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  <title>Memórias dos Pupilos</title>
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  <description>Memórias dos Pupilos - SAPO Blogs</description>
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    <title>Memórias dos Pupilos</title>
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  <pubDate>Sat, 06 Oct 2012 21:49:48 GMT</pubDate>
  <title>Outra Casa</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Faz hoje ou amanhã cinquenta e oito anos que, de livre e espontânea vontade, entrei no Instituto dos Pupilos do Exército. Poderia ter ficado a estudar no liceu Gil Vicente, próximo de casa dos meus Pais. Podia ter tido uma juventude igual à de tantos meus amigos de infância, usufruindo das delícias do aconchego da casa paterna. Quis a “aventura” de um colégio interno, com características castrenses na instrução e educação. Sonhava ser militar. Andei por lá sete anos. Tinha começado a guerra em Angola, havia sete meses, troquei os Pupilos pela Academia Militar para dar continuidade ao meu sonho de criança: ser oficial das Forças Armadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recordo com saudade esses sete anos que me enrijeceram e me inculcaram valores de que me não envergonho. Lá, éramos, essencialmente, alunos militarizados e não sofríamos a influência da Mocidade Portuguesa. A disciplina era castrense e a vida regia-se por toques de corneta desde que nos levantávamos, às seis da manhã, até que nos deitávamos, às vinte e duas e trinta minutos. E tínhamos nas camaratas altifalantes, que ampliavam o som da alvorada, por onde se ouviam também marchas militares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi precisa a crise — esta maldita crise — para o “Governo das poupanças”, o “Governo do esbulho” acabar com o meu centenário Instituto, a minha Outra Casa. Portugal está mais pobre, nós sabemo-lo, mas os antigos alunos dos Pupilos do Exército ficam mais pobres do que os restantes cidadãos, porque perdem uma referência que ainda se debruça vetusta e nobre sobre a linha de caminho-de-ferro de Sintra, em Benfica. Um dia destes vou, sozinho, visitar as velhas instalações. Não quero companhia para que se não me veja escorrer pela face aquela lágrima de saudade que teima sempre em surgir quando rememoramos os recantos da nossa juventude, quando olhamos as velhas pedras e paredes que nos falam de nós mesmos noutros tempos distantes. Irei sozinho, na minha romagem de saudade, antes que seja tarde e os portões se fechem para sempre.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 24 May 2008 23:09:02 GMT</pubDate>
  <title>Noventa e sete anos... Linda idade!</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/zrvoinhQrnzqcDnYqmeJ&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;229&quot; width=&quot;340&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/zrvoinhQrnzqcDnYqmeJ/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pois é, o Instituto dos Pupilos do Exército faz hoje 97 lindas Primaveras.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Faltam três anos para comemorar o centenário de existência de uma Escola que já foi paradigma de excelência formativa. E, se é verdade que nela funcionaram cursos superiores politécnicos, não foi nessa época que a máxima excelência foi atingida. O verdadeiro período áureo dos Pupilos do Exército rondou o final dos anos 30 até ao termo da década de 40 do século passado. Foi o tempo dos contabilistas e dos engenheiros técnicos que, com pouco mais de 18 anos de idade, tinham ofertas de empregos, como hoje diríamos, milionárias. Porquê? Tão-só porque eram raros os contabilistas e os engenheiros técnicos e, mais do que tudo, porque os saídos do Instituto levavam uma formação militar muito especial o que dava garantias ao empregador de, mesmo tendo em conta a juventude do empregado, haver sentido de responsabilidade, noção de hierarquias e, acima de tudo, disciplina laboral. Eram estas as mais-valias procuradas nos ex-alunos dos Pupilos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A repetição do modelo foi tentada no final dos anos 60 do século XX, mas a posterior alteração política subsequente ao 25 de Abril de 1974 e o fim dos cursos técnicos não deixaram que houvesse o espaço necessário para o ensino ganhar o &lt;i&gt;balanço&lt;/i&gt; anterior. A multiplicação de Institutos Politécnicos pelo país veio retirar peso específico aos Pupilos do Exército. As características modificaram-se com a abertura à frequência de alunos externos; para o bem e para o mal, o Instituto &lt;i&gt;mudou&lt;/i&gt;. Um certo cariz «mercenário» dos docentes do ensino superior contribuiu para as alterações; perdeu-se o &lt;i&gt;élan&lt;/i&gt; de outros tempos; passou a haver clivagens surdas entre os chamados &lt;i&gt;oriundos&lt;/i&gt; e os &lt;i&gt;cães&lt;/i&gt; &amp;mdash; acho que não devemos ter medo de usar os vocábulos da gíria, exactamente, porque eles existiam e faziam parte do quotidiano dos alunos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pessoalmente penso que foi uma má aposta a da introdução do ensino politécnico no Instituto; dever-se-ia ter ficado pelo secundário e procurado estabelecer logo a vertente técnica de modo a não se desperdiçar uma idiossincrasia existente&amp;hellip; Mas ninguém é bruxo! Quando se tomou a decisão as poucas vozes que se fizeram ouvir contra foram abafadas pela algazarra dos &lt;i&gt;inovadores&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O descalabro, depois de um período de grande euforia, foi brutal. Pode dizer-se que a década do Governo de Cavaco Silva marcou o começo do princípio do fim.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Hoje o Instituto tem um caminho traçado. Talvez tenha sido doloroso para todos os que sonhavam com glórias impossíveis as quais só eram realizáveis nas suas mentes delirantes. Os Pupilos recuaram quase até à origem, mas, tenho para mim como certo, &lt;i&gt;engatou-se&lt;/i&gt; o destino da nossa Casa à &lt;i&gt;locomotiva&lt;/i&gt; do futuro e do progresso. A aposta está e vai estar na formação de quadros técnicos com a possibilidade de seguirem, ou não, para a frequência de cursos superiores em escolas civis ou estabelecimentos militares. Esse é o rumo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depois de termos vivido a ambição da rã da fábula resta-nos, volvidos cem anos de existência, voltar ao início e recomeçar com perseverança. A crise económica que se aproxima a passos bem largos em vez de ser prejudicial ao Instituto vai catapultá-lo para a frente como Escola a ser usada por todos os servidores do Estado que, tendo baixos rendimentos, queiram dar aos filhos um curso apropriado para imediatamente os encaminhar rumo ao mercado de trabalho sem lhes cortar a possibilidade de prosseguirem estudos superiores se assim o desejarem e forem capazes. E o Estado tirará proveito desta mudança.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O inexorável rodar do tempo vai impedir-me de ver reerguer-se altaneiro o Instituto dos Pupilos do Exército, porque as recuperações do ensino não se fazem numa década, nem, talvez, em duas, mas quando chegar a hora de partir levarei comigo a certeza de que a Casa, que há 54 anos me viu entrar através dos seus portões para fazer de mim um homem, vai continuar a oferecer à sociedade portuguesa outros homens que a honrarão no futuro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Parabéns meu velho Pilão!&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 11 May 2008 15:32:43 GMT</pubDate>
  <title>Uma exibição com valor</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/IlMvwG64sCvJ30Ft60tQ&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;155&quot; width=&quot;200&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/IlMvwG64sCvJ30Ft60tQ/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Confesso que não fui de propósito ao Centro Comercial Colombo para assistir hoje, domingo, 11 de Maio de 2008, à exibição dos Pupilos do Exército, mas como passei por lá, não me eximi a ver o espectáculo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O centro comercial, na sua majestosa amplitude estava pejado de meninos fardados ou do Colégio Militar ou dos Pupilos do Exército. Curiosamente passou-me despercebida a presença das meninas de Odivelas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Olhei-os, a todos, criticamente. Queria descobrir diferenças nas fardas e nos comportamentos. Vi de tudo; desde alunos do Colégio Militar bem fardados e garbosamente mostrando as suas botas altas de montar a cavalo até alguns com fardas mal talhadas, amarrotadas e dando nota de certo desleixo; vi o mesmo &amp;mdash; com exclusão das botas altas &amp;mdash; nos alunos dos Pupilos do Exército. Tanto uns como outros já não usam o debrum de plástico branco por dentro da gola das fardas &amp;mdash; tal como trazíamos no meu tempo &amp;mdash; o qual dava um ar mais composto ao fecho do colarinho. Ficam com um aspecto desmazelado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Havia no ar uma atmosfera de festa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tive imensa sorte, porque quando cheguei à nave central ia começar a actuação dos Pupilos do Exército. Lá estavam presentes os ex-alunos do costume! Acenei a uns e a outros, tendo o Américo Ferreira evitado olhar-me. Paguei-lhe da mesma moeda!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Veio falar comigo o Manuel Andrade &amp;mdash; o 298 de 1963 &amp;mdash; que está a fazer uma obra de muitíssimo mérito, cuja valia ultrapassa de longe tudo o que se possa imaginar: uma recolha fotográfica dos cem anos do Instituto. É um trabalho como antigamente se dizia «de se lhe tirar o chapéu»&amp;hellip; E eu, com muita humildade, tiro-lhe o meu, porque tudo o que não sou capaz de fazer obriga-me a sentir-me pequenino perante quem o faz! Só pelo que já conseguiu executar, o Manuel Andrade entrou, para mim, na galeria dos Grandes Pilões. Será que a Associação saberá honrá-lo como merece? A ver vamos!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A exibição começou com o grupo coral. Confesso que desde os meus tempos de criança que não tenho nem ouvido, nem voz, nem capacidade nenhuma para apreciar música e canto, mas, ouvir os alunos do «meu» Instituto cantar, até parece que me deu habilidades especiais. Era a emoção, está visto! Emoção que redobrou quando escutei os aplausos da assistência&amp;hellip; E eles vinham do piso térreo, do primeiro e do segundo andar do enorme átrio central do majestoso edifício.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depois, houve uma altura em que um só aluno cantou com uma excelente voz. A minha mulher, que estava ao meu lado e é dada a entender de canto, disse-me baixinho: &amp;mdash; Magnífico! Os olhos marejaram-se-me de lágrimas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Gostei de ver a apresentação da classe de luta, nas suas diferentes modalidades, embora fosse impossível deixar de associá-la às notícias de recontros pugilistas entre os alunos dos Pupilos e os de uma qualquer escola secundária da zona de Benfica. Com aquelas &lt;i&gt;performances&lt;/i&gt; ai de quem se meter na frente dalguns dos nossos Pilões! Uma publicidade que aponta para uma Escola onde se desenvolve a agressividade física, talvez não seja a mais conveniente neste momento&amp;hellip; Mas os programas já estavam feitos e as actividades destinadas!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em mim, a emoção subiu ao rubro quando se cantou o hino da nossa Casa. A voz embargou-se-me. Não fui capaz de dizer mais do que o «Querer é poder, querer é poder». E disse-o baixinho, com uma lágrima teimosa a saltar-me dos olhos, porque, realmente, ao longo da minha vida, deixei que o nosso lema me entrasse na circulação sanguínea e seja ele quem me comanda os passos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não fiquei para ver o resto do festival. O que poderia ser melhor do que a exibição dos nossos continuadores?!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É verdade que os painéis onde se patenteavam as fotografias do Instituto eram os mais pobres dos três, mas a exibição dos alunos mostrou o equilíbrio entre o canto e a capacidade de lutar. Simbolicamente valeu por uma excelente explanação entre, por um lado, a doçura de sentimentos e a capacidade de expressá-los e, por outro, a mostra viril de expor publicamente a habilidade de vencer os mais duros desafios.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depois disto, resta dizer aos alunos que é preciso estudar de modo a que os resultados académicos possam estar a um nível mais alto do que o habitual para serem reais e completos os equilíbrios da nossa «Casa tão bela e tão ridente».&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Valeu a pena este domingo!&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 07 Feb 2008 13:49:12 GMT</pubDate>
  <title>A primeira fotografia</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/WzBb43F1cmZMg79DjW8r&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;201&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/WzBb43F1cmZMg79DjW8r/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Até ao século XIX o retrato pintado era um privilégio de nobres endinheirados ou de ricos burgueses. Os pobres, ou simplesmente remediados, passavam pela vida sem deixar do seu rosto qualquer rasto. Com a invenção da máquina fotográfica tudo se modificou: a gente de fracas posses financeiras pôde passar a fazer, em circunstâncias festivas, a reprodução da sua pessoa e dos que lhe eram queridos. Assim, nasceram as galerias de fotografias nas casas burguesas que, de certa forma, copiavam as dos retratos pintados das famílias nobres ou ricas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ainda nos anos 50 do século passado, entre nós, fazer fotografia era um gasto que se guardava para certas ocasiões; os custos da máquina, do rolo e da revelação pesavam nos magros orçamentos de quase todos os pequenos e médios burgueses. Havia coisas mais necessárias onde gastar dinheiro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na minha família &amp;mdash; naquela onde nasci &amp;mdash; tinha a minha Mãe o hábito de colar em álbuns as fotografias que recordavam passeios ou outros momentos de boa-disposição. Ainda os guardo com rigor religioso, porque já só eu e a minha irmã &amp;mdash; mais velha sete anos &amp;mdash; sabemos conhecer aquelas caras de antigas fotografias de cor sépia. Tenho uma filha &amp;mdash; jovem ainda, com vinte e sete anos &amp;mdash; que faz questão de ser a depositária das estórias da família. Espero que, quando eu, pela lei da Vida, desaparecer, seja ela a «guardadora» dessas «relíquias», rostos que só conheceu por ouvir falar deles.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ora, vem tudo isto a propósito do facto do antigo condiscípulo e dedicado Pilão Manuel Andrade estar a preparar uma grande recolha de fotografias de ex-alunos dos Pupilos para editar de forma condigna por ocasião do centenário da nossa Casa. Nesse afã conseguiu &amp;mdash; feito notável &amp;mdash; obter os retratos que o fotógrafo oficial dos Pupilos, dos anos 40, 50 e 60 do século passado, tinha em seu poder, por ainda ser vivo e cultivar o gosto de coleccionar aquelas caras que lhe foram familiares.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na troca de correspondência que mantive com o Manuel Andrade &amp;mdash; um «puto» de entrada em 1963, era eu já um ex-aluno, cadete da Academia Militar &amp;mdash; fez-me ele, simpaticamente, chegar agora às mãos a minha primeira fotografia tirada no nosso querido Instituto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Recordo-me desse dia e, para a posteridade, ficou gravado o meio sorriso que esbocei frente à máquina; era um hábito que havia adquirido em casa dos meus pais, no momento em que enfrentávamos a objectiva de qualquer aparelho fotográfico. Ainda não sabia que por lá, as fotografias não eram para ficar bonitas, mas para posterior identificação. Deveria ter suspeitado, se tivesse estado mais atento à placa com o número que nos iam pondo na frente; número que se nos colou à pele para toda a vida, ao contrário da vontade do legislador, quando, em 1911, mandou fundar o Instituto e especificamente proibiu a identificação dessa forma. Xavier Correia Barreto queria-nos individualizados e identificados pelos nossos nomes e não por algarismos, como então era hábito, nas fileiras militares, com as praças de pré. Outros tempos e outros conceitos de grande modernidade pedagógica para a época. Não vingaram, como muitas outras reformas republicanas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Aqui fica a minha fotografia, aos doze anos, para satisfação de todos quantos não são capazes de imaginar que alguma vez tive essa idade. Foi feita numa manhã de quarta-feira de Outubro &amp;mdash; só podia ser, por nesses dias termos as manhãs ocupadas com prática de desporto e instrução militar &amp;mdash; do já longínquo ano de 1954.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Bem-haja ao Manuel Andrade.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 30 Jan 2008 11:55:29 GMT</pubDate>
