publicado por Babão às 2013-05-11 23:26:55
Estamos em época de exames e lembrei-me de fazer um copianço de parte de uma crónica de José Vitor Malheiros. Ele vai perdoar o copianço de parte da crónica com o feliz título «Paulo Portas do outro lado do espelho (e aqui deste lado também). Lá vai: «O último discurso de Paulo Portas foi um prodigio. Prodigio no sentido maravilhoso da palavra, porque nos mostrou algo de que já tínhamos ouvido falar mas que não sabiamos ao certo se existia e que nos causou aquele misto de espanto e de terror de que se fala nas lendas. Numa única intervenção, Paulo Portas conseguiu ser ministro de coligação mas presidente do CDS, Governo mas oposição, troikista mas patriota, estadista mas Paulinho das feiras, austeritário mas desenvolvimentista, falar para dentro e para fora do partido, para dentro e para fora do país, reforçar a sua posição neste Governo e preparar o seu papel no próximo, elogiar Pedro Passos Coelho e mostrar-lhe que segura o único fio que o segura, ser sensato mas ameaçador, firme mas negociador, cortês mas feroz, tudo sem piscar um olho e quase sem tremor de voz.»
Basta este bocado de prosa para José Vitor Malheiros descobrir a careca de Paulo Portas. A crónica é toda ela um mimo e é completada com a opinião desassombrada sobre a triste história do estudante assassinado no Porto durante a Queima das Fitas de que reproduzimos as linhas finais:«Os estudantes não quiseram prescindir da festa. Não perceberam sequer por que o deveriam fazer. Que valores festeja esta academia?»
Obrigada, José Vitor Malheiros!

