93# tens mesmo que parar (...)
publicado por shems. às 2013-06-19 22:18:21
perfil público
http://whateverloser.blogs.sapo.pt
"Fill your paper with the breathings of your heart" - William Wordsworth
Endereço IM
ana.rma@hotmail.com
Data Nascimento
29-03-1994
Sexo
F
Localidade
New Pork City
93# tens mesmo que parar (...)
publicado por shems. às 2013-06-19 22:18:21
porque esse tem vai-não-vai deixa-me desconcentrada. Não tentes por-me à prova, não vai correr bem. nada bem.
publicado por VeraPinto às 2013-06-19 21:37:57

Coisas que são a minha segunda pele: o relógio, os óculos de sol e o anel com o nome do M. gravado.
publicado por VeraPinto às 2013-06-19 21:18:21
publicado por sacha hart às 2013-06-19 20:18:50

Eu quero ser diferente, original. Estou farta de ser aquilo que sou. Porém a única mudança acontece somente na minha mente, em sonhos perdidos e ilusões fantasiosas. Não tenho coragem para mexer um dedo que seja para mudar. Por isso espero sentada, à espera que algum milagre aconteça e me tire do aborrecimento que é ser eu.
publicado por Alice Alfazema às 2013-06-19 18:36:29

A memória inverte processos. Esquecida, deixa entrar quem quiser, fazer o que não deve, gostar daquilo que não devia.
Há muitos anos eu trabalhava nove horas diárias. O tempo da minha primeira licença de maternidade foi de três meses e meio. Depois desse tempo o meu filho foi para o infantário. Ainda me lembro do primeiro dia. De deixá-lo, embrulhado num xaile branco, às sete da manhã, tão pequenino. Redução de horário por maternidade, uma hora. Com o tempo as condições de vida foram melhorando, houve redução de horário laboral, aumentou o tempo da licença de maternidade, entre muitas outras coisas. Como e quem fez esta mudança? Foram as lutas dos trabalhadores, de uma indústria que já não existe em Portugal, os trabalhadores das fábricas que fecharam, aquelas que migraram para outros países, depois de usufruírem ao máximo daquilo que queriam. Hoje já esquecidos.

Quando olho e leio a análise de conteúdo, daquilo que se diz e escreve por aí, noto que realmente a memória é frágil, tal como uma porcelana fina.
A individualidade instalou-se com medo do plágio, no entanto a unidade é que levou à conquista destes bens que, ainda, usufruímos. Pensamentos dispersos dividem. Há, ainda, um saber que não foi descoberto, que existe naqueles que já viveram mais que nós. Há agora a sensação que já se sabe tudo. Mas é só a sensação, essa personalidade sem corpo. Será que é por falarmos muito bem, escrevermos preciosamente, com as virgulas nos sítios certos que sabemos mais que os outros? Há um preconceito generalizado entre gerações, entre classes e géneros.
A memória, fina porcelana, depois de partida nada há a fazer.

Renegar o saber é como renegar a origem. Parece que não temos História que nascemos agora, é certo que o mundo está em mudança, mas isso não implica abandonar o que se sabe. Por isso a insatisfação geral alastra, ninguém sabe aonde pertence. A memória esquecida. Na Natureza há um fio condutor que ensina. O nosso onde está? Para onde foi? Quem o partiu?
Alice Alfazema
publicado por Inês às 2013-06-19 18:04:46
Há de chegar a altura em que me aperceba que tenho de começar a fazer médias, procurar cursos e as suas provas de ingresso e tomar decisões.
publicado por Gehenna às 2013-06-19 17:50:42
Parece termos esquecido que a expressão "uma educação liberal" significava, na origem, entre os Romanos, uma dignidade de homens livres, ao passo que a aprendizagem de ofícios e profissões com vista à obtenção de salário era considerada só digna de escravos. Partindo porém do que a palavra sugere, eu iria mais longe, e diria que não é simplesmente o homem de bens e de lazer, mesmo quando se dedica à arte, à ciência ou à literatura que, em sentido verdadeiro, é educado liberalmente, mas outrossim, e apenas, o homem sincero e livre. Num país de escratura como este, uma educação liberal tolerada pelo Estado é coisa impossível; e esses letrados eruditos da Áustria e da França que, por mais cultos que sejam, se sentem bem debaixo das suas tiranias, apenas tiveram uma educação servil.