  <title>Uma polémica que não interessa</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt; &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/N93v2oq1zwf5wjCuVOKO&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;224&quot; width=&quot;173&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/N93v2oq1zwf5wjCuVOKO/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O Colégio Militar voltou a ser alvo de um periódico que dá pelo nome de &lt;em&gt;24 Horas&lt;/em&gt; o qual vive, essencialmente, de escândalos. Desta vez, apontam-se mais maus-tratos a uma criancinha que não conseguiu aguentar dois anos de internato. É uma questão polémica que não interessa alimentar, como mais abaixo se verá porquê.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pessoalmente não acredito nas parangonas do jornal. Uma bofetada dada por um graduado ou um pontapé no traseiro não podem ser classificados com o epíteto de &lt;em&gt;maus-tratos&lt;/em&gt;. A ter acontecido qualquer coisa deste género, esta criancinha só demonstra que foi mal-educada até ao momento presente, por não ter estaleca para se aguentar com tais &lt;em&gt;mimos&lt;/em&gt; «oferecidos», provavelmente, na sequência de uma demonstração de insubordinação ou como resultado de resistência àquilo que em Sociologia se chama socialização.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É evidente que muitos de nós chorámos &amp;mdash; não foi o meu caso &amp;mdash; nos primeiros tempos de internato. Chorámos por dois motivos: saudades de uma vida que deixáramos de livre vontade ou mais ou menos obrigados; dificuldade de adaptação a um novo sistema onde não éramos o centro das atenções, mas mais um entre muitos mais. Há crianças que não aguentam o somatório destas duas forças. São fracos e incapazes de se superarem, provavelmente como fruto da educação que receberam, antes, em casa dos pais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pelo Pilão do meu tempo, passaram alguns, mas poucos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ora, o que está a acontecer ao Colégio Militar preocupa-me, porque indicia, em meu entender, uma campanha contra uma instituição tutelada pelo Exército, tal como o nosso Instituto. Se as &lt;em&gt;barbas&lt;/em&gt; do Colégio estão a &lt;em&gt;arder&lt;/em&gt; temos por obrigação ajudá-los e pôr as nossas de &lt;em&gt;molho&lt;/em&gt;, porque, mais tarde ou mais cedo, vai, como dizem os Brasileiros, sobrar para nós.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pupilos e Colégio Militar são duas Casas que têm os seus pergaminhos, as suas tradições as suas dignidades. Não são instituições iguais, mas o que as separa é muitíssimo menos do que tudo o que as une. A rivalidade que sempre existiu é nossa, só nossa e entre nós se resolve. Mas é, acima de tudo, uma rivalidade saudável, porque desafia o nosso espírito de emulação; superarmo-nos, em cada momento, para cumprirmos melhor a nossa finalidade, foi sempre assim que olhei para os Meninos da Luz e, tenho a certeza, é deste modo que eles olham para nós.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É evidente que &lt;em&gt;ovelhas negras&lt;/em&gt; sempre as houveram quer nos Pupilos quer no Colégio&amp;hellip; &lt;em&gt;Ovelhas&lt;/em&gt; que nunca foram capazes de ultrapassar a fase da mera rivalidade primária e nunca perceberam que só, essencialmente, foram origens sociais distintas que nos separaram, mas que, por não vivermos num Estado aristocrático, todos somos, afinal, iguais no nascimento e com iguais oportunidades na Vida. E esta última afirmação é tão verdadeira que, ao longo dos quase cem anos de existência dos Pupilos, muitas vezes houve irmãos a frequentarem cada uma das instituições. Do meu tempo, recordo os Aguinchas e o Rui Campos; muito mais antigos, lembro os Taborda e Silva.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Que os meus leitores, antigos alunos dos Pupilos, possam meditar nas minhas palavras &amp;mdash; não por serem minhas, mas por as julgar ditadas pelo bom senso &amp;mdash; e fazer causa comum com o Colégio Militar para nos defendermos enquanto instituições tuteladas pelo Exército e Casas dignas e tradicionalmente honradas por muitos e muitos ex-alunos que souberam levantá-las à posição que hoje ocupam na sociedade portuguesa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pelo Colégio Militar, salve, salve, salve!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 28 Jan 2008 20:04:46 GMT</pubDate>
  <title>Uma homenagem que tardava</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/gaEPNwp8jKqHf575REd6&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;189&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/gaEPNwp8jKqHf575REd6/340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;31 de Janeiro é, para todos os republicanos, uma data célebre. Nesse dia, em 1891, estalou, no Porto, a primeira tentativa de implantação da República em Portugal. Contudo, este ano, no 31 de Janeiro de 2008, um Pilão, de quase todos conhecido, celebra a bonita idade de 90 anos com perfeita lucidez e capacidade de trabalho apropriada à idade de&amp;hellip; &lt;em&gt;setenta e poucos!&lt;/em&gt; É o Augusto Dias o responsável, na prática, pela edição do &lt;em&gt;Boletim da Associação dos Pupilos do Exército&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não sou sócio da APE, não recebo o &lt;em&gt;Boletim&lt;/em&gt;, mas nem por isso deixo de reconhecer ao Augusto Dias o extraordinário mérito que lhe cabe pela perseverança e pela lição que nos dá a todos sobre a forma de se poder estar e pertencer a uma Associação sem conflitos nem desavenças.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Realmente, a longevidade de Augusto Dias deve ter-lhe ensinado aquilo que eu ainda não aprendi: é que os &lt;em&gt;garotos&lt;/em&gt;, se não morrerem entretanto, hão-de chegar a velhos e perceber quanto de passageiro tem a Vida, quanto ilusórios são os cargos e as &lt;em&gt;honras&lt;/em&gt; que eles se atribuem e, acima de tudo, quanto importante é amar uma ideia pelo valor dela mesma. Esta é, por certo, a maior de todas as lições que Augusto Dias dá aos antigos alunos dos Pupilos do Exército: amar a Casa que nos educou, amar o ideal que nos foi ensinado e esquecer os homens que passam, vaidosamente, pelos diferentes cargos da Associação. Ele, na sua sábia e silenciosa modéstia, vai deixando para a posteridade um &lt;em&gt;Boletim&lt;/em&gt; que, pelo menos, antes da Internet era o elo de ligação de todos os Pilões&amp;hellip; De todos os Pilões que gostavam de ler, porque, há muitos anos, existia entre nós, antigos alunos, o hábito de ler! Talvez não fosse tanto como o desejável, mas era o suficiente para ler de uma ponta à outra o &lt;em&gt;Boletim&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Porque a APE vai levar a efeito um almoço de homenagem ao Augusto Dias &amp;mdash; já lhe devia ter dado lugar de bem maior destaque! &amp;mdash; e, porque não sou sócio, não estarei presente (aliás, a essa hora conto ter chegado a Coimbra onde tomarei assento num colóquio de História). Contudo, porque nutro pelo Augusto Dias uma profunda estima e nele encontro as virtudes de quem soube ser, acima de tudo e de todos, Pilão, não quero deixar de lhe prestar aqui a minha homenagem pessoal. Pessoal e pública, esperando que nos dê a todos o prazer de, dentro de uma década &amp;mdash; para os que por cá andarem &amp;mdash; lhe darmos o abraço que uma centúria já vivida bem merece.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como republicano que sou, este ano, o 31 de Janeiro, vai ter mais um motivo para ser bem comemorado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pelo Augusto Dias, salve, salve, salve!!!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 24 Dec 2007 15:21:46 GMT</pubDate>
  <title>Boas notícias</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00058g92/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;191&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00058g92/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;TGen. Vaz Antunes&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Foi no Fórum-Pilão XXI que dei com a notícia de o João Nabais, em representação da Associação dos Pupilos do Exército, ter sido recebido pelo TGen. Vaz Antunes, Comandante Geral da Instrução e Doutrina do Exército a quem foi apresentar cumprimentos de Boas Festas. Diz o Nabais (207 de 1960) que é preocupação daquele oficial general escolher os graduados que se destinam a prestar serviço no Instituto dos Pupilos do Exército e que, para dar início a essa orientação, já, em Fevereiro do ano que se aproxima, vai ser lá colocado o actual comandante do Regimento de Infantaria 3 (Beja), Coronel Soares o qual, segundo parece, é um militar muito prestigiado no Exército português.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ficamos à espera, mas temos quase a certeza de que este novo empenho resulta da nova orientação que se pretende dar ao Instituto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ao Exército e aos seus Chefes chegaram, por várias vias, palavras como as nossas &amp;mdash; as que há muitos meses vimos deixando aqui neste recanto da Internet, mas que muito boa gente consulta e lê com atenção! &amp;mdash; as quais, sendo realistas, ajudam a mostrar possíveis saídas para, mantendo vivo e de boa saúde o Instituto dos Pupilos, fazer dele uma Instituição com utilidade para as Forças Armadas e de Segurança e, por arrastamento, para o País.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O menino Jesus, o Pai Natal ou, mais em concreto, o general Vaz Antunes ouviram as preces que fomos lançando para o ar. Os Pupilos do Exército continuam a ter um lugar e um papel a desempenhar em Portugal. De momento, esse papel pode até parecer mais modesto do que foi no passado, mas, estamos certos, é uma situação temporária. Nada impede, por exemplo, que o Instituto, pela sua vertente tecnológica, não venha a ter uma função específica como escola preparatória para ingresso nas Academias militares! Ele poderia ser o estabelecimento onde todos os jovens do País que, findo o 10.º ano de escolaridade, sentindo vocação para o ingresso em qualquer uma das Academias ou Escolas Militares ou de Segurança, frequentariam, para adquirirem preparação final escolar e pré-militar, passando a ser requisito selectivo para o concurso, findo o 12.º ano. Nesta possível orientação, quem não fosse admitido nas Academias teria um diploma que, para além de lhe conferir a possibilidade de continuar os estudos no ensino superior civil, lhe dava garantias de conhecimentos práticos para áreas técnicas e tecnológicas específicas. Os alunos do Colégio Militar não perderiam as suas valências nem a possibilidade de ingresso nas fileiras militares, mas o Instituto dos Pupilos do Exército funcionaria como escola preparatória específica para todos quantos quisessem, vindos dos mais recônditos lugares de País, concorrer às Academias &amp;mdash; Militar, da Força Aérea, de Polícia e Escola Naval. Aluno que não entrasse ou desistisse por ter concluído que a sua vocação castrense não existia teria sempre oportunidade a concorrer a uma Universidade ou, no caso de não o desejar fazer, estar habilitado com uma profissão tecnológica intermédia. Deste modo, ninguém perdia nada e as Academias ganhavam alunos com uma formação castrense mais apropriada e avançada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Esperamos que o senhor Tenente-General Vaz Antunes possa ler esta sugestão e a consiga fazer aceitar aos mais altos níveis das Forças Armadas. É gratuita a ideia e deixamo-la como prenda de Natal para os mais altos responsáveis pela instrução e recrutamento dos futuros oficiais das Forças Armadas e de Segurança. Não desejamos agradecimentos&amp;hellip; Ficamos satisfeitos se a aceitarem.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 02 Dec 2007 10:38:05 GMT</pubDate>
  <title>O seu a seu dono</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nunca tive receio de reconhecer os meus erros, porque só não erra quem não faz seja o que for. Errar e ficar teimosamente agarrado ao erro quando toda a gente o vê e só o seu autor o desconhece é, para além de pouco elegante, pouco educado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tudo isto resulta de ontem ter recebido uma chamada telefónica do meu caro Amigo Trancoso, o 161 de 1952, velho companheiro de muitos cursos, que, residindo no Funchal, quase todas as semanas me dá o prazer de uma ou duas horas de conversa. Boa conversa, porque bom conversador.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No meio do diz tu digo eu de ontem, veio à baila a última postagem aqui colocada. Fala-se do nosso saudoso Arménio Janeira e da sua brilhante carreira no Ministério das Finanças; fala-se, também, da idade da fotografia e, feitas contas para cá e para lá do Atlântico, cheguei à conclusão que me tinha enganado na sua datação e, por conseguinte, no título da postagem. Correctamente, deveria ser «Falta um ano e pouco para 50», pois, tal como a acertada análise do Janeira apontava, a data da fotografia é Fevereiro de 1959.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Afinal, quem fez as contas com pressa fui eu e não o Arménio!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Com um pedido de desculpas, aqui está a devida rectificação, porque «o seu deve ser dado ao seu dono»!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 28 Nov 2007 19:51:29 GMT</pubDate>
  <title>Falta pouco para 50</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0005189a/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;245&quot; width=&quot;340&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0005189a/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É verdade, faltam poucos meses &amp;mdash; três somente &amp;mdash; para a fotografia que apresento em cima fazer 50 anos de existência. Andava eu no 1.º ano do Curso de Contabilistas, ou seja, qualquer coisa como 10.º ano de escolaridade, segundo a linguagem dos dias que correm.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Recuar àquela época faz-me lembrar tantas e tão variadas coisas! Há, contudo, uma que me assalta o espírito com muita mais força que toda a catadupa de lembranças nas quais estou mergulhado: a nossa formação técnica.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Realmente, no 10.º ano de escolaridade, faltavam-me mais dois para ter um curso médio concluído.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Curso médio era a designação oficial da época para os estudos que se situavam entre aquilo que se chamava «secundário» e «superior». O curso médio era uma excelente habilitação para a vida, porque, ter-se uma formação que ensinava a «fazer com conhecimento científico» era básico e essencial num tempo em que não havia a actual proliferação de licenciados: isto de todos o serem acaba por conduzir à situação de se não dar valor ao grau académico, facto que tem de nos levar a rever a tradicional forma de tratamento deferente por «Senhor Dr.».&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Reparem, os meus leitores, nesta coisa estranha que a Democracia &amp;mdash; e eu sou o mais possível a favor dela, embora não concorde com certas distorções que nos trouxe &amp;mdash; gerou em Portugal: acabou com os cursos profissionais e técnicos para fazer de toda a gente pessoas aptas a frequentar uma Universidade ou Instituto Politécnico; depois, fez proliferar, entre nós, inúmeras instituições de ensino superior; acabou com o ensino técnico e profissional.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Um bom mecânico de automóveis, nos tempos que correm, para o ser tem de começar como aprendiz, mesmo que possua o 12.º ano de escolaridade. O mesmo acontece com um electricista e com um empregado de escritório que se limite a ser operador de um qualquer sistema computorizado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há 50 anos, não havia tantos «Senhores Drs.» mas, também os que existiam tinha emprego certo! Há 50 anos havia mecânicos que aprendiam a profissão começando como moços de recados na oficina e havia aqueles que, por terem frequentado, até ao 9.º ano de escolaridade, um curso técnico de indústria, estavam habilitados com um diploma e começavam imediatamente como responsáveis por oficinas &amp;mdash; grandes ou pequenas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nos cursos médios &amp;mdash; que, realmente, não tem equivalência aos bacharelatos politécnicos &amp;mdash; discutia-se pouca teoria e aprendia-se, privilegiando a prática, mas uma prática cujos fundamentos teóricos não se deitavam fora.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No Curso de Contabilistas estuda-se Direito Comercial de modo a saber como proceder correctamente e não para defender causas em tribunal; estudava-se Direito Civil para se conhecer o essencial sobre contratos e direitos sucessórios; estudava-se Economia Política para se saber como se desenvolviam a micro e a macro economias com vista a perceber o papel da empresa no mercado e não para se discutir finanças ou políticas económicas; estudava-se Cálculo Financeiro, aplicando todos os conhecimentos matemáticos necessários à resolução de problemas comuns de juros simples e compostos e outras formas de capitalizar, mas nunca na perspectiva de aprofundar o que não fazia falta à função.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Com os conhecimentos práticos e teórico-práticos aprendidos e com a experiência de vida profissional chegava-se, na maioria dos casos, a poder discutir questões concretas com licenciados em Economia ou em Finanças (não havia a licenciatura em Gestão de Empresas).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há 50 anos a sociedade do conhecimento era restrita, por força do regime político que governava o país, mas tinha a vantagem de ser hierarquizada, facto que, só por si, não constitui pecado. Pecado é terem-se hoje licenciados a servir à mesa de restaurantes, a venderem de porta em porta, a cobrarem dívidas difíceis, a fazerem de conta que sabem trabalhar num escritório, a reverem jornais, a limparem piscinas, enfim, com todas as possíveis e imagináveis profissões das quais não passam de meros aprendizes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O desejo de democratizar o ensino levou à distorção do mesmo ensino, provocando profissionais traumatizados, porque não fazem nada daquilo para que foram supostamente preparados.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Parece que, finalmente, se começa a ter, muito a medo, alguma consciência do grave prejuízo que foi para a nossa economia e para a estruturação do tecido laboral o fim dos cursos técnico-profissionais e dos cursos médios de comércio e indústria.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Claro que não preconizo a repetição do modelo de há 40 anos! Mas defendo que é necessário voltar a fazer bons técnicos para enfrentarem o mercado de trabalho com competência e conhecimento sem que, com isto, esteja a preconizar que um técnico deva deixar de estudar; não. Aos técnicos pode e deve estar aberta a porta de acesso à universidade, desde que ele tenha consciência que tal frequência ou só lhe vai trazer mais cultura geral ou, em casos excepcionais, mais cultura técnica.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O Instituto dos Pupilos do Exército pode voltar a ser pioneiro no ensino técnico sem complexos, porque aos seus antigos alunos estarão acessíveis as mesmas oportunidades que tem qualquer outro estudante que conclua o 12.º ano de escolaridade com a vantagem de estarem habilitados com condições imediatas de utilidade laboral.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Que se feche o ciclo dos bacharelatos para dar início ao ciclo dos cursos técnicos, porque, todos quantos frequentámos os cursos médios andámos naquela Casa, afinal, até ao 12.º ano de escolaridade e nada mais. E, com isso, fomos capazes de ir muito longe!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 29 Sep 2007 16:14:29 GMT</pubDate>
