palpite ousado." (Isaac Newton)
Já visitaram este local? O que acham do Padrão dos Descobrimentos? Qual é o vosso local preferido em Belém?
publicado por charlotte às 2013-06-15 15:16:14
Já ouvi críticas positivas sobre o livro, já ouvi piadas parvas, já li péssimas opiniões sobre a história e até já vi vídeos que falam sobre isto!, mas a verdade é que não há maneira melhor para se comprovar o que se diz acerca de um livro, sem ser ao lê-lo.
É verdade, uma amiga minha emprestou-me o primeiro volume da trilogia (em inglês), e apesar de ainda só ter lido as primeiras cem páginas, até estou a gostar! Tem uma escrita simples e fácil de se entender (até agora, ainda não muito sexual), que nos prende não sei muito bem como nem porquê... É interessante. Let's see how it goes.
publicado por agnes às 2013-06-15 14:41:13
Peço desculpa pelo atraso do capítulo mas a escola andava a ocupar-me muito tempo. Agora que já estou de férias, já estou de volta ao mundo das fics. Espero que gostem e obrigada por todo o apoio que têm dado pelos comentários.
New Friend Coming
No dia seguinte, o Andrew estava de volta à escola. Mas com a cara diferente e pálida, tornando aquele tom moreno da sua pele quase irreconhecível. As olheiras que ele tinha eram notáveis. Pensei em perguntar-lhe várias vezes se ele estava bem, mas não o fiz. Ou porque estava com medo de me meter onde não era chamada, ou simplesmente por medo da sua reacção. E quando finalmente tinha ganho coragem para ir falar com ele, Andrew tinha-se ido embora a meio da manhã.
Jade tinha decidido ficar com Kevin a namoriscar ou lá o que eles fazem, na hora de almoço, por isso fui almoçar a casa. A meio do caminho, começou a cair uma chuva miudinha. Meti o meu cascol em cima da minha cabeça e apressei o passo, mas quando a chuva começou a cair com mais força, já não tinha salvação e ainda me encontrava a um quarteirão de distância da minha casa. Não vi outra solução, se não começar a correr. Tinha a roupa já toda colada a mim e os sapatos chiavam a cada passado que dava e só me apetecia meter-me debaixo de água quente e tirar toda aquela roupa.
Estava quase a chegar quando escorrego e caiu no chão. – Era só o que me faltava! – resmunguei, entre dentes, enquanto apanhava a minha mala e me preparava para levantar.
- Ajuda? – reconheci a voz mas não a consegui associar a ninguém de repente. A chuva era tão intensiva que mal conseguia erguer o olhar para ver quem estava ao pé de mim. De repente, as gotas que caíam bruscamente sobre mim, desapareceram e senti protecção. Então, consegui olhar para cima e vi que era o moreno que agora estava mais pálido que nunca, Andrew, que se tinha aproximado com um guarda-chuva. Estendeu-me a mão e eu agarrei-a, levantando-me de seguida e tentando tirar bocados de terra que tinham ficadas agarradas à parte de trás das minhas calças. Em vão. Estavam condenadas à máquina de lavar roupa assim que chegasse a casa!
- Impressionante como estás sempre por aí quando mais preciso – rio-me, nervosamente tentando esquecer o desconforto que a roupa molhada me estava a causar. Tentando esquecer também o facto de não sentir desconforto nenhum por estar a centímetros dele debaixo do seu guarda-chuva.
- Digamos que eu tenho um sexto sentido – ele riu-se, e começou a andar. Percebi que ele ia-me levar novamente a casa e, mais uma vez, não recusei porque precisava de ajuda. Era a segunda vez que ele me ajudava e visto assim parecia totalmente uma rapariga tola e que vivia na Lua – pressinto ao longe quando alguém precisa de ajuda. Então eu venho.
- O Super-homem já se reformou há algum tempo.
Ele soltou um riso abafado e ergueu as sobrancelhas. – Depois apareci eu, que é quase exactamente a mesma coisa. Salvo muitas pessoas, na verdade.
- Acredito que sim – disse, rindo-me novamente. Então, chegámos a minha casa. Assim que ele me deixou na porta, virou-se para se ir embora – não vais voltar para a escola, hoje?
