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Entrevista: Ferreira Fernandes

José Joaquim Ferreira Fernandes, nascido em 1948 em São Paulo, Luanda, é cronista e repórter. Emociona-se quando fala da infância em Luanda, e da Luanda de hoje. Tenso quando diz que não gosta do que pensou e fez nos anos de 1974 e 1975

EXCLUSIVO: Salman Rushdie sobre García Márquez

«Ele era jornalista e nunca perdia os factos de vista. Era um sonhador que acreditava na verdade dos sonhos. Era também um escritor capaz de momentos de uma beleza delirante e por vezes cómica.»

Joaquim Leitão: um gajo atado à cama

A sua cinefilia não nasceu com a Super 8, mas nas cadeiras dos «cinemas de reprise». Nos anos 60, estas salas eram uma espécie de clube de vídeo dois filmes por cinco escudos. Foi assim que chocou de frente com «o primeiro par de seios». E assim se fez um cinéfilo. Por Henrique Raposo.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014
«Vejam lá se deixam de se armar em espertos.»
28 Julho, 2014

Na caixa de comentários a este post (uma ironia sobre o preço dos livros), alguém que — sem ironia — lança este desafio, o de deixarmos de nos armar em espertos:

«Mas tomam as pessoas por parvas? É óbvio que os livros são caros. Por que razão não incluiram na lista de comparações CD's de música ou DVD's de cinema? Por que motivo um CD produzido por um colectivo de 5 músicos (por exemplo) é mais barato que um livro produzido por um indivíduo munido apenas de um computador? Por que motivo um filme produzido por uma equipa de dezenas de profissionais chega-nos mais barato em DVD que um livro elaborado por apenas uma pessoa? Vejam lá se deixam de se armar em espertos.»

publicado por Ler às 11:15
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Harry Hole: a alma que despedaça o coração
28 Julho, 2014

 

A «descoberta dos nórdicos» é uma revolução sentimental na literatura de crime. O inspetor-chefe criado por Jo Nesbø (músico – um álbum a solo, quatro na banda Di Derre –, antigo corretor da bolsa) interpreta um papel difícil e amargo: o de um herói em busca de uma consolação que não existe. A Noruega está povoada da sua solidão e da sua melancolia em 10 livros.

 

Texto de Francisco José Viegas

 

Quantas vezes encontramos Harry Hole pelas ruas de Oslo? Só se tivermos sorte. No n.º 5 da Rua Sophie, os moradores colocaram uma pequena placa lembrando que Harry Hole «vive» ali. O seu vizinho paquistanês, Ali, proprietário de uma mercearia, não tem direito a placa, mas sem ela a vida de Harry Hole seria completamente diferente. Ao fim de cinco livros (Vingança a Sangue-Frio, O Redentor, O Pássaro de Peito Vermelho, A Estrela do Diabo e O Boneco de Neve Caçadores de Cabeças está traduzido mas não faz parte da lista das investigações de Hole), ele cabe neste retrato: magro, cada vez mais magro, mal barbeado, descuidado, frequentemente ferido por isto ou aquilo, amado e odiado na polícia de Oslo, mal alimentado, fumador e não fumador, autodestrutivo (ao ponto de afastar uma mulher que ama), com má pontaria – e alcoólico:

«– O meu nome é Harry – disse o homem numa voz grave. A fina rede de veias vermelhas do seu grande nariz indiciava muitos anos de vida longe da sobriedade. – Sou alcoólico.»

Hole vive permanentemente entre o alcoolismo e a fuga ao álcool («O lobo solitário, o bêbedo, o enfant terrible do departamento.»), ludibriando os amigos, o chefe Bjarne Møller, Rakel, a colega Beate Lønn, o psicólogo Ståle Aune – exceto a parceira Ellen Gjelten, que viria a ser assassinada, e Tom Waaler, a sua besta negra, o polícia que Hole persegue como Holmes luta com Moriarty, até à morte. Por vezes engana-os, bebendo cerveja sem álcool – ou, às escondidas, comprando água mineral –, mas há quase sempre uma garrafa que se equilibra com dificuldade na extremidade de uma mesa ou de uma noite amarga: Jim Beam, de Clermont, no Kentucky.

 

 

Ilustração de Pedro Vieira ©

 

Se Harry Hole tivesse conhecido a dupla Terry Lennox/Philip Marlowe (d’O Imenso Adeus, de Chandler) é provável que partilhasse a bebida com eles, mas não o bar, porque o álcool é a sua droga de solitário. «Harry odiava bares temáticos: bares irlandeses, bares topless, bares na moda ou, os piores de todos, bares de celebridades onde as paredes estavam cheias de fotografias de clientes regulares com alguma notoriedade.» Em quase todos foi posto na rua. Bebeu demais e foi inconveniente. O homem que em vários dos seus livros é apresentado como «o heroico polícia norueguês», especialista em serial killers (estudou com o FBI em Chicago), que matara um assassino na Austrália, que é convidado pelos programas de maior audiência em televisão, não sucumbe apenas ao álcool – há também Rakel (estiveram juntos num concerto dos Raga Rockers em 1988, mas não se conheciam na época). Rakel Fauke (filha de um «historiador amador», antigo militar na Segunda Guerra) sobreviveu a um cargo diplomático e a um casamento russo e é mãe de Oleg (a quem Harry há de oferecer discos dos Led Zeppelin e The Who).

