publicado por ariel às 2013-05-26 00:31:00
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Seguir Perfil »publicado por ariel às 2013-05-26 00:31:00
no fear. sei que tenho as melhores pessoas comigo, vou tê-las sempre. vai correr bem.
publicado por Cate J. às 2013-05-25 18:40:49
15ºCapítulo
Sangue

Marge olhou-os a todos, preparando a sua faca para que ficasse sempre à mão. Susie fez o mesmo, e Grace agarrou melhor no seu arco, começando a relembrar-se de todos os sítios onde tinha escondido as suas flechas. Assim que a porta do elevador se abriu e todos saíram o corpo da idosa caiu no chão manchado de sangue mais escuro que o normal. Rafael, mandou o elevador para baixo, para que ninguém daquele andar visse o que se tinha sucedido e começou a andar na direcção de um gabinete em específico.
-Rafael – Marge estava parada mais atrás – para onde é que nos estás a levar? – perguntou, mas o meio humanóide, não ligou, apenas abriu a porta do gabinete de Frank.
Estava nu, assim como Anastácia também o estava e para piorar, ele estava em cima dela, que estava em cima da secretária. Os papéis estavam todos espelhados no chão e até o ecrã do computador tinha caído.
-Apanhados em flagrante delito – disse Rafael com um sorriso maldoso nos lábios. Grace que estava um pouco mais atrás a ver aquilo, agarrou-se à barriga enquanto sentia vómitos consecutivos, só não vomitou porque o que tinha no estômago não era nada. A mãe dela, agarrou-lhe nos ombros enquanto olhava para aquela cena. Até agora estava desconfiada de que eles iam atacar Frank sem qualquer prova, Rafael nunca tinha gostado dele, podia ser uma espécie de vingança, mas agora percebia que não era. Ela abanou a cabeça num tom de desaprovação, enquanto Frank parecia atónito e sem saber o que fazer. Estava congelado em cima de Anastácia a olha-los já ela, estava a sorrir e esticou um braço a Rafael, que apenas revirou os olhos.
-Até que ela nem era má de todo – disse Quint assentindo com a cabeça como se aprovasse.
Susie estava um pouco mais pálida que os outros, olhando para a cena com uma expressão desiludida, ela que pensava que tinha encontrado uma amiga a sério, tinha encontrado uma aberração. Apesar de ter alinhado na busca, ela tinha uma esperança de que a amiga se fosse desculpar, mas não, agora já não havia volta a dar. Ela era má, ela queria acabar com tudo.
-Olhem para trás de vocês – Frank tinha descongelado, tapando-se agora com a sua própria roupa. Grace foi a primeira a olhar para trás e arregalou os olhos quando viu humanóides a aparecer por toda a parte.
-Lembraste de eu ter dito que havia pelo menos mais um Grace? – perguntou Quint com um sorriso. Estava divertido? Grace arregalou os olhos, tirando uma flecha de trás das costas, apontado para os humanóides. Ao sentir Rafael atrás de si ela olhou-o pelo canto do olho.
-O que é que eu faço? – perguntou baixinho.
-Tentas sobreviver – disse ele num tom baixo. Grace sabia que aquilo era uma tradução de: “mata”. A rapariga sentiu os seus sentidos ficarem mais alerta quando viu dois humanóides atacar Susie – Cuidado – gritou-lhe atirando duas setas de um modo rápido e genial acertando em cheio nas testas de cada um, que caíram para o lado. Susie ficou um pouco em choque, com a sua wakizashi (espada) a tremer-lhe nas mãos, mas logo lhe conseguiu mostrar um meio sorriso. Ao sentir alguns movimentos atrás de si, que não devia sentir, Grace virou-se para trás e matou mais outro que a estava quase a atacar. Ela não gostava de o fazer, mas sabia que se não os matasse, todos os seus amigos iam morrer.
-Sai – gritou Rafael com todas as suas forças para Grace, que só se apercebeu depois de ter um rapaz de olhos azuis e cabelo preto, com umas bochechas de bebé e um olhar inocente em cima dela pronto para mata-la. Ela não conseguiu, ela olhava para aqueles olhos e definitivamente não conseguia mata-lo.
-Ele não é humano – gritava-lhe Quint que o tirava de cima dela e o executava. Os irmãos agarraram cada um num braço da rapariga e levaram-na para dentro do gabinete de Frank. Este, observava tudo muito atentamente sorrindo de vez enquanto, mas Marge aproximou-se e depois disso Grace não conseguiu ver mais nada porque Rafael agarrou-lhe na cara – acorda. – ela olhou os seus olhos, vendo depois Quint ao lado com uma expressão preocupada. Ela assentiu e endireitou-se apertando o arco nas suas mãos.
-Vão, eu estou bem – Quint assentiu afastando-se e correu até ao lado de Susie quando a ouviu gritar por si. Rafael ainda a ficou a olhar, só quando ela desviou o olhar é que ele deu uns passos para trás, virando-se para Anastácia que estava a arranjar um plano para saltar dos vinte andares que estavam debaixo dos seus pés. Até ela morreria se saltasse.
-Não me vais matar loirinha – disse Anastácia com a cara a ferver apesar de pálida. Pálida e assustadora.
-Já ouvi isto em alguma vez e acabaste desmaiada – sorriu Grace apontando-lhe a ponta afiada da seta à sua testa com um sorriso. – Eu consigo fazê-lo. – garantiu.
-Grace – ouviu Rafael, ela olhou para trás pelo canto do olho e só o viu assentir.
-Rafael! – Anastácia gritou ao perceber que ele dava permissão a Grace para a matar, mas Grace não precisava de nada disso, foi só largar e fazer com que a flecha fosse ao encontro da sua testa. Pela primeira vez não teve pena de matar um humanóide. Deu um passo para trás virando as costas. Anastácia tinha ainda os olhos abertos, uma expressão assustada e uma linha fina de sangue vermelho muito escuro a escorrer-lhe pela testa. Estava presa à parede ainda em pé, parecia uma estátua. Frank tinha parado de lutar com Marge quando o corpo da amante lhe caiu perto dos pés. Apanhando-o distraído, ela encostou uma faca ao pescoço do seu suposto amigo.
-E tu ainda me mentes descaradamente a dizer que a amas – gritou-lhe Marge abanando a cabeça. – Como é que és capaz de trair o teu sangue?
-Da mesma maneira que ele consegue trair o dele – apontou com o queixo para Rafael. – Eu não menti. – Grace parou para o olhar, mas nem conseguiu fazê-lo por muito tempo, apenas abanou a cabeça virou costas. Marge não o ia matar, talvez o resto da vida dele na prisão fosse um castigo suficiente, senão o pior. Estava a ir para fora do gabinete para matar todos os outros que faltavam, mas já vinha tarde. Estavam todos mortos finalmente. Com um suspiro cansado, Grace encostou-se ao corpo manchado de sangue negro de Quint, mas ela nem se pareceu incomodar.
-Quero sair daqui – disse ela. Quint olhou-a com um meio sorriso.
-Já acabou tudo.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-25 14:34:10
Capítulo 22
Apenas o Princípio * Parte 2
- Vocês… são… monstros – murmurou Chelsea, olhando finalmente para elas.
- Sim, somos – disse Blinke, sorrindo-lhe e dando-lhe uma bofetada em seguida, que a fez cair para o lado. Chelsea ficou a sangrar do lábio, e Jensen queria ir ajudá-la mas estava preso no poder das Bruxas, ainda não se conseguia mover.
- Porque é que não me matam, apenas? – Perguntou Chelsea, com a raiva espelhada na voz – Isto não é culpa minha?! Não fui eu que vos causei todos os problemas?! – A Defensora do Oculto levantou-se fracamente e ficou frente a frente com as Bruxas – Fui eu. Eu arruinei os vossos planos. Por isso força, matem-me a mim.
- Não… não foste apenas tu… - murmurou Lyux, fazendo com que Jensen subisse até ao tecto e depois caísse para o chão, batendo com força – O Byron trocou-nos. Não trocaste? Condenaste-nos… e pelo quê?
- Amor – murmurou Jensen, enquanto se levantava desajeitadamente – Troquei trevas e angústia por amor.
Ele não se lembrava muito da sua vida passada. A maior parte das coisas que sabia eram apenas pelas histórias que tinham ouvido, mas mesmo apenas isso dava-lhe para entender quão miserável a vida na Escuridão devia ser. Dava-lhe para perceber que se algo transformou um guerreiro tão mau quanto ele, num lutador justo e bom, deve ter sido algo muito forte. Algo muito superior.
- Escolheste o lado errado – disse Blinke, fazendo com que o rapaz fosse de encontra a uma parede e deixando-o cair no chão.
- Pára! – Gritou Chelsea, correndo até ela e investindo num murro. Mas a Bruxa agarrou-lhe na mão e puxou-a para a frente, fazendo-a cair de barriga no chão – Parem…
- És patética – disse Lyux, que, com um gesto de mãos, levantou Jensen e levou a espada até ele, cravando-lhe a lâmina no abdominal, fazendo-o gritar estridentemente. Mandou-o para o chão, mais precisamente para cima de Chelsea, e esta, entre lágrimas e terror, retirou-lhe a espada e agarrou-lhe na cara, para que este olhasse para ela. Ele estava meio deitado no seu colo, e as lágrimas de Chelsea caíam-lhe para o peito. Chelsea pressionou a ferida, mas o sangue não parava de sair.
- Lento… doloroso… - murmurou Blinke.
- Não, não pode ser – dizia Chelsea baixinho – Não tu, não morras Jensen… não me deixes… por favor não morras…
- Shh – Jensen levou a sua mão até à cara da Defensora do Oculto e fez-lhe uma festa a custo – Eu amo-te caracolinhos.
Se Chelsea já chorava, então aí é que tudo chegou ao fim. A dor que sentia era demasiado forte para ser descrita. Era mais do que pessoas normais conseguiriam suportar. Jensen deixou que a sua mão caísse ao mesmo tempo que Chelsea lhe via a luz ausentar-se dos seus olhos azuis, outrora cheios de vida e felicidade.
- Não… não, não, não… não me podes deixar Jensen! Não me deixes Jensen! – Gritou ela, enquanto o abanava na esperança que ele acordasse. Mas ele não acordou. A rapariga retirou as mãos da ferida e fechou-lhe os olhos, pousando o seu corpo no chão frio e levantando-se em seguida.
Chelsea levantou-se e olhou aquelas duas Bruxas como nunca tinha olhado ninguém. Ela odiava-as acima de tudo o resto.
Will acordou nesse instante, e apenas levantou a cabeça do chão, para ver a acção que se estendia à sua frente. Queria ajudar, mas sabia que ao ínfimo movimento que as Bruxas detectassem, seria a sua morte. Chelsea viu-o, mas não ligou. Ela já não ligava a mais nada.
- Vocês… - murmurou a ruiva, dando dois passos em direcção às irmãs – Vocês não têm ideia…
- Assim é melhor – disse Lyux, com um tom divertido – Admite lá, raiva não sabe tão melhor que todos os outros sentimentos estúpidos?
Chelsea engoliu em seco. Ela olhava para as caras nuas de sentimentos daquelas duas Bruxas e tudo o que conseguia ver, tudo em que conseguia pensar, era nos bons momentos que passara com os seus amigos. Nas gargalhadas que dera com Cassie. Nas vezes que o irmão mentiu aos pais para a proteger. Da altura em que Jensen apenas gozava com ela, e depois quando começaram a namorar. E depois via-as a matarem-nos. Um a um, vezes e vezes sem conta. Isto estava-se tudo a passar no seu cérebro por poucos segundos. Todas as memórias, todos os arrependimentos e todos os feitos. Chelsea deixou que mais uma lágrima lhe escorresse pela face e ficou de olhos fechados. Ela não estava a lutar. Estava a desistir. Não tinha mais nada por que lutar. Não tinha as pessoas que amava. Não queria lutar por uma cidade que a condenava. Não queria ser a heroína do povo. Queria voltar a ser a rapariga que chega sempre tarde às aulas por não ouvir o despertador, e não por ter que perseguir demónios mal o sol nasce.
- Chorar é para fracos – disse Blinke, rindo-se. Will engoliu em seco. “Não desistas…”, pensou.
Mas ela ia desistir. Estava a um passo de lhes implorar que a matassem. A um passo de ela própria acabar com a vida, se preciso. Mas em todas as trevas há uma luz, seja ela grande ou pequena. E no caso da Defensora do Oculto, não há luz maior. Chelsea sentiu um calor confortador passar-lhe por todo o corpo, e quando abriu os olhos viu a sua última lágrima a cair no chão e a criar a luz mais intensa que alguma vez vira.
- Mas o que é isto? – Perguntou Blinke – Protegendo-se da luz com as mãos.
- É… magoa! – Queixou-se Lyux. Chelsea não percebia o que se passava. Ela não controlava os poderes como Faith os tinha controlado. Não sabia que aquele poder provinha dos sentimentos que nutria por todos aqueles com quem se importa. Que vinha do seu coração puro e repleto de coisas boas.
- Pára! – Gritou Lyux.
Mas ela não parou. Continuou a reviver os anos de felicidade. Todas as festas, todas as piadas, todas as gargalhadas. Até as quedas eram boas naquele momento.
- Pára com isso! – Blinke tentou mover Chelsea com a mente, mas o seu poder foi bloqueado por algo muito maior.
- O poder da Defensora… - murmurou Will, antes de ser forçado a fechar os olhos devido ao brilho intenso que se instalara na sala.
Também Chelsea não aguentou com os olhos abertos, e a certa altura o brilho irradiado da lágrima era tão forte que também os fechou. À medida que o brilho aumentava, Chelsea sentia-se mais fraca, mas não se importou. Viu que o que quer que aquilo fosse, estava a resultar. Lyux e a irmã transformaram-se em pó, e nesse momento, quando Chelsea não aguentou mais, gritou e deixou-se cair para o chão, ao lado de dois pequenos montes de partículas de pó que se espalharam com o vento causado pela queda.
- Chelsea! – Gritou Will, que, ainda a ver mal devido ao brilho a que fora submetido minutos atrás, se apressou a chegar a ela.
“Também te amo, Jensen”, foi o último pensamento da bela Guerreira Defensora contra o Oculto.
❦
Chelsea abriu os olhos lentamente. Sentia-se bem, leve, relaxada. Deu por si deitada sobre um colchão bastante fofo e cómodo, e a sensação de paz passou a partir do momento em que se lembrou os seus últimos feitos. Levantou-se sobressaltada, ficando sentada. O que teria acontecido? Reconhecia aquele espaço como o quarto de Will, mas como teria lá chegado?
Will, que estava de pé ao pé da janela, apercebeu-se do movimento no quarto e voltou-se de imediato para a Defensora do Oculto, que olhava para ele com incompreensão.
- Calma – pediu ele, aproximando-se e sentando-se ao lado dela.
- A Cassie… o Jensen… o meu irmão… - Chelsea murmurava e engolia em seco, estava fora de si. Como se estivesse presa num mundo só dela e não conseguisse respirar. Estava a sufocar do pânico.
- Eles estão bem. Chelsea, tu…
- Morri – disse ela, com uma voz baixa – Eu morri, eu… e eles… - os olhos da rapariga começaram a ficar enlagrimados à medida que se ia lembrando de tudo ao pormenor – eles morreram, eles…
- Shh – fez Will, calmamente, agarrando nas mãos da rapariga – Consegui que os Guardiães vos ressuscitassem. A todos vocês – explicou, captando toda a atenção de Chelsea – Mas foi preciso muito poder e eles acabaram por retirar algumas memórias… ninguém se lembra do que aconteceu. Ninguém se lembra de quem tu és, do que fazes, nem de que te ajudaram. Nem de coisas relacionadas com toda esta história. Nada, é como se nunca ninguém tivesse descoberto nada. Lamento muito Chelsea, mas eles estão mais protegidos assim. O teu irmão está em casa, como a Cassie. Os Guardiães mandaram o Jensen de férias, com os pais. Pensaram que talvez precisasses de tempo. Quem me dera que não tivesse sido preciso mas foi inevitável. Não podíamos apagar a tua memória porque a luta apenas agora começou. Mas eles…
- Ninguém? – Interrompeu-lhe a rapariga, com o coração a andar a mil à hora – Nem o Jensen?
