publicado por silvia às 2013-05-23 22:17:01
perfil público
prlinpinpin
Seguir Perfil »Nome
magali
Data Nascimento
12-08-1982
Sexo
F
Localidade
terra do nunca
Frase Favorita
Cada um pode com a força que tem...
publicado por Lénia Rufino às 2013-05-23 19:39:46
Depois do dia péssimo de ontem (e, por um ou outro comentário que recebi, começo a achar que sou uma espécie rara... uma espécie que, estranhamente, também tem dias maus!), o dia de hoje foi o exacto oposto (sim, podem internar-me... tive um dia bom, imagine-se!! Lá vem a bipolaridade... Porque eu devo ser a única pessoa que tem dias bons e dias maus, conforme calha, sem agenda nem planeamento... Acontece. Acontece também que não tenho problema nenhum em falar de uns nem dos outros...).
De manhã fui à Escola Superior de Comunicação Social (a minha ex-faculdade), ouvir uma breve "palestra" dada pelo melhor criativo publicitário da actualidade, que também estudou ali. Foi ele que criou (com a equipa dele, da Ogilvy Brasil) a campanha da Dove que já se tornou na campanha mais vista de sempre da história da publicidade. Não, não é exagero. Portanto, ali estivemos, a ouvi-lo contar a sua história, a ver algumas das suas campanhas, a ver a consubstanciação daquele talento. Emocionei-me (sim, há anúncios verdadeiramente tocantes, como este, que não foi criado por ele, mas sim por outra equipa da agência), ri-me, surpreendi-me. Foi bom estar ali, naquele sítio onde me senti em casa durante quatro anos. Foi bom rever colegas e professores. Foi bom, acima de tudo, ouvir o Hugo. Altamente inspirador, é o que vos digo!
Saí dali e fui ao Colombo. Almocei com uma amiga - que também tinha ido ver o Hugo - e pusemos a conversa em dia. Entrei na Zara e usei um vale-prenda-de-aniversário para trazer uma t-shirt de que gostei. Com o tempo contado, rumei à Sé para ir tratar dos papéis do baptizado do meu miúdo. Estacionei o carro num sítio onde, supostamente, não devia (thanks, Vanessa!!) e lá fui eu. Afinal não era na Sé, mas sim em S. Vicente de Fora. Dado o calor que se fazia sentir (e porque eu vivo noutro clima e tinha vestido roupa para o frio), achei melhor ir de eléctrico. Enfiei-me num 28 e lá fui eu. Entrei na igreja, perguntei pela Chancelaria - era nas traseiras. Lá fui eu, já a suar por todos os poros, com os pezinhos queimados (muito inteligente ir para os 27º de meias e botas!). Chegada lá percebo que não tenho dinheiro comigo e que não havia terminal de pagamento por multibanco. Toca de voltar para trás para ir levantar dinheiro à Voz do Operário. Depois foi voltar para a Chancelaria. Deram-me o papel de que precisava. Voltei outra vez para trás, para apanhar novamente o 28. Desta vez saí no Miradouro de Santa Luzia, para turistar. Tirei umas fotos e desci a pé o resto do caminho até ao carro. Andei às voltas - nada de grave - até estar de novo na Rua da Madalena. Daí o caminho fez-se para casa da minha mãe, para ir buscar a miúda para a levar à natação. Sabem aquelas pessoas com quem NÃO nos queremos cruzar nos transportes? Hoje fui uma dessas pessoas! E nem a dose brutal de desodorizante me safou! Portanto cheguei a casa da minha mãe e enfiei-me na banheira! E dei uso à t-shirt que comprei na Zara! Fomos à natação, lá baixei a rotação e a coisa voltou à normalidade.
Portanto, é isto: ontem foi mau, hoje foi bom. É a vida normal. Não estou sempre em alta, não estou sempre em baixo, sou feliz assim. Sou feliz todos os dias? Não. Mas não sou infeliz. Como toda a gente, tenho fragilidades e coisas que me moem. E sou humana, assumo-as sem problemas. Não sou a super-mulher, não sou melhor do que ninguém. Sou eu.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-23 14:21:13
Se encontrar uma nota nova de cinco euros não vou colocar nenhuma foto no instagram, nem no facebook, nem em lado nenhum. Não vou tecer qualquer tipo de comentários. Não vou festejar com bolo e champanhe. Não vou reunir-me com os amigos. Não vou bajular uma nota de cinco euros, “tão linda,né?”. Não, não é. É uma nota. O dinheiro é cocó.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-23 14:20:12
Há alguns anos atrás, tantos anos que nem me lembro como era o meu rosto, uma amiga fez acusações fortes a meu respeito. A nossa amizade era unha e carne. Via-a como uma irmã, inseparáveis. Na altura, namorávamos, saímos os quatro juntos para jantar ou fosse lá o que fosse. Pensava que ela era minha amiga. Pensava, na verdade não era. Depois de uma ida à praia, uma outra amiga alertou-me para o facto de ela andar a dizer que eu “andava a tirar fotos ao seu namorado” no pior sentido que possa ter. Sempre achei que ela era ciumenta obsessiva. E era. Ninguém no seu perfeito juízo ia para a varanda espiar o namorado com uns binóculos. Não preciso de dizer mais nada, né? Ela tinha problemas gravíssimos e eu fui arrastada. Fui pedir-lhe satisfações e ela confirmou a história. Custou-me imenso cortar relações de amizade com ela mas depressa deixei de sentir saudades e perceber que esta história só podia ter surgido com o objectivo de me afastar. Talvez soubesse de mais. A vida continuou. O casal continua. Nunca a vi acompanhada por uma amiga, vejo-a sempre sozinha ou com a mãe. Pudera.