Ao seu lado, Harry Hole consegue ver andorinhas enquanto o Sol parece tingir-se de vermelho, recortado sobre o fiorde de Oslo, e promete passar duas semanas na Normandia ou alugar uma cabana junto de um lago para ensinar Oleg a nadar. Mas tanto o trabalho como o álcool acabam por impedir seja o que for. «Nunca lhe prometera que não voltaria a ficar feito em pedaços. Nunca lhe prometera que as coisas seriam fáceis com ele.»

 

    

Às vezes, Harry leva Rakel a almoçar a Oppsal, onde vivem o pai e a irmã, Sis. Às vezes, no caminho para Holmenkollen, pensa em substituir o carro, um Ford Escort de 20 anos. Muitas vezes não toma banho e alguém o avisa de que cheira mal. Fica envergonhado e promete corrigir-se. Ou pensa em Sølvi, uma rapariga que namorou durante um verão em Åndalsnes, durante a adolescência. Uma vez, Harry quase traiu Rakel com Anna Bethsen, uma cigana, artista plástica – mas ela apareceu morta no dia seguinte a um jantar exótico. Depois, quase a traiu de novo com Vibeke Knutsen, pele branca, voluptuosa, ex-alcoólica como ele, a quem Harry diz: «Seja o que for que queres de mim, eu não tenho.» Há uma canção de Bob Dylan muito parecida. Depois, um dia, é a vez de Rakel sucumbir e passar a viver com Mathias Lund-Helgesen – mas uma noite, uma noite em que Harry estava a ouvir Franz Ferdinand em casa, ela visita-o (isso acontece no seu melhor livro, O Boneco de Neve) e a sua história pessoal da Noruega altera-se de novo, altera-se sempre até que, uma vez por outra, a realidade se encarrega de oferecer um crime de sonho a Harry: um serial killer.

Às vezes, Harry Hole sonha com as vítimas: o corpo de uma mulher decapitada e retalhada, encontrada numa floresta; o cadáver encontrado na arca frigorífica de um barco de recreio na baía de Bergen; uma mulher assassinada enquanto toma duche durante uma tarde de verão, quando a temperatura se aproxima dos 36 graus e a noite nunca mais desce sobre Oslo, a cidade que ama e que descreve ou percorre com minúcia. A sua Noruega não é um mundo organizado, como nos livros de Knut Hamsun ou no «programa ideológico» de Sjöwall e Wahlöö; pelo contrário, é uma espécie de plataforma onde se movimentam polícias corruptos, jornalistas que cedem à chantagem, gangues de nazis, praças onde se vende droga e imigrantes esperam pelas carrinhas do Exército de Salvação, arquitetos de casas de luxo, assassinos a soldo, médicos obcecados pela morte, desconhecidos que protegem o seu passado e nunca serão bem-sucedidos, ricos que se encaminham para a falência, mulheres como Ragnhild Gilstrup que constroem o seu mundo de moralidade e sexo. Nesse cenário, o Estado «de bem-estar» desapareceu há muito. Quando uma mulher pergunta a Harry Hole se ele vai beber com um grupo de amigos, ele responde: «Não tenho amigos.»

 

Publicado na revista LER, n.º133

publicado por Ler às 08:21
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014
Rui Tavares sobre Vladimir Putin: «O orputinismo»
25 Julho, 2014

Ao contrário de pelo menos alguns que, por frustração com a União Europeia e o «Ocidente», encaram com equanimidade as ações de Putin, eu estive na Rússia de Putin e conheço bem alguns dos democratas russos que sob ele padecem.

 

 

Texto de Rui Tavares

 

Onde vai isto parar? Não sei se o deveria dizer, mas desde o início da crise ucraniana que receio que haja um objetivo final para Putin: Odessa. Olhando para um mapa, é quase no extremo oposto da região onde as forças pró-russas mantêm ainda ocupados os edifícios da administração ucraniana. Mas historicamente Odessa era a grande cidade russa (e judaica) da Nova Rússia, como os czares chamaram à faixa de território junto ao mar Negro que conquistaram ao Império Otomano no fim do século XVIII. É ainda uma cidade maioritariamente russófona, embora pareça ser de maioria étnica ucraniana, tanto quanto se possam distinguir estas coisas. E permite duas coisas: ligar a Rússia à região separatista da Transdnístria, na Moldávia, e cortar o acesso da Ucrânia ao mar Negro. Sem litoral, a Ucrânia fica reduzida a Kiev e às antigas regiões austro-húngaras (e polacas) da Galícia, sem a menor hipótese de se tornar numa potência regional. A visão de Putin para a Ucrânia parece ser a seguinte: ou aquele país é uma extensão da Rússia, e nesse caso pode ser deixado em paz, ou é um país desleal à Rússia, e nesse caso deve ser punido e, se necessário, mutilado. Não é uma visão muito diferente da que Putin tem para a própria Rússia e para a sua sociedade. Quando serve os propósitos de Putin, deve ser louvada pelo seu patriotismo. Quem não servir, azar para eles. Putin é um oportunista. Enquanto foi útil jogar segundo as regras do direito internacional, fê-lo com rigor. Se houver mais a ganhar ao não o fazer, joga-se à antiga: pela anexação, às claras ou encoberta. É essa a doutrina do «orputinismo».