Ele olhou para mim e notei o olhar triste nos seus olhos – Penso que sim. Se não me atrasar no meu passeio – riu-se.
- Vais passear com este tempo? – ele voltou-se para mim e acenou com a cabeça, rindo-se, percebendo que era totalmente uma parvoíce ir passear com um tempo tão mau – queres entrar?
Depois de ter dito aquilo, ele olhou-me seriamente e franziu as sobrancelhas. Arrependi-me logo a seguir de o ter dito. Não devia! Mas qualquer coisa no seu olhar triste me dizia que ele apreciaria alguma companhia. E, depois de ele examinar a minha expressão, que apostava que estava repleta de um vermelho vivo, sorriu. Abri a porta e verifiquei que Emma não estava em casa. Fiz-lhe um gesto para ele entrar, assim que limpei os pés ao tapete. Ele entrou e olhou à sua volta.
Agora um vermelho esbatido apoderava-se das suas bochechas, preenchendo aquele pálido que ele trazia. – Espera um pouco, vou só trocar de roupa. Sente-te à vontade – disse, apontando para o sofá na sala. Ainda o vi a encaminhar-se para lá até subir as escadas de duas em duas. Quando cheguei à minha casa de banho, apressei-me a tirar as roupas molhadas e passar com uma toalha seca pelo meu corpo húmido. Vesti umas calças de ganga, uma camisola de malha e de seguida um casaco quente. Sequei o cabelo e desci, depois de me ter calçado. Andrew estava ainda sentando no sofá e olhava para as fotografias em cima da lareira. Depois lembrei-me de quanto tempo elas ainda haveriam de durar ali, se a relação do meu pai e Emma se torna-se mais séria.
- Voltei – sorri-lhe e ele olhou-me, sorrindo também – vou almoçar. Queres comer?
- Não, obrigada, já comi – olhei para ele e suspirei, não sabendo agora o que lhe dizer. Devia deixá-lo ali sozinho? Não sabia. Não devia sequer tê-lo convidado para entrar… Ele pareceu ver a confusão presente na minha cara – mas eu faço-te companhia.
Sorri e ele seguiu-me até à cozinha. Meti o meu almoço a aquecer enquanto tentava aquecer as minhas mãos. Olhei para ele e entre um sopro entre as minhas mãos, voltei a perguntar: - Tens a certeza que não queres comer nada? Não é que não tenha muito a ver com isso, mas estás com um aspecto… - não terminei a frase, com medo do que ele viesse a dizer e que vira-se costas e saísse de casa repentinamente.
- Mau? – sorriu tristemente – eu sei. Não tenho dormido quase nada. As minhas noites são completamente em branco.
- Sei o que é isso – ele franziu as sobrancelhas, encarando-me – de não conseguir dormir durante a noite. Tenho acordado muitas vezes, tenho a tendência a ter muitos pesadelos.
- Estás com muito bom aspecto para quem passa as noites em branco. O mesmo não posso dizer da minha cara… - ele disse, passando a palma da mão pela bochecha esquerda. Sorri-lhe, não sabendo o que lhe dizer. Tentei não pensar em razões por ele estar assim com tão mau aspecto. Sim, era por ele não dormir durante a noite, mas por algum motivo haveria de ser. E de ele ter faltado aquelas duas semanas. Tentei não lhe perguntar porque ele passava noites em brancos, tendo então que morder a língua muitas vezes.
O meu almoço já estava pronto para ser comido, então tirei-o e meti num prato. Sentei-me em frente de Andrew na bancada e comecei a comer a massa italiana que Emma tinha feito especialmente para mim. Andrew ao início ficou a olhar para mim, mas depois começou a olhar à sua volta, parando novamente o seu olhar nas fotos por cima da lareira, que se conseguia ver um pouco a partir da cozinha.
- Gosto daquelas fotografias – ele disse, ainda com os olhos vidrados nelas – da forma como estão distribuídas. Fazem-me sentir feliz, até.
