Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Passatempo Presença/LER (actual.)
26 Outubro, 2009

O novo romance de Nicholas Sparks, A Melodia do Adeus, chega às livrarias portuguesas no dia 3 de Novembro. A Presença oferece três exemplares (um deles autografado pelo autor) aos primeiros três leitores (devidamente identificados) que respondam correctamente à pergunta: Que livro escreveu Sparks entre Junho de 1994 e Janeiro de 1995? Apostas para marta.serra@circuloleitores.pt. Resposta: O Diário da Nossa Paixão.

 

Vencedores: Carlos Miguel, Sara Duarte e Ana Sofia Santana.

publicado por Ler às 16:08
link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos
Domingo, 25 de Outubro de 2009
Enciclopédia de Estória Universal.
25 Outubro, 2009

O novo booktrailer da Quetzal. 

Afonso Cruz, Enciclopédia de Estória Universal.

publicado por Ler às 09:20
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Argentina.
25 Outubro, 2009

Federico Andahazi (autor de O Anatomista e As Piedosas, edição Presença) contesta a decisão do seu governo: a de eleger Diego Armando Maradona como o máximo representante cultural do país na Feira de Frankfurt em 2010, dedicada à Argentina.

publicado por Ler às 09:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Com selo.
25 Outubro, 2009

Leia os textos que acompanham os dois volumes da edição de filmes de Werner Herzog, na FilmotecaFNAC, em adaptação de edição originária da Avalon. Com o selo do MC e da IGAC e depois pergunte-se o que faz lá um selo do MC.

publicado por Ler às 09:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Isabel Alçada a caminho do Ministério da Educação
21 Outubro, 2009

Segundo o jornal i, a actual directora do Plano Nacional de Leitura é a escolha de José Sócrates para ocupar a pasta da Educação. «A sua substituição à frente do Plano Nacional de Leitura também está a começar a ser desenhada: um nome provável será o do poeta e escritor Fernando Pinto do Amaral.»

Tags:
publicado por Ler às 15:49
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Dave Eggers
19 Outubro, 2009

Dave Eggers sobre o guião que escreveu para o filme Where the Wild Things Are / O Sítio das Coisas Selvagens: «I just wrote a short essay for a friend’s anthology.»
Em Portugal, o livro será publicado em Novembro, pela Quetzal. 

E o trailer do filme:

 

Tags:
publicado por Ler às 22:06
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Biografias
19 Outubro, 2009

São 700 páginas: tudo ou quase tudo sobre Charles Dickens, na nova biografia escrita por Michael Slater (Charles Dickens, Yale University Press. £25.)

 

 

E por falar em biografias, atenção à de Somerset Maugham, de Selina Hastings: The Secret Lives of Somerset Maugham (John Murray, £25.) «This steady-eyed biography of an extraordinary, extravagant, generous and bitter artist will not only fascinate its readers but encourage some to go to his work for the first time.»

Tags:
publicado por Ler às 21:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Argentina!
19 Outubro, 2009

A Argentina prepara-se para a próxima Feira de Frankfurt. Como diz Patricia Kolesnicov: «Porque Frankfurt puede ser una oportunidad para acercar algo de la cultura argentina a algunos en el mundo. O puede no ser nada más que una visita cara a Europa

Tags:
publicado por Ler às 21:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Polémica no Planeta
19 Outubro, 2009

Ainda Ángeles Caso não começou a saborear o Prémio Planeta  e já há polémica em Espanha.

publicado por Ler às 21:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
García Márquez espiado
19 Outubro, 2009

O diário El Universal, do México, revela que os serviços secretos mexicanos seguiram García Márquez durante anos:

«Un informe policial acusa al Premio Nobel de ser "un agente de propaganda al servicio de la dirección de inteligencia de Cuba".» | «La DFS buscaba durante la llamada "guerra sucia" (1960-1980) elementos subversivos afines a ideologías de izquierda.» | «Los documentos constatan su papel como mediador entre la izquierda latinoamericana y el presidente Miterrand.»