Henry David Thoreau - A Desobediência Civil, Ed. Antígona (2012), p. 103-104
Literatura/Opinião » Mist(...)
publicado por raquel às 2013-06-19 15:22:32

Título Original: Mister Gregory
Autora: Sveva Casati Modignani
Editora: Porto Editora
Páginas: 464
Sinopse:
"Aos oitenta e cinco anos, Gregorio Caccialupi passa em revista uma vida intensa marcada por contrariedades e vitórias. Para trás ficam as recordações de uma infância pobre na Itália dos anos 1930 e uma decisão que mudou para sempre a sua vida - emigrar para a América em busca de um futuro melhor.
Ambicioso e determinado, coleciona sucesso atrás de sucesso e uma série de mulheres procuram conquistar o seu coração - Florencia, o seu primeiro amor, Nostalgia, com quem se casou, e Erminia, a sua derradeira paixão. Com o decorrer do tempo, Gregorio Caccialupi torna-se Mister Gregory, dono de uma importante cadeia de hotéis, um homem rico e influente. Porém, um investimento mal calculado leva-o à ruina. Conformado com a sua vida discreta num lar de idosos, está longe de saber que um encontro inesperado lhe trará uma revelação surpreendente e a possibilidade de retomar as rédeas do seu destino.
Mister Gregory é um magnífico romance de Sveva Casati Modignani, que pela primeira vez elege como protagonista um homem: complexo, terno e fiel aos seus princípios, sedutor, esquivo e sempre irresistível."
publicado por VeraPinto às 2013-06-19 14:23:03
O exame correu-me bem. Saí de lá eufórica por não me ter corrido mal. Fiz tudo, dentro do tempo, e na minha cabeça tinha descoberto todas as rasteiras que o GAVE continua a insistir em colocar nos exames nacionais como se o objectivo comum daquela gente fosse aniquilar alunos. Depois da correcção sair, apesar de ter começado bem (acertei no 1º grupo todo) a euforia deu lugar à frustração. Pelas minhas contas não devo ter mais do que um 13. E a correr muito bem. É óbvio que estou frustrada. Não só comigo, porque mais uma vez o exame era ambíguo, cheia de escolhas múltiplas apenas e unicamente de interpretação. A ciência não é interpretação. Ou é ou não é, mas quem faz os exames não percebe isso. Tinha vindo contente para casa porque depois do exame assisti a uma correcção do mesmo pelo professor de Biologia da turma que fez exame comigo. Segundo as respostas que ele nos deu ia ter muito melhor nota, mas depois percebo que na correcção as próprias respostas do PROFESSOR DE BIOLOGIA não estavam de acordo com o GAVE. Não é isto estranho?
Mas não vou atirar a culpa ao alheio. Mas eu sabia toda a matéria. Toda. Eu, que depois de 8 anos sem ouvir falar sequer de rochas e células, em 2 meses estudei 4 livros, reli e fiz resumos do Livro de Preparação de exames que tinha de 2006. Para além disso fiz mais de 12 exames nacionais dos anos transactos e fiz todos os exercícios que encontrei na net. Eu sabia a matéria toda. Toda. E é por isso que estou tão zangada e frustrada comigo mesmo. O que errei foi apenas por erro de interpretação e porque cai em algumas rasteiras do exame. O M. fartou-se de me dizer que eu não preciso de estar assim. Afinal eu não vou precisar do exame como prova de ingresso se entrar no curso que quero pelo regime especial. Mas se eu fiz o exame era para muito mais. Exigi a mim mesma um 17. E vai-se sair um 12/13. É por isso que hoje não há sorrisos. Há muita revolta comigo e com o mundo deste lado.
Se sou uma heroína por ter conseguido um 13 no exame nas minhas condições? Oh pah se sou. Sou mesmo. Mas não chega. Não para mim.
Espero que o Gave esteja feliz agora. Conseguiu o que queria.
publicado por charlotte às 2013-06-19 11:41:17
Acabamos por não ir passear para Leiria, mas sim para Alcobaça. Como o exame de Português se meteu pelo meio, ainda não tinha tido oportunidade de falar sobre isto aqui, mas agora entre intervalos de estudo para História A, posso dispensar um pouco do meu tempo para actualizar o blog.