 

Ao contrário de pelo menos alguns que, por frustração com a União Europeia e o «Ocidente», encaram com equanimidade as ações de Putin, eu estive na Rússia de Putin e conheço bem alguns dos democratas russos que sob ele padecem. E nem a mesma frustração que sinto perante os desmandos da troika e outras tropelias antidemocráticas que se verificam deste lado do continente, me fazem esquecer do que lá vi e do que me contam. Na Rússia, um coisa tão banal quanto a criação de um centro de estudos está sujeita à arbitrariedade das autoridades; numa universidade conhecida por nela lecionarem oposicionistas, bastou enviar o corpo de bombeiros para «uma vistoria» na qual se decidiu que o edifício não era seguro, ficando assim encerrado até a realização de uma das eleições fantoche em que Putin trocou de presidente para primeiro-ministro. Um jornalista incómodo não perde o emprego; perde o sossego e é capaz de perder a vida. Uma simples associação ou ONG está sempre a um passo de ser declarada uma «agente do estrangeiro» e ser encerrada. Os democratas russos sabem bem de onde vem isto: da História. Um e-mail recente que recebi contava-me do medo de sair do país pela última vez, e encontrar a porta fechada ao regresso. Quem viveu o fechamento quase secular da União Soviética, sabe bem reconhecer os sinais indesmentíveis de um novo fechamento: o complexo de superioridade patriótico, a ideia de que a Rússia não pode confiar em ninguém e que todos os estrangeiros a querem roubar. Sabem, em última análise, que é a Rússia que tem mais a perder com esta atitude. E nada os desespera tanto quanto ver os democratas ocidentais ceder à tentação do orputinismo.

 

Publicado na revista LER n.º 134

publicado por Ler às 18:41
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10 livros para para chegar à terra onde os fiordes nunca escondem a neve (1)
25 Julho, 2014

A bibliografia é vastíssima e boa parte dela não está, ainda, traduzida – aqui ficam (para quem quer iniciar-se no género) alguns dos títulos que explicam o novo mundo nórdico vivido através dos seus detetives, vítimas e homicidas. 

 

 

 

Jo Nesbø

O Boneco de Neve

Para quem nunca leu Nesbø, o seguinte: Harry Hole, o detetive, continua a ser ex-alcoólico; o retrato da Norue­ga continua a ser deprimente e divertido; Oslo é uma cidade que regressa sempre aos seus lugares; a memória de Rakel é uma farpa para Harry – que está mais magro. Neste livro, além de Oslo, há um desenho inesquecível, a aguarela, de Bergen, a cidade dos fiordes, logo a abrir: um cadáver retalhado na neve era a última coisa que se espera daquela tranquilidade florestal, daquele recorte diante do mar. Katrine Bratt é uma nova colega misteriosa e inteligente que só os ingénuos querem conhecer. A este propósito, escreve-se lá para o fim: «Ela já ia a caminho do céu, consumida por demónios.» É o que acontece com as sereias que vivem em terra. E com mulheres – mães, uma por ano –, cuja biografia Hole persegue com uma frieza cada vez mais fingida. Ele trabalha com o coração cheio de neve num argumento que, o leitor há de perceber, se mistura com a sua própria biografia sentimental.

Dom Quixote, 470 págs. [Francisco José Viegas]

 

Jo Nesbø

A Estrela do Diabo

Tudo começa quando há uma infiltração num prédio: gotas de água, vindas do andar de cima – estamos em pleno verão – começam a cair numa panela onde há água a ferver. Mas com a água há albumina: daí ao sangue, é uma conta simples. Menos simples é a vida de Harry Hole por esta altura, cheia de álcool, desventuras amorosas e desejo de vingança. O álcool é o pretexto para ser despedido mas resolve passar as últimas semanas de funcionário da polícia ajudando a investigação em redor dos crimes que se sucedem no calor abafado de Oslo: um assassino meticuloso, frio, cruel, que deixa sinais esotéricos nos corpos das suas vítimas. Um dedo cortado; um diamante sob a pálpebra; um disparo a meia distância – Hole mostra toda a sua erudição sobre cristianismo antigo, cultura viquingue ou sacrifícios rituais. Pelo meio, um encenador e produtor teatral, uma mulher tentadora demais, e o desejo de vingança de novo, que serve todos os argumentos.

Dom Quixote, 240 págs. [FJV]

 

Karin Fossum

A Noiva Indiana

Gunder Jomann é solteiro, vendedor de máquinas e alfaias agrícolas em Elvestad, na Noruega, e decidiu viajar para Mumbai a fim de conhecer e casar com Poona Bai. Um casamento decidi­do por catálogo – mas Po­ona amava-o. O casamento na antiga Bombaim foi rápido e Gunder regressou ao gelo e à neve europeus, preparando a casa para a chegada de Poona («Eu gosto de cozinhar. Quando chegar à Noruega vou fazer caril de galinha para ti e para a tua irmã.»). Mas Poona nunca chegou a preparar esse caril; retido no hospital depois de um acidente de automóvel de Marie, a irmã, Gunder Jomann não pode ir buscá-la ao aeroporto – e o rasto da sua jovem mulher indiana perde-se no meio do inverno perpétuo de Elvestad. A investigação de Konrad Sejer (e Jakob Skarre), os detetives da série policial de Karin Fossum, enfrenta essa catástrofe que toma conta da vida pacata do «campo norueguês» («Sem agricultura não há Noruega.»), onde os enigmas nunca se dissolvem nem se revelam.

