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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-23 21:31:48
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 2
- Devíamos chamar a polícia – disse Richard.
Chelsea fingiu não o ouvir e percorreu todas as divisões do apartamento em menos de nada. O seu instinto dizia-lhe que Lyux o tinha apanhado, mas queria negá-lo a todo o custo. Porque se admitisse isso, se admitisse que Will tinha sido apanhado pelo inimigo, então estaria a admitir que o fim estava mesmo a chegar. E isso aterrorizava-a.
- Chelsea… - chamou o irmão, enquanto observava a casa parcialmente arrumada e parcialmente desarrumada. A acção tinha ocorrido na sala de estar, pois em mais nenhuma das outras divisões estavam itens partidos ou sinais de luta – Chelsea!
- Deixa-me pensar! – Gritou a rapariga, levando as mãos aos cabelos – Deixa-me pensar Richard…
- O que é que se está a passar?! – Richard já tinha perdido a paciência. Ele confiava na irmã a cem por cento, e queria ajudar, mas para isso precisava que lhe fossem explicadas todas as coisas que não sabia. O rapaz agarrou nos ombros de Chelsea e abanou-a em sinal de desespero, e ela apenas se soltou dele e suspirou. Ela queria contar tudo, mas temia que isso o pusesse a ele também em perigo.
- Rich… eu sou… - Chelsea parou subitamente ao ouvir um barulho vindo da porta, e num reflexo voltou-se e mandou a figura que lá estava parada contra a parede em frente, vendo apenas depois de quem se tratava. Um polícia com os sentidos atordoados levantava-se agora do chão, e ao pé dele outros apareceram.
A rapariga dos caracóis ruivos ficou em choque quando viu o seu pai junto aos outros homens, de arma apontada a ela. Viu-lhe no semblante que estava desgostoso, aliás, nunca o tinha visto com pior figura. Norman Burke abanou a cabeça e engoliu em seco.
- Não te mexas – ordenou-lhe.
- Pai, o que…
- Eu disse para não te mexeres – disse ele, já com a voz mais firme – Põe as mãos atrás da cabeça.
A filha engoliu em seco e obedeceu, perante o olhar incrédulo de Richard.
- O que é que se passa aqui? – Perguntou ele, olhando tanto para o xerife, como para Chelsea.
- A tua irmã é a Defensora do Oculto – disse o xerife Burke, enquanto algemava a filha que tinha os olhos fechados para tentar suprimir a vontade que tinha de se desmanchar em lágrimas – Lamento imenso… ninguém está acima da lei.
- Ela? Não – Richard riu-se um pouco mas, ao ver as caras de todos os presentes, caiu na realidade e ficou também pasmado – Pai, não a podes prender… é a Chelsea, por amor de Deus.
- Ele tem razão – murmurou Chelsea, com a voz baixa, voltando-se para Richard, já com as algemas postas – Posso pelo menos receber um abraço do meu irmão?
Norman assentiu e Richard envolveu a irmã nos seus braços, apertando-a com força. Ele não podia acreditar.
- Tira o meu colar – sussurrou-lhe ela ao ouvido – Leva-o ao Jensen… ele saberá o que fazer.
- Mas…
- Fá-lo – Richard tirou o colar e sem que alguém visse, quando se desviaram, enfiou-o no bolso das calças de ganga – Adoro-te Richard.
❦
- Como soubeste? – Perguntou Chelsea.
- Recebemos uma dica desconhecida a dizer onde a Defensora ia estar – “Uma dica? Lyux”, pensou ela – O que se está a passar com a cidade? – Perguntou o xerife Burke, enquanto estava de pé do lado de dentro da cela em que tinha fechado a filha, que se encontrava sentada na cama e suspirava.
- Vá lá pai, não me faças isto. Sabes quem eu sou, sabes que não sou má. Conheces-me pai – implorou Chelsea, pela milionésima vez.
- Aqui não posso ser o teu pai, Chelsea. Primeiro tenho que defender esta cidade. Não é o meu trabalho, é quem sou! – Gritou-lhe ele.
- Exacto – disse a rapariga dos caracóis ruivos, levando-se e levantando também levemente a voz – É quem tu és. Da mesma que a Defensora do Oculto é quem eu sou.
- Mas não é normal! Infringiste a lei, agiste sozinha, traçaste o teu destino. E agora tens que pagar por isso.
- Estás mesmo a prender a tua filha? – Perguntou ela, já com as lágrimas nos olhos – Pai, eu juro que não sou má. Estou a tentar ajudar. Tens que me deixar sair daqui, sou a única que pode ajudar Diamond City nesta altura. Sou a única que pode salvar esta cidade. Por favor, juro. Eu não sou má!
- Eu não acredito em ti.
Só uma simples frase. Poucas palavras. Um tom fraco. Uma significância enorme. Chelsea sentiu tudo dentro dela a estalar quando, ao olhar nos olhos do pai, percebeu que o que ele disse era mesmo verdade. Ele não acreditava nela. Nem um bocadinho. Chelsea nunca o tinha visto olhar para alguém como olhou para ela naquele instante. Não estava só zangado. Estava desiludido até ao ínfimo do seu ser. Zangado e desiludido, as duas únicas coisas que Chelsea nunca quis que ele sentisse.
