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  <title>Nicolae Santos</title>
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    <name>Nicolae Santos</name>
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  <updated>2013-01-01T20:59:15Z</updated>
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    <issued>2013-01-01T20:32:01</issued>
    <title>Waterfalls</title>
    <published>2013-01-01T20:59:15Z</published>
    <updated>2013-01-01T20:59:15Z</updated>
    <content type="html">Butch Cassidy e Sundance Kid são perseguidos e cercados pelo exército Boliviano e acabam em frente a uma cascata, com duas opções bastante simples à sua frente, ou são apanhados e mortos, ou saltam. A cascata tem uma altitude de uns 200 metros e enquanto debatem o que fazer, um dos dois (não me lembro qual) manifesta a sua preocupação porque se saltarem ele não sabe nadar. O cómico da situação escapa a muitos, mas para muitos outros a conclusão é óbvia e só apetece gritar-lhe aos ouvidos "Oh meu imbecil, é a queda que te vai matar"!&lt;br /&gt;As quedas de água, apesar de darem origem a paisagens bonitas, não são os locais mais agradáveis para se cair. A paisagem é irregular e as rochas salientes mais que muitas. A morte é praticamente garantida ainda antes do corpo beijar a água que o espera. É mais ou menos o que se passa nas quedas que damos na vida. Estamos sempre preocupados com o que nos acontecerá no final da queda, e esquecemos-nos olimpicamente que muitas das vezes são as quedas em si que acabam connosco. Todos nós temos limites que, apesar de muitas vezes os ignorarmos ou fazermos de conta que não existem, a realidade é que eles estão lá. É verdade que muitas vezes quando somos verdadeiramente testados descobrimos que aguentamos muito mais do que aquilo que pensávamos, mas pretender resistir sempre a tudo sem marcas ou cicatrizes é uma das mais perigosas arrogâncias, ou seja, é a minha preferida.&lt;br /&gt;Desta vez, no entanto, é diferente. Não sei se é da idade se de uma progressiva e irritante descrença, não sei se são alguns sonhos que foram caindo pelo caminho que começaram a apodrecer, como escreve o Paulo Coelho, e que transformaram a minha alma (se é que a tenho) numa manta de necroses. Pode ser simplesmente cansaço, muito, muito cansaço. Certo é que sou vítima de um feitio por natureza insatisfeito que faz com que procure sempre o melhor. Não me satisfaço com pouco, quero mais e melhor, na amizade, nos sentimentos, nos livros, músicas, relações e experiências. Pode parecer bom para alguns, mas outros sabem os riscos que isto carrega. Há uma continua e desgastante incapacidade para aceitar o típico "está bem assim, não mexas mais". Ouço amigos explicarem-me porque aguentam situações insustentáveis porque mudar é chato, outros metidos em namoros e casamentos com mulheres que "são umas queridas e gostam tanto deles" tendo qualquer laivo de magia morrido dois ou três meses depois do inicio. Temo a inércia mais do que tudo, tenho um pavor de viver uma vida com alguém que não me arrebate todos os alicerces desde o primeiro bom dia, fujo de rotinas planificadas ao milímetro como fujo de uma claque de futebol não açaimada. No entanto isto tem custos. Persigo o impossível e perco, perco sempre. Ou pelo menos não venço há mais tempo que o que me consigo recordar. E isto deixa marcas e cicatrizes, com o tempo começa a ser doloroso demais. Fui chamado há duas semanas para um combate que terá tanto de terrível como de importante. É particularmente injusto ter que o travar neste momento que me sinto particularmente fraco, pelo menos fraco demais para aquilo a que me habituei a ser, mas se vivêssemos por encomenda éramos todos desinteressantemente satisfeitos. Desta vez vai ser duro, logo se verá se duro demais para mim ou se apenas mais um dragão que tive que abater a caminho do arco íris. Há ainda a esperança, pelo menos uma réstia dela, o que pode fazer a diferença. Só preciso de evitar as rochas e sobreviver à queda. Quando chegar lá abaixo logo se vê, não estou preocupado com isso por agora. Além de tudo o resto, sou em excelente nadador.</content>
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    <issued>2012-12-20T23:11:45</issued>
    <title>Recomeço</title>
    <published>2012-12-20T23:12:09Z</published>
    <updated>2012-12-20T23:12:09Z</updated>
    <content type="html">Se há coisas recorrentes na nossa vida são os momentos em que nos encontramos em becos sem saída. Quando o caminho seguido nos leva a um beco sem saída, a um muro alto demais para ser escalado, forte demais para ser derrubado. Pode acontecer, e acontece, por muitos motivos diferentes. É uma profissão que deixou de satisfazer, é um emprego que foi extinto, um ente querido que desaparece ou uma relação que se esgota. Os exemplos são infinitos e o que acaba invariavelmente por ficar na nossa história pessoal é mais a forma como reagimos às situações do que as próprias causas de tudo ter ocorrido. É nesses momentos que somos obrigados a reavaliar rumos, a redefinir prioridades, em última análise mesmo a reinventarmo-nos. Poucas coisas definem tão bem a nossa personalidade como a forma como reagimos à destruição dos nossos sonhos. Quando os campos que plantámos são reduzidos a cinzas, quando no mais íntimo dos nossos poros só obtemos silêncio às nossas súplicas por companhia há muito que podemos fazer, muito do qual errado. Podemos insistir no tal rumo que nos levou à prisão da falta de caminho, podemos baixar os braços e ceder ao canto de sereia de ter pena de nós próprios, podemos ainda construir um muro à nossa volta para nos proteger de futuros falhanços, o que para mim é a atitude mais destrutiva de todas porque os muros que protegem com o tempo passam a isolar e a evolução natural de um castelo é tornar-se numa prisão. Mas também podemos reagir. É sempre possível resgatar do fundo das entranhas aquela nossa necessidade e arrogância juvenil que em tempos nos fazia enfrentar o desconhecido com um brilho nos olhos. Sim, porque o tempo, como excelente pintor que é consegue sempre desenhar um novo rosto em cujo sorriso apetece viver até morrer. Por vezes é tudo o que é preciso para fazer reviver a esperança, sim porque a esperança é a bomba nuclear dos sonhadores e idealistas. E além da esperança há ainda o tempo. O tempo que como grande escultor que é consegue sempre esculpir um corpo que nos faz perder de febre em noites de testosterona quando o desejo nos leva de volta aos tempos em que éramos apenas animais. Mas além do desejo há sempre o tempo. Esse tempo que como maestro tem a mestria rara de compor uma voz ao som da qual, mais do que esperança e desejo, há redenção. É quando descobrimos que existem pessoas que nos animam em cada palavra, que nos ressuscitam em cada conversa. Sim, há pessoas que nos fazem viver e reviver e recomeçar e voltar a sonhar. E é assim que becos se transformam em estradas, estradas em avenidas e passo a passo a falta de rumo torna-se numa caminhada gloriosa rumo a tudo, a nada, ao desconhecido, ao futuro. E há também o tempo. O tempo que como bom vidente usa olhares para nos devolver a luz que, em tempos, sentimos que tínhamos perdido. Sim, o tempo arranja sempre forma de nos cruzarmos com alguém que tem a capacidade de devolver luz, som, cor, forma, conteúdo e significado à nossa vida. Raramente essas pessoas sabem que o fazem, muitas vezes não o quiseram fazer, outras vezes recusam mesmo esse papel quando descobrem que o têm. Mas nós não somos responsáveis por isso, nós somos apenas responsáveis pela forma como decidimos agir quando o tempo nos oferece esse recomeço. Somos os únicos responsáveis por escolher lutar ou desistir, ter medo ou esperança, isolarmo-nos ou abrirmo-nos, olhar o futuro ou recordar o passado. Pode existir alguma garantia que o futuro será indolor e risonho? Não, não pode. Tudo o que temos direito é um misto de esperança, confiança e força de vontade, o que pode parecer pouco mas sempre foi a receita para mudar o mundo. O que fazer então? No que depender de mim, passo a passo entrar decididamente e com confiança nesse quarto escuro que é o futuro. E sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Venha 2013.</content>
