Imagens antigas de Castel(...)
publicado por José da Cruz às 2013-06-18 17:15:35
perfil público
http://valdeveiro.blogs.sapo.pt
O blog da história da Póvoa de Rio de Moinhos e das suas gentes. Valdeveiro é uma zona agrícola à entrada da aldeia, cujo nome quer dizer no meu entender vale de ver ou seja um vale com bastantes potencialidades que merecia ser visto, daí...
Nome
José da Cruz
Sexo
M
Código Postal
1250-125
Localidade
Lisboa
Artistas / Bandas Favoritas
Rolling Stones, Alan Parson, Deep Purple, Bee Gees, Abba, Elton John, Charles Aznavour,Gianni Morandi,Frank Sinatra, Shirley Bassey.
Músicas Favoritas
Petit fleur, Angie, When the man loves the woman, Beautifull world, Pedra filosofal, Je t,aime moi mon plus, Emanuelle, Never Never Never, Tonight
Programas TV Favoritos
Biqueirada, Prazer dos Diabos, Levanta-te e ri, A Revolta dos Pasteis de Nata, Show do Tom, Gestão de Topo, Mira Quien Baila, Linea Verde.
Filmes Favoritos
Cine Paradiso, O carteiro de Pablo Neruda, Voando sobre um ninho de cucos, Um violino no telhado, Ben Hur, Laranja mecânica, La quimera, Herbie, Os Deuses devem estar loucos.
Livros Favoritos
Os putos, Seara ao vento, Os Esteiros, Mau tempo no canal, A farsa, História de um palhaço,Crime e castigo, Amor de perdição.
Interesses
Fotografia, cinema, musica.
Frase Favorita
Somos tão pequeninos e tão mesquinhos que desfazemos naquilo que uns poucos fazem. Alçada Baptista
Imagens antigas de Castel(...)
publicado por José da Cruz às 2013-06-18 17:15:35
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-17 23:58:40
Nasceu em Lisboa, na Rua do Capelão, no Bairro da Mouraria a 21 de Novembro de 1933.
Faleceu em Lisboa, a 13 de Julho de 2003
Voz genuína, espírito livre e homem arreigado nas sua raízes de lisboeta, foi também um
grande intérprete do Fado. A sua autenticidade, o seu apego a uma forma popular de estar e sentir a vida da cidade, o seu enorme talento fizeram dele um fadista admirado e principalmente o orgulho, do seu bairro «A Mouraria».
Como profissional actuou em diversas casas típicas, Café Luso, Adega Machado, Adega
Mesquita, O Faia, Nau Catrineta etc.
Em Junho de 1989, com a presença de Amália Rodrigues, são descerradas duas lápides evocando a sua figura e a de A Severa.
A 31 de Outubro de 1994 a CML, organiza no S.Luiz a sua festa das "Bodas de Ouro Artísticas"
Em 12 Maio de 2001, foi agraciado pelo Presidente da República, com a Comenda da Ordem de Mérito.
Foi ainda agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.
Fernando Maurício canta:
Igreja de Santo Estevão
Letra: Gabriel de Oliveira
Música Fado Vitória de Joaquim Campos
Alfredo Marceneiro - Nome(...)
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-15 19:05:01
O jovem Alfredo fazia questão de andar sempre muito bem vestido, de fato, camisa muito bem engomada com o laço ao pescoço e calçando polainites de polimento. Desse seu aspecto elegante nasceu a alcunha de «Alfredo-Lulu» — Lulu era equivalente ao «Janota» dos dias de hoje. (Como se pode observar nas fotos inseridas)
Em meados de 1920, um grupo de fadistas decide organizar no recinto Clube Montanha, uma Festa de Homenagem a dois nomes grandes do fado de então: Alfredo Correeiro e José Bacalhau.
