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  <title>O ESCAFANDRO</title>
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  <description>O ESCAFANDRO - SAPO Blogs</description>
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    <title>O ESCAFANDRO</title>
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  <pubDate>Mon, 17 Jun 2013 17:19:26 GMT</pubDate>
  <title>Newsflash: Bloco de Esquerda suaviza posição</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div&gt;Depois de muitos meses a exigir a demissão do governo, exigiu hoje apenas &lt;a href=&quot;http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3269983&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;a demissão do Ministro da Educação&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;</description>
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  <category>educação</category>
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  <category>portugal</category>
  <category>política</category>
  <category>bloco de esquerda</category>
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  <pubDate>Sun, 16 Jun 2013 18:45:13 GMT</pubDate>
  <title>Da greve dos professores</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;p&gt;Sendo favorável à existência de um sistema público de ensino (e, mais ainda, de um sistema público de saúde), momentos como o actual fazem-me pensar que, tal como sucede noutros sectores (as empresas públicas de transportes, por exemplo), os inconvenientes podem afinal superar as vantagens. As medidas propostas pelo governo não são simpáticas (nunca o poderiam ser) e algumas talvez nem sejam justas. Mas – sabemo-lo há mais de uma década – o Estado tem de cortar na despesa e o sistema de ensino, com uma relação professores/aluno acima da média europeia (e, sim, eu sei que há mil e uma justificações para tal, todas dignas de reformas que as façam desaparecer), não pode ficar de fora dos cortes. Por outro lado, também no sector privado há centenas de milhares de trabalhadores insatisfeitos com decisões do seu empregador. Trabalhadores que, como os professores, viram os seus rendimentos diminuir e que, como os professores, receiam vir a perder o emprego (nem vale a pena mencionar os que já o perderam). E, contudo, não fazem greve. Porquê? Porque sabem que apenas se prejudicariam a eles mesmos; porque sabem que os contribuintes não salvarão a sua empresa. Revoltados ou resignados, essas centenas de milhares de trabalhadores estão a ajudar o país a sair da crise. Os professores (que gostam de afirmar ser a educação fundamental para atingir tal objectivo) necessitam de decidir se querem juntar-se-lhes ou continuar a exigir-lhes que paguem a factura. Mais importante: necessitam de pensar nos alunos que tiveram à frente durante nove meses e decidir se a luta, nos termos em que a delinearam, compensa sacrificá-los. Ainda por cima, provavelmente para nada. Os professores (ou, para ser mais preciso, os sindicatos dos professores) jogaram forte, ao escolher a data da greve. Mas talvez não tenham avaliado bem (ironias...) a firmeza do governo e as consequências deste não ceder. A perturbação de Mário Nogueira, na sexta-feira à tarde, ao sair da reunião no Ministério da Educação, mostra como os sindicatos estão conscientes de que, amanhã, e ainda que a greve tenha adesão elevada, poderão ter jogado a cartada mais forte sem outros resultados práticos que não alienar parte da opinião pública. O que farão a seguir? Boicotar outros exames? Nuno Crato e o governo parecem ter percebido que não podiam ceder. Ficaria tudo em causa: as reformas na Educação e em todos os outros sectores. Até onde estão os professores dispostos a ir?&lt;/p&gt;</description>
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  <category>crise</category>
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  <category>política</category>
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  <pubDate>Sun, 16 Jun 2013 18:42:42 GMT</pubDate>
  <title>Da data das autárquicas</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div&gt;Claro que PSD e CDS preferem que as eleições autárquicas estejam despachadas antes da apresentação do Orçamento de Estado para 2014. E claro que os partidos da oposição prefeririam uma data posterior à sua apresentação, na esperança do governo lhes fornecer argumentos extra para a campanha. Mais importante no caso do PS: de modo a não existir a mínima hipótese de ter que discutir seriamente o orçamento. É este ponto que faz com que a decisão de as marcar para Setembro seja a correcta. Tanto os partidos da oposição como os eleitores possuem argumentos mais do que suficientes para a campanha (haverá alguém que precise do orçamento de 2014 para decidir uma posição?) e a demagogia extra que qualquer campanha arrasta consigo é perfeitamente dispensável durante o debate orçamental. O nível habitual de demagogia (i.e., ligeiramente abaixo do &lt;a href=&quot;http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5469985.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;patamar atingido este fim-de-semana por António José Seguro&lt;/a&gt;) bastará.&lt;/div&gt;</description>
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  <category>eleições autárquicas</category>
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  <category>política</category>
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  <pubDate>Sat, 15 Jun 2013 16:44:44 GMT</pubDate>