Saímos daqui perto das 7h30 e só regressamos às 21h30. Para (não) variar, foi um dia muito bem passado, cheio de amor e muitos mimos e que deu para tirar imensas fotografias (um grande amor meu, também). Visitámos o Convento, demos uma volta pela feira que estava lá a decorrer (pareceu-me ser uma feira de Antiguidades, se alguém for de lá e me souber esclarecer agradeço) e depois fomos para o espaço onde decorreu o almoço/lanche/jantar: o Solar dos Noivos, nas Pataias.
publicado por Alice Alfazema às 2013-06-19 09:28:49

Ilustração Geninne D. Zlatkis
Ao mundo real. Cada um é como cada qual. Os pares e os impares. O índice e o ícone.
Passa uma borboleta diante de mim
E pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor apenas flor.
Alberto Caeiro
Alice Alfazema
publicado por shems. às 2013-06-19 00:26:29
Encontrei isto num blog (este!) e decidi fazer. Basta por em negrito o que vos "caracteriza"
publicado por Isabela às 2013-06-18 21:51:43
Ela provoca o macho, fazendo com que ele se sinta como uma presa fácil. No mesmo ambiente de trabalho, patrão e secretária trocam as suas posições de poder sem trocar de cadeiras. Ele observa-a a cruzar as pernas, fixando-se nos pés e nos exuberantes sapatos vermelhos que ela inocentemente calçou naquela manhã. Ele levanta-se para colocar o ar condicionado mais frio, tamanho o calor que sente. Ela aproveita o breve momento de expiação dele para abrir o botão da camisa branca social que traja, mostrando o inicio de um decote bem proporcional…ele engole em seco com tal gesto. A vontade de a jogar em cima da mesa e torna-la sua é enorme, mas os deveres profissionais estão primeiro…uma, duas, três reuniões no mesmo dia, com a diaba de sapatos vermelhos a passear o pé esquerdo na virilidade masculina, por baixo da longa mesa de madeira escura. Quando o relógio assinala as dezanove horas, o expediente termina com a secretária a arrumar o material dentro da mala e a desejar um bom serão ao patrão. Ele fica a observar o corpo voluptuoso a entrar no elevador, para logo depois tirar a gravata vermelha e servir-se com um copo de whisky, observando a cidade brilhante aos seus pés. Até sentir outro corpo encostar-se ao seu…o perfume característico invade o espaço rodeado por paredes de vidro; a gravata é usada como uma penumbra visual, onde, logo depois de ser sujeito a uma cegueira temporária, é forçado a caminhar até sentir algo macio nas costas. Os lábios dela passeiam pelo pescoço, enquanto ouve-se sussurros dos desejos carnais ali presentes. Ele sente algo gelado rodear ambos os pulsos e, logo de seguida, a gravata é retirada. Era ela, vestida com uma diminutiva lingerie vermelha, que contrastava perfeitamente com a pele albina. Ela serpenteia o corpo pelo homem aprisionado, provocando arrepios saborosos e um calor abrasador. As bocas colam-se, num beijo escaldante e terno…logo a camisa e as calças são projectadas pelo quarto escuro, bem como a ultima peça que os separa de se tornarem num só. De repente, ela encaixa-os de uma forma violenta, os quadris a chocarem fortemente, respirando irregularmente e o sobe e desce cada vez mais rápido, até que existe uma entrega total ao momento. Os olhares cruzam-se e o patrão estremece ao ver a secretária montada em si, a tomar para ela o prazer merecido. O cheiro de sexo no ar…a intensidade e insanidade do momento carnal e deveras prazeroso.
Música » Outubro (Nessieo(...)
publicado por raquel às 2013-06-18 16:07:56
publicado por VeraPinto às 2013-06-18 15:00:47
Quando é que o GAVE vai lançar os critérios de correcção?
publicado por VeraPinto às 2013-06-18 14:58:46
O exame que me correu bem.