O poeta Manuel Soares, responsável pela organização do evento, não prescindiu de convidar Alfredo para fazer parte dele
No dia em que juntamente com o guitarrista José Marques, estavam a ultimar os detalhes para a composição dos cartazes de promoção da festa, chegaram à conclusão de que ambos desconheciam o apelido do Alfredo. Como acharam que «Lulu», como então ele era alcunhado, não seria o mais apropriado, decidiram por bem mandar imprimir os cartazes, anunciando em destaque "Alfredo MARCENEIRO", visto que esta era a sua profissão.
Os seguidores do Fado, que nunca perdiam a oportunidade de comparecerem a estes espectáculos, sentiram grande curiosidade em saber quem era aquele Alfredo Marceneiro, de quem nunca tinham ouvido falar e que tinha merecido tamanha evidência!
Assim não foi de admirar que rapidamente a lotação se tivesse esgotado.
Alfredo cantou, pondo tal ênfase na sua actuação, que no final foram para ele todas as honras da noite. Dos comentários a esse espectáculo saiu extraordinariamente prestigiado o seu nome.
" O MARCENEIRO"
Letra de Aramando Neves
Mísica: Casimiro Ramos
Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no Mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte.
Orgulho-me de ser em toda a parte
Português e fadista verdadeiro,
Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte
Sou para toda a gente o Marceneiro.
Este apelido em mim, que pouco valho,
Da minha honestidade é forte indício.
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho,
Marceneiro no fado e no ofício.
Ao fado consagrei a vida inteira
E há muito, por direito de conquista.
Sou fadista, mas à minha maneira,
À maneira melhor de ser fadista.
E se alguém duvidar crave uma espada
Sem dó numa guitarra para crer,
A alma da guitarra mutilada
Dentro da minha alma há-de gemer.
E foi assim que o Alfredo «Lulu» passou a ser para todos e, para sempre, conhecido por ALFREDO MARCENEIRO.
Mais tarde, o poeta Armando Neves escreveu um poema que lhe dedicou, ao qual deu o título: "O Marceneiro".
Estes versos com música de sua própria autoria foram o "seu Cartão de Visita", e passaram a ser tema obrigatório nas suas actuações.
Assim principiou a carreira de Alfredo Marceneiro, precisamente na altura em que o fado, saído dos cafés iluminados a gás (onde se ouvia ao piano, na voz de camareiras e faias), começava a impor-se no mundo do espectáculo. Ouvir então cantar a chamada canção nacional que, no entanto havia de manter-se nos retiros «fora de portas» e na garganta dos participantes das cegadas, em dias do Carnaval lisboeta, já não era uma perigosa aventura. É a partir daí que o fado, na sua forma estilizada, irá chegar ao teatro ligeiro e, mais tarde, ao cinema. Por outro lado, poetas como José Régio, Augusto Gil, António Botto ou Silva Tavares, encontram no próprio fado, inspiração para muitos dos seus versos. Aparecem novas vozes e, em breve, o fado passa a mostrar-se ao mundo, com foros de atracção internacional.
© Vítor Duarte Marceneiro in “Recordar Alfredo Marceneiro”
Alfredo Marceneiro
Canta: Cartão de visita "O Marceneiro"
http://patriarca-do-fado.blogs.sapo.pt
Alfredo Marceneiro - Marc(...)
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-15 16:53:10
O jovem Alfredo fazia questão de andar sempre muito bem vestido, de fato, camisa muito bem engomada com o laço ao pescoço e calçando polainites de polimento. Desse seu aspecto elegante nasceu a alcunha de «Alfredo-Lulu» — Lulu era equivalente ao «Janota» dos dias de hoje. (Como se pode observar nas fotos inseridas)
Em meados de 1920, um grupo de fadistas decide organizar no recinto Clube Montanha, uma Festa de Homenagem a dois nomes grandes do fado de então: Alfredo Correeiro e José Bacalhau.