Will abanou a cabeça e fraquejou com o seu modo de ser, livre de sentimentos, quando viu uma lágrima escorrer pela face da Defensora. Ele também estava triste. Não tinha sido assim que tinha imaginado. Apertou-lhe a mão e mostrou-lhe um pequeno sorriso com a ideia de a consolar.
- Ao menos estão vivos – murmurou Chelsea, enquanto tentava parar as lágrimas. Mas doía demasiado saber que os tinha tão ao pé e tão longe ao mesmo tempo – Ao menos estão vivos.
- Lamento tanto – disse Will – Chelsea… - a rapariga levantou o olhar e deu com ele nos olhos de Will – Isto foi apenas o começo.
- Eu sei. É disso que tenho medo.
Continua... ❦
Bem chegámos ao fim da primeira parte da história.
Podem não ter gostado muito do final, mas tenham em mente que não é mesmo o final e que as coisas ainda podem mudar.
O que acharam de tudo até agora?
Fantasminhas com ou sem blog que gostam de ler e não comentar, agora era uma boa altura para quebrarem essa regra.
Quanto à segunda parte da história, posto-a assim que tiver os comentários nesta, vão ter as partes todas seguidinhas porque já estão escritas há muito.
Beijinhos.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-25 11:26:00
Peço desculpa à Francis Marie.
Samantha andava às voltas pelo quarto que lhe tinha sido designado para ficar. Sabia que em poucos minutos teria que se apresentar a Raj como Samuel, para o pequeno-almoço, mas também estava consciente de que o rei esperaria a presença da rapariga que julgara morta. Como é que ia fazer aquilo? Não se conseguia desdobrar, não conseguia ser duas pessoas ao mesmo tempo.
(...)
- Vossa Majestade, com todo o respeito, mas eu sou uma convidada no seu palácio, não uma prisioneira. Além de que as roupas das princesas são demasiado para mim. Bem sei que nasci na nobreza, mas asseguro-lhe que sou bastante simples. É apenas por algumas horas.
- Se me é permitido, comprometo-me a acompanhar a lady nas compras – disse Raj
(...)
Mais atrás, os dois soldados iam comentando o que viam. Os risos do comandante, a maneira como eles remexiam as bancas, tudo.
- Está a ficar apanhado por ela – disse Eresm – Nota-se logo pela baba que lhe escorre da boca.
- E podes culpá-lo? É bem bonita ela – dizia Quorq.
Querem ler o capítulo? Já está postado aqui e só a Francis Marie é que o leu.
Kiss
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 15:22:50
Capítulo 22
Apenas o Princípio * Parte 1
- Isto é tão aterrador – murmurou Chelsea, enquanto caminhava pelo corredor quase isento de luz no qual tinha ido parar após ter atravessado o portal para o Mundo da Escuridão.
- Olha-me para estas figuras… parecem pessoas – opinou Jensen, apontando para seres que estavam imóveis, feitos de cera, encostados à parede por uma grande parte do corredor. Chelsea aproximou-se de um e tocou-lhe.
- É porque são pessoas – murmurou, vendo o terror espelhado nas caras dos bonecos de cera todos curvados e com posições de quem pede misericórdia.
Chelsea aproximou-se de um cavaleiro da Idade Média, com uma espada nas mãos, e retirou-lhe a espada. Ele era apenas um boneco, mas a espada era bem real. Foi à parede paralela e retirou a espada ao outro boneco, dando-a a Jensen.
- Tu sabes sequer como manusear isto? – Perguntou ele.
- Vou aprender sob pressão – disse a rapariga.
- Talvez devesses ir… isto é perigoso e… eu podia tratar disto e ia ter contigo em menos de nada. Vai.
- Estás maluco? – Chelsea parou a meio do corredor e voltou-se para ele – Não.
- Mas… tu vais morrer aqui. Vá lá Chels, nós vamos todos morrer aqui. Salva-te.
- Achas que não sei disso? – Perguntou-lhe, chocada – Eu conheço as histórias, sei que não tenho o poder necessário… Mas não posso fugir Jensen. Acredita em mim, é o que mais quero agora. Mas não posso. Não te posso deixar aqui. Nem a ti, nem ao Will.
- Nem sabes se ele cá está. Só porque não sabes onde está, não quer dizer que esteja aqui.
- Ele está. Chama-lhe intuição.
Jensen suspirou e olhou em volta. Ele estava preocupado com a amada. Não queria que nada de mal lhe acontecesse, mas sabia que era demasiado teimosa para voltar para trás. Só esperava que não se magoasse. Sabia que não tinha as aptidões suficientes para lutar esta luta, que o confronto se estava a dar cedo demais. No fundo, sabia que as chances da bela rapariga de caracóis ruivos morrer eram elevadas.
- Devias confiar nela, as suas intuições da Defensora costumam estar certas – ouviu-se pelo corredor. Chelsea reconheceu a voz como a de Lyux.
- Onde estás? – Gritou a Defensora do Oculto, enquanto olhava para todos os lados.
- Apressa-te… ou o loirinho acaba por as pagar – avisou a voz.
Chelsea olhou alarmada para o rapaz da máscara e em seguida desataram os dois a correr pelo corredor que parecia interminável. Chegaram a uma porta dupla, de pedra escura, que se abriu sozinha, e lá dentro puderam ver uma sala redonda com cinco cadeiras grandes posicionadas mais acima da altura do chão. Numa dessas cadeiras estava Lyux, saudando-os com um sorriso. Já Will encontrava-se à sua frente, desmaiado no chão.
- Will – murmurou Chelsea, correndo até ao rapaz para verificar se estava bem. À medida que se aproximava, via outra silhueta aparecer-lhe ao lado – Cassie…
O som da gargalhada de uma das cinco Bruxas da Escuridão fez-se ecoar pelo palácio, e Chelsea olhou-a com raiva.
- Pensava que vocês eram cinco – disse Jensen, para dirigir a atenção de Lyux para si.
- Éramos… deixa-me perguntar uma coisa: o que sabem sobre aquela noite? Aquela em que a Defensora nos deixou miseráveis? – Lyux levantou-se e desceu as escadas, fazendo com que Chelsea retrocedesse e empunhasse a espada simultaneamente.
- O que achas que não sabemos? – Perguntou Jensen.
- A Defensora estava a planear algo contra nós, e tínhamos de agir. Tínhamos um plano, íamos juntar forças, seria tudo melhor. Mas depois a nossa gloriosa irmã, Xay, decidiu fazer tudo sozinha. Ela sempre foi sedenta de poder… uma verdadeira bruxa, se me permitem o trocadilho.
- Xay… - murmurou Chelsea.
- Se não fosse por ela, a Escuridão poderia ter vencido. Desde essa época que nos separámos. E as trevas começaram a erguer-se de novo. Recusámos trabalhar em conjunto, às vezes é mais produtivo fazer tudo sozinhos. Porque em poucos minutos, eu poderei afirmar que eu matei a Defensora. E então todos me temerão a mim. Não a um grupo de pessoas. Só a mim.
- Espera lá um bocadinho – ouviu-se, de novo em eco. Era uma voz mais fininha e algo irritante. Saída do nada, apareceu uma rapariga com um top a mostrar o umbigo, preto, e uma saia até aos pés, da mesma cor. Tinha um cabelo castanho clarinho, e uns olhos escuros.
- Blinke – disse Lyux entre dentes, forçando um sorriso – O que fazes aqui, irmã?
- Achei alguém perdido nos nossos corredores – Blinke, outra Bruxa da Escuridão, estalou os dedos e apareceu Richard, mesmo no centro da sala, desnorteado e a olhar para todos os lados.
- Richard – murmurou Chelsea, sentindo o seu coração a disparar. Como se não bastasse terem os seus amigos, tinham agora também o seu irmão.
- Desculpa, queria ajudar… ela apanhou-me e… - Richard ia andar em direcção à irmã, mas uma força invisível mandou-o de encontra à parede, fazendo com que Chelsea gritasse de pânico.
- Eu não disse que te podias mexer – disse Blinke, sorrindo e aproximando-se de Chelsea – Ora, ora, ora, ela não é uma gracinha? Tu arruinaste mesmo as coisas para os nossos lados…
- Não é como se isto fosse o meu passatempo preferido – respondeu a Guerreira Defensora.
- Queres ver qual é o meu? – Perguntou Lyux, aproximando-se também mais.
Chelsea engoliu em seco. Aquilo só podia indicar que algo pior estava a caminho. A Bruxa não esperou que alguém lhe dissesse nada, e levantou Cassie com o poder na mente, virando-lhe o pescoço a 180º num ápice, e deixando-a cair de novo.
- Não! – Gritou Chelsea, ao deixar as lágrimas escorrerem desalmadamente – Porque é que fizeste isso?! Ela não te fez nada, era inocente!
Jensen agarrou na namorada para que esta não fosse ter com o corpo sem vida da rapariga dos piercings. Para que não ficasse desprotegida. Richard, que se estava a levantar naquele momento, deixou-se cair de novo para o chão, horrorizado.
- Tens razão – disse Blinke, para a irmã – Isso é divertido. Posso fazê-lo agora?
- Tanto faz – respondeu Lyux, encolhendo os ombros. Blinke olhou para Richard e sorriu maliciosamente.
- Não… não, não, não, não, não – disse Chelsea, soltando-se do braço de Jensen para atacar Blinke com a espada. Mas assim que o fez, a lâmina quebrou antes sequer de atingir a Bruxa, e esta riu-se ao mesmo tempo que impulsionou a Defensora do Oculto para poucos metros adiante, fazendo-a cair brutalmente no chão.
Foi a vez de Jensen investir, mas Lyux agarrou-o pelo pescoço e mandou-o também para longe, com a maior das facilidades.
- Não o faças – pediu o rapaz, a Blinke.
Chelsea usou o seu poder de telicnese para mover também as Bruxas, mas estas poucos milímetros se moveram. Ela não era forte o suficiente.
Richard começou a sentir a pior sensação de todas quando se sentiu ser levantado apenas pelo ar. A sensação de saber que ia morrer e não havia nada que pudesse fazer para o impedir.
- Pára! Pára! – Gritava Chelsea, enquanto, ao levantar-se corria para as Bruxas. Mas Lyux fê-la ficar encostada à parede sem se poder movimentar, e a rapariga apenas tinha o desespero para se agarrar – Richard! Não! Pára! Não o magoes!
Jensen foi também preso à parede e fechou os olhos com força quando ouviu o estalar de um osso e um grito estridente dado pelo melhor amigo. O seu joelho tinha sido quebrado, e as Bruxas riam.
- Devíamos ter pensado nisto mais cedo – ria-se Blinke, enquanto Chelsea chorava e gritava ao mesmo tempo.
Jensen deixou escorrer uma pequena lágrima pela bochecha. Para ele, estava tudo acabado, nunca as conseguiriam vencer.
- Por favor pára… - foram as últimas palavras que a rapariga do cabelo ruivo disse antes de também a cabeça do seu irmão se voltada com brutidão e o seu corpo cair inanimado no chão. As lágrimas começaram a escorrer-lhe velozmente pelas bochechas rosadas enquanto gritava e sentia uma dor agonizante no coração – Não o meu irmão… Richard…
O que acontecia depois? Como iriam os seus pais reagir? Se fosse apenas ela a morrer, ainda se poderiam recompor, mas sendo os dois filhos Chelsea temia que nunca mais fossem sorrir. O seu pai iria certamente culpá-la. Iria amaldiçoá-la por ter levado o irmão para dentro dos assuntos paranormais e por o ter levado à morte.
E os pais de Cassie… como seria explicada a sua morte? Ser-lhes-ia apenas dito que ela estava desaparecida? Se as Bruxas nunca deixassem o corpo na Terra, não seriam todos eles apenas dados como desaparecidos? Ninguém nunca lhes conheceria o destino… o triste fim.
- Vês Defensora? – Perguntou Blinke, caminhando lentamente até ela – Sentes agora o que nós sentimos quando nos tiraste tudo?
Chelsea olhava para o chão e tinha as mãos cerradas em punho. Não se sentia com quaisqueres forças, a única coisa que a fazia permanecer em pé era a barreira invisível que a impelia contra a parede, e quando Blinke a retirou, a rapariga dos cabelos ruivos caiu para o chão e não se moveu. Era como se estivesse presa no seu próprio mundo.
- Agora sabes como nos sentimos – continuou Lyux, aproximando-se também – Mas não penses que acabámos por aqui… - a rapariga olhou para Jensen e sorriu – ainda não te tirámos a coisa que mais amas.
Acho que me devia proteger bem porque algumas de vocês vão-me querer matar :x
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-24 14:40:38
Capítulo 13
Samantha andava às voltas pelo quarto que lhe tinha sido designado para ficar. Sabia que em poucos minutos teria que se apresentar a Raj como Samuel, para o pequeno-almoço, mas também estava consciente de que o rei esperaria a presença da rapariga que julgara morta. Como é que ia fazer aquilo? Não se conseguia desdobrar, não conseguia ser duas pessoas ao mesmo tempo.
- Seja o que Deus quiser… - murmurou, arranjando coragem e saindo do quarto.
Caminhou pelos caminhos do palácio sob o olhar atento dos soldados por quem passava, e apenas rezava para que nenhum deles sentisse a falta de Samuel durante a refeição. Quando finalmente chegou ao salão onde as refeições e os banquetes eram feitos, viu que já todos lá estavam. Os soldados enfardavam toda a comida que conseguissem enfiar na boca, especialmente Eresm e Quorq, enquanto Irinoi e Raj conversavam sobre os eventos da noite anterior; William estava entretido a conversar com mais um grupos de soldados, e a rainha e as princesas estavam mais recolhidas, perto do trono.
- Oh, Samantha! – Exclamou Irinoi, ao vê-la chegar – Mas… estás com o vestido do baile de ontem?
Ela engoliu em seco.
- Pois é que… não tenho mais nenhum – disse, só depois apercebendo-se do que tinha dito – Quer dizer, aqui. Não tenho mais nenhum aqui. Porque tenho imensos vestidos.
- Então, já que cá vais ficar uns tempos, talvez o melhor fosse arranjarmos-te algo das minhas filhas, que pudesses usar, ou…
- Gostaria de ir à cidade, e comprar alguns. Se não fizer mal – interrompeu ela, sorrindo-lhe. O rei, porém, não pareceu gostar muito da ideia.
-Não sei se será boa ideia. Depois da visita do… nós bem sabemos quem, talvez o melhor fosse ficares dentro do palácio, em segurança – opinou ele.
- Vossa Majestade, com todo o respeito, mas eu sou uma convidada no seu palácio, não uma prisioneira. Além de que as roupas das princesas são demasiado para mim. Bem sei que nasci na nobreza, mas asseguro-lhe que sou bastante simples. É apenas por algumas horas.
- Se me é permitido, comprometo-me a acompanhar a lady nas compras – disse Raj – E levo os meus dois melhores homens connosco. Ela não correrá perigo, Majestade.
- Esta rapariga é como família para mim – disse Irinoi, agora para Raj –, e já pensei que estivesse morta uma vez. Se algo lhe acontecer, Deus me ajude, vou culpá-lo a si e aos seus homens. Diz-lhes para se prepararem. Quanto a ti, Samantha, compra o quiseres, e diz apenas para porem na conta da Casa Real.
O comandante fez uma vénia antes de se afastar e foi ter com os restantes soldados, que conversavam com o príncipe.