  <title>A cultura do silêncio</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/26706.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0004d14s/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;245&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;230&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0004d14s&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Fui ver o «Fórum Pilão XXI». Vou algumas vezes na semana para me informar sobre o que há de novo, já que da Associação nada quero saber. Antigo aluno sou; sócio da Associação não sou&amp;hellip; Eu e muitos mais que passaram pelo Instituto!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Fui ver e dei com uma postagem do Raul Dionísio (o 244 de 1948, que por lapso &amp;mdash; estranho e lamentável lapso em quem sempre foi bastante, talvez excessivamente, atinado &amp;mdash; se atribuiu o ano de entrada em 1938) que aconselha os utilizadores do referido fórum a terem «cautela» com o «inimigo» para, com o que por lá se diz, não lhe fornecer «munições».&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;De facto, o Raul Dionísio que entrou, no Instituto, no ano de 1948 parece que deveria ter entrado no ano de 1928 e não de 1938 como ele próprio diz que entrou. Está velho ou gagá! Está tomado do pânico dos pobres velhotes que já não podem com meia gata pelo rabo!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O Raul Dionísio deu-nos, de várias maneiras, o exemplo do que não se deve fazer.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não dar «munições» ao «inimigo»?! Mas qual inimigo? Será que ele está convencido de que no Estado-Maior do Exército não se sabe tudo o que se possa dizer no «Fórum Pilão XXI»? Que os antigos alunos do Colégio Militar não sabem tudo o que se passa nos Pupilos do Exército? Que os pais dos alunos desconhecem como está o Instituto? Que os pais de potenciais alunos não se vão informar sobre a situação da instituição onde querem meter os seus filhos? A quem é que o Raul Dionísio, e todos os Dionísios da Associação, quer enganar? Quem é para ele o «inimigo»?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;De facto, ao enganar-se na data de entrada, deveria tê-lo feito com mais rigor e, em vez de 1938, poderia ter posto 1918&amp;hellip; Ia-lhe mais a calhar!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Raul Dionísio, eu até tinha de ti uma excelente opinião, mas não te imaginava tão ingénuo! Ou tão retrógrado! O tempo dos silêncios, do faz de conta que está tudo bem quando está tudo mal, já lá vai! Acabou há 33 anos, como tu muito bem sabes!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Era no tempo da ditadura que se tentava tapar o sol com a peneira. Agora a peneira está rota ou já nem existe; os podres estão à mostra e quanto mais se chafurdar neles mais se lhes retira o pus, a matéria putrefacta, tudo o que contamina e não é saudável.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tem de vir tudo abaixo para que se construa algo de bom. Pode ser um Pilão mais pequeno, mais modesto nos seus objectivos, mas será uma Casa que honrará os seus fundadores os quais simplesmente desejaram fazer um Instituto Profissional. Foi o valor e o empenho dos alunos e dos professores que geraram a dinâmica necessária para ele, o Instituto, crescer e se modificar, deixando de ser uma instituição profissional &amp;mdash; no verdadeiro sentido em que foi criada &amp;mdash; para se transformar numa Escola de referência. Mas esse processo de transformação foi feito à luz do dia, sem silêncios comprometedores, sem «faz de conta», sem mentiras, sem aquilo que tu, do alto da tua quase centenária idade mental aconselhas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Se não tens mais nada para oferecer aos ex-alunos do Instituto não lhes ofereças a degradante imagem de um Pilão que noutros tempos foi referência positiva, mostrando-se como caquéctica referência negativa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O «Fórum Pilão XXI» foi concebido, no ardor de uma luta, pela generosidade de homens que queriam discutir o Pilão e estava virado para a centúria onde nos resta acabar os nossos dias, quer dizer, estava virado para o Futuro; não foi obra de velhos, carcomidos pelo receio da sua própria sombra; não foi imaginado para se continuarem ignóbeis processos de sigilo. Não, foi pensado como o local de encontro de quem tem tudo a dizer e nada teme.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O «Fórum Pilão XXI» tem estado reduzido, de há um ano a esta parte, a uma mera agência promotora de encontros de interesses nem sempre confessáveis! Agora que tinha ganho um sopro de interesse, vieste tu, Raul Dionísio, com os receios dos antiquados membros dos Conselho de «veneráveis» tentar calá-lo! Calá-lo com os métodos que se vivem nessa Associação onde se cultiva tudo o que de mais contrário há aos valores ensinados ou apreendidos no Instituto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não tenho paciência!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 01 Aug 2007 07:53:41 GMT</pubDate>
  <title>O meu tímpano do ouvido, os Pupilos e o Colégio Militar</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/26581.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00042f44/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;200&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;150&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00042f44&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Estava de férias &amp;mdash; uma curta interrupção nas minhas actividades docentes e de investigação &amp;mdash; quando dei, através do blog de um jovem antigo aluno do Colégio Militar, com a notícia do &lt;em&gt;24 Horas&lt;/em&gt; sobre a anulação de inscrição de 23 alunos no referido estabelecimento como consequência de um outro ter sofrido a perfuração do tímpano em resultado de uma bofetada de um aluno graduado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Recuei, mentalmente, ao ano de 1955 ou 1956 e recordei-me de uma estória da qual fui protagonista quando era ainda aluno do Instituto dos Pupilos do Exército. Não posso deixar de contá-la para se estabelecerem comparações e tirar conclusões. Provavelmente, a minha estória não constitui caso único tanto no Instituto dos Pupilos  do Exército como no Colégio Militar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nesses anos recuados andava em voga uma canção portuguesa cujos versos já não recordo, mas lembro-me de parte da adaptação que nós, alunos, fizemos. Dizia assim: «A sopeira de Famalicão/ Que não era bonita nem boa/ &amp;hellip; / Já vai para a cama/ Dormir com o patrão/ etc.».&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ora, numa bela tarde, vindo um pelotão formado da 2.ª para a 1.ª Secção, passa por nós, na travessa de S. Domingos de Benfica, uma empregadita de servir que ouviu, antes da segunda metade da formatura, algum «engraçado» cantar-lhe os versos da cançoneta em moda. A moça não terá gostado &amp;mdash; não sei se por se achar «bonita» ou «boa» ou, por ir ou não ir para a cama com o patrão &amp;mdash; e, vai daí, apresenta queixa ao sargento de dia. Este, como era hábito na época, por não ver grande mal no acontecimento, falou com o aluno comandante de batalhão para que fosse chamado à atenção o &lt;em&gt;engraçadinho&lt;/em&gt; autor do dito que tanto ofendera a sopeira.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depois do jantar, como era da praxe, forma o pelotão nos claustros e começa o interrogatório. Devo dizer que tivemos de formar nas posições que ocupávamos à tarde. Eu, como um dos mais altos, vinha na cauda da formatura.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como se recordam os «jovens» do meu tempo, as horas destinadas às actividades extra-escolares eram poucas e, depois do jantar, era o momento que pessoalmente reservava para ler um jornal ou uma revista; estar ali na formatura, sofrendo colectivamente um interrogatório estúpido, constituía um verdadeiro tormento para mim.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como ninguém se acusava, o graduado &amp;mdash; comandante de secção &amp;mdash; finalista, salvo erro, 344, Dores, garantiu que se o responsável se desse a conhecer nada lhe acontecia.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Farto de esperar pelo meu tempo de leitura, consciente de não ter sido eu o autor da ocorrência, num repente, decidi acusar-me: &amp;mdash; Fui eu, gritei lá do fundo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O Dores não esteve com meias medidas. Mandou-me avançar até ele e, mal tinha chegado, fui «aviado» com uma valente chapada na face esquerda (que me apanhou o ouvido) acompanhada da seguinte frase: &amp;mdash; Heroísmos são para o campo de batalha!... Eles, os graduados, sabiam que os versos tinham sido cantados por alguém que vinha na primeira metade do pelotão.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A dor foi aguda e, quando me assoei, o ar saía pelo ouvido esquerdo. Tinha sofrido uma perfuração.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No dia seguinte, à hora da revista de saúde, fui ao médico queixar-me de ter levado uma bolada no ouvido, quando jogava andebol. O clínico &amp;mdash; uma suma «inteligência» que por lá andava &amp;mdash; «descobriu» que eu tinha, afinal, um furúnculo no ouvido e vá de me aplicar com três ou quatro gotas de um qualquer produto. Claro que, ao chegar ao refeitório, tive de voltar em braços para a enfermaria pois havia perdido toda a noção de equilíbrio. Passei a tarde deitado sobre o lado esquerdo para escorrer o líquido entrado e, no dia seguinte, que era sábado, lá vim a casa onde, ao meu pai, enfermeiro de profissão, contei de novo a estória da bola e do «tratamento» aplicado pelo médico. Ele observou-me e proibiu-me de tomar banho sem antes ter resguardado o ouvido com um bom bocado de algodão e de me assoar com esforço. O tímpano havia de se regenerar. E não é que se regenerou sem perda de audição! Ainda anda por cá, sem problemas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ficou-me a lição: Heroísmos, só no campo de batalha!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depois da estória resta perguntar-me: &amp;mdash; Que tipos de gente andam os pais de hoje a formar? Que tipo de gente são os filhos dos pais de hoje?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Se há 50 anos eu tivesse dito a verdade ao médico e ao meu pai o máximo que teria ocorrido era o Dores ouvir uma forte reprimenda do Director e o meu pai ter-me dito qualquer coisa do género: &amp;mdash; Quem te manda ser parvo e chamares a ti uma responsabilidade que te não cabia?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Que os meios violentos devem estar ausentes dos sistemas educativos, todos nós o sabemos, mas nem sempre se perde grande coisa com a aplicação de uma bofetada dada a tempo&amp;hellip; Mais vale isso do que ver um filho nos «suaves» braços da toxicodependência!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como pai, avô e coronel, antes de saber as razões, estou solidário com o graduado do Colégio Militar e em total desacordo com os papás dos meninos que desistem da inscrição das suas doces crianças naquele estabelecimento de ensino. O graduado deve saber conter os seus impulsos e os papás devem deixar de colocar algodão em rama no caminho das suas criancinhas&amp;hellip; E não é preciso operar um tímpano perfurado, digo eu, que disso sei bastante!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 24 Jun 2007 21:20:30 GMT</pubDate>
  <title>O Pilão em destaque no Exército</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/26281.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003s75e/&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;178&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003qf35/s340x255&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Pois é, a APE tem tido o cuidado de anunciar no Fórum XXI as sucessivas palestras que por lá se fazem para salas mais ou menos às moscas, mas esqueceu-se de dar relevo ao último número do &lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;Jornal do Exército&lt;/em&gt; que, como se pode ver na fotografia em cima, tem a capa inteiramente dedicada ao nosso Instituto!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;E qual o motivo deste silêncio sepulcral por parte da Direcção?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Como dizia o Senhor Banana, das duas três: ou porque lhe passou à margem o &lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;Jornal do Exército&lt;/em&gt;, o que me parece absurdo e impossível; ou porque não há ninguém na Associação para abrir a correspondência e ver o que interessa; ou, finalmente, porque a notícia que dá origem à capa e que ocupa as páginas centrais &amp;mdash; 9 (nove) páginas no total &amp;mdash; não vai de acordo com os sonhos de grandeza que a Direcção alimentou entre a massa associativa.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Esta última hipótese é capaz de ser a mais verdadeira!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;E o que diz de tão importante o &lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;Jornal do Exército?&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Pois quem tenha curiosidade carregue em cima das fotografias que insiro e leia o que por lá se diz. Mas para os que já tem dificuldades de visão eu faço uma síntese:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Que o IMPE deixe de ministrar o ensino superior e o Ensino Básico e Secundário e passe a leccionar «cursos de especialização tecnológica nas áreas tradicionalmente ministradas no Instituto, com fortes ligações à Instituição Militar, (&amp;hellip;.). Este novo modelo formativo, (&amp;hellip;), prevê, em primeiro lugar, as possibilidades de adopção de cursos com apetência para as Forças Armadas e indústrias de defesa, incluindo a formação inicial tendo como projecção as empresas estratégicas nacionais, (&amp;hellip;). O novo modelo prevê ainda a formação de quadros técnicos para os PALOP, ao abrigo das cooperações entre o Estado Português e os Estados membros desses países. (&amp;hellip;). Ontem como hoje é necessário afirmar os valores intrínsecos do IMPE, nomeadamente a aliança entre o saber doutrinário (sustentáculo de todo o conhecimento) e a sua base ou aplicação experimental, sem a qual todo o saber é vácuo. (&amp;hellip;). A enquadrar um modelo de ensino que se tem revelado ajustado às necessidades do País encontram-se valores que intrinsecamente caracterizam o espírito pilónico [&lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;sic&lt;/em&gt;] e que contribuíram significativamente para estabelecer um vínculo incorruptível entre várias gerações de ex-alunos que a esta casa [&lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;sic&lt;/em&gt;] permanecerão ligados durante a sua vida».&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003rhc5/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;170&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003rhc5/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;&lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003s75e/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;177&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003s75e/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não levo mais longe a transcrição para não roubar o prazer da leitura (aliás, difícil, embora possível de se conseguir com bastante paciência!) aos meus visitantes, mas não posso deixar de realçar que o projecto adoptado, afinal, pela Chefia do Exército parece ter sido inspirado no muito que tenho deixado escrito tanto no &lt;em style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;Boletim&lt;/em&gt; (quando ainda era sócio), no Fórum Pilão XXI e neste blogue que é consultado por muitos e variados visitantes, vindos de todos os quadrantes da vida nacional.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não sinto vaidade por ter estado sempre no verdadeiro e único caminho possível para o Pilão, mas sinto-me satisfeito por ter vencido a razão e o bom senso que me nortearam no que fui dizendo nestes últimos anos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O Instituto vai sobreviver norteado para o seu destino histórico e vai continuar a dar homens e cidadãos válidos para este Portugal que é de todos nós. Vai continuar na senda da formação de técnicos que serão bem preparados se tiver professores à altura da sua missão; vai continuar a dar gente válida para servir o Estado e as empresas estratégicas nacionais; vai continuar a fornecer gente para guarnecer as fileiras militares; e, se tudo isto não fosse suficiente, vai formar quadros técnicos para os países africanos de expressão oficial portuguesa, ou seja, vai agora desenvolver a acção formativa que durante a ditadura não foi possível, por não ter havido vontade política, e que durante a 1.ª República não houve tempo para realizar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt; &lt;/font&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Fechou-se um ciclo e outro vai abrir-se. Auguramos bons resultados para o que aí vem.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Estamos de parabéns!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 06 Jun 2007 22:37:03 GMT</pubDate>
