03 - HERE COMES THE SUN, (...)
publicado por Mac às 2013-05-23 10:30:27
perfil público

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Pedro
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Ferreira
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7300-741
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portalegre
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Nao navegues ! Atravessa a nado xD
03 - HERE COMES THE SUN, (...)
publicado por Mac às 2013-05-23 10:30:27
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-23 07:15:07
Papel, 1 – excel, 0
v Olha-se em redor, e nada parece fazer sentido. Volta-se a olhar, e nem se acredita. Mas a economia portuguesa será mesmo uma caixa de surpresas, de todo em todo imprevisível?
v Pelo que se ouve e lê, dir-se-ia que estamos condenados a viver sob o domínio do irracional – irracionalidade que tentam explicar-nos por meio de fórmulas mágicas e de palavras cabalísticas repetidas à exaustão. Afinal, como funciona a economia portuguesa? Será algo assim como o inferno de Dante: “Vós que ousais governá-la, perdei toda a esperança de compreendê-la”?
v Não tanto. Imagine, Leitor, uma folha de papel, que um traço divide de alto a baixo: de um lado, “nós”; do outro lado, “o resto do mundo”.
v Esse “nós”, somos nós mesmo, sob diversas roupagens:
- Como Empresas - a produzir e a distribuir bens, a prestar serviços, a investir;
- Como Operadores Financeiros - a emitir, a pôr a circular e/ou a transferir dinheiro;
- Como Governo (mais o aparelho administrativo do Estado) - a lançar impostos e a fazer despesa;
- Como Famílias - a tentar sobreviver, o melhor que nos seja possível.
v Para o que aqui interessa, é conveniente ir mais fundo nestas distinções. Começando pelas Empresas. Na realidade, as Empresas são muito versáteis naquilo a que se dedicam:
- Satisfazem a procura “no resto do mundo” (a procura externa), exportando;
- Concorrem junto da procura interna com bens e serviços que também podemos comprar “no resto do mundo”;
- Importam, para trazer até nós, matérias primas, bens e serviços que só há do outro lado do traço, assim tenhamos como adquiri-los;
- Provêem a procura interna de bens e serviços que, por esta ou aquela razão, “o resto do mundo” não tem interesse em vir vender por cá - ou não está em condições de o fazer.
v Dando-se o caso que, no terceiro tipo de actividades, vamos encontrar não só bens de consumo final (carros, tablets, TV de plasma) e serviços (férias no estrangeiro) pelos quais revelamos especial predilecção, mas também matérias primas alimentares, crude e gás natural sem os quais não saberíamos como sobreviver, além de bens intermédios, medicamentos e equipamentos.
v Em comum, o facto de todas elas exercerem, de uma maneira ou de outra, a intermediação comercial (compram/produzem para vender). Com o primeiro tipo dirigido à procura externa e os restantes voltados para a procura interna (intermédia e final). Com os dois primeiros tipos a formarem o Sector dos Bens Transaccionáveis da nossa economia - e os dois últimos, o Sector dos Bens não Transaccionáveis.
v Os Operadores Financeiros, por sua vez, podem ser de três tipos:
- Os simples Intermediários Financeiros, que exercem a intermediação financeira (pedem emprestado, para emprestar) e/ou prestam serviços financeiros muito variados;
- Os Bancos Comerciais que, além de exercerem a intermediação financeira e prestarem serviços financeiros, criam moeda escritural (isto é, exercem também a intermediação monetária, visível sob a forma de Depósitos à Ordem) em condições bastante regulamentadas, aliás;
- O Banco Central, que pode emitir quase sem limite dinheiro denominado na moeda nacional (quer sob a forma de moeda fiduciária, quer sob a forma de moeda escritural).
v O Governo, esse, é sinónimo de intermediação fiscal. Já as Famílias se subdividem em:
(i) Familias com elementos que integram a população em idade (e em condições) de trabalhar (população activa) – as Famílias Activas;
(ii) restantes Famílias – as Famílias Inactivas. Umas e outras caracterizadas por não exercerem nenhuma forma de intermediação.
v Temos, assim, desenhados no papel 11 tipos de actores: 10 colocados do lado de cá da linha divisória (4 tipos de Empresas, 3 tipos de Operadores Financeiros, 1 Governo e 2 tipos de Famílias); e o “resto do mundo” do outro lado. E temos também diversos modos de interagir: 4 formas de intermediação (comercial, financeira, monetária e fiscal) mais o emprego – que é forma de as Famílias Activas participarem em dois processos económicos fundamentais:
(i) a produção de bens e serviços;
(ii) a distribuição do rendimento.
v Numa organização económica como a nossa - que tem por base regras (a intermediação fiscal e a intermediação monetária estão consagradas na lei), contratos (a intermediação comercial e a intermediação financeira, tal como o emprego, acontecem como contratos) e liquidez (dinheiro que os Bancos se encarregam de fornecer) - cada actor está inevitavelmente sujeito a uma restrição nominal (ou restrição de liquidez): em cada período de tempo, ele só poderá gastar o dinheiro de que dispuser à partida mais aquele que, entretanto, vier a obter (através de uma qualquer forma de intermediação ou do emprego).
v Sem liquidez, nenhum actor pode contratar - e sem contratos a economia estiola (a alternativa para distribuir bens e serviços será, então, o modelo alto-medieval que consiste em extorquir para, depois, dar e partilhar, tendo a economia de subsistência como pano de fundo; modelo com ferverosos adeptos entre nós - esperançados em estar sempre do lado dos que beneficiam de dádivas e partilhas, sem ter de suportar o ferro da extorsão).
v Quem diz contratos, diz segurança jurídica (regras e instituições para as aplicar e fazer cumprir): uma economia moderna é, na realidade, um Estado de Direito dotado de um sistema de pagamentos (criação, circulação e extinção de liquidez) a funcionar menos mal.
v A liquidez flui entre todos estes actores:
(i) quando da venda de bens e serviços (intermediação comercial);
(ii) quando da contracção de dívidas, ora pelos Operadores Financeiros, ora pelos restantes actores (intermediação financeira);
(iii) quando da cobrança de impostos e da realização de gastos públicos (intermediação fiscal);
(iv) como contraprestação no emprego;
(v) e por efeito de tantos outros contratos (entradas de capital, pagamento de rendimentos financeiros, etc.).
v Todos os actores, de uma maneira ou de outra, têm de gastar dinheiro para continuar a obter dinheiro:
(i) as Empresas, se não compram (bens, serviços, trabalho), não têm como produzir e vender - para poderem voltar a comprar;