Dom Quixote, 280 págs. [Frederico Ventura da Gama]

 

Anne Holt

A Raiz do Ódio

Uma série de mortes brutais e sem ligação vem perturbar a pacata cidade de… Não é assim que começam todas as histórias de crimes violentos em cenários idílicos? É. E é esse o ponto de partida para o quarto livro da dupla de investigadores Inger Vik e Yngvar Stubo, que, como habitualmente nos policiais nórdicos, carrega um lastro social a reboque da estrutura popular e atraente do thriller. São poucos os autores que não aproveitam a oportunidade. No caso de Anne Holt, essa preocupação é quase obrigatória visto que a autora é advogada e ex-ministra da Justiça da Noruega. Em A Raiz do Ódio, há temas delicados e atuais como o fanatismo religioso, o racismo e a intolerância. Seria ficção científica se não fosse, afinal, o país de Anders Breivik. Contraponto, 384 pp. [Bruno Vieira Amaral]

 

 

Henning Mankel

O Homem Que Sorria

O sueco Henning Mankell tem o mérito de ter criado um detetive ficcional que pede meças aos seus homólogos norte-americanos. Kurt Wallander é uma amálgama épica de defeitos: divorciado, com relações difíceis com a filha, a ex-mulher e a memória do pai, este polícia bebe demais, só come porcaria e não lida bem com os seus superiores; é o perfil ideal para anti-herói do romance noir. Neste livro, Wallander emerge de um pântano de álcool e de anti-depressivos para investigar a morte de um advogado – e acaba a confrontar-se com um labirinto de corrupção e de interesses. Moralista e corrosivo, o detetive de Mankell é o exemplo acabado do homem que insiste em levantar o tapete para deixar o lixo à vista de todos.

Presença, 334 pp. [BVA]

 

 

Yrsa Sigurðadóttir 

Cinza e Poeira

O vulcão das ilhas a sudeste da Islândia, ao sul de Vík (Vestmannaeyjar, como se deve dizer) é um velho conhecido – as suas cinzas invadiram a Europa por duas vezes, arrastadas pelo vento. Mas não só. Fazem parte da literatura num dos livros mais poderosos da vasta série de «policiais nórdicos» e transformaram Yrsa Sigurðardóttir numa das suas rainhas – e Thóra Guðmundsdóttir, a sua personagem principal (uma advogada), numa intérprete da vida islandesa. São estas cinzas que escondem cadáveres que, 30 anos depois da primeira erupção, convocam as obsessões extraordinárias de Yrsa: fantasmas, famílias, tradições islandesas antigas, rituais perdidos. Se alguém procura enigmas das ilhas e poeiras luminosas do norte – é aqui que eles se encontram.

Quetzal, 512 págs. FVG

publicado por Ler às 18:10
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10 livros para para chegar à terra onde os fiordes nunca escondem a neve (2)
25 Julho, 2014

 

Stieg Larsson

Os Homens Que Odeiam as Mulheres

Fora da Escandinávia, sobretudo em países como Portugal, os policiais nórdicos despertavam pouco interesse – até à publicação da trilogia Millenium, que transformou uma indústria local num bem de exportação quase tão popular como o IKEA, a Volvo ou os Abba. O primeiro volume gera no leitor aquele espanto de alguém que está a provar uma refeição maravilhosa sem saber ao certo quais são os ingredientes ou sem acreditar que essa mistura pode resultar num prato saboroso: mistério à Agatha Christie, assassino em série, as questões políticas e sociais e uma heroína atípica que nos obriga a repensar as nossas ideias feitas sobre heróis literários. No final, a recuperar do choque, só temos a certeza de que queremos mais.

Oceanos, 2008 [BVA]

 

Maj Sjöwall e Per Wahlöö

O Polícia que Ri

O caso começa antes de o livro, propriamente dito, começar, enquanto o detetive Åke Stenström investiga o homicídio de uma prostituta portuguesa em Estocolmo. Mas Åke é, por sua vez, assassinado durante um tiroteio num autocarro no meio daquela cidade que simboliza as grandes realizações da social-democracia sueca e da felicidade entre as classes. O inspetor Martin Beck (há um filme que adapta, mal, o livro e onde Walther Mathau, ai dele, se chama – inexplicavelmente – Jake Martin, em vez de Beck) está rodeado da sua equipa de pessimistas e comparsas (Per Månsson, Richard Ullholm, Ulf Nordin) enquanto escuta o disco que a sua filha Ingrid lhe ofereceu pelo Natal, «The Laughing Po­liceman» (ainda em vinil, evidentemente, porque o livro é de 1968) de Charles Penrose.

Editorial Caminho, 214 págs. [FJV]

 

Arnaldur Indridason

O Mistério do Lago

O lago Kleifarvatn não fica muito distante de Reiquejavique mas, para quem conhece a Islândia, isso não significa nada – é o resto de uma paisagem lunar onde foi encontrado um esqueleto com um buraco no crânio; o que é compreensível em se tratando de um romance policial. Mas Erlendur Sveinsson, o inspetor islandês, não é tão compreensível: o passado persegue-o, tal coma sua vida sentimental. O primeiro leva-o aos tempos de militância comunista e à memória dos anos 50, quando a então RDA, sobretudo Leipzig, era um centro de universitário importante para o «internacionalismo proletário»; o segundo leva-o a um novo caso de adultério, em que ele se torna especialista, além de o arrastar para os problemas dos seus filhos Eva e Sindri. Curiosamente, nesses anos 50, o grande escritor islandês era Halldór Laxness: também ele era comunista e esteve na RDA.