- Não é que elas tragam muita felicidade – sussurrei por entre dentes, enrolando um bocado de massa no garfo. Ele virou o seu olhar para mim, mordendo o lábio. Percebi que ele queria saber o porquê de eu ter dito aquilo – a minha mãe morreu há uns meses. Desde aí, que essas fotografias não trazem muitas felicidades cá para casa.
Meti o bocado de massa na boca e mastiguei, lentamente. O olhar cansado de Andrew olhava para mim e, pela primeira vez, não vi um olhar de pena, como toda a gente fazia sempre que me viam. Um traço de compreensão, talvez. Então eu percebi que as noites que ele passava em branco não eram devido a ele ser stripper, nem drogado. Algo relacionado com a família.
- Lamento – ele acabou por dizer, tacteando os dedos na bancada – deves ter passado uns meses difíceis.
- Sim… - suspirei – mas o meu pai decidiu voltar a namorar. Seguir com a vida, afinal não podemos ficar presos no passado para sempre – quem suspirava agora era ele – e eu estou a aprender a fazer o mesmo. Até porque a casa agora vai parecendo mais alegre, com a presença da nova namorada do meu pai por cá. Antes era só baby-sitter do meu irmão, mas agora virou mais que isso.
Ri-me por fim, por lhe estar a contar os últimos dias da minha vida tão pormenorizadamente. Por lhe ter contado sobre a minha mãe. Mas a verdade é que havia algo nele que me fazia querer contar-lhe o que se passava. A vontade aumentou quando ele não me olhou com pena, mas sim com compreensão, como quem queria ouvir mais sobre o que eu vivera e vivia.
- E tu não te importas com isso? – ele perguntou, curioso – com o teu pai ter seguido com a vida, digo… Ainda deves ter a imagem da tua mãe muito presente, dizendo melhor. Não quero que me interpretes mal.
- Não, compreendo perfeitamente o que queres dizer – disse, brincando agora com o resto de massa que existia no meu prato, com o garfo. Lembrei-me daquela noite em que entrei em casa e vi o meu pai com Emma, juntos. E da confusão que tinha formado na minha cabeça e a raiva que eu estava a nutrir naquele momento – ao início, fez-me confusão. Mas depois apercebi-me que o meu pai estava novamente a ser feliz, e não poderia trocar isso por nada. Nem pela confusão que me fazia, vê-la a entrar em casa, parecendo ocupar o lugar da minha mãe. E vi o quanto o meu irmão, Riley, se diverte com ela. Parece que a nossa casa voltou a ter cor, depois de muitos meses a preto e branco – sorri nervosamente.
- Acredito que a namorada do teu pai não queira ocupar o lugar da tua mãe – ele disse, após uma longa pausa de silêncio. Sorri com o facto de ele se estar a demonstrar tão compreensivo. Durante uns minutos, fiquei a entreolhá-lo. A olhar para os seus olhos leitosos, como se lhe tivesse a tentar ler a mente. Ouvi a porta de casa a abrir e sobressaltei-me. Emma entra com uns quantos sacos de compras nas mãos e com o Riley nos braços. Corri para a ajudar.
- Chloe – ela disse, surpresa com a minha presença em casa. Agarrei no Riley, para que ela pudesse meter o guarda-chuva à porta de casa – não sabia que estavas em casa.
- Vim almoçar cá num instante – disse, à medida que seguia para a cozinha. Ela vinha logo atrás de mim com os sacos nas mãos – este é o Andrew, um colega meu. Deu-me boleia para casa, porque estava a chover imenso – sorri-lhe.
Emma olhou para mim com um olhar provocador, e depois para ele. Disse-lhe um olá enquanto metia os sacos na bancada. Pedi ao Andrew para vir comigo até à sala, apenas para não ficarmos na mesma divisão que Emma e tornar aquele momento ainda mais estranho.
Ele brincou um pouco com Riley, enquanto este estava sentado no meu colo. Quando Emma entra na sala, entrego-lhe o meu irmão – Nós temos que ir andando – disse, tentando evitar outro momento constrangedor.
- Querem que vos leve à escola de carro? – ela perguntou – está a chover a potes.
- Não há problema – Andrew diz – eu vou a casa num instante buscar o meu carro.
