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publicado por Andrusca ღ às 2013-06-19 12:10:33
Este é maior porque não queria estar a dividir o capítulo em 3, sorry
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Capítulo 6
Desespero no Halloween * Parte 1
- Vai ser lindo! – Exclamou Helen, referindo-se à festa de Halloween que o bar a que costumam ir, Drink&Tell, está a preparar para sexta-feira à noite – E até já sei de que me vou mascarar… enfermeira sexy, que vos parece?
Chelsea riu-se. Helen adorava o Halloween, já ela nem por isso. Como nunca gostou de nada que tivesse a ver com monstros, ou terror, ou sustos, nunca foi fã deste dia. Mas claro que ia sempre às festas e se mascarava sempre.
- Parece-me bem – disse Tony, rindo-se – Eu acho que vou procurar o meu fato de cowboy.
- Outra vez? Usas sempre o mesmo – Reclamou Helen, suspirando – Então e tu Chels, que vais usar para a festa?
- Não sei ainda… - respondeu a ruiva, encolhendo os ombros.
Helen abriu a boca de espanto ao lembrar-se de uma coisa, e depois sorriu.
- Vi umas lojas com uns disfarces de Defensora do Oculto, não é giro? – Comentou ela – Já imaginaram? Uma noite em que há mil e uma heroínas?
Tony riu-se, mas Chelsea não achou muita piada. Uma noite com várias Defensoras… e se Jecek decidisse atacar cada uma delas por pensar que alguma se pode tratar da verdadeira? É claro que a verdadeira Defensora do Oculto nunca se mascararia dela própria no único dia do ano em que pode ser qualquer outra pessoa. Chelsea optaria mais facilmente por hospedeira, ou freira, ou então chinesa ou sevilhana.
- Helen, que achas de levar o meu disfarce de freira? – Perguntou Chelsea.
- Outra vez? Não… porque não usas assim uma coisa que deixe que se vejam os teus atributos, hã? Nunca vais arranjar namorado se estiveres toda tapada – Chelsea sentiu um aperto no coração. “Não preciso de arranjar… se tudo não tivesse acontecido, ainda teria um”, pensou ela.
- Vou pensar nas opções – murmurou, forçando um sorriso – Agora tenho que ir, o Will está à minha espera. Até amanhã.
- Adeus Chels – disseram os dois amigos ao mesmo tempo, enquanto Chelsea se levantava da cadeira da esplanada e se começava a afastar. Tinha combinado com Will que iriam treinar esta tarde e ainda tinha que ir a casa mudar de roupa.
Quando chegou a casa, esta ainda se encontrava vazia. Apressou-se a mudar de roupa para um fato de treino e a prender os caracóis num rabo-de-cavalo, para depois voltar a sair de casa e contorná-la em direcção ao bosque. Andou vários metros enquanto pensava no que faria quando chegasse ao pé de Will. Ainda estava um bocado chateada com ele, apesar de ter ignorado a sua ordem de se manter afastada de Jecek, o rapaz não tinha o direito de lhe dizer certas coisas que disse, coisas que a magoaram. Se ela já não se acreditava capaz de defender a humanidade, então como é que isso algum dia iria mudar se mais ninguém acreditasse nela? Mas Will apenas disse isso porque estava enervado, apenas isso, mas ela não o sabia com todas as certezas.
Quando o começou a avistar, no meio da clareira, suspirou. Não lhe apetecia treinar, estava preguiçosa.
- Olá – cumprimentou, pondo-se à frente dele.
- Tudo bem? – Perguntou o rapaz.
- Se estás a perguntar se estou apta para treinar, sim Will, tudo bem – respondeu ela, num tom aborrecido. O rapaz revirou os olhos e suspirou.
- Sabes que não quis dizer isso, estava chateado, e preocupado, e às vezes nessa combinação não digo exactamente o que devia – desculpou-se ele.
- Essa é a tua desculpa? – Chelsea riu sem qualquer vontade – Meu, num dia destes vou ter que te ensinar a pedir uma desculpa em condições.
- Então estou desculpado?
- Não – ele olhou para ela chocado, e ela encolheu os ombros – Mas vais estar se me deixares sair mais cedo do treino. A festa de Halloween é amanhã e ainda não tenho um disfarce, tenho que ir às compras.
Ele suspirou e levou a mão à cabeça.
- És sempre a mesma coisa – reclamou ele – Tudo bem, mas fica sabendo que…
- O “tudo bem” chega, não precisas de dizer mais nada – interrompeu-o, antes que se pusesse a impor qualquer coisa – Desculpas aceites. Vamos treinar.
E começaram. Chelsea já estava muito melhor do que quando começara. Agora já conseguia manter uma luta mais ou menos equilibrada sem recorrer aos seus poderes de Defensora do Oculto, mas ainda tinha um longo caminho a percorrer. E Will não era nada meiguinho, ele desculpava-se que atacava de uma maneira forte porque nenhum demónio iria ter piedade dela.