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    <issued>2012-12-01T20:00:37</issued>
    <title>Crónicas Bracarenses</title>
    <published>2012-12-01T20:01:22Z</published>
    <updated>2012-12-01T20:12:43Z</updated>
    <content type="html">11h30 - Toca o telefone. Acordo com a voz da Gabriela. Quinze minutos depois foi-se o conforto do quarto e chegou o frio sádico desta terra pela cara adentro para me lembrar que a minha arrogância de Algarvio habituado a temperaturas decentes corre mal nesta terra. Café rápido e vinte minutos de conversa dada a ausência de contacto deste uma noite idílica em Ponte de Lima há três meses atrás. Deu para matar saudades mas soube a pouco, como sabe sempre a pouco. Hope we'll see each other in better days.&lt;br /&gt;12h00 - Sentado no parque da ponte a tentar ler o jornal. No banco à minha frente um casal de namorados. Ela extraordinariamente bonita, sorriso tímido, olhar inseguro, voz delicada espalhada ao vento à velocidade da vibração das suas cordas vocais que a genética teceu com carinho em vez de as ter martelado numa bigorna. Ele, cabelo desalinhado, magro demais para ser aceite em cima de uma balança e com um olhar desinteressado como se estivesse a cumprir pena por algum crime passado. Ele ama-a mas não sabe, ela está a ficar farta dele e ainda não o descobriu. O alheamento que ele demonstra enquanto ela fala e lhe acaricia o cabelo poderia até ser a sua imagem de marca, o pior é que a sua postura de macho alfa é completamente traída pela forma como lhe sorri quando ela está distraída. Nenhum homem sorri para uma mulher quando ela não está a ver sem a amar. Quanto à rapariga, bem, ela fala, e fala, e continua a falar. Parece que está a tentar esgotar todos os assuntos do catálogo e todas as palavras alguma vez proferidas na esperança frustrada de obter mais que um monossílabo. Os suspiros entre as diferentes tentativas de captar a sua atenção já denotam cansaço, mas ela continua. Até um dia. Continuarão os dois a dançar este tango descalços sobre os espinhos das rosas que juraram oferecer um ao outro, até um dia descobrirem que, ao contrário do Amor, o sofrimento tem limites.&lt;br /&gt;A minha atenção muda para um casal de sexagenários que se aproxima de mãos dadas com um petiz que não deve ter mais de 6 anos de mão dada ao avô. Sentam-se no banco ao meu lado direito. Sá esquerda para a direita, neto, avô e avó. O puto desata a correr, os avós continuam de mãos dadas. Depois de uns minutos de correria volta ao ninho e desembrulha com uma avidez de criança um kinder que a avó tira de uma daquelas malas onde as mulheres guardam tudo o que não lhes cabe no coração. Com o chocolate despido ao vento o puto lá o vai comendo deliciando-se com a doçura. É novo demais para saber que tem ao seu lado direito, e não na sua mão direita, a maior doçura que alguma vez conhecerá na vida. Os três juntos são nesta manhã as três pessoas mais felizes do planeta, tenho a certeza disto.&lt;br /&gt;12h20 - Lá vou eu a pé monte acima para Nogueira e para casa dos Gonçalves. Repito com gosto uma das minhas peregrinações preferidas de sempre, já feita mais vezes do que as que sei contar. Nunca conheci na vida nada mais precioso do que pessoas cujos olhos brilham quando nos vêem. A casa dos Gonçalves sempre foi dos meus santuários preferidos, umas vezes fui lá em busca de apoio, outras em busca de companhia, por vezes para matar saudades, sempre com um prazer enorme. &lt;br /&gt;13h30 - Minho Center. Está a chegar o Miguel e há no meu futuro próximo à minha espera um almoço em Escudeiros com ele, a Sandra e as suas maravilhosas filhas, a Carolina e a Margarida. Como de costume a  Margarida, do alto dos seus 5 anos recebe-me com um emblemático "olha o Nicolae", depois do qual faz de mim colchão e saco de pancada, com uma inesgotável energia e um sorriso onde toda a ternura do hemisfério norte se encontra concentrada. Fazemos uma farra do tamanho de uma galáxia de médias dimensões e, perto de nós, com os seus dez aninhos a Carolina parece claramente a mais adulta criatura viva.&lt;br /&gt;16h00 - Minho Center outra vez. Chega a Cândida. Lanche na casa da madrinha com a sua mamã. Entre dores e angustias pelo estado do país, relatos de cerca de ano e meio de ausência de conversa e preocupações maternais reforço uma das certezas da minha vida, se a força de um homem se pode medir pela paixão e dedicação que coloca no que faz, a sua segurança só pode ser avaliada pelos alicerces que o sustentam. E este é dos que tem a resistência do titânio e a beleza do diamante. Não é por aqui que um dia cairei. &lt;br /&gt;19h00 - Delicatum, once again. Actualmente o meu ninho em Braga. Depois de um dia a andar de um lado para o outro finalmente sossego. Vai começar o jogo do Barcelona. A seguir a um vortex de emoções, agora uma banalidade para repousar a alma. Já estava a precisar.</content>
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    <issued>2012-09-24T17:53:32</issued>
    <title>A cigarra e a formiga</title>
    <published>2012-09-24T17:12:02Z</published>
    <updated>2012-09-24T17:21:39Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um belo dia, tendo a formiga saído do trabalho enquanto se dirigia apressada para a paragem do autocarro, passa por ela uma cigarra no seu belo mercedes. Ao ver a sua amiga formiga, pára o carro e: "Querida amiga, ao tempo que não te via. Vamos tomar um café?"&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A formiga aceitou o convite, e quando se sentaram na esplanada a cigarra voltou à carga: "Então conta-me lá coisas. Como vai essa tua vida?" Ao que a formiga respondeu: "Olha, cá estou. Trabalho 8 horas por dia e muitas vezes aos fins de semana também. Não é que o patrão obrigue mas quem se recusa a fazer esses turnos depois não fica escalonado para horas extraordinárias e sem essas horas é impossível pagar as propinas da mais velha que está na Universidade e ficou sem bolsa. Além da bolsa também lhe tiraram o desconto no passe social, e como sou a única empregada em casa o mais novo teve que se fazer à vida porque não posso ter os dois ao mesmo tempo a estudar. A luz, a água e o gás estão mais caros, o meu formigo não arranja emprego e até o IMI do formigueiro aumentou. Do pouco que ganho pago mais de 35% em impostos, não tenho os subsídios de férias nem de natal que davam para uns arranjinhos na casa e para comprar uma roupinha que a que usamos está velha e gasta. Cada vez trabalho mais e cada vez menos tenho, é a vida. E tu cigarra?"&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"Bem, comigo isto anda uma maravilha. Estive há uns anos atrás num banco. Num daqueles em que toda a gente confia, afinal o ex primeiro ministro abriu lá conta com a filha, logo nada de errado se pode passar. Afinal aquilo era só para lavar dinheiro, mas como também lucrei 140% com a brincadeira fiquei caladinha, por que raio havia de falar se quando deu buraco o estado tapou com o dinheiro de uns pacóvios. Depois disso transferi o dinheiro para offshores, investi em seguradoras de saúdee em colégios privados porque essa parvoíce de saúde e educação para todos está a acabar e tenho ganho cada vez mais. Agora vou usar parte do pé de meia nas privatizações porque vão vender uma data de coisas que dão lucro e não vejo hora de ter o meu programa na RTP para cantar umas coisinhas. Entretanto todo o dinheiro que mandei para fora do país foi descoberto mas o governo só me pediu para pagar 7% de imposto e a tramóia ficou legal. Enquanto isso a minha filha foi para acessora de um ministro que ela nem sabe o nome e o meu filho foi nomeado para a casa civil do presidente, sabes, aquele antigo primeiro ministro que falei. Amanhã vou passar umas duas ou três semanas a França porque estou um bocadinho em baixo":&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;E diz a formiga "Olha querida, fazes-me um favor em França"?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"Sim, claro", responde a cigarra.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"Se encontrares o La Fontaine, manda-o PARA A PUTA QUE O PARIU !!!!!&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-07-13T01:17:50</issued>
    <title>Saudade</title>