(ii) os Operadores Financeiros, se não emprestam, não têm como reembolsar o dinheiro que pediram emprestado - para poderem captar novos fundos;
(iii) o Governo, se tributa e não gasta, reduz a liquidez em circulação - o que abranda a actividade económica com a consequente diminuição da base tributável;
(iv) até as Famílias, distantes já os tempos da economia de subsistência, não têm como sobreviver se não tiverem dinheiro para gastar.
v A actividade económica é, assim, um fluxo perpétuo de liquidez pautado por um corpo de regras. E é a liquidez, movimentada em grande parte por um sem número de contratos, (mas também por transferências de liquidez, como as prestações sociais), que torna possível a continuidade de qualquer destes actores. Sem liquidez eles ficariam excluídos do processo de distribuição do rendimento.
v Mas de onde nos vem todo este dinheiro, sem o qual as restrições de liquidez asfixiariam qualquer iniciativa económica, a capacidade para contratar extinguir-se-ia, os actores ficariam impossibilitados de interagir e a actividade económica pararia?
v Nos tempos que correm, dinheiro (moeda metálica à parte) é sinónimo de Passivo:
- Passivo do BdP (e agora dos Bancos Centrais da Zona Euro), na forma “notas” ou moeda fiduciária (a moeda escritural do Banco Central circula, unicamente, no interior do sistema bancário);
- Passivo dos Bancos Comerciais, na forma de “Depósitos Bancários” (moeda escritural ao dispor das Famílias, das Empresas e do Governo), que representa de longe o grosso (mais de 90%) da liquidez em circulação e que, por vezes, regista variações muito acentuadas.
v Não esquecer, porém, que os Bancos Comerciais, quando criam moeda escritural, endividam-se para se exporem a riscos vários - e devem dispor de Capitais Próprios suficientes para tal. Eles (como a generalidade das Empresas e dos Operadores Financeiros, aliás, mas com maior grau de exigência) vêem a sua actividade condicionada por duas restrições:
(i) uma restrição de liquidez;
(ii) e uma restrição de capital (estão sujeitos a outras restrições mais que não vêm agora ao caso).
v E a liquidez que circula diminui, contrai-se, sempre que:
(i) são feitos pagamentos (ou transferências, em geral) ao “resto do mundo”;
(ii) são feitos pagamentos (se reembolsa empréstimos, se paga juros, etc.) aos Bancos Comerciais;
(iii) o Governo deposita receitas junto do Banco Central.
v Vou servir-me desta folha de papel assim rabiscada para mostrar:
(i) o que nos trouxe até aqui;
(ii) porque é que o programa da troika nunca poderia levar-nos a bom porto;
(iii) porque é que a confusão entre “austeridade” e “ajustamento” deu no que deu. E para lançar alguma luz sobre o que nos espera.
(cont.)
A. Palhinha MachadoMAIO de 2013
Ennio Morricone por Yo-Yo(...)
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-23 00:07:16
publicado por stipe07 às 2013-05-22 22:03:54
Baby Yaga é o segundo longa duração dos Futurebirds, uma banda norte americana natural de Athens, na Georgia, formada por B-Miles, Wolmeo, Cartezz, Dahhnis e Tojo. O disco foi lançado no passado dia dezasseis de abril e sucede a Hampton's Lullaby, álbum editado a vinte e sete de julho de 2010 pela Autumn Tone Records.
No folclore eslavo Baba Yaga é um monstro do sexo feminino que vive na floresta e ataca crianças. Isso não significa necessariamente, segundo a tradição local, que seja um ser maléfico, mas é certamente um ser místico e misterioso, talvez inventado para exercer algum típo de pressão psicológica na hora de comer a sopa ou em que é necessário ir para a cama a horas decentes.
A sonoridade dos Futurebirds e o conceito da mesma enquanto banda também é um pouco assim; À primeira vista, olhando para a capa do álbum, adivinha-se que o conteúdo sonoro poderá ser algo pesado e sombrio, mas Baby Yaga é um compêndio de folk psicadélica animada e cósmica. A única faceta sombria deste disco teve a ver com o processo moroso e complicado que a banda teve de suportar para encontrar uma editora que apostasse neste seu segundo álbum, tendo sido esse o tal monstro maléfico que sobre eles pairou.
Gravadas durante sete meses e escritas pelos cinco músicos, as treze canções do álbum foram sendo apresentadas ao grande público, já que o grupo, apesar de não ter editora, decidiu não deixar de andar em digressão. sem a banda saber se alguma vez teria editora para as editar e com esperança de que alguém reparasse neles, foram tocando-as em vários concertos, algo que acabou por suceder, por intermédio da Fat Possum. Há quem considere que a transição do palco para o estúdio de algumas canções retiraram-lhe aquela faísca que só a reprodução ao vivo supostamente tem, mas estes treze temas não deixam de ter a sonoridade típica do country norte americano, com uma intensa toada rock e não são, ao contrário do que se possa imaginar, demasiado influenciadas pela estrada, com o caos a ser sempre muito controlado e a eletricidade das guitarras, apesar de enérgica, bastante ponderada e melodicamente idílica e meditativa, apesar do groove hipnótico que ficou reservado para o encerramento, com St. Summercamp.
Algumas canções ultrapassam os cinco minutos, mas não há, por isso, excessos, ou solos de guitarra empilhados, quase sempre a cargo de Dahhnis, musicalmente talvez o elemento mais criativo dos Futurebirds. Tematicamente, muitas das letras são sobre funcionamentos disfuncionais e a própria morte, servindo a música como um bálsamo comum contra a angústia que esses temas provocam. Apesar de, como já disse, todos os músicos do grupo escreverem e comporem, a crítica considera que Cartezz é, como já disse, o elemento mais inspirado, com a sua escrita, inspirada numa América confusa, a demonstrar um talento especial para o detalhe, algo bem patente nos ecos ondulantes de Virginia Slims e em Serial Bowls (When the nurse saw me drop, She said mama should’ve used that birth control, because where my heart was supposed to be, was like nothing they'd ever seen, there was nothing, but a smoking hole), canção que poderia ter sido retirada de Reckoning, o segundo disco da careira dos conterrâneos R.E.M..
No cenário indie norte americano onde a reformulação sonora de sonoridades nativas tem sido a norma, os Futurebirds ainda terão um caminho longo a percorrer até atingirem a notoriedade de nomes fundamentais da country alternativa atual, mas Baby Yaga prova que eles têm a habilidade para compôr as canções que precisam para subirem ao escalão principal do cenário musical local. Espero que aprecies a sugestão...
01. Virginia Slims
02. Serial Bowls
03. American Cowboy
04. Tan Lines
05. Felix Helix
06. Dig
07. Keith And Donna
08. The Light
09. Death Awaits
10. The Doewg
11. Womeo
12. Strangers
13. St. Summercamp
publicado por Mac às 2013-05-22 17:00:09

