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  <title>CHARQUINHO</title>
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  <description>CHARQUINHO - SAPO Blogs</description>
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    <title>CHARQUINHO</title>
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  <pubDate>Wed, 15 May 2013 22:51:03 GMT</pubDate>
  <title>A posta que pró ano é que é</title>
  <author>shark</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ser adepto deste ou daquele clube é resultado de tantos factores aleatórios e acontece em tão tenra idade que raramente nos lembramos do momento, do tempo e das circunstâncias, em que decidimos abraçar para a vida um emblema e uma cor.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não nascemos adeptos, mesmo quando nos inscrevem como sócios ainda antes de nos imporem outra canga que é a do baptismo. Fazem-nos adeptos ou apenas embicamos para este ou aquele amor à camisola &lt;em&gt;porque sim&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Podemos questionar ou mesmo alterar a nossa opção partidária, a nossa relação amorosa e repensar inúmeras escolhas de caminhos ao longo da vida. Porém, o clube que é o nosso agarra-se à pessoa como uma cor de olhos ou um sinal de nascença.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Perca ou ganhe, é o nosso clube. Por ele gritamos, por ele choramos, por ele torcemos uma vida inteira. E a cada novo jogo, a cada nova época, a cada nova etapa, a esperança de vencer é renovada e não existe martírio suficiente para nos vergar nessa paixão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É impossível de explicar este apego a uma colectividade de forma racional. É mesmo de um amor que se trata, braço dado com uma fé tão inquebrantável que mais facilmente a pessoa deixa de acreditar em Deus. Sobretudo quando este último nos prega partidas tão dolorosas como as duas seguidas que o meu Benfica sofreu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tivemos dois pássaros na mão e ambos os casos a ave, mesmo à beira de uma daqueles voos dignos de uma águia, morreu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dói imenso, por quão ridículo possa soar a quem passe ao lado destes fenómenos tão estranhos como a loucura da paixão por um clube e acima de tudo, numa hierarquia inquestionável, pela sua equipa de futebol. É coisa para fazer um homem chorar, de alegria como de tristeza, sem que alguém ouse questionar por isso a sua dureza e masculinidade como ainda acontece e muito quando essa manifestação surge associada a outro tipo de emoções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ser benfiquista, o meu drama pessoal, é coisa de uma intensidade quase insuportável de tão perturbadora do estado normal de consciência de uma pessoa. É toda uma montanha russa de emoções arrebatadoras, jornada após jornada, taça após taça, títulos conquistados e outros, sempre demasiados, a escaparem para um qualquer dos rivais do costume.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ser benfiquista é uma pessoa deitar as mãos à cabeça mergulhada num desalento esmagador quando se enfrenta uma derrota.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas também é uma constante renovação desse amor que tanto nos trai, é um renascer das cinzas, permanente, depois de perdoados todos os desgostos, de ultrapassadas todas as arrelias. Cerramos os punhos numa gana danada de pró ano é que é e defendemos a nossa dama contra tudo e contra todos, sem ponderar sequer a hipótese de uma desistência por muitas que sejam as ocasiões em que saímos a perder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há casamentos que resistem com muito menos do que isto para dizer.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>desabafos</category>
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  <pubDate>Tue, 14 May 2013 23:34:26 GMT</pubDate>
  <title>Faz de conta que um dia</title>
  <author>shark</author>
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  <description>&lt;p&gt;Faz de conta que um dia sentiste na pele o toque dos dedos que te escrevem agora uma prosa ficcionada, uma história construída sobre os alicerces de memórias como peças de lego num puzzle que alinhamos a dois em quartos separados, tira e põe, põe e tira, pedaços de fantasia encaixados em retalhos de vida conversada como ela também se faz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Imagina um enredo e transforma-o num segredo que tencionas soprar, palavras confiadas ao vento que as carregue para só eu as ouvir, murmuradas lá fora na dança das folhas que se sonham páginas de um livro ainda por escrever, para só eu as ouvir e assim quase me poder sentir especial, quase protagonista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Faz de conta, numa espécie de fogo de vista capaz de me incendiar ilusões, que um dia te despertei emoções proibidas, sensações vividas numa assoalhada clandestina da tua imaginação, como se alguém abrisse um alçapão no tecto dessa casa assombrada por fantasmas a fingir, o som distante de pessoas a rir das palavras oferecidas apenas porque sim, num dia em que fizeste de conta que pretendias ouvir contar uma história com sentimentos de brincar, beijos de encantar num guião improvisado sem um príncipe encantado que te pudesse fazer sentir na pele, faz de conta, o sopro quente da brisa de uma respiração carregada de palavras doces, clandestinas, levadas até ti pelo vento suão. &lt;/p&gt;</description>
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  <category>dívidas de gratidão</category>
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  <pubDate>Tue, 14 May 2013 19:23:23 GMT</pubDate>
  <title>Palavras para quê?</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1692621.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Olho nos olhos das palavras, atrevido. E elas punem-me pelo arrojo, conscientes do quanto não possuo aquilo, seja o que for, que me conceda o direito de olhá-las assim. Sorriem com desdém, fazem troça do meu atrevimento e ignoram em absoluto a minha veleidade de escriba amador e amante inferior das suas tentações demoníacas, das ilusões que estendem como um falso tapete vermelho neste branco imenso que desafia os atrevidos como eu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olho-as com respeito e tento usá-las a preceito mas as palavras jamais se deixam usar, rebeldes por natureza, independentes da vontade de quem se arvora capaz de as manobrar a seu bel-prazer, superiores a todas as vaidades humanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E a minha, ridícula aos seus olhos de fêmeas bem rodadas, de palavras muito usadas, experientes, apenas belisca ao de leve a fina cútis que as protege dos arremedos de insignificantes prosadores, elas que já serviram para descrever intensos amores ou prodígios da inteligência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olho nos olhos as palavras e esboço um sorriso patético, ciente da sua incomensurável superioridade que me esmaga mas não me impede de as confrontar. Absurdo, entrego-me às palavras e ofereço-lhes a rendição.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>dívidas de gratidão</category>
</item>
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  <pubDate>Mon, 13 May 2013 22:36:12 GMT</pubDate>
  <title>A posta no ponto de não retorno</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1692199.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo.” – Mohandas Ghandi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Embora as tiranias sejam, grosso modo, caracterizadas e identificadas pelos abusos de poder de índole política, de acção governativa alheia aos princípios democráticos que subscrevemos, elas podem acontecer sob outras formas, sob pretextos diferentes dos tradicionais, e até desenhar-se nos bastidores das ideologias, à revelia das mesmas, que se constituem como simples linhas de rumo para a imposição de um sistema prepotente, hostil ou mesmo desumano de gestão dos recursos para além das pessoas, das populações que na prática os geram.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É esse o meu retrato da situação vivida em Portugal, como na Grécia, ou em qualquer país cujas circunstâncias o subordinem em demasia a um pulso de ferro financeiro que estrangula a economia até a exaurir e acaba a saquear os cidadãos, sem qualquer nojo perante a ruptura de pressupostos de confiança entre estes e os seus Estados que deveriam ser tidos como sagrados pelos seus eleitos e mesmo pelos seus credores em dado momento da História.