    <published>2012-07-13T00:18:48Z</published>
    <updated>2012-07-13T00:22:54Z</updated>
    <content type="html">A saudade é uma coisa complicada. Definir sentimentos nunca é fácil, mas a saudade acho que ultrapassa pela complexidade todos os outros. Há amor na saudade, se não houvesse ela não existiria. Há perda, sem dúvida, dependência o quanto baste, melancolia em doses industriais, tristeza, nem sempre bem controlada e  até um certo ressentimento por não termos o que consideramos essencial para a nossa felicidade. &lt;br /&gt;Sou de uma família que veio de Angola, daquelas pessoas que é comum serem apelidadas de retornados, apesar de isso ser um monumental disparate na maior parte dos casos, pelo menos no da minha família que já lá andava há quatro ou cinco gerações. Com este background como devem calcular aprendi o que era a saudade muito antes de aprender o que era amor, ou ódio ou todos os outros sentimentos ao dispor no catálogo do nosso coração. Desde muito novo que assisti a conversas sobre a nossa terra, e apesar de considerar a minha terra Olhão, a realidade é que um bocado de mim pertence a Porto Alexandre.&lt;br /&gt;Entre 1974 e 1976 cerca de 800.000 ou 900.000 pessoas abandonaram as ex colónias e vieram para a ex metrópole e, passados quase 40 anos a sua história ainda não foi verdadeiramente escrita. Considero a sua integração em Portugal como o último grande milagre da história deste país. Em dois anos a população de Portugal aumentou 15% e se acham isso pouca coisa é porque não viveram e não estudaram o que foram esses dois anos. Os chamados retornados trouxeram a este país uma lufada de ar fresco como Portugal poucas vezes tivera. O país estava claramente dividido entre uma capital com alguns germes de cosmopolitismo mas fora de Lisboa a sociedade estava espremida e condicionada por uma ditadura medieval que se sentia feliz com a ideia de Portugal nunca evoluir para além de 1900. Ao contrário, nas ex colónias o aperto ditatorial não se fazia sentir de forma tão pronunciada. As pessoas que vieram de África cresceram e viveram numa sociedade mais livre, mais solta, menos condicionada. Trouxeram uma mentalidade mais aberta e muito, muito menos temerosa dos poderes invisíveis que em Portugal faziam pais temerem filhos pois ninguém sabia quem eram os informadores da famigerada PIDE. Além deste facto, em África ocupavam as profissões liberais necessárias à gestão do dia a dia e ao chegar a Portugal foram exactamente essas as posições que ocuparam numa sociedade em renovação acelerada.&lt;br /&gt;Assumiram-se como uma força renovadora, com um ímpeto que os levou depressa a ocupar posições chave. Em poucos anos a mentalidade avançou gerações, não sem que este processo tivesse falhas e deixasse cicatrizes. Muitos foram acusados de ocupar um país que não deveria ser deles, muitos sentiram-se como apátridas presos num vortex entre o país que deixara de ser deles e o país que os olhava com desconfiança. Mas no fundo nada disto me interessa verdadeiramente.&lt;br /&gt;O que para mim é mesmo importante é ter assistido à sua mudança. Muitos vieram com mágoa, muitos outros com tristeza, alguns com raiva, todos com saudade. Perderam muito, em alguns casos, tudo. Uns recomeçaram de novo, outros perderam-se em ódios e recriminações nunca tendo percebido verdadeiramente que foi a História que os atropelou e os tornou num anacronismo, apesar de nada terem feito que o merecessem. Mas o tempo é um Senhor e o tempo cura muita coisa. Curou a maioria dos que conheci na minha vida. O ódio esbateu-se, o ressentimento amainou e o passar dos anos fez deles instrumentos da história em vez de vítimas dela. Eles não podiam esperar nem prever o cataclismo que os acometeu, não pediram nem desejaram deixar uma vida para trás em busca de outra nova vida. No entanto, foi sua escolha deixar para trás, nunca esquecendo, e seguir em frente. Hoje quando me sento a conversar com eles já não consigo encontrar todos os sentimentos negativos que me recordo de ouvir enquanto criança nas conversas entre o meu avô e os seus amigos. Hoje há apenas saudade. Saudade, ternura e uma paixão intensa que se transforma num amor imenso pela terra onde nasceram, cresceram, amaram e perderam. Falar com eles hoje é uma viagem no tempo, a um tempo que os ultrapassou mas que não esqueceram e fazem questão de recordar.&lt;br /&gt;Como escrevi no início, eles próprios são a definição de saudade. A sua história ainda não foi verdadeiramente escrita mas será. Cada um e todos eles são história, são ternura, são saudade. Não há para eles uma estátua, um feriado ou um nome de rua, são para quase todos Portugueses como os outros, para mim cada um deles é um fado, uma estátua, uma homenagem a um tempo que já só sobrevive nos recônditos cantos das suas memórias.&lt;br /&gt;Eles eram o sal da sua terra, e deram tempero a esta, que aceitaram como sua sabendo no seu âmago que nunca a será verdadeiramente. &lt;br /&gt;Espero que falem, falem muito sobre o que viveram, espero que o escrevam para que o tempo que os atropelou não leve para o esquecimento as suas histórias, as suas vidas.&lt;br /&gt;Bem hajam.</content>
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    <issued>2012-05-15T15:31:19</issued>
    <title>Manifesto anti Paulo Bento em Português suave</title>
    <published>2012-05-15T15:10:59Z</published>
    <updated>2012-05-15T15:10:59Z</updated>
    <content type="html">Não gosto de Paulo Bento pim! Gostei dele como jogador, no Guimarães, Benfica, Sporting e Selecção, sempre o assumi. Era um trinco para partir jogo e chatear os criativos da equipa adversária. Fazia-o bem mas não tinha laivos de genialidade, ninguém os pedia e ele felizmente não inventava. Como treinador é igual, cauteloso, conservador adverso ao risco, mas com uma agravante, só sabe gerir um grupo de jogadores se todos lhe baterem continência, ao menor sinal de problemas há conflito que se resolve sempre da mesma maneira, saneando os descontentes. Paulo Bento é arrogante. Não na forma Mourinhesca que, apesar de me enjoar, está escudada pelo percurso mais brilhante que conheço de um treinador, mas sim numa forma campónia e broeira de quem usa o seu poder para se impôr em vez de liderar, e isso faz toda a diferença.&lt;br /&gt;Paulo Bento treinou o Sporting uns aninhos e teve o sucesso relativo que tem quem percebe que o campeonato do Sporting é o da segunda circular e não o dePortugal. Não me lembro de ver o Sporting fazer grandes jogos, não me lembro de um conceito, uma táctica, algo desses anos que ficasse para a história, ao contrário do que aconteceu com José Peseiro. A única coisa que me lembro foi dessas vitórias no campeonato da segunda circular, e de um rol de jogares expulsos pela tirania Paulobentista, como por exemplo Carlos Martins, Varela, Stoikovic, etc. Assim que o Benfica deu a entender que estava a recuperar e a direcção do Sporting percebeu que nem à frente dos rivais ficaria, Paulo Bento foi pela porta pequenina, sem honra nem glória.&lt;br /&gt;Não gosto de Paulo Bento, não como treinador. Por vezes acho que sou injusto nas críticas, felizmente, na maioria dessas vezes os criticados fazem questão de me provar que estou certo em criticá-los, porque se concordasse com eles, estaria errado. Tudo isto vem a propósito da convocatória para a fase final do Euro2012, mas vamos por partes:&lt;br /&gt;Eduardo jogou uns 15 minutos esta temporada, Quím fez um campeonato inteiro ao mais alto nível. Quem está nos 23? Eduardo! Óbvio não acham? &lt;br /&gt;Defesa - O melhor lateral direito Português, Bosingwa, foi saneado, João Pereira é para mim indiscutível, apesar  de falhar tanto a defender como apoia bem o ataque. Substituto para João Pereira escolhido foi Miguel Lopes. Eu escolheria o Nélson, dá-me mais segurança além de poder fazer também a lateral esquerda, apesar do que dizem nunca vi lá o Miguel Lopes. Em relação aos centrais, o meu preferido está na lista dos proscritos. Sem Ricardo Carvalho ficamos entregues à dupla mais sanguinária da prova, com Rolando e Ricardo Costa no banco, sendo que nenhum deles me dá segurança e Rolando inspira-me mesmo verdadeiro pavor. Na lateral esquerda, sem Eliseu, ninguém para substituir Coentrão, apesar de existir quem defenda que Miguel Veloso o pode fazer bem, bom, também há quem defenda que a Terra é plana ... opiniões.