Agora é ver se os critérios do GAVE são os mesmos que os meus. Exames ambíguos são proibidos nos exames nacionais mas entre o ser e o fazer vai uma grande distância...
o estragam hoje é o que a(...)
publicado por VeraPinto às 2013-06-18 14:11:23
Hoje, no exame, passei por mais do que 10 vezes por professora. Ou mais. Pensaram que era professora na entrada da escola, na portaria, na secretaria, na sala dos alunos, na entrada para a sala de exame (deduziram que era vigilante) e até na saída do exame. Não foi pela roupa, não foi pela ausência de acne, não foi pelas rugas, não foi por ter chegado de carro. Concluí que foi apenas pela postura. Pela minha postura.
Senti-me tão deslocada que só queria fugir dali. Quando me deparei com as turmas que fizeram exame comigo, com os adolescentes de 16 e 17 anos, só pensava que eu não fui assim. Eu não assumia o exame como uma brincadeira. Não achava que aquilo era um jogo. Encarei e encarava as coisas com responsabilidade. Mas eles não. Não passava de mais um dia. Como se muitos não tivessem em jogo o futuro deles.
O que me entristeceu mais foi à saída do exame me ter encontrado com a minha professora de Português do secundário e ter percebido o motivo. Agarrou-se a mim, conversamos como se fossemos (e somos) grandes amigas. Desabafou comigo problemas de saúde, familiares, profissionais e encorajou-me na aventura da faculdade, mas entristeceu-se e confessou que têm saudades dos alunos do meu tempo.
Confessou que os alunos de agora não são aplicados, que não têm interesses, objectivos nem ambições. Disse que hoje faz testes que nunca se imaginou a fazer de tão fáceis, que é ela própria que faz os resumos e tira cópia para os alunos e que mesmo assim as notas não atingem as expectativas dela. Que o exame nacional deste ano era um mimo para alunos do meu tempo e do tempo da minha irmã.
Sei que muita gente desta faixa etária me lê, e que neste momento me roga todas as pragas que conhecem. Que estou apenas a elevar o meu auto-estima e a sublinhar no quanto boa aluna era e em tempos mais difíceis.
Na verdade, o desabafo da minha professora só me entristeceu. Não podendo argumentar contra factos que não conheço atirei-lhe a desculpa de que como poderá alguém andar motivado com o estado do nosso país. E foi aí que ela concordou comigo.
Que começa no desinteresse pelos alunos, a má formação e má educação pelos pais, e que acaba no próprio desinteresse dos professores por todas as razões que eles atiram nas últimas manifestações.
“É um ciclo. Má governo, descontentamento, depressões, greves, greves e greves. Os professores não querem saber. Maus professores, maus alunos. É simples.”
E é isto que me revolta mais. Que o governo, directa ou indirectamente, esteja a afectar o futuro do meu país. Que os professores comprometam a qualidade de ensino e usem os alunos como arma de arremesso. E que os alunos que se deixam influenciar pelas más modas de ser mau aluno, pela má formação que nos rodeia, pelos ideais e valores estragados, pela sociedade podre. Levantem-se porra. Mostrem que são. Não se escondam.
O país que estragam hoje é o que amanhã terão de consertar.
publicado por Alice Alfazema às 2013-06-18 13:07:57

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles
Alice Alfazema
publicado por charlotte às 2013-06-17 22:36:15
Na minha escola os exames decorreram sem problemas. Às 9h da matina já estava à porta da sala onde ia ter o teste à espera de ser chamada e, apesar de toda a confusão de assinar papéis compromissivos em como não tinha comigo nenhum suporte digital e tecnológico e a questão do frio que se fazia sentir na minha sala por não se poderem fechar as portas, tudo correu na normalidade.
Nunca gostei de Ricardo Reis, mas estou grata por ter saído isso no lugar de Mensagem ou Lusíadas... Confesso que estudei e me foquei mais nas obras literárias, pelo que não fui muito bem preparada, mas vamos lá ver o que sai daqui.
publicado por Alice Alfazema às 2013-06-17 19:58:03

Ilustração Kim Barnett
Às vezes rio-me, demoradamente, silenciosamente, com esta cena da crise e oiço-os queixarem-se que levam menos para casa. Que não aguentam, que isto e aquilo. E eu penso, o que fariam com aquilo que eu ganho? Se eu vivesse sozinha, não conseguiria sustentar os meus filhos, para não falar no resto, basta apenas isto. Rio-me, não de gozo, mas de pena de mim, de ver o valor do meu trabalho pago à miséria do salário mínimo, e os anos passam e não há escalão, nem valorização de nada. É um zero redondo e um circulo que parece impossível de quebrar. Não é tristeza, é apenas um riso sem som.
