
Relembrando a velha questão das horas que se alongam durante a semana, e dos dois dias de fim de semana que se esvaem entre os dedos, como se fossem duas horitas...
coisas lidas
Quando Simão Proença estava a ser concebido, deus chamou um dos seus colaboradores e disse-lhe:
- Põe umas asas naquela criatura, que vai precisar delas para pequenos voos.
O executivo, que era novo no cargo e estava pouco familiarizado com a linguagem metafórica de deus, pespegou-lhe dois rudimentos de osso na sétima cervical, que toda a vida causaram ao pobre Simão incómodos de varia ordem: dores de cabeça, vertigens e ate por vezes, já que a palavra de deus é irreversível, alguns vislumbres da quarta dimensao.
Exm.º Senhor Magistrado do Ministério Público junto do Tribunal de Família e de Menores de Lisboa
NOME, viúva, residente em Rua do NOME, 0000-000 LISBOA nascida em 00 de Novembro de 1964, natural da freguesia e do concelho de Vila Franca de Xira, titular do bilhete de identidade n.º 00000000, de 00.00.0000, emitido pelos SIC de Lisboa, contribuinte fiscal N.º 000000000, na qualidade de representante legal de seu filho menor NOME, nascido em 00.00.2001, com 8 anos de idade, vem requerer, nos termos dos artigos 2.º, n.º 1, alínea b), e 3.º n.º 1, alínea c), do Decreto-Lei n.º 272/2001, de 13 de Outubro, autorização para a venda de bens do menor, nos termos e com os seguintes fundamentos:
I
O menor, nasceu em 00 de MÊS de 2001, sendo filho da requerente, tendo o progenitor falecido no dia 1 de Abril de 2009, conforme documentos n.ºs 1 e 2 que junta.
II
No processo de inventário instaurado por óbito de seu marido, NOME, e que correu termos no/na/em ___________, foi adjudicado ao menor ¼ do prédio urbano, MORADA, na freguesia de Santa Justa, concelho de Lisboa, descrito na __ Conservatória do Registo Predial de Lisboa, sob o número 0000, da referida freguesia, inscrito na matriz predial urbana daquela freguesia sob o artigo U-000.
III
Os restantes três quartos foram adjudicados a NOME, ora requerente.
IV
Aquisição essa que foi devidamente registada na respectiva Conservatória do Registo Predial pela apresentação n.º ______________ conforme decorre da certidão que se junta (doc. N.º 3).
V
Portanto o menor é comproprietário desse imóvel, detendo a quota de ¼.
VI
A restante comproprietária, que é mãe do menor, está disposta a vender a sua quota-parte e a quota-parte do filho menor, pondo termo à comunhão desse imóvel, a NOME DO INTERESSADO NA AQUISIÇÃO/COMPRA, que reside em MORADA, o qual oferece o valor total de 200 000,00 € (DUZENTO MIL EUROS).
VII
Valor este que é considerado compensador e ajustado ao preço corrente na localidade e tendo em conta as características do imóvel e o seu estado de conservação.
VIII
Assim o menor receberá a sua quota-parte que é de 50 000,00 €, valor este que a requerente se compromete a depositar numa conta a prazo, em nome do seu filho.
IX
Por isso, essa venda é vantajosa para o menor e acautela os seus interesses.
X
Como decorre do artigo 1889.º, n.º 1, alínea a), do Código Civil, não pode a requerente proceder à venda e outorgar na respectiva escritura pública de venda, em nome do menor, sem autorização de V.ª Ex.ª.
Nos termos do artigo 3.º, n.º 3, alínea b), do Decreto-Lei n.º 272/2001, de 13 de Outubro, indica-se como parente sucessível do menor [indicar NOME, PARENTESCO E MORADA do parente sucessível mais próximo do incapaz ou, havendo vários parentes no mesmo grau, o que for considerado mais idóneo]
Nestes termos, pede-se a V.ª Ex.ª que lhe seja concedida autorização para proceder à venda de ¼ do dito imóvel, em nome do menor, bem como para, em seu nome, outorgar na respectiva escritura pública de venda, a realizar por valor não inferior a 200 000,00 €.
Mais requer que, citado o parente sucessível indicado, para no prazo de 15 dias deduzir oposição, querendo, seguindo-se os ulteriores termos.
JUNTA:
- 3 Documentos e duplicados legais.
A Requerente,
Tenho um medo enorme de que a minha mãe tenha uma recaída... Não sei se aguentaria tudo novamente.
Coisas Lidas
Um ano inteiro vivemos juntos á beira do rio, nunca lhe pedi explicações porque o mistério é o mistério, da pele costurou o colete que nunca mais larguei, ensinou-me tudo sobre o amor, a terra, a floresta, a savana e o rio, ensinou-me, na verdade, tudo quanto sei e a paixão que tinha para viver, vivi-a toda naquele ano, naquela terra quente á beira daquele rio.