- Algum de vocês viu o Samuel? – Perguntou, despertando a atenção de William.
- O soldado que nunca tira o elmo? Esse? – Questionou ele.
- Esse mesmo, príncipe William. Viu-o?
- Sim, a sair do palácio, bem cedo. Disse que ia conhecer a cidade.
- Hum… - Raj deu meia volta e dirigiu-se a Eresm e a Quorq, que ainda devoravam a comida como se o amanhã não fosse existir – Preparem-se soldados. Vêem aquela dama ali? Vamos escoltá-la pela cidade enquanto procura roupas. Partimos em pouco tempo.
***
- Então e este? É bonito? – Opinou Quorq.
- Não… demasiado elaborado – descartou Samantha.
Estavam no meio da cidade, no mercado, a ver as bancas e a comparar os tecidos e os cortes e os folhos e as rendas. Passaram à próxima banca, e sempre que andavam Raj caminhava ao lado de Samantha e os outros dois seguiam mais atrás.
- Tem bom gosto – elogiou o comandante, referindo-se às roupas que ela já tinha comprado –, isto claro se me permite a ousadia.
- Por favor, não é ousadia nenhuma – para ela era estranho tê-lo a falar assim consigo quando estava habituada às ordens e aos incentivos e gritos de guerra.
- Esses são vestidos do género dos que a minha irmã gostava de usar – voltou ele a comentar.
- Não sabia que tinha uma irmã, comandante.
- Como haveria de saber? Conhecemo-nos ontem.
Ela riu.
- Tem razão.
Mais atrás, os dois soldados iam comentando o que viam. Os risos do comandante, a maneira como eles remexiam as bancas, tudo.
- Está a ficar apanhado por ela – disse Eresm – Nota-se logo pela baba que lhe escorre da boca.
- E podes culpá-lo? É bem bonita ela – dizia Quorq.
E assim continuaram a visita pelo mercado, que durou toda a manhã e parte da tarde.
Quando regressaram ao palácio Samantha pediu para ficar sozinha e foi deixar as coisas ao quarto, onde vestiu a armadura e colocou o elmo, respirando fundo. Saiu apressada, depois de verificar que ninguém a via, e quando ia a fazer a curva embateu em William, que seguia para o quarto da rapariga.
- Will – sussurrou ela, despertando-lhe a atenção.
- Ah, és tu – disse ele – O que é que estás a fazer com isso?
- Sou ambas as pessoas, lembras-te? E hoje o Samuel ainda não apareceu sequer. Tenho que ir jantar assim.
- Mas o pai mandou-me vir buscar a Samantha.
- A Samantha está cansada da caminhada e adormeceu, percebido? Se ele a quiser acordar, relembra-lhe que ela passou por muito, conta-lhe a história triste da vida dela, e pronto. Agora vamos jantar.
William revirou os olhos e seguiram os dois para junto dos outros. Já todos estavam sentados à mesa, e nela estava um grandioso banquete, como já era habitual.
- Ah, Samuel! – Exclamou Eresm.
- A Samantha adormeceu. Coitada, está exausta da visita à cidade – disse William, ao que o rei assentiu.
- Então, o que andaste a fazer o dia todo? – Perguntou Quorq a Samantha – Não me digas que foste ver as meninas?
- As meninas?
- Aos bordéis – esclareceu Quorq.
- Ah… sim, foi isso que aconteceu. Sabem como é, não me queixo mas… uma guerra estraga um homem… - murmurou Samantha, fazendo os outros rir – Peço desculpa, comandante, por não ter avisado a minha deslocação. Não voltará a acontecer.
- Não, não voltará – disse Raj, com um tom seguro – Mas agora junta-te a nós, come.
Comentem, e quem ainda não leu a DDO força (:
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-23 21:31:48
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 2
- Devíamos chamar a polícia – disse Richard.
Chelsea fingiu não o ouvir e percorreu todas as divisões do apartamento em menos de nada. O seu instinto dizia-lhe que Lyux o tinha apanhado, mas queria negá-lo a todo o custo. Porque se admitisse isso, se admitisse que Will tinha sido apanhado pelo inimigo, então estaria a admitir que o fim estava mesmo a chegar. E isso aterrorizava-a.
- Chelsea… - chamou o irmão, enquanto observava a casa parcialmente arrumada e parcialmente desarrumada. A acção tinha ocorrido na sala de estar, pois em mais nenhuma das outras divisões estavam itens partidos ou sinais de luta – Chelsea!
- Deixa-me pensar! – Gritou a rapariga, levando as mãos aos cabelos – Deixa-me pensar Richard…
- O que é que se está a passar?! – Richard já tinha perdido a paciência. Ele confiava na irmã a cem por cento, e queria ajudar, mas para isso precisava que lhe fossem explicadas todas as coisas que não sabia. O rapaz agarrou nos ombros de Chelsea e abanou-a em sinal de desespero, e ela apenas se soltou dele e suspirou. Ela queria contar tudo, mas temia que isso o pusesse a ele também em perigo.
- Rich… eu sou… - Chelsea parou subitamente ao ouvir um barulho vindo da porta, e num reflexo voltou-se e mandou a figura que lá estava parada contra a parede em frente, vendo apenas depois de quem se tratava. Um polícia com os sentidos atordoados levantava-se agora do chão, e ao pé dele outros apareceram.
A rapariga dos caracóis ruivos ficou em choque quando viu o seu pai junto aos outros homens, de arma apontada a ela. Viu-lhe no semblante que estava desgostoso, aliás, nunca o tinha visto com pior figura. Norman Burke abanou a cabeça e engoliu em seco.
- Não te mexas – ordenou-lhe.
- Pai, o que…
- Eu disse para não te mexeres – disse ele, já com a voz mais firme – Põe as mãos atrás da cabeça.
A filha engoliu em seco e obedeceu, perante o olhar incrédulo de Richard.
- O que é que se passa aqui? – Perguntou ele, olhando tanto para o xerife, como para Chelsea.
- A tua irmã é a Defensora do Oculto – disse o xerife Burke, enquanto algemava a filha que tinha os olhos fechados para tentar suprimir a vontade que tinha de se desmanchar em lágrimas – Lamento imenso… ninguém está acima da lei.
- Ela? Não – Richard riu-se um pouco mas, ao ver as caras de todos os presentes, caiu na realidade e ficou também pasmado – Pai, não a podes prender… é a Chelsea, por amor de Deus.
- Ele tem razão – murmurou Chelsea, com a voz baixa, voltando-se para Richard, já com as algemas postas – Posso pelo menos receber um abraço do meu irmão?
Norman assentiu e Richard envolveu a irmã nos seus braços, apertando-a com força. Ele não podia acreditar.
- Tira o meu colar – sussurrou-lhe ela ao ouvido – Leva-o ao Jensen… ele saberá o que fazer.
- Mas…
- Fá-lo – Richard tirou o colar e sem que alguém visse, quando se desviaram, enfiou-o no bolso das calças de ganga – Adoro-te Richard.
❦
- Como soubeste? – Perguntou Chelsea.
- Recebemos uma dica desconhecida a dizer onde a Defensora ia estar – “Uma dica? Lyux”, pensou ela – O que se está a passar com a cidade? – Perguntou o xerife Burke, enquanto estava de pé do lado de dentro da cela em que tinha fechado a filha, que se encontrava sentada na cama e suspirava.
- Vá lá pai, não me faças isto. Sabes quem eu sou, sabes que não sou má. Conheces-me pai – implorou Chelsea, pela milionésima vez.
- Aqui não posso ser o teu pai, Chelsea. Primeiro tenho que defender esta cidade. Não é o meu trabalho, é quem sou! – Gritou-lhe ele.
- Exacto – disse a rapariga dos caracóis ruivos, levando-se e levantando também levemente a voz – É quem tu és. Da mesma que a Defensora do Oculto é quem eu sou.
- Mas não é normal! Infringiste a lei, agiste sozinha, traçaste o teu destino. E agora tens que pagar por isso.
- Estás mesmo a prender a tua filha? – Perguntou ela, já com as lágrimas nos olhos – Pai, eu juro que não sou má. Estou a tentar ajudar. Tens que me deixar sair daqui, sou a única que pode ajudar Diamond City nesta altura. Sou a única que pode salvar esta cidade. Por favor, juro. Eu não sou má!
- Eu não acredito em ti.
Só uma simples frase. Poucas palavras. Um tom fraco. Uma significância enorme. Chelsea sentiu tudo dentro dela a estalar quando, ao olhar nos olhos do pai, percebeu que o que ele disse era mesmo verdade. Ele não acreditava nela. Nem um bocadinho. Chelsea nunca o tinha visto olhar para alguém como olhou para ela naquele instante. Não estava só zangado. Estava desiludido até ao ínfimo do seu ser. Zangado e desiludido, as duas únicas coisas que Chelsea nunca quis que ele sentisse.
A rapariga deixou que uma lágrima lhe escorresse pela bochecha e Norman desviou o olhar para o chão. Magoava-lhe ver a filha assim, trancada, frágil. Só a queria abraçar e dizer-lhe que a ia libertar. Mas não a conseguia perdoar pela mentira. E a justiça falava mais alto. Pelo menos a noção de justiça que ele tinha em mente.
Chelsea limpou a lágrima e olhou pela estreita janela com barras, para o exterior. As nuvens tinham coberto toda a cidade, e pouca luz havia. Lyux tinha mesmo pensado em tudo.
- Podes-me virar as costas neste momento – afirmou Chelsea, olhando de novo para ele – mas posso-te assegurar que não fazes ideia com o que estás a lidar. Não vais conseguir proteger a tua cidade, xerife Burke.
Norman pressionou os lábios um no outro e pediu ao outro guarda que destrancasse a porta, para ele sair. Depois voltou a trancá-la, e ordenou-lhe que a vigiasse, antes de sair. Chelsea sentou-se de lado, na cama, com as pernas encolhidas, a observar o exterior enquanto enrolava uma ponta do cabelo com os dedos.
“Eu não consigo fazer isto”, pensava ela, “Não consigo lidar com as Bruxas, nem com a Escuridão… não consigo lidar com o meu pai. Só espero que o Jensen não demore… Oh Will, onde é que tu estás no meio de toda esta confusão? Preciso da tua ajuda, preciso que me ralhes e digas que tenho que ser forte. Por favor não morras. Por favor não morras”. A rapariga apoiou a cabeça nos joelhos e fechou os olhos com força. Lyux tinha conseguido deitá-la a baixo, mas Chelsea não a ia deixar ganhar. Não podia. Esteve assim durante sabe-se lá quanto tempo.
Ouviu uma grande algazarra no lado de fora e levantou-se, pondo-se encostada à cela e apertando as barras com as mãos.
- Não te mexas – ordenou-lhe o guarda, que abriu a porta para a delegacia, para ver o que se passava. Assim que o vez, levou com um pontapé e depois um murro que o puseram inconsciente.
- Demoraste bastante tempo – queixou-se a rapariga, enquanto via o rapaz mascarado agarrar na chave da cela, que estava no cinto do guarda.
- Desculpa – não foi Jensen quem lhe falou, mas sim Richard, que entrou nesse preciso momento – Eu obriguei-o a explicar-me tudo antes de lhe dar o colar…
- Fez-nos perder tempo, foi o que foi – queixou-se Jensen, enquanto abria a cela e deixava Chelsea sair – Acredito que isto te pertença – agarrou no colar com o pingente e passou-o para as mãos dela – Porque o tiraste?
- Era o único objecto que me ligava à Defensora, não podia arriscar que mo tirassem como fizeram à minha mala – justificou-se, enquanto o punha de novo ao pescoço.
- Meu… ainda não consigo acreditar – murmurou Richard – E agora?
Chelsea suspirou e deixou a luz mágica do pingente trespassar-lhe o corpo, transformando-a na bela guerreira do povo. Richard ficou de boca aberta, e Chelsea sorriu-lhe.
- Agora lutamos – respondeu Jensen.
Os três saíram da delegacia, cheia de polícias desmaiados, e correram em direcção ao sítio em que as nuvens estavam mais concentradas. O Largo da Câmara. Quando lá chegaram, depararam-se com um género de buraco negro mesmo no centro da rua. Chelsea parou, e os outros dois pararam atrás dela. Ela sabia onde aquilo ia dar. E sabia que tinha que entrar. Mas não queria. Não queria ir sozinha. Não queria completar o seu destino. Não queria ser uma Faith. Queria viver como Chelsea, livre de preocupações.
- Eu vou contigo – afirmou Richard, dando a mão à irmã. Chelsea largou-a de repente e voltou-se para ele.
- Não – afirmou – Tu ficas.
- Então não vás. Chelsea, se tu fores… não vás, vira as costas desta luta… é só uma – implorou-lhe. Ele sabia o que lhe ia acontecer se fosse.
- Não posso… - murmurou ela, olhando de novo para aquele buraco negro, aquele vórtex, e suspirando – Não fazes ideia de quantas vezes desejei que alguém me dissesse isso e me tentasse impedir de ir lutar… só agora é que percebo que teria sido em vão.
- Eu vou com ela – disse Jensen, pondo a mão no ombro de Chelsea – Eu protejo-a, mano.
- Eu adoro-te – proferiu Chelsea, dando um abraço ao irmão, um abraço que podia muito bem ser o último entre os dois.
Jensen deu-lhe uma pancadinha no ombro, e depois correu com Chelsea para o buraco negro, mandando-se para dentro dele em seguida. A porta para o Mundo da Escuridão.
Richard ficou especado por poucos segundos, mas ele não podia deixar a irmã morrer assim. Ela já tinha feito tanto. E tinha tanta vida para viver. O filho mais velho dos Burke engoliu em seco e correu também para dentro do buraco negro, fechando os olhos com força.
Então eu dou um discurso "enorme" sobre a importância dos comentários e só recebo 4?
Andam-me a falhar... ai ai
publicado por - Sáa ♥ às 2013-05-23 21:14:34

Esta frase não me sai da cabeça.
Alguma pessoa fofa que me queira fazer um layout? ou saiba quem faça?
publicado por rii sw. às 2013-05-22 21:57:33
Idk, hoje soube bem libertar um bocado e dançar Florence and the machine, a coreo está gira mas kinda difícil devido ao meu medo de mata-borrões mas enfim, eu vou lá chegar!
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-22 20:14:41
Capítulo 21
Quando Tudo se Desmorona * Parte 1
Chelsea estava deitada de barriga para cima, apoiada nos antebraços, e a observar o céu. Não se via nem uma nuvem no horizonte, e o sol brilhava fortemente lá bem alto. Estava um lindo dia. Mais um lindo dia de férias. A primeira semana estava quase no fim. A rapariga respirou fundo e juntamente com o oxigénio veio o cheiro a maresia de que tanto gostava. Retirou os óculos de sol e pousou-os no cimo da cabeça, suspirando.
- Cuidado! – Ouviu, antes de levar com a bola de voleibol na barriga.
- Então pessoal?! – Reclamou, agarrando na bola e levantando-se, enquanto se ria. Revirou os olhos e começou a dirigir-se ao círculo formado por Tony, Helen, Richard, PJ e Jensen, que estavam a jogar voleibol.
- Eu avisei – desculpou-se Jensen, pondo-se à frente dela e rindo-se.
- Parvo – chamou ela, passando-lhe a bola para as mãos. Porém o sorriso desapareceu-lhe rapidamente dos lábios ao sentir um arrepio. Não era a simples sensação do frio a percorrer-lhe a espinha. Era mais que isso. Um mau pressentimento que já a acompanhava há poucos dias. Chelsea respirou fundo e olhou para a imensidade do mar – Eu vou dar um passeio à beira mar.
- Está tudo bem? – Preocupou-se ele. Ele notava que algo estava diferente, mas não queria que ela se sentisse obrigada a contar-lhe.