Alice Alfazema
publicado por VeraPinto às 2013-06-17 19:57:21
Toda gente acha que a vida dela é mais complicada que a do outro. É natural, é humano, é português. Todos temos o síndrome do coitadinho, "tenham pena de mim". Todos sofremos disso. Mesmo aqueles que acham que não.
Mas às vezes, só às vezes gostava que algumas pessoas do meu círculo de pessoas conhecidas tivesse a minha vida. Passasse a minha vida. Por muito que existe muita gente com pior história que a minha, e graças a todos os santos que eu não acredito, que as há.. trágicas, com fome, dificuldades, problemas familiares, mas gostava que algumas pessoas passassem o que eu às vezes passo.
No trabalho (e não me perguntem pelo dia de hoje), na vida, nos meus sonhos. Nas minhas lutas. Uma coisa que sei que tenho é espirito de sacrifício. Ninguém me pode negar isso. E que sou não uma desistente. Por isso, não admito que insultem a minha dignidade, o meu esforço e a minha vida.
Todos vós que me acusam de facilitismos, todos vós não aguentavam metade. Vocês não me conhecem. Não mesmo.
publicado por agnes às 2013-06-17 13:45:02
Daqui uma pessoa que não fez exame porque está no 10º. Mas está aqui também uma pessoa com opinião e que acha que este país só faz coisas que nos fazem pensar que é tudo cheio de tretas e palhaçadas. Ou fazem todos greves ou não faziam. Ponto. Mas uma coisa é certa, vai atrasar tudo o que é candidaturas e tudo o mais para quem pensa ir para a Universidade para o ano.
Mas quem sou eu...
publicado por raquel às 2013-06-17 10:38:33
Na minha secundária apenas um exame, o da língua portuguesa não materna, se realizou. Entrei em pânico, fiquei ainda mais incomodada do que já estava, e vim para casa zangada, frustrada e indignada. Quando cheguei a casa, fui beber água, para ver se acalmava, e logo a seguir liguei a televisão, ando a saltitar da 24 Direto para a CM TV e fico à espera das notícias do Telejornal da 13h. Estou aqui porque tenho de me revoltar contra esta situação. Uma esperta ligou para a 24 Direto a dizer que mesmo os alunos, apesar de se terem mostrado incomodados, não protestaram. Pois, eu protesto: a liberdade de uns acaba quando começa a dos outros. Compreendo o motivo, não concordo com o método. Não acho que seja correcto, abala o sistema nervoso dos alunos, não dignifica os professores, muito pelo contrário, e acho que vai atrasar uma série de processos... Sinto-me muito revoltada, contra o ministério também é verdade, mas não concordo com nada disto, e como eu, sei que há muitos mais alunos, incluíndo filhos de professores, que partilham da mesma opinião. Até agora, anda toda a gente a falar sobre quantos alunos não fizeram, quantos fizeram, se é correcto se não, e já disse que o não considero, mas ninguém se lembra de que nós estamos em casa a ver as notícias à espera que alguém nos diga quando é que vamos fazer a porra dos exames?!
P.S. Não entendam este desabafo de maneira errada. Estou solidária com os professores, têm razões legítimas para exigirem que os seus direitos sejam repostos, não desculpo o Ministério, mas o procedimento, quer de da FENPROF quer do Governo, pareceu-me e parece-me errado. Os fins não justificam os meios. Não podemos exigir direitos e esquecermos-nos de que existem mais pessoas envolvidas, que podem sofrer, de uma ou outra maneira, em virtude das nossas acções.
publicado por Ima às 2013-06-17 08:00:04
Este foi o segundo desafio a que me propus este ano, no verdadeiro âmbito da palavra (Primeiro foi o Livro do Desassossego). Encontrei uma edição com A Viagem do Beagle e A Origem das Espécies compilados no mesmo volume, o que me proporcionou uma aventura de mais de novecentas páginas de letras bem pequeninas. Foram muitas viagens, intervalos e cabeceiras, em cerca de dois meses dei conta do recado. O facto de querer tudo num só volume deve-se à intima relação que há entre as obras e de não me fazer sentido lê-las separadas e espaçadas no tempo uma da outra, isto aplica-se a mim, claro. Meti-me nesta loucura mais por motivos académicos. Ainda que não fossem leituras obrigatórias ou tão pouco sugeridas, apesar de referidas. Todos sabemos quem foi Darwin. Quantos de nós lemos a sua obra ? Esta questão tem um certo paralelismo com a Bíblia. Isto era o que me estava a travar mais a mente e senti-me na obrigação de ler estas obras de Darwin para compreender como começou a visão evolucionista das espécies.