&lt;br /&gt;Meio campo - Concordo com Custódio, Moutinho e Meireles são obrigatórios. Entre Carlos Martins, Miguel Veloso e Ruben Micael, tirava dois e trocava de olhos fechados por Hugo Viana e Manuel Fernandes. Comparar Micael com Fernandes é como comparar Paulo Bento com Mourinho, Hugo Viana fez uma temporada fabulosa e é para mim o melhor médio a lançar contra ataques. Gosto mais de Carlos Martins que de Miguel Veloso, mas talvez deixasse o Veloso por precisarmos de um suplente para o Custódio. &lt;br /&gt;Avançados - Ronaldo e Nani são obrigatórios, os restantes ... enfim. Compreendo Nélson Oliveira, provavelmente até eu o escolhia apesar de não ter números impressionantes nas 15 ou 16 vezes que Jesus lhe deu oportunidade. Varela é a prova que Bento tem sentido de humor, principalmente comparando com a temporada de Hélder Barbosa. Hugo Almeida e Hélder Postiga, mais o segundo, nunca me convenceram. As coisas até podem correr bem para eles e nunca saírem do banco, mas tenho dúvidas. Mais depressa convocava Nuno Gomes e João Tomás. Quanto a Quaresma, bem, é o Quaresma. Tem nome para ir, vai, mas ninguém sabe o que vai dar.&lt;br /&gt;Não gosto de fazer prognósticos no final do jogo, por isso aproveito já esta oportunidade para dizer que acho que Portugal vai cantando e rindo em direcção a um desastre. Não sou dos que calam críticas em nome de um suposto interesse ou unanimidade nacional, ao contrário, sou dos que acha esse argumento abjecto, medíocre e fascizóide. Posso estar errado, claro. Adorava estar. Se jogar o Coentrão do Benfica e não o do Madrid, se a dupla de centrais puder jogar ençaimada, se o Meireles estiver em forma, se o Ronaldo perceber que só será bola de ouro com um bom europeu, se o Nani não for apanhado pelo doping como em 2010, se as bolas acertarem no angulo certo no corpo do Almeida e do Postiga, é possível sonhar. Mas a experiência diz-me que são ss a mais. Uma coisa tenho a favor do Paulo Bento, ele é tão amigo do Mourinho que vai continuar a ajudá-lo a perseguir o seu sonho, o de ser o primeiro treinador a ganhar algo pela selecção.&lt;br /&gt;Tirando isso, não gosto do Paulo Bento. Pim !!!</content>
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    <issued>2012-02-29T11:51:06</issued>
    <title>Size doesn't matter</title>
    <published>2012-02-29T11:51:55Z</published>
    <updated>2012-02-29T11:51:55Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Todos temos direito a um ou outro preconceito de vez em quando. Tem é que ser mesmo&lt;br /&gt;de vez em quando e, acima de tudo, temos que ter perfeita noção que estamos a ser&lt;br /&gt;preconceituosos e assim evitar agir apenas de acordo com essa nossa forma irracional&lt;br /&gt;de ver as coisas. Há quem tenha preconceitos étnicos, religiosos, políticos, futebolísticos,&lt;br /&gt;etc, etc, há muito por onde escolher. O meu preconceito é contra pessoas altas. Não&lt;br /&gt;gosto, pronto! O que querem que eu faça?&lt;br /&gt;Sei que têm tanto direito à vida como os outros, não me passa pela cabeça defender&lt;br /&gt;que percam direito ao voto nem à pouca solidariedade social que ainda existe, apesar&lt;br /&gt;de encarar com simpatia a ideia de lhes banir a entrada nos cinemas, mas a realidade&lt;br /&gt;é que sempre nutri muito maior simpatia por pessoas baixas. Não transmitem aquela&lt;br /&gt;arrogância natural de quem se acha melhor por ver mais longe, aliás, os baixos&lt;br /&gt;reflectem na perfeição a velha máxima de Newton: "Vi mais longe não por ser um&lt;br /&gt;gigante, mas por estar sentado nos ombros de gigantes". Até esteticamente os(as) acho&lt;br /&gt;desengonçados(as) e, consoante a altura até mesmo disformes. Gosto de mulheres&lt;br /&gt;baixinhas, de preferência até 1,65m se bem que podem ir até 1,70m, quanto aos homens,&lt;br /&gt;até 1,85m é saudável, a partir daí só para postes de electricidade, aliás, se o nosso&lt;br /&gt;corpo tivesse evoluído para atingir alturas próximas dos 2,00m aposto que vínhamos com&lt;br /&gt;elevadores incorporados.&lt;br /&gt;Antes que comecem a pensar que me passei de vez vou directo ao assunto deste&lt;br /&gt;texto, o tamanho não é assim tão importante. Estamos tão habituados a ver o mundo&lt;br /&gt;à nossa escala que não é nada incomum esquecermo-nos que a escalas diferentes&lt;br /&gt;também existe vida, aliás, existe muito mais vida que aquela que os nossos olhos estão&lt;br /&gt;habituados a ver. Algures no século XVIII um holandês de nome Lewenhook usou parte&lt;br /&gt;dos seus tempos livres para construir um aparelho que permitisse ampliar a sua visão&lt;br /&gt;por forma a ver coisas que não era capaz de ver à vista desarmada. Esse aparelho foi&lt;br /&gt;o primeiro microscópio rudimentar e enquanto observava todo contente as pequenas&lt;br /&gt;células da cortiça não sabia mas estava a lançar as primeiras pedras de uma nova&lt;br /&gt;ciência, a Microbiologia. Tal como em inúmeros outros exemplos ao longo da história, o&lt;br /&gt;desenvolvimento tecnológico abriu portas ao conhecimentos científico e a Microbiologia,&lt;br /&gt;desde o microscópio de Lewenhook não mais parou de crescer (eu sei que o jogo de&lt;br /&gt;palavras foi irónico). De um momento para o outro passámos a saber que estamos&lt;br /&gt;acompanhados por seres vivos, pequenos demais para serem vistos, em todos os&lt;br /&gt;momentos das nossas vidas. No texto anterior falei-vos da nossa típica presunção de&lt;br /&gt;acharmos que somos o melhor que há porque temos um cérebro e de vez em quando&lt;br /&gt;até o sabemos usar. Ora bem, em relação ao tamanho somos tão ou mais presunçosos.&lt;br /&gt;A filosofia típica é que o que não se vê não interessa para nada, os micróbios são uns&lt;br /&gt;mariquinhas que só servem para matar com sabonetes e com umas cenas que cheiram a&lt;br /&gt;álcool e ai deles que se metam no nosso corpo porque se chateiam muito tomamos um ou&lt;br /&gt;dois antibióticos e adeus que já se foram. Nada mais falso! Aliás esta ideia está tão longe&lt;br /&gt;da realidade que seria apenas infantil, se não fosse de facto imbecil.&lt;br /&gt;Quer acreditem quer não, e deviam acreditar porque eu não vos minto, no nosso&lt;br /&gt;corpo existem mais bactérias que células nossas. Há muitas formas diferentes de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;microorganismos, não só bactérias, no entanto é nelas que me vou focar porque se vos&lt;br /&gt;falar de todos este texto fica muito grande e aposto que vão acabar por partilhar o meu&lt;br /&gt;preconceito em relação ao tamanho.&lt;br /&gt;Para vos falar em bactérias tenho antes de tudo que vos ensinar uma palavra nova sem a&lt;br /&gt;qual nunca as compreenderão verdadeiramente, a Ubiquidade. Traduzindo para&lt;br /&gt;Português corrente quer dizer algo tão simples como estar em todo o lado. E acreditem&lt;br /&gt;que é o que acontece, as bactérias estão em todo o lado. Este planeta é delas e não&lt;br /&gt;nosso, aliás, elas andam por cá praticamente desde o início da vida e, um dia daqui a uns&lt;br /&gt;5.000 milhões de anos quando o Sol estoirar num último estertor de paixão e de morte,&lt;br /&gt;elas assistirão ao espetáculo sentadas na primeira fila muito, muito tempo depois da&lt;br /&gt;nossa espécie se ter extinto. Pensem no pior ambiente possível para qualquer ser vivo,&lt;br /&gt;imaginem a aplicação terrena do pior dos infernos pensado, sonhado ou temido e lá&lt;br /&gt;encontrarão bactérias a fazer uma festa, quer tenham sido convidadas quer não. Com ou&lt;br /&gt;sem oxigénio presente lá estão elas, por vezes respirando, outras vezes fermentando,&lt;br /&gt;aquela que para nós é uma condição essencial de sobrevivência, para muitas delas não&lt;br /&gt;passa de um luxo facilmente dispensável. Se formos a ambientes extremos de acidez&lt;br /&gt;onde o mais intragável dos sumos de limão nos saberia a leite creme, lá estão elas de&lt;br /&gt;novo, se visitarmos outros ambientes de temperatura extrema, continuaremos a encontrá-&lt;br /&gt;lãs, o que aconteceu por exemplo nas zonas de Rift, ali mesmo ao lado de intrusões&lt;br /&gt;magmáticas na crosta oceânica. Podemos ainda mergulhar ao fundo das mais fundas&lt;br /&gt;fossas submarinas, onde a pressão é um destino e não uma força física. A nove ou dez&lt;br /&gt;quilómetros de profundidade onde essa pressão poderia esmagar um submarino médio e&lt;br /&gt;reduzi-lo ao tamanho de uma noz, que seres vivos vocês esperariam lá encontrar?