publicado por inês às 2013-05-14 21:44:16
O vídeo em cima mostra a ted talk de Cesar Kuriyama, que teve a ideia de filmar um segundo da sua vida, todos os dias, durante um ano. Foi certamente, uma das melhores ideias da sua vida. Cesar afirma sem hesitação, em várias entrevistas, que esta atitude de pegar no telemóvel para filmar um segundo todos os dias mudou a sua vida. Eu torci o nariz de cada vez que li esta frase.
Um dia, resolvi experimentar. Nunca mais me lembrei disso até que, 10 dias depois, recomecei e desde aí tenho percebido cada dia melhor o que Cesar quis dizer com esta frase.
Admito já aqui que nunca sigo projectos/ideias criadas por outras pessoas sem os alterar como me apetece, adapto-os a mim e àquilo que pretendo fazer. Assim, poucos dos meus vídeos têm apenas um segundo, têm quase sempre um bocadinho mais do que isso, até aos 4 segundos. A verdade é que não gosto de ver os vídeos a passar muito depressa (sou uma pessoa lenta por natureza e preciso de tempo para absorver) e há momentos que merecem mais um bocadinho do que outros. Da mesma forma, não tenho feito vídeos rigorosamente todos os dias porque há dias em que não me lembro ou não me apetece ou então, diga-se uma verdade que me tem custado um bocadinho, não acontece nada digno de registo.
Então, e como é que um projecto assim mudou a minha vida? Eu vou tentar explicar. Segunda-feira saio de casa às 7 da manhã. Normalmente, repenso 100 vezes na minha cabeça se não posso mesmo ficar na cama. Nas últimas semanas tenho saído com vontade de tentar filmar um pouquinho com a luz da manhã. Quando me convidam para alguma coisa e não me apetece mesmo nada, sou bastante mais relutante em dizer que não porque podia dar mesmo para fazer um vídeo giro. Até agora, nunca me arrependi de ter dito que sim a algo que normalmente não faria.
Já filmei coisas absolutamente banais da minha vida mas, ao rever muitos vídeos de seguida sinto-me sortuda por ter tido oportunidade de viver tudo aquilo, por muito banal que seja, sinto-me sortuda pelas pessoas que conheci, pelos animais que tenho, pelos passeios que dei,... Garanto-vos que não há nada melhor para os dias menos bons do que termos algo que nos mostra que, apesar daquele dia, muitos dali para trás foram fantásticos e muitos dali para a frente certamente também o serão.
Além disso, ver os vídeos que fiz faz-me recordar todos os dias que filmei. Mesmo que sejam apenas escassos segundos, as imagens, os sons relembram-me do sítio onde estava, com quem, a fazer o quê. Já pensaram que se filmarem uma gargalhada de um amigo, ao rever o vídeo se vão lembrar do que o fez rir? E provavelmente vão-se rir sempre que revirem o vídeo. É uma forma fantástica de guardar memórias, com imagem, som e movimento.

