publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-23 14:44:49
Patere tua consilia non sentis? Constrictam iam omnium horum scientia teneri
Suportar os teus planos não sentes? Dominado já de todos eles conhecimento ser tida
coniurationem tuam non vides? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris,
a conjura tua não vês? O que na próxima, o que na anterior noite tenhas feito, onde tenhas estado,
quos convocaveris, quid consili ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris?
quem tenhas convocado, que planos tenhas tomado, quem de nós ignorar pensas?
O tempora! O mores! Senatus haec intellegit, consul videt; Catilina tamen vivit. Vivit?
Ó tempos! Ó costumes! O senado isto compreende, o cônsul vê; Catilina porém vive. Vive?
Immo vero etiam in senatum venit, fit publici consili particeps, notat et designat oculis
E até também ao senado vem, faz-se do conselho público participante, nota e designa com os olhos
ad caedem unum quemque nostrum. Nos autem, fortes viri, satis facere rei publicae
para o assassínio um qualquer dos nossos. Nós, homens fortes, bastante fazer à coisa pública
videmur si istius furorem ac tela vitamus. Ad mortem te, Catilina, duci iussu consulis
seremos vistos se deste o furor e as armas evitamos. À morte tu, Catilina, ser levado por ordem do cônsul
iam pridem oportebat; in te conferri pestem quam tu in nos machinaris...
já há muito era necessário; para ti transportar a peste que tu contra para nós maquinas...
O leitor notou que não fiz uma tradução. Apenas refiz o texto latino com palavras portuguesas (aproximadamente), para que fique saliente a grande divergência entre a sintaxe portuguesa e a latina de Cícero de há quase 2100 anos. Não admira, pois 2100 anos são uma grande separação temporal. Nem o próprio povo latino (o vulgo) devia falar assim. Temos, porém, de admitir que a linguagem de Cícero era perfeitamente entendida por todos os senadores do seu tempo. Era a língua culta, enquanto o português, língua novi-latina, resultou do latim vulgar, que simplificou muito a língua de Cícero, eliminando declinações, simplificando conjugações e dando à sintaxe uma forma mais apropriada às mentes populares. Isto não quer dizer que o português seja uma língua inferior ao latim. Pelo contrário. Tivemos gramáticos que aperfeiçoaram a nossa língua e fizeram dela um instrumento notável de grande expressividade, bem ao contrário do latim clássico, que para ser bem compreendido exige erudição e amor.
A língua latina é dita "sintética", pois expressa o pensamento em poucas palavras.
O português, como aliás todas as línguas novi-latinas, é dito "analítico".
Tenhamos orgulho da nossa língua!
Joaquim Reis




