Acabaram o treino uma hora mais cedo, e a rapariga foi a casa tomar um duche e jantou rapidamente sozinha, avisando a mãe que ia sair e que não jantava com a família nem sabia as horas a que chegava.
Encaminhou-se então para o Centro Comercial de Diamond City, já com várias montras enfeitadas com autocolantes de figuras sinistras e teias de aranha falsas em todo o lado. O espírito do Halloween fazia-se mesmo sentir. Chelsea percorreu várias lojas e experimentou vários disfarces, mas nenhum lhe agradava por completo. Vestiu um fato de hospedeira, outro de empregada sexy e até um de princesa do Egipto, porém não achou que nenhum deles fosse “o tal”. “Talvez devesse mesmo usar a roupa da Defensora… mais realista seria impossível”, deu por si a pensar. Mas depressa descartou essa ideia, poria em risco tudo o que fazia para manter a sua identidade em segredo. E além disso, o Halloween dava-lhe a oportunidade de ser quem bem quisesse, podia ser uma princesa, ou um ser de outro planeta… ou o completo oposto daquilo que é. Chelsea sorriu, já sabia qual seria o seu disfarce. Foi até uma das lojas que mais roupas tinha, dentro daquele tipo de disfarces, e depois começou a ver as opções que tinha. Era perfeito, o seu perfeito oposto. Depois de escolher a roupa que gostava mais, foi até ao provador e verificou que lhe assentava que nem uma luva. Perfeita.
A rapariga ruiva pagou e depois saiu da loja com um sorriso nos lábios. Quando era mais pequena adorava mascarar-se à bruxa, mas entretanto novas ideias apareceram e foi deixando essa pequena mania para trás. Mas neste Halloween iria relembrar o passado.
Começou a caminhada de regresso a casa e, quando ia muito bem apenas com os seus pensamentos e o saco na mão, ouviu o seu nome e voltou-se para trás, vendo Jensen a caminhar até si.
- Então caracolinhos, por aqui a estas horas? – Chelsea viu as horas no telemóvel, realmente já estava a ficar tarde, não tinha dado pelo tempo passar.
- Então e tu? – Perguntou a Jensen – O que andas a fazer?
- Penso em maneiras de te assustar, claro – gozou ele. Jensen tinha esta brincadeira, ou melhor, mania, de todos os anos no Halloween pregar uma partida a Chelsea, e todos os anos ela se assustava bastante com as coisas que ele lhe fazia. Houve um ano em que pôs uma cobra autêntica no seu quarto, e a rapariga quase que ia tendo um ataque cardíaco.
- Hum… sabes que mais? – Perguntou ela, com um ar pensativo – Este ano vou-te fazer pagar por todos os outros. Vais apanhar o maior susto da tua vida, prometo.
Jensen deitou uma sonora gargalhada e Chelsea sorriu. Sim, ela ia arranjar uma maneira de o assustar, nem que fosse apenas um pouco.
- Quero ver isso – desafiou ele, ainda a rir-se – Mas mudando de conversa, vamos todos ao Drink&Tell, certo?
- Vamos. E agora tenho que ir para casa, está a ficar tarde.
- Está bem… dorme com um olho aberto, nunca se sabe que tipo de coisas te podem acontecer enquanto estás sozinha no escuro do teu quarto – avisou ele, com uma voz sinistra, soltando um riso maléfico em seguida. Chelsea revirou os olhos e começou a afastar-se dele, indo em direcção à rua da sua casa.
- Não! Não! – Ouviu. Voltou-se para trás sobressaltada e viu uma mulher encostada a um muro de uma casa, com um gato em frente dela, a lamber as patas. O gato estava bastante quieto e parecia fofinho, mas a mulher olhava para ele com um ar aterrorizado e estava a ficar cada vez mais branca.
Chelsea apressou-se a chegar até ela, e tocou-lhe no ombro para que ela lhe desse atenção.
- Você está bem? – Perguntou-lhe.
- É o diabo… o diabo! – Gritou a mulher, empurrando a mão de Chelsea e desatando a correr pela rua. A rapariga dos caracóis ruivos ficou incrédula a olhar para ela, parecia uma maluca a correr e a gritar. “Na volta está bêbeda…” pensou a rapariga. Mas estava errada. Halloween não era só um dia de festa e de máscaras… a parte do terror não é ficção, Halloween é o único dia do ano em que certos demónios têm a permissão de andar na Terra e espalharem o caos tornando todos os piores medos das pessoas virarem realidade, e agora já passava da meia-noite. O dia tinha chegado.
Quando chegou à porta, Chelsea abriu-a e cumprimentou os pais, subindo depois para o quarto. Estava estafada, nem acreditava que amanhã ainda se tinha que levantar cedo para ir para a escola. Pôs o saco com o vestido dentro do roupeiro e mudou de roupa para ir dormir.
- Chelsea… Chelsea… - ouvia a ruiva. Era um chamar vindo de longe, com uma voz já bastante familiar. Chelsea tentou ver alguma coisa por cima da neblina que se fazia ver no bosque, mas era escusado, era o mesmo que estar a olhar para uma parede branca.