Tão iguais, e tão diferen(...)
publicado por sonhoterumfilho às 2013-05-23 14:04:17
A nossa saudosa Big
E o nosso terrorista Bóris
Tão iguais fisicamente, e tão fiferentes em temperamento...mas são os meus canitos a quem eu dedico/dediquei parte da minha vida
Susana
publicado por Rita às 2013-05-23 12:56:37
Como já aqui disse, os semáforos para os peões e as passadeiras na China não têm qualquer utilidade: mesmo quando está verde para atravessar, os carros continuam em movimento, fazendo com que as pessoas tenham de avançar aos poucos (com ou sem polícias por perto).
E hoje fiquei possessa... Ai...
Ia a atravessar a estrada aqui perto da universidade, devagarinho. Vi um carro a abrandar. O motorista pôs então a cabeça de fora, sorriu-me com os dentes podres e disse (muitos Chineses fazem isso em relação aos estrangeiros, mesmo que não saibam dizer mais nada):
- "Hello! Hello!" - e continuou em movimento.
Ou seja...
Não me deu passagem e ainda tentou ser engraçadinho, o palerma. Dentes todos amarelos, estragados... Bagh, que nojooooooooooooo!
Apeteceu-me mesmo dizer-lhe para enf*ar o "hello" num sítio que eu cá sei...!!!
publicado por Suspeita às 2013-05-23 11:30:44
Ora bem ... isto é só um desabafo para os meus botões, que nisto de ligações a bens inanimados eu sou muito sensível! Mas é que custa-me ver o meu veículo, comprado com tanto gosto (por acaso sempre gostei daquele carro e ainda gosto) e sacrifício, ser de um momento para o outro (a partir da aquisição do actual carro de família) transformado numa espécie de veículo de apoio à causa cinegética. E hoje, quando ganhei finalmente coragem para voltar a olhar para ele com olhos de gente que sabe o que é amar um carro, deparei-me com um cenário catastrófico. Juro que quando abri a mala do carro pensei que de lá fosse sair uma perdiz viva, tal a reprodução quase exacta daquilo que será o seu habitat natural!! ....
Estou em choque. Alguém vai ter que explicar muita coisa...
![]()
publicado por Suspeita às 2013-05-22 21:31:01
Maria Teixeira Alves é jornalista e escreve num blog. Como jornalista desconheço o seu trabalho. Como blogger, gabo-lhe a capacidade de descompensar em cada post que escreve. Não é para todas!
O SAPO deu-me a oportunidade de, em duas semanas seguidas, ser brindada com a sua escrita! E que escrita! Não sei que outros assuntos são do seu interesse, mas a co-adopção por casais de pessoas do mesmo sexo está no topo! Aquilo fá-la vibrar! A um ponto que escreve o que lhe vem à cabeça. E à sua cabeça não vem grande coisa.
O facto de ser jornalista e, possivelmente, digo eu, ter alguma necessidade de recato na hora de opinar, assim como neutralidade e objectividade, já para não falar na verdade dos factos, não é problema para a Maria. Opina que nem gente grande! Ou será gente pequena?
O que me impressiona é sentir a castração de uma mulher que achará,certamente, que num casal formado por um homem e uma mulher, os papeis estão definidos pela biologia e pelo social, não havendo espaço para variações: à mulher cabe assoar o ranho, mudar a fralda, dar xarope e colinho (tudo no espaço privado, como manda a puta da etiqueta há séculos a esta parte) e ao homem, cabe levar o puto a jogar futebol, ensinar a jogar ao berlinde ou, possivelmente, iniciar na actividade taurina ou mesmo sexual (espaço público).
Não sei se ela conhecerá casais em que as tarefas são irmãmente divididas, em que cada um faz o que for preciso, mas desconfio que se conhecer vai também escrever sobre o assunto e cascar!
É por isso que se sente tão perdida ao analisar um casal constituido por duas pessoas do mesmo sexo: se são dois homens, quem dá o colinho? Quem muda a fralda? E se são duas mulheres? Quem leva o puto a encestar umas bolas ou a andar de triciclo? O mundo está perdido.
Maria não percebe que aquilo que lhe incutiram na cabeça, e que ela acha que é a base do desenvolvimento saudável e equilibrado de uma criança, mais não é do que um conjunto de estereótipos que ajudam a formar papéis sociais. Mulher faz isto. Homem faz aquilo.
Mas não é isso que criança precisa. Criança não precisa de uma mãe e de um pai porque um faz uma coisa e o outro faz outra e assim a família complementa-se e tudo corre como esperado. Criança precisa de um pai e de uma mãe porque estas serão as pessoas que estarão lá para o que der e vier. São a linha da frente. São quem ama. Quem protege. Quem educa. Quem diz não. Se em vez de um pai e uma mãe, forem dois pais ou duas mães, pouco muda. A linha da frente estará lá. E isso é tudo o que uma criança precisa.
publicado por mil sorrisos às 2013-05-22 20:57:25
A propósito desta reflexão, sinto necessidade de dar uma achega ao assunto. Tenho este blog há seis anos e sempre coloquei aqui fotos e até filmes caseiros da Laura. Achei, como acho, que as imagens são excelentes complementos das palavras e que até as substituem. Sinceramente, nunca pensei seriamente que esse ato de partilha pudesse, em algum momento, colocar em risco a segurança da minha filha. Se o achasse, não o faria, obviamente. O perigo poderá estar naqueles que estão mais próximos e que nem são, necessariamente, conhecidos ou íntimos da família. Se pensarmos nas escassas horas que os nossos filhos estão connosco, parecer-nos-à ridículo que se pense que uma foto os pode pôr em perigo. Relativemos as situações, por favor.
