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O meu sonho e julgo que o(...)
publicado por R. às 2013-05-25 14:31:52
A mulher V (entenda-se mulher virtuosa) é casada, fã número um do marido e está literalmente presa a ele. No máximo, ao longo da vida terá 5,6 segundos de liberdade. Foi este o tempo cronometrado pela filha mais velha do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), quando deixou o pai no altar para se casar com Renato Cardoso.
Tinha 17 anos e a ilusão de ser uma espécie de mulher da Idade Média: “Foi como se a minha mão direita estivesse algemada à esquerda de meu pai; e ali no altar ele abriu a algema do pulso dele, colocou-a na do Renato, fechou-a novamente e passou a chave para ele.” Foram os tais 5,6 segundos.
É em tom de conselheira matrimonial que Cristiane Cardoso, 39 anos, faz esta e outras confidências em 'Casamento Blindado', escrito a meias com o marido, pastor da IURD, e lançado recentemente – vai em 15 mil cópias vendidas em Portugal e 700 mil no Brasil.
Neste manual de auto-ajuda, com quase 300 páginas (a que não faltam lembretes para publicar no Facebook ou no Twitter – por exemplo, “poste isto: começo hoje o meu cessar-fogo”), Cristiane e Renato fazem a apologia da mulher submissa e do homem líder.
Ambos garantem à SÁBADO que a reacção do público tem sido positiva, apesar do tom de algumas críticas. Por exemplo, a revista Veja, na edição de 13 de Março, referiu-se à co-autora de forma sarcástica, comparando o bestseller a “uma cartilha de mulher moderna à moda antiga”.
O casal tem um programa na Rede Record ('The Love School – A Escola do Amor', que inspirou este livro) e garante seguir o exemplo de Edir Macedo, dono da estação, e da mulher.
“Os meus pais foram os primeiros a incentivar-nos para escrevermos este livro. Estão casados há 41 anos e orgulhosos do impacto desta obra”, diz à SÁBADO Cristiane, que afirma continuar 100 por cento dedicada ao marido passadas as duas décadas de casamento.
Cristiane não tem problemas em ser submissa. Engoma as camisas de linho de Renato até ficarem impecáveis (por vezes repete a tarefa três vezes); também o elogia, mesmo em caso de fracassos; corta com os amigos do sexo masculino, porque nunca se sabe...; é inseparável do marido, seguindo a máxima “tão juntos que pareçam colados”; não protesta com a desarrumação que ele causa quando chega a casa; não reclama por falta de atenção e, se tem vontade de o fazer, fala com Deus.
“Acredite: nós não precisamos de liderar (...). A mulher que não se submete a seu marido acaba castrando-o sem querer. Não é a intenção dela, mas ela o faz um João-Ninguém. Sem respeito, o homem perde a essência masculina.”
Na cama aplica-se o mesmo princípio. Nada das clássicas dores de cabeça para se esquivar ao sexo. A mulher V nunca rejeita o homem, caso contrário ele pode criar “monstrinhos na cabeça” e cometer adultério. “É por isso que os casais devem fazer amor mesmo quando estão cansados”, aconselha Cristiane.
Se tiverem de eleger uma máxima do livro, os dois não hesitam: “Emoção é a ferramenta errada para resolver problemas.” A certa, dizem, é a inteligência. Até deram um nome ao processo de prevenção do divórcio – “Empresa Casamento Lda.” – e apontam 10 passos de salvação. Entre eles, destaca-se uma técnica japonesa que consiste em perguntar cinco vezes ao cônjuge onde está o problema, até chegar à raiz do mesmo.
A grande questão foi como chegaram a esta via de entendimento. Neste ponto, os autores afirmam que Edir Macedo foi determinante. A meio de uma das inúmeras discussões conjugais que tinham de quatro em quatro meses no início do casamento, Cristiane ligou ao pai, já de madrugada, falou cinco minutos com ele e passou o telefone ao marido.
“Ele foi directo na jugular, em alto e bom som: ‘Renato, deixa eu falar uma coisa para você. Esse problema aí é seu. Resolva-o.’” Obediente ao sogro, Renato teve uma epifania. “De repente, as escamas me caíram dos olhos. Tudo começou a clarear.” Mulher submissa e homem líder.
Palavras para descrever isto??? Não tenho! Não tenho mesmo! "Nós não precisamos de liderar" e “É por isso que os casais devem fazer amor mesmo quando estão cansados”, diz ela. MAU DEMAIS! MAU DEMAIS!



