- Sim, claro – disfarçou ela, pondo o seu melhor sorriso – Eu não demoro.
A rapariga dos caracóis ruivos deu-lhe um beijo na bochecha e PJ, Tony e Helen estranharam. Eles já tinham percebido que havia qualquer coisa, mas ainda não lhes tinha sido dito exactamente o quê.
Chelsea dirigiu-se até à beira mar e deixou que a água salgada lhe molhasse os pés, sorrindo logo em seguida. Ela adorava a praia. Começou a caminhar sempre com os pés a levar com as ondas, e assim, devagar, deixou que os pensamentos tomassem conta de si.
A praia estava estranhamente vazia para a altura do ano, mas não tardaria estariam todos os turistas com as toalhas espalhadas, todos em cima uns dos outros.
Chelsea chegou às rochas, numa das extremidades da praia, e sentou-se em cima de uma, com as pernas encolhidas e os braços a abraçá-las. Voltou a olhar para o céu e viu algumas gaivotas a voar, até que uma pousou na areia.
- Gaivotas em terra… sinal de tempestade – Pensou ela em voz alta.
Estava a ouvir o barulho do rebentar das ondas e a levar com alguns salpicos que saltavam para ela por a onda bater na rocha, quando teve a súbita impressão que alguém a observava. Voltou-se para trás de repente mas não viu ninguém, por isso saiu de cima da rocha e ficou de pé na areia.
- Está aí alguém? – Perguntou, enquanto olhava fixamente para os arbustos que se encontravam um pouco mais à sua frente. De trás deles saiu uma rapariga bastante bonita. Envergava um vestido negro, de atar ao pescoço, e uma racha do lado direito. Nos pés tinha uns sapatos rasos, também escuros. Sorriu a Chelsea enquanto afastava o cabelo loiro platinado dos olhos. A Defensora do Oculto olhou para ela desconfiada, por trás de toda aquela beleza Chelsea sentia algo meio escuro – Posso-te ajudar?
- Sabes… ao princípio não encontrei as parecenças… mas agora… sim, pareces-te com ela – a voz tinha tanto de encantadora quanto de assustadora, e Chelsea sentiu o coração a disparar. Sentia que conhecia esta rapariga, mas não se conseguia lembrar de onde.
- Do que é que estás a falar? – Perguntou directamente.
- Os olhos são o que se nota mais… ela não tinha caracóis como tu… - a rapariga sorriu, e depois suspirou – Permite-me apresentar-me. Chamo-me Lyux – ao dizer estas palavras a rapariga do cabelo loiro deu mais um passo, e Chelsea retrocedeu impulsivamente – E tu és alguém de quem não gosto nada.
Todos os músculos do corpo de Chelsea lhe diziam para se transformar na Defensora. Que corria perigo. Que tudo estava errado. Mas ela estava de tal modo desprevenida que não conseguia fazer nada. Levou a mão ao pingente, a tremer, e apertou-o.
- Relaxa, não chegou a nossa hora… ainda – afirmou Lyux – Guarda as tuas forças para o fim.
- Tu és uma das Bruxas – murmurou Chelsea – Como é que me encontraste?
- Deste um bom espectáculo naquele bar de meia classe. Não achas mesmo que mandaria o Gorman sozinho, achas? Tinha olhos em todos os sítios. Foi fácil.
- O que queres?
- Por agora… nada. Para mais tarde, bem… vais descobrir – Lyux estalou os dedos e desapareceu, enquanto Chelsea continuava a respirar pesadamente e a tremer por todos os lados.
- Oh Deus… - murmurou, antes de começar a correr de regresso ao sítio onde tinha deixado os amigos.
Correu com os pés dentro de água enquanto sentia o terror a absorvê-la por completo. O que quereria aquela Bruxa dizer com “ainda não”? O que estaria a planear? O que poderia Chelsea fazer para a impedir de pôr em uso qualquer plano que tenha planeado?
Quando os começou a avistar ao longe, na brincadeira dentro de água, sentiu um pequeno alívio, pelo menos ainda lá estavam todos. A rapariga dos caracóis ruivos foi à sua mala buscar o telemóvel, do qual telefonou para Will, que não atendeu.
- Raios, raios, raios – queixou-se ela, voltando-se para os amigos. Jensen notou que algo de errado se passava e por isso saiu de dentro do mar e correu um pouco até chegar ao pé dela.
- O que se passa? – Perguntou-lhe. Chelsea apenas o abraçou, e ele agarrou-a também.
- Temos problemas – proferiu a rapariga, quando o largou.
- Estás toda a tremer Chelsea… o que aconteceu? – Insistiu ele.
- Encontrei uma Bruxa – a face de Jensen tornou-se assombrosa, ele já sabia o que isso significava.
- Não estás pronta para lutar com eles – declarou, ao que Chelsea abanou a cabeça. Ela sabia que não estava.
Chelsea suspirou e olhou para o céu, vendo uma grande quantidade de nuvens a aproximarem-se da cidade a uma velocidade fora do normal.
- O que é aquilo? – Perguntou Jensen.
- Não sei. Temos que ir, temos que sair daqui, temos que os levar para casa ou… não sei, mas temos que fazer qualquer coisa. E temos que encontrar o Will, ele é o único que me pode ajudar…
- Está bem – Jensen voltou-se para o grupo, que tinha também saído da água e se estava agora a dirigir a eles – Pessoal, vamos embora.
- Já? Mas ainda é cedo – disse Helen.
- Explicamos depois – disse Chelsea, enquanto se vestia. “Se não morrermos”.
Eles agarraram nas coisas e começaram a andar sempre em silêncio. Nem Helen nem nenhum dos outros percebiam o que se passava, mas não ousaram perguntar. Tony reparou no céu, agora já coberto de nuvens negras. Algo estava errado. Chegaram a um cruzamento e Chelsea parou.
- O que foi? – Perguntou-lhe PJ.
- O Will… - murmurou ela, a olhar para Jensen – Tenho que ir à casa dele.
- Não vais sozinha – disse-lhe ele, num tom mais baixo.
- Tu tens que ir com eles. Deixa-os num sítio a salvo, por favor… eu vou e volto e…
- Eu vou contigo – meteu-se Richard – Não sei o que se passa, mas vocês parecem mesmo preocupados. Eu vou contigo.
A Chelsea não lhe agradava a ideia de pôr o irmão na linha do fogo, mas sabia tão bem quanto ele que Richard era de ideias fixas.
- Está bem – disse a rapariga dos caracóis ruivos – Jensen depois vai ter à minha casa, combinado? Garante-te que está tudo bem antes de os deixares…
- Combinado – Jensen deu-lhe um beijo ao de leve e depois Chelsea puxou Richard pela mão, fazendo com que o irmão começasse a correr ao seu lado.
- Vais-me explicar o que se está a passar?! – Perguntou-lhe ele.
- Mais tarde – prometeu.
Chelsea correu sempre a puxar Richard pela mão. Ela não se importou com os olhares menos discretos, e continuaram a correr apressados, enquanto o seu vestido branco, de atar ao pescoço, fazia companhia ao seu cabelo e ambos esvoaçavam ao sabor do vento causado pela velocidade. Chegaram ao prédio onde Will morava, Chelsea tocou à campainha e esperou.
- Se calhar não está em casa – opinou o irmão.
- Aconteceu alguma coisa… sei que sim… tenho um mau pressentimento – pensou Chelsea em voz alta, voltando a tocar várias vezes seguidas – Raios Will, onde estás?!
- Ei, acalma-te, não é o fim do mundo – disse Richard, pondo-lhe as mãos nos ombros numa tentativa falhada que relaxasse.
- É sim! – Gritou ela, arrependendo-se no momento a seguir ao ver a cara de espanto do irmão – Esquece… não posso explicar. Só… fica por perto.
Chelsea empurrou a porta com a mente e esta abriu-se, fazendo com que Richard desse um pulo e olhasse para ela alarmado. Ele já não estava a gostar nada do rumo que a tarde estava a levar.
Chelsea entrou para dentro do prédio mas ele ficou quieto, e ela voltou-se novamente para ele.
- Confia em mim – pediu, estendendo-lhe a mão.
Richard olhou desconfiado, mas aceitou e subiram os dois pelas escadas. Quando chegaram à porta do Will, esta estava toda escancarada e Chelsea sentiu um aperto no coração.
Bem, queria dizer uma coisinha. Como já sabem, esta história tem 4 partes, e esta já está a terminar (só falta este capítulo mais o próximo, são 22), e já que estamos na recta final por amor de deus, pelo menos no último capítulo, deixem-me um comentário a dizer o que acharam, o que esperam da próxima parte, etc etc, está bem? Mesmo que não tenham blog, é super importante.
Kiss
publicado por autumn sioux às 2013-05-22 13:41:00
Ler diários antigos traz memórias que deviam de ter ficado escondidas bem no fundo do meu ser. Não me posso lembrar de momentos da minha infância, ou quebrarei. E não me posso dar ao luxo de quebrar. Não de novo.
publicado por copodeleite às 2013-05-22 11:11:32
Há momentos em que os pés de lã não são suficientes para não pressentir adversidade, correr o íntimo com o medo e a fúria da paralisação dos pensamentos. É um momento, é tudo. Somente aquele espaço entre a sinapse avisar os nersos do perigo, é um segundo de sossego fingido em que mergulhamos num transe. Negar a realidade, negar a verdade. As lágrima correm. Não magoar é não cuidar.
publicado por - Sáa ♥ às 2013-05-21 21:10:59
Sabes o que é estúpido? Chamares-me melhor amiga.
" -- Preciso de falar contigo.
-- Mas eu e Dulce temos uma coisa para falar.
-- Mas é importante.
-- Para alguma coisa serve o telemóvel, falamos depois por sms's. "
sorry, mas não aguento isto.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-21 20:46:21
Capítulo 12
Quando Samantha e William retornaram ao salão onde o baile decorria, Irinoi estava sozinho no seu trono. A rainha e as princesas já se tinham recolhido, era tardíssimo, faltavam poucas horas para o nascer do sol e a música tinha agora acalmado. Os convidados que ainda restavam estavam de volta das mesas, nos petiscos e nas bebidas, e um ocasional bêbedo dançava sozinho ao som das vozes das conversas paralelas que soavam. Metade dos soldados já estavam caídos a um canto, perdidos de bêbedos, e dos poucos que restavam apenas Raj, o comandante, se mantinha sóbrio.
- Samantha, William, venham cá – gritou o rei, assim que os avistou, fazendo-lhes gestos com as mãos – Comandante Raj, você também.
Aproximaram-se os três e entreolharam-se. Samantha baixou o olhar, sentindo-se ligeiramente incomodada. E se ele a reconhecesse? E se reconhecesse os seus olhos?
- Sim, pai? – Perguntou William.
- Comandante Raj, não acho que já tenha tido a oportunidade de lhe apresentar a Samantha – disse Irinoi, sorridente –, de Walcaster.
- De Walcaster? – Surpreendeu-se o comandante, olhando para ela – Não me leve a mal, mas pensei que…
- Mas não – disse ela, forçando um sorriso – Houve uma sobrevivente.
- Bem, certamente o seu brilho e beleza tornam aquela Noite Negra muito menos escura – disse-lhe, soltando-lhe um sorriso genuíno, para depois lhe fazer uma vénia e lhe beijar a mão.
- Obrigado – agradeceu ela.
- Comandante, onde está aquele soldado que nunca tira o capacete? – A pergunta do rei fez com que Samantha ficasse mais rija – Aquele que tão incrivelmente nos salvou?
- Está nos aposentos, Vossa Majestade – disse a voz de Jonah, vinda de trás deles – Disse que não se sentia muito bem, esteve no baile apenas por momentos – Samantha respirou de alívio e ele virou-se para ela então – Não acredito que tenhamos sido ainda apresentados. Sou o Jonah, um simples soldado – disse, fazendo uma vénia.
- Samantha, é um prazer – alinhou ela, dobrando-se também – E não há nada de simples em se ser um soldado, Jonah, se não fosse por todos vós não teríamos um reino. Um rei sem um exército… é apenas um homem. Não concorda comigo, meu rei?
- Parece que cresceste para te tornares numa rapariga excecionalmente perspicaz – comentou ele, rindo-se – Sim, não poderia concordar mais. Diz-me, tens onde ficar…?
- Bem, eu…
- Então ficas aqui. Pelo tempo que precisares.
- Agradeço, mas na verdade não vou ficar por muito tempo. Depois daquela noite, fui acolhida por um mulher que me deu casa e comida… vim porque achei por bem avisar-vos finalmente de que estava viva. Mas não posso ficar.
- Bem, de certo que eu e os rapazes não nos importaríamos de a escoltar até à sua casa – ofereceu-se Raj, fazendo com que William engolisse em seco.
- Isso não será necessário comandante – meteu-se logo ele –, eu escolto-a eu mesmo. Mas não esta noite. Esta noite ela fica cá, e quando amanhã acordarmos tratamos disso. Que achas Sam?
- Parece-me um bom acordo. Mas agradeço a sua disponibilidade, comandante.
Nesse momento as portas do salão, já fechadas por se encontrarem já relativamente menos pessoas e já ninguém supostamente chegar àquela hora, abriram-se de repente e fizeram um estrondo ao baterem na parede. O rei era o único que estava de frente para ela, e os outros voltaram-se todos para averiguarem o que se passava. Estava um sujeito acompanhado por cinco guardas com armaduras personalizadas em cores de vermelho e preto no cimo das escadas. Irinoi levantou-se do trono, demonstrando uma postura territorial, e Raj levou a mão à espada que tinha no cinto. O impulso de Samantha foi exactamente o mesmo, porém naquele belíssimo vestido de baile não havia lugar para armas. Enquanto o via a descer degrau a degrau, Samantha sentiu-se incapaz, impotente. Via-o aproximar-se, com aquela barba escura e os olhos cheios de malícia, mas nada podia fazer para o travar. Odiou-o com todas as suas forças. Todo o ódio acumulado por dez anos estava agora a surgir. William, de um modo protector, colocou-se parcialmente à sua frente. Esta não tinha sido, de todo, a maneira como ela tinha idealizado vê-lo pela primeira vez após tantos anos.
- Deste um baile e não me convidaste – pronunciou o homem, quando chegou ao fim das escadas – Que rude.
- Não és bem-vindo nesta casa, Marx – apressou-se Irinoi a responder – Guardas!
Num momento os guardas que estavam de serviço puseram-se do seu lado, prontos a dar a vida pelo seu rei se tal fosse preciso, e Jonah desembainhou também a sua espada.
- Tem calma, não vim cá para isso – disse Marx, que avançou mais na direcção de todos e olhou directamente para Samantha – Os meus espiões disseram-me acerca de ti. A morte favoreceu-te, rapariga.
- Então talvez se devesse juntar a mim – disse ela, prontamente, com a voz segura mas os joelhos a tremer. Falar para ele, olhar para ele, e não o poder matar ali queimava cada fibra do seu ser.
- Cuidado com as tuas palavras, estás a falar com um rei – ralhou ele, fazendo William engolir em seco.
- Não há um rei. Há o rei. E o único que há está atrás de mim – respondeu ela, para surpresa de todos – Você é apenas um lorde rude e ganancioso, com castelos roubados.
Marx soltou um sorrisinho cínico e empurrou William, chegando-se o suficiente ao ouvido da rapariga que permaneceu impávida.
- Não sei como sobreviveste, e não sei como chegaste aqui, mas há uma coisa que sei: esse rei que dizes existir, não vai estar vivo por muito mais tempo, e nem tu. Quando te metes com uma cobra, tens que estar atenta ao veneno – sussurrou-lhe, ao ouvido.
Começou então a afastar-se, mas ao subir o terceiro degrau voltou-se novamente para eles ao ouvir de novo a voz da rapariga:
- Tanto veneno é tóxico, sabe? Talvez se envenene a si próprio – disse ela – Se não tiver cuidado, pode ser que morra do seu próprio veneno.