  <title>Sem medo dos bons exemplos</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003h6dx/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;223&quot; width=&quot;340&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003h6dx/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Hoje vou ser muito sintético.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há vários meses que acompanho de perto o blogue de um ex-aluno do Colégio Militar, o jovem Ricardo Neto Galvão, ao qual resolveu dar um nome sugestivo: «&lt;a href=&quot;http://lagrimadedor.blogspot.com/&quot;&gt;Sonho, Coragem &amp;amp; Devoção&lt;/a&gt;».&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Aconselho os meus leitores, especialmente os alunos e antigos alunos dos Pupilos do Exército, a irem até lá e darem uma espreitadela.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há, no dia 3 de Junho deste ano que corre, uma postagem muito curiosa. É um vídeo de uma peça de teatro &amp;mdash; minúscula, mas esclarecedora &amp;mdash; representada por alunos dos primeiros anos. Demora um pouco a &amp;ldquo;carregar&amp;rdquo;, mas, depois vale a pena ser vista e lida (é legendada, por causa da fraca qualidade do som). Ali, sem complexos, assumem-se, a par das qualidades do bicentenário Colégio, as dificuldades presentes &amp;mdash; nomeadamente a falta de ingresso de novos alunos; ali, com coragem, declara-se que está nas mãos dos alunos resolver esta situação. Implicitamente, fica no ar a mensagem de que, sem choros nem ranger de dentes, quanto melhores forem os alunos do Colégio Militar, mais possibilidades há de ultrapassar os problemas actuais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É isto que falta no nosso Instituto! É isto que falta à Associação dos Pupilos do Exército reconhecer!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nada se pode fazer pela nossa Casa, se os alunos que a frequentam não forem exemplares. Exemplares, acima de tudo, nos estudos &amp;mdash; todos nós sabemos que temos potencialidades desportivas! É importantíssimo que o nível de exigência vá subindo de ano para ano, que os incentivos ao estudo se tornem realidades, que o acompanhamento dos alunos mais fracos se transforme não numa porta aberta para a facilidade, mas num caminho para a verdadeira aprendizagem.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não acredito em soluções que descaracterizem os Pupilos do Exército. Não acredito em soluções que passem pela manutenção dos cursos superiores. Não acredito em sistemas de semi-internato (o que é semi-interno também é semi-externo, acabando por não ser absolutamente nada!). Acredito que o ensino secundário tem de criar duas vias simultâneas: a que possibilita a continuação dos estudos em estabelecimentos de ensino superior e a que habilita com uma profissão com utilidade no aparelho do Estado (com admissão imediata para todos os alunos que queiram empregar-se após a conclusão do 12.º ano de escolaridade). Acredito que só mantendo o regime de formação militar, sem perdas de características (e, se possível, recuperando algumas que estão esquecidas desde há quase trinta anos) é que se torna conveniente e interessante o curso dos Pupilos do Exército.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Malabarismos para, a qualquer preço, manter os portões do nosso Instituto abertos, isso nunca! Isso é renegar um passado e uma tradição, que já a temos. Os Pupilos têm de se assumir naquilo que foram e têm vindo a ser: uma escola profissionalizante com educação militarizada. Foi isso que distinguiu, no passado, os Pupilos do Exército do Colégio Militar. Foi isso que nos valorizou como Escola diferenciada; é isso que nos pode garantir a sobrevivência no futuro próximo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Malabarismos para manter um &amp;ldquo;cadáver&amp;rdquo; com aparência de ser vivo, é mórbido e próprio de espíritos pouco elevados. Se tiver que acabar, que acabe o Instituto dos Pupilos do Exército como acabam as árvores, de pé e com dignidade.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 20 May 2007 17:11:59 GMT</pubDate>
  <title>Alexandre Cabral e os Pupilos do Exército</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/25774.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003btb1/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003btb1/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há dias tomei conhecimento de que a Associação dos Pupilos do Exército (APE) &amp;mdash; da qual, felizmente, já não sou sócio por vontade própria &amp;mdash; decidiu homenagear a memória do antigo aluno Alexandre Cabral (que muitos de nós só sabem ter escrito um livro com o título &lt;em&gt;Malta Brava&lt;/em&gt;). Em abono da mais elementar honestidade intelectual, tenho de aplaudir a iniciativa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Claro que, como era fácil de imaginar, o salão de honra, bar, sala de jogo e salão de exposição &amp;mdash; pois para tudo serve a maior divisão da sede da APE &amp;mdash; estava literalmente às moscas, não fosse a presença de umas quantas «almas caridosas» que «vão a todas». Disto mesmo deu notícia um dos mais recentes &lt;em&gt;trabalhadores voluntários&lt;/em&gt; da referida Associação. Da Direcção só compareceu ao acto um elemento (presumo que tenha sido o presidente da mesma).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Mais palavras para quê?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Quando, por iniciativa da APE, se vai homenagear uma das mais destacadas &amp;mdash; ou talvez mesmo a mais destacada &amp;mdash; figura intelectual, de todos os tempos, do Instituto dos Pupilos do Exército e não está presente, em força e peso, a Direcção da Associação é porque alguma coisa se passa de muito mau no seio da mesma. É porque a Casa de que muitos se orgulham de ter frequentado não criou assim um escol tão evidente quanto se apregoa aos quatro ventos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Duvido mesmo que a maioria dos antigos alunos tenha lido o romance &lt;em&gt;Malta Brava&lt;/em&gt; e que conheça onde e como se destacou o seu autor. Duvido que saibam que Alexandre Cabral foi a maior autoridade e o mais excelente conhecedor de Camilo Castelo Branco (não me estou a referir àquele ser que se passeia pela televisão e que dá pelo sobrenome de Castel Branco!); que, para além de &lt;em&gt;Malta Brava&lt;/em&gt;, escreveu contos maravilhosos e realistas que compilou nos livros &lt;em&gt;O Sol Nascerá um Dia, Contos da Europa e da África &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Histórias do Zaire,&lt;/em&gt; tal como a novela &lt;em&gt;Terra Quente,&lt;/em&gt; e os romances&lt;em&gt; Fonte da Telha &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Margem Norte.&lt;/em&gt; Deixou, também, uma peça de teatro intitulada &lt;em&gt;As Duas Faces&lt;/em&gt;. Deve acrescentar-se, ainda, &lt;em&gt;Memórias de um Resistente&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Conheci Alexandre Cabral nos Pupilos, no final da década de 50 do século passado, quando ali foi fazer, aos alunos, uma palestra que intitulou «Camilo Castelo Branco e a questão do viscondado». Ouviu-o atentamente, não só por se tratar de um ex-aluno «famoso», mas também por já nessa altura ser um escritor de nomeada. Se calhar, serão poucos os condiscípulos do meu tempo que se recordam desse magnífico serão!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Muitos anos mais tarde, fruto de relações familiares, tive oportunidade de contactar com ele em brevíssimos encontros. Pouco ou nada falámos do Instituto, porque sempre me pareceu não ser da sua inteira simpatia recordar esses tempos longínquos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em anos transactos, desgastei-me em pequenas polémicas no «Fórum XXI» &amp;mdash; suposto ponto de encontro, na Net, de antigos alunos &amp;mdash; sobre o pouco honroso lugar ocupado pelo Instituto no &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt; das escolas do ensino secundário nacional.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Chamei a atenção para a necessidade de se «repreender» os professores e os alunos pela sua falta de exigência, pelo seu pouco empenhamento nos estudos, pela ausência de acompanhamento a que, afinal, todos estão votados. Sempre houve quem apresentasse mil e uma razões justificativas, que desculpavam formadores e formandos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Soube de homenagens feitas ao aluno que alcançou um lugar notável num qualquer campeonato de esgrima &amp;mdash; vai saltar já alguém pronto a chamar-me a atenção para o facto de não ser «um qualquer campeonato»&amp;hellip; &amp;mdash;, soube de um ágape em homenagem (ou seria de apoio?) ao presidente da Câmara Municipal de Loures, sei de jantares de ex-alunos militares (ao qual, afinal, também podem ir os civis) para comemorar o aniversário do Instituto, sei de homenagens que já houve ao antigo aluno Medina Carreira &amp;mdash; que dá tanta importância aos Pupilos como eu dou à primeira camisa que vesti &amp;mdash;, sei tudo isto e pasmo perante a mentalidade distorcida que colectivamente apresenta a massa de Pilões. Mas, sinceramente e sem qualquer mágoa, felicito-me por me ter desligado da APE, porque, realmente, mantendo a minha condição de antigo aluno, cada vez mais me convenço de que nada tenho a ver com todos aqueles que apregoam a sua passagem pelo vetusto convento de São Domingos e se proclamam de sócios da tal Associação. Ao menos, não posso ser acusado de ter faltado à homenagem a Alexandre Cabral&amp;hellip; Mas leio atentamente as páginas que deixou sobre Camilo Castelo Branco, porque assim, pelo menos, aprendo alguma coisa!&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/25774.html</comments>
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  <pubDate>Mon, 07 May 2007 22:18:38 GMT</pubDate>
  <title>Há cinquenta e dois anos</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/25563.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003897y/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;254&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003897y/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A fotografia que antecede esta pequena crónica tem cinquenta e dois anos e alguns meses &amp;mdash; foi tirada no dia 25 de Março de 1955.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Para ajudar à identificação, eu sou o terceiro a contar da esquerda, na última fila de cócoras.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Curiosamente, recordo-me muito bem de nos juntarmos lá em cima, no começo dos «campos» da 2.ª Secção, quando ainda não havia nada mais do que o velho ginásio&amp;hellip; Por estranho que possa parecer, a nossa vista perdia-se pelo meio dos terrenos com árvores e muros que dividiam as propriedades até se enxergar, à distância, um pouco do primeiro anel do destruído estádio do Benfica &amp;mdash; que tinha sido inaugurado nesse ano, talvez uns meses antes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Recordo o momento em que alguém disse: &amp;mdash; Malta toca a juntar para tirar uma fotografia. Éramos a turma B do 2.º ano do ciclo geral preparatório.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como sempre fui avesso à identificação de pessoas por números &amp;mdash; fazendo jus, afinal, ao que se determina no Decreto que criou o Instituto, em 1911, que, claramente, estipula que os alunos serão conhecidos pelos seus nomes e não pelos números &amp;mdash; já esqueci a identificação de uma boa parte dos meus companheiros de fotografia; recordo algumas alcunhas e um ou outro nome.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Eu tinha entrado em Outubro do ano anterior e vivia, naquela altura, os meus primeiros meses de Casa. Tudo, ou quase tudo, era uma novidade. Começava a fazer as primeiras amizades. Lá estão o Marreiros e o Pinheiro, primeiros Amigos com quem me entendi na fase de adaptação.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ao olhar para esta fotografia &amp;mdash; agora ampliada com o auxílio das novas tecnologias digitais &amp;mdash; tenho uma estranha sensação. Havia em quase todos nós &amp;mdash; nas fisionomias, na postura, na vestimenta &amp;mdash; um ar boçal, alguma coisa que, de facto, não anda longe daquilo que muitos velhos companheiros não querem admitir: &lt;strong&gt;uma forma de estar idêntica à de meros asilados&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Amplie o leitor a fotografia (basta clicar em cima da mesma) e verifique por si próprio. Tenha sentido crítico e ponha de lado esse «bairrismo» que lhe obstrui a compreensão.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tínhamos ou não um ar de &lt;em&gt;pategos&lt;/em&gt;? Era ou não horrível aquela horrível samarra azul, aquele barrete enfiado na cabeça como se fosse uma boina?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Penso que deveríamos dar de nós mesmos uma imagem muito pouco lisonjeira quando marchávamos pela estrada de Benfica, entre a 1.ª e a 2.ª Secção. Deveríamos parecer internos de algum estabelecimento destinado à infância desvalida!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na minha opinião, não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira, porque é pura perda de tempo. É mais curial admitir o que é evidente, embora nos cause uma certa dor cá dentro; nos provoque, até, uma certa vergonha. Mas, como não me canso de repetir, a pior mentira é a que dizemos a nós mesmos. Sejamos honestos. Olhemos de frente para a fotografia, para as nossas caras, para as nossas posições e tenhamos a coragem de reconhecer que estávamos entregues a nós mesmos, que ninguém zelava por nós, que ninguém nos impunha a obrigação de cuidarmos da nossa aparência, de ganharmos uma maneira de estar &amp;mdash; talvez, até, de ser &amp;mdash; que não fosse &lt;em&gt;bronca&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tenho outras fotografias de anos mais recentes em que este desmazelo desapareceu, em que se alteraram comportamentos e aparências e, ao comparar, pergunto-me se não terá pesado bastante nessa mudança o simples facto de o director ter passado a residir no Instituto, vigiando-nos, a todas as horas e momentos, obrigando-nos a cuidarmo-nos, a sentirmo-nos dignos de nós mesmos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Quem como eu é militar de carreira sabe perfeitamente que a alteração de atitude é fundamental para a mudança de comportamentos. Um comandante exigente dá origem a uma tropa cheia de &lt;em&gt;panache&lt;/em&gt;; uma tropa entregue a si mesma rapidamente se transforma num bando.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em 1955 nós éramos um &lt;em&gt;bando&lt;/em&gt; com um ar &lt;em&gt;saloio&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;rufião&lt;/em&gt; até &lt;em&gt;desmazelado&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Queiram os deuses que, por falta de acompanhamento e de vigilância, os alunos destes anos que correm não tenham o mesmo aspecto exterior que nós tínhamos há cinquenta e dois. Seria muito triste que tal acontecesse.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 21 Apr 2007 15:38:43 GMT</pubDate>
