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publicado por Andrusca ღ às 2013-05-25 14:34:10
Capítulo 22
Apenas o Princípio * Parte 2
- Vocês… são… monstros – murmurou Chelsea, olhando finalmente para elas.
- Sim, somos – disse Blinke, sorrindo-lhe e dando-lhe uma bofetada em seguida, que a fez cair para o lado. Chelsea ficou a sangrar do lábio, e Jensen queria ir ajudá-la mas estava preso no poder das Bruxas, ainda não se conseguia mover.
- Porque é que não me matam, apenas? – Perguntou Chelsea, com a raiva espelhada na voz – Isto não é culpa minha?! Não fui eu que vos causei todos os problemas?! – A Defensora do Oculto levantou-se fracamente e ficou frente a frente com as Bruxas – Fui eu. Eu arruinei os vossos planos. Por isso força, matem-me a mim.
- Não… não foste apenas tu… - murmurou Lyux, fazendo com que Jensen subisse até ao tecto e depois caísse para o chão, batendo com força – O Byron trocou-nos. Não trocaste? Condenaste-nos… e pelo quê?
- Amor – murmurou Jensen, enquanto se levantava desajeitadamente – Troquei trevas e angústia por amor.
Ele não se lembrava muito da sua vida passada. A maior parte das coisas que sabia eram apenas pelas histórias que tinham ouvido, mas mesmo apenas isso dava-lhe para entender quão miserável a vida na Escuridão devia ser. Dava-lhe para perceber que se algo transformou um guerreiro tão mau quanto ele, num lutador justo e bom, deve ter sido algo muito forte. Algo muito superior.
- Escolheste o lado errado – disse Blinke, fazendo com que o rapaz fosse de encontra a uma parede e deixando-o cair no chão.
- Pára! – Gritou Chelsea, correndo até ela e investindo num murro. Mas a Bruxa agarrou-lhe na mão e puxou-a para a frente, fazendo-a cair de barriga no chão – Parem…
- És patética – disse Lyux, que, com um gesto de mãos, levantou Jensen e levou a espada até ele, cravando-lhe a lâmina no abdominal, fazendo-o gritar estridentemente. Mandou-o para o chão, mais precisamente para cima de Chelsea, e esta, entre lágrimas e terror, retirou-lhe a espada e agarrou-lhe na cara, para que este olhasse para ela. Ele estava meio deitado no seu colo, e as lágrimas de Chelsea caíam-lhe para o peito. Chelsea pressionou a ferida, mas o sangue não parava de sair.
- Lento… doloroso… - murmurou Blinke.
- Não, não pode ser – dizia Chelsea baixinho – Não tu, não morras Jensen… não me deixes… por favor não morras…
- Shh – Jensen levou a sua mão até à cara da Defensora do Oculto e fez-lhe uma festa a custo – Eu amo-te caracolinhos.
Se Chelsea já chorava, então aí é que tudo chegou ao fim. A dor que sentia era demasiado forte para ser descrita. Era mais do que pessoas normais conseguiriam suportar. Jensen deixou que a sua mão caísse ao mesmo tempo que Chelsea lhe via a luz ausentar-se dos seus olhos azuis, outrora cheios de vida e felicidade.
- Não… não, não, não… não me podes deixar Jensen! Não me deixes Jensen! – Gritou ela, enquanto o abanava na esperança que ele acordasse. Mas ele não acordou. A rapariga retirou as mãos da ferida e fechou-lhe os olhos, pousando o seu corpo no chão frio e levantando-se em seguida.
Chelsea levantou-se e olhou aquelas duas Bruxas como nunca tinha olhado ninguém. Ela odiava-as acima de tudo o resto.
Will acordou nesse instante, e apenas levantou a cabeça do chão, para ver a acção que se estendia à sua frente. Queria ajudar, mas sabia que ao ínfimo movimento que as Bruxas detectassem, seria a sua morte. Chelsea viu-o, mas não ligou. Ela já não ligava a mais nada.
- Vocês… - murmurou a ruiva, dando dois passos em direcção às irmãs – Vocês não têm ideia…
- Assim é melhor – disse Lyux, com um tom divertido – Admite lá, raiva não sabe tão melhor que todos os outros sentimentos estúpidos?
Chelsea engoliu em seco. Ela olhava para as caras nuas de sentimentos daquelas duas Bruxas e tudo o que conseguia ver, tudo em que conseguia pensar, era nos bons momentos que passara com os seus amigos. Nas gargalhadas que dera com Cassie. Nas vezes que o irmão mentiu aos pais para a proteger. Da altura em que Jensen apenas gozava com ela, e depois quando começaram a namorar. E depois via-as a matarem-nos. Um a um, vezes e vezes sem conta. Isto estava-se tudo a passar no seu cérebro por poucos segundos. Todas as memórias, todos os arrependimentos e todos os feitos. Chelsea deixou que mais uma lágrima lhe escorresse pela face e ficou de olhos fechados. Ela não estava a lutar. Estava a desistir. Não tinha mais nada por que lutar. Não tinha as pessoas que amava. Não queria lutar por uma cidade que a condenava. Não queria ser a heroína do povo. Queria voltar a ser a rapariga que chega sempre tarde às aulas por não ouvir o despertador, e não por ter que perseguir demónios mal o sol nasce.
- Chorar é para fracos – disse Blinke, rindo-se. Will engoliu em seco. “Não desistas…”, pensou.