E como sou dada ao ajuntamento de pulseiras sem ordem, resolvi junta-las numa só, aliás como já tinha feito no passado Verão, é prático, em vez de estar para ali a por pulseira a pulseira muito devagarinho, zás, pego numa, enfio-a no braço e já está. É uma grande poupança de tempo (not).
[e já deito missangas, míni contas e isso pelos olhos, portanto além de estarem em bico, também estão nauseados, agora há mais daqui a um ano, ou quando não me lembrar como isto é coiso]

SIC vai ter um canal dedi(...)
publicado por Tudo-Sobre-A-TV às 2013-05-22 15:51:48
A SIC vai fazer crescer a sua oferta de canais no "cabo".
Após "SIC Notícias", "SIC Radical", "SIC Mulher" e "SIC K" a SIC prepara-se para estrear um novo canal dedicado ao social, avança Pedro Norton, CEO da Impresa.
«Vamos lançar mais um canal este ano na área do social. Foi a constatação que era um espaço que estávamos a trabalhar muito bem na SIC generalista, e que estava por ocupar nos canais temáticos. Montámos um projeto, teve aceitação dos operadores. Será um canal aberto na TV paga», adianta.
Ao que tudo indica, o canal chamar-se-á "SIC F", de "Fama", e a "Caras" pode estar associada ao projeto, visto ser a revista do grupo Impresa, que detêm a SIC.
Em relação aos contéudos do novo canal de cabo, Pedro diz não poder avançar com mais pormenores.
A data prevista para a estreia do novo canal é ainda uma incógnita. Porém, poderá estrear na reentré ("último trimestre").
Norton acrescenta que a grelha se está a compor. "Estamos a ultimar a grelha e as contas finais vão depender dela".
Com esta nova "estação", a Impresa (que detêm a SIC) pretende continuar a apostar no crescimento dos canais por subscrição da empresa.
"Temos mais projetos pensados,que estamos a discutir com vários operadores.Não vou revelar quais são",finaliza.
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-22 14:11:13
Começou há poucos dias o 40.º ano da nossa democracia. O 25 de Abril é um sucesso estrondoso, que devemos celebrar com alegria.
Nunca na história de Portugal uma revolução democrática atingiu tal longevidade, caindo sempre rapidamente no caos ou na podridão.
Após séculos de lutas, desorientação ou ditadura, Portugal é desde 1974 um país livre, seguro e equilibrado.
Apesar da evidência, muita gente duvida. Esses, segundo parece, só se contentam com o regime perfeito, sem crises ou dificuldades.
Quando estas surgem, como em todo o lado, deduzem que o sistema está errado e querem mudar. Esta tolice é aquela que arruinou Portugal durante 150 anos, na busca incessante do sistema ideal, que gerou dor e sofrimento para todos.
É preciso dizer que, apesar dos disparates, o regime está sólido e celebrará ainda muitos anos. O povo português lembra-se dos terríveis erros antigos e está grato por finalmente os termos vencido. A população resmunga, mas ajusta-se e encontra solução. O problema, hoje como sempre, está nas elites e intelectuais, que capitanearam o longo delírio político de 1820 a 1974.
A nossa elite é intimamente avessa aos princípios básicos da democracia. Mesmo se ultimamente adoptou a versão oficial, exteriormente democrática, que por vezes até parecia sincera, a crise actual veio revelar as suas reais tendências. As origens da atitude são velhas, profundas e estruturais, manifestando-se claramente em todas as épocas.
A essência da democracia, na política como na economia, é competição, alternativa, desportivismo. Que todos tenham oportunidade de se apresentarem e ganhe, não o melhor, que ninguém sabe quem é, mas aquele que a sociedade preferir. Ora, os nossos pensadores e dirigentes há séculos que são eminentemente proteccionistas, corporativos, clientelares. A sua visão é aristocrática, egoísta, manipuladora. Consideram-se geniais e desprezam as massas ignaras e o País, que nunca os mereceu. Visceralmente avessos à incerteza das eleições e mercados, preferem arranjinhos de bastidores, batota do árbitro comprado, garantia de programas de apoio.
Esta atitude de fundo sempre se manifestou no campo económico com uma posição abertamente anti capitalista.
Do jacobinismo republicano ao corporativismo salazarista e à social-democracia do PS e do PSD, a elite nacional repudia sem rebuço a incerta economia de mercado, preferindo a versão dirigista e regulamentar. No campo político, pelo contrário, o discurso tem sido mais diversificado. Aí é preciso ir ajustando as expressões, para não chocar as conveniências de cada época.
É verdade que mesmo após Abril permaneceu viva, sobretudo na extrema-esquerda, uma doutrina claramente antidemocrática. A corrente principal da elite, no entanto, dizia-se nominalmente defensora de um regime aberto e europeu. Isso não impediu, naturalmente, a captura corporativa do sistema que alimentou a dívida galopante.
Agora que os resultados da loucura rebentaram, vemos as personalidades mais insuspeitas apregoarem propostas perversas, sem a menor vergonha de negarem aquilo que sempre disseram defender.
As actuais imprecações antidemocráticas partem sempre do repúdio do Governo, alegadamente povoado de mentecaptos perversos empenhados na demolição nacional. O facto de essas políticas virem não do arbítrio de ministros tolos, mas da orientação de instituições internacionais reputadas, a quem os críticos sempre proclamaram uma adesão incondicional, não parece fazer a menor diferença. A única solução, segundo eles, é subverter as instituições, derrubar a maioria legítima, convocar eleições subversivas. Nem sequer entendem que essa mesma proposta minaria a legitimidade do Governo daí resultante, o qual, aliás, não teria outro remédio senão continuar na mesma linha de austeridade.
As nossas elites são profundamente antidemocráticas. É por isso que durante séculos esse regime nunca vingou por cá. Desta vez talvez haja esperança. O povo, que sempre teve uma saudável desconfiança das elites, já vive o 40.º ano depois de Abril.
13 de Maio de 2013
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
publicado por Mac às 2013-05-22 14:00:11

Em adolescente adorava ir à Casa Batalha da Baixa comprar missangas e contas para fazer colares e pulseiras. Gostava imenso daqueles armários cheios de frascos e eu sempre com vontade de trazer tudo. Nessa época não precisava de agulhas especiais, nem de óculos, era só enfiar conta atrás de conta e fazer coisas para me enfeitar, agora é uma miséria, mesmo pondo os óculos, mas pronto, lá se vai acertando com o fio de nylon naquele micro furo. Concluo que aqueles hippies, ou lá o que são, que aparecem no Verão a vender coisas destas, têm muito boas vistinhas.
[estou com os olhos em bico. Literalmente. PDA]
03 - DAS BOAS DESCOBERTAS(...)
publicado por Mac às 2013-05-22 11:00:15

A minha túnica já chegou. É da Cool, Soft & Chic da minha muito querida Teresa. É linda, é boa e tem uma cor fantástica. Amo-a. E, pronto, claro que já estão debaixo de olho mais umas coisas de lá.
publicado por Olga Cardoso Pinto às 2013-05-22 10:24:22
O calçado confortável tornou-se o eleito dos looks citadinos e casual dos fins de semana, sempre práticos e disponíveis em variados designs, dos quais a moda aposta para que as mulheres se sintam bem todo o dia.
Quem já não sofreu de dores e desconforto nos pés? Aqueles modelos fashion de saltos hiper altos que nos torturam horas a fio não trazem nada de bom à postura e deformam os pés - joanetes, unhas encravadas, calcanhares grossos e problemas nos tornozelos, são alguns sintomas referidos por muitas de nós que adoram usar saltos altos. Pensemos nos pés que suportam o nosso peso todo o dia, encafuados em calçado que por vezes não é fabricado com materias mais adequados, isto a somar à altura dos saltos e modelos que não abonam a saúde e higiene.
São muitas as marcas que nos disponibilizam designs e modelos giros de sapatos que, combinam com todo o estilo de roupa, sejam para trabalhar ou passear são uma alternativa saudável para disfrutar do seu dia a dia sem dores nos pés!