Tags:
publicado por Ler às 21:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Sobre Saramago
19 Outubro, 2009

Tolentino Mendonça, poeta: «A perplexidade trazida pelas afirmações de José Saramago é, no fundo, como é que um grande criador, um grande cultor da língua, pode, em relação a um superclássico da literatura mundial – património de cultura diferentes, fonte de inspiração para tanta literatura – pode dizer da Bíblia, com o simplismo e o olhar com que o fez, as coisas que Saramago tem dito.»

Igreja Católica: «Críticas de Saramago mostram que não compreende a Bíblia.»

Rabino de Lisboa, Eliezer di Martino: «José Saramago não conhece a Bíblia nem a sua exegese, fazendo leituras superficiais das narrativas da Bíblia. O mundo judaico não se vai escandalizar pelo que escreve o senhor Saramago ou qualquer outro.»

D. Manuel Clemente, da Comissão Episcopal: «Dizer que a Bíblia é um texto cheio de crueldades é uma coisa que e pode dizer de Shakespeare, de Dante, dos Lusíadas, porquê? Porque a literatura reflecte a história, reflecte a condição humana, é uma espécie de palco onde a história humana é encenada, e responsabilizar a Bíblia pelos crimes da humanidade, pela violência ou pelas guerras, é de todo inaceitável não só do ponto de vista da religião, mas do ponto de vista da cultura, porque uma coisa é literatura, que reflecte a vida, outra coisa são as leituras posteriores, algumas muito erradas, que se podem fazer dos textos.»

publicado por Ler às 21:26
link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos
Saramago e Caim: «Na Igreja Católica não vai causar problemas porque os católicos não lêem a Bíblia»
19 Outubro, 2009

«O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!»

José Saramago, ontem, no lançamento de Caim.

publicado por Ler às 10:37
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos
Sábado, 17 de Outubro de 2009
João Tordo: «Não tenho paciência para os puros contadores de histórias»
17 Outubro, 2009

Novo romance, pelos vistos. É diferente dos anteriores? Explica lá porquê.

Porque é maior, mais estruturado, mais denso, com mais personagens e uma história que atravessa um quarto de século e que faz viagens constantes a outros momentos marcantes do século XX, a guerra civil espanhola, a Segunda Guerra Mundial… E, também, porque conta a saga da família Millhouse Pascal, vista através dos olhos do protagonista, na qual temos um pouco de tudo: um velho misterioso com poderes mágicos, três netos rebeldes, um jardineiro assas­si­no, funâmbulos na corda bamba… e um final secreto em que o destino de uma das personagens principais se intersecta com uma das grandes catás­trofes do nosso século. E também porque deu imenso trabalho. Contente?

Nem por isso. Uma vez mais, a história é contada na primeira pessoa. Alguma coisa de «pessoal» nisso ou vais aldrabar e continuar a dizer que não?

Claro que é pessoal. Todos os escritores mentem quando dizem que não existe nada de seu nos seus romances: no meu caso, acho que as personagens reflectem, cada uma à sua maneira, os meus pontos de vista e sentimentos em relação ao mundo. Começo sempre na primeira pessoa porque gosto de um ponto de vista limitado, que não seja omnisciente, que me aproxime do leitor, isto é: só sabemos uma parte da história, não sabemos o todo. Somos limitados, finitos, queremos tudo mas, infelizmente, não dá. Depois o romance utiliza outros pontos de vista e narradores, mas o fundamental é que, uma vez que as histórias acontecem no mundo a partir do momento em que as imaginamos, gosto de olhar para elas a partir dos olhos dos meus narradores.

Já que falas nisso, continuas a achar que escrever e viver são coisas incompatíveis? Continuas a achar que é uma angustiante dicotomia?