:o)
Impressões às primeiras c(...)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-22 19:59:53

Ando a ler "Inferno" de Dan Brown. O único livro que li dele chama-se "Código da Vinci", toda a gente conhece. Toda a gente. Excepto quem vive debaixo de uma pedra. Ando a ler o livro no Kobo, o livro vai demorar para estrear em Portugal. Já saiu a versão inglesa. Portugal é o último, é quase sempre o último a editar os livros que todos querem. Não li os outros livros do Dan mas tenho ali um ou dois, nem sei bem. Este teve a minha atenção porque já passaram anos suficientes para o autor aprender e amadurecer, fiquei com a sensação que será o seu segundo grande sucesso. Para além disso, todo o mistério à volta da obra só dá mais vontade de querer ler.
O prólogo começa muito bem. Dinâmico, misterioso e dramático. Os primeiros capítulos estão cheios de acção. Robert Langdon encontra-se num hospital com amnésia, logo depois está a fugir de um assassino ao lado de uma médica com um QI de 208. Ao fim de cinquenta páginas, começo a juntar peças na minha cabeça e acho que já sei o que vai acontecer com esta médica. Espero que não, espero ser surpreendida. Existe um objecto muito perigoso no meio desta trama mas ainda não sei o que é. Muitas perguntas em pouco tempo, espero que não fiquem pontas soltas. Para já, estou super entusiasmada e a gostar muito.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-22 19:53:11
Existe um actor português com uma página no facebook bastante ácida. Prefiro nem sequer dizer o nome dele para depois não receber comentários da treta a defender o querido-amado. Ele costuma, diariamente, gozar com tudo e todos. Acha tudo mal, acha-se superior a todos, mais intelectual, mais esperto, mais sábio. Pode ser, talvez seja mais inteligente que a maioria das pessoas. Para além disso, parece que gasta mais tempo na internet que propriamente a fazer coisas mais produtivas. Cada um sabe de si. Acho piada, ele criou um perfil ácido, arrogante e sem papas na língua mas quando confrontado com as citações recolhe-se, pede desculpa e chega até a confessar que não queria dizer aquilo que na verdade disse. Para mim, um ser humano só é inteligente se for humilde. Ainda não percebi se ele tem ou não. Mas também não me interessa. Quando me avisaram que ele gozou comigo, não gostei mas pus-me a pensar: "quantas vezes faço eu o mesmo?". Tantas. Aceitei sem sentir mágoa, aliás fui a correr subscrever o seu canal. Também soube que dois actores mais maduros defenderam aquilo que eu fazia em relação à literatura. Um abraço ao ego. Também soube que ele concordou com eles e apagou todos os comentários em relação à minha pessoa. Outro abraço ao ego. E pronto, a vida é um garfo. Ou comes, ou és comido.
3 músicas que ando a ouvi(...)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-22 19:39:07
publicado por Lénia Rufino às 2013-05-22 16:05:20
Eu sou chata. Passo aí 80% do meu tempo em casa. Saio de manhã para ir levar os miúdos, regresso. Nalguns dias saio à hora de almoço para ir ao ginásio. Na maioria dos dias só volto a sair ao fim do dia para ir buscar os miúdos. Passo muitos fins-de-semana de pijama, em casa, pois claro. Vou uma a duas vezes por mês almoçar com amigas. Ninguém me visita em casa e eu não visito ninguém. A minha amiga mais chegada, aquela a quem sei que posso recorrer sempre, seja por que for, foi-se embora daqui e agora vemo-nos aí uma vez por mês. Passamos dias e dias sem falar, cada uma na sua vida, com a distância medida em quilómetros a intrometer-se entre nós. Tenho muitos conhecidos. Amigos, pouquíssimos. E não tenho tema de conversa. Já não tenho tema de conversa. Os meus passatempos têm sempre palavras. Leio muito, passeio na net, escrevo menos do que queria. Quero muito cumprir o meu sonho, mas tem sido muito difícil. Como li uma vez alguém dizer, as mulheres só se tornam boas escritoras quando os filhos saem de casa. Na altura em que li percebi mas duvidei. Não quis acreditar. Agora cada vez mais acredito que sim, que quem o disse tinha toda a razão. Os meus dias são sempre iguais. Perdoem-me se não falo do que vejo, do que compro, do que como. Não vejo muito, compro praticamente nada (quer dizer, poderia dizer-vos coisas acerca das minhas listas de supermercado, mas não vejo nenhum interesse nisso), cozinho quase sempre o mesmo, de vez em quando lá me ponho a inventar, mas nada de muito significativo. Escrevo. Menos do que queria, mas escrevo o que posso. Não dependo só do tempo que tenho livre. Dependo, acima de tudo, da inspiração. Há dias em que as palavras são o IC19 na época das duas faixas: engarrafam-se, atropelam-se e custam a circular. Noutros, menos frequentes, saem escorreitas, como se abrisse uma torneira e as palavras simplesmente fluíssem. Às vezes só custa começar.
