publicado por autumn sioux às 2013-05-17 14:51:14
Observar pessoas adultas dá-me um certo gozo. A maneira como reagem perante as outras é totalmente diferente do que quando vemos pessoas da nossa idade a relacionar-se. Com os ditos adultos, há sempre um véu entre nós e aquilo que está realmente a acontecer. As situações podem ser completamente normais mas aos nossos olhos jovens aparentam ser as coisas mais bizarras e singulares que alguma vez se cruzaram no nosso caminho. Ingressar no curso científico-humanístico de Artes Visuais mudou a maneira como eu observo as coisas; não a maneira de olhar, essa mantêm-se a mesma, mas o observar mudou de modos extraordinários. Linguagem corporal tornou-se uma coisa para mim fácil de ler, quando antes era tudo um emaranhado de acções, os objectos deixaram de ter a sua graça porque apercebo-me agora que desenho tudo com a mente. Os contornos e as manchas que definem o que me rodeia povoam-me dia e noite, noite e dia. Então assim, ao observar um casal adulto, cujo passado se cruzou em laços íntimos, e hoje se voltou a cruzar, numa sala cheia de adolescentes instáveis, apercebi-me desse malvado véu que me impede de ver as coisas com a clareza que se calhar era merecida. Pensando bem, quando esse véu desaparecer, se calhar já serei adulta de mais para notar a sua ausência.

