Mas ela ia desistir. Estava a um passo de lhes implorar que a matassem. A um passo de ela própria acabar com a vida, se preciso. Mas em todas as trevas há uma luz, seja ela grande ou pequena. E no caso da Defensora do Oculto, não há luz maior. Chelsea sentiu um calor confortador passar-lhe por todo o corpo, e quando abriu os olhos viu a sua última lágrima a cair no chão e a criar a luz mais intensa que alguma vez vira.
- Mas o que é isto? – Perguntou Blinke – Protegendo-se da luz com as mãos.
- É… magoa! – Queixou-se Lyux. Chelsea não percebia o que se passava. Ela não controlava os poderes como Faith os tinha controlado. Não sabia que aquele poder provinha dos sentimentos que nutria por todos aqueles com quem se importa. Que vinha do seu coração puro e repleto de coisas boas.
- Pára! – Gritou Lyux.
Mas ela não parou. Continuou a reviver os anos de felicidade. Todas as festas, todas as piadas, todas as gargalhadas. Até as quedas eram boas naquele momento.
- Pára com isso! – Blinke tentou mover Chelsea com a mente, mas o seu poder foi bloqueado por algo muito maior.
- O poder da Defensora… - murmurou Will, antes de ser forçado a fechar os olhos devido ao brilho intenso que se instalara na sala.
Também Chelsea não aguentou com os olhos abertos, e a certa altura o brilho irradiado da lágrima era tão forte que também os fechou. À medida que o brilho aumentava, Chelsea sentia-se mais fraca, mas não se importou. Viu que o que quer que aquilo fosse, estava a resultar. Lyux e a irmã transformaram-se em pó, e nesse momento, quando Chelsea não aguentou mais, gritou e deixou-se cair para o chão, ao lado de dois pequenos montes de partículas de pó que se espalharam com o vento causado pela queda.
- Chelsea! – Gritou Will, que, ainda a ver mal devido ao brilho a que fora submetido minutos atrás, se apressou a chegar a ela.
“Também te amo, Jensen”, foi o último pensamento da bela Guerreira Defensora contra o Oculto.
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Chelsea abriu os olhos lentamente. Sentia-se bem, leve, relaxada. Deu por si deitada sobre um colchão bastante fofo e cómodo, e a sensação de paz passou a partir do momento em que se lembrou os seus últimos feitos. Levantou-se sobressaltada, ficando sentada. O que teria acontecido? Reconhecia aquele espaço como o quarto de Will, mas como teria lá chegado?
Will, que estava de pé ao pé da janela, apercebeu-se do movimento no quarto e voltou-se de imediato para a Defensora do Oculto, que olhava para ele com incompreensão.
- Calma – pediu ele, aproximando-se e sentando-se ao lado dela.
- A Cassie… o Jensen… o meu irmão… - Chelsea murmurava e engolia em seco, estava fora de si. Como se estivesse presa num mundo só dela e não conseguisse respirar. Estava a sufocar do pânico.
- Eles estão bem. Chelsea, tu…
- Morri – disse ela, com uma voz baixa – Eu morri, eu… e eles… - os olhos da rapariga começaram a ficar enlagrimados à medida que se ia lembrando de tudo ao pormenor – eles morreram, eles…
- Shh – fez Will, calmamente, agarrando nas mãos da rapariga – Consegui que os Guardiães vos ressuscitassem. A todos vocês – explicou, captando toda a atenção de Chelsea – Mas foi preciso muito poder e eles acabaram por retirar algumas memórias… ninguém se lembra do que aconteceu. Ninguém se lembra de quem tu és, do que fazes, nem de que te ajudaram. Nem de coisas relacionadas com toda esta história. Nada, é como se nunca ninguém tivesse descoberto nada. Lamento muito Chelsea, mas eles estão mais protegidos assim. O teu irmão está em casa, como a Cassie. Os Guardiães mandaram o Jensen de férias, com os pais. Pensaram que talvez precisasses de tempo. Quem me dera que não tivesse sido preciso mas foi inevitável. Não podíamos apagar a tua memória porque a luta apenas agora começou. Mas eles…
- Ninguém? – Interrompeu-lhe a rapariga, com o coração a andar a mil à hora – Nem o Jensen?
Will abanou a cabeça e fraquejou com o seu modo de ser, livre de sentimentos, quando viu uma lágrima escorrer pela face da Defensora. Ele também estava triste. Não tinha sido assim que tinha imaginado. Apertou-lhe a mão e mostrou-lhe um pequeno sorriso com a ideia de a consolar.
- Ao menos estão vivos – murmurou Chelsea, enquanto tentava parar as lágrimas. Mas doía demasiado saber que os tinha tão ao pé e tão longe ao mesmo tempo – Ao menos estão vivos.
- Lamento tanto – disse Will – Chelsea… - a rapariga levantou o olhar e deu com ele nos olhos de Will – Isto foi apenas o começo.
- Eu sei. É disso que tenho medo.
Continua... ❦
Bem chegámos ao fim da primeira parte da história.
Podem não ter gostado muito do final, mas tenham em mente que não é mesmo o final e que as coisas ainda podem mudar.
O que acharam de tudo até agora?
Fantasminhas com ou sem blog que gostam de ler e não comentar, agora era uma boa altura para quebrarem essa regra.
Quanto à segunda parte da história, posto-a assim que tiver os comentários nesta, vão ter as partes todas seguidinhas porque já estão escritas há muito.
Beijinhos.







