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publicado por i. às 2013-05-23 22:26:09
''Não me deixes''

- Beth.- pisquei os olhos assim que senti o meu corpo ser abanado e resmunguei algo impercetível, enfiando mais a cara no que me parecia ser a almofada.- vá lá filha, acorda.- abri os olhos de repente quando despertei por completo com a voz do meu pai e olhei-o, piscando os olhos muitas vezes, antes de os esfregar com as costas das mãos.
- O que se passa? – perguntei ainda com a voz rouca, por ter estado a dormir.
- Não é nada princesa, mas adormeceste aqui no sofá.- o meu pai dirigiu-me um sorriso caloroso, afagando-me os cabelos.- bastou ir deitar a tua irmã, vai descansar, ficas mais confortável na cama.- assenti, fazendo uma pequena careta quando me apercebi de que o que o meu pai tinha dito era mesmo verdade e olhei em volta, pegando no meu telemóvel caído no sofá antes de me levantar. Desbloqueei-o e quando vi que não tinha nenhuma mensagem, suspirei. Acho que já tinha perdido o sono. Mordi o lábio, subindo as escadas uma a uma e fechei a porta do quarto atrás de mim, encostando-me à mesma. Será que ele não tinha recebido? Ou só queria ficar sozinho? Porque é que ele não respondia? Suspirei, mordiscando o meu lábio inferior e como ainda estava vestida, fui até à casa de banho. Conhecendo o pouco que conhecia dele, o mais provável era que quisesse ficar sozinho, mas estava a deixar-me preocupada, podia pelo menos dizer-me que não queria falar, eu preferia uma resposta dessas a este silêncio. Abanei a cabeça, atirando a minha camisola para cima da sanita e despi também as calças, enquanto esperava que a água quente corresse. Entrei na banheira assim que isso aconteceu e fechei os olhos com um suspiro prazeroso enquanto as gotas de água percorriam todo o meu corpo. Esta era a única forma de eu conseguir relaxar naquele momento, apesar de a minha cabeça estar em todo o sítio, menos ali. Eu não podia negar, eu gostava dele, eu gostava dele o suficiente para me preocupar. Não era todos os dias que eu seguia as pessoas, não tinha propriamente esse hábito. Mas a culpa era dele, dele e daquele seu ar misterioso. E depois haviam os seus lábios, que por alguma razão desconhecida, atraíam os meus, mais do que muito. Passei as pontinhas dos dedos pelos meus lábios, fechando os olhos enquanto revivia o nosso primeiro beijo, no seu quarto, e dei por mim a sorrir que nem uma parvinha. Isto não me agradava mesmo nada, parecia toda apaixonadinha, mas a verdade é que não conseguia evitar. Abanei a cabeça, ao fim de alguns segundos, obrigando-me a despertar e passei as mãos pelo meu cabelo molhado, retirando o champô que entretanto já me escorria pela cara. Lavei o corpo num instante, retirando depois a espuma da mesma forma e quando já estava pronta, enrolei o corpo numa toalha e o cabelo numa outra mais pequena. Com isto tudo, acho que ia demorar o dobro do tempo a adormecer. Enxuguei o corpo enquanto me olhava ao espelho e assim que ele estava seco, espalhei pelo mesmo o meu creme com aroma a morango, sorrindo com o cheirinho que dele emanava. Vesti a roupa interior lavada que tinha trazido comigo e enquanto voltava para o quarto, ainda com a toalha no cabelo, estremeci ao ouvir um estrondo vindo de lá de baixo. O meu coração disparou, fazendo-me arregalar os olhos e agarrei na primeira peça de roupa que encontrei, enfiando-a pela cabeça. O barulho continuou, tornando-se mais forte e eu já só senti o meu corpo começar a tremer ligeiramente. Respirei fundo, tentando acalmar-me e tirei a toalha do cabelo, saindo do quarto apenas com uma camisola larga vestida. Desci as escadas quase aos trambolhões e mal cheguei lá em baixo, percebi que aquele barulho todo vinha da porta. Arregalei ainda mais os olhos, olhando para a mesma, e consegui ver uma sombra pelo pequeno rectângulo de vidro que existia na mesma. Passei uma mão pelo meu cabelo molhado, olhando para o andar de cima e com aquela barulheira, estranhei não ver o meu pai a descer as escadas de forma tão ou mais apressada do que eu. Engoli em seco, abraçando o meu próprio corpo e aproximei-me muito devagarinho da porta, dando um pequeno saltinho quando quem quer que estivesse do outro lado voltou a bater. Respira fundo Bethany, pode ser só um vizinho. E que vizinho desesperado, diria eu. Enchi-me de coragem, dando o passo que faltava para ficar em frente à porta e agarrei com uma mão na maçaneta, apertando-a enquanto respirava fundo. Eu odiava isto, e a força com a qual batiam à porta estava a deixar-me mesmo assustada. Abanei a cabeça, fechando os olhos e antes que fugisse para o quarto, abri a porta de repente, sentindo o meu coração disparar quando o vi do outro lado.
O seu ar era de cortar a respiração. Tinha a camisa fora das calças, completamente amarrotada, o cabelo todo desalinhado e a cara completamente encharcada pelas lágrimas que deslizavam pela mesma. Os botões da camisa encontravam-se quase todos desapertados e ao olhar para o seu peito despido, eu conseguia ver o quão descompassado estava o seu coração. Por falar em coração, acho que o meu já tinha desaparecido.