Sou uma solitária. Gosto de estar sozinha, mas canso-me de estar sozinha. Eu nem sequer gosto muito de mim, portanto não tenho muitas razões para achar excelente a ideia da solidão. Passam-se dias em que as minhas conversas se resumem a diálogos sobre refeições e cocós do meu filho (com a minha mãe, ao telefone e ao vivo, quando o deixo lá e quando o vou buscar) e a comentários no facebook. Uma tristeza, eu sei. Não me queixo. Quer dizer, queixo-me de vez em quando. Hoje, por exemplo, fui convidada para o Pink Day na Rua Castilho. Recusei o convite: tenho uma sessão de esclarecimento na escola da miúda mas ainda nem sei se consigo ir - sei que não tenho vontade nenhuma de ir e isso por si só é capaz de resolver o assunto. A minha vida social é, não um unicórnio, mas um lince ibérico: lá vai aparecendo, mas está em vias de extinção.
Tenho tudo para ser feliz: marido, filhos, família, uma casa, um cérebro. Só não tenho muitos assuntos interessantes de que falar porque, lá está, vivo na minha pequena bolha onde não se passa praticamente nada.
Era isto, está feito o desabafo. Ide em paz, vá.
publicado por Lénia Rufino às 2013-05-22 14:11:36
Sobre o livro, deixo aqui a review que escrevi no GoodReads:
Depois de ter lido "Pequena Abelha" e "Menina de Ouro" e de ter adorado os dois, faltava-me ler "Incendiário", que é o primeiro romance do autor.
Logo no início estranhei: a ausência de vírgulas foi coisa a que tive que me habituar, mas consegui fazê-lo muito rapidamente. Na verdade, sendo este livro uma carta escrita pela narradora a Osama Bin Laden, ele está escrito na linguagem que ela utiliza e não na linguagem que o autor utiliza. Só por isso, já merece ovação de pé, porque nem sempre é fácil abandonarmo-nos daquilo que escrevemos. Chris Cleave faz isso com magistral talento.
Este livro conta a história de uma mulher que perdeu o marido e o filho num ataque bombista da Al Qaeda. Vamos conhecendo a história deles à medida que ela escreve a carta a Bin Laden. Vamos também conhecendo a fundo esta mulher, as suas qualidades, as suas fraquezas, as suas falhas. Dei por mim a conseguir ouvi-la falar. Senti uma empatia enorme com este mulher que não tem nada que ver com o estereótipo da heroína a quem é arrancada a vida que tinha. Ela é uma mulher de carne e osso, real, com uma humanidade incrível. Até hoje, poucas foram as personagens de quem posso dizer o mesmo. Curiosamente, quase todas as que conheço assim saíram da "pena" de Chris Cleave.
Li este livro de um fôlego (demorei dois serões a lê-lo). Não consegui largá-lo, colou-se a mim sem me dar escapatória. Queria mesmo saber o que tinha acontecido, como é que ela sobreviveu àquelas duas pessoas que eram o centro do seu mundo. E, à medida que o livro avança, vamos percebendo que a dor continua a crescer, que o sufoco aumenta, que o cerco se aperta. Para mim, é um livro a revisitar de vez em quando. Imperdível...
Acabei de ler isto ontem e hoje aproveitei o almoço para ver o filme. Bom... os argumentistas tomaram a liberdade de escrever uma história completamente diferente! Não é cortar uma coisa ou outra para caber em 90 minutos!! É mudar coisas essenciais! Um abuso!
Ainda assim, o filme é bom, é duro... Não tanto como o livro - porque, lá está, mudaram tanto que "aligeiraram" aquelas dores todas -, mas é duro.
Recomendo, claro! Mas leiam o livro e, se quiserem ver o filme, não deixem passar muito tempo entre uma coisa e outra ou perderão pormenores importantes...
III Caminhada Viver Saudá(...)
publicado por Médicos do Mundo às 2013-05-22 13:57:27
Crédito foto: João Vicente (voluntário da MdM)
Esta iniciativa, aberta ao público em geral, reuniu 75 participantes, entre os quais se contavam muitos dos beneficiários do projecto Viver Saudável, que visa promover o envelhecimento activo das pessoas idosas residentes no Bairro da Picheleira e arredores (Lisboa).
A partida, junto ao Metro das Olaias, foi pontuada pela boa disposição originada pelos exercícios de Yoga do Riso propostos por uma voluntária da MdM, formada em Yoga do Riso. Na meta, no Parque da Bela Vista, aguardavam duas alunas do curso de Medicina Tradicional Chinesa para os exercícios de relaxamento de Tai Chi/Chi Kung. A caminhada terminou com uma sessão de Educação para a Saúde sobre hipertensão arterial, à qual se seguiu um piquenique saudável para aqueles que levaram merenda.
Bem-hajam a todos os que contribuíram para o sucesso da III Caminhada Viver Saudável:
- Água Serra da Estrela: oferta de águas;
- Carenza Ferreira e Dina Barbas/Alunas voluntárias da Escola de Medicina Tradicional Chinesa: Tai Chi/Chi Kung;
- Corpo de Bombeiros Voluntários do Beato: acompanhamento do grupo durante a caminhada;
- Direcção-Geral da Saúde: apoio financeiro;
- João Vicente: fotografia.
- Junta de Freguesia do Beato: cedência de transporte de apoio, divulgação, pedido de licenças junto da Câmara Municipal de Lisboa e cedência de sacos para os kits distribuídos no final da actividade;
- Lidl: oferta de barras de cereais;
- Maria João Gomes/Embaixada do Riso: Yoga do Riso;
- Polícia de Segurança Pública: acompanhamento do grupo durante a caminhada;
- Kreativ-i Productions: colaboração na angariação de apoios para o evento;
- SpeedCom: apoio na divulgação do evento;
- Voluntários do projecto 'Viver Saudável': apoio diverso durante a caminhada;
Testemunho em primeira pessoa
Crédito foto: João Vicente (voluntário da MdM)
“Tenho participado sempre e gosto imenso. Hoje estou com a família, filha, neta… Vou às quintas-feiras à ginástica que se realiza no projecto (Viver Saudável) e também aos passeios. Sempre que posso participo. As pessoas são atenciosas e tudo é bom. Estava isolada, agora tenho onde ir com segurança, no projecto tenho assistência. Estas actividades são importantes para as pessoas da nossa idade”.