  <title>Paisagens bucólicas: 44</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=J5n9Mnye2vIlgqDzTTlH&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o00140f89/15019979_FZSpj.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;273&quot; height=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;S. Romão, concelho de Seia, 2009.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 15 Jun 2013 16:27:24 GMT</pubDate>
  <title>Das formas e cores: 22</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=QDNVas3epm7vBLC68aFm&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o041409fd/15114544_w4GmZ.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;338&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Caminha, 2013.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>imagens pelas ruas</category>
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  <pubDate>Sat, 08 Jun 2013 15:54:21 GMT</pubDate>
  <title>Paisagens bucólicas: 43</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=PwT3W5hfhu9CH4h2zCgq&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o2314eaaa/15084257_tARP9.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #000000; font-family: %value; font-size: small;&quot;&gt;Sognefjord, Noruega, 2013.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 06 Jun 2013 10:48:04 GMT</pubDate>
  <title>Filosofia da velocidade</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=5lJdAR68w86owPSQMy9S&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/od9138dd1/15078823_N8DBA.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;400&quot; height=&quot;267&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há exactamente uma semana, o jornal &lt;a href=&quot;http://www.suntimes.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;strong&gt;Chicago Sun-Times&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, que teve entre os seus colaboradores o recentemente falecido crítico de cinema Roger Ebert, anunciou o &lt;a href=&quot;http://www.nytimes.com/2013/06/01/business/media/chicago-sun-times-lays-off-all-its-full-time-photographers.html?_r=0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;despedimento&lt;/a&gt; de todos os fotógrafos do quadro, alegadamente por pretender dedicar mais atenção ao vídeo e, por conseguinte, ao &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. Passará a recorrer a freelancers e propõe-se dar formação aos repórteres no &lt;a href=&quot;http://www.forbes.com/sites/timworstall/2013/06/03/this-might-not-work-chicago-sun-times-fires-all-its-photographers-to-replace-them-with-iphones/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;uso do iPhone&lt;/a&gt;. É incrível como os jornais ainda não perceberam que serão incapazes de sobreviver &lt;em&gt;reduzindo&lt;/em&gt; a qualidade do produto que oferecem. Um jornal, em papel ou na &lt;em&gt;net&lt;/em&gt;, tem de fazer a diferença em relação aos blogues, ao Facebook, ao Twitter, pela fidedignidade da informação, pela profundidade das análises, pelo carácter profissional dos textos e das imagens. Não tem que cobrir &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; mas tem que cobrir &lt;em&gt;bem&lt;/em&gt;. Não pode resignar-se a ser um banco de &lt;em&gt;sound bites&lt;/em&gt; (para isso há os blogues) nem de vídeos (para isso há a televisão, com melhores meios e pessoal infinitamente mais bem preparado). Tem que apontar a um público exigente, ainda que isso signifique um enorme risco a curto prazo. Mais: tem que ajudar a formar esse público exigente, aumentando o número de consumidores potenciais. Quase todos os jornais têm feito o oposto. E, no entanto, há exemplos de publicações que obtiveram bons resultados sem sacrificar a qualidade: em 2010, as vendas do &lt;strong&gt;The Economist&lt;/strong&gt; &lt;a href=&quot;http://www.guardian.co.uk/media/2010/aug/12/abcs-current-affairs-magazines&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;estavam a subir&lt;/a&gt;; em 2012, as vendas da &lt;strong&gt;The New Yorker&lt;/strong&gt; &lt;a href=&quot;http://www.capitalnewyork.com/article/media/2012/02/5211776/latest-report-circulation-new-york-new-yorker&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;também&lt;/a&gt;. Quando o lixo se encontra por todo o lado, existe mercado para a qualidade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há meia dúzia de anos, por alturas do lançamento do seu livro &lt;em&gt;The World From My Front Porch&lt;/em&gt;, o fotógrafo &lt;a href=&quot;http://www.magnumphotos.com/C.aspx?VP3=CMS3&amp;amp;VF=MAGO31_10_VForm&amp;amp;ERID=24KL535NDZ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Larry Towell&lt;/a&gt; (espreitem os álbuns que vale a pena) afirmava:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;em&gt;I just don&apos;t shoot digital. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;I won&apos;t. I like film. Photographers today have to compete. If a picture is six hours old, it&apos;s too old to use. If you look at the coverage of the tsunami you can go on to any of the websites and there&apos;s a catalogue there of 400 photographs all taken in the past 30 minutes for you to look through. And none of them will stay with you. They&apos;re just news pictures. They&apos;re not even good news pictures.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;They&apos;re nothing -- they don&apos;t have any meaning. There&apos;s no time put in them, no thinking that&apos;s put into them and when there&apos;s no time and no thinking put into still photography or into photojournalism what does that say?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;I think that&apos;s damaging, and I think it also it destroys the notion that photography is reflective, that it&apos;s about history, that it&apos;s about self-contemplation. And it&apos;s all being replaced by a sort of philosophy of speed which is only of fleeting significance. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;I think the news is killing journalism.&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desconheço se entretanto Towell se converteu ao digital e a sua opinião constituirá um exagero (ainda hoje certas fotografias permanecem na memória) mas ele estará tão mais perto de ter razão quanto mais jornais e revistas imitarem o &lt;strong&gt;Chicago Sun-Times&lt;/strong&gt;. E descobrirem que não valeu a pena.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;(Foto de Larry Towell, da série sobre os menonitas.)&lt;/p&gt;</description>