  <title>A história de uma fotografia</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/25102.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003184t/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;339&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0003184t/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tudo começou quando estava eu na 4.ª classe (hoje chamado 4.º ano de escolaridade). Os meus pais, já nos dois últimos meses de aulas, receosos dos exames de admissão aos liceus, às escolas técnicas e aos Pupilos do Exército, haviam-me arranjado uma explicadora para fazer revisões e exercícios de todo o tipo de modo a garantir o maior êxito nas provas que se avizinhavam.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na sala onde a saudosa senhora pacientemente recapitulava toda a matéria recebia também explicações uma jovem, uns meses mais velha do que eu, loira, com uma voz esganiçada, uns olhos vivos, palavra fácil, muito vistosa. Nos meus doze anos fiquei, logo de imediato, apaixonado pela criatura. Uma paixão, que como todas as que ao longo da vida fui tendo, não tinha explicação. Estava apaixonado, porque estava. Ela dava-me volta ao estômago e à cabeça.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A menina morava a meio caminho de casa dos meus pais e da residência da explicadora. Isso foi razão suficiente para, sempre que podia, me fazer encontrado com a jovem &amp;mdash; de quem vou ocultar, naturalmente, o nome porque, estará viva e não acho importante referi-lo &amp;mdash; e com ela trocar meia dúzia de palavras banais, pois outra coisa não sabe dizer um garoto no começo da puberdade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nesse ano, por falta de vaga, não entrei no Instituto. Os meus pais, acertadamente, matricularam-me no ciclo preparatório, numa escola que ficava exactamente algumas centenas de metros mais à frente da casa da jovem menina. Os «ocasionais» encontros foram-se repetindo e, ao contrário de diminuir, aumentava a paixão silenciosa e secreta que por ela nutria.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No final desse ano lectivo, de novo concorri ao Instituto dos Pupilos do Exército, agora, para o 2.º ano e, ou porque o número de ingressos era grande ou porque as condições objectivas haviam mudado, fui admitido. Não cabia em mim de contente! Esse Verão foi longo e tristonho, porque a menina tinha ido passar férias para longe de Lisboa &amp;mdash; longe para a época, entenda-se&amp;hellip; Fora para as Caldas da Rainha onde a avó fazia tratamento, nas termas. Esperei pacientemente o mês de Setembro, mas nada aconteceu. As janelas da casa, que todos os dias ia espiar, mantinham-se cerradas sem que dessem sinais de qualquer tipo de vida.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;As aulas recomeçaram em Outubro e lá fui para Benfica, para muito distante da paixão que me ia consumindo. No final do ano lectivo, de conluio com o meu Amigo José Luís Carreiras Constantino &amp;mdash; o 232, que morava na minha rua, e tinha mais dois anos de idade do que eu &amp;mdash; escrevi uma carta à menina que tão embeiçado me trazia havia tanto tempo. Uma carta a pedir-lhe namoro, porque naqueles tempos &amp;mdash; já passou mais de meio século! &amp;mdash; as coisas não eram como hoje. Tudo se fazia com muito rigor e denotando grande respeito.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A resposta chegou pelo correio, dias depois, numa letra muito bem desenhada. Não podia aceitar, éramos muito novos e mais isto e mais aquilo. Amigos, poderíamos ser, mas mais nada. O estilhaçou-se-me o coração.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Novo ano lectivo, novas férias grandes &amp;mdash; desta vez fui eu passá-las aos Açores &amp;mdash; e, ao contrário de se me reduzir a paixão ela aumentava. Na impossibilidade de a ver satisfeita tentei deixar-me atrair por outras jovens que conheci nas ilhas atlânticas. Nasceram pequenos amores semelhantes a fogos-fátuos sem o calor e a ardência do sentimento que havia anos me queimava o coração.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Seguiram-se os sucessivos anos lectivos até atingir o primeiro de Contabilistas &amp;mdash; qualquer coisa como o equivalente agora ao décimo &amp;mdash; ia a caminho das minhas dezoito primaveras. Nas férias do Natal, encontro, por mero acaso, na rotunda do Marquês de Pombal, a menina que não tinha esquecido e que silenciosamente me corroía o coração. Nunca a havia perdido de vista, conversávamos de quando em vez, mas sempre muito de fugida. Vivia enclausurada em casa, tendo como guardiãs a avó e a mãe, porque era órfã de pai desde tenra idade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Esse encontro foi providencial. Estava uma jovem bela, elegante, vistosa, de formas corporais bem delineadas, de conversa já adulta, enfim, uma mulher. Com todo o aprumo que a vivência no Instituto me havia ensinado e a educação que tinha aprendido na casa paterna e no internato, lá me fui insinuando, pedindo-lhe o número de telefone, sabendo se tinha namorado e tantas outras coisas tão necessárias a uma «abordagem» que se deseja segura e vitoriosa. O caminho estava livre e o Menino Jesus, na quadra a Ele dedicada, deixou-me no sapatinho a prenda há muito querida: um namoro sério e comprometedor com aquela que desde sempre eu sonhava para mim.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em abono da verdade, devo dizer que o namoro passou por uma prévia conversa com a mãe da menina, tornando oficial o que poderia ter sido mais recôndito. Mas foi melhor assim, pois fiquei autorizado a fazer regulares visitas lá a casa com todas as limitações e liberdades possíveis para aquele tempo. O ano lectivo decorreu rápido, mas, no final, as minhas classificações não foram tão folgadas como nos anteriores. Gastava muito tempo a escrever longas cartas de amor nas horas destinadas ao estudo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O Verão foi maravilhoso. Passei o máximo de dias junto daquela que me enchia o coração. Respirávamos o mesmo ar. Os beijos que trocávamos faziam de mim o mais feliz dos jovens portugueses, talvez o mais feliz de todo o universo. A paixão transbordava. Os planos para uma vida futura sofreram todas as alterações possíveis. Havia, agora, que rapidamente concluir o 2.º e o 3.º ano de Contabilistas para, depois, durante o cumprimento do serviço militar obrigatório, casarmos e vivermos felizes para sempre. O meu velho sonho de seguir a carreira militar, acalentado há tantos anos &amp;mdash; mais do que a paixão que me prendia àquela menina &amp;mdash; ficou arrumado e esquecido.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Começou o ano lectivo seguinte e as cartas aumentaram de ritmo. Agora eram diárias, e tínhamos sempre tanto para dizer um ao outro! As notas do primeiro período começaram a acusar a falta de aplicação ao estudo; as do segundo garantiram que o ano estava em fase de perda e as do terceiro tornaram realidade o que era já irremediável. Foi próximo do fim do ano, no baile de finalistas, que o fotógrafo dos Pupilos fez o quase instantâneo que encima esta crónica &amp;mdash; lá estou eu com a menina dos meus sonhos juvenis e o meu velho Amigo Trancoso, que, mais avisado e realista do que eu, dançava com uma das suas já várias namoradas &amp;ldquo;oficiais&amp;rdquo;. O «boneco» deu que falar na nossa Casa! O padre Ruy Corrêa Leal, se tivesse tais poderes, ter-me-ia excomungado do seio da comunidade católica e, por certo, também do convívio com os meus companheiros de internato. Aquilo não era forma decente de dançar! Aquilo era o pecado fardado de aluno dos Pupilos, agarrando uma qualquer mulher perdida e de perdição!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A tempo consegui arrancar o exemplar da prova fotográfica, sacando-o do conjunto que circulava para encomenda das &lt;em&gt;pelingrafias&lt;/em&gt; com que cada um queria ficar. Fiz desaparecer a «prova» do «pecado», mas não consegui apagar a lembrança do mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na reunião do conselho escolar &amp;mdash; como mais tarde vim a saber &amp;mdash; o padre-capelão foi implacável, dando de mim as piores referências perante a hesitação ou relutância de alguns mestres em reprovarem-me&amp;hellip; &amp;mdash; Que não, que devia reprovar a todas as disciplinas! Mas a todas, sem excepção!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;As férias de Verão começaram sob o signo do fracasso. Eram, em casa, os meus pais, olhando-me de soslaio quando ia namorar como que a recordarem-me, no silêncio mais dorido, que o meu falhanço escolar se devia a uma paixão inconsequente; era a menina que via &amp;mdash; e não escondia esse sentimento &amp;mdash; retardado o casamento, pelo menos, por mais um ano; era eu que me sentia mal com todos e comigo mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Claro, em Setembro, a menina, com aquela crueldade própria de quem viu falidos os planos e sonhos, com grande desfaçatez, acabou o namoro. Fiquei desfeito. Salvou-me o meu Pai. Com a paciência de quem ajuda um inválido fez-me perceber que, uma coisa, são os nossos próprios sentimentos, outra, os sentimentos alheios sobre nós e outra, ainda, o conjunto dos anteriores; só quando tudo se conjuga harmoniosamente pode haver futuro, de contrário, mais cedo ou mais tarde, as paixões desfazem-se, porque são, afinal, uma profunda perturbação dos sentidos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Repeti o 2.ºano de Contabilistas e ingressei na Academia Militar, tal como sempre tinha desejado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O futuro veio trazer-me outras surpresas, mas essas já não são contas deste rosário&amp;hellip;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 01 Apr 2007 17:26:08 GMT</pubDate>
  <title>Considerações à volta do encerramento do Instituto</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002xytg/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002xytg/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; 
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nos últimos meses tenho mantido conversas sobre a existência do Instituto dos Pupilos do Exército com individualidades militares e civis que ou já ocuparam cargos decisivos no Exército ou ainda os ocupam.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Todos são unânimes em três aspectos: &lt;strong&gt;a estratégia prosseguida pelos antigos alunos quanto às alterações a ocorrer no Instituto esteve e está errada&lt;/strong&gt;; &lt;strong&gt;os cursos superiores são incomportáveis no Instituto&lt;/strong&gt;; e, por fim, &lt;strong&gt;é impensável manter três estabelecimentos de ensino a debitarem exactamente o mesmo tipo de formação&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Contra estes argumentos nada se pode opor quando, em consciência, se é honesto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A franca teimosia em manter em funcionamento os cursos superiores a partir do início da década de 90 do século passado foi uma asneira de palmatória. Nessa altura, dever-se-ia ter aberto mão dos bacharelatos quando ainda se tinha massa crítica de alunos para lhes dar uma formação técnica secundária e capacidade negocial para encontrar novos rumos para o(s) curso(s) secundário(s) a leccionar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Mais uma vez repito, &lt;strong&gt;a vocação dos Pupilos do Exército esteve e está ligada à formação de quadros intermédios que sirvam aos interesses e necessidades do Estado&lt;/strong&gt;, sem prejuízo de dotar os alunos com possibilidades de prosseguirem cursos superiores em estabelecimentos apropriados, militares ou civis. Contudo, repiso, &lt;strong&gt;o importante é que os alunos concluam o 12.º ano e saibam fazer algo de prático que tenha aplicação no aparelho do Estado&lt;/strong&gt;. Não satisfazendo esta condição o Instituto está condenado a curto espaço de tempo. E &lt;strong&gt;ninguém acredite na solução da cedência de seja o que for para ali se fazer uma fundação ou algo semelhante&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há dias, de conversa com um antigo e excelente professor do Instituto, ele dizia-me que ter-se-ia de revocacionar o Instituto de modo a diversificá-lo do Colégio Militar. E não se trata de diminuir a importância dos Pupilos; trata-se de ver com realismo que o Exército, quando tiver de escolher um estabelecimento dele dependente para fechar portas, optará, naturalmente pelo nosso Instituto por ser o mais moderno e o que tem o &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt; de antigos alunos mais fraco. E isto é inteiramente verdade!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Num outro encontro com um velho oficial do Exército, antigo aluno do Colégio Militar, contava-me ele que, na Associação dos Antigos Alunos, já se discutira a situação dos Pupilos e que havia consciência que o encerramento da nossa Escola punha imediatamente o Colégio na mira do Estado-Maior e, mais anos menos ano, calharia em sorte ao velho estabelecimento da Luz ver as suas portas fechadas. Assim, alguns dos mais cautelosos antigos alunos, preconizavam uma concertação de estratégias, entre os &lt;em&gt;lobbies&lt;/em&gt; do Colégio e dos Pupilos, para se garantir que nenhum aceitava ver as suas portas encerradas. Mas que, para isso, &lt;strong&gt;era preciso discutir o papel de cada uma das instituições dentro da sociedade portuguesa do futuro&lt;/strong&gt;. E que &lt;strong&gt;não se pode ir para um tal diálogo com «pedras no sapato» nem desconfianças&lt;/strong&gt;; &lt;strong&gt;cada um &amp;mdash; Pupilos e Colégio &amp;mdash; tem o seu lugar e não pode ser tentando roubar protagonismo ao outro que se ganha esta batalha&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Enfim, do que tenho auscultado como ex-aluno do Instituto e não membro da Associação dos Pupilos do Exército (onde, por vontade e decisão própria, não mais terei assento) conclui que nem tudo está perdido, ainda, para o Instituto&amp;hellip; Mas &lt;strong&gt;para que as portas da negociação se mantenham abertas não se podem fazer propostas irrealistas nem descontextualizadas; não pode haver «braços-de-ferro» e, de preferência, as propostas deverão articular soluções com os antigos alunos do Colégio Militar, de modo a interessá-los na nossa sobrevivência&lt;/strong&gt; (recordem-se, os mais dados a estas coisas, que a resistência branca na Africa do Sul, na Namíbia e na Rodésia só caiu quando Portugal deu a independência a Angola e a Moçambique&amp;hellip; éramos o «tampão» que os segurava! O mesmo pode ser o nosso Instituto para o Colégio Militar e para Odivelas).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não cobro nada pelas ideias que aqui deixo lançadas. Anima-me a possibilidade de saber que, afinal, o Instituto dos Pupilos do Exército poderá sobreviver no meio de ventos e tempestades. &lt;strong&gt;Assusta-me a incomensurável vaidade e intransigência de muitos antigos alunos que não sabem como é importante&lt;/strong&gt;, muitas vezes, &lt;strong&gt;recuar dois passos para se poder&lt;/strong&gt;, mais tarde, &lt;strong&gt;avançar cinco ou seis&lt;/strong&gt;. Será, por causa desses que o Instituto se perderá. É a história dos ultras, dos extremistas, dos monolíticos, dos «calhaus com olhos», se preferirem uma expressão mais popular e mais facilmente compreensível.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 18 Feb 2007 21:32:44 GMT</pubDate>
  <title>Assalto à 1.ª Companhia</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/24749.html</link>
  <description>&lt;div&gt;Há tempos recebi, numa das minhas caixas de &lt;em&gt;e-mails&lt;/em&gt;, uma larga quantidade de fotografias de um ex-aluno muito mais moderno do que eu no Instituto. Uma delas chamou-me a atenção mais do que as outras, porque ali se viam três alunos &amp;ldquo;armados&amp;rdquo; com as tradicionais toalhas enroladas em forma de moca preparados para uma surtida punitiva a qualquer camarata, pois o &amp;ldquo;retrato&amp;rdquo; tinha sido tirado à noite.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A fotografia trouxe-me à memória os célebres &amp;ldquo;assaltos&amp;rdquo; à 1.ª Companhia levados a efeito por altura do Carnaval, nos recuados anos do início da década de 50 do século passado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tentarei recordar, com tanta soma de pormenores quantos os possíveis, o que eram essas &amp;ldquo;campanhas punitivas&amp;rdquo; de tão distantes anos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Sendo a 1.ª Companhia a dos alunos mais novos &amp;mdash; entre os dez e os treze ou, no máximo, catorze anos &amp;mdash; comandados por um punhado de graduados de idades entre os dezasseis e os dezoito, esse &amp;ldquo;bendito&amp;rdquo; &amp;ldquo;assalto&amp;rdquo;, feito por todos os mais velhos, vindos das 3ª e 4 .ª Companhias, correspondia a um verdadeiro massacre em que os &amp;ldquo;putos&amp;rdquo; &amp;ldquo;enfardavam&amp;rdquo;, até à exaustão, segundo a vontade dos mais velhos cobardemente defendidos pelo seu tamanho e maior número.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Era uma estúpida tradição só possível num colégio onde os alunos, depois das aulas, ficavam entregues ao descuido de um qualquer oficial de serviço disposto a não se incomodar excessivamente com o que acontecia nas instalações pelas quais devia zelar. Um colégio &amp;mdash; repito-o, sem qualquer rebuço &amp;mdash; bem próximo, na aparência da vida interna, de ser um reformatório ou asilo de infância desvalida. Um colégio onde proliferavam os &lt;em&gt;javardos&lt;/em&gt; que, tendo saído de casa sem nenhuma ou com pouca educação, por lá aprenderam a impor-se pelos princípios da força que, como se sabe, dá guarida aos mais cobardes e mais mal formados caracteres.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Que me lembre, houve &amp;ldquo;assaltos à 1.ª Companhia&amp;rdquo; nos anos lectivos de 1954/55, 1955/56 e, talvez, 1956/57. Depois acabaram, como acabaram muitos comportamentos próprios de asilados. Foi a mão férrea, mas destemida e empenhada, do coronel Ferreira Gonçalves quem deu a machadada final nessa vergonhosa tradição de cobardia colectiva.