Cristina Neves, 67 anos, beneficiária do projecto 'Viver Saudável' e participante na caminhada
Caminhada pelas ruas da Picheleira
Crédito fotos: João Vicente (voluntário da MdM)
Exercícios de relaxamento de Tai Chi/Chi Kung
Sessão de Educação para Saúde
Crédito fotos: João Vicente (voluntário da MdM)
publicado por PR às 2013-05-22 12:57:14
Não adiar o amor. Uma reconciliação ou uma declaração. Não adiar mais um gesto que seja bom. Não parar na dificuldade, no medo, naquilo que não é o nosso coração a ditar, e que nos atemoriza. Não pôr nada de decisivo dentro de nós à espera tempo demais. Não adiar o viver a vida o melhor que se puder. Dar valor a quem gosta de nós, exercermos essa gratidão com humildade e autenticidade. Não adiar um mergulho no mar, dar as mãos a quem se ama, não dar nada nem ninguém por garantido, não adiar o dia em que se é honesto para sempre, sem trair mais ninguém , a começar por nós próprios. Não adiar o cheio da terra molhada de manhã, o brincar com os filhos, o ralhar-lhes quando é preciso. Não adiar mais aquele telefonema que estamos há que tempos para fazer a uma pessoa de que gostamos, seja qual for a forma desse gostar.
Não adiar o momento de dizer alguém que o amor começou ou acabou. O dizer bom dia. Não adiar nenhum dos lados da vida, porque a vida esgota-se e só Deus sabe o que virá depois, e se.
Hoje morreu o Pai de um meu grande amigo, daqueles de toda a vida; e dei comigo a pensar que passamos demasiado tempo distraídos na nossa bolha da pressa, da falta de tempo, da falta de atenção, da energia desperdiçada no acessório ou no que não interessa mesmo nada e, um dia, acabou. Quase sempre cedo demais, para as contas que fazemos. Viver em pleno é estar à altura dessa bênção, a cada dia.
Não adiar tudo o que pode fazer de nós melhores e bem aos que nos rodeiam. Que a vida não espera.
Um enorme abraço ao Pedro e à família neste dia terrível.
publicado por Rita às 2013-05-22 12:34:49
Os meninos mais novos (2 - 3 anos) de um dos infantários chamam-me de "外国姐姐" (wàiguójiějie) e "外国妈妈" (wàiguó māmā), isto é, "irmã (mais velha) estrangeira" e "mamã estrangeira".
Ah... ;) ;)
publicado por Pólo Norte às 2013-05-22 12:03:53
A partir de agora moramos aqui: http://maegyver.blogspot.pt/
(prometemos que todos os posts anteriores serão transportados cuidadosamente para a nova moradia).
Até já!
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-22 09:33:41
Ontem, uma amiga falou-me do blog novo da Cristina do Goucha. Já tinha lido boquinhas parvas no facebook sobre uma apresentadora que tinha um blog. Não sabia quem era, até me contarem no chat. Achei muito bem. O blog chama-se Daily Cristina (www.dailycristina.com), um nome pouco original mas fácil de memorizar. Estive a ver o blog esta manhã, por curiosidade e porque gosto da Cristina. A Cristina tem o nome da minha mãe, parece ser super acessível, humilde e simpática. A ideia do blog foi boa. Aproxima, mostra e chama a atenção. O blog está giro, gosto das cores, das fotografias profissionais, dos textos simples, das roupas caríssimas. Uma Cristina menos popular, mais chic e atenta. Vão reparar que o blog é regido por fotografias, como se tratasse de um álbum e publicidade disfarçada (como é o caso do detergente para passar a ferro). Mais do mesmo, mas a Cristina é a Cristina e não é à toa que já tem 22700 seguidores na página do blog no facebook.
Um bolo que faz qualquer (...)
publicado por Moira às 2013-05-22 00:10:58
Desta vez e na sequência da minha colaboração com o substituto de sal Bonsalt trago-vos um bolo que faz qualquer um feliz, desde que goste de chocolate, é claro. E porque um dia não são dias, um aniversário é sempre um bom pretexto para se fazer um bolo especial.
A receita foi ligeiramente adaptada de um livro já bastante antigo de uma conhecida marca de adoçantes e realizada, a pedido, para o aniversário de duas grandes amigas minhas, mãe e filha que fazem anos no mesmo dia.
Bolo Mousse de Chocolate
Ingredientes:
Para a Massa
Para a decoração
Preparação do Bolo:
Bater as gemas com o açúcar até dobrar o volume e adicionar a farinha, mexendo apenas para envolver.
Derreter o chocolate partido em pedacinhos com a manteiga, 1 minuto no micro-ondas na potência máxima, mexer com uma vara de arames e se necessário colocar mais 10 segundos, mexer até o chocolate estar todo derretido.
Adicionar o chocolate derretido às gemas.
Bater as claras em castelo com uma pitada de Bonsalt e envolvê-las com uma espátula no preparado anterior.
Levar ao forno quente em forma untada e polvilhada com cacau.
Deixar arrefecer um pouco e desenformar.
Deixar arrefecer completamente antes de decorar.
