Depois de duas horas a discursar sobre Wagner, Mozart e Richard Strauss, dou-me por alguns poucos raros dias de férias porque maiores preocupações se avizinham na estrada, literalmente, dedicando-me por agora a ouvir aquilo que o meu professor da cadeira designa por barulho de fundo (tudo o que seja música não clássica) e a pensar no que poderia ser mais gratificante para a minha vida. Acabarei a ler Saramago e a ver um filme que me vai deprimir para o resto da semana. I don't care, I love it!Eu podia ter negativa por isto.
A tragédia de um amor, logo nos primeiros acordes, e o sofrimento é anunciado em três perguntas sem resposta, numa linha melódica que nunca consegue terminar e insiste na nossa angústia. Direi não apenas eu, mas a música deste mestre que mandou apagar as luzes. Talvez esta a narrativa mais importante - a que nos atinge directamente o coração sem a mediação do olhar, que pode distorcer muita coisa, menos a música.
Não gosto muito quando as pessoas respondem aos comentários nos seus próprios blogs, não é por mal... mas acabo por raramente ver o que me respondem porque me esqueço ou já não sei qual é o post.
Oh, eu poderia explicar mas - já diz o meu professor - não podemos estragar a experiência do cinema com palavras. E é tão fácil esquecer por momentos que tenho de ler as legendas... poder sentir-me de novo dentro daquela história que me fascina, aquele bater do coração quando sabemos que o fim está perto, mas queremos tanto aquilo. Isto não me deixaria cega para evitar ver a evolução mas permanece ali o essencial que fazem deles os favoritos, mais real, menos real, nada supera o primeiro, claro, e todas as noites de insónias com ele, e de choro, e de ansiedade. Um pormenor: quatro pessoas - todas idosas, três femininas e um masculino - na sala, comigo (eu que cheguei lá sozinha, ambicionando uma sessão só para mim). Pergunto-me sobre as suas histórias - duas eram amigas, e os restantes sozinhos - e o que os ligaria ali. Claro que o cenário é perfeito para histórias perfeitas e absolutamente impensáveis no contexto amoroso do século XXI. Mas a imaginação não tem de ser fiel à realidade - nem deve.
A promessa ficou, mais uma vez. Pelo menos agora sei que estão juntos. Como se isso me descansasse...
e se eu estava a morrer, nasci para a vida e para isto! Só me pergunto porque não vi mais cedo e não fui à estreia. Esperemos que consiga dormir hoje à noite.
Um dia ainda hei-de conseguir dominar aquela pequena parte do mundo que me pertence. Por muito pouco e insignificante que possa ser eu sei que é o suficiente para me fazer feliz. Um dia vou conseguir...