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  <category>jornais</category>
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  <pubDate>Tue, 04 Jun 2013 11:40:13 GMT</pubDate>
  <title>Notas de viagem: perder a inocência sem perder a alma</title>
  <author>jaa</author>
  <link>http://escafandro.blogs.sapo.pt/464991.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=Cl6VJOPeUfy3kzSvwDyW&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oe913a9f4/15070421_ZlyFy.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;400&quot; height=&quot;272&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Sábado, 25 de Maio, à noite. Nos ecrãs do comboio que liga o aeroporto de Estocolmo à cidade, informa-se – em inglês – que grupos de «pais» patrulham as ruas dos bairros onde se têm verificado confrontos e que o acto recebeu elogios da polícia. Porque os &lt;em&gt;fait divers&lt;/em&gt; são hoje tão importantes como as notícias «sérias» (com a necessidade de escape que parecemos ter, é possível que até sejam &lt;em&gt;mais&lt;/em&gt; importantes), a notícia seguinte é acerca de um acidente rodoviário causado por uma fêmea de alce que decidiu dar à luz no meio de uma estrada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Domingo, 26 de Maio, à tarde. A campa de Olof Palme encontra-se numa pequena praça situada a menos de duzentos metros do local onde ele foi assassinado, ao regressar do cinema com a mulher. É uma praça rectangular, com uma igreja rodeada por um pequeno cemitério. Quase todas as campas têm cruzes mas não a dele. A dele tem uma pedra. É uma campa bonita. Foi vandalizada, há uns tempos, com graffiti. Não consigo lembrar-me se, desde a morte de Palme, mais algum líder europeu de uma nação em paz foi assassinado. Certamente o último caso não poderá ter sido aqui, num país rico, evoluído, &lt;em&gt;tolerante&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quarta-Feira, 29 de Maio, ao fim da tarde. O Mercado de Peixe é um dos pontos de interesse da cidade de Bergen, na Noruega. Porém, como muitos outros locais em países desenvolvidos, trata-se hoje de uma área para consumo turístico. Há bancadas ao ar livre, cobertas por toldos, onde são preparadas refeições na hora. Numa delas, uma rapariga sorridente responde ao inglês com castelhano. Explica que é uma de duas espanholas a trabalhar naquela banca e que entre os colegas estão um italiano, uma francesa, dois brasileiros e uma uruguaia. Nos países desenvolvidos não apenas as tradições foram convertidas em atracções turísticas como, ainda por cima, são mantidas por imigrantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sexta-Feira, 31 de Maio, ao fim da tarde. Do lado de dentro do balcão do McDonald’s de Aker Brygge, em Oslo (Aker Brygge é uma zona nova, de prédios de vidro e metal, com bares e restaurantes e passadiços junto à água), encontram-se três jovens de pele negra, um que parece indiano ou indonésio, e uma rapariga com traços que lembram os nativos da América Latina. Cabeças louras apenas do lado de fora do balcão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sábado, 1 de Junho, à tarde. Na estação de metro de Majorstuen, em Oslo, cinco rapazes de quinze ou dezasseis anos e aparência sul-americana envolvem-se numa discussão com um rapaz de aproximadamente vinte, alto e louro. Não percebo quem começou nem porquê mas o incidente só não descamba em violência física porque a acompanhante do rapaz louro – tão loura quanto ele – se interpõe. Seguem todos pela plataforma em direcção à saída, trocando frases em tom agressivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em qualquer das três cidades (Estocolmo, Bergen, Oslo), é notório o elevado número de pessoas com ascendência noutras paragens – em África, na América Latina, no Extremo Oriente. Pessoas habituadas a temperaturas de trinta e tal graus, forçadas a suportar menos dez ou menos vinte (no Inverno; agora andam pelos dezoito, dezanove e está-se bem), ocupando os empregos a que os nórdicos já não precisam de se submeter. Em teoria, os imigrantes são bem tratados. Estes são países com leis evoluídas. Mas com que olhos verão os imigrantes – e em especial os filhos dos imigrantes – as diferenças de rendimento? Não será a pobreza (ainda que relativa, tão inferior à que experimentariam nos países de origem que talvez o termo nem faça sentido) uma condição especialmente frustrante quando se está rodeado por gente rica (e, ainda por cima, atraente)? E depois há a reacção dos nórdicos. Gostamos de pensar neles como tendo uma mentalidade aberta, tolerante, progressista. É uma visão demasiado benigna mas comecemos por algo que sucede em todos os países onde os imigrantes preenchem os tais empregos que os autóctones recusam (logicamente, uma vez que dispõem de melhores alternativas): a presença deles, que a cor da pele e os hábitos culturais tornam indisfarcável, constituiu uma acusação silenciosa (ainda que injusta) de egoísmo. São um lembrete constante de que o igualitarismo é sempre mais teórico do que real (mesmo em países que se orgulham dele), de que, por mérito ou por sorte (normalmente por uma mistura dos dois factores), há sempre privilegiados. Na nota inicial de &lt;em&gt;Child Wonder&lt;/em&gt;, um dos livros de autores nórdicos contemporâneos que enfiei no Kindle para a viagem, o norueguês Roy Jacobsen escreve: &lt;em&gt;Os meus heróis são crianças. Crianças corajosas, lutadoras. Crescendo numa área de operários nos arredores de Oslo no início dos anos sessenta – uma época de confusão, excitação e experiências sociais violentas. Antes do petróleo. Antes de alguém ter qualquer dinheiro. Quando um estado social social-democrata não passava de uma ideia vaga e desesperada, pouco condizente com a sociedade noveau-riche que produziu em poucas décadas. Esta foi uma mudança tão abrupta, radical e inédita na história da Noruega que tudo o que resta é uma nostalgia ambígua e histórias reais acerca desse eterno assunto: como perder a inocência sem perder a alma. Este romance é dedicado àqueles miúdos que conseguiram. E aos que não conseguiram. Amo-os a todos.&lt;/em&gt; (Tradução minha, a partir da versão em inglês.) A memória dos anos de penúria continua presente e assusta ou, pelo menos, confunde. Das tramas dos policiais de Henning Mankell aos recentes motins em Estocolmo, passando pelo assassinato de Palme e pelos resultados eleitorais de alguns partidos extremistas, abundam indícios de que, no instante em que nível de vida actual ficar em risco, todo o cosmopolitismo se desvanecerá. Sendo que, mesmo agora, uma época de riqueza e abertura, uma época em que a cada instante nos cruzamos com casais homossexuais nas ruas, certas diferenças continuam a assustar muita gente. Afinal, foi em Oslo que, faz este mês dois anos, um fanático assassinou dezenas de pessoas em nome da ideia da separação cultural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quarta-feira, 29 de Maio, à noite. No exterior da sala de espectáculos Edvard Grieg, em Bergen, um grupo de jovens diverte-se bebendo cerveja e dançando o Charleston. Observo-os durante alguns minutos. Mais tarde, ocorrer-me-á que os &lt;em&gt;roaring twenties&lt;/em&gt;, a década em que o Charleston esteve na moda, foram seguidos pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra Mundial; mas, no momento, o ambiente de descontracção nem me leva a reparar na cor do cabelo deles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;Na foto: a campa de Olof Palme.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 01 Jun 2013 16:11:10 GMT</pubDate>
  <title>Imagens recolhidas pelas ruas: 91</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=l1qcZIwijHbg0seLbGrb&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o7e131300/15056836_3f8sf.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Estocolmo, 2013.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 25 May 2013 16:07:22 GMT</pubDate>
  <title>Paisagens bucólicas: 42</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=rb7m9UO0sZDO2pZoFZFB&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o2414063f/15019878_d5sdi.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;298&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Helsingor (que Shakespeare imortalizou como &quot;Elsinore&quot;), Dinamarca, 2007.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>paisagens bucólicas</category>
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  <pubDate>Sat, 18 May 2013 16:17:34 GMT</pubDate>
  <title>Das formas e cores: 21</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 10px;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=s0vt0l2Z5NnUD7pNUl29&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: #000000 2px solid;&quot; src=&quot;http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o2106c07f/8233202_iHaM7.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;265&quot; height=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Porto, 2008.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 16 May 2013 07:23:34 GMT</pubDate>
  <title>Novo estudo sobre tendências de consumo revela dado surpreendente</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;p&gt;Seis milhões de portugueses reagem mal a descontos.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 13 May 2013 18:26:52 GMT</pubDate>
  <title>De Duluth, no Minnesota...</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/5rAdzJ1U0RU&quot; width=&quot;485&quot; height=&quot;374&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os &lt;a href=&quot;http://chairkickers.