Agora já acho que são as duas coisas idênticas. Julgo que a vida quotidiana é apócrifa deste ponto de vista: o mundo exterior é menos real, em muitos sentidos, do que o mundo da literatura. Menos real porque menos interessante, pelo menos para quem escreve ou, se estou a exagerar, pelo menos para mim. Mas escrever pode ser equivalente a viver no sentido em que é na escrita que me descubro enquanto pessoa: a vida quotidiana é o que é, raramente feliz, muitas vezes deprimente; a vida de um livro tem a obrigação de ser interessante, fascinante, aventurosa, desafiar todos os instintos de quem está lançado a uma história. Por vezes, viver todos os dias pode ser muito parecido com uma forma lenta de morte; na escrita tudo está mais vivo, mais iluminado.

Ora pensa lá bem: o que é que costumas fazer enquanto escreves, sem te dares conta disso?

Que pergunta tão estúpida. Então olha: às vezes ouço os Beatles, sobretudo o Abbey Road ou o White Album; coloco o CD no computador sem sequer pensar no assunto. Mas grande parte das vezes não ouço nada, gosto do silêncio e do barulho dos dedos nas teclas. Não sou capaz de escrever à mão – não só tenho uma caligrafia ilegível como me cansa imenso o pulso, ao final de um bocado. Teclo tipo «secretária», isto é, muito depressa e sem olhar para o ecrã. Quando estou a escrever um romance é também das poucas alturas do ano em que bebo café e fumo cigarros logo de manhã. Tenho a televisão ligada sem som. A sensação de um romance por acabar angustia-me e, ao mesmo tempo, motiva-me. É esquisito. Também tremo as pernas e bato com os pés no chão, repetidamente, que é uma espécie de banda sonora dos meus livros.

Já que falamos em desordens obsessivas, continuas a ter as mesmas obsessões, paranóias e minudências?

Tenho uma razoável obsessão com a medição das obras. Isto é, enquanto estou a escrever gosto de manter uma média diária de número de palavras (para As Três Vidas, por exemplo, escrevi duas mil por dia). Não sei de onde é que isto vem. Claro que não «contabilizo» a coisa, mas tento manter um registo idêntico todos os dias porque o tempo é escasso – tenho de «tirar férias» do mundo real para escrever – e é preciso chegar ao final. É uma corrida a contra-relógio, na verdade. Outras paranóias: deixar um parágrafo em aberto para o dia seguinte; procurar não ler autores de que gosto muito durante essas alturas, ou tendo a começar a imitá-los; deitar-me cedo; tentar não beber. Essas coisas. Ser como um desportista na aldeia olímpica, só que sem as medalhas, a consagração e o hino nacional.

Quais são as tuas mais recentes embirrações?

Cada vez menos aprecio os escritores em «série», do género Dan Brown e derivados. Dá-me a sensação de que estão sempre a escrever o mesmo livro, numa linha contínua que não tem altos nem baixos. Embora eu pertença a uma linha muito anglo-saxónica do romance, confesso que não tenho muita paciência para os puros contadores de histórias, funcionais e mecânicos. Tem de haver alguma coisa de muito íntima, um ponto de vista, uma dor ou uma perda, no momento de escrever um romance. É para isso que serve toda a construção narrativa, tem de existir uma metáfora, nunca forçada, ou então é mera ginástica textual. Para isso existem os dicionários e as enciclopédias. Gosto de autores que se entregaram, que renderam a sua vida à obra, cuja existência passa por ali, passa pelo texto, ao ponto de quase se confundirem com aquilo que escrevem, até para eles próprios. O grande exemplo contemporâneo disto é o Javier Cercas, cuja fronteira obra/vida é quase indiscernível.

 

Há precisamente um ano, quando lançava As Três Vidas, João Tordo passou pelo sofá da LER e aceitou o desafio de se entrevistar: JoãoTordo por João Tordo.

