A partir de 2010, o prémio distinguirá todos os anos um ensaio literário, de autor português, e terá o valor pecuniário de 7500 euros. Organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e da Associação Portuguesa de Escritores.
Texto publicado na New Yorker com ilustração de André Carrilho.
É coisa rara, mas o The Telegraph conseguiu. Uma entrevista onde o escritor norte-americano fala sobre dois dos seus livros, editados há poucos meses em Portugal: O Que É o Quê (Casa das Letras) - crítica de José Riço Direitinho publicada na LER de Novembro - e O Sítio das Coisas Selvagens (Quetzal) - crítica de Rogério Casanova na edição de Janeiro.
Dave Eggers (Boston, 1970) é um dos «meninos de ouro» da nova literatura norte-americana, em conjunto com o imaginativo Jonathan Safran Foer e o eclético Michael Chabon. Jornalista de formação e editor de uma pequena revista cultural, estreou-se nas letras em 2000 com um romance que de imediato o catapultou para as preferências dos leitores e dos críticos, A Heartbreaking Work of Staggering Genius.
O Que É o Quê tem como subtítulo A História de Valentino Achak Deng e o prefácio é escrito por Achak Deng, ele próprio, refugiado sudanês a viver actualmente em Atlanta, revertendo os fundos da venda dos direitos do livro – somos disso informados no final – para várias ONG que trabalham no Sudão. Estes factos poderiam ser despiciendos para uma recensão crítica se não estivéssemos perante um livro que se assume como «romance». Ora quais são então aqui os limites entre ficção e não-ficção? Diz-nos Achak Deng, no prefácio, que durante anos contou oralmente a sua história ao autor e que «este livro é o retrato emotivo da minha vida». Ora é nas emoções (que o escritor não viveu) que se encontra a ficção, e isso nota-se. Pois este romance intenso – ao mesmo tempo picaresco e épico – consegue fazer-nos sentir, de maneira quase vívida, o que é viver noutra cultura. São os mecanismos da ficção que nos fazem entrar na vida do «outro». Com lirismo e precisão nos detalhes, Eggers conta-nos da solidão, do medo, da fome, da doença, dos ataques de animais selvagens, da crueldade nas suas formas mais imaginativas, narrando a vida de Achak Deng durante a guerra civil no Sudão (1983-2005), que teve que deixar a sua aldeia, Marial Bai, quando esta se transformou num campo de batalha entre forças governamentais e soldados rebeldes, quando chegaram os helicópteros e foi queimada e ocupada. Com este «menino perdido» (assim são nomeadas as dezenas de milhares de crianças que se viram apartadas dos pais) visitamos um campo de refugiados na Etiópia e outro – vastíssimo – no Quénia; mais tarde estamos finalmente em Atlanta, onde ele tem uma casa mobilada com dádivas da Igreja Metodista e um emprego na recepção de um health club.
Com inegável talento, Dave Eggers consegue passar para a narrativa a elasticidade necessária para que a história viaje do presente para o passado e vice-versa sem perturbar a atenção do leitor. Este romance singular, apesar de todas as tragédias, não é depressivo nem horrífico, antes se apresenta como um verdadeiro acto de fé e de esperança. José Riço Direitinho [LER nº 85]
Publicado no New York Times.
Jô Soares justifica assim o espectáculo que traz até ao Teatro Villaret, em Lisboa, entre 29 de Janeiro e 7 de Fevereiro de 2010. «Prefiro "dizer" a "declamar”», acrescenta o apresentador brasileiro. Por isso, prepare-se, Jô Soares vai dizer poemas de Pessoa, tal como fez em Remix em Pessoa, CD gravado em 2007.
«O grupo Leya e a livraria Barata estabeleceram uma parceria para a exploração daquele espaço da Avenida de Roma, em Lisboa. O acordo tem como objectivo a revitalização e dinamização da conhecida livraria, um dos ícones do universo livreiro da capital, e prevê, igualmente, a instalação, no piso -1, da "Loja do Professor", espaço que será dedicado aos professores e às editoras escolares integradas na Leya - Asa, Gailivro, Novagaia, Texto e Sebenta.» Mais informações aqui.
Enquanto se aguarda a tradução portuguesa, pode ler um excerto em inglês e a crítica (New York Times) do volume que encerra a trilogia O Teu Rosto Amanhã, de Javier Marías (blogue obrigatório). O primeiro capítulo (Febre e Lança) foi lançado em 2005 pela Dom Quixote, que tenciona editar os dois próximos em data ainda a definir.