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na verdade, uma tirania pressupõe um governo instituído de forma ilegal, o que, é certo, não se verifica por ter sido eleito, ou que seja ilegítimo, o que nesta altura é uma realidade factual perante o evidente divórcio entre eleitos e seus eleitores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, o abuso de poder torna-se cada vez mais evidente e vai aos poucos revelando os contornos da sua motivação, o móbil de uma actuação mais do que impopular: a inflexibilidade de um poder financeiro aparentemente insensível ao impacto das suas regras conjunturais na vida do cidadão comum e, numa fase a que agora assistimos, na própria essência do Estado que só faz sentido enquanto espelho de uma realidade colectiva e nunca como uma ameaça a direitos individuais que dela brotaram.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A legislação que, em desespero de causa, um Governo manietado por acordos e compromissos que parecem sobrepor-se aos legítimos interesses da população entende aplicar pode constituir, aos olhos dos governados, uma verdadeira traição quando viola os pressupostos de confiança que acima refiro e transforma o país numa fonte de pesadelo que já roubou o emprego a quase um quinto da sua força de trabalho e empurrou para o estrangeiro mais de um por cento da sua população em poucos anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E não há margem para flores: é de tirania que se fala, quando se priva alguém de rendimentos tidos como certos, as pensões de reforma, no final de vida de pessoas que cumpriram a sua parte no contrato com o Estado sem temerem que este, em qualquer circunstância, o pudesse renegar. Sobretudo numa altura em que para lá da sua subsistência a geração mais idosa se vê obrigada a acudir à da geração que a sucedeu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Envergonha-me, esta falta de honra, esta privação da dignidade imposta a quem acreditou que uma vida honesta de trabalho lhe garantiria um futuro de merecido sossego.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E sinto-a, não há volta a dar, como uma ditadura mansa, imposta pelo poder financeiro, que destrói pedra por pedra as bases do sistema democrático e do próprio Estado, corroendo-o com o descrédito das instituições, conspurcando-o com o desprezo pelas suas obrigações, impondo regras sem respeito pelas pessoas que fazem uma Nação como se esta pudesse dispensá-las.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito cada vez mais que estamos já no ponto sem retorno, nomeadamente pela ausência de perspectivas de um futuro melhor a curto prazo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E tal como na citação com que abro esta posta, estou receptivo a meios cada vez mais radicais que não apenas para combater esta forma de escravatura moderna, mas mesmo para aboli-la.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1692199.html</comments>
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  <category>direito à indignação</category>
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  <pubDate>Sat, 11 May 2013 00:59:07 GMT</pubDate>
  <title>A posta que isto já lá não vai com falinhas mansas</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691948.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;No visível desespero dos próprios apoiantes dos partidos da coligação que nos governa, cada vez mais desarmados para acudirem em seu auxílio e com a perda de audiências da presença televisiva de Sócrates a privá-los do renascer das cinzas de um culpado mesmo a jeito para a argumentação fácil, percebe-se o quanto as sondagens até acabam por não reflectir na sua verdadeira dimensão o esboroar absoluto da base de legitimação do actual Executivo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sejamos claros: já nem a malta de Direita acredita nas hipóteses de sucesso deste grupo heterogéneo de pessoas a quem o poder foi confiado nas circunstâncias que se sabe e de entre a mesma falta de alternativas que nos aguarda em futuros plebiscitos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Falha-lhes o talento para o jogo político, a credibilidade para a mobilização popular em torno das suas medidas bizarras e, em muitos casos, simplesmente cruéis, a consistência para consolidar uma imagem de força que colmate as várias debilidades da sua forma de controlar o poder e, acima de tudo (e nem quatro Poiares bem maduros conseguem apagar o rasto de imbecilidade deixado pelo inenarrável Relvas), falta-lhes a inteligência que nos poderia valer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de assente o pó da desilusão inicial, os portugueses agitaram-se e quase roçaram a revolta chegando a haver quem temesse uma nova Grécia nas nossas ruas. Claro que foi sol de pouca dura e depressa a população acabou enfraquecida pelo próprio efeito de uma governação desastrada e desastrosa que nos obriga a centrar atenções nas questões mais elementares da sobrevivência. Quase um milhão de desempregados mais outro milhão de reformados (com pensões sistematicamente alvejadas pelos &lt;em&gt;snipers&lt;/em&gt; da rapina estatal) a sustentarem famílias inteiras deixam pouca margem de manobra para a contestação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora, encravados entre um Governo muito incapaz e uma oposição pouco convincente, oscilamos no quotidiano entre o encolher de ombros resignado, a gestão &lt;em&gt;in extremis&lt;/em&gt; de recursos financeiros depauperados e os fenómenos quase diários de estupefação perante as asneiras, as tiradas idiotas e as medidas controversas (ou mesmo inconstitucionais) de que a Comunicação Social e o seu batalhão de notáveis desertores analistas, maioritariamente da mesma área política da quadrilha liderada por Passos Coelho, nos dão conta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O banana no topo do bolo é uma velha glória dos dias felizes do esbanjamento dos milhões que a Europa nos ofereceu como contrapartida para abdicarmos de boa parte do controlo económico sobre o país. O Presidente da República, esse colosso do anedotário político, deveria constituir a maior esperança para uma solução mas acaba por ser uma das faces mais evidentes do problema: a triste realidade de um poder meio senil que ameaça a Democracia, destruindo-a aos poucos neste caldo em lume brando, num banho-maria de impunidade despudorada, de desorientação mal disfarçada e de um esforço concertado de estupidificação das massas por todos os meios ao alcance da seita de chicos-espertos e de palermas instalados nos diversos poderes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entregues a uma corja de oportunistas e de mercenários, mergulhamos aos poucos nas trevas da lei da selva, do salve-se quem puder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E ninguém faz a mínima ideia do quanto neste período negro Portugal já deitou a perder.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>preocupações</category>
  <category>política e outros futebóis</category>
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  <pubDate>Thu, 09 May 2013 22:09:41 GMT</pubDate>
  <title>A posta que podia ser</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691865.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Podia ser um cavaleiro em armadura reluzente, cheio de heroísmo e a galope num unicórnio porque cavalo é coisa muito vista, a caminho do ponto de encontro com uma donzela em apuros e encurralada no torreão por um mau qualquer.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Podia ser um dragão, mas padece do mesmo problema do cavalo e o horror aos clichés acaba por prevalecer quando a imagem se desenha, ou se esboça (que dá um ar muito mais elaborado ao boneco) na mente equilibrada sobre uma pessoa sentada e a quem apeteceu escrever.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pois podia, e até dava pano para mangas se a pessoa enfatizasse o profundo drama humano implícito na condição de refém da moça indefesa (seria uma história muito antiga, pois elas hoje em dia frequentam aulas de defesa pessoal) ou, em alternativa, focasse a câmara imaginária no duro de serviço, o guerreiro destemido com a sua enorme coisa na mão (a espada, naturalmente, ou outra arma daquelas a sério que obrigavam os lutadores a enfrentarem os oponentes olhos nos olhos) ou o mau com o aspecto necessariamente medonho para que o outro, o herói, pudesse brilhar ainda mais no mérito da sua jornada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, séculos decorridos numa sucessão de histórias com enredos desta natureza esvaziam de sentido a abordagem medieval ao amor que enchia de coragem os peitos couraçados de jovens intrépidos a quem os tempos obrigavam a conquistar as suas eleitas à porrada porque as oportunidades escasseavam para lhes deitarem a mão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como as histórias de príncipes e de princesas que acabavam sistematicamente casados, felizes e cheios de infantezinhos, ou os contos de fadas que transformavam abóboras em coches e nunca se popularizaram em terras onde a fome não cessa de grassar, os relatos imaginados de jovens indómitos a galope enfiados em fatiotas de metal parecem apelos ao bocejo, sobretudo para quem os vê, a maioria dos de hoje, a empunharem o telemóvel para ligarem à polícia enquanto fogem a sete pés do sarilho em que a garina se