Modelos Aldo e Foreva de sapatos de salto baixo, conforto e moda aliados para se sentir confortável

Das coleções das marcas Zilian e Cortefiel, estes são os sapatos que pode combinar com qualquer look.
34 - CROCHÉ, COLAGENS, TR(...)
publicado por Mac às 2013-05-22 10:00:02


Refiz um colar de bolas de prata indiana, portanto daquela que não vale nada, que não tinha piadinha nenhuma, era só uma fiada de bolas que ficava justa ao pescoço, portanto só o enfiei de uma forma diferente. Depois já que tinha rolos e rolos de fio encerado, resolvi aproveitar umas contas que não tinham aplicação que se visse.
E refiz os outros dois de baixo, que já os tinha feito aí há uns três anos, mas algumas aplicações estavam estragadas do uso, vai daí, renovei-as.
FEITOS A MERECER MAIOR ATENÇÃO
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-22 09:09:43
Um dos pilotos, o Comandante António Faria e Melo[1], é o único piloto paraplégico vivo que já deu a volta ao mundo, sozinho, em avião mono motor. Houve apenas outro, um americano, que também cometeu igual proeza, mas já faleceu.
Em 1995, o Comandante Faria e Melo, um alentejano, deu a sua primeira volta ao mundo partindo de Évora para Oeste e regressando ao mesmo aeródromo, no seu Bonanza F33, CS-AZI, “Alice 19”.
Em 9 de Agosto de 2003 a televisão deu uma breve notícia, com imagens da partida de Cascais, para a segunda volta ao mundo. E depois? Segundo parece, o silêncio é grande.
A comunicação social portuguesa necessita rever o seu conceito do que "é notícia", pois este é um feito que devia ser acompanhado e dando frequentes e abundantes notícias do que se ia passando. Com tal comportamento dos responsáveis portugueses, não admira que todo o mundo conheça Lindbergh e sejam raríssimos os que sabem quem foram e o que fizeram Sacadura Cabral e Gago Coutinho, cujo feito é cem vezes mais importante que o de Lindbergh.
Miguel Mota
Publicado integralmente no “Diário de Notícias” de 24-8-2003 e, com muitos cortes, alterações e o título “Feito quase ignorado”, no “Correio da Manhã” de 22-8-2003
[1] Entretanto, o Comandante Faria e Melo faleceu no dia 6 de Outubro de 2006
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-22 00:17:43
Nos primórdios da minha peregrinação como leitora, quando não ia em demanda de algo pré-definido, a capa era o primeiro factor de atracção na hora de escolher o livro. Contudo, reconhecia-lhe a mera qualidade de isco porque logo passava ao título, o elemento mais decisivo. Achava eu que o título seria a mini-amostra do que estava no interior e dele aventurava-me a aferir o género e até o enredo principal quando era mais composto. Se continuasse em dúvida, atentava no nome do autor que carregava então o ónus de desempatar a mente baralhada. De nomes nada sabia, acreditava sim que as palavras e os nomes encerravam a verdade, o que estava à vista era o que era, sem jogos ou subterfúgios. Na minha crença, um bom escritor tinha por força que ter um nome bem soante e inteligente. Deveria parecer importante se a sua reputação também o fosse, às vezes seria familiar, ah parece que já ouvi falar deste, tinha sido pronunciado ou escrito algures e isso garantia que era mesmo bom. Nomes estrangeiros ou com pronúncia estrangeira ganhavam pontos logo à partida e nem me vou demorar aqui porque ainda hoje não tenho argumentos que validem esta arcaica preferência, resolvida entretanto ao longo da caminhada. As afinidades ainda não estavam estabelecidas mas também não procurava iluminar um pouquinho as salas escuras da minha ignorância perguntando a alguém mais experiente nas leituras o que achava deste ou daquele autor. Longínquas eram ainda as terras "googlianas".
Raras vezes o desempate precisou de prolongamento mas este vinha nas badanas ou na contracapa . O único factor que não entrava nas apreciações era o volume do livro. Muitas ou poucas páginas não tinham significado particular para mim.
A esta distância, condescendo. Passo a mão pela minha cabecinha de antanho e sorrio, "trenga, isso passa". E aqui apercebo-me da minha arrogância. O que é que legitima este ar de superioridade?
Posso munir-me de revistas literárias e recensões críticas tantas vezes injustas e outras tantas pessoais, politizadas ou belicosas, posso estar atenta ao que se diz na televisão e na rádio, frequentar feiras ou festivais literários, aceitar sugestões dos amigos, posso agora "googlar" e navegar mas, na verdade, é impossível que algo ou alguém esteja a par de todos os talentos e de todas as obras meritórias que andam por cá longe de holofotes e pareceres públicos. E ainda bem. Seria castrador limitarmo-nos ao que se conhece.
Portanto, ponho-me num contexto onde não tenho acesso a outra informação que não a que eu própria posso sentir e intuir, não há livreiro informado nem acesso à net, não vim com a amiga sabichona e não procuro nada em concreto, escolherei livros e autores de que nunca ouvi falar, aqueles sobre os quais nunca e nada se escreveu, os que não foram traduzidos, estreias literárias que passaram invisíveis, os géneros que ainda não conheço, enfim, eis-me num confronto acanhado de escalas, a da minha pequenez com a da infinitude da arte escrita. E pergunto-me: como escolho? Até agora já concluí que no momento de comprar não é o título que revela a qualidade do que vai escrito nas folhas, que o nome do escritor não tem que ter luzes e foguetes e que o que vem na contracapa e nas badanas só me serve se se tratar da breve biografia do autor ou excertos do livro que tenho na mão. Qualquer outra informação pode ser ornamental, é relativa e pode manipular-nos. Parecem conclusões tontinhas mas só o são porque reconheço a longa peregrinação que me falta ainda cumprir.
Como escolho, então? No primeiro coup d'oeil pelo título e pela informação útil que possam generosamente ter escrito na capa mas, logo em seguida e sobretudo, pela leitura de alguns parágrafos ou versos em folhas sorteadas. É a bagagem que entretanto vou acumulando como leitora de textos e da vida que me dá armas para escolher com mais critério e reduzir um pouquinho a percentagem de falhanços.
Se a bagagem é importante nisto de escolher livros é-o para podermos reconhecer uma escrita promissora para os gostos de cada um em dado momento, que parece ir de encontro às nossas peculiaridades como leitores. E isto não se pode saber antes de ler, muito e errar, muito mais, porque é nestes erros que cabe também a surpresa, a curiosidade, o virar caminho, a experimentação, a remissão, a paciência, a procura e o encontro.
A esta distância, passo de novo a mão pela minha cabecinha de antanho e sorrio, "não deixes nunca de errar, trenguinha, é tão chato termos tantas certezas".
http://oblogdapaula.blogs.sapo.pt
publicado por Paula Patricio às 2013-05-22 00:16:17
Depois de quase um ano e meio de ausência e depois de imensos pontos de integorração se deveria reabrir o estaminé ou criar um blog novo, aqui estou eu de novo.
Antes era "O Som das Letras"; hoje sou apenas "O Blog da Paula". Se antes o meu blog tinha uma inclinação para as minhas leituras, esta nova etapa e nome farão que o meu blog não seja conotado apenas por um sítio onde se pode retirar algumas ideias para leituras, mas um sítio onde se poderá ler de tudo um pouco.
Public Service Broadcasti(...)
publicado por stipe07 às 2013-05-21 21:03:53
Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs, no cardápio dos quais se destacam War Room (2012) e que acaba de lançar Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates no passado dia seis de maio, por intermédio da Test Car Recordings. Inform-Educate-Entertain é já um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares de 2013, devido ao conceito único que alberga, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia, explicam, é ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