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Já não posso precisar em qual, mas num dos anos acima referidos, na noite aprazada para o &amp;ldquo;assalto&amp;rdquo; estava de serviço o célebre capitão &lt;em&gt;Vávora&lt;/em&gt; (ainda hoje não sei o que quer dizer, nem se é assim que se escreve), de seu nome Marques Lopes. Era um verdadeiro oficial de Infantaria, de estatura meã, míope em grau avançado, mas disciplinado e disciplinador como poucos passaram, nesse tempo, pelo Instituto. Calçava sempre botas altas e, de quando em vez, segurava na mão um bonito pingalim de couro, símbolo de autoridade e comando.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os preparativos, após a 3.ª refeição, começaram de imediato &amp;mdash; quer no lado dos &amp;ldquo;atacantes&amp;rdquo; quer no dos pobres &amp;ldquo;defensores&amp;rdquo;. As toalhas bem enroladas e, recheadas, segundo a imaginação de cada um, com os objectos mais duros que se encontrassem à mão. Depois do toque a recolher já se encontravam a &amp;ldquo;hostes&amp;rdquo; preparadas para saírem dos edifícios junto aos portões de entrada e deslocarem-se em &amp;ldquo;ordem de batalha&amp;rdquo;, silenciosamente, para os lados da área conventual. Eu estava, ainda, nestes últimos e, por ser um dos mais altos de toda a miudagem, tinha como obrigação plantar-me na primeira linha de defesa, com os graduados. As &amp;ldquo;guardas-avançadas postaram-se nos locais apropriados para darem o alarme do avanço adversário e assim o fizeram ao verem a movimentação da massa bruta dos matulões da 4.ª Companhia. A contenda começou renhida, defendendo, cada um, como podia, a porta das respectivas camaratas para não permitir a entrada e a grande confusão. Bem aguerrida estava a peleja quando alguém gritou: &amp;mdash; &lt;em&gt;Chui malta... olha o Vávora!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Realmente a figura do terrível capitão surgiu, pouco depois, empunhando o pingalim, enquanto vociferava: &amp;mdash; &lt;em&gt;Então meninos, então meninos&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os distúrbios já tinham sido de monta, principalmente no que respeita a vidros partidos nas portas das camaratas, pois os &amp;ldquo;atacantes&amp;rdquo;, na fúria de tudo levar de rompante, quebravam-nos enquanto gritavam para gerar o pânico nos mais pequenos. Rapidamente o &amp;ldquo;assalto&amp;rdquo; cessou e a ordem foi retomada com a entrada em &lt;em&gt;vale de lençóis&lt;/em&gt; ainda sob o efeito da adrenalina ao rubro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No dia seguinte, algum poeta e melómano pôs a circular uma cantiga da qual já só recordo alguns versos brancos. Rezava assim:&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Gritos, alaridos&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Vidros partidos,&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;É o Carnaval da Malta&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;O &lt;em&gt;Vávora&lt;/em&gt; de chicote&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Isto é um pagode&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;É o Carnaval da Malta&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;E continuava numa lengalenga que os anos varreram da minha lembrança.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;À guisa de parênteses, contudo, não posso deixar de aqui lavrar uma coincidência curiosa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Por volta de 1983 ou 1984, era eu major, já levando quase vinte anos de oficial, tive como condutor um jovem praça, educado, comedido e correcto, que todos os dias me levava para a Base Aérea n.º 1, em Sintra. Certa manhã, por qualquer razão que não lembro, desviámo-nos do trajecto normal, fazendo caminho por Benfica passámos junto à 2:º Secção dos Pupilos. Com naturalidade, deixei cair a frase «Foi aqui que estudei durante sete anos» e, para espanto meu, diz-me o condutor: &amp;mdash; Então é capaz de ter conhecido o meu pai! Quis, de imediato, saber quem ele era, porque admiti tratar-se de algum ex-aluno e, qual não é o meu espanto, diz o condutor: &amp;mdash; O meu pai é o brigadeiro Marques Lopes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nem quase podia acreditar! Então o motorista que há vários meses me conduzia à Base era filho do &lt;em&gt;Vávora&lt;/em&gt;?! Mandei cumprimentos para o pai e calei as muitas estórias que poderia contar-lhe do progenitor.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A Vida dá muitas voltas e, em algumas delas, faz-nos surpresas que julgávamos impossíveis. Esta foi uma delas!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como estamos na época carnavalesca aqui ficam recordações que já têm muitos anos!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Meditem, os mais jovens, nas &lt;em&gt;javardices &lt;/em&gt;desses tempos recuados e recordem, os mais velhos, algumas verdades que, se calhar, querem esquecer.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Brinquem muito ao Carnaval...&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 06 Feb 2007 21:48:41 GMT</pubDate>
  <title>Quando usávamos luvas</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002f9rw/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;251&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002f9rw/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Já vai muito longe o tempo em que os alunos dos Pupilos do Exército e os do Colégio Militar, tal como os da Escola Naval e os da Academia Militar, a par de todos os oficiais dos três ramos das Forças Armadas, usavam luvas com o trajo de &lt;em&gt;saída&lt;/em&gt;, também chamado n.º 1. Começaram por ser umas luvas de algodão cinzentas, mas rapidamente deram lugar a outras de pelica castanha.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Parece não ter importância nenhuma este simples pormenor do fardamento... mas a verdade é que tem e é muito grande.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O uso da luva calçada na mão esquerda, que segurava a outra da mão direita, caracterizou um tempo em que os grupos sociais se distinguiam pela forma de trajar. As luvas eram sinal de que o trabalho de quem as usava não era braçal, porque simbolizavam a protecção das mãos para a execução de labores delicados, tais como escrever, ler, pintar, tocar instrumentos musicais e tantos outros. Na vida castrense eram um distintivo de comando, de graduação superior, porque os soldados e os sargentos só colocavam luvas em dias de cerimónia, quando integravam formações armadas e equipadas para se mostrarem em luzidas paradas militares. Contudo, os oficiais usavam-nas sempre, porque eram &lt;em&gt;cavalheiros de sociedade&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não acredito que «o hábito faça o monge», mas o uso constante do mesmo «hábito» acaba por se impor e obrigar à adopção de regras que, muitas vezes, quem não é «monge» passa a comportar-se como tal.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É natural que, nos tempos correntes, especialmente no nosso país, onde o conceito de Democracia é um &lt;em&gt;novo-rico&lt;/em&gt; bem aperaltado, penteado, exibindo grossos anéis de ouro, mas com um polimento ligeiro, que estala ao primeiro passo mais largo, é natural, dizia, que se tenha abandonado o uso das luvas como adorno distintivo de grupo social ou de comando. Todos querem parecer o que não são, sendo, realmente, umas marafonas sócio-culturais que se travestem para agradar a quem os pode criticar. Se os meus leitores tiverem dúvidas reparem no exemplo do líder do CDS/PP que todos os dias aparece na televisão ornamentado de gravata, mas, quando se desloca, em comícios, junto do povo humilde das aldeias, aparece de colarinhos abertos para se confundir com o homem da rua; ou, se preferirem, o líder do PCP que, por regra não usa gravata, mas quando vai a um debate televisivo lá se adorna com o pedaço de pano ao pescoço. E isto são meros exemplos! Afinal, cada um de nós parece estar mais preocupado com a imagem que transmite para fora do que com aquilo que, na verdade, é ou defende.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tais atitudes resultam, na minha opinião, de uma aprendizagem rápida e desajeitada do que é Democracia; o pedreiro perdeu o orgulho da sua profissão, tal como o balconista, o sapateiro, o canalizador &amp;mdash; todos querem parecer bem instalados na vida, enfarpelando-se como burgueses &amp;mdash; e, do mesmo modo, os estudantes, os políticos, os professores, os médicos, os oficiais das Forças Armadas desejam não se mostrar &lt;em&gt;por fora&lt;/em&gt; como pertencendo a um grupo culturalmente distinto dos restantes e, assim, nivelam-se &lt;em&gt;por baixo&lt;/em&gt;. Somos todos uns farsantes, pois vivemos e cultivamos a farsa como forma &lt;em&gt;correcta&lt;/em&gt; de estar em sociedade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É sabido que, desde muito jovem &amp;mdash; talvez lá pelos dezoito anos, estava ainda no Instituto &amp;mdash; manifestei as minhas poucas ou nenhumas simpatias pelo Estado Novo. Por isso, é com grande à-vontade que afirmo o meu agrado pelo tempo em que os alunos dos Pupilos, obrigatoriamente, usavam luvas de pelica castanha quando trajavam o uniforme de &lt;em&gt;saída&lt;/em&gt;. Nessa época cultivávamos o gosto pela diferença, o prazer por sermos mais do que os outros... E fazíamo-lo sem vergonha, de cara levantada, porque era honroso. Hoje em dia, até vergonha há em andar fardado, quanto mais de luvas na mão! Há quantos anos não vejo na &lt;em&gt;Baixa&lt;/em&gt;, ou em qualquer centro comercial &amp;mdash; que não seja o «Fonte Nova» ou o «Colombo» &amp;mdash; um aluno uniformizado!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Se não se cultiva o orgulho e a saudável vaidade exterior, como se pode esperar que existam verticais valores nos jovens que frequentam o Instituto?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;As minhas experiências recentes deixaram-me bastante desiludido! Está claro que uma árvore não faz a floresta!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 11 Jan 2007 17:00:20 GMT</pubDate>
  <title>O monopólio</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002b9hq/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;250&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0002b9hq/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Quando se já está na idade &amp;mdash; correcta &amp;mdash; da reforma laboral começa-se a saber muita coisa, porque se tem mais tempo para investigar e aprender. A corrida para ganhar o pão de cada dia deixa de ser necessária e pode optar-se por fazer &amp;ldquo;coisas&amp;rdquo; que nunca se fizeram antes ou por meditar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ainda não sou exactamente um reformado, porque mantenho actividade como professor universitário, embora, pela própria natureza da função, me tenha dedicado a pensar nos assuntos sobre os quais tenho obrigações ou sobre aqueles que me dão prazer.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Acontece que a minha recente decisão de quebrar um laço, com 53 anos de existência, com a APE me fez pensar muito sobre o assunto. Comecei por recordar os fins da fundação do, então, Grémio dos Alunos dos Pupilos do Exército. Os fundadores, que tive a felicidade de conhecer &amp;mdash; e bem &amp;mdash; quase todos, queriam agrupar-se numa associação para manter viva a mística de camaradagem e amizade que os havia unido na vivência do Instituto. Nessa época, todas as associações eram mal vistas e sobre todas recaía a desconfiança de por lá se conspirar contra a ditadura que amordaçava o país e as gentes. Tinham decorrido somente duas décadas sobre a fundação do Instituto. O número de gerações de ex-alunos não era grande e, acima de tudo, eram todos jovens: os mais velhos estariam pelos 30 e poucos anos. As divergências entre eles eram menores e as que mais peso tinham provinham de posturas políticas antagónicas. Em nome da juventude comum ultrapassavam-se esses escolhos e todos se juntavam à volta da ideia de se criar um prolongamento do Instituto. Mas houve logo gente, desde a primeira hora, que dispensou o Grémio (mais tarde Associação). Para esses, o amor à Casa não se traduzia na necessidade de estar arregimentado à volta de uma estrutura regulamentada; para esses a camaradagem guardava-se no peito e a amizade no coração.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Eu fiz-me sócio da APE, porque, logo no primeiro ano de frequência do Instituto, alguns dos mais antigos alunos, com aquela &amp;ldquo;meiguice&amp;rdquo; que todos nós conhecemos me &amp;ldquo;recomendaram&amp;rdquo; a adesão, usando de frases persuasivas, tais como: &amp;mdash; O puto ou se faz sócio ou partimos-lhe a tromba! Claro que, pesem embora os meus 13 anos espigadotes, não tive outro remédio... Fazer-me sócio e acrescentar às despesas lá de casa mais a quota trimestral. Não era isso que deitava abaixo as finanças familiares!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como se vê, fui, primeiramente, sócio &amp;ldquo;voluntário&amp;rdquo;, depois sócio consciente... Mas esta última condição só a adquiri quando já era oficial e estava em África. Por lá encontrei muitos ex-alunos que nunca se tinham filiado na APE, nunca tinham pago uma quota &amp;mdash; até porque era difícil a transferência de capitais para Portugal &amp;mdash; mas amavam entranhadamente o Instituto e vibravam com tudo o que a ele dissesse respeito. Vibravam mais do que muitos ex-alunos, vivendo em Lisboa e com a sede da APE ali ao virar da esquina.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Isto tudo vem a propósito de alguns antigos alunos &amp;mdash; se calhar até muitos &amp;mdash; associados na APE julgarem que só quem paga as quotas e frequenta a sede social é que &lt;em&gt;sente&lt;/em&gt; o Pilão. Para esses o amor à «Casa tão bela» é monopólio da APE, só ali e sendo sócio, é que se pode discutir o que é bom ou mau para o Instituto. Só na rua Major Neutel de Abreu é que residem as virtudes! Fora da Associação não há gente que possa ter e defender pontos de vista divergentes dos adoptados pela APE. A APE e os sócios têm o monopólio de opinião... E vão mais longe! Alguns chegam até a verbalizar a hipótese de, para se discutir em divergência com a Associação, ter de se fundar uma outra!!! Deuses dêem juízo a estes ex-alunos!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tudo isto prova que, cada vez mais, se torna imprescindível perceber o que realmente é importante dentro da APE: o governo de uma mera associação ou a gestão de uma estratégia para conseguir alterar o curso da vida do Instituto &amp;mdash; que, segundo parece, tende a encurtar-se? Ora, só quando os corpos gerentes forem capazes de definir o que pretendem é que conseguirão perceber que não representam os antigos alunos dos Pupilos do Exército. Não! Limitam-se a representar uma parcela dos antigos alunos: a dos associados da APE. O resto representa-se por si próprio&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Se os corpos gerentes da APE tivessem real consciência do que representam e de quem representam teriam de ser mais prudentes nas suas afirmações de princípios; teriam de ser mais cautelosos nas propostas que apresentaram e que ainda apresentam; teriam de procurar ouvir ex-alunos que não são sócios, pois, provavelmente, muitos há que até têm ideias concretas quanto ao futuro do Instituto, até têm influência política nos lugares que ocupam e nos relacionamentos que desenvolvem, mas não se revêem na Associação. Por não se reverem nem são obrigados a tornarem-se sócios, nem devem calar as suas opiniões. Se alguém tem que alterar posturas é a APE. Ela é que tem de se adaptar às realidades, que são as existentes e não as que alguns dirigentes imaginam.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não gosto de monopólios e cada vez mais, por isso mesmo, não gosto dos antigos alunos que gravitam pela APE. Num dia destes acabam representando-se a eles mesmos e a mais ninguém!&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 29 Dec 2006 17:22:41 GMT</pubDate>