&lt;br /&gt;Exactamente, bactérias! Como podem ver, quando vos falei na ubiquidade não estava a&lt;br /&gt;exagerar. Se as três religiões mais representativas no nosso planeta tiverem razão e se&lt;br /&gt;existir de facto um deus omnipresente, lamento informar-vos mas então deus é uma&lt;br /&gt;bactéria. Em relação ao nosso corpo a brincadeira é ainda mais interessante. Pensem&lt;br /&gt;numa pessoa normal como vocês com um conceito saudável de higiene pessoal. Quando&lt;br /&gt;se cruzarem com ela na rua ou nos corredores da escola imaginem agora o trilião de&lt;br /&gt;bactérias que ela transporta, apenas na sua pele. Pois é, 100.000 bactérias por&lt;br /&gt;centímetro quadrado de pele é um número bonito e uma estimativa não longe da&lt;br /&gt;realidade. Que raio fazem elas na nossa pele poderão perguntar, é simples, alimentam-&lt;br /&gt;se. Soltamos todos os dias biliões de folículos que resultam da perda sistemática de&lt;br /&gt;células mortas da nossa pele, isto já para não falar dos muitos óleos riquíssimos em sais&lt;br /&gt;minerais que saem dos poros do nosso corpo, o que lhes serve de alimento. Para elas&lt;br /&gt;somos o correspondente à praça da alimentação de um qualquer shoping center. Mas&lt;br /&gt;não acaba aqui, não é só na pele que as podemos encontrar. Elas estão a nadar&lt;br /&gt;contentes e divertidas no fluído que cobre os nossos olhos, estão nos nossos cabelos,&lt;br /&gt;escondidas em recantos do nossos corpo que muitas vezes não nos lembramos que&lt;br /&gt;temos. Dentro do corpo o cenário repete-se. O nosso sistema digestivo está recheado de&lt;br /&gt;incontáveis milhões de bactérias de cerca de 350/400 espécies diferentes. Sem sair da&lt;br /&gt;boca podia contar-vos algumas estórias giras mas não quero reduzir o romantismo de um&lt;br /&gt;beijo a uma troca de microorganismos entre duas pessoas por isso passemos à frente. Ao&lt;br /&gt;longo de todo o tubo digestivo encontramos bactérias que nos ajudam a digerir nutrientes&lt;br /&gt;para que o nosso corpo os possa absorver, outras estão lá para atacar outros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;microorganismos indesejáveis que entram no nosso corpo pela boca, outras ainda estão&lt;br /&gt;lá e pronto, simplesmente estão sem que se conheça a sua função, limitam-se a gostar de&lt;br /&gt;nos fazer companhia.&lt;br /&gt;Cada vez que pensamos em bactérias temos a tendência para as temer e para nos&lt;br /&gt;recordarmos apenas das doenças que causam, o que é um disparate. As bactérias são&lt;br /&gt;essenciais para a degradação do lixo que produzimos à velocidade da nossa capacidade&lt;br /&gt;de consumo, são responsáveis pela reciclagem da matéria orgânica dos nossos dejectos,&lt;br /&gt;mais importante ainda do que isso, graças a elas o azoto atmosférico é introduzido&lt;br /&gt;nas cadeias alimentares e se isto vos diz pouca coisa lembrem-se que sem azoto não&lt;br /&gt;existiriam aminoácidos, sem aminoácidos nada de proteínas e sem proteínas a vida seria&lt;br /&gt;um tema de ficção cientifica, não sei escrito por quem porque não existiria ninguém para&lt;br /&gt;o escrever. Continuando, já todos ouviram falar na importância das plantas e das florestas&lt;br /&gt;na libertação do oxigénio que tanta falta nos faz, bem, pensem agora nos incontáveis&lt;br /&gt;milhões de microalgas e cianobacterias que libertam para a atmosfera cerca de 150&lt;br /&gt;biliões de quilos de oxigénio todos os anos, digam lá agora que elas são más!&lt;br /&gt;Como é óbvio, há bactérias patogénicas, ou seja, que nos causam doenças, e ao longo&lt;br /&gt;da história é impossível saber quantas pessoas morreram de doenças causadas por&lt;br /&gt;bactérias, mas o que pode ser uma surpresas para vocês é a ínfima percentagem de&lt;br /&gt;bactérias que nos podem fazer mal, menos de 0,1% das espécies conhecidas. Não&lt;br /&gt;me vou alongar mais neste texto bacteriologicamente impuro, a questão das doenças&lt;br /&gt;causadas por microorganismos fica para outra oportunidade. Quero terminar recordando-&lt;br /&gt;vos o que disse no início, o tamanho não interessa para nada. Seres vivos microscópicos&lt;br /&gt;e unicelulares que não vemos mas vivem connosco em cada sagrado segundo das&lt;br /&gt;nossas vidas têm aos seus ombros (pelo menos teriam se tivessem de facto ombros) a&lt;br /&gt;chave do equilíbrio da vida neste maravilhoso planeta. Aprendam a viver e a respeitar&lt;br /&gt;essa ideia e nunca acreditem, nem por um momento, nos publicitários acéfalos que vos&lt;br /&gt;prometem vender champôs, sabonetes e iogurtes 100% antibacterianos. Felizmente&lt;br /&gt;para nós isso não passa de uma mentira imbecil porque as bactérias viveriam bem neste&lt;br /&gt;planeta sem nós, nós no entanto não sobreviveríamos um dia sem elas.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-16T13:13:05</issued>
    <title>Uma estória de amor, um massacre e uma evolução improvável</title>
    <published>2012-02-16T13:16:11Z</published>
    <updated>2012-02-16T13:16:11Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Há algo de intrinsecamente trágico associado às estórias de amor. Não o podemos evitar, parece que faz&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;parte da receita. As estórias de amor que ficam para a história são aquelas que acabam mal, as que muito&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;prometem mas não são verdadeiramente cumpridas, aquelas que o destino se encarrega de estragar, para&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;que não seja a vida a estragá-lãs. Quem se lembraria de Romeu e Julieta se tivessem vivido felizes e&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;contentes para toda a eternidade?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;A estória de amor sobre a qual escrevo é estranha e produziu resultados no mínimo contraditórios. Por um&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;lado, deu origem a uma matança inqualificável, por outro, mudou o clima e abriu portas para o triunfo de um&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;dos maiores erros da evolução. Mas vamos por partes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;É certo e sabido que todas as massas continentais em tempos estiveram juntas num só continente ao qual&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;se deu o nome de Pangea. No entanto, há cerca de 160 milhões de anos, mais milhão menos milhão, a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;coisa saiu dos eixos e a Pangea fragmentou-se. Inicialmente o bloco continental do norte afastou-se,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;posteriormente os dois continentes que resultaram também se fragmentaram. Serve isto para mais do que&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;vos maçar com Geologia, como devem ter calculado. Basta que pensem nas duas Américas, a do norte e a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;do Sul. Depois de muitos anos juntas na Pangea separaram-se. É verdade que viviam numa espécie de&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;grande casa, com a família toda junta logo nunca tiveram espaço para muitas intimidades, mas a realidade é&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;que estavam próximas e por razões que só a tectónica de placas conhece, a sua relação terminou e cada&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;uma foi à sua vida. Foi assim durante cerca de 70 milhões de anos, o tempo durante o qual cada uma das&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Américas viveu separada da outra. Não sei dizer o que sente um continente que vive afastado do seu&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;grande amor, bem vistas as coisas, nem sei bem o que sinto quando isso me acontece, o que sei é que