O grande segredo de Inform – Educate – Entertain não é propriamente a sonoridade, ou seja, se fosse apenas um álbum instrumental, teria momentos extraordinários, mas nada que, por exemplo, os seus conterrâneos OMD no Genetic Engineering e no Dazzle Ships ou, na atualidade, com uma melhor qualidade de produção do som, os Spiritualized, os The Avalanches, ou até os British Sea Power, com uma pitada de Kraftwerk, já não tivessem proposto. No ítem melódico o que impressiona é ser apenas uma dupla a estar aos comandos de toda a miríade instrumental que é debitada ao longo do disco.
O grande segredo, ou melhor, o ovo de colombo, digamos assim, de Inform – Educate – Entertain é a voz que, nos onze temas, se materializa em samples e trechos das vozes que narraram antigos filmes britânicos de propaganda, nas décadas de trinta e quarenta. Assim, Inform – Educate – Entertain, será, de certeza, o único disco em 2013 a solicitar créditos à BBC por se servir de Marie Slocombe, uma secretaria desse canal de televisão que acidentalmente descobriu nos arquivos da estação alguns dos filmes usados no álbum e, principalmente, por usarem a voz de Thomas Woodrooffe, antigo tenente e comandante da Royal Navy, autor da obra Vantage at Sea: England's Emergence as An Oceanic Power e comentador nos Jogos Olímpicos de Berlim, que decorreram em 1936.
A peculiar e distinta receita de Inform – Educate – Entertain acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras; As onze canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock. Há também lugar para a eletrónica retro de The Now Generation, vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Night Mail e um certo folk rock fornecido por um banjo que se destaca, por exemplo, em Theme From PSB e em ROYGBIV, com a particularidade de, nesta última, esse instrumento de cordas misturar-se com teclados atmosféricos e elementos típicos do disco sound. No entanto, a hipnótica, acelerada e pulsante Spitfire, Everest e a luminosa Signal 30 feita de um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com Everest, por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.
A audição de Inform – Educate – Entertain acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais difíceis da história de uma Inglaterra orgulhosa do seu passado, mas que ruma decidida para o futuro e que nunca foi tão posta à prova, interna e externamente, como em determinados períodos do século passado, revistos nestes filmes. Já agora, os próprios filmes já feitos dos singles retirados de Inform – Educate – Entertain, Spitfire (a bird that spits fire, a spitfire bird) e Everest, seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.
Com Inform – Educate – Entertain os Public Service Broadcasting tornam-se nos novos gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...
01. Inform – Educate – Entertain
02. Spitfire
03. Theme from PSB
04. Signal 30
05. Night Mail
06. Qomolangma
07. ROYGBIV
08. The Now Generation
09. Lit Up
10. Everest
11. Late Night Final
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-21 18:31:25
CAMPOAMOR EM VERSÃO PORTUGUESA
Indubitavelmente fez-se sempre sentir através dos tempos a interpenetração cultural dos povos que habitam a península ibérica da orla atlântica à costa mediterrânica. É um fluxo espontâneo e natural que nunca se limitou à mera divulgação do genial épicoLuís Vaz de Camões entre os espanhóis e à divulgação pura e simples do fulgurante Miguel de Cervantes Saavedra na língua portuguesa, mas foi periódica e ardentemente prosseguido pelos homens de letras dos dois países irmãos. Do lado espanhol, editores e críticos literários têm-se empenhado na divulgação de alguns dos eméritos escritores lusos como Miguel Torga, Fernando Namora, Fernando Pessoa e ultimamente o novelista José Saramago. Do lado português, infelizmente, não correspondeu um bem definido movimento literário empenhado na divulgação dos literatos espanhóis.
Seria portanto pretensioso da minha parte, num modesto apontamento, esboçar a influência sobre os escritores lusos de uma notável figura literária da Espanha - Ramón María de las Mercedes de Campoamor y Campoosório (1817/1901), discutida com certa mestria pelo Professor John Hubert Cornyn na sua multifacetada personalidade de contista, dramaturgo, filósofo, jornalista, pensador, poeta e político. Não vou proceder a uma análise aturada da problemática, tarefa essa que se impõe aos estudiosos da literatura contemporânea dos dois países ibéricos, todavia pretendo contribuir com uma pequena achega para o eventual estudo do grande fascínio de Campoamor exercido em vida e na morte sobre dois poetas portugueses: Fernandes Costa, consagrado editor do “Almanaque Bertrand”, e Soares Rebelo (1873/1922), advogado, jornalista, poeta e escritor, que muito prestigiou as Letras e o Direito portugueses no antigo Estado da Índia.
Campoamor viera ao mundo nas Astúrias e finara-se em Madrid, deixando seu nome bem vincado nas Letras, na História, na Filosofia e na política do seu País, como uma autêntica celebridade, perdendo depois, com o tempo, muito do seu fúlgido brilho. Por direito próprio, alcançara entre seus contemporâneos um honroso lugar de poeta popular abençoado por um fácil e empolgante estro. Cultivou um género poético com muito acerto e apurado primor, atingindo as raias de culminância nunca dantes verificada na língua espanhola.
Foi com “Doloras” e “Humoradas” que captou a atenção pública e grande celebridade, através dos seus inimitáveis dísticos, quadras, quintilhas e sonetos. A ternura, o sentimento e a ironia permeando seus versos, cedo transpuseram as fronteiras do País, surgindo com novas roupagens noutras línguas europeias.
No primeiro quartel do séc. XX encontramos no nosso país Fernandes Costa apaixonadamente debruçado sobre as “Doloras”, as “Humoradas” e outras composições afins de Campoamor, vertidas em português e arquivadas em edições anuais do “Almanaque Bertrand”. No último quartel do séc. XIX e nos primórdios do séc. XX notabilizara-se, em Goa, Soares Rebelo com a versão em português dos epigramas, das “Humoradas”, das quadras, das quintilhas e dos sonetos do vate espanhol. Como moço de 16 anos, Soares Rebelo editara em 1889, a versão portuguesa da quadra de Campoamor evocando a famosa Rainha Mercêdes. Assim, de 1889 a 1914, assinala-se um quarto de século a distanciar entre si os dois poetas portugueses, Fernandes Costa e Soares Rebelo, cujas sensibilidades artísticas encontraram um ponto de convergência no vate espanhol Ramón de Campoamor y Campoosorio.
Verificado um manifesto pendor dos dois portugueses pela poesia de Campoamor, nasceu em mim a curiosidade de comparar e contrastar as versões legadas por eles às letras pátrias. Soares Rebelo experimentou grande fascínio pelo epitáfio de Campoamor à Rainha Mercêdes, vertido em português nos anos de 1889, 1895, 1901, 1904 e 1906. Fernandes Costa arquivou sua versão do epitáfio apenas em 1914.
Em seguida vão reproduzidas a primeira e a última das versões de Soares Rebelo e a única versão de Fernandes Costa:
SOARES REBELO – 1889 – Goa
É um sonho de amor sua triste história:
Nasceu, foi amável, cândida e bela.
Amou, reinou, morreu e abriu a glória.
Entrou e no olimpo cerrou-se ela.
SOARES REBELO – 1906 – Bombaim
Sonho de amor a sua triste história!
Nasceu, amável foi, cândida e bela.
Amou, reinou, morreu e abriu-se à glória.
Entrou e o céu fechou-se após ela.
FERNANDES COSTA – 1914 – Lisboa
Foi um sonho de amor a sua história.
Nasceu, foi boa, foi amável, bela.
Amou, reinou, morreu: abriu-se à glória.
Entrou e o céu fechou-se entrando ela.
Uma outra quadra de Ramón de Campoamor intitulada “FASTIO”, atraíu a atenção dos dois poetas portugueses, que nos deram sua própria versão na língua pátria, dessa citada quadra.
SOARES REBELO – 1901 – Nova Goa
Sem o amor que encanta,
A solidão de um eremita espanta.
Mais e mais espantosa é todavia
A solidão de dois em companhia!
FERNANDES COSTA – 1915 – Lisboa
Sem ter o amor que encanta,
Dum monge ermita a solidão espanta.
Mas é mais espantosa todavia,
A solidão de dois em companhia!
E, verdade verdade, devo confessar que a chocante solidão de duas pessoas em companhia, tão maravilhosamente focada por Ramón de Campoamor na sua quadra “FASTIO”, por assim dizer é sublimada pelos dois poetas portugueses nas suas versões na língua pátria.
Inegavelmente, Fernandes Costa fez uma extensa divulgação do estro poético de Campoamor, como se poderá verificar nas edições anuais do seu muito apreciado “Almanaque Bertrand”. Por sua vez, Soares Rebelo de Junho a Dezembro de 1901 fez versões em português de cinco sonetos, duas quintilhas, seis quadras e oito dísticos de Campoamor (vide “Obras Completas de Soares Rebelo”, Vol. IV, Alcobaça, 2010). Enquanto, de Agosto de 1900 a Dezembro de 1901, verteu do espanhol (sem autor indicado) um soneto, duas quintilhas e três quadras, poemas que terão sido ou não da lavra do consagrado poeta espanhol.
Segundo a Wikipédia, Ramón de Campoamor fora autor de várias obras, entre as quais se destacam “Fábulas morales y politicas” (1842), “La Filosofia de las leyes” (1846), “Lo Absoluto” (1865) e “El Ideísmo” (1883), além de “Colón” (1853), um poema épico em 16 cantos. Além de poeta e filósofo, Ramón de Campoamor y Campoosorio fora ainda uma figura marcante da época, chamado a excercer os cargos de governador de Castellón de la Plana, de Alicante e de Valência, e a quem os seus compatriotas homenagearam com uma estátua em Navia em Astúrias. Em 2017 passará o 2º centenário de seu nascimento, data a ser evocada por seus admiradores!
Domingos José Soares Rebelo
Alcobaça, 24.08.1987 (inédito)
Revisto em 20.05.2013
04 - DEPOIS DE SER MÃE, U(...)
publicado por Mac às 2013-05-21 17:00:42
Quando esta mãe vai à casa de banho, deixa a porta encostada, porque os meus filhos lindos ficam atacados de urgências, sempre que ali me apanham, são quinze segundos, pessoas, quinze segundos, sim, já lhe fiz a média, mas são quinze segundos muito tensos, esta mãe entra na casa de banho para uma coisa humana e os filhos lindos pregam-se-me à porta, um ó mãe isto é muito urgente, o outro mamamama e pronto eu só encosto a porta, porque com a porta encostada não há nada urgente, nem mamama, mas depois vem o gato, entra e escancara-me com a porta, este é outro que não me deslarga e vai que a minha empregada ia a passar no corredor e eu sentada, mas muito composta, sempre muito composta e mesmo assim um dia filho maior berrou-me incrédulo a mãe não tem pilinhaaaaaaaaaaaaaa, coitadinha da maiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii e eu expliquei-lhe que as meninas não têm esse importante acessório, mas ele tinha três anos e passou a comunicar com um ar algo combalido a tooooda a gente com que se cruzava coitadinha da mãe, não tem pilinha e pronto eu passei a ser a mãe que não tem pilinha, adiante, estava eu ali muito composta e passa também a minha empregada, olha para mim e diz assim ah a senhora está na sanita, e vou eu e digo, sim, para mim é um acto público.
Toda a gente me vê sentada ali naquele sítio, tooooda a gente. Não há condições dignas para continuar a exercer a profissão de MTI (*). Eu tenho a minha dignidade. E os meus direitos.
_____________________________________
(*) Designação roubada à minha amiga Rita, Mãe a Tempo Inteiro.
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-21 14:23:29
DECISÃO PROFERIDA PELO JUIZ RAFAEL GONÇALVES DE PAULA NOS AUTOS DO PROC Nº. 124/03 – 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas/TO
DECISÃO
Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saúl Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.
Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos:
os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste Governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)...
Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.
Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação económica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz.
Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização europeia....
Poderia dizer que George Bush joga biliões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto biliões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?
Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.
Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.
Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo.
Expeçam-se os alvarás.
Intimem-se.
Rafael Gonçalves de Paula
Juiz de Direito
03 - DEPOIS DE SER MÃE, U(...)
publicado por Mac às 2013-05-21 14:00:06