  <title>Pupilos, uma Escola de eleição</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/24003.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00026wxs/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;255&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00026wxs/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 225pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #001517&quot;&gt;O contabilista é o profissional capacitado a produzir informações úteis para tomada de decisões, a partir dos atos e fatos que ocorrem no dia-a-dia das empresas. Ele planeja, coordena e controla compras, vendas, investimentos e aplicações de uma empresa, indicando pontos que precisam de atenção, responsabiliza-se pelo pagamento de tributos e pode planejar investimentos. São ainda atividades exclusivas do Contador as perícias contábeis e as auditorias contábeis e financeiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 225pt&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #001517&quot;&gt;(De um site brasileiro da Internet)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não pretendo ser longo, por isso explicarei pouco, mas deixarei as pistas necessárias para os meus leitores poderem meditar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não há dúvida nenhuma que o Instituto dos Pupilos do Exército já foi uma Escola de eleição. Deixou de ser entre as décadas de 80 e 90 do século passado; até ao final dos anos 70 ainda era uma excelente Escola.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como se caracterizava a excelência do Instituto? Que factores contribuíam para o reconhecimento dessa qualidade? O que é que aconteceu para se verificar a mudança?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Primeiro do que tudo temos de contextualizar a excelência da Escola.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Podemos dizer que a melhor expressão da dita excelência se traduz pela oferta de emprego quando ainda os alunos não tinham concluído os seus cursos médios.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Esse elevado nível de procura de ex-alunos e a facilidade de emprego no mercado de trabalho dá-se no começo dos anos 30 do século XX e dura, em plena euforia, até ao final dos anos 40; depois, com a transformação dos cursos de indústria, fica só uma significativa procura de diplomados com o curso de Contabilistas. A tradição anterior é retomada, em escala bastante inferior nos anos da década de 70 e começa a cair nos anos 80.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ocorre, agora, perguntar: &amp;mdash; Qual o motivo que levava a essa oferta extemporânea de emprego a jovens recém acabados de formar? A garotos com pouco mais de 18 ou 19 anos?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Em primeiro lugar, a escassez de gente diplomada pelos Institutos similares civis (Instituto Industrial e Instituto Comercial) de Lisboa, Coimbra e Porto. Todos quantos acabavam os cursos técnicos de grau médio (como então se chamavam) tinham emprego, porque eram especialistas que, situando-se entre o operário especializado ou o escriturário especializado e os licenciados em engenharia ou economia e finanças, tinham uma preparação teórica muito superior à dos primeiros e uma capacidade prática que se aproximava muito da dos segundos. Um agente técnico de engenharia supria, em muitíssimas ocasiões, a falta de um engenheiro, tal como um contabilista colmatava a ausência de um economista (hoje chamado gestor). Há que levar em conta o facto de, também, o número de engenheiros e de economistas ser muito limitado naquela época.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Todo este conjunto dava aos ex-alunos dos Pupilos uma extraordinária possibilidade de emprego imediato. Mas estariam eles melhor habilitados do que os seus colegas dos respectivos Institutos civis?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A resposta tem de ser decomposta.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Do ponto de vista da preparação técnica, pontualmente, haveria cursos ou grupos de disciplinas em que os antigos alunos possuíam uma preparação teórica e prática mais apurada, mas não eram todos os cursos nem todas as disciplinas. Isso representava uma mais-valia de pouca importância, até porque, na maior parte dos casos, os empregadores não possuíam, eles mesmos, capacidades para apreciar a diferença.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O que atraía os empregadores era um outro elemento que não tem sido devidamente enaltecido nos muitos relatos que li ou ouvi. O que encantava os empregadores era a disciplina dos antigos alunos dos Pupilos do Exército. Era gente habituada a cumprir horários, a trabalhar nos momentos a isso destinados, a receber ordens e a não as discutir, mas cumpri-las mesmo com sacrifício físico, gente educada com claras noções de hierarquia, sabendo quem manda e quem deve obedecer. &lt;strong&gt;Eram estas as qualidades que distinguiam os ex-alunos dos Pupilos dos seus colegas dos Institutos similares, mas civis&lt;/strong&gt;. Com estas qualidades, com estas virtudes &amp;mdash; essencialmente fruto de uma educação militarizada &amp;mdash; os técnicos saídos dos Pupilos do Exército eram, de certeza, bons funcionários, responsáveis, disciplinados e disciplinadores. Isso era fundamental para o andamento dos serviços que eles, muito jovens ainda, iriam chefiar ou superintender. Estavam habituados a ser mandados e a mandar. Essa era a maior de todas as preparações «técnicas» dos ex-alunos. &lt;strong&gt;Era isso que dava excelência aos antigos alunos&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há que acrescentar mais para melhor se compreender a situação de excepção de que gozavam os Pilões.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Vivia-se em plena ditadura e esta valorizava a hierarquia, a ordem e a disciplina coisas que todos os alunos dos Pupilos, fora de um contexto politizado &amp;mdash; mas militarizado &amp;mdash; possuíam em elevado grau. A ditadura funcionou como a cereja no topo do creme do bolo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Será necessário explicar os motivos que levaram à alteração de todo este quadro? Julgo que sim, para não restarem dúvidas e se poderem tirar conclusões.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A democratização da sociedade portuguesa gerou dois tipos de fenómenos em concomitância: por um lado, deu-se a explosão educativa &amp;mdash; quer estatal quer privada &amp;mdash; originando a super abundância de escolas e de cursos (a diversidade destes é simplesmente abismal se a compararmos com o que existia em 1973), logo, o Instituto passou a ter de concorrer não com três outros similares, mas com várias dezenas ou, talvez, uma centena; por outro lado, a democratização gerou (felizmente) a Liberdade que foi mal apreendida e mal «digerida» pelos Portugueses, pois confundiram-na com libertinagem e disciplina com fascismo para além de não respeitarem mais as hierarquias da competência, mas as do dinheiro e do poder.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Este quadro reflectiu-se dentro do Instituto: contestar foi palavra que ganhou novas dimensões. Contestavam os militares que deviam disciplinar, contestavam os professores que deviam ensinar, contestavam os alunos que deviam obedecer e estudar. O nível geral de disciplina caiu à vertical, gerando sucessivas camadas de antigos alunos que, embora tendo tido um arremedo de educação militar, são anti-militares, anti-fardas, anti-regulamentos disciplinares. São ex-alunos que, em boa verdade, foram Pupilos, mas não do Exército. E o certo é que continuam a sair da Casa ex-alunos com um forte desprezo pelas virtudes militares (existem excepções que justificam e honram a regra).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O que acabei de dizer justifica o quadro de degradação a que o Instituto dos Pupilos do Exército chegou. A passividade de oficiais e directores veio alimentar a situação, contudo não se lhes podem assacar todas as responsabilidades.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A ânsia de concorrer em pé de igualdade com o Colégio Militar descaracterizou o ensino secundário nos Pupilos que deveria, contra ventos e marés, ter continuado a ser essencialmente técnico &amp;mdash; mesmo que com programas específicos e só a ele aplicáveis. A ânsia de não perder os cursos médios &amp;mdash; que desapareceram &amp;mdash; levou à transformação em cursos politécnicos que sofreram o desgaste da concorrência. Já deviam ter acabado para reconverter esforços num curso secundário técnico com saídas para a universidade. Nada disto se soube fazer e continuou-se &amp;mdash; continua-se &amp;mdash; casmurramente a teimar na senda errada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Que fazer em relação ao futuro?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Primeiro, exigir uma direcção empenhada; depois, um corpo de oficiais motivado para a missão; em seguida, reformular o corpo docente adaptando-o a um curso secundário técnico; finalmente, acabar com os cursos politécnicos (que estão em agonia profunda e não têm integração na perspectiva de Bolonha) e avançar para legislação especial que faça do Instituto uma nova escola técnica para quadros intermédios, sem descurar a possibilidade de, quem quiser, poder frequentar a universidade nas vertentes técnicas desenvolvidas na Escola. Tudo isto não pode ser dissociado de uma nova reformulação da disciplina interna e de um rigor que faça dos alunos jovens exemplares numa sociedade em regressão.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Difícil? Por ser difícil é que tem de ser esta a via a percorrer.&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 21 Dec 2006 01:50:27 GMT</pubDate>
  <title>Uma opção...</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00024z1g/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;269&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00024z1g/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Há vários meses que andava a remoer na ideia, tal como os suicidas. Vai ser hoje... Não! Vai ser amanhã...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Foi no domingo. No domingo tomei a decisão e não olhei para trás. Meti a carta no marco do correio e lá foi ela direita à sede social da APE (Associação do Pupilos do Exército). Irrevogável, determinada, pensada e ponderada. A carta tem todos os ingredientes necessários para ninguém me vir chatear com pedidos lamechas. A decisão foi tomada com tempo e com ponderação, tal como já disse.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Já nada me liga à Associação! Cortei todas as amarras possíveis. Cortei-as, porque estou farto. Farto e magoado. Magoado por uma seita de garotos que perderam a noção do respeito, se é que alguma vez a tiveram. Magoado por ver que há antigos alunos que preferem um silêncio cúmplice a uma tomada de posição condigna que reponha a ordem associativa e a verticalidade de princípios que, julgo, aprenderam no Instituto. Magoado por ter conhecimento que há já meses, antes do Verão, houve elementos dos corpos gerentes que se demitiram dos respectivos cargos e a Direcção em vez de procurar repor a legitimidade associativa, através de proporcionar eleições antecipadas, optou por se manter em funções em nome de uma provável legalidade que vai contra tudo o que se poderia esperar em termos de moral. Magoado, desiludido, farto. Farto de fazer parte de uma associação desgovernada ou ingovernável dentro dos padrões comportamentais da actualidade. Farto de bradar no deserto, porque dizer seja o que for ponderado e cauteloso no meio associativo, dá, de imediato, lugar a um conjunto de ofensas e de faltas de respeito. Farto de estar farto. Vou partir para outra, como dizem os Brasileiros.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Para que todos os que estão a ler o que escrevo me possam perceber, transcrevo a carta que mandei ao presidente da Direcção da APE. Carta de despedida. Despedida sem retorno, repare-se.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 10cm&quot;&gt;Exmo. Senhor&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 10cm&quot;&gt;Presidente da Direcção da&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 10cm&quot;&gt;Associação dos Pupilos do Exército&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 10cm&quot;&gt;Rua Major Neutel de Abreu n.º 20 s/l &amp;ndash; E&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt 10cm&quot; align=&quot;center&quot;&gt;1500-411 Lisboa&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 48pt&quot; align=&quot;right&quot;&gt;Lisboa, 17 de Dezembro de 2006&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot; align=&quot;center&quot;&gt;Exmo. Senhor Presidente da Direcção&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Há cinquenta e três anos que sou sócio da Associação dos Pupilos do Exército.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Muito jovem ainda fiz parte dos corpos gerentes (nos recuados anos de 1970). Convivi com ex-alunos muito mais velhos do que eu (com idade para serem meus pais, nessa altura). Vivi, com experiência feita, o que era o respeito pelas pessoas e pelas suas ideias (como os jovens consideravam os mais velhos e como estes nos respeitavam nos disparates que arriscávamos alvitrar). Era um tempo em que a cópia sem fundamento do tratamento por tu, usual entre ex-alunos do Colégio Militar, não estava instituída no seio dos antigos alunos dos Pupilos do Exército (nunca me passaria, sequer, pela cabeça escrever «o Álvaro de Oliveira» ou «o Barroso Júnior»; a um antepunha o seu posto militar &amp;mdash; brigadeiro &amp;mdash; a outro o simples, mas respeitoso tratamento, de Senhor). Era um tempo em que &lt;u&gt;não nos envergonhávamos de respeitar os mais velhos&lt;/u&gt;, embora tivéssemos consciência da nossa juventude. Mas era, também, um tempo em que &lt;u&gt;os mais velhos não buscavam populismo na base de uma forçada convivência familiar e ausente de respeitosas barreiras&lt;/u&gt;. Com essa APE e com essa massa associativa eu estava identificado e com ela sabia conviver.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;O respeito e a irreverência são de todos os tempos. Importa é que se saiba e queira cultivar o primeiro e travar os abusos da segunda. Era esse o princípio que norteava a APE e a massa associativa dessa época. Mas era também o culto das virtudes e comportamentos que haviam sido incutidos no Instituto às várias gerações de alunos que por ele passaram desde a sua fundação que procurávamos demonstrar no nosso relacionamento mútuo. Cultivávamos o sentido do rigor, da verticalidade e da saudável camaradagem fundamentada na educação e respeito.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Ao regressar da minha última comissão militar em África, em 1975, mantive-me arredado da APE e do convívio com ex-alunos (exclusão feita a todos os militares e civis com quem, por força das minhas funções, tinha de cruzar no meu dia-a-dia). Foram raros os almoços comemorativos dos aniversários do Instituto e da Associação a que fui. O meu empenhamento profissional não me dava tempo para encontros e, menos ainda, para fazer vida associativa.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Foi em 1991/92 que passei a leccionar no Instituto uma disciplina do 1.º ano do Curso de Contabilidade e Administração. Nessa altura apercebi-me, com toda a clareza e consciência, das modificações que se tinham operado desde 1961, ou seja, trinta anos depois. O garbo, a vaidade de se envergar a farda, a postura militar resultante da educação recebida, o sentido de responsabilidade perante as exigências dos professores, a vergonha de fazer má figura, tudo isso e muito mais tinha desaparecido. Os alunos e o Instituto eram uma «paisanada» absoluta e tanto uns como o outro tinham-se descaracterizado. Notavam-se todos os traços de uma sociedade em mudança, de uma sociedade que passou a saber cultivar o oportunismo, a falta de rigor, o desleixo, a permissividade perante valores de distinção. Estive dois anos lectivos no Instituto e, por razões várias &amp;mdash; a que não são estranhas as referências anteriores &amp;mdash; não aceitei continuar como professor. Era contemporizar com o desleixo marcante, com um caminhar para a ignorância e para o oportunismo. Era pactuar com baixos padrões pedagógicos &amp;mdash; pesem, contudo, os esforços do Director da Secção respectiva, um digno ex-aluno e um exemplo de quanta qualidade havia nos recuados anos de 50. A diferença entre o IMPE e qualquer escola de baixo gabarito do meio civil era quase nenhuma. Colaborar nesse projecto perdido passava por prostituir o meu sentido de ensino. Isso não o faria, tal como não o faço. Os Pupilos, para mim, no início dos anos 90 do século passado, já estavam em plena decadência... só não via quem não conheceu a verdadeira Escola que aquelas paredes já haviam albergado. E, como se prova, o resultado está bem patente nos dias que correm. Enquanto fui professor dei com muito poucas excepções, entre os alunos, facto que só veio confirmar a regra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Quando, mais recentemente, pela primeira vez, o Instituto se viu ameaçado de encerramento e houve uma tomada de consciência colectiva por parte dos ex-alunos da necessidade de fazer ouvir a sua voz junto das instâncias do Poder não fiquei indiferente e passei a dar o meu contributo, de forma variada, para a vida associativa. Uma delas foi veiculando ideias no &lt;em&gt;Fórum Pilão XXI&lt;/em&gt; &amp;mdash; em boa hora imaginado por antigos alunos cheios de salutar vontade e correctos propósitos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Os anos passaram e, em cada dia que passava, fui-me apercebendo que, realmente, a minha análise sobre os alunos (que viriam a ser ex-alunos) do começo da década de 90 do século transacto não estava errada e, bem pelo contrário, se podia generalizar a grande parte de todos aqueles com quem «convivi» informaticamente. Mas o verdadeiro descalabro deu-se com a tomada de posse da presente Direcção. A arrogância e o despudor educativo de jovens ex-alunos que rondam os trinta e poucos anos de idade acobertaram-se ou foram acobertados pela postura arrogante, também, da Direcção da APE. Geraram-se grandes linhas de clivagem e de fractura que são visíveis nas mais pequenas manifestações da Associação (desde o célebre anúncio &amp;mdash; «Queres ter o nome numa rua &amp;ldquo;Eng.&amp;rdquo;---»; porquê Eng. e não Gen.? Ou Alm.? &amp;mdash; até se afirmar, repetidamente, em editorial do Boletim, a condição de empresário e de civil com êxito em vez de se usar a fórmula generalista de «profissional»). Geraram-se linhas de afirmação de um abusivo tratamento por tu entre gente que em comum só tem o facto de terem frequentado a mesma Escola. Caiu-se na ofensa gratuita e mesquinha.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Não me identifico com esta massa associativa, com os seus valores nem com os seus anseios futuros e, por conseguinte, não me identifico com esta Associação dos Pupilos do Exército. Nem com esta Direcção. Nem com estes Corpos Gerentes. Identifico-me com antigos companheiros dos meus tempos de Instituto, com gente que aprendeu os mesmos princípios que eu aprendi, que se rege pela mesma pauta de valores que eu adopto. Identifico-me com o Instituto enquanto instituição não enquanto Associação. Porque continuar ligado à APE constitui uma violência que a minha consciência e o meu intelecto não aceitam, só me resta renunciar à minha condição de sócio. Sócio da APE, NUNCA MAIS!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Nesta conformidade, Senhor presidente da Direcção da Associação dos Pupilos do Exército exijo que proceda em conformidade de modo a que o meu nome seja riscado das listas associativas a partir do dia 1 de Janeiro do ano de 2007. Nada devo a essa Associação, contudo, julgo que ela a mim muita coisa deve. Deve-me, pelo menos, o respeito de sempre a ter dignificado enquanto sócio e antigo aluno do Instituto dos Pupilos do Exército, condição que não vou renegar, embora renegue a de sócio da APE.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Reservo-me o direito de dar a esta carta a publicidade que muito bem entender.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt;Aceite os cumprimentos institucionais do&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot;&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;MARGIN: 12pt 0cm 0pt&quot; align=&quot;center&quot;&gt;(Luís Manuel Alves de Fraga&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Sócio n.º 282 do ano de entrada de 1953&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Coronel reformado da Força Aérea&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Professor da Universidade Autónoma de Lisboa&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Historiador&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Mestre em Estratégia&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Licenciado em Ciências Político-Sociais&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;Diplomado pela Academia Militar de Portugal)&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 22:15:52 GMT</pubDate>