Uma madrugada, que recordo como a mais triste de toda a minha vida, não sentiu a sua cabeça na cova do meu ombro, nem na sua coxa sobre a minha coxa, nem a sua mão pousada no meu peito. Abri os olhos sobressaltado, sai da cabana, chamei. Mas apenas vi do outro lado do rio, uma zebra q eu se afastava na luz quieta da primeira manhã.

... de um chá bem quente...
Alguém me acompanha?
ACREDITAR - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro
Costuma circular a ideia de que o Natal está a ficar cada vez mais consumista e as pessoas estão a esquecer o lado mais espiritual da época.
bom dia com um dia de sol a despontar e com estes novos talentos

... quando, a cada esquina percorrida, encontras um peditório, uma recolha de "o que puder dar", uma banquinha com bonequinhas, bolinhas, canetinhas e outros "inhas" para ajudar uma qualquer causa...
E que tem isso de mal? Perguntam e muito bem... Não tenho nada contra ajudar o próximo, muito pelo contrário sempre que posso não deixo de ajudar quem precisa... O que me incomoda é ser pressionada desta forma a ajudar! Fazerem-nos sentir mal apontando os nossos filhos saudáveis em detrimento de outros que não têm o que comer, apanhando-nos quando fechamos a carteira numa qualquer caixa de supermercado... entre tantos outros exemplos que bem devem conhecer!
Gosto de ajudar sim, mas gosto de o fazer com conta, medida e conhecimento do fim destinado à minha contribuição!
Posto isto, tomei uma decisão que ponho em prática de há dois anos para cá: me perdoem estes jovens que o fazem com a melhor das intenções, mas não vou parar em qualquer dessas bancas, não vou contribuir sempre que me batem à porta com o calendário da praxe, não vou ficar com peso na consciência quando for censurada por esta atitude... Todos os anos escolho uma instituição, reservo um valor que considero justo ou os bens que fazem falta à mesma, e ajudo assim, com conta, medida e conhecimento do fim dado ao meu contributo!!
Claro que isto não invalida as doações de roupa, calçado e brinquedos, de alimentos para o banco alimentar, de livros e objectos que já não uso, que também faço, com todo o gosto, ao longo de todo o ano!!
Numa altura em que se fala tanto do “Caim”, li “A Viagem do Elefante”.
Hoje foi dia de compra de passe de metro.
Coisas Lidas
(...)
Uma vez em África andava eu no mato, quando vejo uma zebra maluca as cabeçadas as arvores e afligi-me todo porque o animal nao era dali e ia espatifar-se fora do seu horizonte.
Alto, bicho bonito! Vem ao pé de mim que te levo para a tua savana, nem que nessa caminhada demore o resto da minha vida. Olhou-me com os olhos tão meigos que vi logo que me tinha entendido, os animais entendem as palavras e as intenções por detrás delas, caminhou ao meu lado como burro doméstico, era uma fêmea, ao fim de três horas ajoelhou para que eu montasse. E assim andamos dois dias, dorme aqui, avança acolá, cheirávamos a água do rio mas não alcançávamos de lá chegar, ao terceiro dia, mais mortos que vivos, avistamos a margem e bebemos.
Do outro lado da savana, a zebra havia de atravessar a nado, eu voltaria para trás, mas não sei porque deu-me um nó na garganta e á zebra também, que me rodeava a cabeça no meu peito e não partia.
Fui á caça de alguma coisa para comer, depenei o meu pássaro, fiz uma fogueira para assa-lo, pensei. Agora vai fugir com medo do lume, mas não, deitou-se ao meu lado como se esperasse alguém ou alguma coisa. Porque já sabia que me escutava falei-lhe de manso, zebra minha amada, a tua vida não é deste lado do rio, tens que ir – te á procura dos teus, ninguém vive bem sozinho e uma zebra muito menos, tens a tua manada, todas as riscas bonitas como tu, pretas e brancas, a explicar aos homens que preto e branco se misturam na maior beleza, eu sei que és minha amiga e que me estas agradecida, mas chegou a hora de dizermos adeus. Correu um pouco pela margem, experimentou a agua. Agora é que vai, qual que, eu estava deitado com as mãos debaixo da nuca, voltou para trás, deitou-se, pousou a cabeça no meu peito e adormeceu.
Era um peso enorme, mas não quis enxota-la, havia de parecer – lhe ingratidão, lá adormeci e á medida que dormia o peso fez-se mais leve e no meio da noite acordei de repente e tinha uma mulher nos meus braços e uma pele de zebra a cobrir-nos aos dois. Ela era negra, linda, macia e cheirosa, apertou contra o meu o seu corpo nu e ali nos amamos e nunca, nos dias da minha vida, amei nenhuma que se lhe comparasse.
Ana F.
Feminino
"Há livros que lemos até ao fim e queremos que continuem. Mas o livro fica-se por aí, continua em nós, que é a forma que os livros têm de acabarem bem” (Mª João Lopo de Carvalho - Adopta-me)