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Low&lt;/a&gt; (Mimi Parker e Alan Sparhawk, casados, mórmones, dois filhos, desde há uns anos acompanhados pelo baixista Steve Garrington), que já por aqui passaram várias vezes (cliquem na &lt;em&gt;tag&lt;/em&gt;), são uma paixão de meia dúzia de pessoas. Enfim, meia dúzia e eu. No início da carreira, ainda em plena onda grunge, a sua música lenta, embora intensa, foi muitas vezes mal recebida em concerto. Diz-se que eles reagiam &lt;em&gt;reduzindo&lt;/em&gt; o nível da amplificação. Mais tarde introduziram algumas variações de ritmo e, desde &lt;em&gt;Trust&lt;/em&gt;, de 2002, quase todos os álbuns incluem temas mais... hmm, digamos animados, com destaque para &lt;em&gt;The Great Destroyer&lt;/em&gt;, de 2005, onde se encontra uma das (é verdade que muitas) canções da minha vida: &lt;em&gt;When I go deaf &lt;/em&gt;(abaixo, em actuação ao vivo; &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=oDMiDCp6y5U&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;, em versão de estúdio, com melhor som de forma a nenhuma palavra ficar pelo caminho). No último álbum, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.amazon.co.uk/The-Invisible-Way-Low/dp/B00ABIRE14/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;amp;qid=1368448096&amp;amp;sr=8-1&amp;amp;keywords=low&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;The Invisible Way&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;single&lt;/em&gt; acima), Mimi canta mais do que é habitual mas isso está longe de ser um ponto negativo. A qualidade mantém-se.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/wRhCYFLI71U&quot; width=&quot;485&quot; height=&quot;374&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 11 May 2013 16:33:38 GMT</pubDate>
  <title>Paisagens bucólicas: 41</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=LfaDjaWf3hfGHztfItIO&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o9f14726e/14969966_dB5cZ.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;309&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, 2013.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 11 May 2013 15:06:51 GMT</pubDate>
  <title>Check-list</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=KqEFeFcwuHjavnGgJp4D&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o5a146641/14969930_eYg3Z.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;418&quot; height=&quot;279&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;OK, acho que estou preparado para o Porto - Benfica.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 09 May 2013 12:40:37 GMT</pubDate>
  <title>Como desperdiçar clientes em tempo de crise (2)</title>
  <author>jaa</author>
  <link>http://escafandro.blogs.sapo.pt/462761.html</link>
  <description>&lt;div&gt;Um estudo da GfK indica que em 2012 se vendeu &lt;a href=&quot;http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/lazer/cultura/menos-um-milhao-de-livros-vendidos-em-2012&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;menos um milhão de livros&lt;/a&gt; em Portugal do que no ano anterior. Dificilmente alguém ficará surpreendido. Embora a crise force muita gente a permanecer mais tempo em casa, os livros estão caros, têm forte concorrência (telemóvel, cinema, TV por cabo, internet) e, não obstante as ilusões de quem gosta deles, dificilmente podem ser considerados bens de primeira necessidade. No que me diz respeito, tenho a sorte de ainda não ter sido forçado a comprar menos. Nem por isso editoras, gráficas e livrarias portuguesas mantiveram o nível de rendimentos que tradicionalmente obtinham comigo. Uma contagem rápida e aproximada (não anoto datas de compra) permitiu-me determinar que, desde o início de 2011, adquiri cerca de cento e setenta (há ainda os do kindle mas estes foram quase todos gratuitos ou a menos de cinco dólares). Dos cento e setenta, as editoras e livrarias portugueses venderam-me pouco mais de quarenta, metade dos quais em saldo. Numa inversão de hábitos (até 2011 fizera questão de privilegiar as edições nacionais), comprei os restantes em edição estrangeira, através da internet (quase todos na Amazon britânica). Porquê? Obviamente, por causa do acordo ortográfico. Não comprei nem – já o afirmei várias vezes – faço tenções de comprar nos próximos anos um único livro cuja edição lhe siga as regras. &lt;em&gt;Who cares?&lt;/em&gt;, perguntarão alguns. (Peço desculpa pelo uso do inglês mas os hábitos vão-se instalando.) Pois, talvez seja irrelevante. Sou apenas um cliente. Perder um cliente e uma centena de vendas em dois anos e meio é capaz de não ser grave, mesmo em tempos de crise. A não ser que a crise não explique uma parte relevante do tal milhão de exemplares vendidos a menos. Se existirem mais novecentas e noventa e nove pessoas como eu, a crise não pode ser responsabilizada por várias dezenas de milhares dessas vendas perdidas. E bastará que, em resultado do acordo, vinte mil pessoas tenham comprado menos dez livros cada uma em 2012 para que a crise apenas represente uma quebra de oitocentos mil exemplares. Quem pode ter a certeza? Não eu – mas continua a parecer-me má ideia alienar clientes em época de crise económica.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Enfim, signifique a implementação do acordo uma quebra de quarenta ou cinquenta exemplares por ano (os que eu compro a menos) ou de várias centenas de milhares, uma coisa posso acrescentar – e muitos não gostarão das linhas que se seguem mas &lt;a href=&quot;http://escafandro.blogs.sapo.pt/371324.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;a intensidade da minha opinião&lt;/a&gt; é clara desde há bastante tempo: notícias sobre editoras em dificuldades apenas me causarão pesar se as atingidas estiverem entre as poucas que continuam a resistir; notícias sobre livrarias forçadas ao encerramento levar-me-ão (ou levam-me, porque já são uma realidade) a encolher os ombros. A forma como quase todo o mundo editorial português foi cúmplice desta reforma de mangas-de-alpaca, renegada ou adiada em todos os países de língua portuguesa excepto aquele onde ela nasceu, torna certas consequências merecidas. Ou, no mínimo, a encarar com a falta de boa vontade inevitável nos escorraçados.