E montei tudo na mesa da cozinha, mas depois achei assim ah e tal isto está a demorar um bocado, é melhor levar as coisas deste colar num tabuleiro, sento-me ao pé de filho pequenino e vou fazendo. Filho pequenino começou então a depositar pequenos pertences no meu tabuleiro. Ah isto está a correr tão bem, até me sinto zen, continuei eu a pensar. E até dissertei comigo e tudo, estou habituada a ter desenhos no meio dos meus documentos, legos no prato onde vou comer, o Winnie the Pooh na minha banheira, o pato na minha almofada, danço zig zagues entre carrinhos, bolas, bonecos e figuras que desconheço, espalhadas pelo chão, vejo televisão através de um ecrã com dedadas e pasta de bolachas, encontro a chave do carro no balde dos brinquedos, e o meu pente, as minhas revistas e livros já encontraram novos lugares e vidas no chão e em frangalhos, o mouse está roído (ironia das ironias), a minha mala é uma espécie de cavalo de baloiço, portanto é normal ter a Ellie no tabuleiro com as bolas para o colar. Hmm isto está mesmo bom.
Depois vi-me grega para encontrar o início do fio no tubo, então pensei ah olha é já um post sobre a temática quântico problemática do início do tubo, mas sempre zen, nada de nervos e isso, vai daí fotografei a nail com o tubo, para ilustrar a boa temática. E depois as mãos pequeninas acharam por bem puxar o tabuleiro e catrapum, todo o conteúdo espalhado no chão. Depois esta de gatas a catar bolas rolantes, antes que filho pequenino achasse boa ideia pô-las na boca, mas sempre muito zen. Depois filho pequenino agarrado a um alicate. Depois esta a tirar-lhe o alicate, zen, já se sabe. Depois filho pequenino aos berros. Depois esta aqui a consolar. Muito zen, já disse?
E depois vou aproveitar a sesta dele para continuar o colar. Zeeeen.
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-21 13:06:11
"Cósimo, arúspice decrépito e manhoso, levantou a cabeça enrugada e fez-me um meneio, desconsolado, indicando que aquelas entranhas nada prenunciavam de bom. Não era a primeira vez. Nunca me recordo de o velho Cósimo ter extraído das vísceras dum animal prognósticos de tempos felizes. Que será isto nos homens que se prezam tanto de ser portadores de más notícias? Por que é que o anúncio da desgraça lhes vai mais natural e lhes confere maior gáudio? Talvez porque as infelicidades sejam mais facilmente confirmáveis pela vida e perduráveis na memória... No entnto, pensando bem, tudo isto, em si, não tinha grande importância. Tratava-se apenas dum rito, dum simulacro, de gestos consagrados."
Mário de Carvalho, Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde - Edit. Caminho, 12ª ed. (Fev. 2008).

publicado por Mac às 2013-05-21 12:00:45
Montei a parafernália dos alicates, tubos com arames, fio de nylon, fio encerado, elásticos, correntes, caixas com divisórias onde estão as missangas, contas e bolas de diversos tamanhos, cores e feitios, fechos e isso, e fazem-se colares e pulseiras. E já que estava com a mão na massa, desmontei alguns que nunca usei, porque me foram oferecidos e não fazem o meu género, que não sei bem qual é, mas também não interessa, outros que comprei a achar que sim e afinal não. É de aproveitar, porque aquilo dá tanto trabalho a desarrumar, como a arrumar, maneiras que é bom que valha a pena. E é isto.
publicado por Marta Teixeira às 2013-05-21 10:32:16
Desde que os vi não paro de pensar neles e ainda mais fiquei indecisa quando os vi na Zara People...
ZARA
ZARA - People
12 - SERÕES (E MADRUGADAS(...)
publicado por Mac às 2013-05-21 10:00:10