Porto Editora, 320 págs. [FJV]

 

Camilla Läckberg 

A Princesa de Gelo

Um dos grandes romances da «nova vaga nórdica»: uma pequena vila, frio, homicídio, reflexões sobre a sociedade sueca, verdades escondidas, relações familiares conturbadas e a inevitável história de amor. Após a morte dos pais, a escritora Erica Falck regressa à terra natal onde é encontrado o cadáver de Alex, uma amiga de ­infância. Aparentemente trata-se de um suicídio mas, aos poucos, os indícios começam a apontar para a tese de homicídio. Então, o livro ganha contornos bergmanianos na descrição das relações entre mães e filhas e na análise da claustrofobia social nas pequenas comunidades. Como curiosidade e piscar de olhos literário, o facto de Erica estar a escrever uma biografia da compatriota Selma Lagerlöf, a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Literatura.

Dom Quixote, 400 págs. [BVA]

publicado por Ler às 18:08
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Um livro é caro?
25 Julho, 2014

Até que ponto um livro é realmente caro? Podemos mencionar os serviços que presta ao cérebro, às sestas de verão ou à decoração de uma casa. E podemos dizer que um livro não se esgota na última página. Mas, para já, vamos aos preços.

 

 

1 bilhete para um jogo de futebol

€22,50

 

Vodafone Apple iPhone 5s 16GB (Prateado)

€689,9

 

 

MEO Apple iPhone 4s 8GB (Preto)

349,9

 

Samsung i9305 Galaxy S III (S3) 4G 16GB Sapphire Black

599,90

 

Samsung Galaxy S4 16GB Branco (i9505) (Android Smartphone)

626,50

 

 

Jogo Playstation PS3

67,80€

 

Wii Fit Plus + Balance Board Branca Oficial

88,00€

 

 

Nike Sapatilhas Air Max 90LE White

88,00

 

Vans Sapatilhas Authentic Red

 

56,20€

 

Converse All Star OX

54,40€

 

Ray Ban óculos de sol RB 3026

109,00€

 

FIFI GLITTER Louboutin mulher

575€

 

Bruno Orlato Louboutin homem

645€

 

 

LOUIS PYTHON CRYSTAL Louboutin

1,150€

 

 

Um jantar no Dop (Porto): 50€

Um jantar no Solar dos Presuntos: 45€ 

Um jantar no Gambrinus: 35€

 

Um whisky no Lux: 7€

 

Gravata Fendi

67€

 

Gravata Prada

116€

 

Gravata Hermès

150€

 

Camisa branca Giorgio Armani

263€

 

Sapatos de camurça Dirk Bikkembergs

198€

 

Pasta de documentos Prada

1277€

 

Uma dormida do motel D’lirius Azuis (Sintra) na suite Star c/véus, varão e cadeira

300€

 

Uma dormida do motel Bruxelas (V.N. Gaia) na Suite Nupcial Árabe

c/ véus, hidromassagem, varão, piscina e cadeira

300€

 

 

publicado por Ler às 17:29
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Sabe o que é um Tsundoku? Aquele género de pessoa que compra livros que não lê, que os amontoa e que um dia...
25 Julho, 2014

 

Sabe o que é um Tsundoku? E um 積ん読?

publicado por Ler às 16:19
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Vais para a Ivy League ou não?
25 Julho, 2014

Na passada segunda-feira, a The New Republic publicava um artigo sugestivamente intitulado «Don't Send Your Kid to the Ivy League. The nation's top colleges are turning our kids into zombies», de William Deresiewicz; hoje, a resposta: «Send Your Kid to the Ivy League! The New Republic article against elite education is destructive to my students», de J.D. Chapman. Um bom debate a seguir.

publicado por Ler às 15:33
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Robert Galbraith apareceu em público de fato e gravata — e estava bonita
25 Julho, 2014

Diz-se que foi uma das raríssimas aparições em público de J.K. Rowling, aliás Robert Galbraith, o autor de The Silkworm (a publicar em Janeiro/Fevereiro pela Presença): de fato e gravata. A reportagem no The Guardian (a foto que publicamos é bem melhor...)

publicado por Ler às 15:21
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11.000 libras anuais
25 Julho, 2014

 

 

 

O rendimento anual médio de um escritor profissional, no Reino Unido, caiu 29% desde 2005 — é agora de 11,000 libras. Relatório aqui.

publicado por Ler às 15:16
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Sim, sabemos que Cinquenta Sombras de Grey não é um filme literário, mas a vontade de irritar é mesmo assim (incluindo notas sobre o trailer)
25 Julho, 2014

publicado por Ler às 14:55
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Amazon, um deslize a meio da subida
25 Julho, 2014

As contas da Amazon.com dão conta de uma subida de 23% nas vendas  — e para uma perda de receitas líquidas de 126 milhões de dólares. Também aqui.

publicado por Ler às 14:48
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014
A China tem tudo guardado: os livros antigos do Ocidente que escaparam à Revolução Cultural
23 Julho, 2014