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;Demasiado duro? Está bem, acabo com uma nota positiva: para além de ser bastante melhor ler as obras no original (e uma tradução para inglês não é necessariamente pior do que uma tradução para português), a implementação do acordo permitiu-me melhorar a leitura do francês e descobrir que consigo ler espanhol. Pelo que se calhar até devia estar agradecido a quem mo impôs. Obrigadinho. Ou melhor: thanks; merci; gracias.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Adenda&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Obviamente, irei comprar &lt;a href=&quot;http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5381011.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;este livro&lt;/a&gt; – e ainda hoje. Parabéns, Pedro.&lt;/div&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://escafandro.blogs.sapo.pt/437923.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Como desperdiçar clientes em tempo de crise (1).&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>acordo ortográfico</category>
  <category>livros</category>
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  <pubDate>Wed, 08 May 2013 20:11:50 GMT</pubDate>
  <title>Pensamento de final de dia</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;p&gt;A opinião mais sensata é aquela com que quase todos concordam, a mais gratificante – e intrinsecamente mais inteligente – é aquela de que quase todos têm dificuldade em discordar.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>final de dia</category>
  <category>vida</category>
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  <pubDate>Mon, 06 May 2013 21:37:04 GMT</pubDate>
  <title>O chulo e o traficante de droga</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ela diz que que um chulo vai lá almoçar, e também um traficante de droga, ambos em plena luz do dia. Apontou-mos, com muitos sussurros excitados. O chulo vestia um fato de três peças e parecia um corretor da bolsa. O traficante de droga tinha um bigode cinzento e roupa de ganga, como um sindicalista dos velhos tempos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Margaret Atwood&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;O Assassino Cego&lt;/em&gt;. Tradução minha.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 04 May 2013 16:17:24 GMT</pubDate>
  <title>Imagens recolhidas pelas ruas: 90</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;padding: 10px 0px; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=keIQZ9lRpziIwjOSFWGc&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 2px solid #000000;&quot; src=&quot;http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oc2095b96/12268780_sZgZB.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; height=&quot;307&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Porto, 2005.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 03 May 2013 21:55:58 GMT</pubDate>
  <title>Numa palavra: finalmente</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div&gt;Isto admitindo que, por entre a contestação de funcionários públicos e pensionistas, os recursos para o Tribunal Constitucional e a má vontade de uma fracção do próprio governo, &lt;a href=&quot;http://www.publico.pt/economia/noticia/reforma-sem-penalizacao-so-aos-66-anos-1593286#/0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;o discurso&lt;/a&gt; é para levar a sério. A «redefinição das funções do Estado» está longe de ser óbvia mas convenhamos que parte da utilidade do conceito é prolongar os debates, adiando o momento em que se faz realmente alguma coisa.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 03 May 2013 16:44:52 GMT</pubDate>
  <title>Excelente timing de Passos Coelho</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;p&gt;Há seis milhões de portugueses que hoje nem ele conseguirá fazer deixar de sorrir.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 03 May 2013 08:30:27 GMT</pubDate>
  <title>Amesterdão</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.publico.pt/desporto/noticia/benfica-numa-final-europeia-23-anos-depois-1593181#/0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;em&gt;Zona vermelha&lt;/em&gt; vai adquirir outro significado.&lt;/a&gt; E provavelmente ganhar má fama.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 02 May 2013 20:28:51 GMT</pubDate>
  <title>Abenomics</title>
  <author>jaa</author>
  <link>http://escafandro.blogs.sapo.pt/460804.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 10px;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=ytYIs6oZIakZ8l5zuS3E&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: #000000 0px solid;&quot; src=&quot;http://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba913feb2/14930704_2sFDI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;350&quot; height=&quot;252&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;O termo deriva do nome do primeiro-ministro japonês eleito em Dezembro passado, Shinzo Abe. Tentando contrariar duas décadas de marasmo da economia, afogada em dívida e deflação, presa a um iene demasiado forte para os interesses das empresas locais (quase todos os grandes grupos japoneses têm apresentado prejuízos e perdido terreno para os seus congéneres coreanos e chineses), Abe propõe-se aumentar a concorrência em sectores até agora protegidos (a energia, três vezes mais cara do que na Coreia do Sul, é fornecida em regime de quase monopólio por um conjunto de empresas regionais; existem barreiras à entrada de produtos agrícolas, sendo os agricultores o grupo que mais contesta a eventual