Tags:
publicado por Ler às 12:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
«Tordo continua a colocar a sua evolução técnica à vista»
17 Outubro, 2009

Sobre As Três Vidas (Quidnovi), terceiro romance de João Tordo, a crítica Ana Cristina Leonardo escreveu, no Expresso: «[É] um acto de coragem criativa que o autor soube arriscar à maneira de um funâmbulo no fio da navalha.» Depois do kafkiano e dispersivo O Livro dos Homens sem Luz, e de Hotel Memória (2007), na linha da ficção detectivesca metafísica à la Paul Auster, Tordo continua, com coragem, a colocar a sua evolução técnica à vista. Sendo o mais anglo-saxónico dos novos autores portugueses, ca­racteriza-o a originalidade dos diálogos, a ges­tão veloz da narrativa, as mudanças de planos temporal (aqui, ao longo de um quarto do sé­culo XX) e espacial e a gradação do suspense. Desta vez, partiu do Alentejo e de Lisboa para regressar a Nova Iorque (onde, aliás, estudou Escrita Criativa), continuando a investir na pesquisa da identidade dos personagens como motor da acção, mas abandonando uma linha mais metafórica ou fantástica. Tal como os romances de valter hugo mãe, os de João Tordo estão a ser negociados em vários países, tendo a importante Actes Sud comprado os direitos de Hotel Memória para França.

 

Excerto de um texto de Filipa Melo, publicado em Dezembro na revista LER, que justificava a escolha de João Tordo como uma das dez figuras de 2008.

Tags:
publicado por Ler às 12:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Primeiras páginas de As Três Vidas
17 Outubro, 2009

Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. Esses anos, que considero terem sido excepcionais — e, ocasionalmente, marcados por acontecimentos funestos —, deixaram-me num estado de melancolia crónica no qual, embora dele tenha procurado escapar, acabo inevitavelmente por voltar a cair. Esta melancolia, por vezes, resvala para o desespero, mas não vamos por aí; não é altura para, ao contrastar a minha existência actual com aquilo que em tempos foi, me deixar consumir pelo passado. Bastará dizer que não recordo um tempo em que a vida tenha sido particularmente feliz, mas que sou incapaz de esquecer cada hora que passei na companhia de António Augusto Millhouse Pascal.
Há dois anos, uma notícia num jornal dava conta de um leilão onde, entre outros objectos, iriam ser licitados os documentos encontrados na casa do falecido jardineiro deste homem para quem trabalhei há mais de duas décadas. Quando soube, fiquei imediatamente apreensivo e, ao imaginar as consequências, quase furioso — é inevitável que a pessoa que arrecadou o lote acabe por remexer nos arquivos que eu compilei e mantive durante aquele ano na Quinta do Tempo e, se os observar com alguma atenção, acabe por chegar a conclusões que nada têm a ver com aquilo que verdadeiramente aconteceu. Surpreende-me, aliás, que isso ainda não tenha sucedido; que a reputação do meu antigo patrão ainda não tenha sido manchada, o seu nome usado erradamente, em detrimento da verdade.
A ignorância a respeito deste homem impera. Não se pode dizer que essa ocorrência seja estranha, uma vez que, a partir de uma certa altura da sua vida, se relacionou apenas com figuras influentes de uma esfera privada. Os que o conheceram superficialmente e se recordam do seu nome terão dele uma imagem deturpada — por ter escondido a verdadeira natureza da sua obra, poderá um dia ser vítima do escárnio daqueles que preferem amaldiçoar a manifestar incompreensão. Millhouse Pascal, filho de mãe inglesa e pai francês, nascido em Portugal mas errante durante grande parte da sua vida — em Espanha durante a Guerra Civil, na Inglaterra nos tempos de Churchill, vivendo nos Estados Unidos após a queda do nazismo —, parece ter estado em toda a parte e em lado nenhum, uma sombra à margem dos acontecimentos e, contudo, posso assegurar-lhes, uma parte determinante destes. Se, nos próximos tempos, surgirem versões rocambolescas acerca das suas actividades, é porque estas ficaram no segredo dos que com ele privaram e que com ele conheceram a dedicação de um asceta; os restantes irão apelidá-lo de místico, excêntrico e, quem sabe, burlão.
Também eu nada sabia sobre ele. A minha juventude, porém, permitiu-me experimentar coisas em que hoje me recusaria a acreditar, se me fossem apenas contadas. Custou-me o resto da minha patética existência, é certo, mas tive a oportunidade de viver em sua casa e de observar com os meus próprios olhos os seus métodos e a maneira prodigiosa como conseguiu transfigurar a realidade e influenciar — quase poderia dizer manipular — os que, ao longo daquele tempo, recorreram aos seus serviços. Pouco tempo depois do leilão, uma jornalista do Diário de Notícias que fazia uma reportagem sobre os casos em aberto da Polícia Judiciária interessou-se pela história oculta deste homem e, através de fontes que não quis desvelar, veio ter comigo, abordando-me à maneira petulante e lisonjeira dos repórteres — defeito da profissão pelo qual não a posso julgar. Agora que o homem está morto, disse-lhe, não vejo qualquer problema em contar-lhe tudo, e assim o fiz. Falámos durante três horas, e dei por mim a desbobinar a história dos últimos anos da sua vida que estava, compreendi então, indissociavelmente ligada à minha, à sua família, a Camila, a Gustavo, a Nina, a Artur, e à viagem que, em 1982, acabou por selar aquilo de que eu vinha suspeitando há tanto tempo, isto é, a nossa inaptidão para continuar a viver a vida de todos os dias depois de certas coisas acontecerem. Não me parece que a jornalista — que era uma rapariga nova, com a curiosidade dos aprendizes — tenha acreditado na maior parte das coisas que lhe contei. Perguntou-me constantemente se podia apresentar provas mas, como irão descobrir, não foi possível conservar quaisquer documentos desses dias — para além daqueles que se encontram em lugar e mãos desconhecidos — e respondi-lhe que, a ser publicada a história, teria de o fazer de boa fé. Passaram-se dois anos, comprei o jornal todos os dias, e nem uma linha apareceu sobre o assunto.
Fui compreendendo, no tempo que passou desde a entrevista, que deixar um relato da minha experiência era uma necessidade. O que foi verdade e o que é, inevitavelmente, ficcionado, devido aos limites da memória, não importa — em última análise, a própria realidade é objecto de ficção. O mais importante é libertar-me dos fantasmas, pois acarreto com as sombras de todas as coisas a que não tive coragem para colocar um fim. Isso reflecte-se, sobretudo, nos meus sonhos: ao contrário da crença habitual, não me parece que os sonhos sejam o espelho dos nossos desejos; cá para mim, acho que os sonhos são o espelho dos nossos horrores, dos nossos piores medos, da vida que poderíamos ter tido se, numa altura ou noutra, não fôssemos incomensuravelmente cobardes.

 

Mais informações sobre o livro no blogue de João Tordo.

publicado por Ler às 12:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Prémio José Saramago ganha dimensão ibérica (actual.)
17 Outubro, 2009

Confirma-se: o Prémio Literário José Saramago passa a ter «carácter ibérico» e anual a partir de 2010.

publicado por Ler às 12:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Prémio Literário José Saramago atribuído a João Tordo
17 Outubro, 2009

O júri presidido por Guilhermina Gomes e Nélida Piñon escolheu o autor de As Três Vidas (Quidnovi), na edição mais concorrida de sempre do prémio (37 originais). O anúncio foi feito agora no Museu Municipal de Penafiel. O Prémio Literário José Saramago tem o valor pecuniário de 25 mil euros e é atribuído pelo Círculo de Leitores, de dois em dois anos, a um autor com menos de 35 anos e obra de ficção editada em língua portuguesa.