Acordei às 6.30, ninguém merece, filho pequenino achou por bem começar o dia, eu não, mas eu não conto, depois fui à janela e vi um céu azul ah ca bom, está Primavera, depois vi o meu vizinho a passear o cão munido de um colete de penas ai ca exagerrrro, depois o filho pequenino afinal continuou a dormir, mas eu não e o meu vizinho continuou a passear o cão. Depois fui buscar o pão, hmmm ca frio, filho pequenino continuou a dormir e o meu vizinho a passear o cão. Preparei os pequenos-almoços, papas e isso, tomei banho, vesti-me, voltei-me para os camisolões, não há condições de bom tempo, nem de melhoria. Rastapartam. E diz que ainda vai piorar. Olha, túnicas branquinhas, folharuscas e isso, lá para o regresso do calor. Que contrariedade, pessoas, em finais de Maio e ainda agarrada a roupas quentes. Depois tomei o pequeno almoço com o meu marido. Gosto disto dos pequenos almoços juntos, não gosto de manhãs a correr, nem que para isso tenha que me levantar com as galinhas. Ah é verdade, já não ouço o galo a cantar, acho que foi para fricassé, coitado. Acordei filho grande, vestiu-se, tomou o pequeno almoço e os da carrinha tocaram à porta, acordaram-me o filho pequenino, e filho grande foi para a escola. Oito da manhã, ainda são só oito e está tanto frio. O meu vizinho voltou a passear o cão. Ou continuou? Olha, não sei, só sei que o vejo sempre a passear o cão. Alguém aqui é muito stalker, corrori, mas também não estou a ver quem é. Acho que as minhas crianças dão menos trabalho do que o meu vizinho, mas a minha opinião não conta.
[foi o boletim meteorológico possível]
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-21 09:12:00
Médicos Cubanos seguem cartilha até na Bolívia
Namoros com nativasprecisam de autorização do governo da ilha
Mesmo longe de casa, os médicos cubanos não saem do controle do governo daquele país. Foi o que aconteceu com os que foram trabalhar na Bolívia em 2006, no âmbito do acordo de cooperação firmado entre os dois países. Os médicos ficaram sujeitos a uma série de restrições impostas pelo governo de Cuba. Regulamento editado na época diz que o profissional deve informar imediatamente às autoridades cubanas caso tenha uma relação amorosa com alguma boliviana. Além disso, para que o namoro possa ir adiante, a parceira do médico deve estar de acordo com o "pensamento revolucionário” das missões cubanas.
Os profissionais também foram proibidos de falar com a imprensa sem prévia autorização, de pedir empréstimos aos nativos, e de manter amizade com outros cubanos que tenham abandonado a missão.
Outra proibição é a de beber em lugares públicos, com algumas poucas excepções, como festividades nacionais cubanas, aniversários e despedidas de outros médicos cubanos do país. Pelo regulamento, eles não poderiam sequer falar, sem prévia autorização, sobre seu estado de saúde com seus amigos e | parentes que vivem em Cuba.
Eles também foram impedidos de sair de casa depois das 18 horas sema autorização do chefe imediato. Ao pedir permissão, os médicos deviam informar onde iam, os motivos da saída e se estavam acompanhados de cubanos ou bolivianos.
Se quisessem sair da área onde residiam e trabalhavam, também precisariam de autorização.
Se fossem sair de um dos departamentos bolivianos (o equivalente aos estados brasileiros) a autorização deveria vir do chefe máximo da missão naquele departamento.
Segundo o regulamento o não cumprimento dos deveres resulta em infracção, o que pode levar o médico a ser processado e punido pela Comissão Disciplinar. Entre as punições previstas estão a advertência pública, a transferência para outro posto de trabalho no país e o regresso a Cuba.
O GLOBO tentou falar com a embaixada cubana em Brasília para saber se a resolução foi actualizada, mas foi informando que o atendimento só será possível hoje.
As condições de trabalho dos médicos cubanos são alvo de críticas do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em representação entregue ontem a Procuradoria Geral da República, o Conselho diz que os cubanos estão sujeitos a regras que "ofendem a nossa soberania nacional, bem como os direitos fundamentais previstos na Carta Magna, que também são assegurados aos estrangeiros, e passíveis inclusive de tutela via mandado de segurança e habeas corpus, nos casos previstos na Constituição Federal de 1988 e nas respectivas leis".
Além da Bolívia, há vários médicos cubanos actuando na Venezuela. Os três países são politicamente aliados.
ANDRÉ DE SOUZA – BRASÍLIA
Não esquecer que o Brasil também não foge da “aliança”. Para festejar o 1° de Maio foram a Cuba sete congressistas, com viagens e estadias pagas pela “viúva”! Possivelmente lá o 1° de Maio deve ser bem mais divertido! E barato, porque dá para empalmar as ajudas de custo, e ainda fazer negócios, contrabando, etc.
Entretanto o “sapo-barbudo”, ex-actual presidente desta terra do futuro, internacionalmente conhecido e enaltecido com o nome de lula, está já na Argentina onde vai receber nada menos do que nove – 9 – honoris causa de quase todos as universidades argentinas. Apesar de quase analfabeto deve bater o record de honorabilidade científica mundial, desde que ninguém se lembre de propalar que em negócios extremamente escusos, e não só, embolsou para si e família alguns milhões, possivelmente biliões de dólares.
Todos aplaudem.
E o rei continua nu!
Rio de Janeiro, 17/05/2013
Noah And The Whale – Hear(...)
publicado por stipe07 às 2013-05-20 22:24:55
Formados em 2006 e liderados por Charlie Fink, Os britânicos Noah And The Whale de Charlie Fink, Tom Hobden, Urby Whale, Fred Abbott e Michael Petulla estão de vregresso aos lançamentos discográficos com Heart Of Nowhere, o sucessor de Last Night On Earth, disco essencial na discografia desta banda londrina porque a catapultou definitivamente para o estrelato, apesar de, na minha opinião, a verdadeira obra prima do grupo ser The First Days Of Spring, álbum de 2009. Heart Of Nowhere viu a luz do dia a seis de maio por intermédio da Mercury e foi gravado nos West London's British Grove Studios, de Londres.