Dito isto sorriu-me, pegou no seu guarda-chuva e olhou para mim antes de fechar a porta e desaparecer no meio da chuva. Emma olhou para mim, sorrindo, com o Riley nos braços.
- Colega?
- Sim – respondi – colega. Nada mais.
Ela riu-se e disse “como se eu já não tivesse tido a tua idade”. Foi para a cozinha fazer o seu almoço e eu subi para o meu quarto para acabar de me arranjar. Entre pintar os olhos, secar novamente o cabelo e pondo outros pormenores na minha pessoa, não conseguia deixar de pensar em Andrew e nas tais noites em branco. Em minutos, tinha exposto a minha vida perante ele. Tinha-lhe dito sobre a morte da minha mãe. Bem, não pormenorizadamente. Mas acho que o que me impedira de o fazer, era o facto de não me sentir confortável a falar sobre isso, se não acredito que o tinha feito. Ele inspirava confiança, era apenas essa desculpa que sabia dar a mim própria. E enquanto eu lhe tinha contado estes pormenores da minha vida, eu não sabia nada sobre ele. Zero. Sabia apenas onde morava, o seu nome, e que era da turma de Jade. Pouco mais sabia. E verdade seja dita, estava curiosa por saber mais sobre ele.
A buzina de um carro interrompeu-me os pensamentos e olhei pela janela para me deparar com um Porsche cinzento e com Andrew já fora do carro, segurando um guarda-chuva, sorrindo para mim. No meio daquele tom pálido, o sorriso dele parecia brilhar e aquecer o dia.
Prelúdio da ópera Tristão(...)
publicado por DolceScrittora às 2013-06-15 14:24:12
publicado por LostDreams às 2013-06-15 00:00:25
publicado por autumn sioux às 2013-06-14 23:41:39
Hoje, pela primeira vez em três anos, fui a um cabeleireiro. Eu corto o meu próprio cabelo, normalmente e ele era uma enorme massa lisa e castanha que me chegava ás ancas. Agora é simplesmente a mesma massa lisa e castanha, que me chega à cintura. Sinto-me careca.
publicado por vera às 2013-06-14 23:31:43
publicado por vera às 2013-06-14 23:30:03
publicado por raspberry às 2013-06-14 18:50:13
Agora que tenho o tempo mais livre, estou a preparar-me para um novo projecto (já falei aqui). Estou quase a terminar e depois apresento. Alguém faz ideia do que é?
publicado por raspberry às 2013-06-13 22:27:18
Uma das razões pelas quais nunca tive o mínimo interesse em publicar fotos minhas aqui foi porque não queria nem quero que as críticas feitas ao trabalho que aqui faço fossem associadas á minha imagem. Não no sentido de não querer que saibam quem sou ~ também~ mas essencialmente porque apercebo-me muito de situações em que o trabalho de determinado artista está a ser criticado não só pelo trabalho em si mas pelo seu aspecto físico. E não de há muito tempo temos aqui o Justin Bieber e antes de mais fica aqui que eu não sou fã dele nem deixo de ser, além de dizerem que ele canta mal porque isto e aquilo dizem que "ele parece uma gaja" "canta como uma gaja até parece uma gaja" "ele é feiíssimo" ( a meu ver prejudicava-o a música demasiado comercial , de momento já não estou a par do seu trabalho porque para além de não ver canais de música na televisão, o que via é praticamente canal de séries e programas sem grande interesse). Ora bem, se fosse um gajo qualquer a andar na rua ninguém teceria comentários destes mas pronto, o povo gosta é de criticar. Da mesma forma que muitas vezes por exemplo uma pessoa não tem jeitinho nenhum para o que faz e só por ter uma carinha laroca todos se esquecem do que se passa.
Pronto, aqui fica a minha explicação. Não estou a dizer que me acho bonita/feia mas apenas quero que enquanto eu escrever que só a minha escrita sirva de elemento de "avaliação" e tal como eu aposto que há muitas mais pessoas e isto deve-se a um simples problema: não saber diferenciar as coisas, não saber separar o aspecto da pessoa do seu trabalho.