- Faith? – Perguntou Chelsea – Faith és tu? Onde estás?
Houve uma racha no nevoeiro e este partiu-se em dois, deixando um espaço no meio isento, como se de um túnel se tratasse. E lá ao fundo lá se encontrava ela. Dona de um corpo esbelto e umas vestes roxas, Faith apresentava-se sem a sua máscara na cara e com o cabelo ruivo liso a abanar ao sabor do vento. A antiga Defensora sorriu a Chelsea, e esta correu até ela. Mas antes que a pudesse alcançar viu uma lâmina trespassar-lhe o coração vinda de trás e viu o seu modelo a seguir cair no chão, sem vida. A rapariga dos caracóis parou subitamente e por trás de Faith viu duas figuras que ainda a metiam a tremer. Duas Bruxas. Donas de corpos de fazer inveja e de belezas extremas. Uma loira, a outra com o cabelo castanho claro. Ambas extremamente maldosas. A loira, Lyux, segurava na espada que ceifara a vida da antiga Defensora do Oculto, e ria-se agora com a irmã, Blinke. Chelsea olhou-as com raiva, mas antes que pudesse fazer alguma coisa Blinke estalou os dedos e mais três pessoas apareceram naquele espaço livre de nevoeiro. Jensen, Cassie e Richard. E todos eles flutuavam inanimados no ar. Chelsea sentiu uma dor no coração e lágrimas a formarem-se nos seus olhos. Ela não precisava de nenhuma confirmação daquilo que já sabia ser. Estavam mortos.
Chelsea acordou em sobressalto e sentou-se encostada à cabeceira da cama, enquanto tentava regularizar a respiração. Já há algumas noites que não tinha pesadelos, mas aparentemente o seu subconsciente ainda não tinha esquecido tudo o que acontecera e ainda forçava Chelsea e lembrar-se de como foi sentir a morte daqueles que lhe são queridos. Apesar de na realidade as coisas não terem acontecido assim, a desolação que se lhe seguia era igual. A rapariga levantou-se e foi à casa de banho, onde passou a cara por água e se tentou acalmar por um bocado. Por muito mau que fosse que nenhum deles se lembrasse de nada, seria muito pior se tivessem permanecido mortos, Chelsea nunca podia esquecer isso.
A rapariga voltou ao quarto e olhou para o despertador, daí a duas horas seria hora de se levantar e enfrentar mais um dia de escola, e depois, a festa no bar.
❦
- É de loucos – comentava Norman, ao jantar – Nunca na minha carreira vi tantas pessoas suicidarem-se. E os bilhetes que deixaram não fazem qualquer sentido. Afirmaram ver coisas que não existem, deixaram escrito que se mataram porque tinham demasiado medo de viver. É bizarro.
- É verdade, também falaram disso na escola – disse Chelsea – Parece que uma velhinha que vivia com os três gatos se suicidou porque se convenceu que os gatos eram na realidade leões e teve medo que a atacassem. E depois houve vários ataques cardíacos, não foi pai?
- Também ouvi falar disso – afirmou Richard – Hoje na universidade não se falava de mais nada. Parece que toda a gente “escolheu” morrer hoje.
- Bem, vocês sabem o que se diz… no Halloween os demónios andam todos à solta – todos se riram com o comentário de Margaret, mas Chelsea ficou a pensar seriamente se não seria verdade. Ter encontrado aquela mulher naquele estado, no dia anterior, podia não ter sido uma coincidência… talvez ela estivesse sobre o efeito de algum poder demoníaco.
Depois de comerem, tanto Chelsea como Richard se foram despachar para os respectivos quartos. A ruiva tomou um duche rápido e depois vestiu um roupão para enquanto secava e esticava o cabelo e se maquilhava. Optou por uma sombra escura e um batom bordô. Depois voltou para o quarto e retirou o saco de dentro do roupeiro, tirando depois o vestido e o chapéu, que pousou em cima da cama. Vestiu aquele vestido preto, que na parte de cima era como se fosse um corpete e tinha um decote cai-cai em forma de coração, com uma pequena tira de pelo negro a acompanhá-lo. No centro do decote formava um laço da mesma cor, de cetim. Da cintura para baixo era como um saiote, com várias camadas de rendas pretas, e depois tinha pequenos laços de cetim cor-de-rosas em tira, afastados uns dos outros, mais ou menos a meio do comprimento. O vestido dava um pouco acima dos joelhos de Chelsea e assentava-lhe que nem uma luva. Depois disso foi a vez de calçar os sapatos, uns sapatos também pretos e com um salto alto, que faziam uma tira à volta do tornozelo. Ainda sentada na cama, onde se tinha sentado para se calçar, colocou meia dúzia de pulseiras pretas. A rapariga agarrou no chapéu e pôs-se em frente ao espelho, colocando o chapéu comprido e pontiagudo, a condizer com o vestido, na cabeça.
- Sou uma bruxa muito mais bonita que as Bruxas da Escuridão – Murmurou, sorrindo.






