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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-22 20:14:41
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 1
Chelsea estava deitada de barriga para cima, apoiada nos antebraços, e a observar o céu. Não se via nem uma nuvem no horizonte, e o sol brilhava fortemente lá bem alto. Estava um lindo dia. Mais um lindo dia de férias. A primeira semana estava quase no fim. A rapariga respirou fundo e juntamente com o oxigénio veio o cheiro a maresia de que tanto gostava. Retirou os óculos de sol e pousou-os no cimo da cabeça, suspirando.
- Cuidado! – Ouviu, antes de levar com a bola de voleibol na barriga.
- Então pessoal?! – Reclamou, agarrando na bola e levantando-se, enquanto se ria. Revirou os olhos e começou a dirigir-se ao círculo formado por Tony, Helen, Richard, PJ e Jensen, que estavam a jogar voleibol.
- Eu avisei – desculpou-se Jensen, pondo-se à frente dela e rindo-se.
- Parvo – chamou ela, passando-lhe a bola para as mãos. Porém o sorriso desapareceu-lhe rapidamente dos lábios ao sentir um arrepio. Não era a simples sensação do frio a percorrer-lhe a espinha. Era mais que isso. Um mau pressentimento que já a acompanhava há poucos dias. Chelsea respirou fundo e olhou para a imensidade do mar – Eu vou dar um passeio à beira mar.
- Está tudo bem? – Preocupou-se ele. Ele notava que algo estava diferente, mas não queria que ela se sentisse obrigada a contar-lhe.
- Sim, claro – disfarçou ela, pondo o seu melhor sorriso – Eu não demoro.
A rapariga dos caracóis ruivos deu-lhe um beijo na bochecha e PJ, Tony e Helen estranharam. Eles já tinham percebido que havia qualquer coisa, mas ainda não lhes tinha sido dito exactamente o quê.
Chelsea dirigiu-se até à beira mar e deixou que a água salgada lhe molhasse os pés, sorrindo logo em seguida. Ela adorava a praia. Começou a caminhar sempre com os pés a levar com as ondas, e assim, devagar, deixou que os pensamentos tomassem conta de si.
A praia estava estranhamente vazia para a altura do ano, mas não tardaria estariam todos os turistas com as toalhas espalhadas, todos em cima uns dos outros.
Chelsea chegou às rochas, numa das extremidades da praia, e sentou-se em cima de uma, com as pernas encolhidas e os braços a abraçá-las. Voltou a olhar para o céu e viu algumas gaivotas a voar, até que uma pousou na areia.
- Gaivotas em terra… sinal de tempestade – Pensou ela em voz alta.
Estava a ouvir o barulho do rebentar das ondas e a levar com alguns salpicos que saltavam para ela por a onda bater na rocha, quando teve a súbita impressão que alguém a observava. Voltou-se para trás de repente mas não viu ninguém, por isso saiu de cima da rocha e ficou de pé na areia.
- Está aí alguém? – Perguntou, enquanto olhava fixamente para os arbustos que se encontravam um pouco mais à sua frente. De trás deles saiu uma rapariga bastante bonita. Envergava um vestido negro, de atar ao pescoço, e uma racha do lado direito. Nos pés tinha uns sapatos rasos, também escuros. Sorriu a Chelsea enquanto afastava o cabelo loiro platinado dos olhos. A Defensora do Oculto olhou para ela desconfiada, por trás de toda aquela beleza Chelsea sentia algo meio escuro – Posso-te ajudar?
- Sabes… ao princípio não encontrei as parecenças… mas agora… sim, pareces-te com ela – a voz tinha tanto de encantadora quanto de assustadora, e Chelsea sentiu o coração a disparar. Sentia que conhecia esta rapariga, mas não se conseguia lembrar de onde.
- Do que é que estás a falar? – Perguntou directamente.
- Os olhos são o que se nota mais… ela não tinha caracóis como tu… - a rapariga sorriu, e depois suspirou – Permite-me apresentar-me. Chamo-me Lyux – ao dizer estas palavras a rapariga do cabelo loiro deu mais um passo, e Chelsea retrocedeu impulsivamente – E tu és alguém de quem não gosto nada.
Todos os músculos do corpo de Chelsea lhe diziam para se transformar na Defensora. Que corria perigo. Que tudo estava errado. Mas ela estava de tal modo desprevenida que não conseguia fazer nada. Levou a mão ao pingente, a tremer, e apertou-o.
- Relaxa, não chegou a nossa hora… ainda – afirmou Lyux – Guarda as tuas forças para o fim.
- Tu és uma das Bruxas – murmurou Chelsea – Como é que me encontraste?
- Deste um bom espectáculo naquele bar de meia classe. Não achas mesmo que mandaria o Gorman sozinho, achas? Tinha olhos em todos os sítios. Foi fácil.
- O que queres?
- Por agora… nada. Para mais tarde, bem… vais descobrir – Lyux estalou os dedos e desapareceu, enquanto Chelsea continuava a respirar pesadamente e a tremer por todos os lados.
- Oh Deus… - murmurou, antes de começar a correr de regresso ao sítio onde tinha deixado os amigos.