A China abre as suas arcas — e expõe, em Beijing a partir de 1 de Agosto, uma primeira seleção dos seus arquivos de livros raros e antigos do Ocidente. Calcula-se que a Biblioteca Nacional tenha cerca de 50.000 livros antigos (anteriores a 1850), na maior parte das línguas ocidentais. É a primeira vez que uma exposição desta natureza oferece um catálogo tão extenso; julga-se que durante a Revolução Cultural (1966-1969) tenham sido destruídos milhares de exemplares. 

publicado por Ler às 21:20
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J.D. Salinger: três histórias
23 Julho, 2014

    

Uma pequena editora do Tennessee, Devault-Graves, reeditou três histórias de J.D. Salinger publicadas otiginalmente na revistas Story e City nos anos quarenta, mas nunca registadas pelo autor de À Espera no Centeio. Com novíssimas ilustrações.

publicado por Ler às 21:10
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Raymond Chandler e Ian Fleming: um encontro inesquecível e ainda audível
23 Julho, 2014

 

O criador de Philip Marlowe, Raymond Chandler, e o de James Bond, Ian Fleming: o segundo entrevista e conversa com o autor de A Dama do Lago sobre uma questão insolúvel: o que faz um bom thriller? São cerca de 30 minutos de gravações tornadas públicas pela primeira vez em 1988; Chandler morreria pouco tempo depois dessa conversa — aqui em quatro fragmentos de 7 minutos e 30 segundos aproximadamente cada uma.

publicado por Ler às 21:02
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Sete razões para não escrever um romance, segundo Javier Marías
23 Julho, 2014

Primeira: há muitos romances e pouca gente a lê-los; segunda: escrever é uma atividade que não tem grande mérito nem mistério — poetas, filósofos, linguistas, apresentadores de televisão, treinadores de futebol, engenheiros, professores, padres, psiquiatras, soldados ou jornalistas, todos podem fazê-lo; terceira: não dá muito dinheiro...; quarta: escrever um romance não garante a fama ou a notoriedade – que vêm da televisão, por exemplo; quinta: também não confere imortalidade ou direito à posteridade;  sexta: escrever um romances não é assim tão extraordinário para o ego; sétima: aquelas razões clássicas que movem ou caracterizam o trabalho do romancista, também não são tão especiais como se julga. Claro que há uma razão para o fazer. Está tudo num artigo da Three Penny Review, agora republicado pelo The Independent, de Londres.

publicado por Ler às 20:51
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Alessandro Baricco: «Falo de tantas coisas que de vez em quando digo parvoíces.»
23 Julho, 2014

Entrevista com Alessandro Baricco, o autor de Seda, no Clarín de Buenos Aires:

«Hablo de tantas cosas que cada tanto digo pavadas. Pero lo que sucede es que, cuando yo era joven, había una cultura muy especializada. Estaba aquel que hablaba sólo de moral, el que hablaba sólo de política en sentido estricto, y así. No había muchos intelectuales que pudieran hablar de un espectro amplio de cosas. El primer modelo fue Umberto Eco, que escribía ensayos de semiología hablando de Woody Allen o de Walt Disney. Para nosotros era un modelo de posibilidad, pero estaba él solo. Yo tuve un profesor que es un filósofo bastante conocido para ustedes los argentinos, que se llama (Gianni) Vattimo, que para explicar a Heidegger o a Nietzsche podía citar a la publicidad. El resto de la cultura era muy especializada. Hoy se demostró que el verdadero aporte a la cultura lo hacen aquellos pensadores que pueden considerar un amplio espectro. A mí me venía en mente enseguida comparar cómo jugaba al tenis McEnroe con el modo en el que Rossini hacía música o con cómo escribía Celine. Me parecía la cosa más interesante del mundo. Lo hice toda la vida.»

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Saramago: Skylight nos escaparates
23 Julho, 2014

 

Edições americana e inglesa, respetivamente.

 

Ursula K. Le Guin assina a crítica a Skylight (A Clarabóia), de José Saramago, no The Guardian; também no The Independent, crítica de James Runcie: «What kind of writer Saramago would have become had the novel been accepted and published in 1953. Might he have been more conservative and consciously "populist"? Did he need 20 wilderness years to think about what it must mean to be a truly radical writer, experimenting with form and style before discovering a unique voice that ultimately dispensed with most punctuation, and even the use of capital letters?»

publicado por Ler às 20:34
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Rowling e o despeito
23 Julho, 2014

As  “redes sociais literárias” – vulgo “campeonato do despeito” – nunca suportaram J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter. Há duas razões para isso: Rowling não pertence “ao grupo” (embora tivesse sido publicada pela Bloomsbury, uma editora muito literária) e vendia bastante, captando a atenção de milhões de miúdos. Gostei dela sem a ter lido (só li três livros): Rowling estava a reabilitar a ideia de fantasia e de adolescência, além de ser bonita e discreta. Depois de Harry Potter, publicou três romances, dois deles policiais. E voltou ao mago de Hogwarts num conto passado na Patagónia – para anunciar que a personagem, agora com 34 anos, continua a sua vida. Isto irrita muito as pessoas despeitadas. Uma dessas escritoras, de cabeção e lunetas, veio miar que se trata de ‘literatura de segunda’. É não perceber nada. Trata-se de uma história de fantasia. Não quer ser literatura nem usar cabeção. [FJV]

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Primeiras escolhas para o Booker
23 Julho, 2014

Aqui está a primeira lista dos livros escolhidos para o Booker. Entre eles, Ali Smith, Siri Hustvedt, Neel Mukherjee, por exemplo. 