O poeta Manuel Soares, responsável pela organização do evento, não prescindiu de convidar Alfredo para fazer parte dele
No dia em que juntamente com o guitarrista José Marques, estavam a ultimar os detalhes para a composição dos cartazes de promoção da festa, chegaram à conclusão de que ambos desconheciam o apelido do Alfredo. Como acharam que «Lulu», como então ele era alcunhado, não seria o mais apropriado, decidiram por bem mandar imprimir os cartazes, anunciando em destaque "Alfredo MARCENEIRO", visto que esta era a sua profissão.
Os seguidores do Fado, que nunca perdiam a oportunidade de comparecerem a estes espectáculos, sentiram grande curiosidade em saber quem era aquele Alfredo Marceneiro, de quem nunca tinham ouvido falar e que tinha merecido tamanha evidência!
Assim não foi de admirar que rapidamente a lotação se tivesse esgotado.
Alfredo cantou, pondo tal ênfase na sua actuação, que no final foram para ele todas as honras da noite. Dos comentários a esse espectáculo saiu extraordinariamente prestigiado o seu nome.
" O MARCENEIRO"
Letra de Aramando Neves
Mísica: Casimiro Ramos
Com lídima expressão e voz sentida
Hei-de cumprir no Mundo a minha sorte
Alfredo Marceneiro toda a vida
Para cantar o fado até à morte.
Orgulho-me de ser em toda a parte
Português e fadista verdadeiro,
Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte
Sou para toda a gente o Marceneiro.
Este apelido em mim, que pouco valho,
Da minha honestidade é forte indício.
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho,
Marceneiro no fado e no ofício.
Ao fado consagrei a vida inteira
E há muito, por direito de conquista.
Sou fadista, mas à minha maneira,
À maneira melhor de ser fadista.
E se alguém duvidar crave uma espada
Sem dó numa guitarra para crer,
A alma da guitarra mutilada
Dentro da minha alma há-de gemer.
E foi assim que o Alfredo «Lulu» passou a ser para todos e, para sempre, conhecido por ALFREDO MARCENEIRO.
Mais tarde, o poeta Armando Neves escreveu um poema que lhe dedicou, ao qual deu o título: "O Marceneiro".
Estes versos com música de sua própria autoria foram o "seu Cartão de Visita", e passaram a ser tema obrigatório nas suas actuações.
Assim principiou a carreira de Alfredo Marceneiro, precisamente na altura em que o fado, saído dos cafés iluminados a gás (onde se ouvia ao piano, na voz de camareiras e faias), começava a impor-se no mundo do espectáculo. Ouvir então cantar a chamada canção nacional que, no entanto havia de manter-se nos retiros «fora de portas» e na garganta dos participantes das cegadas, em dias do Carnaval lisboeta, já não era uma perigosa aventura. É a partir daí que o fado, na sua forma estilizada, irá chegar ao teatro ligeiro e, mais tarde, ao cinema. Por outro lado, poetas como José Régio, Augusto Gil, António Botto ou Silva Tavares, encontram no próprio fado, inspiração para muitos dos seus versos. Aparecem novas vozes e, em breve, o fado passa a mostrar-se ao mundo, com foros de atracção internacional.
© Vítor Duarte Marceneiro in “Recordar Alfredo Marceneiro”
Alfredo Marceneiro
Canta: Cartão de visita "O Marceneiro"
HERMÍNIA SILVA - Recordaç(...)
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-13 15:00:28
LEMBRAR A GRANDE HERMINIA SILVA
Este página é baseado no livro biográfico do mesmo autor e está protegido por "Copywrite" estando devidamente registado na S.P.A. e no I.G.A.C.
São permitos excertos do mesmos, que visem a divulgação da biografada e seja referida a fonte.
A RAZÃO DUMA PAIXÃO
Só de há alguns anos para cá me apercebi que o Fado é um estado de alma, é paixão. Desde muito novo que o adoro e cultivo, mas à medida que vou amadurecendo, dou por mim a venerá‑lo cada vez mais. Lembro coisas do «fado» e de Fado, que durante muito tempo parecia que nada me diziam, estavam adormecidas, mas que agora me vêm à memória, em catapulta desenfreada, e penso... Tanto tempo que eu perdi.