meteu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Podia, é verdade, adaptar os cenários da fantasia tradicionais a pessoas muito actuais e inventar um cavaleiro gay capaz ainda assim de desancar sem piedade o malvado que quisesse fazer mal a uma amiga ou a uma irmã, ou caracterizá-lo como um cobardolas sem carácter a quem o mau da fita fizesse a folha e no epílogo teríamos apenas uma queca bem dada à donzela e depois até amanhã se Deus quiser, no fundo o mau até era bom e ela nem por isso curtia por aí além o bardamerdas forte na pala mas fraco na pila que lhe saíra na rifa num mero cruzamento de caminhos que, de resto, nem sempre favorece a personagem a brincar ou a sério e depois ela até tinha uma carreira fixe e divertia-se bué e filhos não estavam a dar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Podia ser isso, agora e aqui. Mas a liberdade criativa, chamemos-lhe isso para embelezarmos o gesto, é uma maluca e nunca se sabe para o que lhe dá quando dá de trombas com um espaço em branco para preencher, pode apenas embicar para um pacato mas inócuo e inconsequente e quiçá disparatado &lt;em&gt;tu cá tu lá&lt;/em&gt; com quem calhou ter o azar de aterrar aqui que, como bem sabem os passageiros frequentes, é terra de ninguém em matéria de linha editorial (oh yeah) e onde literalmente tudo pode acontecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E afinal uma posta sem mortos nem feridos nem desempregados nem reformados com pensões de miséria, nos dias que correm, acaba por ser sempre uma história com um final feliz.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691865.html</comments>
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  <category>filosofias sem ponta</category>
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  <pubDate>Sat, 04 May 2013 21:48:34 GMT</pubDate>
  <title>A posta alta num cavalo perdedor</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691564.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um gajo senta-se diante do monitor e nem sempre lhe apetece cumprir um qualquer ritual, como na televisão nem sempre nos apetece o mesmo canal, e depois dá-lhe para ir dar uma voltinha pelos corredores mais ou menos iluminados do casarão em que a net se tornou.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Naturalmente, que passados alguns anos sobre o advento da coisa isto da nostalgia também já pode acontecer em ambiente virtual, uma das tentações é a de sacudir o pó aos “favoritos”, essa ferramenta que tínhamos como imprescindível quando jovens e imberbes exploradores do fenómeno.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;E embora raramente nos dê para aí, é ponto assente que perdemos a vontade de tão cedo repetirmos a graça.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como qualquer pessoa que bloga desde o início da década passada, vivi os dias intensos da fase pós chat e pré facebook. A sede de comunicação era imensa e os computadores substituíam quase por completo as televisões que pouco ou nada transmitiam para nos prender a atenção. Passávamos horas diante do monitor, descobrindo nova gente e apreciando os talentos extraordinários (como nos pareciam) de desconhecidas/os, acabando cedo ou tarde por estabelecer contacto com as pessoas por detrás das realidades virtuais que nos esforçávamos por construir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era giro, admito, e mexia com uma pessoa. Era quase como um regresso à adolescência, pelas emoções de geração espontânea suscitadas por alguém cujo rosto, cuja voz, cujo género desconhecíamos e que nos surpreendiam pelo seu vigor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alma latina fazia-se sentir através de um computador, nas discussões acaloradas como nos flirts à descarada que partilhávamos com quem passou a viver parte da existência naquele mundo à parte que fomos construindo com a mesma expectativa de uma relação a dois, com a esperança da eternidade que qualquer paixão consegue alimentar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E isso aplicava-se a qualquer tipo de relação que nascia desse contacto distante que se transfigurava próximo pelo exagero nas revelações protegidas por um anonimato que aos poucos começou a desaparecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi essa a mudança que deitou tudo a perder. Jantares, convívios, encontros marcados sob a pressão da curiosidade que sempre matou gatos e na internet vitimou imensos corações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Amizades de aparência sólida e amores clandestinos de caixão à cova brotavam como cogumelos a partir das caixas de comentários, dos emails e do messenger, enxurradas de palavras sentidas e acreditadas que nos faziam presumir uma intimidade e laços tão fortes que o impulso da proximidade física acabou por vencer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sim, foi isso que deitou tudo a perder. Ou pelo menos arrefeceu o entusiasmo juvenil que nos prendia à cadeira, como hoje é fácil de constatar na triste decadência da blogosfera enquanto rede social e a que o facebook apenas deu o golpe de misericórdia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao vivo e a cores, há um brilho qualquer que se extingue e as emoções (como as imagens) artificiais sucumbem à verdade dos factos que os olhos nos olhos não conseguem disfarçar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os meus favoritos não passam de um extenso rol de blogues extintos ou ligados à máquina da teimosia dos poucos que como eu ainda vão aparecendo para fazer a cama e mudar os lençóis. Das pessoas que faziam o meu quotidiano virtual nos dias loucos de 2004 e foram entrando aos poucos na dimensão analógica restam apenas vagas memórias e um ou outro contacto esporádico, residual, distante como seria suposto neste ambiente. E isso abrange amizades “para a vida” como paixões que nos faziam chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, e nisso a vida tem sempre a última palavra, dou comigo a navegar pelos restos dos meus rastos dessa etapa que tanto coloriu a minha entrada na crise da meia-idade e a constatar o quanto de ilusório se constrói nestes canais de comunicação modernos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas no balanço desta nostalgia de pacotilha também descubro o pragmatismo que a passagem dos anos nos traz quando percebo que aquilo que me ocorre no final do périplo virtual é uma conclusão de SEO: o contacto pessoal com gente que bloga tem um preço a pagar, uma espécie de castigo para as nossas ilusões, e é a forma mais desastrada de dar cabo da popularidade dos nossos espaços virtuais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quem nos conhece pessoalmente e por algum motivo desatina é garantido que não nos linca mais.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691564.html</comments>
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  <category>instantes de lucidez</category>
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  <pubDate>Thu, 02 May 2013 22:45:16 GMT</pubDate>
  <title>Regresso</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691233.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=uIHikzegFCOD9YTTGp3c&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oed13640b/14932432_5g0wg.jpeg&quot; alt=&quot;regresso&quot; width=&quot;515&quot; height=&quot;352&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1691233.html</comments>
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  <category>oceanos</category>
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  <pubDate>Tue, 30 Apr 2013 11:12:34 GMT</pubDate>
  <title>Uma panela, depressão</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690900.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Água na fervura e deixa-se a coisa em lume brando, a ver se resolve. Mas apenas adia.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apenas prolonga a agonia no tempo, num ferver mais lento que continua a queimar o rastilho improvisado para atrasar a deflagração.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cada vez mais perto de explodir, a tampa prestes a saltar, pressionada pelo vapor da locomotiva escondida no interior de um espaço incapaz de a manter na linha, o descarrilamento ao virar da esquina, pouca terra, pouca terra, e demasiado caminho a percorrer em tão pouco tempo que falta para algo rebentar, um aneurisma ou coisa pior, e a água a ferver cada vez mais escassa no fundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todo o tempo do mundo, era aquilo que parecia, mas a ampulheta ameaça ficar vazia e ninguém a pode virar ao contrário para garantir o prolongamento, um lado quase cheio a um ritmo cada vez mais apressado, e a imagem em câmara lenta para fingir que tudo acontece mais devagar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas o comboio não pára de apitar no pipo da panela que grita a impaciência ou mesmo a dor que lhe provoca o escaldão, o pesadelo da evaporação acelerada da pouca água já queimada em demasia, o lume brando que só adia o momento do final inevitável, pouco tempo, pouco tempo, e demasiado perto da estação terminal que se aproxima a passos largos, à vista naquele horizonte cinzento, lá ao fundo, no céu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ferver está mais lento, mas a água já quase desapareceu.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690900.html</comments>