Preparação da cobertura e decoração:
Derreter o chocolate, 1 minuto no microondas, juntar o café, mexer para envolver e verter apenas no centro do bolo, espalhando ligeiramente com as costas de uma colher.
Pôr framboesas a toda a volta do bolo, colocar as restantes espalhadas por cima do bolo e decorar com as folhinhas de hortelã.
publicado por Suspeita às 2013-05-21 21:22:53
Reportagem SIC sobre procissão de Virgem del Rocio, em Espanha: medo. Muito medo! O fanatismo religioso combinado com sangue espanhol faz aquele ritual parecer um treino militar de comandos que vão para cenário de guerra. Vi homens com ar zangado, vi outros a chorar de fúria e outros ainda a saltarem barreiras de dois metros com apenas um impulso.

Parafraseando Ricky Gervais, "Graças a deus que sou ateia"!
Coisas de pouca amizade e(...)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-21 20:18:44
Sabes aquela tanga do "não me dizes nada, também não vou dizer"? Não tenho paciência. Sério. Eu sou muito directa ao assunto, se quero falar, falo. Se tiver saudades, digo olá. Se tiver algo para perguntar, pergunto. Isto, se estiver a falar de amigos, sem problemas pelo meio. E acho que tem de ser assim. Detesto aquela parvoíce do "não disseste nada, também não disse". Bora deixar essas coisas para os namorados ou assim? Nem isso, ninguém tem mais paciência para isso. Se queres ligar, liga. Orgulho dentro de uma amizade? Sério? Medo de mostrar que estás interessada? Qual é o problema? Não vejo.
Se há coisa que detesto é que tirem conclusões dos meus pensamentos sem antes falarem comigo e ajam conforme elas. As conclusões, claro.
Provavelmente o post (pes(...)
publicado por Gaja às 2013-05-21 15:36:25
Muito se tem falado nos últimos dias acerca da adopção por casais homossexuais. Eis senão quando me deparo com um post (isto para quem o quiser ler na íntegra) de uma jornalista do Diário Económico de seu nome Maria Teixeira Alves.
Deixo apenas algumas pérolas:
Quero também dizer que quando as pessoas dão crianças a homossexuais, estão a dar-lhe dois pais ou duas mães e não estão a pensar nas crianças abandonadas, que têm o direito de ter uns pais substitutos o mais semelhante possível com a família biológica.
E quando me vêm com aquele argumento falso de que é melhor as crianças serem adoptadas por homossexuais do que estar em instituições eu pergunto. Porquê? Porquê é que a instituição é o pior que pode acontecer à criança? São maltratados lá? As instituições maltratam as crianças? Não cuidam delas? É diferente de uma família normal? É. Mas também os pais homossexuais são diferentes de uma família normal.
Pelo menos nas instituições não correm o risco de chegarem a adolescência e serem seduzidos pelos pais.
(Nesta frase confesso que me perdi e tive de reler umas 3 vezes para ver se aquilo estava mesmo escrito)
Portanto, cara Maria Teixeira Alves, acho que precisamos de esclarecer alguns pontos de vista.
Em primeiro lugar sugiro um exercício, o de estabelecer o conceito de família normal. Sim, vamos a isso, o que será uma família normal?
Vamos levar isto ao extremo da perfeição, boa? O de visualizar um pai com 1,80m, gestor de uma empresa de sucesso, um tipo porreiro que vai jogar ténis aos fins de semana e no final da tarde ainda tem tempo de levar os putos ao cinema. A mãe, uma estampa. Um caso de sucesso no mundo da decoração. Tão perfeita que chega a meter nojo. Sempre cheirosa na hora de deitar os seus meninos nos seus berços de 1300€ (fora os 200€ gastos em tecidos estampados)
Será isto? Secalhar é.
Vamos então negar a adopção por parte de casais gordos. Boa? Que chatice...duas baleias a irem buscar os miúdos à creche. Até parece mal, ocupariam logo na totalidade o hall de entrada impedindo as "famílias normais" de caberem no mesmo.
Vamos seguir esta ordem de ideias e impedir um preto de adoptar uma menina loira. Que horror!! A menina iria ser gozada toda a vida!!
E um paraplégico? Nem pensar! Depois não poderia correr com os filhos!E uma mulher a dias? Credo! E depois na hora de dizer a profissão da mãe na sala de aula, onde todos iriam ouvir!
Continuamos? Tenho mais exemplos. Não tenho é o dia todo.
Perguntei-me ao ler o seu post, que tipo de pais você teria. Que tipo de valores lhe transmitiram (alguns estão à vista). Que tipo de amor recebeu, Maria? Recebeu? Que tipo de família seria a sua. Normal?
Perguntei-me igualmente se teria filhos, Maria. Tem? Eu tenho, um.
Comecei a imaginar um cenário, que nestas coisas é sempre bom enfiar a cabeça na gola da camisola, da nossa, e olhar bem cá para dentro, dizia eu, imaginei um cenário, o do meu desaparecimento, o do meu marido, o da família mais próxima. Todos!
E vi o meu filho sozinho. Posso jurar que visualizei um deserto....só areia, tons amarelados, algum vento. E ele ali no meio. Sozinho.
No meu imaginário tinha duas opções: o de o ver partir em direcção a uma instituição de acolhimento ou em direcção de um casal homossexual. Não demorei muito a decidir e deixei a instituição de parte. Isto porque as instituições,em parte, fazem-me sempre lembrar as creches, onde é sempre muito giro estar lá umas horas mas não há nada que pague os olhos de alegria de uma criança ao ver quem a vai buscar ao fim da tarde.