Reuni neste livro, a que dei o título de Recordar Hermínia Silva, tudo o que sobre ela consegui recolher, com o intuito de fazer história sobre essa mulher, que era povo, foi amada e ovacionada, mas manteve‑se sempre simples e despretensiosa. Era dotada de um dom especial, que só muito poucos têm, de cantar e representar muito bem, era um representar que não se estuda no «Conservatório», com a sua voz bem castiça dava um cunho muito pessoal às suas interpretações que deliciavam a quem a escutava, quer no fado tradicional, quer no fado revisteiro, mas na revista para além de cantar interpretou figuras e «meteu buchas» que fizeram o delírio de milhares de espectadores.
Obrigado Hermínia Silva por tudo que deu ao Fado, ao Teatro de Revista, ao Povo Português.
Vítor Duarte Marceneiro
2003
PREFÁCIO
É tão raro alguém dedicar tempo, afinco e talento a elaborar uma monografia sobre uma figura do Fado que, quando tal acontece, a comunidade fadista e todos quantos prezam os nossos valores culturais de raiz ficam devedores de um esforço que não é fácil, não é breve, não é ligeiro e, as mais das vezes, não é compreendido.
Vítor Duarte, com este seu livro sobre Hermínia Silva, é credor dessa dívida, a vários títulos.
Primeiro, porque já nos tinha brindado com dois volumes sobre o seu avô, o cantador e compositor de Fado mais marcante de todos os tempos: Alfredo Duarte, o Marceneiro. Primorosos de sentido de evocação, riquíssimos de fotografias, caricaturas, entrevistas, registos sonoros (o primeiro), ficam esses dois livros como um importante legado para o Futuro, marcado por uma incomensurável ternura e admiração de neto, por um sentimento autêntico de fadista que o Vítor também é, filho e sobrinho de fadistas, último elo de uma dinastia de nomes inesquecíveis (enquanto os seus jovens filhos não mostrarem, um dia, os dotes).
Mas as más línguas – e se as há, no Fado! – diriam aqui que não admira, era neto, estava bem colocado, aproveitou o espólio da família. Como se isso diminuísse o mérito da tarefa e o valor do legado.
Porém, Vítor Duarte, Marceneiro, sim, porque trabalha, não no ofício mas na palavra e na imagem, em prol da canção popular lisboeta (para além de cantar cada vez com mais maturidade e declamar como poucos), vem agora calar para sempre quaisquer más línguas. Nenhum laço familiar o ligava a Hermínia Silva. Apenas o mesmo sentir fadista que o fazia reconhecer nela a incomparável intérprete que era. Apenas a mesma ternura, expressa no episódio — que bem contado! — de ter sido no Solar da Hermínia que cantou em público pela primeira vez, tremendo diante do avô, do pai e... da dona da casa. Apenas a revolta incontida por pouco ou nada se ter escrito sobre um vulto tão importante e tão esquecido. Apenas aquele arregaçar de mangas e meter mãos à obra, tão próprios do Vítor quando sente que é preciso. E este «apenas» encerra horas e horas de escrita, a martelar no computador; dias inteiros na Biblioteca Nacional, a consultar velhos jornais; telefonemas a meio mundo, para obter mais uma fotografia, mais um dado em falta, mais uma data, mais um nome de uma revista do Parque Mayer, de um compositor, de um poeta; uma eternidade, a reorganizar sucessivamente todo o material entretanto conseguido.
Esse «apenas» está aqui, pronto e acabado, servido pelo Vítor Duarte com a sua habitual modéstia, por uns quantos euros.
Já lhe agradeci.
