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publicado por -A às 2013-05-25 20:11:55

Há muito poucas coisas neste mundo que me inspiram mais do que sentar-me num banco qualquer, num parque qualquer, e observar o mundo que por aí me rodeia, me passa por entre os dedos. Às vezes nem é preciso tanto. Às vezes afastar-me de mim mesma é o suficiente para regressar outra. Diferente. Melhor. Sou composta por várias substâncias, algumas antagónicas, sendo talvez essa a razão de os conflitos existenciais me serem tão familiares. Acolhedores, uma vez por outra. Parte de mim como poucos o são. Ou até nenhuns. Talvez nenhuns. Não pertenço a ninguém - não sou dada a ligações interpessoais. Para quê? Não há nada de mais honesto do que nós próprios e as madrugadas solitárias. Nem isso. Não quero nem as madrugadas nem a solidão. Nem isto nem aquilo. Nem nada. Tem dias que nem a mim me quero. Também eu me canso da vida que começa nestes olhos verdes. Esses também desencantam e torna-se necessária essa tarde no parque, despida de cabelos loiros e bochechas amistosas, a tal "cara de anjo" que a professora uma vez chamou. Seria chato se assim não o fosse. Melhor do que chegar a casa e tirar as roupas giras e desconfortáveis que se usam para sair, é tirar tudo o resto. A nossa essência e o brilho no olhar. As pequenas coisas que nos definem ou não definem coisa alguma.
É. Às vezes é precisa a impudência, a coragem para largar não só os outros, como a nós mesmos.











