- Estás-me a ameaçar, rapariga? – Perguntou ele, a cuspir as palavras – Talvez devesses controlar as tuas raparigas, Irinoi, quem sabe o que eu poderia fazer desta vez.
Samantha ia dizer algo mais, mas William voltou-se a colocar à frente dela.
- O meu pai já disse não era bem-vindo aqui, lorde Marx. Por favor, saia – disse, com uma voz dura.
Marx assentiu com a cabeça.
- Vemo-nos em breve.
Ele saiu do salão e um dos guardas seguiu-o, retornando apenas quando ele saiu definitivamente das muralhas do palácio. Só então Irinoi se voltou a sentar no trono, com um ar perturbado, e Raj guardou a espada tal como Jonah. William olhou para Samantha com um ar preocupado e, ao ver o seu ar abatido, abraçou-a. Em vez de discutir, ela agradeceu-lhe mentalmente por o ter feito, já não sabia quanto mais tempo se ia aguentar em pé depois de tudo aquilo.
- Ficas aqui, não há mais discussão – disse Irinoi, com o tom severo que apenas utilizava quando grandes problemas estavam para chegar.
- Não vou discutir – acabou por dizer, quando se despegou de William – Agradeço.
- Agora que o Marx descobriu que estás viva, ficas em melhor segurança no palácio – pensou o rei, em voz alta.
- Concordo – disse ela – William, se não te importares, gostava que me guiasses ao meu quarto agora.
- Claro. Pai, falamos melhor amanhã?
O rei assentiu com a cabeça, Samantha fez-lhe uma vénia, despediu-se com um sorriso dos outros, e saiu com William ao seu lado. Juntos subiram as escadas e caminharam pelos corredores, sempre em silêncio. Ele levou-a até um quarto num andar acima daquele destinado a “Samuel”, um quarto muito maior, muito mais luxuoso, digno de alguém da realeza. Só após fecharem a porta, e de a rapariga dar voltas e voltas ao quarto, é que William arranjou a coragem de falar.
- Sam, ouve, o que aconteceu…
- Algo não está bem – interrompeu ela, de rompante.
- Sim, é claro. O Marx encontrou-te, não deves estar nada bem – disse ele, sem compreender.
- Não… quer dizer, sim, não estou bem mas… Como é que ele sabia que eu cá estava? Ele disse que os espiões lhe tinham contado… e isso significa que alguém neste palácio sabia que eu cá estava – continuou ela a pensar em voz alta, intrigando-o – Não percebes? Há um espião no palácio. Talvez me tenha visto a falar contigo há semanas e tenha sabido que eu estava viva… se calhar investigou-me e descobriu que sou o Samuel ou… mas então porque não me entregaria?
- Sam…
- Não, faz sentido. E ele falou de cobras. E foi essa a ordem que tentou matar o teu pai, não foi? As Cobras. Ele está por trás daquilo. Talvez me estivesse a testar, para ver se conseguia proteger o rei, talvez…
- Ei, Samantha! – Disse ele, num tom mais elevado, pousando-lhe as mãos nos ombros – Respira fundo. Eu sei que isto foi um choque, vê-lo após todos estes anos, não consigo imaginar como te fez sentir… mas se o que estás a pensar for verdade, então tens que ter cuidado.
- E tenho que descobrir quem é o espião. O teu pai nunca estará a salvo com ele aqui.
- Não querias ficar cá, nem querias aparecer no baile… porque é que aceitaste o convite do meu pai para permaneceres no palácio, Samantha? – Perguntou ele, já convencido de que sabia a resposta.
- O teu pai pensa que me está a proteger, mas a verdade é que eu o vou estar a proteger a ele.
Vêem? Eu disse que ia ficar mais interessante a partir daqui.
Vamos lá ver como é que a Sam se sai nesta busca ao espião.
Comentem, sim?
E leiam a DDO
publicado por Cate J. às 2013-05-21 18:41:23
publicado por Vitor às 2013-05-21 11:05:43
hope you like and stay wi(...)
publicado por rii sw. às 2013-05-20 21:43:14
Vou fazer uma supresa aos meus grandes amigos, não posso dizer o que é se não ainda veem aqui e descobrem! Não é nada de grande aparato, é algo que fiz com grande amor e carinho e espero tê-los sempre comigo!
(que gay, rii, que gay...)
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-20 19:29:51
Capítulo 20
Último Dia de Escola * Parte 2
- Como é que é possível ainda não estares pronta?! – Reclamou Richard, encostado à ombreira da porta que dava para a casa de banho do quarto de Chelsea, enquanto esta estava em frente ao espelho a aplicar um pouco de rímel.
- Ai Richard, que chato, ainda é cedo – disse ela – Além disso, quero estar bonita.
- Para alguém especial? – Chelsea olhou para Richard e deu com ele a observá-la com cuidado. Ela sabia que aquela pergunta não tinha vido do nada, sabia que mais cedo ou mais tarde Richard ia querer falar sobre o que aconteceu com Jensen. A rapariga suspirou e guardou o rímel. Passou pelo irmão e pegou nos brincos que tinha em cima da mesa-de-cabeceira, pondo-os de seguida, e depois sentou-se na cama e fez sinal ao irmão para que se sentasse também.
- Seria muito mau se te dissesse que não consigo explicar? – Perguntou ela, a olhá-lo directamente – Eu sei que queres saber o que se passa entre mim e o Jensen, mas eu não te posso explicar porque nem eu sei. Não sei o que somos, e por isso é que estávamos a manter tudo em segredo.
- Mas gostas dele? – Perguntou Richard – E ele gosta de ti?
- Sim, quer dizer, acho que sim… Rich, adorava poder responder a tudo, mas não posso. Dá-me tempo, quando descobrirmos o que se passa asseguro-me de que também saibas, está bem?
- Eu não te quero ver magoada – afirmou o rapaz, com a voz segura.
- Eu sei o que faço – Chelsea pareceu ter todas as certezas, mas na verdade tinha um mau pressentimento sobre toda aquela história. Mas a vontade de estar com Jensen era maior e por isso ignorava o que o seu interior lhe estava a tentar dizer – Agora vamos lá, estamos atrasados.
Richard riu-se e abanou a cabeça.
- E de quem é a culpa? – Perguntou. Chelsea revirou os olhos e puxou-o para fora do quarto.
Foram os dois a pé até ao bar, e já ao início da rua viram o grupo que os esperava à porta. Já lá estavam todos. Entraram para o Drink&Tell e Chelsea viu que o espaço estava diferente. Tinha uma grande faixa preta reluzente, com letras douradas, a dizer “Sobrevivemos a Mais Um” e havia um palco grande ao lado do DJ, onde estava uma banda – que Chelsea não conhecia –, a tocar. Pareciam bons. A rapariga dos caracóis ruivos viu PJ ao pé de Jensen, estavam os dois a dar umas indicações ao vocalista, que tinha feito um pequeno intervalo deixando os outros membros da banda apenas a tocar. Quando acabaram, viram os amigos e foram ter com eles. PJ sorriu a todos e deu um beijo na bochecha de Chelsea e ela sorriu-lhe, dirigindo depois o olhar a Jensen.
- Olá caracolinhos – disse ele. Não parecia feliz, e Chelsea não percebeu o porquê.
- Oi – disse ela.
- Queres vir dançar? – Perguntou PJ, não lhe dando tempo para responder – Eu acho que queres.
O amigo puxou-a para a pista de dança e agarrou-lhe nas mãos, fazendo com que se começassem a mexer ao som da música. Chelsea ora ria ora dançava descoordenadamente por PJ a estar sempre a puxar para lados contrários na brincadeira. O resto do grupo juntou-se a eles, e durante vários minutos estiveram todos animados menos Jensen.
- Vou parar por um bocadinho – disse Chelsea, começando a desviar-se.
Passou ao lado de Jensen e ambos trocaram um olhar que apenas foi captado por Richard. Chelsea dirigiu-se ao bar e pediu uma bebida.
- Posso-te pagar um copo? – Ouviu, do seu lado direito. Dirigiu para lá o olhar e viu um rapaz mais ou menos da altura dela, com um aspecto bastante atraente e um sorriso de cair para o lado.
- Eu já pedi, mas obrigada na mesma – dispensou ela.
O rapaz riu-se.
- Vá lá…
- Meu, pira-te – ouviram, por trás deles. Viraram-se os dois ao mesmo tempo e viram Jensen, de frente para o rapaz – Vá lá, não tenho a noite toda, deixa-a em paz.
- Então e dançar? Não queres dançar? – Perguntou o rapaz, ignorando completamente Jensen, o que o deixou a ferver.
- Não, obrigado – disse Chelsea.
- Mas tu és surdo? – Reclamou Jensen, chegando-se mais para ao pé de Chelsea – Ainda não percebeste que ela não está sozinha? Desanda, vá.
O rapaz deitou-lhe um olhar chateado e foi-se embora, enquanto Chelsea assistia à cena embasbacada. O empregado deu-lhe a sua bebida e ela agradeceu, voltando-se depois para Jensen.
- Isso foi uma cena de ciúmes? – Perguntou-lhe, com um ar admirado.
O rapaz revirou os olhos e suspirou, e tal reacção fez com que ela risse.
- Vem comigo – Jensen puxou-a pelo braço e só lhe deu tempo para voltar a pousar o copo no balcão antes de ter de o seguir.
Passaram o corredor fininho que ia dar às casas de banho e saíram pela porta de emergência, que dava ao beco sem saída. Chelsea sorriu involuntariamente, tinha sido naquele lugar onde tinha visto o rapaz mascarado pela primeira vez, ainda antes de saber de quem se tratava.
Chelsea ia-lhe perguntar o que estavam ali a fazer, mas antes que tivesse tempo foi atacada pelo beijo do rapaz, que a encostou à parede.
- Estive morto para fazer isto a noite toda – disse ele, desencostando os lábios dos dela por poucos segundos. A ruiva sorriu-lhe.
- Boa maneira de pedires desculpa pela cena com o rapaz – disse ela.
- Desculpa? A culpa foi dele, não tem nada que se meter com a namorada dos outros – a frase saiu-lhe tão depressa que por pouco que passava despercebida. Mas não passou.
- Namorada? É isso o que te sou? – Perguntou Chelsea, sentindo-se a corar levemente. Os olhos do rapaz elevaram-se aos dela e pôde vê-los brilhar.
- Acho… acho que sim – murmurou ele, baixinho. Chelsea sorriu e após sentir o seu coração disparar à velocidade máxima beijou-o também.
- Então também acho – disse ela, ao ouvido do rapaz, depois de se abraçar a ele.
- Devíamos voltar lá para dentro – suspirou Jensen – Vão notar a nossa falta.
- Sim… vamos lá – Chelsea puxou-o pela mão e entraram, mas ainda no corredor notou a falta da música e parou instintivamente. Não se ouvia barulho nenhum, estava tudo demasiado calado, tudo demasiado quieto. Jensen também notou e olharam os dois desconfiados um para o outro. Andaram devagar e sem fazer barulho até chegarem à porta e abriram-na devagar, só o suficiente para espreitarem. As pessoas estavam todas quietas, e olhavam para o palco, onde estava agora um homem com umas roupas velhas e magro, todo curvado. Tinha uma barba maior do que Chelsea se lembrava, e tinha a pala preta a tapar-lhe o olho. Chelsea já sabia de quem se tratava, mas a cicatriz na bochecha deu-lhe o resto das certezas.
- Será um espectáculo? – Perguntou Jensen – Mas eu ajudei a organizar, não sei de nada…
- Não é um espectáculo – garantiu a rapariga, apertando o pingente – Eu conheço-o. Gorman. É um demónio.
- O que estará aqui a fazer?
- Não sei, mas não vou esperar para descobrir.
Chelsea respirou fundo, concentrou-se e no segundo a seguir todo o seu corpo já tinha sido percorrido pela magia da Defensora e se encontrava agora com os seus trajes de batalha. Quando olhou para Jensen, viu-o também já pronto, com o seu fato e a capa, sem esquecer a máscara. Chelsea abriu a porta com força, e esta, ao bater na parede fez um pequeno estrondo que fez com que se virassem todos para lá.
- Tu… - murmurou Gorman.
- Como é que te atreves a aparecer outra vez? – Perguntou Chelsea, dando meia dúzia de passos para dentro da sala – Já fugiste duas vezes, para quê apareceres agora para estragares a festa aos estudantes?
- A Defensora do Oculto… - Murmuravam algumas vozes entre a multidão.
- É mesmo ela – diziam outras.
Chelsea seguiu até ao palco e subiu as escadas que lhe davam acesso, sempre com Jensen atrás, para ficar mais perto de Gorman.
- O que queres daqui? – Perguntou o rapaz mascarado.
- O fim está perto… vim oferecer salvação – disse Gorman, rindo-se.
- Não, vieste recrutar pessoas – afirmou a Guerreira Defensora.
- Não vai tudo dar ao mesmo? – Perguntou o demónio – Mas já que estás aqui… - Gorman esticou o braço e da sua mão saiu um raio directo a Chelsea, mas ela saltou e ele embateu na parede antes de ela voltar a aterrar.
- Vamos mesmo começar isto de novo? – Perguntou ela, com uma voz enfadada.
O demónio sorriu-lhe e investiu num soco, mas foi travado por Jensen que além de lhe bloquear o ataque, ainda começou a lutar com ele. Chelsea aproveitou a distracção do oponente e fez-lhe uma rasteira, fazendo-o cair no meio do palco. “O pior pesadelo de qualquer actor… ai Chelsea, concentra-te”, pensou ela. Ele ia-se levantar mas Jensen agarrou nas mãos de Chelsea e rodou com ela, permitindo-lhe dar um pontapé em Gorman, mais forte do que daria sem o impulso, fazendo-o ficar quase sem sentidos no chão. A rapariga do cabelo ruivo aproximou-se para o ir agarrar mas não reparou que na sua mão se formava mais um raio. Jensen reparou, e correu até ela, dando-lhe um encontrão e levando ele com o raio. Por momentos Chelsea ficou paralisada ao vê-lo voar até à outra ponta do palco, mas depois voltou a concentrar-se em Gorman, que já estava de pé. Com um gesto mandou-o para fora do palco e depois saltou ela para o chão, dando-lhe um pontapé com ele ainda no chão. Ele fez-lhe uma rasteira e ela caiu à sua frente, e ele pôs-se por cima a tentar esganá-la. Mas Chelsea arranhou-o e empurrou-o, e às tantas conseguiu afastá-lo e levantaram-se os dois.
- Aquele tipo que mandaste ao chão, é o meu namorado – afirmou ela, de maneira a que apenas ele ouvisse – Por isso fizeste um grande erro.
Gorman mandou-lhe mais um raio mas ela, com a mente, mudou o rumo e este embateu nele próprio, com o terço da força com que tinha sido primeiramente mandado, fazendo-o desaparecer instantaneamente. A rapariga levou a mão ao pescoço, que lhe doía por causa da força com que tinha sido agarrado, e depois sentiu uma mão no seu ombro. Olhou e viu o rapaz mascarado, que lhe sorria. No meio do silêncio começou a ouvir-se um aplauso, que ao princípio era pequeno e quase inaudível, e depois começou a aumentar de proporções.
- Hora de ir – murmurou Chelsea, sorrindo. Os adolescentes preparavam-se para os atingir com mil e uma perguntas quando os heróis abriram caminho entre a multidão e saíram com pressa pela porta da frente.
Correram os dois até às traseiras e saltaram o muro e, para o espanto dos dois, no beco encontrava-se Cassie, de braços cruzados, como se estivesse à espera eternamente.
- Apanhados – disse ela, rindo-se.
Chelsea revirou os olhos e deixou que a luz arroxeada lhe devolvesse a roupa normal e os seus caracóis, enquanto Jensen fez o mesmo.