Talvez seja isso que lhe faça falta, Maria Teixeira Alves. Ver, mas ver bem, os olhos de uma criança.
publicado por Rita às 2013-05-21 14:07:26
À terça-feira as aulas que tenho são com a turma do 2.º ano. É um grupo pequeno, porque grande parte dos alunos está em Lisboa a estudar por um ano, mas as pessoas são unidas e divertidas. Farto-me de rir neste dia...!
Hoje, de manhã, na aula de Oralidade, começámos a fazer apresentações orais. Podiam usar o quadro ou uma apresentação .ppt e/ou .doc e falar sobre o que quisessem durante 5 minutos e sem ler, claro (ou só olhar para os apontamentos). Houve quem apresentasse o WLH (Isto é para eu atribuir uma nota melhor, pois, pois!), a sua terra natal, os chás chineses, porcelana, bossa nova, um grupo pop sul-coreano, etc. Houve de tudo. Na próxima semana vamos continuar. Disseram que estavam nervosos. Houve erros, tanto na parte escrita como na oralidade, mas acho que todos superaram esta "prova". :P
À tarde, na aula de Leitura, depois de analisarmos um texto sobre a lenda do galo de Barcelos - acharam muito estranho o que aconteceu ao galo, mas disse-lhes que era uma lenda, há que ter a mente aberta!, tentaram responder a várias adivinhas. Foi tão giro! Algumas das que selecionei:
- Qual é a coisa qual é ela, que mal entra em casa se põe logo à janela? (O chamarmos "casa" ao orifício por onde entra o botão causou alguma estranheza. Não conseguiram adivinhar a resposta, "botão".)
- Qual o número que nos manda descansar? (Também não responderam acertadamente. Era 60, sessenta, "se senta".)
- "Nasci na água, na água me criei. Mas se me colocar na água, logo morrerei. Quem sou eu? (Sugeriram o gelo, mas a versão que encontrei na Internet falava no sal.)
- O que é, que é, que nasce grande e morre pequeno? (Responderam "vela", na China é o que se diz, mas sugeri "lápis" e/ou "borracha".)
Depois, pedi algumas adivinhas em Mandarim. Exemplos:
- Qual o animal que só trabalha de noite? (Eu, "a coruja". Duh... "O panda!!! Porque tem olheiras...!! Ah, ah, ah!...)
- A mãe do Xiao Mao tem três filhos: o Da Mao e o Er Mao. Como se chama o outro filho? (Eu, "Hum... San Mao? "San" é "três"... Duhhhhhh, Rita...!!! "Xiao Mao! A resposta está na pergunta!, responderam às gargalhadas...)
:)
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-21 13:23:45
A verdade é dita em dias como o de hoje.
A paciência tem limites. Tenho mais paciência actualmente que no passado. Com os colegas, com os amigos, com o amor, família. Repetir as coisas duzentas vezes, ao longo de vários anos não é papinha fácil. A saliva não se gasta mas incomoda. A questão está, será que ninguém nos ouve? Somos seres ignorados eternamente? Só pode.
Trabalhar num lugar onde as pessoas questionam as mesmas coisas diariamente ao longo de vários meses dá cabo da cabeça mais saudável. Juro. E se isso não acontecer, a forma como olhas para essas pessoas começa no auge mas começa a diminuir no respeito. Se é que me entendes. Explicando melhor, se alguém não ouve com atenção as tuas palavras com certeza que vais ter menos vontade de falar.
E chateia.
publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-21 13:22:56
No outro dia, uma rapariga que conheço passou por mim. Notei que já longe, ela fez questão de olhar para o lado mas como eu e a minha companhia demos nas vistas, ela tem obrigatoriamente de nos cumprimentar. Fez um sorriso forçado, pior que o sorriso da funcionária do texto abaixo. Juro. Já estive várias vezes com essa rapariga e nunca nos demos lindamente mas também nunca nos odiámos. O normal. Achei a atitude tão estúpida. Ninguém é obrigado a cumprimentar seja quem for. Não existe uma lei para tal. E se for para fazer, que seja bem feito. Tipo, não te armes em estrela. O melhor truque seria levantares voo ou desapareceres debaixo da terra mas, vá, dizer um “olá” não custa assim tanto, ou custa?
publicado por Lénia Rufino às 2013-05-21 10:26:00
Há autores que nos prendem pelo coração e não nos largam mais. Foi o que o Chris Cleave conseguiu comigo. O senhor Cleave tem 40 anos, trabalhou em jornais e depois houve um dia que decidiu dedicar-se à escrita a tempo inteiro. Em boa hora o fez!
O primeiro livro que li dele foi "Pequena Abelha": um murro no estômago, uma coisa crua, dura, quase cruel. Mas tão bem escrito que nem a dureza das palavras me impediu de devorar o livro. Isto aconteceu no Verão passado.
Depois, em Abril deste ano, li "Menina de Ouro", o seu mais recente romance. Mesma fórmula: crueza, realidade sem floreados, brutalidade e aquela escrita maravilhosa que é impossível pôr de lado.
Ontem comecei a ler "Incendiário", que é o seu primeiro romance (sim, não os li por ordem e não faz mal, porque as histórias não têm nada que ver umas com as outras). Li mais de metade do livro. De uma assentada. Neste livro ele faz o mais difícil: escreve mal. O livro é uma longa carta dirigida a Osama Bin Laden, escrita por uma mulher que perdeu o marido e o filho num ataque terrorista da Al Qaeda. A senhora assume logo de início que não tem o dom da escrita e mantém-se fiel a isso: não há vírgulas, há frases complexas por estarem mal escritas, mas ao fim de pouco tempo estamos a "ouvi-la" falar e é precisamente através desta característica que ela se materializa e se torna de carne e osso. Hei-de acabar o livro hoje e, a não ser que piore muito, vai ser mais um daqueles livros que ficam para a vida.