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  <category>urbano-depressões</category>
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  <pubDate>Mon, 22 Apr 2013 10:47:51 GMT</pubDate>
  <title>Somos o que somos porque sim</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690626.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Somos o que nascemos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aquilo que herdamos, o sangue de alguém. Um pai e uma mãe, mais uma linhagem qualquer. A família, antepassados. Genes que nos determinam, feita uma combinação com o acaso ou com Deus consoante queiramos acreditar. Somos o que nascemos, a estatística que nos faz saudáveis ou doentes, perfeitos como nos anseiam ou azarados logo à partida com um problema qualquer que nos possa condicionar daí em diante, diferentes como os outros mas condicionados por uma diferença a mais.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois crescemos e somos aquilo que bebemos de quem nos queira criar, a educação que nos orienta até à hora de sabermos quem somos mais o que queremos ser afinal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aquilo que aprendemos, as coisas que imitamos até ao dia em que entendemos melhor o papel que queremos assumir. Decisões que tomamos em função da forma como sentimos mais o que a razão nos aconselha, dentro dos limites impostos à nascença pelo conjunto de condições reunidas pelo destino, o nosso e o de quem nos sustenta e em nós deposita as suas expectativas e, por vezes, até as suas ambições por concretizar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somos o que decidimos, também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escolhas certas ou erradas que podem influenciar sobremaneira tudo aquilo que seremos então. Tudo isso mais o mundo à nossa volta, cheio de gente como nós cujos caminhos se cruzam com a rota que traçámos e tantas vezes alteramos para as alinharmos em função, moldamos aos poucos a viagem à medida de coisas tão aleatórias como a necessidade temporária ou, com muita sorte, o amor que nos dizem ser melhor quando eterno até nos apercebermos que as rotas paralelas se transformaram aos poucos em rotas de colisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pode acontecer dessa forma ou precisamente ao contrário, na lotaria que nos oferece números premiados como nos impõe a dado ponto os picos de desilusão. Pretextos para deixarmos cair sonhos antigos ou para aceitarmos como causas perdidas as certezas arrogantes de um tempo em que nos acreditávamos capazes de tudo e a felicidade surgia no horizonte como um sol livre do ocaso ou dos temporais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somos o que nascemos mais tudo o que cada pessoa é capaz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas também somos o que vivemos e por isso tudo aquilo que sejamos será sempre muito do que a vida nos faz.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690626.html</comments>
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  <category>todo aberto</category>
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  <pubDate>Wed, 17 Apr 2013 22:37:42 GMT</pubDate>
  <title>(LIS)BOA TODOS OS DIAS</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690531.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=5hZcVr2Yck7BdlS2CULh&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oc4148fe2/14876008_zEbJC.jpeg&quot; alt=&quot;pequeno rei&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;596&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690531.html</comments>
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  <category>a minha lisboa</category>
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  <pubDate>Mon, 15 Apr 2013 13:46:35 GMT</pubDate>
  <title>A posta na vida de saltos rasos</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690208.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Parto sempre do princípio de que textos publicados em jornais de referência, seja em edição online ou em papel, gozam de um pressuposto de credibilidade e de seriedade sustentados também no critério de selecção dos respectivos escribas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por isso mesmo, dou o peito às balas (que é como quem diz &lt;em&gt;os olhos às palavras&lt;/em&gt;) sem os mecanismos de protecção que emprego, por exemplo, neste meio alternativo que é a Blogosfera. Ou seja, leio o que é publicado por títulos como o Expresso com a confiança típica do consumidor crente numa chancela.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Contudo, essa abordagem não me resguarda de potenciais erros de casting ou apenas de lacunas na filtragem de conteúdos e depois sou apanhado nas curvas por pérolas &lt;a href=&quot;http://expresso.sapo.pt/avidadesaltosaltos&quot;&gt;destas&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tema é apelativo, quase diria sedutor, para um esqualo da velha escola, do tempo em que nós gajos tínhamos a fama e elas o proveito nessa matéria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dei por isso a máxima atenção possível ao texto da jovem Marta Ramalho, convicto de que iria confrontar-me com a visão moderna, com a perspectiva esclarecida de alguém que terá aprendido com as lições do passado (os &lt;em&gt;don juans&lt;/em&gt; e os &lt;em&gt;casanovas&lt;/em&gt; citados) e acrescentaria algo de novo (os múltiplos exemplos de sedutores sem pila, menos célebres e mais pragmáticos), nomeadamente a lucidez de quem percebe que à evolução do tempo corresponde &lt;a href=&quot;http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/sedutora-leva-vitima-a-ruina&quot;&gt;a obsolescência de muitos estereótipos&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tal texto da Marta até tenta, aqui e além, tapar o sol da evidência com a peneira da aparente mistura de géneros no mesmo saco de “vampiros de afectos”. No entanto, a descrição do perfil dessa gente narcisista e com pavor ao compromisso assenta de forma inequívoca e descarada no protótipo masculino mais generalizado. O macho da espécie, como é fácil constatar numa observação desatenta do discurso corrente, assenta como uma luva na definição que a Marta estampa no seu texto e só os/as mais desatentos/as não intuem de imediato aquilo que a alusão introdutória a personagens masculinos, consagrados da sedução, sem contraponto do género oposto (mata haris e assim), pretende garantir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O texto da Marta é apenas mais uma versão sonsa do eterno (mas cada vez mais injustificado) separar das águas em matéria de agressores/agredidas por esses maus que as pintam como princesas sem qualquer intenção de as coroarem no futuro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No fundo, é apenas mais do mesmo na sistemática diabolização dos fulanos que dantes as desonravam e agora apenas abandonam depois de conquistadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Claro que a Marta se esforça na modernização do cliché, deixando no ar uma vaga miscigenação dos géneros no bando de sugadores de jugulares emocionais, mas a Marta não é parva (se o fosse não escrevia para o Expresso) e a maioria dos leitores (e leitoras) bebe facilmente a mensagem de fundo que nos remete para um estilo e uma actuação que ainda hoje vestem na perfeição o género masculino, por muito que seja mais que óbvia a troca de papéis nesse particular ao ponto de já haver quem deixe escapar alguma saudade desses dias em que os homens (ainda assim numa confrangedora minoria) dominavam a arte da sedução enquanto hoje elas se sentem negligenciadas pela ausência dos tais habilidosos que as seduziam e hoje apenas as fazem bocejar numa sucessão infindável de cedências a males menores, a soluções de compromisso para evitarem as privações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que a Marta parece não querer enfatizar é o cariz de reciprocidade na questão da auto-estima, relegando para segundo plano a das pessoas (sem pila) seduzidas em detrimento dos temíveis amantes do efémero que as enganam, presume-se que com falsas expectativas de amores eternos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que a Marta parece não querer deixar claro é que quando a corda ameaça partir é porque existe gente a segurá-la com força em ambos os extremos.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690208.html</comments>
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  <category>amor e sexo</category>
</item>
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  <pubDate>Tue, 02 Apr 2013 10:48:38 GMT</pubDate>