Tags:
publicado por Ler às 12:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Prémios PEN Clube 2008
16 Outubro, 2009

Manuel Gusmão (poesia), Frederico Lourenço e Isabel Cristina Pires Mateus (ensaio) e Maria Velho da Costa (ficção). Notícia aqui.

publicado por Ler às 15:06
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
«Google Books foi um aviso para o mundo editorial europeu»
16 Outubro, 2009

«Nuestros escritores y editores tienen los contenidos y los derechos sobre esos contenidos. Pero también deben intentar que ese contenido llegue a la gente. Google Books es un llamamiento a que los editores europeos ofrezcan libros digitales a los lectores.»

Viviane Reding, comissária europeia para a Sociedade de Informação, em entrevista ao El País.

publicado por Ler às 11:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Prémio Planeta para Ángeles Caso
16 Outubro, 2009

A história de uma jovem cabo-verdiana que decide emigrar para a Europa (o seu primeiro destino é Portugal), narrada em Contra el viento, valeu a Ángeles Caso (n. 1959) o Prémio Planeta 2009.

publicado por Ler às 10:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Celebrar Agustina
15 Outubro, 2009

Agustina Bessa-Luís completa hoje 87 anos. Dedicámos-lhe a capa em Janeiro e um especial de 18 páginas (PDF disponível na coluna à esquerda, «Agustina, a indomável»).

publicado por Ler às 19:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Celebrar Agustina, II
15 Outubro, 2009

 

A indomável

Por Eduardo Lourenço

Em 1953, uma autora já conhecida de leitores atentos, publica um livro que inaugura uma data na ficção portuguesa contemporânea. O título famoso, como sabemos, é A Sibila, título profético no qual Agustina Bessa-Luís profetiza o seu próprio destino e a sua vocação de vidente e visionária. Esse título representou na época, para quem estava atento, o fim de uma hegemonia que, desde há 15 anos dominava, com razões para isso, o panorama da ficção portuguesa, aquilo a que se chamou neo-realismo. A Sibila não é um romance que se coloque em qualquer oposição, ou ideário, à prática ficcional desse neo-realismo.
É um livro que começa num outro lugar. O lugar que não existia antes dele, pela originalidade da história, pela temporalidade ficcional que é a da memória, ela própria tão inventada como realisticamente evocada, em suma, um tipo de ficção que noutras paragens já tinha obras em que Agustina se podia inspirar, mas que ela renovou e preencheu de um tipo de vivências não só da sua memória subjectiva como do inconsciente duma cultura do Portugal mais arcaico, ou melhor, do imemorial.
Essa obra foi seguida de uma produção torrencial sem precedentes na nossa literatura mesmo se nela integramos Camilo – um dos referentes da cultura desse imemorial que ela levará até à sua incandescência.
Mais tarde, a cultura portuguesa aperceber-se-á que além da originalidade literária de A Sibila enquanto ficção e escrita, uma escrita por vezes aleatória e fantasmagórica, essa obra instaurava sem que ainda se soubesse muito bem uma espécie de longo reinado da literatura feminina em Portugal. No caso dela, mais feminina do que feminista – que Agustina não é nem nessa perspectiva uma ideóloga mas um exemplo da sua ficção povoada de personagens femininas entre as quais a do seu primeiro livro, Mundo Fechado, que impôs um mundo da mulher até então subalternizado com uma evidência que as suas sucessoras receberam já como uma herança natural. Até porque Agustina tinha demasiado humor para ser feminista – sobre as outras mulheres. E, por incrível que possa parecer e muitas vezes não é entendida, sobre ela própria.
Pouco a pouco, Agustina impôs-se como uma paisagem literária sem igual na nossa literatura com livros como A Muralha, Os Incuráveis, O Manto, e mais tarde outros que adquiriram uma segunda vida através do cinema de Manoel de Oliveira como Fanny Owen ou Vale Abraão impuseram-se e entraram não só no imaginário nacional mas universal.
Infelizmente, a escrita constantemente paradoxal e surpreendente de Agustina ainda não encontrou, pela sua dificuldade, o eco que merece. Mas pode esperar. Num livro que particularmente me deslumbrou – Um Cão Que Sonha – Agustina revisita a sua juventude e dá-nos um pouco a misteriosa e insólita perspectiva da sua ficção, como destinada a ser devorada por um outro que será o autor da sua obra em vez dela. Como se ela, que, como é sabido, tão pouco aprecia Fernando Pessoa, inventasse um mito da sua criação proliferante para se converter numa ficção sem autor. E isto pode ser uma fábula que resume o que trouxe realmente de novo Agustina para a ficção da sua época. Menos uma voz que narcisicamente inventa um mundo para se afirmar através dele do que para ser, por assim dizer, a voz anónima das múltiplas memórias do seu universo povoado de figuras cada uma resumindo a extravagância da vida como se fossem seres da natureza indomáveis e imortais. Como ela.