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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
25 livros-25 anos. Uma lista: entre o pó e a posteridade
22 Julho, 2014

  

 

 

Por José do Carmo Francisco

 

«Ser conhecido não é o mesmo que ser importante, nós aqui fazemos simples notas de leitura mas só o tempo pode distinguir o pó da posteridade.» Mais palavra menos palavra, foi esta a recomendação que Jacinto Baptista me fez em Agosto de 1978 no velho Diário Popular. Hoje como ontem existem muitos equívocos na História da Literatura Portuguesa. Há cem anos Augusto Gil era mais conhecido do que Camilo Pessanha tal como tempos antes Pinheiro Chagas era mais popular do que Eça de Queirós enquanto, por outro lado, Cláudio Nunes era muito mais divulgado pelos jornais da sua época do que Cesário Verde.

Por todas as razões e mais uma («somos um país pequeno, toda a gente se conhece») é um risco muito grande a elaboração de uma lista deste tipo mas se os leitores perceberem que se trata apenas de uma lista pessoal, tudo se torna mais simples. No meu caso é ainda mais pessoal pois o meu percurso nas Letras é um pouco atípico. Em primeiro lugar porque não passei pelos bancos da Universidade, os meus bancos eram outros e à hora de almoço na velha Parceria A. M. Pereira conheci autores como Romeu Correia, José Palla e Carmo, Natália Correia, Ruben A. e Luiz Pacheco. As coisas aconteciam de modo informal, havia em 1966 Suplementos Culturais nos diversos jornais vespertinos e matutinos, tornei-me assinante da Seara Nova, cujo director-adjunto era o meu colega Vasco Martins.

Uma descoberta espantosa foi o romance A Torre da Barbela de Ruben A. com um prefácio/ensaio de José Palla e Carmo. As Páginas V, as primeiras que li, foram um abalo sísmico para quem vinha de uma Escola Comercial e conhecia apenas os escritores dos livros obrigatórios. Ruben A. não vinha na Antologia oficial mas só muito tempo depois soube porquê. Pois um dos livros que poderia ter entrado nesta lista é a Obra Ântuma de José Palla e Carmo mas a sua data é de 1986. Para quem não se esquece do refinado humor das suas crónicas no Jornal de Letras com o nome civil de José Sesinando, pode fazer uma ideia do conteúdo deste livro que, apesar de tudo, não entra na lista.

Outro livro que poderia ter entrado é o Vida e morte dos Santiagos de Mário Ventura mas é do ano de 1985. Vinha a calhar um livro que é uma revisitação da História no sentido total do termo: a vida de uma família dentro da vida de uma província portuguesa – o Alentejo. Entre o universo pessoal e o espaço político, o herói é a própria terra que salta dos mapas e suja de pó as botas dos homens. Poderia falar de Nenhum olhar de José Luís Peixoto que pisa os mesmos terrenos (Planície) de Levantado do chão de José Saramago mas os heróis do segundo voltam à vida depois da morte enquanto os do primeiro voltam à morte depois da vida.

Sem esquecer Os putos-contos escolhidos de Altino do Tojal numa edição de 2009 da Bonecos Rebeldes mas trata-se de uma reedição com uma selecção do autor, daí ter sido colocada fora do inventário. Já o mais recente livro de poemas de Liberto Cruz tem o problema de ser uma edição de 2012, por isso não pode integrar a lista. Ernesto Rodrigues e Fernando Venâncio são autores das excelentes antologias Crónica Jornalística do século XIX e XX, respectivamente, uma de 2003 e outra de 2004 e também poderiam ter entrado na lista mas já não havia lugar. Tal como não houve para Orlando Neves (Parábola da inocência) de 2002 da Editora Notícias e Fernando Grade, a festejar 50 anos de vida literária em 2012, com Poemas de Natal (2005) da Editora Mic.  Nem lugar para livros de autores tão diversos como João Camilo, Alexandre O´Neill, António Osório, Maria Velho da Costa, Manuel Tiago, Vergílio Alberto Vieira, Maria Ondina Braga, Nuno Júdice, Helder Macedo, Teresa Horta, Manuel Frias Martins, Francisco Bugalho, Joana Ruas, José Saramago, Valter Hugo Mãe, Maria Alzira Seixo, Emanuel Félix ou Teolinda Gersão. Uma lista como esta pode dar origem a outra lista e assim sucessivamente.

Mas não vale a pena prolongar a discussão. O que está feito está feito, tudo nas escolhas é absolutamente relativo e daqui a 25 anos outras listas com outros nomes surgirão nesta ou noutra Revista. A vida é um mistério, não um negócio. Se fosse um negócio os ricos compravam a saúde e morriam mais tarde que os outros. E quem diz saúde diz talento para escrever – que não é coisa que se compre na vida de todos os dias. E ainda bem.  