ao&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;contrário de mim, que nem sempre fui capaz, as Américas deram um jeito e resolveram o problema. Há uns&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;anos atrás (coisa de meia dúzia de milhões) reaproximaram-se e entre elas levantou-se o istmo do Panamá&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;como uma espécie de carinho que as uniu de novo. E esta união mudou de facto o planeta e foi uma das&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;grandes responsáveis por ele ser como é hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Completamente desinteressados das questões conjugais entre continentes, os seres vivos prosseguiram a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;sua evolução. Depois do desaparecimento dos dinossauros os mamíferos viram-se livres de grandes&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;predadores e evoluíram de forma rápida ocupando e colonizando todos os ambientes. Uma questão é no&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;entanto bastante interessante, os mamíferos não funcionam todos da mesma maneira, há pelo menos dois&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;grandes grupos, e digo dois e não três porque estou arrogantemente a desconsiderar os monotrematos&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;(ornitorrincos). Temos mamíferos marsupiais e mamíferos placentários. Quais as diferenças? É tudo uma&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;questão da capacidade das fêmeas enganarem o seu próprio sistema imunológico. Eu explico. Com a vossa&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;idade não preciso de vos avisar que os bebés não nascem todos em Paris e são trazidos para casa por&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;uma cegonha, já sabem muito bem como é que nos reproduzimos. O que talvez não saibam é o que dá&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;origem ao parto. Não existe propriamente um cronómetro que marca a altura certa para ele ocorrer, o que há&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;é uma reacção do corpo da mãe contra o feto, reacção essa que resulta na sua expulsão (lamento mas o&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;amor maternal como o conhecemos está sobrevalorizado, pelo menos fisiologicamente). O nosso corpo tem&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;muitas formas de se defender de agressores externos. Para isso existem células especializadas em&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;reconhecer o que pertence ao nosso corpo e o que é estranho ao mesmo. Ora um feto a desenvolver-se no&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;útero da sua mãe, apesar de metade dos seus cromossomas serem dela, continua a ser um corpo estranho&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;que não lhe pertence. Durante toda a gravidez o sistema imunológico materno é enganado para não se&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;aperceber disto, mas mais cedo ou mais tarde ele dá conta da situação, sendo a reacção natural o inicio&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;das contracções no sentido de expulsar o corpo estranho que está há tempo demais a viver no útero sem&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;pagar a renda, é isto que dá origem ao parto. Voltando aos diferentes tipos de mamíferos, os marsupiais não&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;são capazes de enganar por muito tempo o sistema imunológico das mães, por isso nascem ao fim de&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;alguns dias, completando o seu desenvolvimento na bolsa materna, portanto já exteriormente ao corpo. Na&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;altura da união das duas Américas, a do Sul tinha uma vastidão surpreendente de marsupiais, talvez ainda&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;mais do que a Austrália. O facto de a América do Sul ser uma ilha/continente permitiu que eles se&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;desenvolvessem livres de grande competição com outros seres vivos. Ao contrário, a América do norte&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;estava recheada de mamíferos placentários bem habituados a uma competição feroz pela sobrevivência. O&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;istmo do Panamá fez de ponte e a América do Sul foi literalmente invadida por hordas de placentários&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;curiosos para conhecer o novo continente. O confronto era inevitável e o resultado mais do que previsível. A&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;quase totalidade dos marsupiais que viveram sossegados durante milhões de anos foi extinta às patas e às&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;mandíbulas dos seus primos afastados placentários. Durante muito tempo muita gente inteligente apresentou&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;como justificação o facto de os placentários serem mais desenvolvidos, justificação que eu contesto. Não&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;creio que exista uma questão de desenvolvimento associada a esta estória mas nós temos uma tendência&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;incrível para a presunção e, como somos placentários, nada como dizer que somos os melhores de todos e&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;que os marsupiais eram uns atrasadinhos e tiveram o que mereciam. Os mamíferos do norte estavam&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;adaptados a um ambiente mais hostil e com maior competição inter especifica e isso foi o que jogou a favor&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;deles. O desaparecimento dos marsupiais Sul americanos podou a árvore da vida de alguns dos seus ramos&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;empobrecendo a fauna do nosso planeta. Como podem ver, a estória de amor entre os dois continentes deu&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;origem a um massacre imenso na América do Sul.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Mas não ficamos por aqui. Longe, muito longe do istmo do Panamá esta reunião amorosa também&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;produziria alterações profundas. Durante o período em que as Américas estiveram separadas uma grande&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;corrente marítima vinda do pacífico levava água quente por entre as Américas em direcção a África. Esta&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;corrente era responsável por um clima em África muito diferente do que existe hoje em dia, da mesma forma&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;que a corrente do golfo é responsável pelas temperaturas temperadas da Europa ocidental. O clima africano&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;era então quente e húmido sendo propenso para a existência de inúmeras florestas. Com o levantamento do&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;istmo do Panamá essa corrente foi interrompida tendo o clima africano mudado radicalmente. De quente e&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;húmido passou a quente e seco, tendo essa mudança resultado no aparecimento de desertos e de savanas,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;em lugar das antigas florestas. Qual a importância disto? Digamos apenas que não me daria jeito nenhum&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;estar a escrever-vos isto sentado em cima de uma árvore.