publicado por danz às 2013-05-20 23:21:48
Espero por um diferente amanhã,
Estou cansado dos “talvez” que me traz cada manhã.
Tento fugir da lentidão dos dias maus,
E ouso pedir ordem, quando em mim habita o caos.
Junto pedras e paus que surgem no caminho,
E faço deles histórias, amigos, para não me sentir sozinho.
Talvez seja “homem-nada”, talvez nem homem seja,
Sem nada receber, tudo aos outros dou em refinada bandeja.
Gosto do “resto”, invento-me de pedaços,
Iludo-me, a espaços, quando empurrado pelo vento dou passos.
Refém dos vícios a que presto tributo,
Sinto que a sorte de mim fez luto.
Mas não a refuto, nem a ressinto nem a protesto.
De que vale falar ao mundo se não tens voz para o manifesto?
Nada há para dizer mas tudo quero ouvir,
Sou herói de passatempos que não vão existir.
A caneta vai roubando o que fica por dizer,
E tu foste matando o que eu tinha para ser.
O espaço é pouco para mudanças,
Mas das minhas certezas a vida faz tranças.
Talvez sejas porta-voz de uma jornada ingrata,
Mas não mais precisarei de viver do que me mata.
Daniel Rodrigues