  <title>Obsolescência planeada: o lucro fácil undercover</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690094.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É impossível não reparar no facto de a minha máquina de lavar roupa, com mais de 20 anos, ainda cumprir o seu papel na perfeição enquanto a da louça, a caminho do seu terceiro aniversário, já ter precisado de várias intervenções técnicas para manter o seu desempenho medíocre.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Isto a propósito também de um documentário ontem transmitido pela SIC Notícias a uma hora de baixa audiência acerca de um fenómeno chamado obsolescência planeada que, de resto, é apenas mais um indicador do quanto as empresas se tornam aos poucos numa ameaça séria. E já não somente para o bom senso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;&lt;em&gt;obsolescência planeada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, resumindo, é um expediente utilizado no fabrico de equipamentos de grande consumo para que estes durem menos tempo do que poderiam e deveriam. Dos exemplos oferecidos no dito documentário destaco um de um condensador xpto alegadamente inventado pela Samsung para em simultâneo reduzir o tempo de funcionamento dos seus LCD e impedir a respectiva reparação (por se tratar de componente exclusivo e impossível de substituir). Mas parecem não faltar exemplos desta iniquidade que para muitos se compreende à luz do funcionamento da economia, embora eu não consiga interpretar a coisa como algo diferente de um gigantesco embuste para rentabilizar a inércia dos consumidores papalvos em que o mercado é fértil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando falo em ameaça, tendo em conta os milhões em causa, recordo a atitude cada vez mais hostil por parte das grandes corporações quando instadas a propósito destes esquemas marados de pura intrujice. Se forem consumidores atentos e persistentes ao ponto de recorrerem a tribunais com as evidências do logro, as empresas compram-lhes as almas para assim os dissuadirem. Mas a coisa engrossa quando se trata de jornalistas e disso o tal documentário dá bem conta (deixando de fora a pressão que os gigantes da indústria podem exercer sobre as redacções quando possuem um estatuto de anunciantes poderosos nos media que os submetam a trabalhos de investigação comprometedores para a imagem de glamour que a publicidade se esforça por criar).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E quando falo de embuste falo de ameaça também, pois o consumidor acaba por &lt;em&gt;esmifrar&lt;/em&gt; a existência para sustentar os vícios de um tecido empresarial mal habituado a lucrar com base no pressuposto de que os fins justificam os meios e determinado em enraizar o conceito de que tudo isso é normal no regular funcionamento do mercado que, como se sabe, é cada vez mais voraz nos seus apetites&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrúpulos, ética ou moral são termos de um passado empresarial já quase perdido no tempo, tornados obsoletos pela combinação da falta de brio e de vergonha de empresários &lt;em&gt;obrigados&lt;/em&gt; a satisfazerem accionistas ou apenas para sustentarem os seus próprios excessos sem olhar à indignidade subjacente a esta vigarice global que mesmo estando na moda não podemos permitir branqueada na sua essência ignóbil.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1690094.html</comments>
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  <category>direito à indignação</category>
</item>
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  <pubDate>Mon, 01 Apr 2013 21:25:05 GMT</pubDate>
  <title>Saudade do Verão</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689666.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=kRnW0k2TNvHqKkk22PR7&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oe3131a32/14811352_Q201z.jpeg&quot; alt=&quot;ouro no areal&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;594&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689666.html</comments>
  <lj:replycount>2</lj:replycount>
  <category>oceanos</category>
</item>
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  <pubDate>Mon, 01 Apr 2013 00:04:48 GMT</pubDate>
  <title>Alguém já reparou?</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689395.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Ainda não disse aqui uma palavra acerca da entrevista ao sócras. É de homem, porra.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689395.html</comments>
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  <category>grandes questões da humanidade</category>
</item>
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  <pubDate>Mon, 01 Apr 2013 00:53:25 GMT</pubDate>
  <title>A posta que agora envelheci</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689319.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Existem emoções tão fortes, tão inconvenientes ou simplesmente tão despropositadas que em dados momentos quase nos obrigamos a anestesiá-las.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A vida, sobretudo quando se complica, confronta-nos com essa necessidade absoluta de, no mínimo, aprendermos a dosear qualquer exibição do sangue que nos ferve por dentro e precisamos conter na sua sede de explosão.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;E a vida sabe como criar as condições para nos deixar no colo as situações, boas e más, que moldam algo a que se convencionou chamar de experiência de vida ou maturidade ou qualquer outra alternativa ao macaco e respectivo calo no cu.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tempos atrás entraria em detalhes. Numa primeira fase por acreditar de forma ingénua que isso interessaria a alguém e depois por me ter convencido, de forma imbecil, que a exposição pública seria argumento determinante de entre os que, à época, trazia gente a este espaço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora dispenso-os, tanto pela irrelevância para os outros como pelo respeito para comigo mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De resto, do quanto os dramas pessoais de terceiros provocam algum tipo de reacção nos chamados seguidores das redes sociais (e eu também visto essa pele) fiquei recentemente conversado em episódio que me ilustrou o quanto não existem atenuantes para os maus momentos, em quaisquer circunstâncias, quase pelo mesmo motivo que leva os bons momentos a não implicarem quaisquer troféus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somos aquilo que somos e não vale a pena o esforço investido na maquilhagem dessa essência que acaba por transbordar, bastando uma cedência ligeira a uma ou mais pressões que nos diminuam a resistência e/ou a concentração indispensáveis para conseguirmos distinguir os dias inapropriados para a interacção e lá estamos, de costas no chão, à mercê da implacável punição. E essa pode vir sob a forma de uma consequência negativa na nossa relação com os assuntos como com as pessoas, na vida lá fora como nestes ambientes virtuais que cada vez menos me prendem a atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso nos vemos forçados a limitar ao máximo a informação acerca de quem somos e ainda mais qualquer demonstração das nossas lacunas e fraquezas, sendo certo que dos fracos não reza a história e que em tempo de crise resta de nós muito pouco para oferecer aos outros, nomeadamente no que respeita à sensibilidade, à paciência ou apenas ao saco para aturar dramas alheios ou apenas para tê-los em conta num contexto infeliz de alguém.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso vou aos poucos deixando morrer a minha intervenção neste blogue como, aliás, o faço em qualquer outro meio. Não tenho vontade de dizer demais nem a vida me autoriza a fazê-lo, desarmado que me encontro perante as consequências possíveis de um momento demasiado revelador. E não tenho energia para buscar alternativa (e consolo) na criatividade da ficção que me ofereceria de bandeja um meio de expurgar os meus medos, os meus anseios, as minhas aflições, mas também de extravasar as minhas esperanças, as minhas vontades ou, acima de tudo, as minhas emoções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isto para dizer o seguinte, assumindo a aparente cobardia implícita mas que, bem vistas as coisas, não passa de um mecanismo de defesa próprio de quem não quer nem precisa de maçar os outros e estes a mim, nesta fase complexa que preciso de enfrentar com o máximo de solidez: sempre que se imponham pedidos de desculpa meus, é quase certo que implicam igualmente algum tipo de adeus. &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1689319.html</comments>
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  <category>ambiente pesado</category>
</item>
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  <pubDate>Tue, 26 Mar 2013 23:46:40 GMT</pubDate>