Correu com os pés dentro de água enquanto sentia o terror a absorvê-la por completo. O que quereria aquela Bruxa dizer com “ainda não”? O que estaria a planear? O que poderia Chelsea fazer para a impedir de pôr em uso qualquer plano que tenha planeado?
Quando os começou a avistar ao longe, na brincadeira dentro de água, sentiu um pequeno alívio, pelo menos ainda lá estavam todos. A rapariga dos caracóis ruivos foi à sua mala buscar o telemóvel, do qual telefonou para Will, que não atendeu.
- Raios, raios, raios – queixou-se ela, voltando-se para os amigos. Jensen notou que algo de errado se passava e por isso saiu de dentro do mar e correu um pouco até chegar ao pé dela.
- O que se passa? – Perguntou-lhe. Chelsea apenas o abraçou, e ele agarrou-a também.
- Temos problemas – proferiu a rapariga, quando o largou.
- Estás toda a tremer Chelsea… o que aconteceu? – Insistiu ele.
- Encontrei uma Bruxa – a face de Jensen tornou-se assombrosa, ele já sabia o que isso significava.
- Não estás pronta para lutar com eles – declarou, ao que Chelsea abanou a cabeça. Ela sabia que não estava.
Chelsea suspirou e olhou para o céu, vendo uma grande quantidade de nuvens a aproximarem-se da cidade a uma velocidade fora do normal.
- O que é aquilo? – Perguntou Jensen.
- Não sei. Temos que ir, temos que sair daqui, temos que os levar para casa ou… não sei, mas temos que fazer qualquer coisa. E temos que encontrar o Will, ele é o único que me pode ajudar…
- Está bem – Jensen voltou-se para o grupo, que tinha também saído da água e se estava agora a dirigir a eles – Pessoal, vamos embora.
- Já? Mas ainda é cedo – disse Helen.
- Explicamos depois – disse Chelsea, enquanto se vestia. “Se não morrermos”.
Eles agarraram nas coisas e começaram a andar sempre em silêncio. Nem Helen nem nenhum dos outros percebiam o que se passava, mas não ousaram perguntar. Tony reparou no céu, agora já coberto de nuvens negras. Algo estava errado. Chegaram a um cruzamento e Chelsea parou.
- O que foi? – Perguntou-lhe PJ.
- O Will… - murmurou ela, a olhar para Jensen – Tenho que ir à casa dele.
- Não vais sozinha – disse-lhe ele, num tom mais baixo.
- Tu tens que ir com eles. Deixa-os num sítio a salvo, por favor… eu vou e volto e…
- Eu vou contigo – meteu-se Richard – Não sei o que se passa, mas vocês parecem mesmo preocupados. Eu vou contigo.
A Chelsea não lhe agradava a ideia de pôr o irmão na linha do fogo, mas sabia tão bem quanto ele que Richard era de ideias fixas.
- Está bem – disse a rapariga dos caracóis ruivos – Jensen depois vai ter à minha casa, combinado? Garante-te que está tudo bem antes de os deixares…
- Combinado – Jensen deu-lhe um beijo ao de leve e depois Chelsea puxou Richard pela mão, fazendo com que o irmão começasse a correr ao seu lado.
- Vais-me explicar o que se está a passar?! – Perguntou-lhe ele.
- Mais tarde – prometeu.
Chelsea correu sempre a puxar Richard pela mão. Ela não se importou com os olhares menos discretos, e continuaram a correr apressados, enquanto o seu vestido branco, de atar ao pescoço, fazia companhia ao seu cabelo e ambos esvoaçavam ao sabor do vento causado pela velocidade. Chegaram ao prédio onde Will morava, Chelsea tocou à campainha e esperou.
- Se calhar não está em casa – opinou o irmão.
- Aconteceu alguma coisa… sei que sim… tenho um mau pressentimento – pensou Chelsea em voz alta, voltando a tocar várias vezes seguidas – Raios Will, onde estás?!
- Ei, acalma-te, não é o fim do mundo – disse Richard, pondo-lhe as mãos nos ombros numa tentativa falhada que relaxasse.
- É sim! – Gritou ela, arrependendo-se no momento a seguir ao ver a cara de espanto do irmão – Esquece… não posso explicar. Só… fica por perto.
Chelsea empurrou a porta com a mente e esta abriu-se, fazendo com que Richard desse um pulo e olhasse para ela alarmado. Ele já não estava a gostar nada do rumo que a tarde estava a levar.
Chelsea entrou para dentro do prédio mas ele ficou quieto, e ela voltou-se novamente para ele.
- Confia em mim – pediu, estendendo-lhe a mão.
Richard olhou desconfiado, mas aceitou e subiram os dois pelas escadas. Quando chegaram à porta do Will, esta estava toda escancarada e Chelsea sentiu um aperto no coração.
Bem, queria dizer uma coisinha. Como já sabem, esta história tem 4 partes, e esta já está a terminar (só falta este capítulo mais o próximo, são 22), e já que estamos na recta final por amor de deus, pelo menos no último capítulo, deixem-me um comentário a dizer o que acharam, o que esperam da próxima parte, etc etc, está bem? Mesmo que não tenham blog, é super importante.
Kiss