Corram para a In Libris-Sociedade para a Promoção do Livro e da Cultura, no Largo José Moreira da Silva (Porto). É apenas um conselho.
Motivo para regressar ao inventor do Esperanto.
Uma reedição revista e aumentada por Francisco Rico. Entrevista aqui.
Anatomía de un instante é o primeiro título de uma lista de dez livros. Alguns dos romances do escritor espanhol Javier Cercas (Soldados de Salamina, O Inquilino e A Velocidade da Luz) estão traduzidos na ASA.
A edição de 2009 do prémio bienal foi atribuído ao livro As Têmporas da Cinza (Cotovia), de A. M. Pires Cabral, por decisão unânime do júri constituído por quatro membros da direcção da Fundação Luís Miguel Nava (Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais), e pelo poeta e crítico António Carlos Cortez. «A limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea», lê-se no comunicado.
Pode descarregar em pdf a entrevista de A. M. Pires Cabral a Carlos Vaz Marques (com fotografias de Pedro Loureiro) publicada nas páginas da LER em Outubro de 2008. Está já aqui ao lado, na coluna «Lido e Publicado».
José Rodrigues dos Santos atingiu esta semana, com a nova edição (a 11ª) de Fúria Divina (lançado a 24 de Outubro), a marca de um milhão de livros vendidos em Portugal, «que engloba as obras de ficção e não ficção. O livro mais vendido permanece O Codex 632, com 189 000 exemplares, embora Fúria Divina se tenha tornado agora a obra de mais rápida venda deste autor [150 mil exemplares]», lê-se no comunicado da Gradiva.
De atrasalante en su porfía é o título do mais recente livro do poeta argentino Juan Gelman (n. 1930), vencedor do Prémio Cervantes em 2007.
O vice-presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros com o pelouro do livro escolar, Vasco Teixeira, concorda com a decisão da ministra da Educação de não aplicar o acordo ortográfico nas escolas em 2010. «Mostra conhecer o assunto porque é completamente impossível aplicar o acordo ao sistema educativo já em Setembro de 2010. Todo o processo implica a produção de milhões de manuais, ajustes nas bibliotecas escolares, na formação de professores e tudo isso demora bastante tempo e tem que ser bem planeado», afirmou à TSF.
A aplicação do acordo ortográfico nas escolas não vai entrar em vigor no próximo ano, anunciou a ministra da Educação Isabel Alçada. No Público.

Maria do Rosário Pedreira abandona o seu cargo de editora da Quid Novi a partir de 31 de Dezembro, assumindo funções no grupo Leya em Janeiro. Ana Pereirinha assume os projectos em curso na editora. Desenvolvimento da notícia no Público.
«Maria do Rosário Pedreira terá como principal tarefa a selecção e edição de obras de novos autores portugueses, uma área que é de importância decisiva para a Leya e onde aquela editora tem desenvolvido um trabalho cuja qualidade é unanimemente reconhecida. A nova editora assumirá ainda responsabilidades na concepção e execução de um conjunto de projectos especiais na área das edições gerais do grupo, que visam reforçar, no país e no estrangeiro, o prestígio e a notoriedade dos catálogos e autores da Leya.»
Comunicado do grupo Leya.
Em ano de Mundial de Futebol, e também por isso, a Festa Literária Internacional de Paraty realiza-se de 4 a 8 de Agosto e terá Gilberto Freyre como autor homenageado.
Foto retirada daqui.
O Pintor Desconhecido, a publicar em 2010 pela Livros Horizonte, conquistou a «modalidade infantil» do Prémio Branquinho da Fonseca/Expresso/Gulbenkian. A autora, Mariana Roquette Teixeira, recebe hoje o galardão na sala 1 da Fundação Gulbenkian, a partir das 18h30. «O júri, composto por Ana Maria Magalhães, Inês Pedrosa, José António Gomes, Maria Manuela Goucha Soares e Maria Helena Melim Borges, deliberou não atribuir o prémio na modalidade juvenil, por considerar que nenhum dos 21 originais concorrentes se enquadrava nos objectivos com que o prémio foi instituído: incentivar a escrita de um texto de ficção dirigido a pré-adolescentes ou adolescentes.»
Com o primeiro mês de 2010 à porta, nada de mais avisado do que recordar os principais acontecimentos editoriais de Janeiro de 2009. Está tudo aqui.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)