  <title>Saudade do Verão</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688950.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=HswBVZAVqHvAhYbUbP5R&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o0113242f/14784903_MErik.jpeg&quot; alt=&quot;zona perigosa&quot; width=&quot;515&quot; height=&quot;386&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688950.html</comments>
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  <category>oceanos</category>
</item>
<item>
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  <pubDate>Sun, 24 Mar 2013 15:38:55 GMT</pubDate>
  <title>A posta numa alternativa biruta</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688734.html</link>
  <description>&lt;p&gt;O porta-voz do PS falou hoje na tv e reafirmou a apresentação de uma moção de censura ao Governo na próxima semana. Por mim, tudo bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, o mesmo porta-voz do PS confirmou o pressuposto de que os socialistas só tencionam chegar ao poder por via eleitoral. Consigo respeitar essa posição, embora me soe estranha no contexto de aflição nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a cereja no topo do bolo, aquele pormenor que há sempre um que me faz perceber que de política não percebo nada, é que o PS justifica a sua moção de censura como uma forma de exigir um governo diferente do actual, presumo que nas pessoas como nas políticas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aí eu fico a olhar como o boi para o palácio enquanto rumino a minha incompreensão:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“&lt;em&gt;então mas se uma moção de censura visa, para todos os efeitos, derrubar determinado Governo e o PS reclama precisamente um novo Executivo (que só pode, sem eleições, ser de nomeação presidencial e terá que ter em conta a actual composição parlamentar para criar uma base de apoio sólida e que não pode contar com o PS que só quer o poder como resultado eleitoral), então o PS vai apresentar uma moção de censura para pressionar o Cavaco (o Cavaco!!!) e criar as condições para que se possa empossar um novo Governo de Direita constituído por pessoas da confiança do Presidente?&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688734.html</comments>
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  <category>política e outros futebóis</category>
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  <pubDate>Sat, 23 Mar 2013 16:20:45 GMT</pubDate>
  <title>A posta nos mal A(r)mados</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688410.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É tudo muito bonito quando pensamos a Democracia e a queremos acreditar indestrutível por ser o mais perfeito dos regimes que conhecemos ou experimentámos na pele até à data. Contudo, seja democrático ou ditatorial, qualquer regime só perdura não enquanto tiver o controlo da respectiva população mas sim durante o tempo que durar o seu estado de graça junto das estruturas militares ou militarizadas que o possam assegurar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço e outras figuras de menor destaque mediático ligadas à s hierarquias militares engrossam o discurso e agitam o papão do golpe militar, da tomada do poder à bruta, a maioria das reacções são de escárnio perante as pessoas e suas aptidões e não de análise acerca das respectivas motivações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os militares fizeram o 25 de Abril de 1974 ou ainda estaríamos hoje, povo de indecisos, a ponderar essa opção para derrubar um regime caduco qualquer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sim, havia uma resistência, uma minoria de antifascistas que se submetia à clandestinidade, ao exílio, à tortura ou apenas à indiferença dos seus pares num poder nada democrático que lhes dava voz apenas por comiseração ou por dar jeito um grupelho dissonante para transmitir uma fragrância de liberdade ideológica e de expressão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, a maioria silenciosa, o rebanho, aturava como uma lei fundamental todos os abusos que o formato do Estado Novo fomentava com a imposição de uma estrutura assente em hierarquias sociais bem definidas, a um esquema quase feudal de gestão de um colectivo feito de indivíduos dependentes da sorte ou do azar no berço e, acima de tudo, da sua habilidade para se tornarem úteis à implementação de um qualquer modelo de autoridade que pudesse beneficiá-los e/ou aos seus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agora passo à parte da definição de prioridades de um novo rebanho, mais instruído mas nem por isso necessariamente mais esperto ou mais capaz de distinguir o certo e o errado, aquele que passa ao lado de episódios como o que motiva esta posta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um tenente do Exército Português foi detido por ter levado ao Laboratório Militar, para análise, uma amostra de comida estragada que alguns soldados se recusaram comer. &lt;a href=&quot;https://cld.pt/dl/download/33fc34b2-d944-4868-972e-9706c3b51307/2013.03.23%20Den%C3%BAncia%20sobre%20bacalhau%20com%20broa%20nauseabundo%20custa%20deten%C3%A7%C3%A3o%20a%20tenente.jpg&quot;&gt;Podem ler os detalhes aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A decisão do Tribunal Administrativo que confirmou o acerto de tal punição assenta na pretensa deslealdade do tenente Gonçalo Corceiro perante os seus superiores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tomou a atitude certa mas não respeitou os códigos internos, a hierarquia, as regras que no entender daquele tribunal prevalecem sobre a constatação pura e simples dos factos: o tenente fez aquilo que tinha que ser feito, algo que a lógica diz dever prevalecer sobre quaisquer imposições de feudos mais ou menos institucionais e quem aplica as leis entendeu sobrepor a isso a violação dos tais preceituados militares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O rebanho, tão lesto a peticionar contra a liberdade de expressão ou o abate de animais assassinos, nem reparou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se no parágrafo inicial fiz alusão ao mal-estar de que alguns militares vão sendo porta-voz e no segundo referencio o efectivo poder de que aquela estrutura usufrui para intervir, bem ou mal, sobre os nossos destinos, no terceiro chamo a vossa atenção para o facto de o absurdo poder gerar as condições para uma revolta que, acontecida no seio de quem detém as armas, nunca se sabe as proporções que pode assumir. Esse absurdo tanto pode provir de uma decisão judicial, porquanto acertada do ponto de vista formal, como do somatório de decisões absurdas por parte de um poder político legítimo do ponto de vista dos procedimentos democráticos mas tão errado como a História, portuguesa e mundial, já provou ser passível de acontecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O medo de uma intervenção militar, quiçá oportuna no entender de alguns mais desesperados mas sempre de último recurso para quem abraça a democracia e teme a imposição seja do que for pela força das armas, acaba por ser secundário perante as consequências da falta de razoabilidade nas decisões tomadas, a nível político ou judicial, a dissonância entre estas e a lógica que preside ao modelo de sociedade que (quase) todos defendemos e, acima de tudo, à indiferença generalizada para com todos estes sinais de uma insanidade colectiva que está a contribuir sobremaneira para um verdadeiro livre arbítrio por parte da elite com acesso a qualquer poder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E agora esse desgoverno está a atingir patamares tão baixos que já destruiu a consciência crítica dos cidadãos, incapazes na sua maioria de prestarem sequer atenção aos sinais da demência que nos corrói a Nação pelos seus alicerces que incluem, na minha opinião, coisas tão elementares como um conceito de justiça universal que se sobreponha sem hesitar às regras de qualquer instituição que dela faça parte quando estas contrariem, em questões tão elementares como a saúde pública dos cidadãos, a ética e decência de que tantos suspiram a ausência e a apontam como um mal mas muitos mais (e tantas vezes os mesmos) tornam irrelevantes por não lhes prestarem a devida atenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rendo aqui homenagem ao tenente Corceiro, ao cidadão Gonçalo, na proporção inversa ao que me apeteceria aqui dizer acerca dos que viram a cara para outro lado neste tipo de injustiças quando esse outro lado não passa de um conjunto de miragens e de fugas superficiais vocacionadas para entreter os cobardes e os acéfalos que preferem fazer de conta que nada há a fazer de concreto para combater a decadência moral que está a matar pela raiz a própria civilização ocidental e, sem dúvida, o seu próprio país.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>preocupações</category>
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  <pubDate>Thu, 21 Mar 2013 17:14:24 GMT</pubDate>