Lisboa, 29 de Novembro de 2008

publicado por Ler às 19:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Celebrar Agustina, III
15 Outubro, 2009

De toda a sua vida, qual é o instante, o fragmento, o pontinho de luz que mais vezes lhe ocorre para dizer que viver vale a pena?


Ter a capacidade de amar alguém ou algo na vida. Ser capaz de pôr nisso todas as forças, toda a capacidade que, no fim de contas, é a capacidade para viver.

[LER, Outono de 2003]

publicado por Ler às 18:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
«Os meus livros não vão morrer»
15 Outubro, 2009

António Lobo Antunes em entrevista à Visão.

publicado por Ler às 15:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Prémio Fernando Namora atribuído a Mário de Carvalho
15 Outubro, 2009

Mário de Carvalho é o vencedor do Prémio Literário Fernando Namora, criado pela Estoril Sol em 1988, com o romance A Sala Magenta, o que acontece pela segunda vez: em 1996 foi distinguido por Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde.

Fotografia de Pedro Loureiro

 

À prosa de Mário de Carvalho, nos diversos registos narrativos que tem percorrido, nunca foi estranha a intenção paródica e irónica. Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina, romance anterior, de 2003, levava essa marca do autor ao seu ponto mais alto, na irrisão impiedosa do Portugal contemporâneo. Cinco anos depois, com A Sala Magenta, à ironia de Mário de Carvalho acrescenta-se um traço melancólico. O romance é um estudo de carácter, tendo como protagonista um cineasta medíocre a afundar-se na consciência da sua própria mediocridade. Gustavo Miguel Dias, vítima de um assalto violento, vê-se repentinamente reduzido a uma imobilidade forçada. A irmã recolhe-o na casa de campo onde vive. O isolamento de Gustavo desencadeia um processo de auto-análise ao «descomunal saco de débitos que não tinha outro remédio senão ir arrastando pela vida fora». A sala magenta, do título, é a evocação do espaço onde durante anos o cineasta teceu uma relação submissa e humilhante com Maria Alfreda, a amante que lhe diz, sem «qualquer sinal de remorso»: «Preferia que ficasses, mas quando te quiseres ir embora substituo-te em dois dias.» A pistola largada ao acaso por Maria Alfreda em cima de um móvel da sala – e evocada na ilustração da capa – nunca há-de chegar a entrar verdadeiramente em cena, a não ser no fascínio mudo do protagonista. «A fantasia do tiro de pistola com o seu sabor romanesco, a implicação de um desfecho trágico, elevado, camiliano», não chega a concretizar-se e o que resta é o drama sem grandeza de Gustavo Miguel. Um drama impiedosamente observado pela lente de Mário de Carvalho, um dos autores que melhor escreve, nos nossos dias, em língua portuguesa.
Carlos Vaz Marques [Texto publicado na edição nº 69 da LER, Maio de 2008]

publicado por Ler às 13:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Vencedor do Prémio Planeta conhecido hoje à noite
15 Outubro, 2009