adesão do país à Parceria Trans-Pacífico), bem como aplicar um conjunto de medidas radicalmente expansionistas, das quais se destacam um estímulo fiscal de 107 biliões de dólares e uma atitude mais interventiva por parte do Banco do Japão – cujo novo presidente, Haruhiko Kuroda (uma escolha de Abe), anunciou há cerca de um mês pretender comprar 70% de todos os novos títulos de dívida pública e duplicar o dinheiro em circulação no prazo de dois anos. Abe tem ainda pedido às empresas privadas para aumentarem salários mas sem grande êxito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Como seria de esperar, Paul Krugman aplaudiu. Outros economistas da escola keynesiana também. Naturalmente, há vozes menos entusiásticas, algumas das quais afirmam que o Japão apenas acelerou o trajecto para a bancarrota. Veremos. Para já, tanto os mercados como os empresários locais estão satisfeitos. Desde Novembro, &lt;a href=&quot;http://www.bloomberg.com/quote/USDJPY:CUR/chart&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;o iene desvalorizou cerca de 25%&lt;/a&gt; em relação ao dólar e o &lt;a href=&quot;http://www.bloomberg.com/quote/NKY:IND/chart&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;índice Nikkei subiu mais de 50%&lt;/a&gt;. Mas estas eram reacções expectáveis. Primeiro pela tão falada questão da psicologia dos mercados. Depois por quase ainda não se ter saído da fase da retórica. Finalmente porque, a existir, a factura demorará algum tempo a chegar. Seja como for, não obstante todas as particularidades da situação japonesa (deflação, mais de 90% da dívida detida internamente, capacidade de inovação de muitas empresas, diferenças culturais que se reflectem na preferência por produtos nacionais, forte possibilidade de atritos políticos e comerciais com a China, etc.), trata-se de uma experiência que outras partes do mundo, igualmente atoladas em dívida (e, no caso europeu, com assimetrias difíceis de gerir no quadro de uma moeda única), acompanharão com interesse. Seja para acabarem cedendo às vozes dos que nelas desejam fazer o mesmo (e entenda-se por «o mesmo» a parte pública e expansionista do plano, não a da liberalização de mercados), seja para validarem a posição oposta e aproveitarem os fluxos de capitais em fuga.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;Dois artigos sintéticos sobre o assunto: um do &lt;a href=&quot;http://www.economist.com/news/business/21575825-things-are-looking-up-under-new-prime-minister-appraising-abenomics&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Economist&lt;/a&gt; (razoavelmente entusiasta), outro da edição em inglês da &lt;a href=&quot;http://www.spiegel.de/international/business/risky-economic-plan-for-japan-inspires-hope-and-fear-a-894625.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Der Spiegel&lt;/a&gt; (razoavelmente neutro).&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;Imagem &lt;a href=&quot;http://www.brecorder.com/markets/fxmm/asia/90839-yen-weak-in-asian-trade-on-japan-easing-hopes-.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;daqui&lt;/a&gt;, através do Bing.&lt;/div&gt;</description>
  <comments>http://escafandro.blogs.sapo.pt/460804.html</comments>
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  <pubDate>Tue, 30 Apr 2013 10:03:25 GMT</pubDate>
  <title>Diário de dias banais ou usando a indiferença para evitar a histeria</title>
  <author>jaa</author>
  <link>http://escafandro.blogs.sapo.pt/460720.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Segunda-feira, 22 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De manhã, aproveitando uma conferência de imprensa de outro modo inútil, o ministro Poiares Maduro fartou-se de mencionar a palavra «consenso». António José Seguro, sempre iludido acerca da sua própria importância no &lt;em&gt;grand scheme of things&lt;/em&gt;, resmungou ser tarde para consensos. Assumindo que merece a reputação de inteligência que tanta gente lhe atribuiu no último par de semanas, o ministro Poiares Maduro não terá ficado nem surpreendido nem demasiado incomodado: como se comprovaria três dias mais tarde, a pessoa que devia ouvir e apreciar os apelos ao consenso, ouvira-os e apreciara-os (ver quinta-feira, 25).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À tarde, o ministro Santos Pereira, revelando estar finalmente a conseguir agir como ministro, apresentou um plano inútil repleto de clichés e intenções grandiosas. Foi severamente criticado por ter demorado uma eternidade a apresentá-lo e por as intenções nele expressas não serem suficientemente grandiosas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Terça-Feira, 23 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É estranho, até um pouco assustador, mas não me lembro de um único pormenor deste dia. Tê-lo-ei passado a dormir? Tê-lo-ei eliminado da memória em resultado de uma experiência traumatizante? Mas, neste caso, que experiência poderia levar-me a uma reacção tão definitiva? Um assassinato? Um sonho húmido com a Ana Gomes? Uma tentativa para ler um livro do José Rodrigues dos Santos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Quarta-Feira, 24 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estive presente numa reunião com pessoas simpáticas e faladoras. Foi tão produtiva como os últimos conselhos de ministros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Quinta-feira, 25 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O presidente Cavaco Silva mostrou que: (1) ouvira os apelos ao consenso que o ministro Poiares Maduro, por ordem/sugestão (riscar a que parecer menos adequada) do presidente Cavaco Silva, lançara na direcção do PS; (2) não gostara da resposta do PS. Fez tudo isto nas comemorações do 25 de Abril, através de um discurso inesperadamente inteligente e sensato. Esqueceu-se, porém, de que o 25 de Abril, não obstante todos os seus pontos positivos, é muito mais acerca de fervor revolucionário e grandes quimeras do que acerca de sensatez. A oposição reagiu com a ferocidade e demagogia que lhe competiam. Ainda assim, António José Seguro não exigiu a realização de eleições antecipadas para a Presidência da República.