A rapariga deixou que uma lágrima lhe escorresse pela bochecha e Norman desviou o olhar para o chão. Magoava-lhe ver a filha assim, trancada, frágil. Só a queria abraçar e dizer-lhe que a ia libertar. Mas não a conseguia perdoar pela mentira. E a justiça falava mais alto. Pelo menos a noção de justiça que ele tinha em mente.
Chelsea limpou a lágrima e olhou pela estreita janela com barras, para o exterior. As nuvens tinham coberto toda a cidade, e pouca luz havia. Lyux tinha mesmo pensado em tudo.
- Podes-me virar as costas neste momento – afirmou Chelsea, olhando de novo para ele – mas posso-te assegurar que não fazes ideia com o que estás a lidar. Não vais conseguir proteger a tua cidade, xerife Burke.
Norman pressionou os lábios um no outro e pediu ao outro guarda que destrancasse a porta, para ele sair. Depois voltou a trancá-la, e ordenou-lhe que a vigiasse, antes de sair. Chelsea sentou-se de lado, na cama, com as pernas encolhidas, a observar o exterior enquanto enrolava uma ponta do cabelo com os dedos.
“Eu não consigo fazer isto”, pensava ela, “Não consigo lidar com as Bruxas, nem com a Escuridão… não consigo lidar com o meu pai. Só espero que o Jensen não demore… Oh Will, onde é que tu estás no meio de toda esta confusão? Preciso da tua ajuda, preciso que me ralhes e digas que tenho que ser forte. Por favor não morras. Por favor não morras”. A rapariga apoiou a cabeça nos joelhos e fechou os olhos com força. Lyux tinha conseguido deitá-la a baixo, mas Chelsea não a ia deixar ganhar. Não podia. Esteve assim durante sabe-se lá quanto tempo.
Ouviu uma grande algazarra no lado de fora e levantou-se, pondo-se encostada à cela e apertando as barras com as mãos.
- Não te mexas – ordenou-lhe o guarda, que abriu a porta para a delegacia, para ver o que se passava. Assim que o vez, levou com um pontapé e depois um murro que o puseram inconsciente.
- Demoraste bastante tempo – queixou-se a rapariga, enquanto via o rapaz mascarado agarrar na chave da cela, que estava no cinto do guarda.
- Desculpa – não foi Jensen quem lhe falou, mas sim Richard, que entrou nesse preciso momento – Eu obriguei-o a explicar-me tudo antes de lhe dar o colar…
- Fez-nos perder tempo, foi o que foi – queixou-se Jensen, enquanto abria a cela e deixava Chelsea sair – Acredito que isto te pertença – agarrou no colar com o pingente e passou-o para as mãos dela – Porque o tiraste?
- Era o único objecto que me ligava à Defensora, não podia arriscar que mo tirassem como fizeram à minha mala – justificou-se, enquanto o punha de novo ao pescoço.
- Meu… ainda não consigo acreditar – murmurou Richard – E agora?
Chelsea suspirou e deixou a luz mágica do pingente trespassar-lhe o corpo, transformando-a na bela guerreira do povo. Richard ficou de boca aberta, e Chelsea sorriu-lhe.
- Agora lutamos – respondeu Jensen.
Os três saíram da delegacia, cheia de polícias desmaiados, e correram em direcção ao sítio em que as nuvens estavam mais concentradas. O Largo da Câmara. Quando lá chegaram, depararam-se com um género de buraco negro mesmo no centro da rua. Chelsea parou, e os outros dois pararam atrás dela. Ela sabia onde aquilo ia dar. E sabia que tinha que entrar. Mas não queria. Não queria ir sozinha. Não queria completar o seu destino. Não queria ser uma Faith. Queria viver como Chelsea, livre de preocupações.
- Eu vou contigo – afirmou Richard, dando a mão à irmã. Chelsea largou-a de repente e voltou-se para ele.
- Não – afirmou – Tu ficas.
- Então não vás. Chelsea, se tu fores… não vás, vira as costas desta luta… é só uma – implorou-lhe. Ele sabia o que lhe ia acontecer se fosse.
- Não posso… - murmurou ela, olhando de novo para aquele buraco negro, aquele vórtex, e suspirando – Não fazes ideia de quantas vezes desejei que alguém me dissesse isso e me tentasse impedir de ir lutar… só agora é que percebo que teria sido em vão.
- Eu vou com ela – disse Jensen, pondo a mão no ombro de Chelsea – Eu protejo-a, mano.
- Eu adoro-te – proferiu Chelsea, dando um abraço ao irmão, um abraço que podia muito bem ser o último entre os dois.
Jensen deu-lhe uma pancadinha no ombro, e depois correu com Chelsea para o buraco negro, mandando-se para dentro dele em seguida. A porta para o Mundo da Escuridão.
Richard ficou especado por poucos segundos, mas ele não podia deixar a irmã morrer assim. Ela já tinha feito tanto. E tinha tanta vida para viver. O filho mais velho dos Burke engoliu em seco e correu também para dentro do buraco negro, fechando os olhos com força.
Então eu dou um discurso "enorme" sobre a importância dos comentários e só recebo 4?
Andam-me a falhar... ai ai


