- Lindo espectáculo – elogiou a rapariga dos piercings, fazendo Chelsea rir.
- Anda lá, vamos lá para dentro – disse Jensen, rindo também.
Então, que tal?
Algo mudou... Tudo mudou,(...)
publicado por Jénifer às 2013-05-20 09:50:30

É realmente lixado, posso dizer. Não sei o que fiz para merecer isto e nem sei como faço para aguentar mas a verdade é que eu não sei para onde é que o "nós" está a ir. Eramos inseparáveis, lembras-te? Eramos um. Eras o melhor de mim e eu o melhor de ti, certo? Disse-te enumeras vezes que podes confiar neles todos mas no final, bem lá no fundo, tu sabes que sou a única com quem podes realmente contar. E por isso me pergunto, mesmo sabendo isso, porquê que os preferes a eles em vez de mim? Aproveitam-se de ti e chamam-te de "amigo" quando precisam mas e quando tu precisas? Quem é que vai la estar realmente para ti? Quem está realmente disposto a arriscar tudo por ti? Ah, espera, era eu. Tantos planos, tantos. Sempre acreditei que esses planos seriam o meu futuro, esse futuro para qual íamos começar a construir hoje. Eu só nunca soube que era a única que tencionava levar realmente esses planos adiante. Não me digas que me amas da mesma maneira, que nada mudou porque se sempre fizemos planos, se sempre dissemos que o queríamos o mais depressa possível, o que mudou tanto ao ponto de me dizeres agora que somos demasiado novos? Que temos tempo? Fui eu? Já te fartaste de mim? Já não te sou útil? Já não me vês como a mãe dos teus filhos? Como a tua mulher? Como aquela que será a primeira pessoa que vês ao acordar e a última que vês antes de adormecer? Como aquela que por muito que tudo se destroça, tu saberás que sou a única que nunca te irá desiludir? Aquela a quem tu ades por na igreja a aliança no dedo, vestida de branco e que te rouba o apelido? Sim, sou demasiado nova, demasiado ingénua e otária por fazer dos nossos planos, o meu plano de vida. Por acreditar tanto em nós e por fazer tanto por nós ao lado de alguém que me acha indiferente. Mas deixa, afinal de contas, só tenho de abrir os olhos.

publicado por Fleuma às 2013-05-19 19:39:25
Pensamentos ao acaso ...
Felicidade, deveria ser possivel medi-la; seria importante, já agora, torna-la maleável ao meu desejo. Talvez nem seja algo minímamente racional, mas eu ficaria imensamente agradecido por essa vantagem. Medir a felicidade.
Provávelmente seria um suícidio, seria incauta, tamanha capacidade.
Afinal, conhecendo-me como conheço, tentaria compensar. Sei que iria esticar o seu cumprimento, alongar a sua duração e tentar prolongar o sentimento de paz e felicidade. Muito acima do desespero e ódio que tantas vezes assola a minha existência.
Sei que não conseguiria medi-la. Puta de vida! Nem sequer conseguiria controlar-me! Iria devorá-la e distendê-la de tal maneira que se rasgaria em frangalhos.
Umbra, é uma doença minha. Esta têndencia e dependência da mais absoluta escuridão para respirar e pensar. Umbra é a porção mais escura e interior de uma sombra e se calhar é por isso que se revelam tantas coisas. Estou cego e desprotegido. Por isso agarrado à minha própria vontade.
Irónico, que haja criaturas que encontram uma real libertação no eclipse total da luz. Enquanto outros tremem ao mínimo pensamento e falta de luminosidade.
publicado por Allice às 2013-05-19 14:42:05
Andamos por aqui às voltas neste mundo, sem cais onde aportar no fim da viagem.
Mas que importa o fim? se ainda nem começou.
Se nestas voltas que dou ao mundo te encontrei, não vejo porque razão não havemos de continuar a viagem juntos.
http://runlikethewind.blogs.sapo.pt
publicado por Andrusca ღ às 2013-05-19 12:32:26
Isto tem sido fraco em acção, mas isso muda a partir do próximo capítulo, prometo (:
Comentem sff (:
Capítulo 11
- Então foi para aqui que fugiste! – Exclamou William, ao rir-se.
Samantha estava sentada no banco de pedra em frente à fonte no centro do labirinto, no jardim do palácio. A noite já ia avançada, mas nem por isso o ambiente festivo acalmava. Ela, porém, já estava a precisar de alguma paz para meter as ideias em ordem. Já não estava habituada a ter tanta gente em seu redor, a fazer-lhe perguntas, a querer saber mais, a lamentar-se pelo que ocorreu há dez anos.
- Precisava de uma pausa – justificou – E este sítio pareceu-me bom para me abstrair de tudo.
Ele assentiu.
- Vês? Não foi assim tão mau – disse, referindo-se a ela ter ido ao baile.
- Foi mais difícil do que desarmar quinze homens. A maneira como as pessoas me olharam quando o rei me abraçou, os olhares que me mandaram enquanto dançávamos… conseguia sentir o ódio naquela sala.
William olhou para ela incrédulo e não conseguiu evitar soltar uma gargalhada.
- Não era ódio. Inveja. Porque todas querem a aprovação do meu pai… e todas querem dançar comigo – disse, com um tom presunçoso, fazendo-a rir.
- Não achei que conseguisse voltar a soltar uma gargalhada como esta. Senti saudades de rir – confidenciou.
- Lamento.
- Pelo quê?
- Por ter desistido da busca.
Samantha desviou o olhar para a fonte e a sua respiração tornou-se mais pesada.
- Éramos miúdos, o que é que querias ter feito? As tuas mãos estavam atadas.
- Mesmo assim, sonhei com o dia em que te encontrava de novo tantas vezes… - ele colocou-se de joelhos à frente dela, obrigando-a a olhar para si e agarrando-lhe nas mãos – Pensei que ia ser por acaso, que ia a passar perto de um rio e ouvia o riso e ia-me aproximar e via os teus belos cachos loiros a abanar ao sabor do vento. Tu sorrias-me e perguntavas-me se me lembrava de ti. E eu dizia que nunca me poderia esquecer. E era assim, no bosque, porque sempre foste um espírito livre.
- E em vez disso encontraste uma rapariga vestida de homem.
Ambos se riram, e William passou do chão para cima do banco, onde se sentou ao lado dela. Sem ter noção dos seus movimentos, deu uma festa suave na bochecha da rapariga e começou a aproximar o rosto do dela lentamente.
- Não. Encontrei exactamente o que estava à procura – proferiu, antes de juntar os lábios dos dois por breves momentos, até ela se desviar – Desculpa.
- Não… não tens que pedir desculpa – ela sorriu, algo atrapalhada – É só que…
- Vais voltar de novo para a batalha, não vais?
- Vou.
- Vou-te voltar a ver?
- Claro. Vou voltar. E talvez quando tudo terminar…
- Quando tudo terminar ficas para sempre?
- As coisas vão ficar normais de novo. Vou ter a minha casa, o meu povo… apenas aí vou poder voltar a ser a Samantha Kendric de Walcaster.
- Estás errada. Percebi agora que… nunca deixaste de ser ela. Ela está presente em todos os movimentos do Samuel. E ainda bem, porque… acho que a amo – William tomou coragem e disse finalmente aquilo que há muito não se deixava admitir nem a si mesmo – Acho que sempre amei. Ela costumava dar comigo em doido quando éramos miúdos… Eu amo-te.
- Will… não sei o que dizer… - murmurou Samantha, atrapalhada. O que é que havia de dizer? Que ele lhe era tudo menos indiferente? Que também queria ficar com ele? De que lhe serviria isso, além de para sofrer, se ia voltar para os combates numa questão de dias?
- Então não digas nada, só que… só que vais sobreviver a uma outra batalha, e voltar para mim – implorou William, ao que ela prontamente assentiu com a cabeça – Então vamos voltar lá para dentro, já devem ter dado pela nossa falta.
O que nenhum deles tinha notado é que a vigiá-los, escondido pela curva do labirinto, estava outra pessoa. Jonah, ao presenciar toda aquela cena, não pôde deixar de se sentir traído. Toda a sua vida tinha apoiado aquela rapariga, tinha cuidado de si como se fosse sua irmã, e ela preferia o príncipe. “Preferem sempre os príncipes, os castelos, títulos e dinheiro e poder”, pensou, visivelmente enervado. Talvez se tivesse nascido num berço de ouro, com todos os poderes e riquezas associados a ele, tivesse mais sorte na vida. Não seria apenas mais um soldado, uma vida entre milhares que pode ser sacrificada a qualquer momento. Seria um senhor, um lorde, alguém influente. Talvez então alguma rapariga se interessasse por si. “Mas eu vou conseguir chegar a isso”, prometeu-se. A oportunidade para tal já tinha, mesmo que significasse pôr em causa tudo em que acreditava, e agora já não se podia sentir culpado por, há dias, a ter aceitado.
publicado por rii sw. às 2013-05-19 11:41:09
Botas da tropa me cima da secretária.
Nunca ninguém se atreveria a fazer aquilo no sítio onde ela se encontrava. Para falar a sério as pessoas tinham mais medo dela do que do diabo por isso deixavam na estar, nunca tinham visto ninguém assim por aquelas bandas e sabiam que ela era uma caixinha de supresas, valia mais não a encomudar...
Um homem entra na sala muito direito e firme, tinha umas mãos do tamanho de um primáta e uma cara de poucos amigos.
- Muito bem, menina... - mexeu nas folhas do seu bloco de folhas e voltou a olhar para ela - Scott.
Disse o seu nome com desprezo enquanto se encaminhava para tráz da secretária.
- Sim, xerife. - o gozo era notável no tom de voz da rapariga de braços cruzados sobre o casaco de cabedal.
Ele bateu com os punhos na mesa e baixou a cabeça ao nível dela.
- Eu sei bem o que andas a fazer e o passado da tua família, não me venhas com falinhas mansas que eu conheço gente da tua laia. - o seu bigode mexia-se enquando ele falava, apesar de o assunto ser sério ela não pode de deixar de se rir para si.
Tirou os pés de cima da mesa e bateu-os com força no chão, talvez um pouco de propósito, as botas eram pesadas, pegou no capacete em cima da secretária e virou-se para o encarar.
- Espero bem que saiba que quem brinca com o fogo, queima-se.
Dirigiu-se para a porta e abriu-a, toda a gente olhava para ela mas ela pouco se importava, sai pela porta principal da esquadra e subiu para a mota pregando a fundo.
publicado por Cate J. às 2013-05-18 19:06:00
14ºCapítulo
O gabinete

Grace foi sentar-se, olhando para Quint e suspirou – ele não vai desistir – não era uma pergunta, era uma afirmação, ela conhecia suficientemente bem Rafael para saber que ele não ia desistir de uma boa caça, mesmo que ela fosse perigosa. Quint abanou a cabeça, deitando-se de novo na cama, agarrado às almofadas.
-Quando ele vir que está a pôr todos em perigo, pode ser que parece – Grace fez uma careta e abanou a cabeça.
-Duvido Quint – suspirou passando as pontas dos dedos pelo cabelo loiro do rapaz. Grace estremeceu quando a porta foi aberta, sem que alguém batesse à porta e viu Rafael entrar.
-Depois fala dos outros – resmungou o irmão, mandando-lhe uma almofada à cara. Rafael fez o seu habitual sorriso divertido, mandando-a de volta.
-Ainda bem que já estás bem – disse para Grace, ela assentiu com a cabeça levantando-se. – E não, não vou desistir mesmo.
-Ainda por cima anda a ouvir as conversas atrás da porta – resmungou de novo Quint, enfiando a cabeça na almofada.
-Caso não saibas, eu ouço melhor do que qualquer pessoa nesta casa – disse aproximando-se da janela, onde até à pouco a rapariga tinha estado – a Kate foi tirar os corpos mais a Marge, não me deixaram ir. – encolheu os ombros e encostou a mão à bochecha com um ar aborrecido.
-O que é compreensível – disse Grace levantando-se de novo vendo Rafael encolher os ombros. – Vieste aqui fazer alguma coisa? – perguntou curiosa, porque sabia que ele não ia entrar no seu quarto assim sem mais nem menos e não fosse alguma coisa.
-Eu vinha aqui pedir à Grace para me apoiar na busca, preciso de pessoas, mas já percebi que não queres – Rafael manteve-se estático a olhar pela janela e Grace mordiscou o lábio.
-Está bem – disse ela, fazendo com que todos a olhassem – mas, só até a matares, quando a matares acaba tudo.
-Ou quando tu a matares – corrigiu Rafael com um sorriso maroto, sob o olhar incrédulo do irmão.
-Vocês são loucos – abanou a cabeça levantando-se e vestiu a sua t-shirt e ele, ao reparar nesse pequeno pormenor olhou os dois.
-Vocês fizeram sexo? – perguntou, sendo muito directo. Grace arregalou os olhos, não porque ser algo de outro mundo, mas por não estar à espera.
-Não, está descansado – Quint revirou os olhos e saiu do quarto. A rapariga cruzou os braços ao peito, mordendo nervosamente o seu lábio inferior enquanto olhava para Rafael. Ele continuava a olhar para Grace, estava à espera da sua resposta.
-Claro que não – disse quando se apercebeu que Rafael não se ia mexer enquanto ela não falasse, ele encolheu os ombros.
-Também não tenho nada à ver com isso – disse num tom descontraído que a fez assentir.
-Quando é que começamos? – perguntou decidida a mudar de conversa. Rafael endireitou-se começando a andar até à porta.
-Veste-te e começamos depois – disse saindo. Grace abriu a boca para lhe perguntar se ele era maluco, mas nem teve tempo. Com um gritinho frustrado foi até ao seu armário abrindo a porta e ficando a olhar para as roupas que lá tinha. Estava alguma coisa errada, não devia haver assim tanta roupa…
- Oh meu deus – saltitou com um sorriso de orelha a orelha, agarrando no seu fato de caçador. – Eu vou ficar tão sexy aqui dentro – fez o seu típico sorriso maroto e rapidamente se vestiu. Pegou no seu arco e nas flexas, escondendo algumas na sua roupa. Estava fascinada, aquela fato era um mistério, ninguém saberia o que é que ela tinha para ali, estava tudo muito bem escondido e camuflado. Ao descer as escadas reparou que estavam todos na sala, bem, todos salvo seja. Estava Susie, Kate, Marge, Rafael e Quint, não eram todos. Os dois últimos arregalaram os olhos ao mesmo todo, Marge e Kate sorriram orgulhosas enquanto Susie só revirou os olhos, tentando atenuar o seu ar irritado com o meio sorriso.
-Já podemos ir? – perguntou ainda com aquele tom aborrecido.
-Vamos todos? – levantou Grace uma sobrancelha, olhando para Rafael e Quint que encolheram os ombros, ainda a olhar a rapariga. Ela estava fenomenal naquele fato…
-Quando souberam que ias, quiseram ir todos – respondeu Rafael que foi o primeiro a deixar de se babar, olhando para Kate que foi dar um beijo na bochecha de cada um, dando um pequeno abraço a Grace. Ela sorriu-lhe afastando-se com cuidado para não a magoar e foi juntar-se ao grupo. Eram quatro, quatro eram melhores que dois.
-O que é que vamos fazer primeiro? – perguntou Grace. Estavam os quatro num jipe com um homem que ela não conhecia, iam todos em silêncio até ela o quebrar, fazendo todos suspirar.
-Vamos ao concelho – foi Susie quem a informou – ela está metida com alguém de lá – disse desviando o olhar do dela. Susie sentia-se estúpida e traída, ela era boa naquilo que fazia, por isso não percebia como é que não se tinha apercebido de nada.
-Porque é que dizes isso? – perguntou-lhe tendo como resposta um encolher de ombros.
