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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Notas soltas dos Bibliotecários Sem Fronteiras

 

Muitas coisas se podem fazer quando se completam 30 anos. A IKEA, por exemplo, decidiu colocar 30 modelos da sua mais famosa estante de livros (Billy) na praia de Bondi, em Sidney (Austrália). «As estantes, que permaneceram lá apenas por um dia, ofereciam milhares de livros que os frequentadores da praia podiam pegar emprestado, trocar por outros livros ou simplesmente fazer uma doação que seria revertida para a Fundação Literária da Austrália», lê-se no blogue Bibliotecários Sem Fronteiras, que divulga ainda um anúncio luminoso. [Via Blogtailors]

 

Pequena Morte

Na mais recente edição desta revista digital brasileira, Zaira Mahmud faz cinco perguntas ao poeta Gastão Cruz, Luis Maffei, poeta e professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense, escreve sobre o último romance de  José Saramago e Fábio Santana Pessanha entra em «diálogo com a casa de Maria Gabriela Llansol».

[Via Autores e Livros]

 

«Em detrimento de Deus, um argumento central de Caim é a pouca bondade do “senhor”. Num diálogo baseado nas tormentas impostas a Job, diz Caim: “O senhor não ouve, o senhor é surdo, por toda a parte se lhe levantam súplicas, são pobre, infelizes, desgraçados, todos a implorar o remédio que o mundo lhes negou, e o senhor vira-lhes as costas, começou por fazer uma aliança com os hebreus e agora fez um pacto com o diabo, para isso não valia e pena haver deus” (p. 136). O argumento antidivino baseado na indiferença ou no abandono não dá conta da simbologia de Deus, pois exige uma sua monocondição, e volto à pobreza dos debates que cercaram o lançamento desse romance: os que defenderam a liberdade de expressão de Saramago talvez não tenham notado que uma instância, hoje tão ou mais poderosa que a Igreja, o mercado, torna desnecessária qualquer defesa da liberdade de expressão de Saramago; os que atacaram o autor, especialmente os religiosos convictos, talvez não tenham notado que ele se esqueceu de algo que seria bastante mais problemático que uma inversão de papéis. A culpa pode ser do Herberto Helder porque, na poesia assinada por esse nome, Deus é muitas coisas, desde opressão até liberdade, chegando a ser, num poema recente, maravilha tecnológica: “o vídeo funciona,/ água para trás, crua, das minas,/ tu próprio crias pêso e leveza, luz própria,/ (…) / o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação, abalo,/ que Deus funciona em sua glória electrónica”. Aprendi com Herberto: Deus é digo de desobediência e escrita, de ataques e bate-bocas, portanto, ao contrário do que alguns gostam de pensar, Deus não é assim tão óbvio. Nem a literatura.»

[Luis Maffei, poeta e professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense]

O caso Face Culta, por Rui Zink

«O caso Face Oculta não é nada, comparado com o caso Face Culta. No Face Oculta, o problema é um empresário ter distribuído dinheiro a rodos em troca de favores. No Face Culta, o problema é as empresas quererem favores sem distribuírem dinheiro nenhum. É que a cultura é a área na qual há a cultura de não pagar — não atribuir um valor — a grande parte do trabalho que se faz.» Texto completo aqui.

Tradução integral de Sidereus Nuncius lançada em Março

A tradução portuguesa do livro de Galileu Galilei, Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas, publicado originalmente há 400 anos, será lançada no dia 17 de Março, às 18 horas, na Fundação Gulbenkian, por ocasião da sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia. Com tradução e anotações de Henrique Leitão, é a primeira obra de Galileu a ser «traduzida integralmente em Portugal». «É um livro único na história da ciência e uma das obras mais importantes em toda a história do pensamento ocidental», explica Henrique Leitão. «Nunca na história da ciência uma obra provocou tanta comoção e deu origem a debates tão acesos como este.»

Prémios Autores SPA/RTP para António Lobo Antunes, António Osório e David Machado

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? venceu a categoria de Melhor Ficção Narrativa; A Luz Fraterna, de António Osório, foi escolhido como Melhor Livro de Poesia e O Tubarão na Banheira, de David Machado, ganhou o prémio de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil. A cerimónia decorreu ontem no CCB, em Lisboa. Confira a lista completa dos nomeados e dos vencedores.