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;A alteração climática africana fez com que um grupo de primatas irrequietos e com uma visão magnífica&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;fosse obrigado a adaptar-se a um ambiente subitamente diferente. As coisas aconteceram de forma lenta e&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;progressiva e não pensem por um só momento que foi como seguir um guião previamente escrito. Muitas&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;pessoas insistem em pensar na evolução como uma linha direita em direcção à perfeição, o que é uma&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;asneira. Aliás se a evolução funcionasse assim nós não estávamos aqui. Somos, na minha opinião, um&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;conjunto de disparates evolutivos que acabaram por funcionar. Os nosso antepassados adoptaram a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;postura bípede, e ainda hoje sofremos por isso. O corpo deles, e o nosso também, não estava nem está&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;completamente preparado para caminhar sobre apenas dois membros. Para começar, a nossa bacia mudou&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;e assumiu uma posição vertical. Pode parecer pouca coisa mas voltando atrás aos partos, foi uma chatice&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;incrível, principalmente quando se é mulher e se pretende ter filhos. A alteração anatómica da bacia&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;estreitou o espaço para o desenvolvimento do feto e o parto passou a ser um processo bastante doloroso&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;(lamento desiludir-vos mas a culpa não foi da Eva como diz a bíblia). Como se não bastasse, nenhum crânio&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;completamente formado consegue passar pela vagina de uma mulher, nem na máxima dilatação&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;humanamente possível. Por esse facto temos a conhecida moleirinha nos bebés, que não é mais que a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;ossificação incompleta do crânio. As nossas crias nascem frágeis e dependentes de cuidados maternos&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;nos primeiros tempos da sua vida o que cedo levou a uma estratificação social em que as mulheres ficavam&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;a cuidar das crias enquanto que os homens se dedicavam à caça e à defesa da tribo (se alguém se atrever&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;a concluir que defendo que hoje isso deve acontecer vai haver violência física entre nós). Não foi só a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;postura erecta a contribuir para aqui estarmos, como é óbvio, mas foi um dos primeiros saltos evolutivos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Do alto da nossa presunção por muito tempo pensámos que o nosso maravilhoso cérebro tinha sido o&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;primeiro grande salto, tendo a capacidade para falar, para andar de pé, para produzir e utilizar objectos&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;surgido depois. Asneira!!! Vou contar-vos um segredo, o nosso lindo e maravilhoso cérebro é uma linda e&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;maravilhosa chatice. Consome 20 a 25% dos recursos energéticos do nosso corpo e em caso de&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;subnutrição, os nossos órgãos desligam-se um por um para o manter. Nesses primeiros tempos um cérebro&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;demasiadamente grande teria sido um desastre e posso garantir-vos que se não tivéssemos passado a&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;omnívoros o nosso cérebro não teria atingido as dimensões que atingiu, a quantidade de energia necessária&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;para o manter é enorme. Toda a evolução que conduziu até nós foi um processo tortuoso e a prova que&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;somos um acidente que correu bem é por exemplo o facto de todas as espécies de hominídeos terem&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;desaparecido menos a nossa, incluindo o Homem de Neanderthal, com os seus cérebros bem maiores que&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;os nossos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;Como podem ver, uma estória de amor entre dois continentes, ainda que figurativa, deu origem a um&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;massacre, provavelmente o maior desde a extinção do final do Cretácico, mudou o clima de outro continente&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;e abriu caminho à evolução da nossa espécie. Se as Américas voltarem a ter um arrufo e se separarem que&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;acontecerá? É provável que a corrente se restabeleça e que a África volte a ter o seu clima antigo de volta,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;no entanto os marsupiais extintos não voltarão e é extraordinariamente improvável que nós voltemos para&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;cima das árvores, apesar das continuas dores nas costas, das hérnias e afins das quais sofremos por&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;carregar todo o peso do corpo em apenas dois membros. O que interessa é que compreendam que somos&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;passageiros numa viagem cujo destino não conhecemos, somos uma linha num pequeno capitulo de um&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;grande livro que é escrito entre o acaso e a necessidade, como disse Monod. Este planeta não é nosso,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;nunca o foi nem será, é apenas a casa que dividimos com milhões de outras espécies de seres vivos,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;muitas das quais já cá estavam quando os nossos antepassados tinham como grande evento social das&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;" align="LEFT"&gt;suas vidas catarem-se uns aos outros.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Divirtam-se e aproveitem a viagem.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-10-17T11:45:15</issued>
    <title>Unfinished business</title>
    <published>2011-10-17T12:02:17Z</published>
    <updated>2011-10-17T12:02:17Z</updated>
    <content type="html">Percebo muito pouco de Arquitectura, o que quer dizer que não percebo nada. No entanto, considero a obra de Antoni Gaudi verdadeiramente genial. Para quem não sabe, ele foi um arquitecto e, entre muitas outras coisas, foi responsável pela construção da igreja da sagrada família em Barcelona, ou melhor, foi responsável pela sua construção até um autocarro o ter mandado ir visitar a tal sagrada família, e com direito a permanência. A igreja da sagrada família ficou assim interminada, como um exemplo de algo que começou e não teve final, que prometeu mas não cumpriu.
A morte prematura do seu criador impediu que víssemos o resultado final da sua obra, no entanto o que foi feito foi suficiente para percebermos a genialidade do poema em forma de pedra que estava a nascer. Agora olhando para as nossas vidas, quantas vezes passámos por situações destas (não estou a falar obviamente de sermos atropelados por autocarros em excesso de velocidade)? Quantos "unfinished business" temos nas nossas memórias? 
Quando olhamos para o nosso percurso são exactamente essas as estórias que mais nos custam a esquecer, são esses os momentos mais difíceis de ultrapassar. Poucas questões há de tão difícil resposta como o terrível "e se?". Somos dados a balanços, são inevitáveis mais cedo ou mais tarde. O que lixa todo o nosso esquema de "checks and balances" que nos mantém no equilíbrio é que sabemos intrínsecamente que tudo podia ser diferente se a montante tivéssemos tomado outra decisão, se tivéssemos analisado as circunstâncias de outra maneira. Mas por vezes, talvez até a maior parte delas, nem só de nós depende o desfecho do que vai ocorrendo, por vezes além dos nossos erros e indecisões ainda temos que contar com erros e indecisões de outros. E é precisamente quando fugimos a encarar a realidade que deixamos "unfinished businesses" atrás de nós, quando para evitar enfrentar um problema e resolvê-lo adiamos ad aeternum apenas na covarde esperança que ele desapareça com o tempo.