-A Anastácia dizia que conhecia algumas pessoas de lá – esclareceu Rafael – Agora vamos descobrir. Tentem parecer naturais – Grace olhou pela janela percebendo que tinham chegado e sentiu-se arrepiar, assim como Rafael, que não disse mais nada. Aquele lugar de novo não, já tinha sido mau de mais o que tinham lá passado, ainda devia estar tudo destruído e os outros mortos e... Grace simplesmente não queria lá entrar.
-Anda Grace – foi Marge que falou, passando as mãos pelas costas da filha, tinha estado todo o tempo a observa-la e conseguiu perceber que ela não queria ir. – Já não há lá nada, a não ser impostores. E agora somos mais, vêm mais a caminho. Vamos ganhar.
-Vamos lutar contra os poderosos, mãe. É impossível. – Não era preciso andar naquelas andanças há muito tempo para saber que as pessoas do concelho eram poderosas.
-Eu sou do concelho – disse Grace – e tu és minha filha, também fazes parte dele. Nós somos poderosas. E eles também – apontou para quem já ia lá à frente. – Agora agarra no teu arco e vamos. – levantou-se saindo do jipe e começando a andar em direcção à entrada. Tentar parecer normal, tinha sido o que Rafael tinha pedido, mas para Grace era impossível, ela estava nervosa, tinha a sensação que alguma coisa ia correr mal.
Assim que entraram, Grace viu aquilo de uma maneira totalmente diferente, não era mais aquele velho edifício às moscas. Estava como novo, como se tivesse sido reconstruido em poucos dias e bem… talvez tenha sido mesmo. Grace deu uma corridinha até se meter entre os irmãos, para saber do que eles falavam.
-Por onde temos que procurar? – perguntou Grace quando eles se calaram.
-Não temos que procurar, eu sem bem quem é. – disse Rafael, colocando uma mão no bolso, onde Grace conseguiu ver uma faca reluzir.
-Quem é? – perguntou curiosa e ele apenas a olhou, não lhe respondendo.
-Vamos para o quinto andar – disse Quint a uma senhora já de idade que parecia Kate, que estava a entrar no elevador ao mesmo tempo que eles.
-O que é que vamos fazer para o quinto andar? – Perguntou a mãe de Grace ficando ligeiramente mais pálida. Quint mordeu a parte de dentro da bochecha e mandou o elevador fechar as portas.
-Porque é que ninguém responde às nossas perguntas? – Resmungou Grace, esquecendo-se por completo daquela senhora simpática e, quando Rafael a lembrou com um simples olhar, ela olhou para trás, mesmo a tempo de ver a senhora ficar mais pálida.
-Cuidado – gritou Quint, mas foi Rafael que agiu, partindo o pescoço à Humanóide. Com um grito Grace agarrou-se ao irmão loiro, fechando os olhos com força. – Isto está cheio deles – murmurou Quint – estejam preparados.
Isto está mesmo quase quase a acabar
espero que gostem e desculpem pela demora.
Este capitulo não é dos melhores, eu sei.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-18 16:30:47
Capítulo 20
Último Dia de Escola * Parte 1
- O que é que estamos a fazer? – Perguntou Chelsea, a rir-se, quando Jensen a pousou em cima da cama depois de fechar a porta com o pé.
- Queres mesmo parar para pensar? – Inquiriu ele, inclinando-se na cama, apoiando-se nela com as mãos, e dando um beijo ao de leve nos lábios da rapariga.
- Bem pensado – admitiu a rapariga dos caracóis ruivos, dando-lhe outro beijo. Porém quando ele se ia deitar por cima dela, ela esgueirou-se para fora da cama e agarrou no computador portátil e em alguns filmes – O que queres ver?
Jensen suspirou e deixou cair a cabeça na cama.
- És uma mata prazeres – acusou. Chelsea apenas encolheu os ombros e ele riu-se – Escolhe tu… mas não o Titanic, por amor de Deus.
A rapariga ruiva riu-se. Era mesmo esse que ela ia escolher. Acabou por pôr uma comédia leve, e deitaram-se os dois lado a lado na cama, enquanto o computador se encontrava à frente deles, à ponta. Estavam os dois a olhar para o ecrã, mas a verdade é que nenhum deles estava a prestar qualquer atenção. Jensen divertia-se a brincar com as mãos de Chelsea, e a rapariga apenas pensava. Já se andavam a esgueirar para o quarto da rapariga em segredo, quando não estava mais ninguém em casa, há quase duas semanas. Viam filmes, riam, conversavam, trocavam um beijo ou outro. Mas Chelsea continuava sem saber o que lhe chamar. Tinham concordado em deixar que as coisas se resolvessem sozinhas, mas ela não estava segura de que por este andamento, elas se fossem mesmo resolver. Agora que Jensen andava mais carinhoso e preocupado, não tinha razões de queixa, e até gostava de estar com ele. “O suficiente para sentir saudades quando não estou”, pensou ela. Chelsea olhou para ele pela ponta do olho e viu que ainda olhava para o filme. A rapariga suspirou e ele riu-se.
- O que foi? – Perguntou-lhe.
- Nada… estava só a pensar – disse a rapariga, dirigindo agora a atenção para os seus dedos, que ainda não tinham sido largos pelo rapaz.
- Em quê?
- No final da escola – mentiu.
- Hum… sabes, também estava a pensar… - Chelsea olhou para ele e viu aquelas covinhas aparecerem-lhe nas bochechas ao mesmo tempo que um sorriso de gozo lhe invadiu os lábios. Não vinha dali coisa boa.
- O quê? – Arriscou a perguntar.
- Tu sabes, toda essa história da pureza do teu coração, pureza isto, pureza aquilo… significa mesmo o que eu penso que significa? – A boca de Chelsea abriu-se numa exclamação. Não sabia se havia de rir ou de se enfiar num buraco.
- És tão estúpido! – Gritou-lhe, dando-lhe um empurrão devagar.
- O que foi? É uma pergunta justa – defendeu-se ele.
- És tão perverso. E não tens nada a ver com isso.
- Tudo bem… e não sou perverso, estava apenas curioso.
- Só… vê o filme.
Ele riu-se e ela também não resistiu a expressar um pequeno sorriso enquanto voltavam a dirigir a atenção às pessoas no ecrã.
Sem terem intenção, acabaram por adormecer os dois, e assim ficaram por algumas horas pela tarde fora.
Richard levou a chave à porta e abriu-a, fechando-a logo em seguida. Estranhou o silêncio na casa, Chelsea, noutro dia qualquer, estaria com música alta ou então a ver televisão na sala.
- Chelsea? – Chamou ele, não obtendo resposta.
Começou a subir as escadas e entrou no seu quarto, onde deixou a sua mochila. Depois bateu à porta do quarto da irmã, mas de novo ninguém lhe respondeu. “Será que saiu?”, pensou ele. Ao abrir a porta viu o computador a passar um filme, e Chelsea adormecida de lado, abraçada a Jensen, também ele a dormir. “Mas que…?”. Richard chegou-se ao pé deles e chamou-os num tom normal, e depois um pouco mais alto, mas eles não acordavam.
- Acordem! – Gritou, fazendo com que Chelsea desse um salto enorme e Jensen quase caísse da cama – O que é que se passa?
- Credo Richard – queixou-se a irmã, esfregando um olho –, não sabes acordar as pessoas com calma?
- Porque é que ele está na tua cama? O que é que está a acontecer? – Insistiu Richard.
- Não é o que pensas – disse Jensen, com uma voz ensonada – Na verdade, eu não sei o que pensas…
- Tu estás… vocês estão… mas como? Vocês nem se podiam ver à frente – pensou Richard em voz alta – E porque é que não disseram nada? Há quanto tempo é que andas a sair com a minha irmã?
- Não é exactamente “sair” – intrometeu-se Chelsea, fazendo aspas com os dedos – Não sabemos como lhe chamar, por isso preferimos não dizer a ninguém.
- Se não é sair, é o quê? – Perguntou-lhe o irmão, voltando-se depois para Jensen – Meu, tu vê lá o que andas a fazer, esta é a minha irmã!
- Eu sei meu – disse Jensen, levantando-se da cama – Nós estamos numa fase de… de…
- Experimentações – ajudou Chelsea – E até descobrirmos o que isto é… não temos nenhum nome para lhe dar.
- Exacto – apoiou-a Jensen.
- Mas vocês… e… - Richard suspirou e abanou a cabeça – Não há quem vos perceba… nem quero saber.
Ele saiu do quarto e Chelsea e Jensen começaram a rir.
- Lá se foi o segredo – disse a rapariga.
- Podia ter sido pior… - Jensen viu as horas no despertador em cima da mesa-de-cabeceira e voltou a olhar para a rapariga – Tenho que ir, prometi à minha mãe que fazia umas coisas. Até amanhã.
- Está bem – Chelsea levantou-se da cama e puxou Jensen pela mão até ao andar de baixo. Abriu-lhe a porta e o rapaz não resistiu a despedir-se com um beijo.
- É verdade! – Disse, quando Chelsea já ia a fechar a porta – Amanhã à noite o pessoal da Universidade vai-se encontrar no Drink&Tell para festejar o fim do ano. Vem também.
- Não sei…
- Traz a Helen, e a Cassie, e quem quiseres – disse Jensen, agarrando-lhe nas mãos – Por favor, vem…
A rapariga revirou os olhos e suspirou.
- Está bem, vai-te lá embora – concordou, rindo-se. Ele sorriu e depois começou a afastar-se, a andar. Chelsea fechou a porta e depois subiu as escadas para voltar para o quarto.
❦
- Posso entrar? – Perguntou Chelsea, embaraçada, à porta da sala de aula. A sua professora de Inglês, Sra. Curtis, olhava-a e abanava a cabeça – Desculpe, adormeci…
- Nem no último dia chegas a horas Chelsea Burke – ralhou ela, suspirando alto – Entra, senta-te, vá.
Chelsea agradeceu-lhe e caminhou silenciosamente até ao seu lugar, onde se sentou e começou a tirar o caderno e o estojo de dentro da mala.
- Estás quase meia hora atrasada – observou Helen, inclinando-se para ela da mesa ao lado.
- Eu sei, adormeci mesmo – desculpou-se Chelsea. Tinha estado até tarde a ler umas notícias no computador sobre a Defensora do Oculto e quando o despertador tocou hoje de manhã, desligou-o e continuou a dormir.
- Pessoal, temos que combinar alguma coisa para festejarmos – meteu-se Tony, sussurrando também.
- Eu já tenho uma planeada. Vamos ao Drink&Tell, vai lá haver uma festa da universidade – disse Chelsea.
- Chelsea Burke! – A voz da Sra. Curtis fez-se ouvir e Chelsea assustou-se.
- Desculpe – pediu.
- Como eu estava a dizer – continuou a professora de Inglês –, foi uma honra ser vossa professora este ano, apesar de não vos ter apanhado o ano inteiro. Devo dizer que há aqui alunos com um grande potencial, e dos quais eu sei que um dia mais tarde me farão orgulhosa por ter sido uma das pessoas que os ensinou. Também sei que há pessoas – dirigiu um especial olhar a Chelsea – que devem mudar certas atitudes se esperam receber um diploma para o próximo ano. – Chelsea revirou os olhos e suspirou, ela já tinha ouvido esses discursos todos – Com sorte ainda cá estarei no próximo ano, e serei vossa professora na mesma. Se assim for, espero que as aulas corram tão bem, ou melhor, que este ano. Agora tenho umas fichas que preciso que preencham e depois podem sair.
Depois de despacharem tudo da aula, puderam sair, e as outras aulas foram também do mesmo género. Umas fichas de dados de última hora e as despedidas. Quando a campainha soou pela última vez abriu-se um sorriso nos lábios de Chelsea.
- Parabéns, sobreviveste a mais um ano lectivo – murmurou ela baixinho. Ia passar de ano, com sorte, mas ia. “Décimo segundo ano, cá vou eu”, pensou.
Foi comer um gelado com Helen e Tony e combinaram à noite encontrarem-se à porta do Drink&Tell às nove e meia, e Chelsea disse que ainda ia convidar Will e Cassie.
Quando chegou a casa, subiu para o quarto e deixou-se cair em cima da cama de costas, respirando bem devagar. Férias, finalmente. Estava livre dos trabalhos, já não tinha que se levantar cedo… tinha tudo para ser perfeito. Podia estar com Jensen… Mas mal ela sabia que não era tudo bem assim, e que as férias que a esperavam não eram de todo as que tinha planeado.
Foi preparar um lanche e quando voltou ao quarto tinha o telemóvel a tocar, e apressou-se a atender.
- A telefonar-me a esta hora? Estás doente? – Perguntou, num tom de brincadeira.
- “Que graça” – retorquiu Jensen – “Só telefonei para saber a que horas vens para o bar, não te posso ir buscar, desculpa”.
- Não faz mal, eu vou com o Richard. Combinei com o pessoal à porta às nove e meia, mas ainda tenho que falar com a Cassie e o Will.
- “Tens mesmo que convidar esse?”
- “Esse”? O Will é meu amigo.
- “Sim, o amigo que te treina e te esconde a verdade sobre quem foste”.
Chelsea riu-se.
- Estás só chateado por ele não me ter dito nada sobre ti, oh mascarado – disse ela.
- “Pois estou, e não é para estar?!” – Jensen suspirou – “Deixa lá. Vejo-te mais logo então.”
- Está bem, chato. Até logo.
- “Adeus caracolinhos” – Jensen desligou antes que Chelsea pudesse reclamar, mas na verdade a rapariga não o ia fazer. Já se estava a acostumar a ser chamada daquela maneira, ou doutras do género. E a cada dia que passava, detestava um pouco menos.
Chelsea pousou o telemóvel em cima da secretária e começou a ver biquínis nos sites das lojas a que costumava ir. Precisava de comprar uns novos para este Verão.
Quero mais do que três comentários neste capítulo, está bem? ;_;
publicado por rii sw. às 2013-05-17 22:15:51
Esta semana tem sido a pior semana da minha vida, onde se compram buracos para nos escondermos?
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 21:07:09
Como é que só tenho 2 comentários na DDO, hum? Como, leitores desnaturados? Ai...
Capítulo 10
- Tens a certeza que queres fazer isto? – Perguntou Jonah, que estava sentado na cama de Samantha, de costas para ela enquanto ela se arranjava para o grande baile.
- Tenho que o fazer, Jonah, senão o Will vai contar tudo – respondeu ela, suspirando de seguida – Já disse ao comandante que não me estava a sentir bem, e que ia ficar no quarto e não queria ser incomodada. O Samuel está na pausa, e a Samantha está… - nesse momento ela virou-se para o espelho e ficou espantada por alguns segundos. Pela primeira vez em muitos anos parecia-se com a verdadeira Samantha Kendric de Walcaster, uma verdadeira lady – A Samantha está pronta. E o Will tem o que quer, e o meu segredo continua a salvo. Já te podes voltar.
- Tratas o príncipe William por “Will”, é tão estranho de ouvir… - comentou Jonah, ao mesmo tempo que olhava para ela, ficando automaticamente boquiaberto com a beleza que tinha à frente – Uau… às vezes até me esqueço… que és uma rapariga. E uma bonita, para sermos sinceros.
Ela sorriu-lhe.
- Pareço a minha mãe – confidenciou, com uma certa nostalgia – Ela também prendia o cabelo assim…
Samantha tinha os caracóis loiros presos para trás, num carrapito, com um gancho com pedrinhas preciosas a condizer com as do vestido vermelho que William tinha mandado entregar naquele quarto, juntamente com uns sapatos pretos, de salto alto, e uma pulseira também com pedras preciosas. Agora sim, com aquela vestimenta, adornos e penteado, ela parecia alguém digno de ser da realeza.
- Bem… o baile já começou – disse Jonah – Pronta?
- Vai espreitar, para ver se vem alguém.