  <title>O silêncio é cúmplice</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/23351.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/000211t4/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;217&quot; width=&quot;340&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/000211t4/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Reli a última &amp;ldquo;postagem&amp;rdquo; que aqui deixei. Na sequência, conclui que era necessário fazer, desde já, um aviso aos ex-alunos cujo silêncio é cúmplice da actual situação vivida pelo Instituto e, até pela APE.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Realmente, &lt;strong&gt;todos os que, tendo responsabilidades associativas ou não, se calam agora ou, pior ainda, apoiam os alunos na sua postura estudantil estão declaradamente a cavar a tumba onde se há-de enterrar o Instituto&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;É necessário dizer aos alunos que frequentam o ensino secundário nos Pupilos que têm, pelo menos, 50% de responsabilidade no encerramento da Casa que nos educou&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Mas os ex-alunos têm o dever de o dizer &lt;span style=&quot;FONT-VARIANT: small-caps&quot;&gt;agora&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, hoje, neste momento para que os mais jovens possam remediar a sua postura perante o estudo e perante o desejo de aprender. &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;FONT-VARIANT: small-caps&quot;&gt;Os ex-alunos não podem guardar este argumento para quando o Instituto fechar para sempre as suas portas, porque, nessa altura, estarão a ser desonestos e traiçoeiros. É agora que se tem de chamar a atenção dos alunos. É agora que se tem de lhes exigir que coloquem os Pupilos nos dez primeiros lugares do &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt; nacional das escolas secundárias&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;FONT-VARIANT: small-caps&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não há Poder político capaz de fechar um estabelecimento de ensino que tenha altos e dignificantes resultados escolares. Vamos deixar de dizer aos alunos que eles são uns &lt;em&gt;tipos bestiais&lt;/em&gt;, que a culpa é do Estado-Maior do Exército por não dar dinheiro para a manutenção da Escola, que a culpa é do Director do Instituto por &lt;em&gt;deixar correr&lt;/em&gt; e não fazer obras e arranjos nas instalações, que a culpa é do ministro da Defesa Nacional por qualquer coisa que queiram inventar, que a culpa é deste e do outro e de não sei mais quem!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não. Uma grande dose de culpa é dos alunos e, consequentemente, dos professores. Dos primeiros, porque não se aplicam afincadamente com o forte desejo de obter excelentes classificações; dos segundos, porque ou não sabem ensinar, ou são permissivos, ou não sabem responsabilizar os alunos pelos fracos resultados escolares que alcançam.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Alunos e ex-alunos, sejamos honestos. Saibamos arcar com as responsabilidades que nos calharam em sorte. Aos ex-alunos peço que deixem de bajular os alunos como se eles fossem o supra-sumo da inteligência e cultura nacionais. No seu conjunto, os alunos são muito fracos. Tão fracos que os resultados estão à vista de todos nós. Por isso, só há um processo de começar, desde já, a salvar o Pilão: obrigar os alunos a estudar, a terem excelentes notas, a tornarem-se conhecidos por pertencerem ao grupo superior dos jovens portugueses. Assim, o Instituto terá hipóteses de não ser encerrado. De contrário, não.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não gostem de mim, mas estudem, vençam com altas classificações. Um dia, dar-me-ão razão!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 00:36:41 GMT</pubDate>
  <title>Os ideais são poucos e distorcidos...</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/23142.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00020r1h/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;255&quot; width=&quot;340&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/00020r1h/s340x255&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tenho recebido, no meu computador, as mensagens que transcrevem o que se vai colocando no &lt;em&gt;Forum Pilão XXI&lt;/em&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O menos que posso dizer é que me sinto triste com o que por lá se escreve agora, pouco depois da «borrasca» originada por uma feliz intervenção do meu velho Amigo António Trancoso! Triste por ver ao que chegou um forum cuja finalidade era, quando foi criado, elevar e debater os ideais dos antigos alunos de forma a encontrar uma «saída» correcta e digna para a situação em que se pretendia colocar o Instituto. Queriam fechá-lo à míngua de inscrições.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Foram lindas as disputas ali travadas, cada qual batendo-se pela melhor ideia, aquela que julgava salvadora de uma morte anunciada. Esses ex-alunos foram-se calando, estafados de gastar os neurónios e os ideais.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O que resta? Uns oportunistas que fazem do forum local de encontro para tratarem de governar a sua vidinha, anunciando este e aquele produto, esta e aquela oportunidade, estendendo a mão com um currículo cheio de pouco ou nada na esperança de conseguirem um trabalho. A isto está reduzido o forum. É um montão de «pedras soltas» sem história, nem glória.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Isto, olhado friamente, quer dizer uma só coisa: &lt;strong&gt;os ideais foram-se embora e ficou o oportunismo&lt;/strong&gt;. O Pilão vai inexoravelmente fechar as portas dentro de poucos anos, porque não há ânimo nem vontade, por parte dos ex-alunos, para se formar uma verdadeira barreira de oposição. Não, cada um quer governar a sua vida ou fazer de conta que está ainda a lutar por uma causa já há muito perdida.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;É uma causa perdida, porque &lt;strong&gt;o «golpe de rins» necessário para salvar a Casa tinha de ser dado dentro dos muros do convento de S. Domingos. Era preciso que os alunos se enchessem de brios e procurassem ser melhores estudantes alcançando resultados espectaculares de modo a, quase miraculosamente, passarem da vergonhosa posição que ocupam no &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt; das escolas nacionais para virem colocarem-se nos lugares cimeiros&lt;/strong&gt;. Mas isso não acontece, porque &lt;strong&gt;ninguém lhes diz a verdade&lt;/strong&gt;. A verdade nua e crua: &lt;strong&gt;vocês valem muito pouco como alunos e como estudantes&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;não é com campeonatos de esgrima, florete, bisca lambida ou jogo do pau com os ursos que se fazem notar no plano nacional&lt;/strong&gt;. Não. &lt;strong&gt;Só conseguem fazer-se notar quando todos, mas todos mesmo, quiserem ser os melhores alunos de Portugal&lt;/strong&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Ninguém lhes diz isto, porque não é «politicamente correcto», porque ninguém quer admitir que a escola que começou, em 1911. destinada a dar profissões humildes, mas honestas, aos seus alunos acabou por se tornar num estabelecimento de ensino exemplar no fim da primeira metade do século passado. &lt;strong&gt;Era exemplar, porque os alunos que por lá passavam tinham uma excelente formação profissional, técnica e cívica&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Acima de tudo cívica&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;pois haviam interiorizado princípios de disciplina, trabalho e educação social&lt;/strong&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;15simples&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O forum é o espelho do Instituto: um cadáver a viver os últimos instantes de vida útil.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Ainda há uma muito fraca luz ao fundo do túnel, mas apagar-se-á se não tivermos a coragem de encarar de frente a verdade e fazer que, efectivamente, Querer seja Poder.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 23 Nov 2006 11:45:08 GMT</pubDate>
  <title>O Forum Pilão XXI</title>
  <author>Luís Alves de Fraga</author>
  <link>http://luisalvesdefragaimpe282.blogs.sapo.pt/22966.html</link>
  <description>&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0001wx1b/&quot;&gt;&lt;img style=&quot;BORDER-LEFT-COLOR: black; BORDER-BOTTOM-COLOR: black; BORDER-TOP-COLOR: black; BORDER-RIGHT-COLOR: black&quot; height=&quot;150&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;200&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/lfraga/pic/0001wx1b&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Passei por lá. Tenho sempre passado por lá. O que tenho lido? Nem dá para explicar! Vou tentar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;De um lado, o Trancoso, meu Companheiro e Amigo de há mais de 50 anos, a &amp;ldquo;esgrimir&amp;rdquo; sozinho, usando e gastando a sua rica retórica e a sua apurada lógica; do outro um, um grupo já razoável de jovens ex-alunos (com idade para serem seus filhos) acompanhados de uns Pilões mais &amp;ldquo;velhinhos&amp;rdquo;, mas que, como os chefes de escuteiros, resolveram vestir-se de garotos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O grande e fundamental pomo de discórdia está assente no facto de o Trancoso ter dado público conhecimento de uma mensagem que o Américo Ferreira lhe havia mandado em privado. E o que dizia essa mensagem? Acima de tudo que postura transmitia essa mensagem? Tudo e nada!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tudo, porque manhosamente o &amp;ldquo;lobo&amp;rdquo; se cobre com a pele do &amp;ldquo;cordeiro&amp;rdquo;; nada, exactamente porque quis fazer o papel do mais inocente anho do rebanho sujeito à escolha de um terrível algoz que o seleccionou para ser sacrificado no altar da opinião pública.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Deste modo, quando o Trancoso, meu Amigo desde os tempos do Pilão, meu camarada desde os recuados anos da Academia Militar, se dispõe a trazer à praça pública o que lhe tinha sido enviado em privado fá-lo com plena consciência e sem nenhuma ponta de inocência. Não contou foi com a &amp;ldquo;lágrima&amp;rdquo; fácil dos jovens Pilões que o Américo Ferreira sabe explorar com mestria. O Trancoso contou com a frontalidade, a coragem, a frieza de raciocínio e a verticalidade de todos os que o lessem. Enganou-se. O presidente da Direcção da APE levou-lhe a melhor, pelo menos neste &lt;em&gt;round&lt;/em&gt;. O porquê? Porque, na sua mensagem privada perguntava, com ar de &amp;ldquo;puto&amp;rdquo; acabado de entrar nos portões do Instituto: &amp;mdash; Que mal te fiz eu, para me estares a bater sempre?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Ardiloso, este &amp;ldquo;puto&amp;rdquo; de cinquenta e tal anos! Muito ardiloso...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Assim ele sabia que se o Trancoso tornasse público o que era privado ia contar com o apoio &amp;mdash; como está a contar &amp;mdash; de todos os &amp;ldquo;putos&amp;rdquo; que vão atrás do &amp;ldquo;choro&amp;rdquo; que lançou na sua mensagem e sabia, também, que se o Trancoso lhe desse resposta em privado nunca iriam ser públicas as suas tropelias enquanto presidente da Direcção da APE. Se fossem tornadas públicas estavam atenuadas pela &amp;ldquo;tremenda maldade&amp;rdquo; do meu Amigo Dias Trancoso ter dado à publicidade uma coisa em que ele, &amp;ldquo;pobre inocente&amp;rdquo;, queria reservada.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Esperto o &amp;ldquo;menino&amp;rdquo;!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Tão esperto que conseguiu, de facto, não só desviar as atenções gerais do que é, realmente, fundamental como, também, garantiu a adesão, pelo menos, da maioria dos leitores que se querem comprometer no &lt;em&gt;Forum&lt;/em&gt; (porque haverá, disso não tenhamos dúvidas, muitos ex-alunos que estão de acordo com o António Trancoso, mas não querem vir à estacada &amp;ldquo;sujar&amp;rdquo; a imagem, dando-lhe a razão que lhe assiste).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O Américo Ferreira conseguiu &amp;ldquo;dar a volta&amp;rdquo; à cabeça dos &amp;ldquo;putos&amp;rdquo; (tenho filhos mais velhos do que a maioria dos Pilões que se manifestam tão desabridamente no &lt;em&gt;Forum&lt;/em&gt; e que, aqui para nós, eu gostaria de os ver se companheiros da sua idade tratassem os seus progenitores com a deselegância com que eles tratam quem passou pelo Pilão há mais de quatro dezenas de anos!), dizia, deu a volta à cabeça dos &amp;ldquo;putos&amp;rdquo; levando-os a considerarem uma falta de ética o que o Trancoso, com toda a coragem e frontalidade, fez.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Falta de ética, falta de decoro, falta de verticalidade associativa tem-na o Américo Ferreira quando continua à frente da Direcção depois de três membros &lt;strong&gt;efectivos&lt;/strong&gt; do seu elenco (escolhidos por ele), em bloco, terem apresentado a demissão daquele órgão. &lt;strong&gt;Qualquer brigadeiro Álvaro de Oliveira, qualquer senhor Barroso Júnior &amp;mdash; figuras ímpares de ex-alunos &amp;mdash; &lt;u&gt;teria imediatamente apresentado a demissão ao presidente da Assembleia Geral&lt;/u&gt; e passado à gestão corrente até que uma nova Assembleia tomasse decisões&lt;/strong&gt;. Isso é Ética e Verticalidade. &lt;strong&gt;Mas que ética se pode esperar quando um presidente da Assembleia Geral convoca o plenário de sócios e falta à sua própria convocação? Mas que ética se pode esperar quando também não está presente o vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;São estas e outras que permitem aos presidentes deste país ir governando destinos mais ou menos alargados de colectividades mais ou menos amplas. Porque esses regem-se por uma &lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt&quot;&gt;ética &lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;que mal se vê, que não é a dos Homens verticais, impolutos e que não querem agarrar-se ao poder (por mais pequeno que ele seja) como o &lt;em&gt;Botas&lt;/em&gt; de Santa Comba Dão.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;O Américo Ferreira que venha publicamente explicar o &lt;em&gt;buraco&lt;/em&gt; financeiro que a sua megalomania gerou, no ano passado, no património da APE. &lt;em&gt;Buraco&lt;/em&gt; que vão ser os sócios a pagar... Mas isso não lhe convém trazer a público e explicar muito bem explicadinho. Explicar aos &amp;ldquo;putos&amp;rdquo; que, agora, lhe dão um indefectível apoio!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;Meu caro António Trancoso, é altura de poupança... Não percas tempo, água e sabão... Poupa-te para gozares o excelente clima da &amp;ldquo;Pérola do Atlântico&amp;rdquo;, terra que de mau só tem quem a governa e onde muitos destes contra quem tu agora esgrimes parece terem aprendido muitas das manhas de &lt;/font&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt&quot;&gt;homens públicos&lt;/span&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;MARGIN: 0cm 0cm 0pt&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot; size=&quot;3&quot;&gt;Não há paciência! Eu não a tenho, porque, sendo coronel reformado e professor universitário no activo faço todos os possíveis para dignificar aquilo que fui e aquilo que sou, comportando-me em concordância com o papel que é socialmente esperado de mim e com o qual a minha consciência está consonante.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;</description>
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