No fundo, imitamos o autocarro que numa tarde em Barcelona levou Gaudi e com ele a esperança de ver a sua obra prima terminada, o pior é que este autocarro figurativo não dá a paz da morte, dá-nos apenas a dúvida do que poderíamos ter conseguido se ao menos ...</content>
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    <issued>2011-10-17T10:35:20</issued>
    <title>História</title>
    <published>2011-10-17T09:52:14Z</published>
    <updated>2011-10-17T09:52:14Z</updated>
    <content type="html">17 de Outubro foi um dia importante ao longo da História. Por exemplo, em 539 AC Cyrus, o Grande (não estou da falar de sexo) invadiu a Babilónia e libertou os Judeus de 70 anos de escravidão que, como se sabe foi causada pelas políticas de José Sócrates. Muitos anos mais tarde, em 1660, foram executados os 9 regicidas que atentaram contra a vida de Carlos I, rei da Inglaterra. O cérebro que organizou o atentado, José Sócrates, conseguiu fugir à justiça. No século seguinte mais dois acontecimentos muito importantes na guerra de independência americana, em 1777 os ingleses são derrotados na batalha de Saratoga e em 1781 rendem-se em Yorktown, o que terminou com a guerra tendo os americanos vencido. Como é sabido, em ambas as batalhas foi o desempenho miserável do General José Sócrates que conduziu ao resultado das mesmas. Já no século XX, em 1931 Al Capone foi condenado por fuga ao fisco. A justiça americana nunca o conseguiu condenar por homicídio nem sequer por contrabando devido à prestação medíocre do promotor público José Sócrates, que foi o responsável pelo processo. Finalmente no ano 2000 ocorreu um dos maiores desastres de sempre nos caminhos de ferro britânicos. Em Hatfield o maquinista José Sócrates adormeceu enquanto brincava com um portátil pequenino azul bébé e causou o acidente.</content>
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    <issued>2011-10-10T12:12:17</issued>
    <title>Ferragudo</title>
    <published>2011-10-10T11:31:22Z</published>
    <updated>2011-10-10T13:16:42Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"A Geologia é a ciência do tempo e da pressão" diz Red a Andy no filme "Os condenados de Shawshank". Para um leigo, a definição nem está má de todo, apenas incompleta. De facto é verdade que passando o tempo certo e aplicando a pressão correcta, uma rocha se pode metamorfizar e dar origem a outra rocha completamente diferente, parece interessante, mas acreditem que não é.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Deixando para trás esta introdução geopatologicamente chata, este ano estou a trabalhar a 3 km de uma das minhas terras preferidas no Algarve, Ferragudo. Há locais em que tudo parece natural, como se a presença humana fosse um suave prolongamento da paisagem natural, Ferragudo é assim. Deitada sobre o rio, desenhada nas suas margens esta povoação parece sempre ter existido, parece que sem ela nem o próprio rio faria sentido. Tem a alma própria das terras que viveram do mar e tem o glamour de quem aprendeu a conviver com o turismo. Ferragudo é como uma orquestra em que todos os instrumentos se juntam para fazer sentido. Terras há que nos dão apenas a sensação de ruído, aqui não. Entre as esplanadas e os largos, os restaurantes da marginal estacionados em frente aos barcos de pesca, das casas que vestem a colina ao velhinho forte de S Julião, aqui se algo existe é uma sinfonia de côr e de silêncio que nos desperta os sentidos. Em Ferragudo não devia existir luz, nem escuridão. Apenas penumbra. Aqui devíamos estar sempre no pôr do sol, ou na madrugada. Nesse "tempo entre os tempos" de que os Celtas falavam, nessa mistura etérea entre dois extremos, em que ambos se encontram, se amam e se devoram numa vastidão efémera de tempo. Esta terra foi feita para ser amada, ou para se amar nela. Para nos entregarmos na ânsia de nos perdermos, de nos perdermos na esperança de nos reencontrarmos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ferragudo está separada de Portimão por um acidente hidrogeológico chamado de rio Arade, mas muito mais do que um rio, há um mundo que as separa. Portimão é claramente uma daquelas construções humanas que de tão imponente quase faz esquecer o ambiente natural que lhe serviu de substrato, em Ferragudo é a imponência do ambiente natural que torna passageira qualquer intervenção humana. Ferragudo já existia antes de ser construída, e, um dia, muito depois da nossa passagem, continuará lá, só podemos mesmo é agradecer o privilégio de a poder disfrutar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"A Geologia é a ciência do tempo e da pressão" disse Red a Andy no filme "Os condenados de Shawshank". Para um leigo, a definição nem está má de todo, apenas incompleta. Red não sabia que por vezes a Geologia se entretém a fazer poesia. Ferragudo e a foz do rio Arade são um exemplo claro disso.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-10-09T21:32:23</issued>
    <title>Quem perdeu</title>
    <published>2011-10-09T20:35:19Z</published>
    <updated>2011-10-09T20:35:19Z</updated>
    <content type="html">&lt;h6 class="uiStreamMessage"&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt;Acordei com pressentimento de quem perdeu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Amargo sabor de estado desejado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Inalcançado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Sentimentos cruzados num labirinto fechado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt;... Qual fervor imaterial que pereceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Partiste musa minha,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Alicerce de meus devaneios poéticos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Âncora de amor querido,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Partiste pelos caminhos da realidade,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Rompendo a magia de flashes de felicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Te encontrar não preciso,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Existes no meu sangue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Circulas em mim em espirais eternas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Que florescem em renovadas primaveras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt; Quem te perdeu...não sei, sei que não fui eu.&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt;
&lt;h6 class="uiStreamMessage"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"&gt;&lt;em&gt;Emílio Casanova&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h6&gt;
&lt;h6 class="uiStreamMessage"&gt;&lt;span class="messageBody translationEligibleUserMessage"&gt;&lt;br class="messageBody translationEligibleUserMessage" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt;</content>
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    <issued>2011-10-07T10:57:32</issued>
    <title>A política vista do 3º anel</title>
    <published>2011-10-07T10:13:25Z</published>
    <updated>2011-10-07T10:13:25Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O assunto é recorrente e recentemente voltou às páginas dos jornais através de dois dos mais inenarráveis políticos deste tubo de ensaio em forma de país, Alberto João Jardim e Isaltino Morais. Um, como é sabido, comprou vitórias eleitorais em barda com dinheiro que não era dele e construiu numa Região Autónoma um poder feudal, com a complacência de inúmeros governos da República, outro meteu-se em esquemas e falcatruas a mais para serem reportados em qualquer texto que eu ambicione escrever em menos de 364 horas. Em comum, não só foram eleitos, como reeleitos vezes sem conta, como ainda são defendidos pelos seus eleitores para lá de qualquer fronteira higienicamente aceitável.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Muitos tentam explicar como isto é possível, eu, como não gosto de os repetir, e como a minha indigência me leva muitas vezes a fugir de explicações complexas, o que tenho a dizer é que estes fenómenos são possíveis porque temos uma atitude futebolística perante o poder local. É incrivel como o mesmo povo que julga na mesa de café qualquer suspeita que se abate sobre qualquer figura pública nacional, e julga sumariamente, sem ver provas, sem dar direito a recurso, e muitas vezes pedindo a pena de morte, quando toda ao político da sua terra tudo é diferente. Não há razão que seja válida, não há argumento que mereça discussão. Os outros são todos ladrões, mentirosos, corruptos e tudo mais o resto, os nossos, até o podem ser, mas como são nossos ai de quem os ataque.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isto caros(as) leitores(as) é uma reacção tipicamente futebolística, o nosso clube é sempre o melhor e nunca perde por culpa própria. Infelizmente esta irracionalidade saiu do campo do desporto onde é natural (ninguém me tente provar ou convencer que ser Benfiquista não é a maior de todas as virtudes desportivas da galáxia) e contaminou a nossa forma de olhar para os políticos da nossa terra, o que explica a permeabilidade das eleições locais aos discursos mais populistas que se ouvem no país.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O exemplo de Oeiras, da Madeira bem como de outros locais, associado à extinção do IGAL promete tempos perigosos à nossa frente.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-10-07T10:43:26</issued>
    <title>Regresso</title>
    <published>2011-10-07T09:44:26Z</published>
    <updated>2011-10-07T09:44:26Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;E pronto, a pedido de várias famílias, o Despistagens regressa, agora numa nova casa. Sejam bem vindos!&lt;/p&gt;</content>
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