 

 

Já não gosto de chocolates. Álamo Oliveira, Salamandra, 1999

A cidade do homem. Amadeu Lopes Sabino, Sextante, 2010

Matar a imagem. Ana Teresa Pereira, Caminho, 1989

Exortação aos crocodilos. António Lobo Antunes, Dom Quixote, 1999

Lisboas. Armando Silva Carvalho, Quetzal, 2000

Ilha grande fechada. Daniel de Sá, Salamandra, 1992

Obra poética – 1948/1988. David Mourão-Ferreira, Presença, 1988

Os meus sentimentos. Dulce Maria Cardoso, ASA, 2005

Trabalhos e paixões de Benito Prada. Fernando Assis Pacheco, ASA, 1993

Tendências dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50. Fernando J.B. Martinho, Colibri, 1996

Contos, fábulas e outras ficções (org. Zetho Gonçalves). Fernando Pessoa, Bonecos Rebeldes, 2008

A cova do lagarto. Filomena Marona Beja, Sextante, 2007

Longe de Manaus. Francisco José Viegas, ASA, 2005

O último cais. Helena Marques, Dom Quixote, 1992

Lillias Fraser. Hélia Correia, Relógio d´Água, 2001

Gente feliz com lágrimas. João de Melo, Dom Quixote, 1988

Vou-me embora de mim. Joaquim Pessoa, Hugin, 2000

De Profundis, Valsa Lenta. José Cardoso Pires, Círculo de Leitores, 1998

O cemitério de Pianos. José Luís Peixoto, Bertrand, 2006

De mãos no fogo. Júlio Conrado, Notícias, 2001

O vale da paixão. Lídia Jorge, Dom Quixote, 1998

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. Mário de Carvalho, Caminho, 1995

Os objectos inquietantes. Nicolau Saião, Caminho, 1992

Domínio Público. Paulo Castilho, Dom Quixote, 2011

O livro do sapateiro. Pedro Tamen, Dom Quixote 2011

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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014
João Ubaldo: a voz
18 Julho, 2014

João Ubaldo Ribeiro no programa Roda Vida, da TV Educativa.

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Adeus a João Ubaldo
18 Julho, 2014

Morreu João Ubaldo Ribeiro

 

«Não posso conceber consagração maior do que ser reconhecido pelos povos que usam nossa língua, pelos povos que de certa forma partilham a nossa alma. É bom saber que enquanto escritor da língua portuguesa pude cumprir a minha obrigação com seriedade e amor porque é desta língua que vivo. E nada mais me enaltece do que imaginar que esta língua me agradece.»

João Ubaldo Ribeiro na cerimónia da entrega do Prémio Camões,

na tarde de 23 de Stetembro de 2008, Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014
Finalmente num só volume: Smiley e uma das guerras com Karla
17 Julho, 2014

 

O Ilustre Colegial é a parte que faltava nas histórias de George Smiley e da sua inimizade com Karla, o fatal inimigo soviético. Para quem leu aos pedaços O Venerável Espião, aqui está a oportunidade para reler tudo em conjunto num volume de 656 páginas (edição Dom Quixote).

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Um cartão do clube de e-books — a nova arma da Amazon
17 Julho, 2014

 

Sim, trata-se de uma experiência a concretizar: a Amazon oferece acesso a cerca de 600 000 títulos (em inglês) de e-books e de audio-books pelo simpático preço de 9,99 dólares por mês. Como a história tem avanços e recuos, aqui está o essencial.

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Paixão pelos livros, sim senhor; mas há limites para a estupidez (diz o Agent Orange)
17 Julho, 2014

O blog do Agent Orange (um agente literário cuja identidade é apenas conhecida de muito poucos) regressa para colocar questões importantes aos editores: 

«It’s all very well banging on about the “passion” for books that people in publishing have, but if that isn’t backed up by courageous and clear-sighted leadership, talk of passion increasingly seems like code for stupidity—or the sort of thing you tell the children.

It is easy to point the finger at the big, bad wolf. Publishing needs to take a longer, harder look at its own complicity in its troubles and direct some of that blame inwards as well as outwards.»

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Terça-feira, 15 de Julho de 2014
Geoff Dyer sobre a fenomenologia e estratégia da dentadinha
15 Julho, 2014

Fotografia de Tony Gentile

 

Aí está: Geoff Dyer sobre Luis Suárez, o grande mestre. Nesta imagem, Dyer (o autor de Mas É Bonito e de Ioga para Pessoas que Não Estão para fazer Ioga) vê Suárez a tocar harmónica e Chiellini a fazer uma saudação a Mussolini. É ler, é ler. 

 

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Nadine Gordimer: as leituras [act.]
15 Julho, 2014

 

Cinco livros imprescindíveis, no The Guardian. O excelente obituário do The Daily Telegraph, do The Guardian e do The New York Times — artigo no The Los Angeles TimesNadine Gordimer: How books fostered a critic of apartheid», de Carolyn Kellogg), 

E um texto da escritora na New Republic («Morals are the husband and wife of literature»).

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Uma boa ideia para ver quem tem unhas para tocar guitarra e vender livros
15 Julho, 2014

Na capital do Illinóis toda a gente ficou contente com o Chicago Independent Bookstore Day: “It was like Book Christmas in July.” Reportagem na Publishers Weekly.

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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014
Chandler aos nossos pés
27 Junho, 2014

Chandler na sua única aparição no cinema:

uma curiosidade fatal. Sentado, em Double Indemnity

 

 

Hollywood presta homenagem a Raymond Chandler: o autor de The Big Sleep vai ter uma estrela no «passeio da fama».

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