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sexta-Feira, 26 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acordar para o mundo real no dia 26 de Abril é sempre difícil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A secretária de Estado Maria Luís Albuquerque explicou que o governo conseguira reduzir em 170 milhões de euros (uau) as perdas potenciais de 3000 milhões de euros (17,6 vezes uau) a que as empresas públicas se haviam arriscado, na sequência da contratação de instrumentos financeiros que os seus gestores, mais habituados a calcular prémios de desempenho, estariam longe de compreender. Evidentemente, nada disto significa que as empresas públicas devam ser fechadas, privatizadas ou concessionadas. Não significa sequer que os seus custos operacionais devam ser reduzidos, excepto se puderem ser reduzidos sem custos. Significa antes que coisas assim são uma vergonha e que os envolvidos deviam ser presos e que é preciso garantir que, sem mudar o que quer que seja, no futuro tudo se passará de forma diferente, o que talvez recomende a constituição de um grupo de trabalho incumbido de apresentar um «plano», e que... &lt;em&gt;bla bla bla ad nauseum&lt;/em&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Pelo menos – feliz o país em que, por levar o epíteto de evolução, isto merece registo – o caso fez perder o lugar a dois secretários de Estado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sábado, 27 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ouvi algures (seria o televisor da vizinha?) que decorria um congresso do Partido Socialista mas resolvi prestar-lhe atenção apenas depois de esgotadas todas as opções televisivas mais excitantes, como as televendas, os programas do canal BabyTV e as receitas do &lt;em&gt;chef&lt;/em&gt; Hélio Loureiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Domingo, 28 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Continuei sem ver uma imagem do congresso do Partido Socialista mas, pelo final da tarde, ouvi dizer (tenho mesmo de ter uma conversa com a vizinha) que o plano de António José Seguro para resolver os problemas do país é tão infalível que se encontra apenas dependente da boa vontade de terceiros. Uma das alíneas passará pela redução dos rácios de solvabilidade dos bancos nacionais. &lt;em&gt;Tsk, tsk&lt;/em&gt;. Esvaíram-se depressa, os desejos de mais regulamentação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para evitar pensar no Seguro ou na vizinha, pus-me a rever &lt;em&gt;A Noite da Iguana, &lt;/em&gt;em DVD. Quando o filme terminou passei para a televisão de forma imperdoavelmente displicente (estaria ainda sob os efeitos da Ava Gardner) e José Sócrates encheu-me o ecrã. Atarantado, carreguei no botão mais ao dedo e Richard Burton sobrepôs-se-lhe. Suspirei de alívio. As personagens de Tenessee Williams podem ser problemáticas e até desagradáveis mas pelo menos mantêm uma possibilidade de redenção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Segunda-Feira, 29 de Abril&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vesti um pólo de manga curta mas a manhã esteve fresca. Toda a gente se meteu comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ministro Vítor Gaspar entrou no jogo dos apelos ao consenso. Fê-lo alertando para a inevitabilidade de o consenso ter de se formar em torno da reestruturação e do redimensionamento do Estado. É nestes pormenores que se detecta que o ministro Vítor Gaspar não é muito bom a acompanhar o sentido dos tempos. O consenso na sociedade portuguesa já é outro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Terça-Feira, 30 de Abril (hoje)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ocorre mais um (interminável?) conselho de ministros na interminável série de intermináveis conselhos de ministros em que, desde a sapientíssima decisão dos treze vultos mais insignes da nação, o governo anda embrenhado, sem conseguir chegar a decisões sobre onde e como cortar num Estado que ainda representa quase metade do PIB. Cambada de neoliberais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Quarta-Feira, 1 de Maio (amanhã)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é altura de lhe mudar o nome para dia do trabalhador &lt;em&gt;e da trabalhadora&lt;/em&gt;?&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 27 Apr 2013 16:20:35 GMT</pubDate>
  <title>Com o Douro por cenário: 46</title>
  <author>jaa</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 10px;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/jotaaa/fotos/?uid=qWNy5WzbPs2TUVZc3vAF&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: #000000 2px solid;&quot; src=&quot;http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/oa813f88d/14911186_qWa15.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;267&quot; height=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Porto, 2013.&lt;/p&gt;</description>
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