Em relação ao primeiro livro, The Voyage of the Beagle é tremendamente delicioso, desde as descrições visuais aos relatos dos contactos com a mais variadas civilizações, é um livro com que se pode aprender muito. Cabo Verde, Brasil, Chile, Patagónia, México, Galápagos, Terra do Fogo (Deserto da Patagónia), escolham, Darwin andou nessas e noutras estações. Talvez haja uma overdose de aprendizagem em relação a geologia! Ciência de que não sou particular fã, cansei-me muitas vezes com a minúcia e mestria descritiva de Darwin em relação a solos e rochas, características que quando aplicadas a fauna, flora ou civilizações criavam-me baba e faziam-me querer ler mais e mais.
Este livro é realmente para qualquer bom apreciador de literatura de viagem, haverá já aqui algumas imprecisões cientificas que são justificadas pelas limitações da época, nomeadamente o de algas serem constantemente referenciadas como plantas (algas não são plantas).
"Its so easy to hide our ignorance under such expressions as the 'plan of creation', 'unity of design' &c., and to think that we give an explanation when we only restate a fact. Any one whose disposition leads him to attach more weight to unexplained difficulties than to the explanation of a certain number of facts will certanly reject my theory."Em relação ao The Origin of the Species não há como negar que Darwin era um observador de grande mestria. O segredo por vezes não está em ser-se o mais perspicaz ou inteligente. Ser um observador por excelência como Darwin foi eventualmente será uma verdadeira bênção. Saber olhar não é para qualquer um. Somos assim, efectivamente, um produto da natureza, resultado de um trabalho contínuo e de vários tipos de selecção, nomeadamente aquela que é mais significativa, a natural.
N' A Origem das Espécies todo o trabalho de fundamentação da teoria de Darwin foi muito bem feito e isto sem recurso a qualquer tipo de conhecimento genético, o que é realmente de louvar. Contudo não deixei de me sentir um pouco desiludido quando Darwin após tanta constatação e ilação decide refutar deliberadamente a ideia de que outrora os continentes ou eventualmente ilhas (como sugeriu Edward Forbes) estariam todos ligados entre si. Optou por um outro caminho para justificar a existência de semelhanças intercontinentais entre as espécies e os continentes seriam portanto estácticos, outra imprecisão bastante relevante já que vai contra a realidade e dificultou-lhe a vida.
Apesar de todas as limitações que tinha em mãos o sumo dos factos está lá. Desde as variações que ocorrem sob domesticação, passando pelos híbridos e terminando em factores morfológicos e na embriologia A Origem das Espécies é dada como resultado de um árduo trabalho das leis da natureza e não uma obra instantânea de uma qualquer entidade superior.
Mais uma vez Darwin perde-me na Geologia e Geografia ainda assim não de forma tão significativa como n' A Viagem do Beagle. Aqui, neste livro, pode-se dizer que começou a haver alguma luz e de facto, depois de lido, compreendo o peso que o livro teve perante a humanidade, era o passo que faltava rumo a uma realidade tão simples e que até então ninguém conseguia compreender. Difícil é ainda ser-se criacionista ao acabar de ler este livro, tal postura implicaria algo diferente do que se entende por um simples acto de fé.
publicado por Ima às 2013-06-17 01:25:03
Decidi inventar uns dias de descanso até terça. Talvez me venha arrepender, espero que tal não aconteça. Empenhei as férias propriamente ditas em oito dias. Espero que este pequeno luxo não me traga um sabor amargo, mas era isto ou ficar maluquinho e às vezes um atraso de oito dias fazem todo o sentido se o objectivo for não o perder. Vou ali respirar fundo e já venho. :)
publicado por Ima às 2013-06-17 01:20:07
"...se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar." José Saramago in Ensaio Sobre a Cegueira