O El País aponta como favoritos Elvira Lindo, Javier Serra ou Risto Mejide. Recorde que Fernando Savater venceu a edição de 2008 deste galardão com um valor monetário global de 601 mil euros.

publicado por Ler às 12:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Santiago Negro
15 Outubro, 2009

É o nome do primeiro festival internacional do romance policial latino-americano: mais de 40 escritores espanhóis e chilenos reunidos até 18 de Outubro em Santiago do Chile.

Tags:
publicado por Ler às 11:43
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Caim nas livrarias dia 19
15 Outubro, 2009

Depois de apresentado ontem em Frankfurt, Caim tem outros dois lançamentos em Portugal: dia 18, às 21h30, no Museu Municipal de Penafiel; e dia 30, às 18h30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa. O novo romance de José Saramago chega às livrarias na próxima segunda-feira.

publicado por Ler às 11:28
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
Começa hoje a Escritaria em Penafiel
15 Outubro, 2009

Depois da primeira edição dedicada a Urbano Tavares Rodrigues, o Escritaria volta hoje a Penafiel até 18 de Outubro para celebrar o Nobel português. Recorde-se que Prémio Literário José Saramago será anunciado amanhã, no Museu Municipal de Penafiel.

Tags:
publicado por Ler às 11:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Poesia reunida de António Osório apresentada amanhã
15 Outubro, 2009

Guilherme de Oliveira Martins, Eugénio Lisboa, Fernando J.B. Martinho e José Manuel de Vasconcelos apresentam amanhã A Luz Fraterna - Poesia reunida (Assírio & Alvim), de António Osório, antologia de toda a obra poética produzida entre 1965 e 2009. A partir das 18h30, na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.


«A poesia de António Osório – e nela incluo, por assim dizer, todos os seus livros, mesmo os que, aparentemente, são de prosa — é sempre em verso livre (quando leio obras como a Libertação da Peste — livro notável — ou Crónica da Fortuna, o meu ouvido “diz-me” que estou a ler versículos, como quando leio A Raiz Afectuosa ou A Ignorância da Morte.)
Do já citado livro de C.S. Lewis, recolho uma observação pertinente e que me parece ser digna de ser tomada em conta pelos leitores da obra de António Osório, que agora se publica “completa”. Diz Lewis ser “possível que aos jovens de hoje se tenha deparado demasiado cedo o verso livre. Quando este é veículo de verdadeira poesia, os seus efeitos auditivos são de extrema subtileza e, para uma verdadeira apreciação, exigem um ouvido longamente familiarizado com a poesia metrificada. Aqueles que acreditam poder apreciar verso livre sem experiência de métrica estão, creio eu, a enganar-se a si próprios, tentando correr antes de saberem andar. Mas na corrida literal as quedas magoam e o aspirante a corredor logo descobre o seu erro.” Um dos grandes prazeres que podemos deduzir da leitura dos livros do autor de Décima Aurora vem de podermos ir ajustando, com cuidado e alguma teimosia, o nosso ouvido à música subtilíssima que se esconde na só aparente “liberdade” que os versos sugerem.» Eugénio Lisboa

publicado por Ler às 10:59
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
Posts recentes

Ser letrado reaccionário ...

Bolsas de criação literár...

Livrarias. Coisas de que ...

Fotografias exemplares, 6...

Fotografias exemplares, 6...

Fotografias exemplares, 6...

Fotografias exemplares, 5...

Mas é a Penguin que vai à...

Amazon e Hachette de braç...

Fotografias exemplares, 5...

Assinaturas
Faça já a sua assinatura aqui.

Contacto

Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt

Pesquisar
 
Lido e publicado

1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço

Ligações
Arquivo

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

blogs SAPO
Subscrever feeds