Assim fizeram. Jonah foi à frente e, quando o corredor ficou livre, Samantha saiu e caminharam rapidamente até à entrada para o salão de bailes, que consistia numa porta bem alta e larga, que dava directamente a umas escadas que tinham que ser descidas. Ao fim delas, o salão estendia-se, com o rei sentado num trono ao fundo da sala, juntamente com a rainha e William, e já várias pessoas a dançar. As mulheres envergavam lindos vestidos, os homens belos fatos e os soldados que não podiam pagar uma melhor vestimenta limitavam-se a usar a armadura.
Samantha estagnou à entrada, perto do lacaio que apresentava as pessoas que entravam em voz alta, e Jonah parou com ela.
- Passa-te alguma coisa?
- Vai entrando… eu vou já atrás de ti – assegurou ela, esforçando-se por sorrir. Mas, assim que ele foi apresentado como “soldado Jonah Godwyn” e desceu as escadas, voltou para trás e encostou-se à parede, vendo as pessoas a passar por si e a entrar no baile. De súbito o vestido tinha-se tornado demasiado apertado, não conseguia respirar, estava a ter um ataque de pânico – Vá lá Samantha, tu consegues, é só um baile… vá lá – repetia-se vezes e vezes sem conta.
Ao fim de alguns minutos tomou coragem e aproximou-se do lacaio e, chegando-se ao seu ouvido, apenas disse “Lady Samantha Kendric de Walcaster”. O lacaio bateu com o bastão no chão e, com a sua voz alta e grave, que persistia perante a música ambiente dos violinos, repetiu:
- Lady Samantha Kendric de Walcaster – ao dizer aquele nome, que no reino era como se fosse um tabu devido ao horror ligado a ele, todo o salão ficou em silêncio. Os homens pararam de tocar violino e o rei, anteriormente enfadado, levou os olhos até ao cimo das escadas, como todos os outros. Samantha engoliu em seco e sentiu a pressão dos olhares sobre si, porém continuou o seu caminho e andou directamente até ao rei, perante a surpresa e o choque de todos os presentes.
William saiu do seu lugar e andou até ela, parando-lhe a marcha.
- Estás linda – elogiou, dando-lhe um beijo na mão e brindando-a com um sorriso.
- Obrigado, e tu pareces-te mesmo com um príncipe – ela sorriu, e ele riu. Após trocarem um olhar, Samantha contornou-o e parou em frente ao rei, fazendo uma vénia – Vossa Alteza – cumprimentou.
Ele franziu as sobrancelhas e levantou-se, desceu os três degraus e ficou de frente a ela.
- Que brincadeira é esta, rapariga? – Perguntou, claramente perturbado – Gozar com os espíritos já perdidos não é admissível!
- Perdoe-me, rei Irinoi – disse ela, levantando-se. Foi então que ele arregalou os olhos. Ela parecia-se mesmo com a mãe –, mas não estou a brincar. Sou mesmo eu. Sobrevivi. Perdoe-me por nunca antes vos ter dito isto.
Até a maneira como ela falava, como sorria, como olhava, fazia lembrar Catherine Kendric. O seu cabelo, as suas bochechas rosadas. Irinoi perdeu a noção do decoro e, com os olhos enlagrimados, lançou-se à rapariga e agarrou-a num abraço bem apertado, apanhando todos de surpresa. William riu-se, enquanto a madrasta fez “cara feia” e as irmãs não compreendiam o que se passava.
- Como…? – Perguntou Irinoi.
- Noutra altura, hoje é uma festa. Ouvi dizer que queria uma mulher para casar com o Will – brincou ela.
- Estás-te a disponibilizar? – Ela riu-se e corou, ao mesmo tempo que William também o fez.
- Não, ainda sou nova.
- Parece destino, ele diz o mesmo – e então, ao perceber que toda a gente permanecia quieta, Irinoi voltou-se para os convidados e sorriu – Hoje aconteceu um milagre! A família voltou para casa! Temos mais um motivo pelo qual celebrar! Toca a tocar a música, toca a dançar e a comer e a beber. Hoje não há lugar para tristezas!
Tal como ordenado, a música voltou a soar pelo salão, e as danças prosseguiram de onde tinham parado. Samantha fez uma vénia e preparava-se para se afastar e se misturar na multidão, quando William lhe agarrou pela mão.
- Então e a minha dança? – Perguntou-lhe, com um sorriso encantador.
Ela respirou fundo. “O mais difícil já passou”, tentou convencer-se, sem saber ainda do que estava para vir.
- Vamos, vamos ver quão bem sabes dançar Will.
Ele sorriu em jeito de desafio e levou-a até à zona destinada à dança. Colocou-lhe uma mão na cintura e começaram a dançar ao som da melodia. Aos poucos os outros pares foram-se desviando, deixando-os apenas aos dois a dançar. Uns iam comentando o facto daquela rapariga tão misteriosa ter aparecido e parecer tão familiar com o rei e o príncipe, ignorando a sua identidade; outros admiravam-lhe a beleza; outros, conhecedores de quem era, davam graças por estar viva ou lamentavam esse mesmo facto, sendo crentes numa certa “maldição dos Kendric” e incapazes de acreditar que ela poderia ser feliz algum dia.
- Está toda a gente a olhar para nós – comentou Samantha, um pouco embaraçada.
- Deixa que olhem. Tu mereces. Estás deslumbrante.
Bem até agora parece que tudo correu bem...
publicado por autumn sioux às 2013-05-17 14:51:14
Observar pessoas adultas dá-me um certo gozo. A maneira como reagem perante as outras é totalmente diferente do que quando vemos pessoas da nossa idade a relacionar-se. Com os ditos adultos, há sempre um véu entre nós e aquilo que está realmente a acontecer. As situações podem ser completamente normais mas aos nossos olhos jovens aparentam ser as coisas mais bizarras e singulares que alguma vez se cruzaram no nosso caminho. Ingressar no curso científico-humanístico de Artes Visuais mudou a maneira como eu observo as coisas; não a maneira de olhar, essa mantêm-se a mesma, mas o observar mudou de modos extraordinários. Linguagem corporal tornou-se uma coisa para mim fácil de ler, quando antes era tudo um emaranhado de acções, os objectos deixaram de ter a sua graça porque apercebo-me agora que desenho tudo com a mente. Os contornos e as manchas que definem o que me rodeia povoam-me dia e noite, noite e dia. Então assim, ao observar um casal adulto, cujo passado se cruzou em laços íntimos, e hoje se voltou a cruzar, numa sala cheia de adolescentes instáveis, apercebi-me desse malvado véu que me impede de ver as coisas com a clareza que se calhar era merecida. Pensando bem, quando esse véu desaparecer, se calhar já serei adulta de mais para notar a sua ausência.
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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-17 14:27:54
Logo posso postar Armadura do Coração ^^
Comentem.
Capítulo 19
Seguir o Destino * Parte 2
As quatro horas da tarde estavam-se a aproximar e Chelsea não conseguia esconder o nervosismo. Tinha trocado de roupa três vezes e ainda não tinha a certeza sobre se eram mesmo aquelas calças pretas e a blusa lilás que queria levar ao encontro. Encontro… ela nem sabia se era um encontro. Uma parte dela dizia-lhe que sim, mas a outra gritava-lhe que não. E ela não sabia qual delas ouvir.
- Está atrasado – proferiu, quando viu no despertador a hora mudar para as quatro e um. A campainha tocou nesse instante –, mas não muito.
Saiu do quarto e deu de caras com Richard, que ia abrir a porta.
- Eu vou – disse ela – Volta ao que estavas a fazer, é para mim. E vou sair, e não sei quando volto. Adeus.
O irmão nem teve tempo de lhe dizer nada, pois ela desceu as escadas e saiu de casa a uma velocidade considerável. Andou apressadamente até à mota de Jensen, onde o próprio já se encontrava sentado, e sentou-se atrás dele, agarrando-se nele.
- Estás a gostar disto, não estás? – Perguntou ela, ao que ele se riu. E então viu o enorme cabaz que o rapaz tinha no braço – O que é isso?
- Não é óbvio? – Perguntou ele, enquanto punha a mota a funcionar.
- Já me estou a arrepender – murmurou a rapariga entre dentes.
Jensen conduziu por alguns minutos, e estacionou perto do parque de merendas de Diamond City. Os dois começaram a caminhar até lá em silêncio, e quando encontraram um sítio com relva e à sombra de uma árvore, Jensen estendeu uma toalha grande no chão e lá colocou uma garrafa de Coca-Cola, uma torta, e uma caixa de plástico com morangos.
- O que estás a tentar fazer? – Perguntou a rapariga, sentando-se numa ponta da toalha, de frente para ele.
- É o que mais gostas, certo? Torta de chocolate, morangos… Coca-Cola – disse ele.
- Nem sabia que sabias isso…
- Porque é que saíste tão à pressa de casa? Parecia que estavas desejosa para sair de lá – reparou ele.
- O Richard ia abrir a porta… se ele te visse, ou melhor, se me visse a sair contigo… ele ia começar a pensar coisas, e… tu sabes.
- Não contaste ao teu irmão
- O que é que era suposto dizer? – Lamentou Chelsea – Que vou a um encontro com um tipo que odiava na semana passada? Quer dizer… isto é um encontro? Porque sinceramente não sei…
- Faz sentido.
Começaram a comer e passado um bocado de tempo começaram a rir com as lembranças de várias batalhas que já lutaram juntos. Houve coisas bem ridículas, não o podiam negar. Chelsea já estava a ficar com dores de barriga de tanto rir quando comeu o último morango e respirou fundo. Contrariamente a todas as expectativas, estava-se a divertir.
- Isto está tudo fabuloso – elogiou Chelsea, enquanto respirava fundo e observava cada traço da face de Jensen, sem que ele reparasse. Quando ele a olhou, ela desviou o olhar.
- Obrigado – disse o rapaz.
- Não pensava que a tinhas em ti – Jensen franziu as sobrancelhas, não vinha dali coisa boa, mas mesmo assim decidiu arriscar.
- O quê? – Perguntou.
- Simpatia – Chelsea riu-se e deitou-lhe a língua de fora, e Jensen abanou a cabeça e suspirou.
- Tinhas que estragar tudo, não tinhas Cabeça de Fósforo? – Perguntou, agora quem se ria era ele.
- Não me chames isso – disse Chelsea, já séria. Ela odiava aqueles nomes, ele sabia-o bem.
- Porquê? É um nome carinhoso – afirmou Jensen.
- Jensen, a sério – pediu ela, fazendo beicinho.
Jensen riu-se.
- Obrigado por teres vindo comigo hoje – disse ele, um bocado sem jeito.
- Que mais teria eu para fazer num domingo à tarde? – Chelsea revirou os olhos, e Jensen pressionou os lábios.
- Sair com o PJ? – Chelsea olhou para ele em choque.
- Como é que tu… estavas a espiar? – Perguntou ela, incrédula.
- Não, ia buscar um copo de água à cozinha e acabei por ouvir a pergunta. E depois quis saber a resposta… não devia ter ouvido atrás da porta, desculpa…
Mais uma vez, Chelsea soltou uma gargalhada sonora.
- Até ficas engraçadinho quando coras – disse ela, fazendo com que Jensen corasse um pouco mais.
- Nunca ninguém se queixou do meu nível de graça – brincou.
Chelsea parou de rir. Sim, para ter tantas namoradas como tinha, tinha que ter alguma graça. Esse sempre fora um dos motivos pelos quais ela não lhe dava muita confiança. Nunca estava com a mesma rapariga mais do que uma semana.
- Sim, tenho a certeza que as peruas com que andas te acham imensa – murmurou.
- Senti ciúmes? – Perguntou ele, sentindo-se importante.
- Não…
- É engraçado, conhecemo-nos há séculos e nunca falámos de namoros…
- Isso não é bem verdade. Lembras-te de quando começaste a insultar o John enquanto eu estava a sair com ele? Estávamos na cozinha, e eu estava a fazer um bolo, e enervei-me tanto contigo que…
- Despejaste a farinha toda para o chão – riram-se.
- Continuei a encontrar farinha por todo o lado nas três semanas seguintes.
- Foi hilariante.
- Foi horrível! – Chelsea parou para pensar e viu as horas no ecrã do telemóvel. Seis horas, daí a pouco o sol começaria a desaparecer.
- Posso-te perguntar uma coisa? – Perguntou o rapaz, abanando a cabeça para que os cabelos negros lhe saíssem dos olhos.
- Diz.
- Se não tivesses descoberto que eu sou o rapaz mascarado… o que é que tinhas feito?
- Não sei… eu queria descobrir quem ele… tu, eras. Acho que me deixei afeiçoar demais…
- Eu acho que é como a Guardiã disse… já vem de outra vida. É o destino.
- E tu acreditas nisso? – Chelsea sentiu um aperto no peito. Ela continuava apaixonada pelo rapaz da máscara, e agora que sabia que ele era Jensen, os sintomas também já se deixavam aparecer quando ele chegava ao pé dela, mas ela tentava lutar pelo simples facto de se tratar dele.
- No destino? Acho que já vi demasiadas coisas inacreditáveis para não acreditar nisso – disse ele, observando-a com cuidado para ver a sua reacção.
Ela suspirou e olhou para o céu, fazendo um certo trejeito com o lábio.
- Onde é que queres chegar? – Perguntou, ainda a observar as poucas nuvens que se faziam notar.
- O que quero dizer é… eu também gosto da Defensora do Oculto. E se ela és tu então… acho que quer dizer que gosto de ti.
- Acho que tens razão… mas ainda não me disseste onde queres chegar.
- Eu gostava de tentar… se tu quisesses.
Chelsea olhou para ele e respirou fundo. O seu coração gritava-lhe para dizer que sim, a razão implorava-lhe que não aceitasse. Tinha o pressentimento que ainda ia sofrer muito com toda esta história. Afinal, se a antiga Defensora e o antigo Byron não ficaram juntos, é porque não estavam mesmo destinados, certo?
- Está a ficar tarde… - murmurou a rapariga, vendo a desilusão instalar-se na face do rapaz. Mas mesmo assim ele disfarçou e sorriu.
- Pois está… vamos lá, eu levo-te a casa.
Levantaram-se e começaram a arrumar as coisas, para em seguida seguirem caminho. Jensen deixou a mota estacionada à entrada e acompanhou Chelsea até à porta, onde ela parou e se virou para ele.
- É um bocado difícil seguir o destino – murmurou a rapariga, enquanto pontapeava uma pequena pedra que se encontrava solta na calçada, ainda a pensar sobre a proposta do rapaz enquanto estavam no parque de merendas.
- Mas é ainda mais difícil lutar contra ele – pensou o rapaz em voz alta, o que fez com que rapariga olhasse para ele e corasse levemente. Ela já não sabia o que pensar, já não sabia o que sentir nem o que se passava com ela. Mas Jensen já o tinha aceitado. Agora via claramente que armar tantas brigas com ela era apenas uma maneira de tentar chegar a ela. Jensen já tinha percebido que, realmente, o sentimento sempre esteve com eles.
- Então devíamos deixar as coisas andar à medida que têm que andar – propôs a rapariga, sorrindo levemente.
- Concordo – afirmou o rapaz.
- Vês? – Perguntou ela, num tom espantado – Acabámos de concordar nalguma coisa.
O rapaz riu-se e abanou a cabeça.
- Até amanhã, caracolinhos. – Despediu-se, dando-lhe um beijo na pontinha do lábio e seguindo depois para a sua mota, na qual se foi afastando. Chelsea respirou fundo para tentar acalmar o ritmo cardíaco. “Isso não foi levar as coisas devagar”, pensou, “Caracolinhos… ah, que se lixe, ele nunca vai parar, por isso para quê reclamar? É um nome carinhoso…”.
publicado por Cate J. às 2013-05-17 10:15:21
