publicado por ButterFly às 2013-05-23 02:46:18
Sabes a sensação inconstante de amar alguém com todas as forças? De amá-lo a cada segundo, a cada olhar, a cada palavra, cada toque, cada sorriso, cada silêncio, cada abraço? Sabes a sensação de saber que encontras-te aquilo que procuravas, sem esperar? De teres a certeza absoluta que o destino te colocou no local certo, à hora certa, com a pessoa certa? Sabes a impressão que te dá no peito quando olhas para a pessoa ao longe, enquanto ela caminha na tua direcção e te sorri? O despertar sensorial do corpo sobre o toque das suas mãos, o calor da sua pele, o cheiro de cada poro? Sabes? Eu também não sabia!
Eu sempre pensei que eras tu... que era contigo que eu iria viver isto, esta história, na qual tu continuas presente, mas de uma forma mais amena, mais superficial... Mas, não és tu! Tu apenas foste a causa, o motivo que me fez chegar ao que cheguei "hoje".
Luís, eu amo-o. Eu estou incontrolávelmente, irrevogavelmente, incansavelmente apaixonada por ele. Nunca lutei tanto, nunca dei tanto de mim, do pouco que tenho, por alguém. Nunca encontrei ninguém tão merecedor do meu tempo, do meu dinheiro, do meu coração, como ele... No entanto, ele não faz a mínima ideia disso! E se depender de mim, nunca saberá.
Não vou voltar a sofrer, não vou repetir aquilo que fiz contigo, não lho vou dizer e deitar tudo a perder, vou deixar o tempo passar, vou ver o desenrolar das coisas, e se um dia for tarde demais e eu me arrepender, então saberei que deveria ter agido, deveria ter contado, que deveria ter tido coragem. Prefiro mil vezes ter a sua amizade do que não ter nada, pois essa, eu sei que é realmente verdadeira!
Toda a gente (ou quase toda) sabe o que eu sinto pelo Zé, toda a gente nota isso no meu olhar, na forma como o vejo, como o trato... até os pais dele percebem que há algum sentimento aqui, dentro do meu coração, e parecem gostar disso. A mãe dele (segundo o Zé), acha que ele deve ficar comigo, porque eu o trato bem, porque eu faço tudo e mais alguma coisa, porque sei de tudo um pouco, porque sou uma cozinheira nata, porque sou "perfeita"! E sei que ela e adora, tal como eu a adoro a ela, e ao filho... O pai dele venera o meu jeito para tudo, a minha mão de carpinteira, os dotes de bricolage, a queda para a decoração e engenharia civil (como ele diz)... é como se eu me tivesse re-descoberto com eles, como se eu descobrisse que sei fazer tudo e mais alguma coisa, sem que me ensinassem nada. Todos os dias os ajudo e lhes ensino alguma coisa... como se eu crescesse e os "encantasse" a cada segundo que passa. Pela primeira vez na vida, sinto-me realmente "útil", "inteligente" e "prendada", o pacote completo que eu nunca descobrira em mim, mas que eles me fizeram descobrir.
Não consigo passar um dia sem o ver, sem lhe falar, sem ouvir a sua voz, sem lhe ligar duas ou três vezes, sem saber o que anda a fazer, sem saber dele... preciso dele como do ar que respiro, e um dia sem a sua companhia é um dia vazio, triste e sem cor. Estou dependente da sua presença para ser feliz, e tenho medo que um dia não o possa ter, que um dia seja tarde demais, apesar de eu ainda estar á espera que ele cresça um pouco mais... eu sei que não é necessário, ele já me preenche de todas as formas, mesmo sendo bem mais novo, mesmo não tendo a maturidade por inteiro, mas ele é tudo o que eu preciso para me completar. E eu sei que tenho tudo o que ele precisa para se completar a si mesmo. Sou tão feliz do lado dele, mesmo quando discutimos por coisas parvas, discussões que acabam sempre com um abraço apertado e um sorriso...
Eu já o amo sem ter provado o sabor dos seus beijos, sem ter testado o toque mais quente das suas mãos, sem ter experimentado o calor do seu corpo no meu. Pode amar-se sem que tenha havido qualquer contacto mais sem ser aquele que temos? Pode amar-se apenas por caminhar de mãos dadas no jardim ou por onde quer que vamos? Pode aprender-se a amar sem maldade, sem segundas intenções? É que eu tenho a certeza que é por isso que o amor nasceu em mim, porque o amo inocentemente e o desejo ardentemente... Sinto-me um anjo demoníaco, sempre que seguramos as mãos na esplanada e os meus pensamentos me levam para o lado mais sombrio, visualizando o seu corpo sobre o meu, num só, desejando tê-lo em mim, como nunca desejei tanto alguém... Pode criar-se amor sem haver uma relação física mais envolvente?! É que muitas vezes nos tocamos, nos exploramos um ao outro, sem pudor, mas nunca avançámos para lá das barreiras da inocência... será medo?! Ou estarei a tornar-me novamente inocente sem ter noção disso? Preciso de explicações, Luís... de ajuda... da tua ajuda. Pleaseee... quero perceber.






"Andaram a chamar pela cidadania na política? Cá estamos nós”.