- Kevin..- murmurei baixinho e já o senti agarrar-se ao meu corpo, escondendo a sua cara nos meus cabelos. Só agora é que conseguia sentir o forte aroma álcool que emanava do seu corpo, ele tinha andado a beber, talvez isso explicasse o seu estado.
- Não me deixes.- ele soluçou, agarrando-se à minha camisola com força, fazendo-a ficar toda esticada e encostada ao meu corpo.- não me deixes, por favor, não me deixes.- ele continuou a pedir, num tom completamente aflito. Juntei as sobrancelhas, abraçando o seu corpo com força e puxei-o contra mim, fechando a porta quando consegui.
- Shh.- murmurei baixinho, passando as mãos pelo seu cabelo.- está tudo bem, acalma-te.- senti-o abanar a cabeça e afastou-a do meu pescoço, olhando-me com os olhos inundados de lágrimas.
- Eu sei que matei, mas eu não vou fazer isso contigo.- o seu queixo tremeu, fazendo-o fazer um pequeno beicinho, para conter as lágrimas.- eu prometo que não vou, acredita em mim.- ele apertou-me ainda mais a camisola.- não me deixes, eu não aguento mais.- abanou a cabeça, baixando o olhar para os seus e desatou num choro incontrolável de novo.
***
Beijei-lhe a testa, aconchegando-o em mim e os seus soluços foram acalmando aos poucos, até que ele se acalmou finalmente. Tinha-o conseguido trazer para o meu quarto, sem que o meu pai desse conta, ou pelo menos ele não se tinha pronunciado ainda. Mas eu tinha fechado a porta, caso ele se lembrasse de acordar. Kevin agarrou-se à minha cintura, encostando a cabeça ao meu peito e quase que o conseguia ver a fechar os olhos.
- Eu não te vou deixar.- disse ao fim de algum tempo.- leste a minha mensagem? – ele assentiu.- por mais segredos que tenhas, eu não vou desistir de ti.- apertei o seu corpo contra o meu e voltei a beijar-lhe a testa, espalhando depois beijinhos pela sua cara, parando nos seus lábios. Ele abriu os olhos devagarinho, olhando os meus e chegou a sua cara para mais perto da minha.
- Tu não devias ter aparecido, tu e a tua teimosia vieram dar cabo do meu plano.- ele sussurrou. O efeito do álcool já estava a passar e apesar do cheiro ser forte, eu sabia que ele não tinha bebido nada por aí além. Sorri muito ao de leve, tocando-lhe com as pontinhas dos dedos na sua bochecha e dei-lhe um pequeno beijinho.
- Se não fôssemos nós, não estavas aqui agora.- sussurrei baixinho.- eu não me arrependo de nada, se não fosse tudo isso não estava aqui agora.- ele assentiu, chegando-se mais para mim e puxou-me para baixo, trocando os papéis, agora era eu que estava aconchegada no seu corpo.
- Prometes mesmo que não me deixas? Por causa do que descobriste? – ele baixou o olhar para o meu, dedilhando o meu rosto com os seus dedos, como se procurasse decorar todos os meus traços. Assenti, fechando os olhos quando a minha pele se arrepiou com as suas carícias e beijei-lhe o dedo quando o mesmo passou pelos meus lábios.
- Eu prometo Kevin.- sussurrei, já só sentindo depois os seus lábios nos meus, de novo. Agarrei-me ao seu pescoço, beijando-o da mesma forma e soltei um suspiro, encostando a minha testa à sua quando o beijo cessou.
- Desculpa ter aparecido aqui a estas horas, mas eu não conseguia ficar bem sem ter a certeza de que..- abanou a cabeça, não terminando, e eu abanei a minha também, passando os dedos pelos seus lábios.
- Não peças desculpa, eu estava a morrer de preocupação.- cheguei-me mais para ele, escondendo a cara no seu peito. Apesar do cheiro a álcool, o seu cheirinho continuava lá, tal como eu gostava.- porque é que não respondeste à minha mensagem? – perguntei com a voz toda abafada.
- Eu pensava que queria estar sozinho.- ele suspirou, passando as suas mãos pelo meu cabelo.- mas depois de me ter enfrascado em bebida, já só parei aqui.- sorri, olhando para ele apenas com um olho, espreitando.
- Ainda bem que vieste, a minha cama é fria.- queixei-me baixinho e ouvi a sua gargalhada rouca, por ter estado a chorar.
- Então espera.- ele murmurou, largando-me para se levantar e eu fiquei a olhá-lo com uma careta. Despiu a camisola, fazendo-me morder o lábio de forma imediata e depois as calças, ficando assim só de boxers. Voltou para ao pé de mim, deitando-se ao meu lado e puxou-me de novo para ele, deixando-me deitar a cabeça no seu peito, como tinha feito na noite anterior.
- Olha que eu vou habituar-me.- disse, passando um dedo pelo seu peito enquanto fazia desenhos imaginários e não foi preciso olhá-lo para saber que sorria. Fechei os olhos mal senti as suas mãos no meu cabelo e suspirei baixinho, aninhando-me.
- Não faz mal, eu posso sempre entrar pela janela.- apertou-me contra ele.- a minha cama também é demasiado fria.
aqui está, como prometido.
espero que gostem e comentem, beijinhooos