  <title>A posta no cultivo das petições imbecis</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688177.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Admito que estou a prestar mais atenção à balbúrdia cipriota em que a (des)União Europeia se meteu, mas quando percebo nas redes sociais e no impulso neo-peticionista uma reacção histérica, uma “proibição” generalizada a um comentador televisivo, seja qual for, começo a temer o pior em termos de apreço pela Liberdade de Expressão (entre outras) numa população cada vez mais óbvia nos sintomas de uma espécie de demência mansa mas nem por isso menos ameaçadora.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez seja um dano colateral da crise, mas os impulsos primários de milhares de cidadãos portugueses são assustadores e denunciam um de dois problemas: ou a malta está mesmo toda a passar-se ou para além de valores cruciais como a dignidade, a honra e similares perdeu-se também o sentido do ridículo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A reacção desproporcionada de milhares ao anúncio da entrada de Sócrates na RTP na qualidade de comentador foi tão hostil que mais parecia que se tratava de uma ocupação bélica dos emissores para abrir caminho à (re)tomada violenta do poder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Sócrates é nesta altura um comentador político tão habilitado (sim, eu topei esse sorriso manhoso) como qualquer dos vários – na maioria conotados com o espectro político oposto – já em funções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qualquer que seja a opinião dos outros a seu respeito tem todo o direito a expressar a sua. Se tinha pecados políticos expurgou-os nas urnas, derrotado como foi, substituído pelo que se vê. Se tinha pecados criminais expurgou-os na barra dos tribunais e nem uma condenação, uma pena ligeira para mitigar a fúria do povo, se aproveitou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse caso, quem tem o direito de exigir à RTP que desista dessa escolha? E a que pretexto?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Só me ocorre um e é dos mais repugnantes, pois indicia uma mesquinhez quase fascista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E todos conhecemos a qualidade das colheitas obtidas a partir dessas sementeiras de pura estupidez.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>política e outros futebóis</category>
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  <pubDate>Sun, 10 Mar 2013 14:52:57 GMT</pubDate>
  <title>Mixed feelings</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1688024.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=Y70v8LHsqJHlHY6upygv&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oe113e13f/14716449_COaKI.jpeg&quot; alt=&quot;mixed feelings&quot; width=&quot;515&quot; height=&quot;386&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>céus</category>
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  <pubDate>Wed, 06 Mar 2013 01:12:51 GMT</pubDate>
  <title>Rui Moreira ou não, soube merecer o que se segue</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687580.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;sign&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;span class=&quot;author&quot;&gt;Sem ter forma de confirmar a autenticidade do comentário que seguidamente reproduzo, nomeadamente em matéria de autoria do mesmo, arrisco pressupor que se tratará do visado na minha posta anterior. E ainda que assim não seja, existem algumas vacas sagradas neste blogue e uma delas é a de respeitar o direito de qualquer pessoa ou instituição citada nos meus textos a ver publicada a sua reacção com idêntico destaque ao do texto que a motivou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;Respeitando a elegância da reacção em causa, inibo-me de contra-argumentar nesta ocasião. Não é esse, de todo, o objectivo desta posta e chamo por isso a vossa atenção para a reprodução na íntegra da que presumo seja a argumentação de Rui Moreira e que desde já agradeço.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;span class=&quot;author&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class=&quot;author&quot;&gt;-//-&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class=&quot;author&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;cauthor&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class=&quot;author&quot;&gt;rui moreira&lt;/span&gt; a 5 de Março de 2013 às 14:44&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;em&gt;Meu caro, algumas imprecisões, respeitando a sua opinião. Quanto ao apoio de Pinto da Costa, está distraído. ele apoia LFM, quanto à democracia directa, eis o que escrevi no meu livro Ultimato: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A democracia inventou o sistema representativo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que, não sendo perfeito, é seguramente melhor do que&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;qualquer dos outros de que se tem conhecimento. Claro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que as novas tecnologias desafiam a nossa imaginação, e&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;há quem acredite que no futuro será possível encontrar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;formas referendárias de participação imediata. Essa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;forma de participação comporta, no entanto, riscos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;muito elevados que a sociologia explica. A democracia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;directa, que tem sido ensaiada em referendos e em&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;petições, é presa fácil dos demagogos e, por isso, um&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;terreno fértil para as ditaduras.Há, no entanto, óbvias razões que recomendam&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que se aperfeiçoe o sistema representativo em função&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de critérios razoáveis e democráticos, respondendo-se&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;assim aos anseios da população. O aprofundamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;da democracia exige que se contrarie o desamor dos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;cidadãos pela política. Não se trata de reinventar a&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;política, que é uma ideia pretensiosa, mas de aproximar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a política da cidadania, de recuperar o debate ideológico,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de responsabilizar os políticos pelas suas promessas, de&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;os aproximar dos seus eleitores, através de uma relação&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;entre o eleitor e o eleito que não se expresse apenas no&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;momento em que se deposita o voto na urna.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você pode discordar, e reconheço que tentei simplificar o argumento no programa de televisão, como por vezes é necessário em televisão, mas não me tome, apenas, por comentador de futebol. É um pouco snob... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;aceite um abraço do &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rui Moreira&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Aceito e retribuo, claro.&lt;/div&gt;</description>
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  <category>direito de resposta</category>
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  <pubDate>Tue, 05 Mar 2013 00:32:44 GMT</pubDate>
