UEFA Champions League Fin(...)
publicado por eporquenaoeu às 2013-05-25 22:57:23
Hoje assisti muito provavelmente a uma das melhores finais desta competição, se não mesmo a melhor pelos simples factos de ter congregado um pouco de tudo aquilo que há de melhor no futebol, carregando para a memória a essência deste desporto que se não tivesse sido inventado tinha necessariamente que existir:
- o palco da final já elevava a fasquia da responsabilidade dos intervenientes, pois o mítico estádio de Wembley é inalienavelmente a Meca do futebol, a casa mãe do desporto rei localizada na pátria de quem o criou.
- os guarda-redes de ambas as equipas fizeram defesas de luxo que impediram um resultado mais volumoso de parte a parte, com destaque para três intervenções de Neuer no primeiro tempo, e outras três de Weidenfeller no segundo tempo salientando que uma delas foi efectuada com a cara, ou seja, dando literalmente o corpo ao manifesto.
- até ao apito inicial o Bayern era unanimemente considerado a equipa favorita, mas foi o Borussia de Dortmund quem assumiu as despesas do jogo, optando por surpreender o adversário com um ritmo de jogo forte, pressão alta e transições rápidas que nos primeiros 25 minutos de jogo se traduziram em quatro oportunidades de golo. O Bayern soube no entanto honrar os pergaminhos e acabou por terminar o primeiro tempo com outras boas oportunidades, mas uns furos abaixo do adversário. A segunda parte começou da mesma forma que a primeira, mas foi a equipa de Munique que chegou primeiro ao marcador, depois de uma jogada de mestre de Ribery que conseguiu abrir uma linha de passe por entre três opositores, e de Robben que deu no limite da linha de fundo o golo a marcar de bandeja a Mandzukic. O Borussia merecidamente chegou ao empate pela marcação de um penalti. Depois do empate o jogo tornou-se ainda mais veloz e interessante, com ambas as equipas a tentarem evitar o prolongamento. Ao contrário de outros anos desta vez a sorte, polvilhada com o talento de Ribery e Robben, bafejou a equipa bávara que marcou já perto do final, colocando as mãos na taça das orelhas grandes.
- O árbitro esteve à altura do desafio, principalmente no lance do penalti onde outro poderia ter arruinado a final em termos de futebol. O lance em causa é uma tentativa desatrada de corte do defesa Dante, que não tem qualquer outra intenção. Penalti bem assinalado sem que fosse necessário mostrar o segundo amarelo ao jogador, já penalizado pela marcação da pena máxima.
- Tal como nos contos de encantar, o futebol também tem heróis, e hoje esse papel cabe sem dúvida alguma a Arjen Robben. Já o vejo jogar futebol desde o tempo em que o cabelo ainda lhe chegava à testa, e depois de ter perdido as finais da Champions de 2010 e 2012 e o Mundial da África do Sul em 2010, a carreira deste verdadeiro flying dutchman merecia ser coroada com uma noite destas. Parabéns.
- A festa final foi como já estava prevista - alemã. Para além da felicidade dos vencedores, o meu destaque vai para a imagem de toda a equipa do Dortmund alinhada em abraços perante o seu público, que os brindava com os seus cânticos. É certo que as finais são para ganhar, mas quando se perde de pé dá asas a imaginação de acalentar futuros voos mais altos.
- Deixo para o final a nota negativa que atribuo com distinção à TVI e seus comentadores. A Dani porque foi uma pena o pouco tempo que dedicou ao futebol não ter aproveitado para aprender um pouco de gramática. Ao outro companheiro porque gritou golo quando a bola ainda não tinha entrado, não tendo mesmo sido golo. Aos dois, que durante a competição se envolveram mais na campanha do Real Madrid do que na prestação do Futebol Clube do Porto. Se isto fosse pouco, durante a entrega da taça fizeram referência às duas competições ganhas pelo Benfica no tempo da pré-história do futebol, esquecendo-se das vitórias do Porto de 1987 e 2004. Depois desta primeira temporada de exclusividade, espero bem que para o ano a Champions volte para a RTP.
- Terminada esta competição, terminou o futebol...





