A sonoridade dos Noah And The Whale deambula entre uma forte linha de baixo, a luz do violino e as guitarras em desafioa A primeira boa notícia que se pode divulgar deste quarto disco da carreira do grupo é que o seu conteúdo sonoro relaciona-se mais com a tal obra prima de 2009 do que com o antecessor de 2011; Esse disco foi uma espécie de tiro ao lado na discografia do grupo, porque foi pensado quase única e exclusivamente para o sucesso comercial, mesmo que o preço a pagar tivesse sido alguma perca de identidade, de esquecimento do ADN sonoro do grupo. Portanto, com a chegada de Heart Of Nowhere, Charlie Fink e os parceiros de grupo voltam aos eixos, tratando do novo álbum como um ponto de aprimoramento controlado e contendo algumas boas composições, mas já muito longe do propósito orquestral que alimentou Peaceful, The World Lays Me Down, o primeiro disco do grupo, editado em 2008.
Com um som amplo e com as cordas e os sintetizadores a assumirem importante papel, Heart Of Nowhere é uma proposta que parece encontrar acerto e uma certa dose de novidade naquilo que os The Killers propuseram em Battle Born o ano passado. Assim, o disco está carregado de referências dos anos oitenta, nomeadamente a power pop onde o amor que rompe a noite, a vontade de crescer e a tentativa de agarrar um sonho, fazem lembrar alguns dos álbuns essenciais de Springsteen e a captura de marcas expressivas que definiram a música dessa época. Há batidas e vozes cheias de eco, canções amarguradas por acordes melancólicos e sintetizadores que se espalham sem receio e parecem prencher as lacunas e os sons vazios e pouco expressivos que criaram em 2011, além de fazerem dos Noah And The Whale definitivamente intímos da melhor música pop que se ouve atualmente.
Logo em Introduction, onde é muito bem vinda a presença de Anna Calvi na voz, é clara a relação com o pós punk e outras marcas específicas construídas há mais de três décadas; Esta canção deixa claro que o rumo agora é outro e que há um propósito claro de resgatar o lado mais comercial do grupo, já que são várias as canções com um ADN cheio de airplay. Duas delas são There Will Come a Time e Now Is Exactly The Time, autênticos hinos de verão, que se tornam, sem demora, em verdadeiros vícios auditivos. All Through The Night ou Lifetime, são mais dois temas que seguem a pegada revivalista dos anos oitenta, que nas mãos deste quinteto parece ter sido bem aproveitada, através de uma agilidade pop que os faz percorrer caminhos da indie folk até chegarem a estradas onde o rock acelera sem respeitar limites de velocidade. A primeira destaca-se por ter uma guitarra muito aditiva com solos que deliciam os nossos ouvidos e a segunda agarra-se a alguma da tradição folk da banda e dispara violinos que são bem secundados por um baixo primaveril, que sublinha uma letra nostálgica que recorda sonhos, rezas e promessas.
Já agora, no que diz respeito às letras, todas da autoria de Fink, Heart Of Nowhere será o disco mais introspetivo do grupo, já que a escrita do vocalista e guitarrista dos Noah and The Whale fala muito de memórias, experiências de vida, amores e outros sentimentos que perduram, dando a sensação que ele às vezes é já demasiado maduro para os ainda vinte e sete anos que carrega. A esperança é outro sentimento muito presente neste álbum e Fink tenta mostrar-nos que a família e os amigos são núcleos essenciais nas nossas vidas.
Numa época onde abundam propostas de cariz mais sombrio e lo fi, no quarto disco da carreira os Noah And The Whale utilizam todo o seu potencial e continuam a fazer o que mais sabem; Canções com uma forte aúrea pop e a estabelecerem uma ponte perfeita entre a melancolia, o romance, a dor da perda e uma certa paz de espírito carregada de sabedoria. Espero que aprecies a sugestão...
01. Introduction
02. Heart Of Nowhere
03. All Through The Night
04. Lifetime
05. Silver And Gold
06. One More Night
07. Still After All These Years
08. There Will Come A Time
09. Now Is Exactly The Time
10. Not Too Late
publicado por Torradaemeiadeleite às 2013-05-20 20:57:55
Indesculpável é o facto de eu ainda não ter torrado algo sobre este senhor, Chris Hadfield e o seu blogue que só agora conheci.
Dá um apertozinho no peito ver estas imagens e ouvir estas palavras tão bem cantadas.
Como em tudo que é bom, mais vale tarde que nunca.
E há sempre boas razões para voltar também a David Bowie.
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 2013-05-20 18:04:18
Não posso deixar de guardar no meu blog este último texto de Salles da Fonseca [OS LOBOS E OS FAUNOS – 12 (II Série)] sobre uma temática de “Bichos”, não Torguianos, mas exprimindo, nos espécimes escolhidos – Lobos, Faunos, Melros e Rebanhos – os espécimes que pululam actualmente na sociedade portuguesa.
Estou a escutar de um desses – José Sócrates – no Primeiro Canal, o resto da sua discursata de finório, Melro papagueante, que já fora Lobo voraz e Fauno diligente, e se projecta, por agora, em artimanhas vulpinas para uma continuidade na destruição futura, iniciada tempos antes e interrompida temporariamente, no jeito nacional já antigo de rotativismo governativo em torno da gamela pátria.
Escutara, primeiro, Marcelo Rebelo de Sousa, na TV4, que não se enquadra em nenhum dos Bichos citados por Salles da Fonseca, porque melhor lhe fica o apodo de herói nacional, herói pelo bom senso, a sinceridade, pelo critério de análise pela positiva, pelo esforço inaudito do seu trabalho quotidiano, pelo desassombro apartidário da sua crítica, pelo sentido de responsabilidade e de responsabilização da sua mensagem.
Assim é, também, este texto de Salles da Fonseca. É a mensagem de um homem de coragem, como já muitas vezes o tenho definido, semelhante ao Mem Moniz da lenda, que, com o corpo entalado, defende uma das portas do castelo de Lisboa, permitindo a entrada dos cristãos no castelo tomado.
Salles da Fonseca não é tão optimista como Rebelo de Sousa. É um homem, neste momento, que espelha a sociedade portuguesa, irada e com pouca fé, zurzindo num povo responsável pela situação a que chegámos.
Lembrei hoje a uma prima, telefonicamente, uma breve história passada em Moçambique, pelos anos quarenta. O homem que seria seu marido, foi para Lourenço Marques mediante uma carta de recomendação que meu pai assinara. Empregou-se numa firma de carros – a “Pendray e Sousa” – e ali ganharia mais do que os funcionários como meu pai e os meus tios. Porque era uma firma inglesa, e os ingleses sabiam reconhecer o valor das pessoas, coisa que não acontecia connosco, mais vocacionados para a pelintrice e a extorsão em proveito próprio.
É um simples exemplo, que bem nos integra na bicharada que Salles da Fonseca resolveu, no seu 12º artigo de “OS LOBOS E OS FAUNOS”, eliminar a favor da sua descodificação.
Um texto exaltado, um texto triste, que não quadra com a ironia contida nos artigos anteriores. Mas esperamos que o seu “Continuemos” não se extinga ainda. Ele dá força à nossa própria ousadia, quando o medo da destruição nos acorrenta.
“Continuemos”, diz Salles da Fonseca, entalado nas portas do cerco, para nos deixar entrar no Castelo dos Mouros.
Entraremos?
publicado por Mac às 2013-05-20 18:00:45

Sempre que passo no sítio do antigo Estoril Sol, penso sempre no motivo que alegaram para o tirar dali ah e tal vai abaixo porque desfeia a baía e tal, e isto que está lá agora, põe-na muito lindinha, então não. Ai que piscinadas tão boas que ali fiz e tantos tralhos dei, depois de me pendurar da estátua do homem com o peixe da piscina dos infantis. Acho que todas as crianças se penduravam da estátua, se fosse hoje, teríamos uma data de manifestos contra uma estátua no meio de uma piscina para gentes pequenas, mas pronto, eram outros tempos. E o pronto socorro do hotel funcionava muito bem. O Atlântico também já se foi, também tinha uma óptima piscina, não tão boa como a do Estoril Sol, mas sim, fazia-se bem, só que o Atlântico nunca me foi icónico.
publicado por Mac às 2013-05-20 14:00:28

As minhas flores não têm o frio que eu tenho. Para as minhas flores é Primavera, para mim não. Tenho frio, nem com casacos de malha deixo de o ter. Linda Primavera esta.

