não é que alguém venha a (...)
publicado por Mónica às 2013-05-25 00:04:00
Quero exorcizar os meus demónios. Deitá-los cá para fora e ver-me livre de toda a maldade e raiva que habitam em mim. Preciso ser livre e voar bem alto para longe da azáfama da vida. Não vou mais combater. Vou deixá-los apoderarem-se de mim e saber o que desejam; vou permitir que me possuam e, depois, ver-me, finalmente, livre desses diabos. Quero baixar os braços, jogar as fora as luvas e sair fora do ringue, desistir da luta, deixar-me levar pelo mal que me atormenta.
Pena ser tudo mentira. Sim, hei-de expulsá-los, livrar-me-ei deles... Tudo a seu tempo. As mãos estarão sempre erguidas, prontas a esmorrar tudo aquilo que se opuser, tudo o que declare guerra. As armas expostas, o corpo na batalha. Lutar pela vida sem realmente ter um motivo para tal, simplesmente lutar... E lutar, viver e continuar a viver. Porque viver não tem realmente propósito algum, a não ser continuar a viver e lutar para não nos deixarmos cair. A escolha é apenas nossa: podemos seguir em frente, já sabendo que nada de mais virá, apenas ter gosto em lutar; ou então desistir e deixarmo-nos ficar pela facilidade de nada fazer, de deixar o tempo passar sem qualquer diferença.
É uma decisão difícil. Quero deixar-me dormir sem pensar em nada mais e quero conquistar toda a medalha e pódio que existir. Quero ser alguém e, em simultâneo, que não reparem em quem sou. Quero dominar o mundo e permanecer no anonimato. Quero ser apenas eu sem ter que explicar como sou e porque o sou. Quero tudo... No fundo só quero isto e nada mais. Apesar de ainda não saber o que isto é.