Daniel Gouveia
Outubro/2003
BIOGRAFIA DE HERMÍNIA SILVA
Herminia Silva canta: Fado da Sina do Filme "O Ribatejo"
publicado por José da Cruz às 2013-06-12 19:34:00
Mais um amigo, o Zé Furtado deixou-nos hoje, recordaremos com muita saudade a sua constante boa disposição e alegria.
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-12 00:00:11
As Marchas Populares, serão talvez designadas no futuro, com outro título!?....É por demais evidente que neste momento, o que interessa é a "Passagem na Avenida" para as Televisões, são elas que impoem regras.
E ~veja-se os preços para se ver ao vivo na avenida! Não têm nada de "populares". E as madrinhas e os padrinhos?, será que a maioria deles tem alguma coisa a ver com as tradições do bairro? Serão escolhidos pelos bairros, ou há outros valores por detrás?
Veremos o futuro, pois a prestação popular mesmo que explorada, será sempre a base das marchas....
...Lisboa és Linda e Bela...Lisboa és eterna...
A tradição vencerá.
OS SANTOS POPULARES
Letra de: Silva Tavares
O mês de Junho é o coração do ano
que ora canta, ora sofre, ora perdoa.
Um coração que desde há muito irmano
ao coração do povo de Lisboa.
Que espanta, pois, que os dois se queiram bem?
O idílio nada tem de singular
e, assim que Junho lá vem,
lá vai Lisboa a cantar!
Canta nos mastros e festões que à toa
documentam a ingénua fantasia
da gente boa da Madragoa,
de Alfama, do Bairro Alto e Mouraria.
Canta no tom dolente e pedinchão
dos garotos do bairro - e quantos há,
Santo Deus! - que nos barram o caminho
de bandeja na mão:
— « meu senhor, dê cá um tostãozinho
p'ró Santo António! Meu Senhor... dê cá!»
Canta nas alcachofras que se queimam
e, depois de ficarem qual tição,
vão espetar-se na terra — a ver se teimam
em reflorir ou não!...
Canta em ingénuas tradições caseiras;
em mil superstições e mil caprichos: ´
— No verde manjerico, nas fogueiras,
nas cornetas de barro, nos cochichos!
Nas bichas de rabiar, entre o clamor
estouvanado da histérica donzela;
nas bombas que rebentam com fragor;
na luz viva do fósforo de cor
que se acende à janela!
No ba1ão de Papel, cheio de fumo,
que, verdadeira imagem da ilusão,
domina o espaço e sobe e vai, sem rumo,
até extinguir-se a chama — o coração!
Canta nos bailaricos do mercado,
e nas sinas compostas a granel,
e nos trilos do grilo encarcerado,
e nas quadras dos cravos de papel!...
Quando virdes passar festivos arcos
de que pendam balões, simbolizando
velhas fachadas, monumentos, barcos
— é Lisboa que passa e vai cantando!
Canta p'lo Santo António, p'1o São João
e p 'lo São Pedro, enfim, num testemunho
fervente do seu culto à tradição
e num último adeus ao mês de Junho!
Tão velho afecto será sempre novo,
enquanto aos dois restar sombra de alento:
— Se Junho é cem por cento o mês do povo,
Lisboa, em Junho, é, povo cem por cento!
Santo Anónio
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-11 00:00:24
Fernando Martins de Bulhões, (Santo António de Lisboa), filho de D. Teresa Tavera e de Martin (ou Martinho) de Bulhões, nasceu em Lisboa ao que julga a 15 de Agosto de 1195, numa casa próxima da actual Sé de Lisboa, onde se ergueu a igreja em sua invocação.
Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando por volta de 1210, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, guiado pela mão do então prior D. Estêvão.
Permaneceu em São Vicente de Fora por três anos, com cerca de 18 anos ingressou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.
O mundo católico horrorizado com o martírio por decapitação de cinco franciscanos, em Marrocos, em 1220, altura em que os restos mortais destes mártires são transladados para Coimbra, levaram Fernando a abraçar a missão de evangelizador, pelo que a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António.
Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.
As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.
Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico, num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, por toda a cidade há arraiais populares engalanados, onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco, caldo verde e bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada, no típico bairro de Alfama, é costume organizar na Sé Patriarcal, o casamento de jovens noivos de origem modesta, são os noivos de Santo António, recebem ofertas do município e também de diversas empresas.
A Igreja e Museu Antoniano em Lisboa, situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa são o centro da devoção ao Santo, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.
O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.
publicado por Vítor Marceneiro às 2013-06-09 21:00:08
Lá vai Lisboa - canta Maria José Valério
Amostra dos trajes dos Padrinhos das Marchas
Letra de: Silva Tavares
OS SANTOS POPULARES
O mês de Junho é o coração do ano
que ora canta, ora sofre, ora perdoa.
Um coração que desde há muito irmano
ao coração do povo de Lisboa.
Que espanta, pois, que os dois se queiram bem?
O idílio nada tem de singular
e, assim que Junho lá vem,
lá vai Lisboa a cantar!
Canta nos mastros e festões que à toa
documentam a ingénua fantasia
da gente boa da Madragoa,
de Alfama, do Bairro Alto e Mouraria.
Canta no tom dolente e pedinchão
dos garotos do bairro - e quantos há,
Santo Deus! - que nos barram o caminho
de bandeja na mão:
— « meu senhor, dê cá um tostãozinho
p'ró Santo António! Meu Senhor... dê cá!»
Canta nas alcachofras que se queimam
e, depois de ficarem qual tição,
vão espetar-se na terra — a ver se teimam
em reflorir ou não!...
Canta em ingénuas tradições caseiras;
em mil superstições e mil caprichos: ´
— No verde manjerico, nas fogueiras,
nas cornetas de barro, nos cochichos!
Nas bichas de rabiar, entre o clamor
estouvanado da histérica donzela;
nas bombas que rebentam com fragor;
na luz viva do fósforo de cor
que se acende à janela!
No balão de papel, cheio de fumo,
que, verdadeira imagem da ilusão,
domina o espaço e sobe e vai, sem rumo,
até extinguir-se a chama — o coração!
Canta nos bailaricos do mercado,
e nas sinas compostas a granel,
e nos trilos do grilo encarcerado,
e nas quadras dos cravos de papel!...
Quando virdes passar festivos arcos
de que pendam balões, simbolizando
velhas fachadas, monumentos, barcos
— é Lisboa que passa e vai cantando!
Canta p'lo Santo António, p'1o São João
e p 'lo São Pedro, enfim, num testemunho
fervente do seu culto à tradição
e num último adeus ao mês de Junho!
Tão velho afecto será sempre novo,
enquanto aos dois restar sombra de alento:
— Se Junho é cem por cento o mês do povo,
Lisboa, em Junho, é, povo cem por cento!
Evocação da Marchas Populares de 1955
LETRA DE; Silva Tavares Música de: João Andrade Santos
É Lisboa! Venham vê-la !
São de sonho as graças que encerra!
Só Deus sabe se foi estrela
E baixou lá do Céu à terra
Pôs craveiros à janela;
No amor é leal, ardente.
A falar — não há voz mais bela !
A cantar — não há voz mais quente !
ESTRIBILHO
Esta Lisboa bendita,
Feita cristã p'ra viver,
É a menina bonita
De quem tem olhos p'ra ver!
Moira sem alma nem lei,
Quis dar-lhe o céu cor e luz.
E o nosso primeiro rei,
Deu-lhe nova grei
E o sinal da cruz !
Nas airosas caravelas,
Tempo após, com génio profundo.
Cruz sangrando sobre as velas
— Portugal dilatou o mundo !
—
E a Lisboa ribeirinha.
Ao impor sua cruz na guerra,
Foi então a gentil rainha
Ante a qual se curvou a Terra.
publicado por José da Cruz às 2013-06-05 16:24:46