Entretanto descobri porque é que gosto tanto dos livros do Chris Cleave: pela humanidade das personagens. Ele não entra em estereótipos, não alinha na regra do herói/heroína. As personagens dele são reais: têm qualidades e defeitos, têm fragilidades, erram, não são perfeitas. São pessoas como todos nós conhecemos. Há sempre personagens de que não gostamos, não porque sejam más (no sentido "evil" da coisa) mas porque são o tipo de pessoa com quem não nos daríamos bem, se existissem.
Li reviews do livro que estou a ler em que se dizia que não se tinha sentido empatia com a personagem principal e que essa era a razão para não se ter gostado muito do livro. Eu estou a adorar o livro precisamente por causa da personagem principal: uma mulher imperfeita, com fraquezas, mas genuína e transparente, o tipo de pessoa que existe na vida real e com quem já todos nos cruzámos.
Resumindo: para mim, ali ao lado do Follett, do Falcones, do Tordo, do Saramago... está o Cleave. Mesmo!
publicado por Suspeita às 2013-05-21 10:19:53
Há dois anos encerrei conta num banco. Ou assim pensei eu....
Fui ao balcão e cancelei cartões e débitos directos que tinha agendados para aquela conta. Como eu e o Suspeito éramos os dois titulares, e ele não se podia deslocar ao banco para assinar papéis de encerramento da conta propriamente dita, o funcionário do banco informou-me que não havia problema porque estando a conta sem movimentos, ao fim de 6 meses encerraria automaticamente.
Há duas semanas recebo papel do mesmo banco. Tinha lá uma transferência de 71,40 Euros da Segurança Social. Não faço a mínima ideia aque corresponde este valor. Abonos do Suspeitinho? Talvez... Vou ao banco e pergunto como posso fazer para levantar aquele montante de uma conta que achava encerrada. Diz-me um funcionário que o valor que me pode agora ser dado é já de 54 euros porque o restante foi cobrado pelo banco em despesas de manutenção da conta! Mais quais despesas se a conta era suposto estar encerrada?!!
De funcionário para funcionário chego até aquele que, há dois anos, tratou comigo do cancelamento de cartões e suposto encerramento da conta. Pediu desculpa já que o erro foi dele, porque não sabia que, nessa mesma altura, estava já em vigor uma figura bancária que impedia o cancelamento automático das contas. Iria tratar de tudo para recebermos o valor (via transferência bancária) sem os cortes de despesas de manutenção, pedindo unicamente que eu e Suspeito fossemos ao banco assinar, FINALMENTE, o encerramento da conta! Assim fizemos. Tudo tratado. Achava eu...
Qual não é o meu espanto quando no dia a seguir chego ao multibanco e verifico que a transferência não era de 71,40 mas de 67,97 Euros!!! A diferença é de 3,43. Não é uma fortuna. Pois não é! Não vou a lado nenhum com aquele valor. Pois não vou. Mas é meu!
Ligo novamente para o banco e para o funcionário em questão. Há coisas que não valem pela questão monetária. Mas pelo princípio do bom senso e justiça. Explica então o dito bancário, como se fosse uma coisa absolutamente normal e legitima, que os 3,43 euros são despesas de transferência!!!!!!
Eu sei que sou um pouco dramática na análise das situações. Sou. E no momento em que ele me diz isso, imagino-me vestida à camponesa da Idade Média, rota, suja e esfomeada, de mão estendida, a pedir um pão ao dono da terra que me ameaça expulsar do casebre onde habito por não ter rendido o que era esperado. Porque, feitas as devidas diferenças, é disto que se trata: EXPLORAÇÃO E ROUBO!
O pobre do funcionário diz-me então que vai ele repor (do seu bolso) a diferença porque o erro foi dele (e não do banco)! Ao que parece o banco é uma entidade abstracta, onde humano não entra.
Os funcionários do banco trabalham bem. O banco tem lucro. Os accionistas ganham.
Os funcionários do banco erram (onde já se viu alguém errar?!). O banco até não perde nada. Mas cliente ou funcionário pagam.
Se isto não é uma nova espécie de feudalismo, vou ali e já venho.
Sim... chamem-me dramática e exagerada...
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publicado por Cláudia Oliveira às 2013-05-21 09:52:21
Duas coisas.
Na hora de pagar as compras, o cartão dizia “Não Autorizado”. Toda a gente sabe que quer dizer “Não tens dinheiro” mas insistem “Passe Outra Vez” enquanto a cara fica vermelha que nem um pimento. Eu sabia que tinha dinheiro. “Deixe-me ir espreitar ali ao multibanco. Fiz o pessoal da fila arrastar as compras à outra caixa. Fiz a funcionária da caixa fazer um sorriso amarelo como o sol. O meu pimento da cara passou a pimentão. O cartão foi engolido. Felizmente tinha guardado na carteira o cartão novo. Assunto resolvido. Pude levar os frangos para casa.
Fui ao café, queria lanchar e aproveitar o sol. Em vez de ir ao café que tem o melhor pão da zona, fui a outro que costumo ir quando saio à noite. Sentei-me, pedi, trouxeram-me uma sandes com pão do dia anterior, rijo, mau. Comi e bebi e um chá frio. Decidiram fazer limpezas com produtos fortes, comecei a pingar do nariz. Li o Miguel Esteves Cardoso com pingos a escorrer pela cara, felizmente não sujei o livro.