  <title>A posta na democracia indirecta dos recém-chegados de fora do sistema</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687457.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Gosto sempre de prestar atenção aos figurões que se afirmam alheios à política mas avançam na mesma como candidatos eleitorais.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É o caso de um apregoado independente, Rui Moreira, que surgiu na Invicta como uma espécie de lufada de ar fresco à Direita (a doce brisa do Rio) para contrapor ao curioso mas incompreensível candidato socialista e ao mau da fita, o eterno Luís Filipe Meneses.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estes figurões mediáticos, sempre sustentados por um qualquer poder (no caso concreto existem claros vínculos clubistas e pode pelo menos pressupor-se a simpatia de um Pinto da Costa por eventual eleição de Moreira), surgem de repente na cena (não) política invocando precisamente a sua relação urticária com os partidos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consigo entender a distância de Rui Moreira relativamente ao fenómeno político-partidário, do qual também me afastei anos atrás, e não sendo esse o motivo que me leve a olhá-lo com alguma cautela é sem dúvida um factor acrescido para nele prender a minha atenção: precisamente porque são estes arrivistas os menos fiáveis &lt;em&gt;à priori&lt;/em&gt; de entre os elegíveis para cargos de maior relevância em qualquer democracia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A nossa, fragilizada pelo que se sabe, encontra-se escancarada a este tipo de paladino da imagem impoluta do cidadão ainda por conspurcar pela máquina hedionda de estragar pessoas em que os partidos políticos facilmente se pintam aos olhos de gente a passar privações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A atenção que presto a estas pessoas &lt;em&gt;xpto&lt;/em&gt; permite-me topar com facilidade as suas incoerências, as suas inconsistências e, esses são de caras, os seus momentos de desatenção imbecil. Sim, imbecil. Não é novidade na cena política e é ainda mais fácil de encontrar nestes candidatos sem tarimba na língua para evitarem confusões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este Rui Moreira, um homem cheio de predicados na sua vertente empresarial, parece uma pessoa válida, daquelas que Portugal procura como pão para a boca para colmatar as brechas em matéria de liderança. E acredito que o seja, no meio em que se movimenta e, por exemplo, enquanto comentador em programas acerca de futebol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O lance da grande penalidade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todavia, a um candidato a cargos importantes é legítimo exigir alguma bagagem em termos de ponderação. Foi essa que falhou a Rui Moreira quando, no meio de um programa da RTP (Economix), veio à baila o assunto das eleições em Itália e a reacção do putativo candidato foi espontânea. Talvez demasiado, quando se falou do Grillo que deixou em pânico a classe política desta Europa unida em torno de um vulcão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aparte o desdém pelo humorista (como se fosse coisa que se pegue), saltou-me à vista o seu comentário abalizado (de autor de um livro acerca do tema) a propósito da democracia directa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem de comentário se pode apelidar, mas a intervenção do senhor que não é um político nem admite qualquer tipo de filiação partidária resume-se no seu exemplo ilustrativo do que entende por democracia directa: &lt;em&gt;a ideia é as pessoas votarem em casa, pelo Facebook, e agora imagine-se que apanham um homicida de crianças e é colocada a questão: acha que este bandido deve ser condenado á morte? E a pessoa, de forma instintiva, tende a votar a favor&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para não me alongar nem pego pela imbecilidade mais óbvia, a do recurso ao exemplo extremo e impraticável, pelo menos fora de um contexto de absoluto caos no qual da Constituição da República se fizesse tábua rasa. Pego sim pela queda desamparada do demagogo na tentação de equiparar os eleitores a criaturas destituídas de inteligência, de bom senso e de capacidade de decisão. É isso que está implícito na figura do tal votante por impulso, movido apenas pela fúria vingadora do &lt;em&gt;Neandertal&lt;/em&gt; a quem a democracia representativa até permite seleccionar de entre uma elite com capacidade superior alguém que fale e decida por si.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se Rui Moreira vier a ser o Presidente da Câmara do Porto, por livre escolha dos eleitores a quem o próprio não confiaria nem uma decisão jurídica (fantástico, num Estado de Direito, mesmo com uma democracia directa, este conceito tão radical) até eu ficarei na dúvida relativamente à pertinência dessa sua opinião.&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687457.html</comments>
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  <category>política e outros futebóis</category>
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  <pubDate>Sun, 03 Mar 2013 18:54:05 GMT</pubDate>
  <title>(LIS)BOA TODOS OS DIAS</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687077.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sharkinho/fotos/?uid=bZgWBSPT4TBkgHGOvsI7&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o50130aa0/14687192_i3nJZ.jpeg&quot; alt=&quot;um azul diferente&quot; width=&quot;440&quot; height=&quot;593&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Shark&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687077.html</comments>
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  <category>a minha lisboa</category>
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  <pubDate>Wed, 27 Feb 2013 16:41:29 GMT</pubDate>
  <title>A posta que o futuro imediato é uma desconcertante incógnita</title>
  <author>shark</author>
  <link>http://charquinho.blogs.sapo.pt/1687034.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sempre que se coloca a questão de como dar a volta à situação que o país atravessa esbarro numa parede que o raciocínio impõe e dou comigo num beco sem saída.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em causa está a relação entre a dimensão do problema, nomeadamente do ponto de vista financeiro, e o leque de alternativas disponíveis num cenário eleitoral.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quando vejo cidadãos mobilizados para as diferentes formas de luta que uma democracia digna desse nome nos faculta entendo perfeitamente as suas razões e, em mais do que um momento, sinto-me compelido a também fazer qualquer coisa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O problema, e é aqui que de repente me vejo no tal dilema, está na nítida sensação de que derrubar o actual governo (e é esse o mote de todas as manifestações populares acontecidas ou por acontecer) pode confrontar-nos apenas com cenários ainda mais complicados no contexto da aflição generalizada, como o exemplo italiano cuidará de comprovar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cruzar os braços é sempre uma opção impossível perante a progressiva degradação do tecido empresarial e respectivo impacto no número de gente desempregada que pode apenas recorrer aos mais próximos para se valer e também a maioria desses sente na pele o efeito da austeridade. O consequente efeito bola de neve arrasta até a geração dos avós para o turbilhão e a em termos sociais o país começa a acumular tensões indisfarçáveis que só não eclodiram ainda como o caos nas ruas porque olhamos para os gregos e percebemos que nem essa hipótese resolve seja o que for.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, todos sentimos que urge fazer algo e com a máxima urgência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As opções que nos restam limitam-se a males maiores. A desordem não serve. Eleições antecipadas não resolvem. Não há dinheiro e devemos milhares de milhões, pelo que a dependência externa é total e não é realista equacionar a saída do Euro ou a desresponsabilização relativamente aos compromissos assumidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Perante isto, o que fazer?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É aqui que ninguém apresenta sugestões minimamente consensuais. Toda a gente consegue apontar culpados e exigir a respectiva responsabilização. Contudo, nesse lote incluem-se os maiores partidos e só uma minoria leva a sério as opções que restam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um novo partido, alheio aos já existentes e livre das várias cargas pejorativas, surge no horizonte como a única hipótese no âmbito do sistema democrático que o bom senso recomenda e a racionalidade impõe. Uma alternativa distinta das já existentes, capaz de congregar vontades em torno de um projecto simultaneamente realista e milagreiro, seria nas conjecturas de muitos de nós a aposta ganhadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas no meio do furor demagogo que a desorientação facilita, quem nos garante que não estaremos a investir numa solução sem pernas para andar ou que, como no exemplo italiano que acima referi, não consiga mais do que tornar-se num estorvo à possibilidade de constituição de uma maioria parlamentar capaz de sustentar uma solução governativa estável?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como baratas tontas, acabamos quase todos paralisados perante tantas dúvidas (legítimas) e o tempo esgota-se ao sabor dos caprichos de cada um dos países de uma União Europeia refém de si própria e do efeito dominó de uma crise em roda livre, sem o amparo federalista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim, e caso queiramos insistir na democracia como opção (não existe outra), só mesmo através da criação de novos partidos, movimentos de cidadãos e quaisquer formas de mobilização organizada de cidadãos poderemos alimentar a esperança no surgimento de uma nova ideologia com propostas exequíveis ou, no mínimo, de alternativas credíveis de liderança.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>preocupações</category>
  <category>política e outros futebóis</category>
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